apostila politicas publicas

Download Apostila politicas publicas

Post on 09-Mar-2016

242 views

Category:

Documents

22 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Apostila do componente Políticas Públicas

TRANSCRIPT

  • 1 | P g i n a

    CURSO TCNICO EM SERVIOS PBLICOS (MODALIDADE EDUCAO DISTNCIA)

    POLTICAS PBLICAS

    (SP2PP)

    So Roque 2013

  • 2 | P g i n a

    A RELAO ESTADO E SOCIEDADE

    A relao Estado e Sociedade vm sendo construda com a histria da prpria humanidade.

    o resultado dos conflitos, dos interesses, das interaes e dos sonhos. Tratar dessa relao

    falar sobre o poder e a vida gregria (vida em grupo), como se organizar e como assegurar

    a sobrevivncia da espcie humana em nossa casa, a Terra, garantindo a um maior nmero

    de pessoas o acesso aos recursos bsicos que lhes possibilitem viver com dignidade.

    Uma breve retrospectiva da relao dialtica: Estado e Sociedade, na perspectiva do poder,

    mostra-nos como ela moldou a histria da humanidade; explodimos bombas atmicas,

    produzimos guerras mundiais, declaramos que todos os humanos nascem livres e iguais em

    dignidade e direitos; criamos doenas e inventamos vacinas; geramos o efeito estufa,

    comprometemos a biosfera, lutamos contra as mudanas do clima; fomos fundamentalistas,

    praticamos a tolerncia; concentramos renda, lutamos contra as injustias sociais.

    Observe que essas interaes continuam acontecendo: os conflitos de interesses e os

    convvios. Logo, a relao Estado e Sociedade marcada historicamente por tudo o que

    construmos no agora por nossas decises, valores e viso de mundo.

    Construmos e decidimos quando votamos. Construmos, tambm, quando respeitamos o

    diferente, quando no jogamos lixo na rua, quando cuidamos de ns, dos que esto a nossa

    volta.

    Tambm construmos quando somos indiferentes ou omissos ou, ainda, quando estamos

    alheios realidade. Quando achamos natural vermos crianas nas esquinas mendigando ou

    se prostituindo. Quando vemos misria, violncia, corrupo, destruio do meio ambiente.

    A cada resposta ou omisso, definimos quem somos. A cada sim ou no, construmos essa

    relao. So nossas marcas deixadas na vida, nossos passos pelo cho.

    A condio de estarmos vivos exige responsabilidade e cuidado para conosco, para com o

    outro, com a natureza e tudo o que est ao redor.

  • 3 | P g i n a

    PERSPECTIVA HISTRICA DO CONCEITO DE SOCIEDADE E DE ESTADO

    - Sociedade

    Sociedade um conjunto de pessoas que vive em certa faixa de tempo e de espao, segundo

    normas comuns e que so unidas pelas necessidades de grupo. , na verdade, uma entidade

    autnoma que emerge da experincia da vida coletiva e possui caractersticas prprias que

    transcendem aos indivduos que a ela pertenam.

    - Estado

    O Estado teria surgido da necessidade de se estabelecer um acordo entre os indivduos que

    viviam em comunidade, com o objetivo de dirimir os conflitos que porventura se

    apresentavam.

    Desde a Antiguidade os grupos sociais se organizam no sentido de atender as demandas de

    seus membros. No Egito, na Prsia, entre os hebreus, gregos, romanos, chineses e hindus o

    Estado foi construdo enquanto opo de organizao social.

    Na Idade Mdia, o Estado era descentralizado, ou seja, o poder dividido entre os donos das

    maiores terras os senhores feudais. A base da economia no perodo era a posse da terra e

    o desenvolvimento de atividades inerentes a ela.

    Com o advento da modernidade, surge o Estado Absolutista ( a forma de governo em que o

    detentor do poder o exerce sem dependncia ou controle de outros poderes) com um novo

    modelo. H uma centralizao de poder poltico e administrativo. Estimula-se uma unifi-

    cao de fronteiras, lngua, cultura, economia e poderio militar: formula-se o Estado, que

    tem como premissa a ordenao estvel e permanente de seus membros.

    Nesta seo, ser abordada a interao entre Estado e Sociedade pela perspectiva histrica,

    apresentando as ideias e as contribuies para o estabelecimento dos direitos e dos

    cumprimentos de deveres por parte dos cidados; organizando suas necessidades e

    normatizaes em Cartas Magnas, as Constituies escritas; instrumentos jurdicos de

    institucionalizao do poder e regimento maior de um Estado Nao.

    necessrio entendermos que Nao e Estado tm dimenses distintas.

  • 4 | P g i n a

    A Nao anterior ao Estado, a sua substncia humana, uma realidade sociolgica,

    um conceito de ordem subjetiva. , segundo Miguel Reale (2006), um Estado em

    potncia. No Ocidente, o Estado uma realidade jurdica, seu conceito necessariamente

    objetivo. Vrias Naes podem reunir-se em um s Estado, assim como uma s Nao pode

    dividir-se em diversos Estados.

