apostila saúde pública

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ESCOLA ESTADUAL PROFESSOR ARY DE OLIVEIRA GARCIA

APOSTILA DE SADE PBLICAPROFESSOR MARCOS GAIA

CUBATO 20091

SUMRIO

PG.

1. Relao sade-doena ....................................................................04 2. Histria Natural das doenas ...........................................................05 3. Mtodos de descrio da doena no tempo e no espao ...............07 4. Conceitos bsicos em epidemiologia ...............................................10 5. Fatores Relacionados com a Condio de Sade das Populaes ........17 6. Indicadores de Sade ......................................................................18 7. Sade - Indicadores bsicos e polticas governamentais ................22 8. Sistema de Informao de Doenas de Notificao Compulsria ...24 9. Doenas crnico degenerativas e o processo de envelhecimento ..27 10. O paradoxo da sade brasileira .....................................................28 11. SUS (Sistema nico de Sade) .....................................................30 12. A Biotica .......................................................................................31 13. Questionrio ....................................................................................32 14. Referncias Bibliogrficas ...............................................................34

CUBATO 20092

PREFCIOO objetivo desta apostila demonstrar os principais conceitos da Sade Pblica, as principais questes ligadas a sade, alm de questes sobre polticas de gesto e epidemiologia. Construir este instrumento, atravs de compilaes e textos na ntegra foi tarefa que demandou alguns critrios e muitas horas de leitura. Este exemplar carecer de correes e atualizaes constantes, lembrando que, em nenhum momento, aconselho-vos a consultar somente esta apostila, mas sim recorrer aos livros e trabalhos cientficos, de inmeros estudiosos conceituados.

O futuro... onde guardamos nossas esperanas, em ser, concretizar. Para chegar ao futuro, subimos uma escada onde o degrau que estamos o AGORA. O AGORA o lugar sagrado no tempo / espao onde temos a oportunidade divina de criar e sentir, sentir intensamente cada momento, que serviro de experincia para que vivamos numa nova realidade, o FUTURO. Marcos Gaia

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1.

RELAO SADE E DOENA

Conceito e importncia da Sade Pblica. Sade Pblica a cincia e a arte de evitar doenas, prolongar a vida e desenvolver a sade fsica e mental e a eficincia, atravs de esforos organizados da comunidade para o saneamento do meio ambiente, o controle de infeces na comunidade, a organizao de servios mdicos e paramdicos para o diagnstico precoce e o tratamento preventivo de doenas, e o aperfeioamento da mquina social, que ir assegurar a cada indivduo, dentro da comunidade, um padro de vida adequado manuteno da sade. Winslow, citado por Leavel & Clark (1976). A Sade Pblica objetiva prevenir doenas e promover sade em populaes atravs de esforos comunitrios, tendo como principal instrumento a Epidemiologia. Quando se cogita oferecer solues para elevar o nvel de sade deve-se considerar que o problema no pode ser resolvido com a formao de um nmero maior de hospitais (mesmo que muito bem aparelhados) e profissionais de sade altamente especializados , pois a questo da sade passa invariavelmente pelas condies socioeconmicas da populao. Se a sade se distribui, social e geograficamente, como a renda, a redistribuio da sade implica na redistribuio da renda. (Mello, 1982). Conceitos de Sade e Doena Sade : um estado de completo bem estar fsico, mental e social, e no meramente a ausncia de doenas ou defeitos. OMS. Esta definio descreve um objetivo utpico, potico e impossvel de ser alcanado, porm, possui o mrito de reconhecer, no seu sentido mais amplo, que a sade no depende somente de profissionais e casas de sade. um problema de natureza social decorrente do nvel de vida dos indivduos, um equilbrio orgnico resultante de um ajustamento do organismo no sentido da manuteno de um balano positivo contra foras biolgicas, fsicoqumicas, mentais e sociais que tendem a romper este equilbrio. Portanto, este conceito est em desuso, embora muitos estudiosos ainda busquem uma definio para sade. Uma delas, escrita pelo Ministrio da Sade, em 1986, diz: A sade resultante de alimentao, habitao, educao, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse de terra e acesso aos servios de sade. assim o resultado das formas de organizao social e da produo, as quais podem gerar grandes desigualdades nos nveis de vida. Doena: Alterao de um desvio do estado de equilbrio de um indivduo com o meio. OMS. A doena ocorre quando h perturbao funcional dos processos fisiolgicos a nvel celular . Isto ocorre quando o indivduo ou populao so expostos a condies ambientais desfavorveis, a agentes e/ou a fatores genticos que levam a essas alteraes. A alterao dos processos fisiolgicos produz manifestaes denominadas de sintomas e/ou sinais de doena. Sintomas so os efeitos das alteraes fisiolgicas que so detectveis somente pelo prprio indivduo. uma manifestao subjetiva da doena.So exemplos de sintomas dor, vertigem, nusea, etc. Sinais (ou sinais clnicos): so os efeitos das alteraes fisiolgicas que podem ser observadas ou medidas por outros indivduos (ex. veterinrios, mdicos, etc.). uma

