Apostila I reuso de esgoto tratado para fins agrícolas

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<p>RESO DE ESGOTO TRATADO PARA FINS AGRICOLA</p> <p>LILIANA PENA NAVAL FUED ABRO JNIOR</p> <p>Palmas Abril 2011</p> <p>SUMRIO</p> <p>1 2 2.1 2.2 2.3 2.3.1 2.3.2 2.4 2.5 2.6 2.6.1 2.6.2 2.6.3 2.7 2.8 2.9 2.9.1 2.9.1.1 2.9.1.2 2.9.2 2.9.2.1 2.9.2.2 2.9.3.</p> <p>INTRODUO................................................................................. REVISO DE LITERATURA............................................................. CONSUMO ATUAL DE GUA E PERSPECTIVAS FUTURA......... POLUIO DAS GUAS POR ESGOTOS SANITRIOS ............. CARACTERSTICAS DOS ESGOTOS DOMSTICOS.................... Fsico-qumica.................................................................................. Biolgica........................................................................................... PREVENO DA POLUIO HDRICA........................................... REUSO DE GUAS RESIDURIAS................................................. ASPECTOS LEGAIS DO REUSO..................................................... Estados Unidos................................................................................ Unio Europia................................................................................. Brasil................................................................................................. FORMAS DE REUSO........................................................................ REUSO URBANO E INDUSTRIAL.................................................... REUSO AGRCOLA........................................................................... Vantagens do Reuso Agrcola........................................................ Benefcios econmicos...................................................................... Benefcios ambientais e de sade pblica......................................... Implicaes do Reuso Agrcola...................................................... Risco Biolgico.................................................................................. Risco de Salinizao e Sodicidade................................................... Risco qumico..................................................................................</p> <p>14 16 16 19 21 21 22 23 25 25 26 27 27 27 29 30 31 32 32 34 35 37 41 72</p> <p>REFERNCIAS................................................................................................</p> <p>1 INTRODUO</p> <p>A expanso da populao urbana seguida por um maior consumo de guas de abastecimento permitiu um grande aumento no volume dos efluentes domsticos gerados. Dada a corrente preocupao com a sade humana e ambiental, em conseqncia da adio de poluentes em guas naturais, uma conscientizao da necessidade de dispor esses efluentes de maneira segura e benfica vm se firmando em todo o mundo (PESCOD, 1992). Nesse sentido, e considerando a quantidade hdrica exigida pela irrigao agrcola, o reuso planejado de guas pode ser uma importante alternativa para o suprimento dessas demandas principalmente para aquelas economias baseadas na agricultura, e para regies ridas e semi-ridas (POLLICE et al, 2003). Isso corrobora com o preconizado por Postel e Vickers (2004), os quais alegam que elevar a prtica de reuso agrcola crucial para o atendimento das necessidades alimentares das pessoas medida que o estresse hdrico vem aumentando em diferentes partes do globo. De acordo com World Resources Institute (WRI, 2000), quase a metade da populao mundial enfrenta problemas de escassez de gua, principalmente no que se refere disponibilidade de fontes superficiais. Em se tratando de Brasil, estima-se que 70% da gua utilizada seja destinada irrigao agrcola. Nesse contexto, o reso de guas pode representar uma alternativa para minimizao desse consumo, que teve um aumento de aproximadamente 45 vezes entre o perodo de 1950 a 1998 (LIMA et al., 1999). Estudos