Apostila - Mario de Luna - 1

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<p>Parte 1CONHECENDO AS ABELHAS INDIGENASMario de Luna's Home Page</p> <p>1</p> <p>O principal interesse pela criao racional de abelhas sem ferro est no prazer que o manejo dirio proporciona ao homem e sua famlia, uma vez que esta atividade no representa qualquer risco de acidentes com enxames. Alm da questo do lazer do criador e sua famlia, a atividade pode ainda representar uma renda extra, atravs da venda do mel, ou ainda, pela comercializao dos enxames para os interessados em iniciar ou aumentar uma criao. a natureza, e indiretamente o homem, os que mais lucram com os efeitos da criao e preservao destas abelhas, devido aos servios de coleta de plen das flores prestados pelas campeiras. Ao se movimentar sobre as flores em busca do plen, as abelhas promovem a fertilizao das plantas, assegurando a sua multiplicao e perpetuao. Grande parte dos vegetais presentes no Brasil dependem exclusivamente da polinizao realizada por estas espcies de abelhas sem ferro. Da a grande importncia de se preservar estas abelhas, evitando-se o desmatamento desordenado, as queimadas, o uso indiscriminado de agrotxicos e o extrativismo do mel.</p> <p>II - Quem so essas abelhas ?As abelhas sem ferro, assim chamadas por apresentarem este instrumento de defesa atrofiado, so verdadeiramente insetos sociais. As colnias possuem uma rainha-me, vrias geraes de operrias, alm dos machos dependendo da condio geral da populao..</p> <p>Geralmente, encontramos machos nas pocas onde existe bastante alimento e presena de clulas reais, sinal que haver em breve fecundao de rainhas virgens. Os machos so menores e no possuem corbcula, existente nas patas traseiras das operrias, responsvel pela coleta de plen das flores.</p> <p>As operrias de meliponneos vivem, em mdia, 30 a 40 dias e so quase brancas ao sarem dos favos, escurecendo com o passar do tempo. Na vida adulta, desempenham diversas funes no ninho, seguindo normalmente a seguinte ordem: faxineiras - nutrizes arquitetas - ventiladoras - guardas - campeiras. A rainha (foto), quando fecundada, apresenta o ventre bem dilatado, podendo ser localizada facilmente a olho nu. Normalmente, habita a rea de cria, circulando por entre os favos. Existem poucos relatos de fuga de meliponneos, devido impossibilidade de vo da rainha fecundada.</p> <p>Essas abelhas indgenas so insetos nativos do territrio brasileiro, ou seja, no foram trazidas e introduzidas pelo homem de outras partes do mundo, como ocorreu com as abelhas melferas. Elas constrem seus ninhos em ocos de rvores, cupinzeiros e formigueiros abandonados, e nos mais variados locais onde encontram espao e segurana suficientes para o desenvolvimento da colnia (postes, paredes, muros, caixas de fora, armrios, pedreiras, etc.).</p> <p>Na elaborao dos ninhos (figura), as abelhas utilizam diversos "materiais de construo" tais como a cera pura, o cerume (mistura de cera + prpolis) ou ainda o batume (prpolis + barro), destinados delimitao do espao. Algumas espcies usam cadveres e excremento para construir suas moradias, como j observado em Jandara, Uruu e Irapu..</p> <p>Dentro dos ninhos, elas guardam mel e plen em potes ovalados de cerume. Eles ficam localizados prximos aos favos de cria, dependendo do espao disponvel na colnia. Os favos de cria so normalmente dispostos em forma de discos empilhados, sendo que algumas espcies apresentam favos</p> <p>http://www.geocities.com/capecanaveral/station/4033/melipona.htm</p> <p>2em forma espiral e em cachos. Vrias espcies envolvem a rea de cria com uma capa folheada de cerume (invlucro), para proteger larvas e abelhas mais jovens das variaes da temperatura.