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VESTCON ON-LINE CURSO DE MICROECONOMIA Programa: Mdulo I Conceitos bsicos de Economia. Introduo ao problema econmico; a lei da escassez; diferenas entre a micro e a macroeconomia. Mdulo II Teoria da determinao do preo: leis da oferta e da procura. Os excedentes do consumidor e do produtor. Bens substitutos e complementares. Deslocamentos das curvas. Interveno do governo: preos mximos, preos mnimos e incidncia tarifria. Mdulo III Noes de elasticidade-preo e renda da procura. Bens normais, superiores e inferiores. Incidncia tributria. Mdulo IV Teoria do consumidor: abordagens cardinal e ordinal. Teoria da Utilidade. As curvas de indiferena. Restrio oramentria. Equao de Slutzky: efeitos preo, renda e substituio. Variaes compensatria e equivalente. Mdulo V Teoria da produo. Funo de produo. Isoquantas e isocustos. Funes homogneas. Teoria dos Custos. Mdulo VI Teoria dos mercados: concorrncias perfeita e imperfeita. Modelo de Cournot. Teoria dos Jogos. Mdulo VII Noes de equilbrio geral entre o consumo e a produo: a Caixa de Edgeworth. Bibliografia: - O sistema de preos e a alocao de recursos, de Richard Leftwich, Biblioteca Pioneira de Cincias Sociais. - Manual de Economia, professores da USP, Ed. Saraiva. - Economia, Paul Samuelson e William Nordhaus, Mcgraw-Hill. - Manual de Microeconomia, de Marco Antonio Vasconcellos e Roberto Guena de Oliveira, Ed. Atlas. - Microeconomia, de C. E. Ferguson, Forense. - Microeconomia, de Edwin Mansfield, Ed. Campus. - Microeconomia, de Robert S. Pindyck e Daniel L. Rubinfeld, Makron Books. - "Microeconomia Princpios Bsicos", de Hal R. Varian, Ed. Campus.

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Introduo Economia, de N. Gregory Mankiw, Ed. Campus. Exerccios Selecionados de Microeconomia, de Hlio Socolik, Prtico Editora.

MDULO I1a . Aula 1. Conceitos bsicos de Economia. Introduo ao problema econmico; a lei da escassez; diferenas entre a micro e a macroeconomia. 1.1. O que Economia Etimologicamente, a palavra economia composta dos vocbulos gregos oikos, que significa casa, e nomia , que significa administrao. Ela nasceu, portanto, como uma administrao da casa. Mas a Economia tem hoje um sentido bem mais amplo, e o seu entendimento deve provir das definies que diversos autores lhe do. Eis algumas: JEAN BAPTISTE SAY: A Economia Poltica torna conhecida a natureza da riqueza, da deduz os meios de sua formao, revela a ordem de sua distribuio e examina os fenmenos envolvidos na sua destruio pelo consumo. LIONEL ROBBINS : A Economia a cincia que estuda as formas do comportamento humano, resultantes da relao existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que, embora escassos, se prestam a usos alternativos. 1.2. O problema econmico e a lei da escassez Os economistas dizem que o problema econmico bsico decorre de os recursos existentes no serem suficientes para produzir os bens que iro satisfazer as necessidades humanas. Em outras palavras:OS RECURSOS SO LIMITADOS AS NECESSIDADES E OS DESEJOS SO ILIMITADOS

Esse conflito sintetiza a lei da escassez. Os recursos so necessrios para a produo de bens. O que produo? qualquer processo de utilizao de recursos para a criao ou transformao em coisas teis. Na teoria microeconmica, estuda-se a funo de produo de uma empresa, definida como a relao entre determinada quantidade de recursos e a correspondente quantidade de produto. O que so os bens? So definidos como tudo aquilo capaz de satisfazer uma ou mais necessidades humanas.

RECURSOS

PRODUO DE BENS

1.3. A Micro e a Macroeconomia A teoria econmica, que rene todos os princpios e leis que regem a Economia, pode ser dividida, para fins didticos, em dois grandes ramos: a micro e a macroeconomia. A Microeconomia, cujo termo vem da palavra grega micro (pequeno), cuida das unidades elementares de um sistema econmico, como o consumidor, o produtor e cada um dos mercados em que se encontram compradores e vendedores de bens e recursos. Ela cuida dos princpios que levam o consumidor a atingir o seu ponto de mxima satisfao e a descobrir o nvel de produo em que a empresa obtm o seu ponto de equilbrio, em cada um dos mercados onde atua. Dada a quantidade de recursos disponveis, ela estuda a sua melhor alocao. A Microeconomia no se preocupa, assim, com a economia como um todo, e sim, com o preo em cada mercado especfico, o nvel de emprego em determinado setor e a produo de determinado produto. Enquanto isso, a Macroeconomia, cujo termo vem da palavra grega macro(grande), refere-se aos chamados agregados macroeconmicos. Ela no se preocupa com o preo de determinado produto nem o emprego em um setor da economia, mas sim, com as variveis que englobam a produo da economia como um todo e o nvel geral de preos, o nvel de emprego da economia e tambm os resultados das contas do Governo e do Balano de Pagamentos.

