apostila desenho tecnico

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPRITO SANTO CENTRO DE CIENCIAS AGRARIAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA RURAL

APOSTILA DE DESENHO TCNICO

Desenho CCAUFES

Tcnico

ALEGRE - ES 1)APRESENTAO A computao revolucionou a utilizao da expresso grfica no exerccio da engenharia, viabilizando a execuo de trabalhos em trs dimenses, que antes s eram possveis atravs da construo de modelos. Os softwares existentes no mercado possibilitam a construo de modelos virtuais, cujas imagens so muito prximas do real, onde se podem ver, em trs dimenses, todos os detalhes de uma mquina, de um equipamento ou at mesmo de um processo inteiro. Estes modelos virtuais possuem recursos de cores, textura e animao onde as imagens podem ser giradas, cortadas, alteradas e ao mesmo tempo compartilhadas, por meio de redes ou da Internet, por todas as partes envolvidas no desenvolvimento de estudos e projetos de engenharia. A computao grfica, com certeza facilitou e ampliou o desenvolvimento de projetos na rea da engenharia e da arquitetura porque, alm de poder ser utilizada integrada com softwares de clculos ou com banco de dados, os modelos virtuais so fceis de serem compreendidos e enchem os olhos de quem est comprando o projeto. No entanto, a execuo dos projetos das reas da engenharia e da arquitetura ainda dependente dos desenhos bidimensionais que so utilizados para fazer o detalhamento dos detalhes construtivos que envolvem o objeto projetado. Assim, apesar de todos os recursos propiciados pela computao grfica, o exerccio da engenharia ainda est diretamente vinculado leitura e interpretao de desenhos bidimensionais, chamados de Desenhos Tcnicos. Pode ser que no futuro todos os problemas grficos da engenharia sejam elaborados em trs dimenses, mas ainda no hora para se abandonar a linguagem bidimensional. Diferentemente das imagens tridimensionais, que podem ser entendidas por qualquer pessoa, os desenhos bidimensionais se constituem em uma linguagem grfica que s pode ser entendida por quem a estuda. Desta forma, os autores elaboraram este livro, com o objetivo de fornecer elementos para a aprendizagem da leitura e interpretao de desenhos tcnicos, visando a formao de engenheiros em suas diversas modalidades, e dentro deste objetivo, abordado somente o aspecto da linguagem grfica contida nos desenhos bidimensionais. Quebrando o paradigma que o aprendizado de Desenho Tcnico depende de prtica constante, este livro apresenta textos preparados dentro de uma estratgia didtica que ajuda o aprendizado da linguagem bidimensional e desenvolve o raciocnio espacial. Exceto para a Engenharia Civil que utiliza uma rea especfica de expresso grfica, as matrias abordadas neste livro atendem as necessidades de formao em leitura e interpretao de Desenho Tcnico de todas as outras modalidades de Para os cursos de engenharia que visam a preparao para atividades de desenvolvimento de projetos, como caso dos engenheiros mecnicos, ser necessrio fazer o treinamento em algum software de CAD (Computer Aided Design) que viabilize a elaborao de desenhos.Prof. Giovanni de Oliveira Garcia 2

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Para as modalidades de engenharia onde a probabilidade de envolvimento com atividades de projeto de mquinas e equipamentos pequena, como o caso da engenharia qumica, engenharia de alimentos etc., a formao em expresso grfica pode ficar restrita leitura e interpretao abordada por este livro.

2)NORMALIZAO E PADRONIZAO DO DESENHO TCNICO A padronizao dos procedimentos de representao grfica permite transformar o Desenho Tcnico em uma linguagem grfica. Essa padronizao feita atravs de normas tcnicas que so seguidas e respeitadas internacionalmente. No Brasil as normas so aprovadas e editadas pela Associao Brasileira de Normas Tcnicas ABNT, fundada em 1940. No mbito internacional foi criado em 1947 a Organizao Internacional de Normalizao (International Organization for Standardization ISO). Quando uma norma tcnica proposta por qualquer pas membro, aprovada por todos os pases que compem a ISO, essa norma organizada e editada como norma internacional. As normas tcnicas que regulam o Desenho Tcnico so normas editadas pela ABNT, registradas pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalizao e Qualidade Industrial) como normas brasileiras (NBR) e esto em consonncia com as normas internacionais aprovadas pela ISO. Para o desenho tcnico existe a NBR 5984 NORMA GERAL DE DESENHO TCNICO (antiga NB 8). Esta norma foi aprovada em 1950 e revisada vrias vezes tendo como objetivos fixar as condies gerais que devem ser observadas na execuo dos desenhos tcnicos. Os principais aspectos abordados so: tamanhos e formatos de papis, escalas, letras e algarismos, linhas, e legendas. 3)INSTRUMENTALIZAO TIPO, MANUSEIO E MANUTENO Para a disciplina de Expresso Grfica aconselha-se o uso de instrumentos de preciso e qualidade, o que existe com grande variedade no mercado. Para cada tipo de Desenho existem tambm instrumentos mais especficos. Atualmente com os sistemas de CAD o uso de certos instrumentos deixa quase de ser necessrio, por sua vez para conduo da disciplina de Expresso Grfica recomenda-se adquirir e trazer em todas as aulas papel no formato A3, lapiseira 0,5 ou 0,7 mm, rgua T, borracha branca, fita adesiva, flanela de algodo, transferidor, compasso, rgua milimetrada e transparente. A seguir tem-s e a descrio detalhada de cada equipamento. Prancheta (mesa para desenho) - Equipamento importante para o desenho tcnico. Pode ser de madeira com alavancas de acionamento da inclinao e da altura. Facilita a execuo do desenho. Papel - Existem diversos tipos de papel para desenho. Para desenho a mo com uso de lpis aconselhvel utilizar papel opaco (sulfite) ou transparente (manteiga). Para desenhos definitivos recomenda-se o papel-vegetalProf. Giovanni de Oliveira Garcia 3

