apostila radiologia veterinária

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Prof. Msc. ROBRIO MACDO DE OLIVEIRA

Radiologia Veterinria

CONCEITOS BSICOS EM RADIOLOGIA1 - HISTRICONo dia 8 de novembro de 1895, no Instituto de Fsica da Universidade de Wrzburg, na Baviera, WILHELM CONRAD ROENTGEN (1845-1923) descobriu um novo tipo de radiao e a ela denominou de Radiao X ou Raio X. Roentgen estudava o comportamento dos raios catdicos trabalhando com uma ampola desenvolvida por William Crookes. Nessa ampola, a qual era de vidro e continha, no seu interior, gs, ao se gerar uma diferena de potencial eltrico ocorria uma movimentao de eltrons, carga eltrica negativa, que se encontravam no Ctodo, ou Catdio, em direo ao nodo, ou Andio, carga eltrica positiva. Nesse deslocamento dos eltrons, Roentgen observou que alguns se chocavam contra as paredes da ampola e que desse choque havia a produo de um tipo de radiao que tornava fluorescente um carto pintado com platinocianeto de brio usado nas pesquisas dos raios catdicos mesmo quando a ampola estivesse envolta por um grosso papel negro. No laboratrio haviam filmes fotogrficos e, sobre um deles, sua esposa, inadvertidamente, colocou sua mo. O filme ao ser revelado mostrou nitidamente as estruturas internas (ossos) da mo da esposa de Roentgen.

Fig. 1 - Representao esquemtica de umaampola de Crookes.

Em 28 de dezembro de 1895 Roentgen submeteu sua descoberta Sociedade de Fsica e Cincias Mdicas da Universidade de Wrzburg atravs de um paper (10 pginas) intitulado eber eine Neue Art von Strahlen (Uma nova forma de radiao), tendo o mesmo sido aprovado e passado a fazer parte dos Anais da Sociedade ainda no ano de 1895.Em 1901, a Fundao Nobel reconhecendo a importncia dessa descoberta para o avano e desenvolvimento das cincias mdicas criou o Prmio Nobel de Fsica e Roentgen foi o primeiro fsico a receb-lo nesse mesmo ano.A primeira radiografia de um animal foi realizada em 1896 por Josef Eder, em Viena. Richard Eberlein, mdico veterinrio ingls, publicou, em 1897, o primeiro Atlas Radiogrfico canino.

2 O QUE RADIOLOGIARadiologia o ramo das cincias mdicas que se utiliza das radiaes descobertas por Roentgen para auxiliar no diagnstico e tratar diversas enfermidades. Quando se restringe ao campo do diagnstico ela, juntamente com outras especializaes mdicas (Ultrassonografia, Tomografia Computadorizada, Ressonncia Magntica, Medicina Nuclear) forma o que se convencionou denominar de Meios Auxiliares de Diagnstico por Imagem . importante enfatizar que a Radiologia um Meio Auxiliar de Diagnstico e desta maneira suas informaes devem ser examinadas de forma conjunta com a histria clnica do paciente, com os sinais clnicos, com o exame fsico, com os exames laboratoriais e com outros exames possveis de serem realizados. Por si s a Radiologia apenas contribui, muitas vezes de maneira decisiva, para o diagnstico. No sua funo elaborar o diagnstico e sim auxiliar no elaborao dele.3 - OS RAIOS XOs Raios so radiaes eletromagnticas, as que no possuem massa, e deste espectro tambm fazem parte as ondas do rdio, microondas, raios infravermelhos, luz visvel, raios ultravioletas, raios gamas, entre outras. Elas Tais radiaes diferem entre si pelo comprimento de onda (distncia entre uma partcula numa determinada onda e a sua correspondente na onda seguinte, representada pela letra grega lambda - ), pela freqncia (nmero de ciclos por segundo de uma radiao eletromagntica) e pela energia (capacidade da radiao de produzir trabalho). O comprimento de onda das Radiaes X varia entre 100 e 0,01 , sendo que para o radiodiagnstico a variao est na faixa entre 0,5 - 0,4 dependendo da quilovoltagem (Kv) a ser empregada.

4 - A PRODUO DAS RADIAES X

Inicialmente, Roentgen produzia as Radiaes X em ampolas criadas por W. Crookes porm esse tipo de equipamento no permitia que houvesse um controle efetivo sobre a quantidade e a intensidade das radiaes emitidas. Em 1913, William Coolidge, fsico ingls, criou um novo tipo de ampola que permitia controlar a quantidade e a qualidade dos Raios X e essa ampola, com poucas alteraes, ainda o principal equipamento usado nos aparelhos de Raios X. A ampola de Coolidge, que apresenta vcuo total no seu interior, de vidro e est envolvida por uma carapaa de metal, geralmente o chumbo, que possui uma abertura por onde emana o feixe til de radiaes X.

Fig. 2 - Representao esquemtica de uma ampola de Coolidge.