</p> <p>No Brasil, existem mais de 300 espcies de abelhas sem ferro, divididas em Meliponas e Trigonas. Atravs de algumas caractersticas gerais podemos distinguir esses dois grupos (tabela). Entretanto, para se identificar as espcies dentro de cada grupo, somente conhecendo e observando criteriosamente as vrias partes que compem o corpo das abelhas, tarefa restrita aos especialistas da rea (pesquisadores e criadores).</p> <p>caractersticas tipo de entrada tamanho do corpo abelhas na colnia tamamho do favo da rainha exemplos</p> <p>Melipona de barro maior 500 a 1000 abelhas iguais ao das operrias Mandaaia Uruu Jandara</p> <p>Trigona de cerume menor mais de 3000 abelhas maior que o das operrias Jata Mirim Ira</p> <p>Parte 2 INSTALAO DO MELIPONRIO</p> <p>III - Tipos de caixas racionais:No interior do Brasil comum encontrarmos abelhas sem ferro sendo criadas em troncos de rvores cortados e fechados com barro. Para dar condies ao homem de coletar o mel devidamente, foram criados diversos tipos de caixas racionais para as mais diversas espcies de abelhas, como: modelo Paulo Nogueira Neto (PNN); modelo CAPEL; modelo baiano; modelo Uberlndia (Kerr); modelo UFRRJ. O modelo UFRRJ apresenta as seguintes partes: ninho, gaveta, melgueira e tampa. As dimenses internas variam de acordo com a espcie. As gavetas so colocadas com a simples inteno de aumentarmos a altura do espao da rea de cria. A melgueira colocada na parte superior possibilita uma colheita de mel sem que a rea da cria fique exposta. na melgueira que os potes de mel e plen so colocados pelas abelhas. Muitas vezes, as abelhas podem construir potes de alimento na rea em torno dos favos de cria. O criador pode transferi-los para a melgueira deixando assim, mais espao para o crescimento da cria.</p> <p>http://www.geocities.com/capecanaveral/station/4033/melipona.htm</p> <p>3</p> <p>IV - Ferramentas do dia a dia:Diferentemente da lida com abelhas melferas (Apis), o criador de abelhas sem ferro precisa de poucas ferramentas para usar no dia a dia do meliponrio: a)O formo usado na abertura das caixas, como tambm, na raspagem e retirada dos excessos de prpolis, cerume e batume;</p> <p>b)Usando uma faca de ponta fina ou uma pequena esptula o criador faz a reviso do ninho, removendo cuidadosamente o invlucro (foto) que envolve os favos de cria (foto). Quanto menos estrago nesta estrutura de proteo, melhor para as abelhas manterem o calor ideal no ninho;c)Com uma pequena mangueira cortada ou um tubo de vidro tampado com um chumao de algodo na ponta (figura), fornecemos a alimentao artificial em condies adversas de estoque de alimento; d)Na proteo das colnias contra o ataque de predadores rasteiros (ex.: formigas), as caixas devem ser colocadas sobre cavaletes individuais ou coletivos, no esquecendo da utilizao dos isoladores (figura). Vrios tipos de isoladores podem bolados; aqui destacamos o uso de uma meia garrafa de plstico envolvendo a perna do cavalete, contendo em seu interior qualquer tipo de p (ex.: talco ou gesso). As formigas, quando impregnadas com esse material perdem toda a noo de direo. e)No encerramento das atividades, as caixas devem ser fechadas e lacradas com fita adesiva ou barro. O cuidado deve ser redobrado nas atividades que envolvam retirada ou exposio de potes de alimento. f)Em criaes de espcies mais agressivas, recomendado o uso do vu de apicultor; g)Na prtica de coleta do mel, importante ter em mos uma seringa esterilizada e peneira, alm dos vasilhames de envase do produto.</p> <p>.