apostila de tÉcnica vocal

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INSTITUTO NOVA CANOElaborada pelo Professor: Marcelo Adriano Pereira

APOSTILA TCNICA VOCAL

INSTITUTO NOVA CANO

SumrioCAPTULO 1 pg. 03 A produo da voz humana pg. 03 a 04 CAPTULO 2 pg. 05 As diferenas entre as vozes falada e cantada pg. 05 Parmetro Respirao pg. 05 Parmetro Fonao pg. 05 a 06 Parmetro Ressonncia e Projeo de voz pg. 06 Parmetro Qualidade Vocal pg. 06 Parmetro Articulao dos sons da fala. pg. 07 Parmetro Pausas pg. 07 Parmetro Velocidade e Ritmo pg.07 a 08 Parmetro Postura pg. 08 O canto atravs da Historia pg. 08 CAPTULO 3 pg. 09 Os problemas mais comuns dos Grupos de Canto pg.09 1-As vozes intermedirias pg. 09 a 10 2-Grande reciclagem de cantores pg. 10 3-Desconhecimento dos locais das apresentaes pg. 10 a 11 4-Vestimentas pg. 11 5-Viagens freqentes pg. 11 6-O desgaste do Regente ou Professor de Tcnica pg. 12 CAPTULO 4 pg. 13 As normas de Higiene Vocal para o Canto pg. 13 a 16 CAPTULO 5 pg. 16 Os mitos da Voz Cantada pg. 16 Aprender a respirar e cantar com o Diafragma pg.16 a 17 Nunca respirar pela boca pg. 17 No usar falsete, uma voz falsa e faz mal, alm disso mulheres no tem falsete - pg. 17 a 18 No apresentar zonas de passagens de registro pg.18 Gargarejar com usque ou similares antes dos ensaios e apresentaes pg. 18 a 19 Usar sprays, pastilhas, gengibre, mel com limo e similares pg. 19 CAPTULO 6 pg. 20 O que Msica? pg. 20 a 21 CAPTULO 7 pg.21 Aquecimento Vocal pg. 21 Exerccios de Respirao pg. 21 a 23 Vocalizes pg. 23 a 24 Alongamento Vocal pg. 25 CAPTULO 8 pg. 26 As regras de ouro da boa voz de um cantor pg. 26 a 27 Questionrio pg. 27 a 28 Pequeno Glossrio pg. 29 a 33 2

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Leitura Recomendada pg. 33

CAPITULO 1A PRODUO DA VOZ HUMANAVivemos imersos num universo sonoro e sentimo-nos confortveis quando temos os sons ambientais ao nosso redor. Som vida e o mundo sonoro nos d a confirmao de pertencermos a esta realidade, participar dela e control-la. A presena do som to importante que quando o silncio excessivo, pode nos assustar. Um exemplo disto o quando ficamos alerta ao passarmos por uma rua muito quieta, pois parece que algo ruim poder nos acontecer. Nosso corpo pode ser considerado uma espetacular mquina produtora de sons, alguns mais romnticos como o tum-t do corao e o suspiro da paixo, e outros menos romnticos, como o som do estmago quando estamos com fome, ou dos intestinos com gases. Estes so produzidos de forma automtica e temos pouco controle sobre ele. Por outro lado, a voz o som mais complexo e sofisticado produzido pelo nosso corpo, de tal modo voluntrio que podemos modific-los e exerc-los sobre um controle excepcional. A voz se produz no trato vocal, a partir de um som bsico gerado na laringe, chamado fonao. A laringe localiza-se no pescoo e um tubo composto de cartilagem. Mais particularmente, as pregas vocais so as estruturas responsveis pela produo da matriaprima sonora. O nome popular de cordas vocais incorreto pois no se tratam de cordinhas, como as do violo , mas sim de dobras ou pregas de musculatura. Portanto, as pregas vocais localizam-se dentro da laringe, so apenas duas e esto paralelas ao solo, como se estivessem deitadas. As pregas vocais afastam-se para que o ar entre nos pulmes e aproximam-se e vibram para que a fonao se produza. O ar essencial para a produo da voz, sendo o combustvel energtico da fonao. Sem o ar no conseguimos ativar a vibrao das pregas vocais, o que voc pode comprovar fechando a boca e nariz simultaneamente e procurando emitir um som. A funo principal da laringe porm, no produzir a voz, mais sim proteger os pulmes. Quando deglutimos ou quando uma substncia nociva entra em nosso corpo pela boca ou pelo nariz, as pregas vocais aproximam-se fortemente, fechando a abertura larngea. Essa chamada de selamento larngeo, sendo extremamente importante para nossa sobrevivncia. O selamento larngeo tambm realizado quando queremos erguer um peso ou deslocar nosso corpo atravs o apoio dos braos, como quando subimos em barras de ginsticas. Quando um individuo est muito debilitado ou com problemas neurolgicos, a funo de selamento fica enfraquecida e pode ocorrer desvio de alimentos para os pulmes, o que chamado de aspirao, podendo provocar infeco pulmonar e morte. Portanto, a funo de produo da voz secundria e foi superposta funo primria deste rgo, na escala de evoluo filogentica dos animais. Para produzirmos a voz, obedecemos uma seqncia de atos coordenados: inicialmente devemos inspirar, ou seja, colocar o ar para dentro dos pulmes; nesta situao, as pregas vocais se afastam da linha mdia, permitindo que o ar passe livremente. Ao emitirmos a voz, as pregas vocais se aproximam da linha mdia, controlando e bloqueando a sada do ar dos pulmes, iniciando a expirao pulmonar. O ar, passando pela laringe, coloca em vibrao as pregas vocais, que esto prximas entre si. As pregas vocais desta forma, fecham-se e abrem-se numa seqncia muito rpida, realizando os chamados ciclos vibratrios. Quanto maior a velocidade dos ciclos vibratrios, mais alta a freqncia do som emitido, o que quer dizer que mais aguda ser a voz produzida. Na verdade, o som que a laringe produz no a voz que ouvimos de uma pessoa, mas sim a chamada fonao. O som na laringe semelhante ao de um barbeador eltrico, no sendo parecido com nenhuma vogal ou consoante. Podemos tambm imit-lo vibrando os lbios, como fazem as crianas que brincam de carrinho. 3

