apostila pcp - ufrgs

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL ESCOLA DE ENGENHARIA NCLEO ORIENTADO PARA A INOVAO DA EDIFICAO

PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUO EM EMPRESAS DE CONSTRUO

ORGANIZAO: Carlos T. Formoso, Eng. Civil, Ph.D., Professor do NORIE/UFRGS EQUIPE TCNICA: Maurcio M. S. Bernardes, Eng. Civil, Dr., Professor da UFRGS Thas C. L. Alves, Eng. Civil, M.Sc., doutoranda da Univ. California, USA Keller A. Oliveira, Eng. Civil, M.Sc.

Setembro de 2001

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NDICE1 2 INTRODUO DIAGNSTICO DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO E CONTROLE 3 3 3 4 4 5 5 5 5 8 10 10 10 11 12 13 14 16 16 16 17 18 19 21 24 28 31 33 33 33 33 38 39 40 41

2.1 FALTA DE VISO DE PROCESSO 2.2 NEGLIGNCIA DA INCERTEZA 2.3 INFORMALIDADE DO PLANEJAMENTO 2.4 REDUZIDO IMPACTO DOS COMPUTADORES 2.5 NECESSIDADE DE MUDANAS COMPORTAMENTAIS 3 CONCEITO DE PLANEJAMENTO 3.1 ETAPAS DO PLANEJAMENTO 3.2 NVEIS HIERRQUICOS DO PLANEJAMENTO 3.3 RESPONSABILIDADE PELO PROCESSO DE PLANEJAMENTO E CONTROLE 4 DIRETRIZES PARA A MELHORIA DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO 4.1 VNCULO COM A ESTRATGIA COMPETITIVA 4.2 CONSIDERAO DA NATUREZA DOS PROCESSOS DE PRODUO 4.3 PADRONIZAO E FORMALIZAO 4.4 SEGMENTAO DA OBRA EM PACOTES DE TRABALHO 4.5 MODELAGEM DO FLUXO DE INFORMAES 4.6 FUNO CONTROLE 4.7 MINIMIZAO DOS EFEITOS NOCIVOS DA INCERTEZA E VARIABILIDADE 4.8 ENTRAVES COMPORTAMENTAIS 4.9 TECNOLOGIA DA INFORMAO 5 MODELO GERAL DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO E CONTROLE 5.1 PREPARAO DO PROCESSO 5.2 PLANEJAMENTO DE LONGO PRAZO 5.3 PLANEJAMENTO DE MDIO PRAZO 5.4 PLANEJAMENTO DE CURTO PRAZO 5.5 AVALIAO DO PROCESSO 5.6 CONSIDERAES SOBRE A IMPLEMENTAO 5.6.1 DIAGNSTICO INICIAL 5.6.2 INTERVENO EM ESTGIOS 5.6.3 INDICADORES DE AVALIAO DO PROCESSO 6 7 8 CONCLUSES REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS SITES DE INTERESSE

ANEXO 1 SISTEMA DE INDICADORES DE PLANEJAMENTO DA PRODUO

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INTRODUO

A indstria da construo no pas tem sofrido nos ltimos anos mudanas substanciais, provocadas, principalmente, pelo crescente grau de competio existente entre as empresas do setor. A globalizao dos mercados, o crescente nvel de exigncia por parte dos consumidores e a reduzida disponibilidade de recursos financeiros para a realizao de empreendimentos, entre outros fatores, tm estimulado as empresas a buscar melhores nveis de desempenho, atravs de investimentos em gesto e tecnologia da produo. Assim, a exemplo do que vem acontecendo em outros setores industriais, a funo produo vem assumindo um papel cada vez mais estratgico na determinao do grau de competitividade das empresas de construo, assim como o setor como um todo. Neste quadro, o processo de planejamento e controle da produo passa a cumprir um papel fundamental nas empresas, medida que o mesmo tem um forte impacto no desempenho da funo produo. Inmeros estudos realizados no Brasil e no exterior comprovam este fato, indicando que deficincias no planejamento e controle esto entre as principais causas da baixa produtividade do setor, das suas elevadas perdas e da baixa qualidade dos seus produtos. Em que pese o custo relativamente baixo do processo de planejamento e controle da produo e o fato de que muitos profissionais tm conscincia da sua importncia, poucas so as empresas nas quais este processo bem estruturado. O presente texto apresenta uma descrio geral do processo de planejamento e controle da produo. Na Seo 2 apontam-se os principais problemas encontrados no processo de planejamento e controle da produo das empresas do setor. A Seo 3 discute alguns conceitos bsicos relacionados ao planejamento e controle, adotados neste Programa de Capacitao. Na Seo 4 apresentado um conjunto de diretrizes para o desenvolvimento do processo de planejamento e controle, levando em conta alguns conceitos da Filosofia da Construo Enxuta (Lean Construction). Finalmente, na Seo 5 descreve-se um modelo de planejamento concebido pelo NORIE/UFRGS para empresas de construo, que pode servir de base para o desenvolvimento de sistemas de planejamento e controle em organizaes especficas. 2 DIAGNSTICO DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO E CONTROLE

Vrias so as causas da falta de planejamento na indstria da construo. Nesta Seo so discutidos os principais problemas enfrentados pelas empresas, sendo, os mesmos, classificados em cinco categorias. 2.1 FALTA DE VISO DE PROCESSO

O planejamento e controle da produo normalmente no encarado como um processo gerencial, sendo confundido, com freqncia, com o trabalho isolado de um setor da empresa ou com a simples aplicao de tcnicas para a gerao de planos. Os planos gerados sob esta sistemtica, por sua vez, carecem tanto de uma base de informaes consistentes, quanto de procedimentos que garantam a disseminao das informaes geradas aos seus usurios, num formato adequado e no tempo certo.

