APOSTILA INTRODUO AVALIAO DE PROJETOS INTRODUO AVALIAO DE PROJETOS Claudia Botteon BRASLIA, MAIO DE 2009 Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto

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AJUSTE COMPLEMENTAR ENTRE O BRASIL E CEPAL/ILPES POLTICAS PARA GESTO DE INVESTIMENTOS PBLICOS CURSO DE AVALIAO SOCIOECONMICA DE PROJETOS APOSTILA INTRODUO AVALIAO DE PROJETOS Claudia Botteon BRASLIA, MAIO DE 2009 Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratgicos 2INTRODUO AVALIAO DE PROJETOS Os agentes econmicos enfrentam mltiplas necessidades a satisfazer. Os bens e servios que podem ser produzidos com os fatores produtivos disponveis no so suficientes para satisfazer todas essas necessidades, devido a esses serem escassos e terem usos alternativos. Este problema econmico fundamental pode ser atenuado de alguma forma se os fatores produtivos disponveis forem dispostos de maneira a satisfazer o maior nmero de necessidades. A avaliao de projetos uma ferramenta que permite tomar decises isto , ajuda a determinar como utilizar os recursos disponveis da melhor forma possvel (uso eficiente dos recursos). A anlise econmica de projetos pretende tomar decises econmicas "corretas". Em realidade, seriam corretas com certas limitaes. Isto assim, porque as decises econmicas so para o futuro, pelo que se deve ter em conta o que se espera de muitas variveis envolvidas na mesma e no h segurana respeito do que ocorrer. Algumas so decises sobre projetos grandes como "Construir ou no uma determinada auto-estrada. Outras so menores como "Comprar ou alugar uma casa", "Comprar ou no determinadas aes" etc. Previamente tomada de deciso so analisados os custos e benefcios de cada uma das alternativas propostas, a fim de eleger a mais conveniente. Uma vez tomada a deciso, no h nada a comparar. Apresentamos os seguintes conceitos bsicos: Conceito de projeto. Avaliao econmica de projetos. Solues e alternativas. Pontos de vista a partir dos quais se faz a avaliao. Ciclo de vida de um projeto. A. Conceito de projeto A palavra projeto usada em diferentes disciplinas, com distintos significados. Efetivamente, seu significado para um avaliador de projetos no o mesmo que para um arquiteto ou para um engenheiro. Do ponto de vista da avaliao, projeto um plano de ao que implica usar recursos produtivos e que capaz de gerar benefcios por si mesmo. Ou seja, todo projeto utilizar recursos produtivos (custos) e obter satisfao no futuro (benefcios). Por isso se diz que um projeto uma fonte de custos e benefcios que ocorrem atravs do tempo. Um sem-nmero de decises podem ser apresentadas como projeto. Por exemplo: construir uma estrada, fechar uma fbrica de sapatos, comear a exportar um bem, prover gua potvel a uma determinada localidade etc. Tambm se pode analisar como 3projeto a implementao de uma poltica econmica, como a colocao de um subsdio exportao de um bem, a eliminao de um imposto produo etc. Dada a ampla gama de decises que podem ser analisadas, a avaliao de projetos uma tarefa interdisciplinar, onde intervm especialistas de diferentes ramos (engenheiros civis e/ou mdicos, arquitetos, administradores de empresas, economistas etc.). Cada um contribui com pontos de vista diferentes, num trabalho conjunto (para que seja eficiente). Por exemplo, num projeto de "nutrio infantil" faz falta a interveno de mdicos, socilogos e economistas. B. A avaliao econmica de projetos A avaliao de um projeto consiste em identificar, quantificar, dar valor aos benefcios e custos atribuveis sua execuo ao longo de toda sua vida. Normalmente, esses benefcios e custos no ocorrem num s momento, mas ao longo do tempo, implicando que constituem um fluxo. A diferena entre o valor dos benefcios e o dos custos que ocorrem em cada momento da vida do projeto constitui o benefcio lquido correspondente a esse momento. O conjunto de benefcios lquidos distribudos no tempo conforma o fluxo a partir do qual se calculam a maioria dos indicadores de rentabilidade que, a sua vez, ajudam a decidir se convm ou no executar o projeto. O indicador mais utilizado, por ser mais confivel, o valor presente lquido, que igual soma dos valores atuais dos benefcios lquidos do projeto, calculados