apostila responsabilidade civil

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  • 5/21/2018 Apostila Responsabilidade Civil

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    Direito Ambiental - Prof. Mestra Daniela Teixeira.

    APOSTILA: Responsabilidade Civil1

    Prof. Mestra Daniela Teixeira.

    Bibliografia sugerida:

    CAVALIERI FILHO, Srgio. Programa de Responsabilidade Civil.10ed. So Paulo: Atlas,2012.

    CHAVES, Cristiano; ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil. Salvador: Editora JusPodivm, 2013.

    DIAS, Jose de Aguiar. Da responsabilidade civil. 12ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011.

    GONALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Responsabilidade civil. 7ed. SoPaulo: Saraiva, 2011. v.4

    NERY JUNIOR. Nelson. Cdigo Civil Comentado. 8ed. So Paulo: Revista dos Tribunais,2011.

    RODRIGUES, Silvio. Direito Civil:Responsabilidade Civil. 20ed. So Paulo: Saraiva, 2003.v. 4.

    STOLZE, Pablo; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil:Responsabilidade Civil. 10ed. So Paulo: Saraiva, 2011. v. 3.

    TARTUCE, Flvio; Simo, Jos Fernando. Manual de Direito

    Civil. 2ed.So Paulo: Ed.Mtodo, 2012.

    VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil: Responsabilidade civil. 12ed. So Paulo: Atlas,2012. v.4.

    1. RESPONSABILIDADE CIVIL

    1.1RESPONSABILIDADE CIVIL EM GERAL: CONCEITO DE RESPONSABILIDADE

    Tem-se a responsabilidade: Moral (religiosa, p.ex.) e Jurdica (penal, processual,tributria, civil, etc.). No presente estudo, tratar-se-, em geral, da responsabilidade civil.

    A responsabilidade civil deriva da transgresso de uma norma jurdica preexistente(civil), legal ou contratual, resultando na imposio do dever de indenizar ao causador dodano (Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona Filho).

    A responsabilidade civil pode definida, ainda, como a situao de quem sofre asconsequncias da violao de uma norma, ou como a obrigao que incumbe a algum de

    1 Trata-se de apontamentos, no dispensando a leitura da legislao indicada, tampouco da doutrina ejurisprudncia referentes ao tema.

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    reparar o prejuzo causado a outrem, pela sua atuao ou em virtude de danos provocados porpessoas ou coisas dele dependentes (Clovis Bevilcqua).

    - Para que haja a responsabilidade civil, parte-se do princpio que h uma norma jurdica

    preexistente que foi violada.

    - Francisco de Assis Toledo: responsabilidade civil atribuir a algum as consequnciasdanosas do seu comportamento.

    - TARTUCE: A Responsabilidade Civil surge em face do descumprimento obrigacional,pela desobedincia de uma regra estabelecida em um contrato, ou por deixar determinadapessoa de observar um preceito normativo que regula a vida (2012, p. 415).

    Ademais, a reponsabilidade pode advir de um contrato, logo contratual, ou por

    imposio legal, extracontratual. A responsabilidade civil deriva, assim, da transgresso deuma norma jurdica preexistente (civil), legal ou contratual, resultando na imposio do deverde indenizar ao causador do dano.

    1.1.1 Responsabilidade contratual

    A responsabilidade contratual ocorre quando determinada pessoa causa prejuzo aoutrem por descumprir uma obrigao contratual. Nela o agente descumpre o avenado,tornando-se inadimplente.

    NORMA VIOLADA ___ CONTRATO (relao contratual violada - arts. 389 e ss,395 e ss - responsabilidade contratual).

    Art. 389. No cumprida a obrigao, responde o devedor por perdas e danos,mais juros e atualizao monetria segundo ndices oficiais regularmenteestabelecidos, e honorrios de advogado.

    omissis (...)

    Art. 393. O devedor no responde pelos prejuzos resultantes de caso fortuitoou fora maior, se expressamente no se houver por eles responsabilizado.

    Pargrafo nico. O caso fortuito ou de fora maior verifica-se no fatonecessrio, cujos efeitos no era possvel evitar ou impedir.

    Ex. construtora e contratantepromessa de compra e venda de um imvel : contrato quevincula credor e devedor, o comportamento inadimplente viola a norma jurdica entre as

    partes. Quando o contrato descumprido o dano presumido e a responsabilidade contratual.

    - A responsabilidade contratual abrange tambm o inadimplemento ou mora relativos a

    qualquer obrigao, ainda que provenientes de um negcio unilateral (como o testamento, aprocurao ou a promessa de recompensa) ou da lei (como a obrigao de alimentos).

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    1.1.2 Responsabilidade extracontratual

    A responsabilidade extracontratual aquela derivada de ilcito extracontratual,

    tambm chamada aquiliana (art. 186 do CC). Nela o agente infringe um dever legal. No h

    nenhum vnculo jurdico existente entre a vtima e o causador do dano.

    NORMA VIOLADA ___ LEI (responsabilidade extracontratual ou aquiliana LexAquilia de Damno, sc. III, a. C).

