Apostila dst eps dr.jefferson oliveira

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    Sade Coletiva

    ciliar rene um conjunto de aes de sade voltadas para aspectoseducativos e assistenciais, devendo ser planejada de acordo com asnecessidades de cada famlia18 .

    Durante sua realizao, a equipe do PSF consegue observar eidentificar hbitos de vida que devem ser discutidos, estimulados oudesaconselhados, favorecendo a manuteno da sade dos integrantesda famlia assistida.

    Outra atividade da equipe de sade de famlia a internaodomiciliar. A adoo desse procedimento reduziu o nmero deinternaes hospitalares entre os habitantes de reas assistidas pe-las equipes do PSF, embora no substitua a internao hospitalar.Para que a internao domiciliar seja a atividade de escolha, faz-senecessrio considerar as condies clnicas dos clientes e a garantiada assistncia pela equipe.

    O principal objetivo dessa atividade proporcionar a humanizaodo cuidado, a proximidade com a famlia e garantir o conforto ao paciente,diante de uma condio que, adequadamente monitorizada, pode ser per-feitamente acompanhada no ambiente do domiclio19 .

    Prtica de grande impacto sobre a sade da comunidade a for-mao de grupos homogneos, reunidos nos espaos comunitrios ouda prpria unidade de sade, de acordo com os recursos fsicos dispo-nveis. Os grupos so excelentes oportunidades para que a equipe desade atue de forma interdisciplinar, valorizando a participao de cadaprofissional na conduo do processo de discusso de determinada con-dio de sade - como a gestao, por exemplo. Tal prtica faz com quea participao dos moradores cresa e que estes busquem, em conjun-to, solues para problemas comuns, como a realizao coletiva deexerccios por um grupo de idosos sedentrios. Conseqentemente, pro-move-se o desenvolvimento comunitrio.

    8- D OEN AS SEXU ALMENTETRA NSMISSVEIS E AIDS

    As DSTs encontram-se amplamente disseminadas,exigindo do poder pblico iniciativas que levem ao seu con-trole. Para tanto, faz-se necessrio estruturar os servios desade de modo a que possam prestar adequada assistncia aosportadores desses agravos, e principalmente envolver seus pro-fissionais na execuo de atividades ligadas preveno da

    transmisso e do contgio.18 Mattos, 1995.19 Ministrio da Sade, 1997.

    O traba lho da equipe de sa-de da famlia processa-secom base nas aes bsicasj definidas nos dema is pro-gramas do Ministrio da Sa-de . O que o torna diferente ocar ter integra l destas aes,uma vez que enfoca a famlia .

    Num prime iro momento, osreflexos produzidos com aimplantao do PSF so deum aumento da demanda dea tendimento nas unidades dereferncia , pois como se asequipes descobrissem de-mandas reprimidas entre osclientes. Com o passar dotempo e a adoo de umaabordagem coletiva eficientepe la equipe do PSF, a tendn-cia diminuio desta de-manda .

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFAtualmente, cerca de 45 milhes de indivduos esto infectados

    com o HIV, o vrus da imunodeficincia humana, causador da maispreocupante das DSTs: a sndrome da imunodeficincia adquirida,conhecida como SIDA ou Aids (sigla inglesa), considerada umapandemia.

    8 .1 AIDS/SIDA

    A Aids uma sndrome caracterizada pela diminuio da respos-ta imunolgica do organismo a agentes patognicos, causando uma s-rie de doenas chamadas de oportunistas, porque no se manifestamem indivduos com defesas normais.

    O indivduo pode contrair o HIV em relaes sexuaisdesprotegidas (oral, anal, vaginal), exposio sangnea (acidentes detrabalho com material biolgico, transfuso, uso de drogas injetveiscom seringas e agulhas compartilhadas), durante o parto ou pelaamamentao.

    As manifestaes iniciais da Aids so febre, mal-estar geral, au-mento de gnglios, perda de peso, leses na cavidade oral ou no esfago,sudorese intensa, diarria, entre outros. Como esses sintomas esto pre-sentes em muitas outras doenas, o cliente deve ser submetido a exa-mes especficos para o diagnstico da Aids.