utilizando a taxa de desconto. Tambm se costuma calcular outros indicadores, tais como a taxa interna de retorno, a relao beneficio/custo etc. C. Solues aos problemas e alternativas de um projeto O estudo de um projeto surge como resposta a uma ideia que procura solucionar um problema ou a forma de aproveitar uma oportunidade. O avaliador deve ajudar a tomar a melhor deciso. sua responsabilidade conseguir a otimizao do uso dos recursos. Portanto, uma tarefa fundamental identificar possveis solues, cada uma com suas alternativas de tamanho, localizao etc. A avaliao de cada uma delas possibilitar eleger a mais conveniente para o investidor ou para a sociedade. O aconselhvel , antes de comear a avaliar um projeto, determinar qual o problema a resolver ou a necessidade a satisfazer. Isto a sua vez permite identificar as possveis solues. Em muitas ocasies, erroneamente se comea estudando a convenincia de executar um investimento concreto, a qual pode constituir ou no uma das solues ao problema detectado, e em caso de s-lo, pode no ser a melhor. Por exemplo, pode ser necessrio avaliar de um projeto que consiste em construir uma escola numa zona rural, na qual o estabelecimento existente no tem capacidade para atender a demanda educativa da zona. Para realizar a tarefa correta, necessrio revisar todos os antecedentes relacionados com este projeto. Isto permitir identificar outras formas de solucionar o problema de demanda de educao insatisfeita: ampliar a escola existente, ampliar os turnos da escola existente, transferir alunos a outra escola localizada a certa distncia etc., ou inclusive uma soluo mista entre as opes indicadas. 4Isto implica que um mesmo problema pode ser solucionado de diferentes maneiras, cada uma delas constituindo um projeto. H que avaliar todas para estar seguro quanto ao mais conveniente. Ademais, dentro de cada projeto h decises quanto a tamanho, momento timo para inici-lo, qualidade, tecnologia etc. que deve ser considerado. Isto implica que h que avaliar cada um dos projetos (solues ao problema) com suas diferentes alternativas. D. Ponto de vista a partir do qual se faz a avaliao Um mesmo projeto pode ser objeto de diferentes avaliaes econmicas. Portanto, antes de iniciar sua avaliao, importante esclarecer sob que ponto de vista ser feito. Este elemento fundamental para definir os benefcios e custos a considerar, e seus respectivos valores. Um projeto pode ser avaliado desde o ponto de vista privado socioeconmico. Abaixo se faz referncia a estes dois tipos de avaliaes. Avaliao privada A avaliao privada feira sob o ponto de vista de uma pessoa (empresrio, empregado de uma empresa, membro de uma famlia etc.) ou grupo de pessoas (empresrios, famlia, obreiros de uma fbrica etc.). Uma pessoa ou um grupo de pessoas, ou uma empresa ou grupo de empresas pode estar interessado em determinar a convenincia ou no de executar um determinado projeto. Isto implica que a avaliao privada deve considerar os benefcios e custos que o projeto gera para essa pessoa ou esse grupo. Se na situao com projeto a pessoa ou o grupo atinge uma maior riqueza do que sem projeto, o mesmo dever ser executado. Em uma avaliao privada essencial indicar desde o ponto de vista de quem feita. Um exemplo permitir esclarecer este tema. Na hiptese de avaliao de um projeto educativo sob o ponto de vista da instituio que o implementaria, ou de uma das pessoas a beneficiadas. Assim, se os alunos devem pagar uma matrcula pela educao recebida, quando o projeto avalia desde o ponto de vista de um deles, esse pagamento representa um custo de educao; sob o ponto de vista da instituio, a cobrana da matrcula constitui um benefcio. Avaliao social ou socioeconmica A avaliao socioeconmica determina se a um pas, provncia ou regio, como conjunto convm ou no executar um projeto. Isto implica que esta avaliao deve considerar os benefcios e custos relacionados a todos os habitantes da comunidade, desde o ponto de vista que se avalia o projeto, isto , o pas, provncia ou regio, segundo o caso. Esta avaliao determina se o bem-estar dessa comunidade aumenta ou diminui como conseqncia da execuo do projeto. Se com projeto o pas atinge um maior bem-estar maior do que sem, convm