    Ex. A manobra o carro e bate no carro de outra pessoa. Com esse comportamento, A causoudano a outrem. No h um contrato prvio, mas a lei estabelece uma norma geral que aningum dado causar prejuzo a outrem.

    Base legal para justificar a responsabilidade civil extracontratual: CC, arts. 186 a 188 e

    927 ss.

    1.1.3. Responsabilidade subjetiva e objetiva

    Convivem, hoje, no ordenamento jurdico brasileiro duas teorias que fundamentam a

    responsabilidade civil, as quais se diferenciam pela considerao da culpa como elemento da

    obrigao de reparar o dano.

    a) Responsabilidade subjetiva: nessa concepo, a culpa pressuposto da responsabilidade

    civil, ou seja, no havendo culpa, no h responsabilidade. O CC, segundo maior parte da

    doutrina, filiou-se teoria subjetiva, conforme se verifica da leitura do art. 186, que erigiu o

    dolo e a culpa como fundamentos da obrigao de reparar.

    A responsabilidade subjetiva subsiste como regra necessria, sem prejuzo da adoo

    da responsabilidade objetiva, tambm reconhecida e verificada no Cdigo Civil brasileiro.

    b) Responsabilidade objetiva: nessa hiptese, a lei impe a reparao de um dano causado

    sem a concorrncia do elemento culpa. Essa modalidade funda-se no risco. O pargrafo nico,

    do art. 927 do CC admite a responsabilidade sem culpa pelo exerccio da atividade que, por

    sua natureza, representa risco para os direitos de outrem.

    1.2HISTRICO

    O Direito Romano comeou a tratar da responsabilidade civil, daLex Aquilia (286 a.C,

    originada por um tribuno do povo, Lcio Aqulio, no Perodo Republicano, poca arcaica),

    criando um direito punitivo, o qual ia alm da pena meramente fsica, imposta anteriormente,

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    por exemplo, pelo Cdigo de Hamurabi, com a Lei de Talio (olho por olho, dente por dente),

    passando a considerar a possibilidade de uma condenao pecuniria, uma reparao civil do

    dano causado. Assim, com a Lex Aquilia, a retribuio do mal pelo mal foi substituda por

    uma pena pecuniria.

    Frana produziu o melhor do direito civil at primeira parte do sculo XX: Irmos

    Mazeaud (Henri e Joel).

    Jos de Aguiar Dias (Ministro do TFRTribunal Federal de Recursos-> STJ-CF/1988

    e os TRFs) foi o primeiro a tratar do termo da responsabilidade, no mbito civilista, por isso

    conhecido como o pai da responsabilidade civil. Tem uma obra intitulada Da

    responsabilidade civil, de 2 volumes.

    Segundo Jos de Aguiar Dias: toda manifestao humana traz em si o problema da

    responsabilidade.

    Ex1. Uma me chega em sua casa e v o vaso quebrado, ela pergunta: quem foi o

    responsvel por isso?. inerente as relaes humanas.

    Ex2. Tu te tornas eternamente responsvel por tudo aquilo que cativas (Antoine de Saint-

    Exupry).

    CURIOSIDADES HISTRICAS:

    - ABUSO DE DIREITO: no incio da discusso do tema, desvirtuavam, utilizando o jus

    abutendi, na relao do direito de propriedade, como direito de abusar; no fim do sculo

    XIX, capitalista, propriedade direito absoluto.

    - Lon Duguit, ao longo do sculo XX, diz que o direito propriedade passou de direito

    absoluto, para se vincular sua funo social.

    - Caso de Clment-Bayard (Orlando Gomes):

    -- Bayard tinha uma fazenda, na Frana, fim do sc. XIX, cujo pensamento que

    vigorava era herana do direito romano, a propriedade era horizontal e vertical (do cu at o

    inferno). O Clment incomodava-se com os bales e zepelins que passavam sob o cu de sua

    propriedade, pois ficava ao lado de um campo de dirigveis. Diante desse fato, resolveu fincaruma lanar de 35m de altura, inviabilizando a manobra do zepelim.

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    -- Tal fato foi levado ao Judicirio da poca e ficou decidido que o direito de

    propriedade no mais absoluto, podendo ser objeto de abuso e seu agente responsabilizado

    civilmente. Ele disse que estava exercendo o seu direito de propriedade, mas foi entendido

    pela autoridade judiciria da poca que Bayard estava abusando do direito, pois se excedeu, j

    que no fincar haste pontiaguda e de grande altura no tem finalidade lcita.

    1.3 ATO ILCITO COMO FONTE DA OBRIGAO DE INDENIZAR

    - O PrincpioNeminemLaedere(a ningum dado causar prejuzo a outrem): arts. 186-187,

    CC/2002.

    - No h um contrato prvio, mas a lei estabelece uma norma geral, que a ningum dado

    causar prejuzo a outrem. A base para justificar a responsabilidade civil extracontratual so os

    arts. 186-187, CC.

    -- Arts. 186-7 definem a regra (sistema) geral da responsabilidade civil

    extracontratual: o primeiro, define o ato ilcito; o segundo, define o abuso de direito, tambm

    como forma do ato ilcito.

    Art. 186: a

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