desenvolvidos em diversos pases demonstraram que a produtividade agrcola aumenta significativamente com o emprego de esgotos tratados (BRAATZ, S.; KANDIAH, 1996; HESPANHOL, 2003). Contudo, Bartone e Arlosoroff (1987) destacam que o aumento de produtividade no , entretanto, o nico benefcio do reuso, uma vez que se torna possvel ampliar a rea irrigada dada a disponibilidade de gua e, quando as condies climticas permitem, efetuar colheitas mltiplas praticamente ao longo de todo o ano. Segundo a Food and Agriculture Organization (FAO, 2003), o total de reas com solos irrigados com esgoto concentrado ou diludo estimado em 20 milhes de hectares distribudos em 50 pases, o que representa aproximadamente 10% das reas irrigadas em pases em desenvolvimento. A cidade de Palmas - TO apresenta boas condies para prticas de reuso na agricultura, uma vez que possui um potencial para gerar guas de esgoto da ordem de 32.000 m3/dia, e dispe de condies climticas e edficas favorveis. Nesse contexto, empregar</p> <p>esses efluentes em diferentes culturas, pode se mostrar vivel desde que estudos comprovem os possveis benefcios de tal prtica aos componentes qumicos do solo, bem como a espcie vegetal cultivada. Para isso, faz-se necessrio, entre outras coisas, conhecer o comportamento do solo e da produo vegetal (biomassa) frente a esse tipo de atividade.</p> <p>2 FUNDAMENTAAO TERICA</p> <p>2.1 CONSUMO ATUAL DE GUA E PERSPECTIVAS FUTURAS</p> <p>Atualmente muitos pases no tm gua suficiente para atender demanda e, conseqentemente, comum o esgotamento dos aqferos devido extrao excessiva. Alm disso, a escassez de gua acompanhada por uma deteriorao de sua condio de qualidade devido poluio e degradao ambiental (PNUMA, 2004). Para Brown (2003), o mundo caminha para um dficit hdrico generalizado, onde a irrigao uma grande contribuinte dessa realidade, dado o aumento e a evoluo tecnolgica das formas de captao de gua (bombas eltricas e combustveis fsseis de grande potncia) ocorrida no ltimo meio sculo. Essa afirmao corrobora com Cmera e Santos (2002), que alm de ratificar que a irrigao a atividade humana que mais consome gua, estima um valor da ordem de 80% para o total da demanda mundial. Segundo Mastny e Cincotta (2005), mais de trintas pases, a maioria na frica e Oriente Mdio, j caram abaixo do referencial mais conservador de escassez de gua doce renovvel (1.000 m/hab/ano). Para a FAO (2000), essa cifra de 2.000 m3/hab/ano. Gleyk (1993) apud Rebouas (2002) elaborou uma listagem (Tabela 1) de pases que atualmente sofrem com o problema estresse hdrico ou escassez hdrica. No que se refere Amrica Latina e Caribe, estes dispem de 13.429km de recursos hdricos internos renovveis (Tabela 2). Em relao ao consumo, 73% do total de gua extrada destinada agricultura (Tabela 3), valor esse semelhante a mdia mundial (71%). No Brasil, como pode ser observado na Tabela 3, a extrao de gua com fins agrcolas representam 61% do total de gua consumida no pas. Segundo o PNUMA (2004), as perspectivas para os prximos anos no que se refere gua e alimentos no se mostram favorveis e nem to pouco otimistas. O crescimento populacional e econmico tende a provocar um aumento no consumo de gua em todos os cenrios. Estima-se que na frica a extrao de gua se duplicar e o nmero de pessoas que vivem em regies com grave dficit hdrico aumentar em 40 %.</p> <p>Tabela 1 - Pases com estresse de gua ou escassez de gua em (1990 2025) Pas frica Arglia Burundi Cabo Verde Camares Dijibuti Egito Etipia Qunia Lisoto Lbia Marrocos Nigria Ruanda Somlia frica do Sul Tanznia Tunsia Amrica do Norte e Central Barbados Haiti Amrica do Sul Peru sia e Oriente Mdio Chipre Ir Israel Jordnia Kuwait Lbano Oman Qatar Arbia Saudita Singapura Emirados rabes ImenFonte: Gleyk (1993) apud Rebouas (2003).</p> <p>Per capita m/ano 1990 750 660 500 2.040 750 1.070 2.360 590 2.220 160 1.200 2.660 880 1.510 1.420 2.780 530 170 1.690 1.790 1.290 2.080 470 260 </p>