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manifestao objetiva da doena So exemplos a febre, inapetncia, o vomito, alterao da locomoo etc. Outros sinais so mais obscuros e podem necessitar de instrumentos sofisticados (alteraes dos valores bioqumicos) ou perodos de observao longos (ex. fertilidade baixa, perda de peso, perda de pelo). Sade e doena so termos relativos, portanto, a conceituao simplista de que sade e doena so dois estados recprocos, exclusivos e estticos, com demarcao de limites incorreta. Bibliografia: JEKES, J.F. et al. Epidemiologia, bioestatstica e medicina preventiva. Porto Alegre: Artmed,1999. LEAVEL H, CLARK EG. Medicina Preventiva. So Paulo: McGraW-Hill, 1976. LESER, W. et al. Elementos de Epidemiologia Gera. So Paulo: Atheneu, 2002. MELLO, Carlos Gentile de. Sade Oficial, medicina popular. Rio de Janeiro: Marco Zero,1982 ROUQUAYROL, M.Z. Epidemiologia e sade. Rio de Janeiro:Medsi,2001. 2. HISTRIA NATURAL DAS DOENAS

Definio : D-se o nome de Histria Natural das Doenas ao conjunto de processos interativos que compreendem as relaes existentes entre o hospedeiro, o agente e o meio ambiente que afetam o organismo na produo de doenas. A Histria Natural de uma doena tm incio antes do envolvimento do indivduo, isto , antes que ele receba o estmulo-doena. A Histria Natural das Doenas na realidade um quadro esquemtico que descreve as mltiplas e diferentes enfermidades, criando condies para a realizao de diferentes mtodos de preveno e controle das diversas doenas. Apresenta desenvolvimento em dois perodos seqenciais: Perodo Epidemiolgico: enfoca as relaes suscetvel-ambiente. Perodo Patolgico: abrange as modificaes que se passam no organismo. Relao Hospedeiro, Agente e Ambiente. Consideraes sobre o Hospedeiro. A suscetibilidade de um hospedeiro diante de um agente casual (agente causador de determinada doena) condicionada por vrias caractersticas prprias do hospedeiro, que podem ser classificadas em: a- Refratrio: O organismo no oferece condies para o surgimento do estmulodoena. b- Resistente: O organismo dispe de defesa contra o estmulo-doena. c- Suscetvel: Apresenta fator de risco para o desenvolvimento do estmulo doena. Este risco pode tornar-se maior ou menor pela influncia de alguns fatores. Fatores de risco de um hospedeiro so fatores responsveis pela intensidade de adaptao s agresses produzidas pelo agente. A resistncia do hospedeiro influenciada pela idade, sexo, raa, estado nutricional, sistema imunolgico e condies socioeconmicas.

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Consideraes sobre o Agente. O agente apresenta algumas caractersticas que influem na instalao ou transmisso de uma doena, em maior ou menor escala de acordo com a espcie do agente. Tipos de agentes: Agentes Biolgicos: microorganismos infecciosos, alrgicos, vacinas, antibiticos, etc. Agentes Fsicos: ferimentos por arma branca ou de fogo, traumatismos, acidentes automobilsticos, etc. Agentes Qumicos: substncias txicas, poeiras, etc. Influncias sociais e psicolgicas: podem ser considerados agentes na produo de problemas de sade. Caractersticas do Agente: Infectibilidade: capacidade de penetrar em um organismo, reproduzindo-se ou desenvolvendo-se. avaliada pela freqncia em que a infeco se manifesta na comunidade. Ex.: Gripe. Patogenicidade: capacidade de um agente produzir alteraes em um organismo. Ex.: Tuberculose. Virulncia: capacidade de um agente causar alteraes graves no organismo. avaliada pelo nmero de seqelas ou bitos no portador do agente. Ex. Raiva. Imunogenicidade: capacidade de um agente induzir o organismo a uma resposta (resposta imune). Ex.: catapora. Viabilidade: capacidade de um agente de sobreviver fora de um hospedeiro. Ex.: bacilo do ttano. Consideraes sobre o ambiente Influencia a probabilidade e as circunstncias para o contato entre o agente e o hospedeiro. O meio ambiente pode atuar de algum modo na relao estmulo-doena, vem como na qualidade de vida do indivduo, principalmente em crianas. Os fatores ambientais que atuam na relao hospedeiro agente so agrupados em : - Fatores Biolgicos: vetores, reservatrios, etc. - Fatores Fsicos: enchentes, temperaturas altas, condies sanitrias precrias, etc. - Fatores socioeconmicos: favelas, superlotao de escolas, falta de higiene, etc. Os vetores A Histria Natural de uma doena normalmente descrita por trs fatores: hospedeiro , agente e meio ambiente. Porm, para algumas doenas necessrio acrescentar um quarto fator, o vetor. Vetor todo fator que transporta um agente de doena de um indivduo para o outro. Normalmente estudamos os vetores biolgicos (insetos, moluscos, mamferos, etc.), entretanto,em um conceito mais amplo podemos incl