    Para a deteco do HIV, necessria a coleta de material sangneopara a realizao de testes especficos. Quem deseja fazer o teste anti-HIV deve receber aconselhamento oportuno, podendo dirigir-se a umaunidade de sade ou a um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA).O CTA realiza o teste anti-HIV mantendo a privacidade do cliente: umnmero lhe fornecido, por meio do qual pode solicitar o resultado(Anexo II).

    Nos CTAs, assim como nas unidades de sade preparadas paraprestar assistncia aos portadores do HIV, possvel encontrar umaestrutura que favorea a composio de grupos de integrao entre osclientes, espaos onde ocorrem discusses sobre suas dvidas em rela-o doena e tratamento.

    O atual tratamento da Aids aumentou a sobrevida dos pacientes,proporcionando-lhes melhor qualidade de vida. Hoje, so utilizadosmedicamento anti-retrovirais, que se encontram disposio dos por-tadores do HIV em todos os postos de sade, tornando o Brasil o nicopas a manter uma poltica pblica de distribuio gratuita de medica-mentos para o tratamento da Aids - tal exemplo citado por muitosmovimentos de reintegrao de portadores do HIV do mundo inteiro,para conquistar em seus pases de origem o direito de serem tratadosgratuitamente.

    Por que a preocupao em segarantir o anonima to na rea li-zao do exame anti-HIV?

    An t i-re trov ira is so med i-c amen tos que impedemou d im inuem a mu l t ip l ic a - o dos re trov rus , como oH IV, con tendo o avano daA IDS no ind iv duo . Os ma isconhec idos e u t i l iz a dosso o AZT (Z idovud ina) ,3TC (Lam ivud ina) , dd I(D idanos ina ) e d4T(Es tavud ina) , en tre ou tros .

    Sndrome um conjunto desina is e sintomas.

    As portadoras do HIV em ida-de frtil devem ser orientadasacerca do risco de transmis-so do vrus durante a gesta-o e o parto - embora a tua l-mente j se sa iba que o usode medicamentos na gesta-o diminui em 95% aschances de o beb nascerportador do HIV. Alm disso,devem ser a lertadas parano amamentar seus filhos.

    Alguns indivduos contraem oHIV, mas no manifestam adoena . Como no possve ldetectar a presena do HIVnas pessoas por sua aparn-cia , sempre importante ado-tar condutas seguras, tanto noexerccio profissiona l comonos re lacionamentos sexua is.

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    Sade Coletiva

    O prognstico para os doentes com Aids j no to sombriocomo h pouco tempo atrs, principalmente a partir da utilizao dosanti-retrovirais em conjunto, numa estratgia popularmente conhecidacomo coquetel.

    8 .2 S f i l is

    Embora a sfilis seja uma DST de tratamento fcil e dispon-vel em todas as unidades de sade, ainda existe uma efetivamobilizao dos servios de sade em torno da deteco de casosdessa doena.

    Essa preocupao deve-se ao conhecimento das conseqnciasdecorrentes da evoluo da sfilis sem tratamento adequado. Outra ra-zo para o empenho dos profissionais de sade a possibilidade detransmisso da doena de me para filho durante a gestao, causandouma sndrome denominada sfilis congnita.

    A sfilis causada pela bactria Treponema pallidum, que pode atin-gir qualquer tecido ou rgo e tende a evoluir cronicamente. De acordocom sua evoluo, pode apresentar-se em trs fases, primria, secund-ria e terciria:

    sfilis primria: caracteriza-se pela presena do cancro duro,que uma leso ulcerada, nica, indolor, de bordos bem-definidos e fundo liso. Geralmente, localiza-se na genitliaexterna ou outros locais por onde o Treponema penetrou ocorpo (nus, reto, lbios, boca, mamas ou dedos). Na mu-lher, a sfilis pode ser assintomtica, independente da lo-calizao do treponema, o que possibilita a disseminaoda doena.