Para a produo das radiaes X so necessrios trs elementos bsicos: uma fonte de eltrons, um local de impacto e uma diferena de potencial eltrico entre eles.Em uma das extremidades da ampola localiza-se um filamento de tungstnio em espiral que, quando aquecido atravs de uma corrente eltrica de baixa voltagem, medida em miliamperes (mA), produz uma determinada quantidade de eltrons (carga eltrica negativa) que daro origem as Radiaes X. Esta extremidade, que possui carga eltrica negativa, denominada de CATDIO ou CTODO.Na extremidade oposta encontramos um bloco, geralmente de tungstnio, denominada de ANDIO ou NODO, que pode ser fixo ou giratrio, e possui carga eltrica positiva. No ponto central deste banco encontramos uma rea bastante resistente denominada de Ponto Focal ou Alvo. Ao se aplicar uma diferena de potencial eltrico entre as duas extremidades, atravs de em circuito de alta voltagem, medido em quilovoltagem (Kv), faz-se com que os eltrons se desloquem em alta velocidade desde o catdio em direo ao andio, se chocando violentamente contra o Ponto Focal. O impacto faz com que a energia dos eltrons se transforme em Raios X ( 2%), calor ( 95%) e em outras formas de energia.

5 - MILIAMPERAGEM

O filamento de tungstnio que se encontra no catdio ao ser esquentado cria ao seu redor uma quantidade de eltrons que ao serem deslocados pela diferena de potencial iro produzir uma quantidade proporcional de radiaes X. Essa quantidade de eltrons criadas ao redor do catdio corresponde medida eltrica denominada de MILIAMPERAGEM (mA). A produo dessas radiaes X alm de estar relacionada com o nmero de eltrons emitidos est, tambm, diretamente relacionada com o tempo que estar ocorrendo a diferena de potencial. Esse tempo, geralmente, um segundo.Dessa forma, a quantidade de raios X requerida para a obteno de uma radiografia indicada pelo produto da miliamperagem pelo tempo de exposio e expressa em miliamperes/segundo (mAs)Assim sendo, a miliamperagem corresponde a quantidade de radiaes X obtidas num determinado espao de tempo.

6 - QUILOVOLTAGEM

A intensidade da diferena de potencial aplicada no interior da ampola vai interferir diretamente na velocidade de deslocamento dos eltrons desde os catdio at o andio e, portanto, na intensidade do choque e na energia liberada por ele. Assim sendo, os raios X que se formaro tero comprimento de onda varivel de acordo com a intensidade do impacto dos eltrons contra o alvo. A diferena de potencial produzida por um circuito eltrico de alta voltagem eltrica e expressa em QUILOVOLTS ou QUILOVOLTAGEM (kv), que tambm conhecida como a fora de penetrao dos raios X. Como visto, a intensidade da diferena de potencial interfere no comprimento de onda das radiaes X que se formaro. Quanto maior a diferena de potencial aplicada menor ser o comprimento de onda e maior ser o poder de penetrao.O poder de patogenicidade das radiaes X tambm est diretamente relacionado com o seu comprimento de onda. Quanto maior o comprimento de onda menor ser o seu poder de penetrao nos tecidos orgnicos e, portanto, maior o seu grau de patogenicidade.Os raios X usados para fins de radiodiagnstico comumente possuem um comprimento de onda que varia entre 80 a 100 kv ( = 0,4 ) que um comprimento de onda curto e no apresenta alto grau de patogenicidade. Estas radiaes so chamadas de RADIAES DURAS.As radiaes com comprimento de onda que variam entre 40 a 60 kv ( = 0,5 ) possuem um comprimento de onda longo, so altamente patognicas e so chamadas de RADIAES MOLES.Comprimentos de onda que variam entre 60 a 80 kv ( = 0,45 ) do origem as chamadas RADIAES INTERMEDIRIAS que tambm apresentam um grau de patogenicidade menor que o das radiaes moles e no devem ser usadas na prtica diria. Acima de 100 kv temos as denominadas RADIAES ULTRA DURAS que so geralmente usadas na indstria.

7 PROPRIEDADES DOS RAIOS X

Os raios X possuem inmeras propriedades, porm para fins de radiodiagnstico so importantes as seguintes:

Propagam-se com a mesma velocidade da luz e sempre em linha reta; Por no possurem carga eltrica no so desviados nem por campos eltricos nem por campos magnticos; Produzem ionizao (formao de ons) por onde passam; Por no possurem massa, so capazes de atravessar corpos espessos; Ao incidirem sobre substancias como platino cianeto de brio, sulfato de zinco, tungstato de cdmio, tornam-nas fluorescentes; So capazes de sensibilizar os filmes fotogrficos e os radiogrficos.

Uma das propriedades mais importante das radiaes X e que deve sempre estar presente no cotidiano dos profissionais veterinrios a de que os raios so capazes causar modificaes nas clulas vivas produzindo alteraes somticas (interferindo no equilbrio qumico celular) e/ou genticas (interferindo diretamente na cadeia do DNA, rompendo-a).

8 O FEIXE DE RAIOS X

Ao se chocarem contra o andio, os eltrons, alm de produzirem calor, do origem a infinidade de raios X que emergem da ampola sob a forma de um feixe, cnico, denominado de FEIXE PRIMRIO. Os raios que compe este Feixe possuem comprimento de onda varivel e se difundem de forma divergente, sendo ento necessrio limitar o seu campo de ao atravs de cones e/ou diafragmas. A este Feixe Primrio, para fins de proteo contra as radiaes, somente deve ficar exposto o paciente e o pessoal tcnico que esteja com equipamentos de proteo (luvas, avental, etc.). O ponto exato onde ocorre o choque dos eltrons contra o andio denomina-se de Ponto Focal.Compondo o Feixe Primrio existe um nico raio X que ocupa exatamente a posio ce