que o mesmo seja executado. Se o mencionado projeto educativo avaliado sob o ponto de vista da comunidade, pas devero ser considerados os benefcios e custos correspondentes a todos os membros dessa comunidade que so afetados positiva ou negativamente pelo projeto: alunos, instituio, professores etc. A avaliao social se diferencia da privada no nos procedimentos, mas nos elementos a serem considerados (preos sociais, efeitos indiretos, externalidades etc.) Por exemplo, a um empresrio pode convir fabricar papel; se a fbrica atira os resduos em um rio, isto 5no convm ao pas. A contaminao no entra como custo na avaliao privada, o que ocorre na social. E. Ciclo de vida de um projeto Os projetos normalmente passam, ao longo da sua vida, por uma srie de fases e etapas. Nelas as idias se transformam de investimento em investimento concreto que, depois, permitem produzir bens ou servios. claro que muitos projetos ficam no caminho, isto , sua execuo adiada e inclusive nunca chegam a ser executados. O ciclo de vida de um projeto composto de trs fases: Pr-investimento. Investimento. Operao. Fase de pr-investimento Na fase de pr-investimento so realizados os estudos para identificar as ideias de investimento, formular e avaliar o projeto para decidir se convm ou no execut-lo. Dentro desses estudos pode-se distinguir: Formulao do projeto: consiste em reunir uma srie de antecedentes referentes ao problema a ser resolvido, ao que se espera ocorrer no fazendo nada para resolv-lo, as tecnologias disponveis, as disposies legais e restries institucionais, entre outros temas, que permitam analisar as possveis solues tcnicas ao problema proposto. Avaliao: seu objetivo identificar, quantificar e valorizar os benefcios e custos correspondentes ao projeto. A avaliao do projeto permite chegar a uma concluso a respeito da convenincia de execuo, adiamento, atraso ou cancelamento do projeto. Como pode se apreciar, do processo de formulao e de avaliao de um projeto surge um conjunto de antecedentes que permite julgar qualitativa e quantitativamente as vantagens e desvantagens de atribuir recursos a essa iniciativa. Na fase de pr-investimento so identificadas etapas nas quais se vai aprofundando a anlise e melhorando a informao correspondente ao projeto. Numa etapa preliminar pode-se chegar concluso de que a iniciativa no boa, o que permite abandonar o estudo antes de gerar custos. O aprofundamento da anlise requer de informao cada vez mais detalhada e, portanto, mais onerosa. As etapas desta fase so: Etapa de idia: nela se identifica o problema a resolver ou a necessidade a satisfazer, de onde surgem diferentes solues com suas alternativas. Nesta primeira etapa crucial emitir um bom diagnstico, de maneira que a gerao de uma idia do projeto de investimento surja como conseqncia clara das necessidades insatisfeitas. Sem fazer uma avaliao do projeto, costuma-se fazer alguns clculos preliminares que em alguns casos permitem recus-lo. Etapa de perfil: incorpora-se informao adicional referente quantificao do mercado e tamanho do projeto, anlise de alternativas tcnicas, estimao das somas 6de cada componente do investimento, dos custos operativos e dos benefcios. A partir desta informao se realiza uma avaliao preliminar do projeto. Em muitos aspectos, nesta etapa se costuma utilizar informao bsica secundria, isto , elaborada anteriormente por outras pessoas ou instituies. Seu objetivo fundamental determinar se existem antecedentes que justifiquem abandonar o projeto sem efetuar gastos futuros em estudos que pesquisam com maior e melhor profundidade. Descartam-se alternativas tecnicamente no viveis. Por exemplo: na avaliao de um projeto de construo de um condomnio fechado, podem-se pesquisar quantas permisses de projetos similares foram solicitadas e aprovadas. De acordo com o resultado obtido pode-se chegar concluso de abandonar o estudo do projeto por agora. Esta concluso pode ser obtida sem ter chegado a calcular os benefcios e custos do projeto. Etapa de pr-viabilidade: trata-se de obter informao mais precisa do que na etapa anterior e de incorporar dados adicionais gerados pela equipe avaliadora, como selecionar as alternativas de tecnologia, tamanho, localizao, etc., que