    Essa leso regride espontaneamente, e normalmente o portadorno procura uma unidade de sade por pensar estar curado, permitindoque a doena evolua para a sfilis secundria.

    sfilis secundria: ocorre entre 6 e 8 semanas aps o surgimentodo cancro duro. Suas manifestaes surgem aps a dissemina-o do Treponema para todo o corpo, por meio da correntesangnea e vasos linfticos. uma fase caracterizada por le-ses de pele, pequenas manchas acobreadas, denominadas ro-solas sifilticas, nas regies palmar, plantar, inginal, entreas ndegas, tronco, face e membros superiores. H aindaalopcia e pores distais das sobrancelhas, placas mucosas eleses semelhantes a verrugas planas nas regies de dobrasou atrito. Tambm h queixas de febre baixa, mal-estar,cefalia e artralgia.

    Por se tra tar de leso indolor,as pessoas continuam man-tendo re lao sexua l e trans-mitindo a doena .

    Artra lgia a dor na articula-o (junta).

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF sfilis terciria: se o indivduo acometido durante a fase secun-

    dria da sfilis no for assistido, a doena atingir esta fase entre3 e 12 anos aps a infeco, e o seu portador manifestar sinaise sintomas de comprometimento sseo, articular, neurolgico,cutneo-mucoso ou cardiovascular, refletindo a invaso da bac-tria nos rgos internos, principalmente nas vlvulas cardacase crebro, podendo levar morte.

    A sfilis pode ser diagnosticada atravs de critrios clnicos basea-dos nos sinais e sintomas apresentados, ou por diagnstico laboratorial,pela realizao de exames de sangue, que podem ser inespecficos(VDRL) ou especficos (FT-Abs, TPHA) para a deteco do T. pallidumna corrente sangnea.

    Esses testes so especialmente teis quando o portador se encon-tra na fase latente da doena e no apresenta sinais e sintomas de infec-o, mas relata histria sugestiva de infeco pelo agente causador dasfilis.

    O tratamento da sfilis deve ser iniciado o quanto antes, tanto nocaso do portador como no de seu parceiro. Tambm aplicvel a gestantesou a bebs, filhos de gestantes no tratadas. Consiste na administrao deantibiticos, preferencialmente a penicilina Benzatina .

    8 .3 G onorr i a

    Doena infecciosa causada por uma bactria, do tipo gonococo,chamada Neisseria gonorrhoeae, que causa um processo inflamatrio namucosa uretral, denominado uretrite gonoccica.

    Aps o contgio, o agente infeccioso causa uma infeco su-perficial, mas a gonorria pode evoluir com algumas complicaesse no tratada adequadamente, causando inflamao e infecesem vrios rgos e tecidos, como o corao, articulaes, ovriose meninges, que so atingidos porque o gonococo pode subir atra-vs do trato urinrio e se disseminar pelos sistemas linftico e cir-culatrio.

    Os sintomas so dor ou ardncia ao urinar, e corrimento uretralpurulento e ftido, podendo haver febre. Manifestam-se cerca de 2 a 10dias aps o contgio. Porm, cerca de 70% das portadoras do sexo fe-minino so assintomticas e transmitem a bactria, muitas vezes sem osaber.

    Ao afetar a gestante, existe a possibilidade de o beb se conta-minar durante o parto, causando a conjuntivite gonoccica. Paraprevenir esse risco, as maternidades realizam a credeizao ou m-todo de Cred.

    A gonorr ia popularmenteconhec ida como go ta ma t i-go ta ma t i-go ta ma t i-go ta ma t i-go ta ma t i-na lna lna lna lna l, porque comum a sa dade secreo pe lo mea touretra l, pe la manh , quandoo doente se levanta e va i rea li-zar a prime ira mico. J onome go ta m i l i ta rgo ta m i l i ta rgo ta m i l i ta rgo ta m i l i ta rgo ta m i l i ta r fo i dadodevido ao seu grande acome-timento por militares. Antiga-mente , era chamada deblenorragia , que significa es-coamento de muco.

    VDRL sigla em ingls quesignifica Venera l DiseaseResearch Labora tory, cuja tra-duo Labora trio de Pes-quisa de Doenas Venreas.

    Crede izao ou mtodo deCred - consiste na aplicaode nitra to de pra ta nos olhosdos recm-nascidos e especi-ficamente na genit lia da me-nina .