</p> <p>V - Em que local devemos criar ?Na escolha do local, o criador deve observar algumas caractersticas, tais como: a) Fonte de alimento - Todas as abelhas precisam visitar flores para coletar o plen (fonte de protena) e o nctar (fonte de acar), e levar para as outras abelhas da colnia. Desta forma, importante que o local possua uma boa quantidade de flores atrativas s abelhas. . b) Ventos - As caixas no devem ficar em locais de intensa e freqente ventania. A existncia de barreiras, como rvores, fundamental na quebra destas correntes de vento. c) Sombras - O ideal na criao destas abelhas, a colocao das caixas em locais sombreados, seja em galpes ou aproveitando o sombreamento das rvores, evitando-se as espcies de fruto pesado. Em caixas colocadas ao ar livre, devemos proteger as abelhas com cobertura de telha, pois o excesso de sol poder derreter o cerume, matar a cria e fermentar o mel. d) Poluentes - As abelhas no devem ser criadas em locais de intenso lanamento de poluentes. Especial cuidado devemos ter com o uso dos defensivos qumicos, um dos</p> <p>http://www.geocities.com/capecanaveral/station/4033/melipona.htm</p> <p>4responsveis pela extino de vrias espcies de insetos. e) Segurana - Cuidados na preveno de furtos no meliponrio devem ser tomados pelo criador. muito mais fcil roubar caixas destas espcies que enxames de abelhas melferas, em razo da agressividade destas.</p> <p>VI - Que espcie de abelhas criar?Antes de qualquer deciso sobre qual espcie de abelha criar, importante conhecer quais os tipos mais comuns ocorrem na sua regio. Uma boa opo conversar com apicultores tradicionais, pois muitos, alm de conhecer, at criam certas espcies de abelhas sem ferro. Qualquer tentativa de trazer colnias de regies diferentes da sua desaconselhada. Existe risco das abelhas no se acostumarem ao novo local e at morrerem. Muitas espcies so adaptadas a um limite estreito de umidade e temperatura. Devemos respeitar estas condies que garantem sua sobrevivncia.</p> <p>Parte 3 MANEJO DO MELIPONARIOVII - Povoamento do meliponrio:Aps a escolha do local e dos tipo de abelha, o criador deve partir para a aquisio de colnias, atravs da compra de outros criadores ou pela captura de enxames naturais, uma alternativa muito mais barata, embora mais trabalhosa. Na captura, aps a localizao da colnia, devemos retirar com cuidado o material (pedra, tijolo, madeira, etc.) que esconde as abelhas at o contato direto com a rea do ninho. necessrio tempo e pacincia, sob pena de condenar a colnia morte, situao esta comum entre os principiantes. . Inicialmente, dever ser transferido para a caixa a rea de cria, tomando-se o cuidado para no amassar os favos e nem coloca-los de cabea para baixo. necessria toda a ateno neste momento, pois a rainha certamente estar caminhando por entre os favos. Em caso de queda da rainha, jamais deveremos toca-la com as mos, o que poderia levar as operrias a no aceita-la novamente no ninho. . Em seguida, dever ser feita a transferncia dos potes de alimento que estiverem fechados, guardando os potes rompidos ou abertos para retornarem vazios no futuro. Potes abertos, com o alimento exposto, atraem formigas, outras abelhas, moscas e outros inimigos. . Por ltimo, as caixas devero ser fechadas e lacradas com fita adesiva, podendo-se usar at barro na falta deste material. Se possvel espere o anoitecer para levar a caixa para o meliponrio, para que entre o mximo de abelhas. .</p> <p>VIII - Diviso de colnias:http://www.geocities.com/capecanaveral/station/4033/melipona.htm</p> <p>5Junto ao processo de captura, o criador pode aumentar o nmero de caixas do seu meliponrio atravs da diviso de colnias. A diviso de colnias s recomendada em colnias fortes e em pocas de florada expressiva. A forma de diviso vai depender de qual grupo (Melipona ou Trigona) pertence a espcie de abelha. . 1)Diviso em Trigonas (Jata, Mirim, Cupira, Bor): a) Observar na rea dos favos se existem realeiras, que so favos maiores, localizados na extremidade dos discos e que daro origem a uma nova rainha; b) Transferir o disco onde est a realeira e mais 2 a 3 favos de colorao mais clara e fundo escuro (cria nascente) para a colnia-filha (caixa vazia); c) Dividir os potes de alimento entre as duas caixas de modo que nenhuma seja favorecida ou prejudicada; d) Levar a colnia-me, que ficou com a rainha, para um local distante de 3 a 6 metros da colnia-filha. Desta forma, estaremos reforando a nova caixa com a chegada das campeiras que estavam trabalhando durante a diviso. . 