resultem mais promissoras, com o objetivo de aprofundar seu estudo na etapa seguinte. A nfase nesta etapa consiste em medir os custos e benefcios de cada alternativa identificados na etapa de perfil e formar ou montar o fluxo de benefcios lquidos. No entanto, projetam-se os custos e benefcios sobre a base de critrios quantitativos, mas servindo-se de informao secundria elaborada por terceiros (por exemplo, da instituio governamental que elabora as estatsticas). Etapa de viabilidade: consiste em estudar com maior detalhe a alternativa que na etapa anterior surge como a mais conveniente, para conseguir uma maior preciso e diminuir o risco envolvido no projeto. Sua nfase est em valorizar em forma mais precisa possvel os benefcios e os custos. A etapa de viabilidade, a diferena da anterior, procura determinar a informao na fonte que a gera. Por exemplo, se um dos itens a considerar na avaliao de um projeto a "compra de um terreno", na etapa de pr-viabilidade se estima seu valor de forma aproximada. Se a superfcie do terreno requerido for aproximadamente de 3.000 m2 e o preo mdio do m2 na zona de R$ 500, na etapa de pr-viabilidade utiliza-se como valor de investimento o resultado do produto de ambos os valores, isto , R$ 1.500.000. Na etapa de viabilidade, o analista dever verificar-se a existncia de um terreno das dimenses desejadas, j que o mais provvel do que no se obtenha um do tamanho exato requerido. Desta forma, se o terreno mais prximo ao tamanho requerido tivesse 3.180 m2, a etapa de viabilidade dever considerar como investimento o valor de R$ 1.590.000. Estas etapas podem variar em sua durao e profundidade, at o ponto de omitir alguma delas. De cada uma surge um informe ou relatrio que explica o realizado e as concluses obtidas. O salto de uma etapa a outra implica decidir se convm fazer um investimento adicional para estudar o projeto mais profundamente, tendo em conta os resultados obtidos at esse momento. O avaliador, em funo de sua experincia, pode indicar que esse projeto est em condies de passar etapa seguinte. o mesmo que quando uma pessoa aprende a conduzir um automvel. Se o aluno pergunta ao instrutor quando deve mudar a marcha, no fcil indicar o momento exato. No entanto, depois com a prtica, o aluno sozinho sabe quando passar da segunda marcha para a terceira. Em cada etapa, avalia-se se deve continuar com os estudos, recusar o projeto, posterg-lo ou execut-lo. No caso de decidir pela execuo, o projeto passa fase seguinte. 7Fase de investimento Nesta fase so realizadas as aes que permitem a execuo fsica do projeto, at deix-lo em condies de produzir os bens e servios que constituem seu objetivo. Nesta fase costuma-se distinguir trs etapas principais: Desenho definitivo: consiste na realizao dos estudos finais de arquitetura e engenharia, desenho ou plantas de planos, manuais de procedimentos, especificaes de equipes, materiais etc. Preparao para a execuo: inclui outras tarefas que se devem realizar antes da execuo, tais como o pedido de oramentos ou editais ou convites de licitao ou preges ou concursos; prvia elaborao dos respectivos editais de condies, para a escolha de quem executar as obras. Execuo: nesta etapa so construdos, comprados ou gerados os bens tangveis e intangveis necessrios para que o projeto possa comear a operar. Fase de operao A finalizao da fase de investimento coincide com o incio da fase de operao ou posta em marcha do projeto. A partir desse momento, os bens de capital adquiridos na fase de investimento so colocados em funcionamento para produzir os bens e servios. F. Bibliografia CHILE. MIDEPLAN, Inversin pblica, eficiencia y equidad (Santiago de Chile, 1992). FERR, Coloma, Evaluacin socioeconmica de proyectos, 2. ed. (Mendoza, Facultad de Ciencias Econmicas Universidad Nacional de Cuyo, 2000). FERR, Coloma y BOTTEON, Claudia, Evaluacin privada de proyectos (Mendoza, Facultad de Ciencias Econmicas Universidad Nacional de Cuyo, 2007). FONTAINE, Ernesto, Evaluacin social de proyectos, 12a. ed. (Mxico, Alfaomega, 1999). SAPAG CHAIN, Nassir y SAPAG CHAIN, Reinaldo, Preparacin y evaluacin de proyectos, 4. ed. (Santiago de Chile, Mc Gr

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