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    Sade Coletiva

    O diagnstico da gonorria feito com base no quadro clnico,embora possa ser utilizado mtodo complementar de exame de amos-tras de secreo uretral.

    Para seu tratamento utiliza-se antibiticos, disponveis nas uni-dades de sade para o portador e seu(s) parceiro(s). Quando ocorremcomplicaes devido ao acometimento de outros rgos pelogonococo, a hospitalizao indicada e o tratamento passa a serdirecionado em funo do sistema atingido (no caso de umaendocardite, por exemplo, o paciente acompanhado em uma unida-de de cardiologia).

    A equipe de enfermagem deve orientar o cliente, ensinando-lhea ter os seguintes cuidados: trocar regularmente as roupas ntimas, apshigiene habitual com gua e sabonete; lavar as mos antes e aps o usodo vaso sanitrio; no coar os olhos, pois isto pode transportar ogonococo dos genitais para a mucosa ocular; no ingerir bebidas alco-licas, pois estas irritam ainda mais a mucosa uretral; no manter rela-es sexuais, devendo ainda encaminhar o(s) parceiro(s) para tratamentona unidade de sade.

    8 .4 Ure tr i t es n o - gonocc ic as

    As uretrites no-gonoccicas compreendem um conjunto deuretrites sintomticas causadas por microrganismos que no ogonococo. O mais comum desses agentes a bactria Chlamydiatrachomatis.

    Semelhantemente gonorria, h sada de secreo purulenta domeato uretral no indivduo acometido pela doena, causando dor e ar-dncia ao urinar, gerando srios desconfortos. O avano das uretritesno-gonoccicas tambm pode desencadear conseqncias em todo ocorpo, principalmente a doena inflamatria plvica (DIP) em mulhe-res, podendo ocasionar infertilidade, atravs de mecanismo semelhan-te ao da disseminao do gonococo.

    O diagnstico considera o quadro clnico do portador e a au-sncia de gonococo no exame de amostras uretrais. O tratamento feito utilizando-se antibiticos. Os parceiros sexuais tambm de-vem ser tratados.

    Devido semelhana entre as manifestaes das uretrites no-gonoccicas e a gonorria, os cuidados de enfermagem devem com-preender orientaes semelhantes, com nfase na higiene do indiv-duo e no correto seguimento do tratamento, inclusive pelo(s)parceiro(s).

    Endocardite - a inflamaodas v lvulas card acas. Podeser causada por vrios agen-tes, como o gonococo, mastambm pode ocorrer devidoa a lguns med icamentos txi-cos, como o Interferon, utili-zado no tra tamento da hepa-tite C.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF8 .5 Con d i lo m a a cu min a d o

    Doena infecciosa causada por um vrus chamado HPV(papilomavrus humano), tambm conhecida como crista de galo ouverruga genital.

    Caracteriza-se pelo surgimento de pequenas verrugas nas re-gies genital anal e perianal, aps a multiplicao do HPV nesses lo-cais, entre 3 e 4 meses aps a transmisso, sexual na maioria das ve-zes. Com o passar do tempo e sem tratamento adequado, essas verru-gas podem crescer e unir-se umas s outras, adquirindo o aspecto deuma couve-flor.

    uma doena especialmente perigosa quando afeta a gestante,pois o crescimento das leses pode obstruir o canal vaginal, levando necessidade da realizao de cesariana.

    A ocorrncia de infeco pelo HPV tambm aumenta os riscosde desenvolvimento de cncer de colo uterino. Portanto, as mulheresque j apresentaram infeco por esse vrus devem ser acompanhadasregularmente.

    O diagnstico do condiloma acuminado ocorre por exame clni-co, podendo ser complementado com bipsia (retirada de pequena quan-tidade de tecido para anlise em laboratrio). Seu tratamento feito emambulatrio, com cauterizao qumica (por podofilina ou cidotricloroactico) ou trmica (criocauterizao). Porm, quando a lesocresce demasiadamente, pode haver a necessidade de ser retirada cirur-gicamente.

    Deve-se orientar a realizao da higiene do cliente com gua esabonete comum, com o cuidado necessrio para no agredir as leses. i...