MDULO II

2. Teoria da determinao do preo: leis da oferta e da procura. Os excedentes do consumidor e do produtor. Bens substitutos e complementares. Deslocamentos das curvas. Interveno do governo: preos mximos, preos mnimos e incidncia tarifria. 2.1. A teoria do Valor Durante certa poca, os economistas procuraram descobrir o que que determina o valor das coisas. Da terem surgido duas teorias, a teoria objetiva (principalmente devida a David Ricardo, economista ingls), que diz que o valor de um bem resulta do esforo ou do trabalho necessrio sua obteno, e a teoria subjetiva, vinculada aos economistas da escola marginalista, que vincula o valor de um bem sua utilidade e sua escassez, ou seja, s preferncias das pessoas (a idia que um bem s tem valor se

1a . Aula

satisfaz a uma necessidade ou desejo do consumidor). Os economistas Stuart Mill e Alfred Marshall reuniram os dois enfoques ao proporem que o valor de cada bem resulta do custo de produo (associado ao esforo e ao trabalho) e da sua preferncia (associada necessidade). Uma realidade da economia que os bens oferecidos no mercado tm preo. O preo definido como o valor de um bem expresso em moeda. Segundo a economia, o preo dos produtos resulta de um equilbrio entre duas foras: a oferta (que representa o esforo ou os custos de produo) e a procura, ou demanda (que representa a utilidade). A seguir, vamos estudar as duas foras que determinam o valor e o preo dos bens: a procura e a oferta. Parte-se da hiptese de que o mercado de concorrncia perfeita. As condies que vigoram nesse tipo especial d e mercado so: O bem homogneo, ou seja, as suas unidades so iguais em tamanho e qualidade. H grande nmero de compradores e vendedores. As informaes permitem que se conheam os preos do bem em todos os mercados. No existem barreiras entrada ou sada de novas firmas. No existe interveno do governo por meio de controles de preos, de quantidades, etc. 2.2. A lei da Demanda e suas curvas A Demanda de um produto definida como o conjunto das diversas quantidades que os usurios esto dispostos a adquirir desse produto, por unidade de tempo, de acordo com os fatores que a influenciam. Esses fatores so o preo do produto, os preos dos demais produtos, substitutos ou complementares, a renda dos consumidores, os gostos e preferncias e as expectativas de variao de preos. Considerando constantes os demais fatores, pode-se dizer que a quantidade procurada de um bem varia no sentido inverso de seu preo, isto , a quantidade demandada tanto maior quanto menor o seu preo, e vice-versa. Essa a lei da procura. Podemos representar algebricamente uma curva de demanda. Temos que qd = f(p), isto , a quantidade demandada funo do preo, mantidos constantes os demais fatores (condio ceteris paribus). A funo procura pode ser representada pela expresso qd = a bp, sendo a o ponto onde a reta corta o eixo das quantidades; b, o coeficiente angular ou tangente trigonomtrica do ngulo formado pela reta e o eixo horizontal.

preo20

Consideremos a funo qd = 100 - 5 p. Ela representa a curva de demanda direita, que uma linha reta e corta os eixos nos pontos em que q = 100 e p = 20. d D 100 quantidade/t Vamos supor que o preo seja igual a $2. A esse preo, a quantidade procurada igual a 90 unidades. Se o preo aumenta para $3, a quantidade procurada diminui para 85 unidades. Conclumos, ento, que para cada variao de $1 no preo, a quantidade varia de 5 unidades. Ou: q /p = 5 / 1 = 5, que o coeficiente angular constante da funo. Se varia o preo do bem, varia a sua quantidade demandada, fato representado graficamente por um deslocamento de um ponto sobre a sua curva de procura.

Outras formas assumidas pela curva de demanda: A reta horizontal significa que o preo constante e que a quantidade pode variar livremente. Isso ocorre numa situao em que o consumidor tem tantas opes de compra entre vendedores diferentes, que o preo do produto no muda. Exemplo: a procura de laranjas num bairro de uma cidade. p

D

0 q/t A reta vertical significa que a quantidade constante e o preo pode variar livremente. A procura, portanto, fixa, fato que ocorre principalmente com produtos de primeira necessidade, como medicamentos, por exemplo. 0 q/t p D

A teoria admite que pode haver produtos cuja quantidade procurada tem relao direta com o preo. o caso dos bens de Giffen, cuja

p

participao na renda das classes mais pobres suficientemente grande para que isso ocorra.

0 A hiprbole equiltera representada pela funo q = A / pb , sendo A e b constantes. p

q/t

q/t

2 AulaO que acontece com a curva de demanda se varia algum fator que no o preo do prprio bem? Considere um aumento da renda dos consumidores. Nesse caso, a maior disposio de adquirir o bem faz com que a procura aumente, aos mesmos preos anteriores. Em termos grficos, o efeito representado por um deslocamento da curva de demanda para a direita. p Quando varia o preo do prprio bem, temos um deslocamento na mesma curva, A do ponto A para o ponto B (diz-se que houve C uma variao na quantidade procurada).