apostila entomologia agricola

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    UNIVERSIDADE FEDERA DE VIOSA DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA ANIMAL

    SETOR DE ENTOMOLOGIA

    COORDENADOR: PROF. DR. MARCELO COUTINHO PICANO

    VIOSA - 2010

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    CONTEDO

    PARTE 1: AULAS TERICAS

    tens Pgina Introduo entomologia econmica 4 Receiturio agronmico e deontologia 15 Toxicologia de inseticidas - I 22 Toxicologia de inseticidas II 28 Toxicologia de inseticidas III (mecanismos de ao dos inseticidas) 34 Toxicologia de inseticidas IV (limitaes do uso de inseticidas 39 Controle biolgico de pragas 44 Manipulao do ambiente de cultivo ou controle cultural 58 Mtodos de controle por comportamento 64 Interaes inseto-planta e resistncia de plantas hospedeiras a insetos 67 Mtodos mecnicos, fsicos, genticos e legislativos de controle de pragas 78 Mtodos alternativos de controle de pragas 86

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    PARTE 2: AULAS PRTICAS

    tens Pgina FRUTFERAS Abacaxizeiro 93 Bananeira 99 Mamoeiro 105 Citros 112 Maracujazeiro 125 Pessegueiro 131

    GRANDES CULTURAS Algodoeiro 138 Arroz 151 Cafeeiro 162 Cana-de-aucar 171 Feijoeiro 176 Mandioca 186 Milho 192 Pastagens 196 Soja 206 Sorgo 217 Trigo, aveia e cevada 221

    OLERCOLAS Alho e cebola 231 Batata 236 Brssicas 244 Cucurbitceas 249 Tomateiro 256 Pimento e pimenta 264

    ORNAMENTAIS Roseira 272

    PRAGAS GERAIS Biologia e controle de cupins de ninhos expostos 277 Formigas cortadeiras 281 Pragas de instalaes 288 Pragas de produtos armazenados 301

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    INTRODUO ENTOMOLOGIA ECONMICA Marcelo PICANO

    1. Organismos praga

    So organismos que competem direta ou indiretamente com o homem por alimento, matria

    prima ou prejudicam a sade e o bem-estar do homem e animais.

    2. Exemplos de organismos praga . Pssaros (marrecos, goderos, assanhaos, etc.).

    . Mamferos (ratos, morcegos, capivaras, coelhos, etc.).

    . Patgenos (vrus, bactrias, fungos, etc.): os patgenos que atacam as plantas so estudados

    pela Fitopatologia. . Plantas invasoras: so estudados nos cursos de plantas invasoras.

    . Nematides (so estudados pela Nematologia).

    . Artrpodes (caros, sinfilos, diplopodas, aranhas, insetos, etc.) so estudados geralmente nos cursos de Entomologia.

    . Moluscos (lesmas e caracis).

    3. Conceitos de pragas

    3.1. Convencional

    Um organismo considerado praga, quando constatada sua presena no agroecossistema.

    3.2. Do ponto de vista do manejo integrado de pragas (MIP) Um organismo s considerado praga quando causa danos econmicos.

    4. Nvel de dano econmico (ND) - Corresponde a densidade populacional do organismo praga na qual ele causa prejuzos de igual valor ao custo de seu controle.

    - O nvel de dano econmico, embora tomado muitas vezes como um valor fixo, varivel em

    funo dos seguintes fatores: . Preo do produto agrcola (quanto maior o preo do produto menor ser o nvel de dano

    econmico). . Custo de controle (quanto maior o custo de controle, maior ser o nvel de dano econmico).

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    . Capacidade da praga em danificar a cultura.

    . Susceptibilidade da cultura praga.

    5. Nvel de ao ou controle (NA ou NC) a densidade populacional da praga em que devemos adotar medidas de controle, para que esta no cause danos econmicos. Sendo que a diferena entre os valores do ND e do NC,

    deve-se a velocidade de ao dos mtodos de controle.

    6. Nvel de no-ao (NNA) Corresponde a densidade populacional do inimigo natural capaz de controlar a populao da

    praga.

    7. Tipos de pragas

    7.1. De acordo com a parte da planta que atacada

    7.1.1. Praga direta

    - Ataca diretamente a parte comercializada. . Exemplo: broca pequena do tomateiro (Neoleucinodes elegantalis Guene, 1854) que ataca

    os frutos do tomateiro.

    7.1.2. Praga indireta

    - Ataca uma parte da planta que afeta indiretamente a parte comercializada. . Exemplo: lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis Hueb.) que causa desfolha nas plantas da

    soja.

    7.2. De acordo com sua importncia

    7.2.1. Organismos no-praga

    - So aqueles que sua densidade populacional nunca atinge o nvel de controle. Correspondem

    a maioria das espcies fitfagas encontradas nos agroecossistemas.

    Tempo

    DensidadeND

    NC

    PE

    populacional

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    (Ponto de equibrio (PE): densidade populacional mdia do organismo ao longo do tempo). 7.2.2 Pragas secundrias

    - So aqueles que raramente atingem o nvel de controle

    - Exemplo: caros na cultura do caf.

    Tempo

    DensidadeND

    NC

    PE

    populacional

    (Corresponde ao momento de aplicao do mtodo de controle de pragas).