    - A ideia de Constituio

    Desde a Antiguidade, h a percepo sobre a hierarquia das leis. O Estado, como resultado

    do desenvolvimento na maneira de organizar os poderes atribudos, traz a noo de algo

    institudo, que tambm uma criao coletiva apoiada em precedentes histricos e

    doutrinrios. O surgimento da ideia de Constituio est, portanto, fortemente relacionada

    necessidade do estabelecimento de poderes especficos e de normatizao social.

    - Antecedentes da Constituio escrita

    Pactos, forais e cartas de franquia.

    Advindos da tradio inglesa, os pactos eram convenes entre o monarca e seus sditos,

    gerindo o modo de governo e as garantias dos direitos individuais, enquanto os forais,

    encontrados em toda a Europa medieval, foram documentos que permitiam aos burgos se

    autogovernarem. J as cartas de franquia eram documentos que asseguravam

    independncia s corporaes para o exerccio de suas atividades.

    Contratos de colonizao

    Surgem com os descobrimentos das Amricas, nos sculos XVI e XVII. Os puritanos, no

    encontrando na nova terra poder estabelecido e imbudos de igualitarismo, fixaram, por

    mtuo consenso, as regras por que haveriam de governar-se. Transparece, a, a organizao

    do governo pelos prprios governados, que outro pilar da ideia de Constituio.

    As leis fundamentais do Reino

    A existncia de leis fundamentais que se impem ao prprio rei uma criao dos

    legisladores franceses, empenhados em defender a Coroa contra as possveis limitaes

  • 5 | P g i n a

    polticas do prprio monarca. Essa doutrina afirmava que, acima do soberano e fora de seu

    alcance, h regras quanto aquisio, ao exerccio e transmisso do poder, quanto

    autoridade do rei, que est subordinada lei, e quanto estabilidade da lei, somente

    alterveis pelos Estados Gerais1.

    Nessa doutrina, encontram-se os elementos de superioridade e imutabilidade das regras

    concernentes ao poder, que esto presentes nas Constituies escritas.

    As doutrinas do pacto social

    A ideia de Constituio foi, por muitos, associada renovao ou restabelecimento do

    pacto social, que o acordo dos diversos segmentos de uma sociedade na definio das

    regras fundamentais da convivncia social.

    No sculo XVII, Hobbes (1588-1679), no livro Leviat, e Locke (1632-1704), na obra Dois

    tratados do governo civil, desenvolveram a concepo de que a prpria sociedade se

    fundamenta num pacto, num acordo, ainda que tcito, entre os homens. A mesma ideia foi

    difundida por Rousseau (1712-1778), s vsperas da Revoluo Francesa, em sua obra Do

    contrato social. Dessas lies, resultam que o poder decorre da vontade dos homens e

    tem um estatuto fixado por eles.

    Construo histrica dos direitos do homem

    Montesquieu, em sua obra, discute a respeito das instituies e das leis, e busca

    compreender as diversas legislaes existentes em diferentes lugares e pocas. Esta obra

    inspirou os redatores da Constituio de 1791 e tornou-se a fonte das doutrinas

    constitucionais liberais, que repousam na separao dos Poderes Legislativo, Executivo e

    Judicirio.

    Um pouco antes, em 1789, a Declarao dos Direitos do Homem e do Cidado, formulada

    durante a Revoluo Francesa, j expressava o entendimento de que: Toda sociedade na

    qual no est assegurada a garantia dos direitos nem determinada a separao dos poderes

    1 Estados Gerais: eram assim chamadas as assembleias convocadas pelos reis da Frana, durante o regime absolutista, para tratar de

    assuntos importantes relativos ao Estado Moderno.

  • 6 | P g i n a

    no tem Constituio (art. 16).

    Na Amrica, com o processo de emancipao poltica das Colnias, ocorrido no sculo XIX,

    a elaborao de Constituies autnomas tornou-se ao necessria, fixando as regras

    bsicas da sociabilidade dos novos pases. O Constitucionalismo na Amrica foi baseado nos

    fundamentos jurdicos observados na Europa, no mesmo perodo. No entanto, algumas

    adaptaes foram realizadas para contemplar as exigncias sociais e a possvel destruio

    das bases polticas coloniais, visando construo de novos elementos nacionais.

    Democracia, cidadania, direitos humanos e sociais no so inatos ou naturais condio

    humana, mas sim conquistas histricas, fruto de secular disputa de interesses antagnicos

    em torno do poder e sujeitos s marchas e contramarchas da histria.

    O ESTADO BRASILEIRO

    A Cidadania no Brasil, o longo caminho

    Perodo colonial (1500 1822): a fora do passado

    A estratgia de tomada de posse do territrio brasileiro por parte dos portugueses foi

    pautada pela submisso de seus primeiros habitantes. Os colonizadores no mediram

    foras para domin-los, utilizando-se de vrias tcnicas de conquista: disseminao de

    doenas, recursos militares avanados e aculturao.

    A conquista teve conotao comercial e a colonizao foi um empreendimento