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Vrias so as atividades envolvidas no processo de planejamento e controle da produo, incluindo a coleta e o processamento de dados, o envio de informaes, a realizao de reunies, a elaborao de planos e a tomada de deciso. Sendo um processo gerencial, o planejamento deve ser adequadamente modelado, planejado e controlado. 2.2 NEGLIGNCIA DA INCERTEZA

A incerteza, inerente ao processo de construo, freqentemente negligenciada, sendo que muitas pessoas tm a errnea expectativa de elimin-la atravs de um estudo detalhado das atividades e operaes, j nas etapas iniciais do empreendimento. A incerteza inerente ao processo de construo em funo da variabilidade do produto e das condies locais, da natureza dos seus processos de produo, cujo ritmo controlado pelo homem, e da prpria falta de domnio das empresas sobre seus processos. comum, por exemplo, a elaborao antecipada de planos de obra excessivamente detalhados, cuja atualizao demanda grande esforo. Em geral, quanto maior o prazo entre a elaborao de um plano e sua execuo, maior tende a ser o nvel de incerteza existente. Logo, os planos que apresentam a combinao horizonte de longo prazo com alto grau de detalhamento tendem a ser pouco eficazes. Por outro lado, o esforo despendido para a elaborao de tal tipo de plano, por vezes, realizado em detrimento do esforo que poderia estar sendo empregado na coleta e difuso de informaes pertinentes aos horizontes de mdio e curto prazos, para os quais o nvel de incerteza tende a ser menor. Isto no significa que se deve negligenciar o planejamento da produo nas fases iniciais do empreendimento. Ao contrrio, nestas fases so tomadas decises que proporcionam um impacto global no empreendimento, tais como definies de tecnologias a serem empregadas, ritmos dos servios previstos e plano de ataque obra. 2.3 INFORMALIDADE DO PLANEJAMENTO

A execuo da obra, com freqncia, guiada por um planejamento excessivamente informal, realizado, de forma improvisada pelo mestre de obras ou pelo engenheiro responsvel, que tem pouca relao com o planejamento formal realizado a nvel ttico. Quando muito detalhados, os planos tticos tendem a se tornar rapidamente desatualizados, conforme foi discutido acima, sendo, por esta razo, ignorados pela gerncia operacional. A falta de um planejamento operacional formal e da vinculao deste aos demais nveis de planejamento resulta na falta de planos de alocao de materiais, equipamentos e mo-de-obra de mdio e longo prazos, acarretando, via de regra, a utilizao ineficiente desses recursos. De uma forma geral, a excessiva informalidade dificulta o estabelecimento de consistncia entre diferentes nveis de planejamento, dificultando a comunicao entre os vrios setores da empresa. Este fato reflete a nfase excessiva que dada ao planejamento do empreendimento, em detrimento do planejamento e controle da produo. Os planos tticos, geralmente, estabelecem algumas metas e limitam os momentos de execuo das atividades, muitas vezes sem levar em conta alguns aspectos essenciais para a consecuo dos objetivos, tais como a definio dos meios, o comprometimento das equipes, o cumprimento dos pr-requisitos e o gerenciamento dos fluxos de trabalho e de materiais.

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2.4

REDUZIDO IMPACTO DOS COMPUTADORES

O uso de computadores tem tido um impacto relativamente limitado na eficincia do processo de planejamento e controle, tanto no Brasil quanto em pases desenvolvidos. Em algumas situaes, o uso de sofisticados pacotes computacionais tende apenas a aumentar a quantidade de dados gerados, dificultando a identificao das informaes que so efetivamente importantes, e do a falsa impresso de que tais informaes so precisas. Esta distoro est relacionada ao fato de que sistemas computacionais so utilizados para informatizar processos ineficientes, sem levar em conta as necessidades dos clientes internos dos mesmos. Assim, cabe empresa, inicialmente, definir o seu processo de planejamento adequado as suas necessidades, para, aps, definir os meios informatizados atravs dos quais o mesmo ser implementado. Outro problema bastante comum, associado informatizao, o fato de que a implantao de programas computacionais no realizada de forma integrada. Algumas operaes, tais como a elaborao de um oramento ou de um plano de obra so automatizadas de forma isolada, sem, no entanto, permitirem a troca de informaes eletronicamente, causando retrabalhos e dificultando o controle em tempo real. 2.5 NECESSIDADE DE MUDANAS COMPORTAMENTAIS

A melhoria do processo de planejamento e controle da produo envolve no s aspectos tcnicos, mas tambm mudanas de carter comportamental. Tais mudanas so necessrias para que haja um efetivo envolvimento dos agentes do processo de produo no processo de planejamento. Podem ser destacadas duas principais barreiras para este envolvimento. A primeira delas refere-se falta de percepo por parte de gerentes de produo quanto aos benefcios do planejamento. comum encontrar nestes profissionais uma cultura de tocador de obras, ou seja, uma postura de tomar decises rapidamente, apenas com base na sua experincia e intuio, sem o devido planejamento, uma vez que esta tarefa considerada per