    7.2.3. Pragas chaves

    - So aqueles organismos que frequentemente ou sempre atigem o nvel de controle. Esta

    praga constitui o ponto chave no estabelecimento de sistema de manejo das pragas, as quais so geralmente controladas quando se combate a praga chave. So poucas as espcies nesta

    categoria nos agroecossistemas, em muitas culturas s ocorre uma praga chave.

    7.2.3.1. Pragas frequentes

    - So organismos que frequentemente atigem o nvel de controle. . Exemplo: cigarrinha verde (Empoasca kraemeri Ross & Moore, 1957) em feijoeiro.

    Tempo

    DensidadeND

    NC

    PE

    populacional

    7.2.3.2. Pragas severas

    - So organismos cuja parte de equilbrio maior que o nvel de controle. . Exemplo: formigas savas (Atta spp.) em pastagens.

    Tempo

    DensidadeND

    NC

    PEpopulacional

    PEM (Ponto de Equilbrio Modificado)

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    8. Consequncias do ataque de pragas s plantas

    8.1. Injrias - Leses ou alteraes deletrias causadas nos rgos ou tecidos das plantas. . As pragas de aparelho bucal mastigador provocam as seguintes injrias:

    - leses em rgos subterrneos;

    - roletamento de plantas;

    - broqueamento (confeco de galerias no interior de rgos subterrneos, caule, frutos e gros); - surgimento de galhas;

    - vetores de doenas;

    - desfolha;

    - confeco de minas (galerias surgidas nas folhas devido a destruio do mesfilo foliar).

    . As pragas fitossucvoras provocam as seguintes injrias:

    - suco de seiva;

    - introduo de toxinas;

    - vetores de doenas (principalmente viroses). . Sendo que ataque de pragas fitossucvoras pode ocasionar:

    - retorcimento ("engruvinhamento"); - amarelecimento;

    - anormalidade no crescimento e desenvolvimento;

    - secamento;

    - mortalidade;

    - queda na produo das plantas.

    8.2. Prejuzos das pragas Queda na produo agrcola causada por pragas.

    8.3. Dano das pragas agrcolas

    Prejuzos causado por organismos fitfagos com densidade populacional acima de nvel de dano econmico.

    9. Fatores favorveis ocorrncia de pragas

    - Descaso pelas medidas de controle

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    - Plantio de variedades suscetveis ao ataque das pragas

    - Diminuio da diversidade de plantas nos agroecossistemas (o plantio de monoculturas favorecem as populaes das espcies fitfagas "especialistas" e diminui as populaes dos

    inimigos naturais das pragas) - Falta de rotao de culturas nos agroecossistemas.

    - Plantio em regies ou estaes favorveis ao ataque de pragas.

    - Adoo de plantio direto (geralmente h um aumento de insetos que atacam o sistema radicular das plantas). - Adubao desiquilibrada (as plantas mal nutridas so mais susceptveis ao ataque de pragas) - Uso inadequado de praguicidas (uso de dosagem, produto, poca de aplicao e metodologia inadequados). l0. Problemas advindos do uso inadequado de praguicidas

    l0.l. Reduo das populaes de inimigos naturais em nveis superiores ao das populaes de

    pragas devido:

    - possuirem maior mobilidade do que as pragas, ficando assim mais expostas aos praguicidas.

    - ocorrncia de maior consumo de pragas contaminadas por praguicidas devido a maior

    facilidade de "captura" destas;

    - maior concentrao de substncias txicas (o praguicida) em nveis trficos mais elevados (no caso dos inimigos naturais).

    A reduo nas populaes dos inimigos naturais traz como consequncias:

    - Ressurgncia de pragas (a praga reaparece em safras subsequentes, oriunda de lugares de refgio e dos indivduos sobreviventes na lavoura, em nveis populacionais superiores aos da

    sanfra anterior). - Erupo de pragas (mudana de "status", com praga secundria tornando-se chave). Exemplo disto pode ocorrer com o uso de inseticidas do grupo dos piretrides no controle do

    bicho mineiro (Perileucoptera coffeella (Gurin - Menville, 1842)) do cafeeiro. Esse uso pode reduzir a populao de caros predadores do caro vermelho (Oligonychus ilicis (McGregor, 1919)), que passa para o "status" de praga chave.

    l0.2. Quebra da cadeia alimentar - Consiste na reduo da populao de espcies fitfagas, que servem como fonte inicial de

    alimentao de predadores, os quais posteriormente sero essenciais no controle de pragas

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    chaves. Exemplo disto o que ocorre na cultura algodoeira quando se usa semente preta

    (semente tratada com inseticida sistmico) diminuindo assim, a populao de pulges e tripes. Estes insetos so fonte inicial de alimento dos predadores de pragas chaves que surgiro

    posteriormente como o curuquer do algodoeiro (A. argillacea Hueb., 1818) e lagarta das mas (Heliothis virescens (Fabr., 1781). l0.3. Resistncia das pragas aos praguicidas.

    - Consiste no aumento da tolerncia das populaes de pragas a doses de um

    praguicida anteriormente considerado eficiente no seu controle.

    - Isto ocorre devido a eliminao de indivduos susceptveis, fato este que far com que haja seleo de indivduos que possuam carga gentica para resistncia ao do praguici