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O nmero de vibraes que as pregas vocais fazem em um segundo a freqncia da voz de um indivduo. Esta freqncia depende de vrios fatores, como o comprimento das pregas vocais (quanto maiores, mais grave ser a voz) e de espessura (quanto mais finas, mais aguda ser a voz). Portanto, quanto mais agudos os sons que produzimos, maior nmero de vibrao so realizadas em um segundo, ou seja, as pregas vocais esto completando uma maior quantidade de ciclos por segundo. Assim, quando uma soprano canta um d5, ao redor de 1.024Hz, suas pregas vocais esto realizando 1.024 vibraes em um segundo. O som bsico produzido pelas pregas vocais na laringe passa por uma srie de cavidades de ressonncia, que se ajustam como se fossem um alto-falante natural formado pela prpria laringe, faringe, boca e nariz. As cavidades de ressonncia amplificam este som, que muito fraco quando sai de sua fonte. Pode-se compreender, portanto, que a voz o resultado do equilbrio entre duas foras a fora do ar que sai dos pulmes - a chamada fora aerodinmica, e a fora muscular das pregas vocais a chamada fora mioelstica. Caso haja um desequilbrio nesse jogo, poder haver uma alterao vocal. Se o ar que passa pela laringe excessivo, a voz vai ser soprosa ouvindo-se ar na emisso, uma queixa muito comum entre os cantores. Ao contrrio, se a fora muscular for maior que a necessria, o som ficar comprimido em pouco ar e a voz sair tensa e estrangulada. Os diferentes sons de uma lngua suas vogais e consoantes so produzidos nas cavidades acima da laringe, por mudanas nos articuladores, ou seja, nas estruturas que esto nas cavidades de ressonncia. Os sons so articulados principalmente na boca, atravs de movimentos da lngua, dos lbios, da mandbula, dos dentes e do palato. Esses movimentos devem ser precisos e corretamente encadeados nas palavras e nas frases, para que sejam produzidos sons claros, tornando a fala e a mensagem que se quer transmitir inteligveis. Para a voz cantada, utilizamos as mesmas estruturas que produzem a voz falada, porm, com diferentes ajustes devido s necessidades do canto. De modo simplificado, a respirao passa a ser mais profunda, as pregas vocais produzem ciclos vibratrios mais controlados e com maior energia acstica, as caixas de ressonncia esto expandidas e introduzem uma maior amplificao ao som bsico.

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CAPTULO 2AS DIFEREAS ENTRE AS VOZES FALADA E CANTADAExistem vrias formas de se comparar a voz falada e a voz cantada. Selecionamos os parmetros mais comuns para analisarmos as diferenas entre esses dois ajustes e compararmos as realidades da voz falada coloquial e do cantor. So eles: respirao, fonao, ressonncia e projeo de voz, qualidade vocal, articulao dos sons da fala e pausas, e postura.

PARMETRO RESPIRAO - CICLOS DE INSPIRAO E EXPIRAO VOZ CANTADA natural treinada. O ciclo completo de respirao Os ciclos respiratrios so pr(entrada e sada de ar) varia de acordo com a programados de acordo com as frases emoo e o comprimento das frases. musicais. A inspirao relativamente lenta e A inspirao muito rpida e bucal. nasal nas pausas longas, sendo mais rpida e bucal durante a fala; Um volume mdio de ar usado Usa-se um volume de ar maior durante a fala. durante o canto, quase esvaziando os pulmes. Ocorre pequena movimentao Ocorre grande movimentao pulmonar durante a tomada de ar, com pouca pulmonar durante a tomada de ar, com expanso da caixa torcica. expanso de todas as paredes do trax. 5 VOZ FALADA

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A sada do ar na expirao um O controle da expirao (sada do ar) processo passivo. ativo, mantendo a caixa torcica expandida durante o maior tempo possvel.

PARMETRO FONAO - PRODUO DO SOM LARNGEO BSICO VOZ FALADA VOZ CANTADA As pregas vocais fazem ciclos As pregas vocais fazem ciclos vibratrios com o cociente de abertura vibratrios com o cociente de fechamento levemente maior que o de fechamento. maior que o de abertura, o que gera um som acusticamente mais rico e com maior tempo de durao. Produz-se uma srie regular de Produz se uma srie mais rica de harmnicos uns vinte deles, em mdia -, harmnicos mais de trinta -, com decrescendo de intensidade em direo ao intensidade forte mesmo nos harmnicos harmnicos agudos. mais agudos. O atrito das mucosas das pregas O atrito das mucosas das pregas vocais bastante aumentado nas situaes de vocais reduzido; os altos de pigarrear e pigarro, tosse ou mesmo quando se quer dar tossir no so aceitos durante