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empregando caneta nanquim. Com o uso de computador para a elaborao do projeto comum o uso do papel sulfite para impresso. Rgua T - So empregadas no traado de linhas horizontais e apoio aos esquadros para o traado de linhas inclinadas ou verticais. So fabricadas de madeira com bordas de plstico inquebrvel ou acrlico (Figura 1). Obs: No trao com a rgua T deve-se comear a traar da esquerda para a direita, de modo que a mo no fique em cima do que j foi desenhado (Figura 2).

Figura 1 Exemplo de uma rgua T.

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Figura 2 Esquema de traado com rgua T.

Rgua paralela Utilizada em substituio rgua T (Figura 3).

Figura 3 Esquema ilustrativo de rgua T e rgua paralela. Esquadros - Utilizados no traado de linhas inclinadas ou perpendiculares a rgua T. Existem dois tipos de esquadros: na forma de tringulo issceles (2 ngulos de 45 e um de 90) e na forma de tringulo escaleno (ngulos de 30, 60, e 90). A combinao ideal para uso seria aquela em que o cateto do esquadro de 30/60 seja igual a hipotenusa do esquadro de 45. A combinao de esquadros permite que sejam traadas linhas formando mltiplos de 15. Compasso - Traar circunferncias ou arcos de circunferncias. Transferidores - Instrumentos para a medio de ngulos. Comercialmente existem modelos de 0 a 180 e de 0 a 360. Rguas flexveis ou curvas francesas - Curvas no traadas pelo compasso (raio indefinido). Normgrafos e gabaritos - Empregados no auxlio escrita e desenhos. Canetas - Nanquim (para desenhos definitivos) Lpis (lapiseira) e Grafite - H a 6H Consistncia de dura a extremamente dura. B a 6B - Consistncia de macia a extremamente macia. Obs. uso mais comum: B, HB e H. 4)FORMATOS E TAMANHOS DE PAPELProf. Giovanni de Oliveira Garcia 5

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O formato bsico do papel, designado por A0 (A zero), o retngulo cujos lados medem 841 mm e 1.189 mm, tendo a rea de 1m2. Do formato bsico, derivam os demais formatos da srie A (Figura 4), pela bipartio ou duplicaes sucessivas, segundo uma linha perpendicular ao maior lado do retngulo.

Figura 4 Formatos de papel da srie A. Os formatos da srie A, de A0 a A6, tm as dimenses indicadas no quadro a seguir. As folhas no recortadas devem ter as dimenses mnimas indicadas na ltima coluna do quadro. Na Tabela 1 tm-se as especificaes tcnicas de cada formato. Tabela 1 Formatos da srie A Formato (mm) A0 A1 A2 A3 A4 A5 A6 Linha de corte (mm) 841 x 1189 594 x 841 420 x 594 297 x 420 210 x 297 148 x 210 105 x 148 Margem (mm) Esquerda 25 25 25 25 25 25 25 Direita 10 10 10 10 5 5 5 Comprimento da legenda (mm) 175 175 178 178 178 178 1786

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5)CALIGRAFIA TCNICA Os textos e algarismos representados em desenho tcnico (Figura 5) seguem normas que garantem a legibilidade e uniformidade. Podem ser escritos utilizando-se o normgrafo ou mo livre. A norma NBR 6492/1994 recomenda letras maisculas no inclinadas, assim como os nmeros, medindo de 3 a 5 mm. O espaamento entre as linhas no deve ser inferior a 2 mm.

Figura 5 - Textos e algarismos representados em desenho tcnico. 6)CARIMBO CONTEDO E TRAADO O carimbo ou rtulo deve acompanhar todo desenho e serve tanto para a identificao como para conter informaes sobre o contedo do desenho. O carimbo deve ser inserido no canto inferior direito da folha de desenho. Em geral o carimbo deve conter as seguintes informaes: nome; ttulo do projeto; nome do projetista; nome do desenhista; data; escalas; nome do cliente; e local para assinaturas.

Exemplo 1 (Uso para trabalhos acadmicos) Disciplina: Desenho Tcnico Ttulo: Projees Ortogonais Aluno: Fulano de Tal Escala: 1:50 Data: 15/08/07 Turma: A Matrcula: 123456

Exemplo 2 (Projetos rurais) Projeto: Construo Rural Denominao: Sala de ordenha Localizao: Faz. Bela Vista, BR 101 km 74 So Mateus, ESProf. Giovanni de Oliveira Garcia

Obra no 013/03 Arquivo no PROJ/01 Data: 15/08/07 reas (m2) Construda ..... 8