2) Diviso em Meliponas (Uruu, Mandaaia, Jandara,): Este grupo de abelhas no fazem realeiras, sendo que as rainhas nascem de favos iguais aos das operrias. Portanto, o criador dever simplesmente dividir a quantidade de favos entre as colnias, procurando colocar os mais velhos (mais brancos e com fundo escuro) na colnia-filha. No restante, a diviso segue os mesmos passos das Trigonas. .</p> <p>IX - Reviso das caixas:De tempo em tempo, o criador precisa fazer uma inspeo para ver como esto vivendo as abelhas. Esta inspeo ou reviso sempre deve ser feita em dias ensolarados e sem ventanias, nos horrios mais frescos (de manh de preferncia). A durao desta tarefa no deve ser longa, j que a simples abertura das caixas causa um grande desconforto nas abelhas. . Durante a reviso devemos fazer algumas observaes dentro e fora das caixas, tais como:</p> <p>a) quantidade de favos de cria - caso a colnia apresente uma deficincia no nmero de discos, podemos reforar este ninho com 1 a 2 favos de cria nascente (pronto para eclodir) de outras caixas. b) excesso de invlucro - se este excesso estiver tomando muito o espao do ninho, devemos retirar parte desta camada de cerume para que o nmero de favos de cria possam ter condies de aumentar. c) quantidade de potes de alimento - em caso de pouca alimento na melgueira, o criador deve entrar com alimentao artificial, principalmente nas pocas de pouca florada. Em caso de disponibilidade de</p> <p>http://www.geocities.com/capecanaveral/station/4033/melipona.htm</p> <p>6alimentos em outras colnias vizinhas, o criador pode transferir alguns potes, tomando sempre o cuidado de no levar junto abelhas dessas colnias. d) abelhas mortas no cho - este pode ser um caso de doena ou presena de inimigos naturais. A colocao de isoladores permite segurana contra ataques de formigas. Devemos observar se existe algum tipo de parasita na colnia (caros, fordeos, nematides) ou algum erro de localizao da caixa (excesso de sol) ou de manejo. No podemos esquecer que os pesticidas usados na agricultura so causadores de mortalidade nos insetos em geral.</p> <p>Todas estas revises devem ser anotadas pelo criador para que ele possa ter um bom controle sobre suas caixas. Isto vai ajuda-lo a identificar e resolver de forma mais rpida os problemas que venham por em risco a "sade" do meliponrio. .</p> <p>X - Colheita e conservao do mel:A colheita do mel deve ser realizada nas pocas de florada expressiva, quando os potes so inmeros e encontram-se fechados, repletos de mel. Pode-se coletar o mel das seguintes formas:</p> <p>a) com seringa - O criador dever abrir com a ponta da esptula ou faca os potes de mel (so os mais escuros), e sugar com uma seringa esterilizada o seu contedo, colocando em seguida o mel nos vasilhames definitivos.</p> <p>b) Escorrendo o mel - Neste mtodo, aps uma suave inclinao da melgueira, o contedo dos potes j abertos ser escorrido para os vasilhames, passando antes por uma peneira para retirar qualquer material que venha junto com o mel. No recomenda-se a retirada dos potes, devendo estes permanecerem na melgueira para que logo sejam consertados e reutilizados pelas abelhas.</p> <p>Uma vez retirado o mel, este no deve ficar exposto ao ar por mais de 10 minutos, devendo ser acondicionado sob refrigerao. Algumas espcies de abelhas sem ferro produzem mis imprprios para o consumo in natura, devendo passar por uma pasteurizao (72 C) antes de serem armazenadas.</p> <p>http://www.geocities.com/capecanaveral/station/4033/melipona.htm</p>