Apostila de Pocesso Civil - Conhecimento

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O processo tem uma configurao trplice: Estado, autor e ru. preciso, porm deixar claro que esta configurao trplice da relao jurdica apresenta somente um esquema mnimo da mesma, o que significa dizer que, outros sujeitos podero ingressar nessa estrutura. Ter-se- assim o fenmeno de pluralidade de partes.

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Processo Civil Processo de Conhecimento

UNIDADE I SUJEITOS DO PROCESSO:O processo tem uma configurao trplice: Estado, autor e ru. preciso, porm deixar claro que esta configurao trplice da relao jurdica apresenta somente um esquema mnimo da mesma, o que significa dizer que, outros sujeitos podero ingressar nessa estrutura. Ter-se- assim o fenmeno de pluralidade de partes.

Partes: tradicional o conceito de partes como sendo aquele que pleiteia e aquele em face de quem se pleiteia a tutela jurisdicional. Por esta definio seriam partes somente o autor e o ru.Este conceito no est errado, mas no adequado a explicar todos os fenmenos de relevncia terica a respeito das partes. Tal insuficincia facilmente se explica. que o conceito acima apresentado corresponde ao de partes da demanda. Mas esse conceito no se confunde com outro, mais amplo, que de partes do processo.EX. uma coliso de carro entre A e B, onde estes so os condutores. (sujeitos da demanda lide). Ao investigar as circunstancias da coliso A decide demandar contra C, ao invs de ingressar contra B, que se qualificava como mero condutor do veiculo, sendo este de propriedade de C. A e B so sujeitos da demanda; A e C so sujeitos do processo. Lembre-se que o processo no envolve apenas autor, ru e magistrado, mas pode incluir varias pessoas que nele podem ingressar em ordem cronolgica aps sua formao.Queremos dizer que o processo pode envolver apenas autor e ru como partes principais, numa formao clssica, admitindo-se, porm, a extenso desse quadro para fins de ingresso no feito de pessoas no assentadas na relao jurdico processual por ocasio da apresentao da petio inicial. Estes so os terceiros; no aqueles que permanecem distantes do processo, mas dos que para dele entraram no af de apoiar a uma das partes principais, ou mesmo para defender interesse seu.O ingresso do terceiro no processo faz com que assuma a condio de parte acessria, de modo a poder ser atingido pelos efeitos da sentena judicial. Interessante falar tambm das pessoas que ocupam certos lugares no processo, mas que no podem ser qualificadas como partes, de modo que no lhes podem ser estendidos os efeitos da sentena judicial futura. Destacamos aqui os representantes das partes, que, embora prximos dos protagonistas do processo, partes no so. Figuram no processo como apoio do autor ou do ru, em vista de uma determinada circunstncia ligada a essa pessoa, como ocorre, por exemplo, na hiptese de o autor ser detentor da capacidade de ser parte (de direito), mas no possuindo a capacidade processual (de exerccio), por ser menor de idade, exigindo a lei que seja amparado por seus genitores ou por tutor (art. 8 CPC).A qualidade de ser parte pode ser adquirida de 4 formas: Pela demanda: pelo ajuizamento da demanda, o autor (demandante) adquire a qualidade de parte do processo. Observe que o autor ocupar ao mesmo tempo a posio de parte da demanda e parte do processo.Pela citao: pela citao adquirem a qualidade de parte o ru (demandado) e os terceiros intervenientes quando se estiver diante de uma modalidade de interveno forada, como a denunciao da lide. O ru parte da demanda desde o oferecimento da mesma, mas s se torna parte do processo com a citao, ato responsvel pela angularizao da relao processual. Pela sucesso: ocorre quando h uma alterao subjetiva da demanda, como por exemplo, na hiptese de falecimento do autor, sendo este sucedido, nos termos do artigo 43 do CPC.Pela interveno de terceiros: toda vez que uma pessoa ingressa em juzo, na condio de parte ou auxiliar da parte, em processo que se encontra em trmite envolvendo duas outras pessoas. Devem ser consideradas partes do processo todas aquelas que participam do procedimento em contraditrio. Assim, ao lado do autor e do ru, que so partes da demanda e tambm do processo, outras pessoas podem ingressar na relao processual, alterando o esquema mnimo daquela relao processual dita anteriormente, e que corresponde formao trplice do processo. Como exemplo podemos citar a assistncia (espcie de interveno de terceiros), ou a interveno do MP como custos legis. Estes novos sujeitos embora no apaream na demanda so partes do processo.

Capacidade de ser parte, capacidade processual capacidade postulatria:- capacidade de ser parte (de direito): est ligada a possibilidade de a pessoa apresentar-se em juzo como autor ou ru, ou seja, a possibilidade de tomar assento em um dos plos do processo. Esta capacidade exige a personalidade civil, que, no caso de pessoa fsica, inicia-se com o seu nascimento com vida (art.2 CC), ressalvados os direitos do nascituro. Enquanto que para a pessoa jurdica a regra refere-se a inscrio do ato constitutivo no respectivo registro Junta Comercial, rgo de Classe (OAB), etc. (art. 45 CC). Confere-se esta capacidade ainda aos denominados entes despersonalizados, como a massa falida, o condomnio, o espolio, as sociedades e os rgos desprovidos de personalidade jurdica, etc. - capacidade processual (de exerccio): tem a ver com a possibilidade de a parte praticar atos do processo sem o acompanhamento de outra pessoa. Em outras palavras, tem capacidade processual aquele que puder agir sozinho em juzo, realizando atos processuais de forma autnoma, sem o apoio de assistente ou representante legal. A ttulo de exemplo, podemos lembrar que o recm-nascido ostenta capacidade para ser parte, afinal, ele possui personalidade civil. Entretanto, em virtude das naturais limitaes que sofre, ele no possui capacidade processual, razo pela qual deve ser representado por seus genitores ou um tutor. No possuem esta capacidade as pessoas elencadas nos art. 3 e 4 do CC, embora tenham capacidade de ser parte. Essa capacidade processual qualifica-se como pressuposto de validade do processo, podendo gerar quando ausente a sua extino sem resoluo de mrito (Art. 267, IV CPC).- capacidade postulatria: a aptido para requerer perante os rgos estatais investidos da jurisdio. Em regra, essa espcie de capacidade privativa do advogado regularmente inscrito nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil (EOAB, art. 1). No entanto, essa regra do jus postulandi tambm comporta excees, pois h casos em que a lei reconhece capacidade postulatria para a prpria parte, tal qual ocorre na ao de habeas corpus, na Justia do Trabalho, nos Juizados Especiais Estaduais (causas com valor at 20 salrios mnimos).

Substituio Processual e Representao Processual:Os institutos representao e substituio processual no se confundem.- substituio processual (legitimidade extraordinria): a parte est pleiteando em nome prprio direito alheio, desde que este comportamento seja autorizado ou permitido pela lei. O art. 6 do CPC textualiza que ningum poder pleitear, em nome prprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei.Este fenmeno repete-se com maior freqncia na hiptese que envolve a propositura de aes judiciais por parte do Ministrio Publico (MP).Vejamos algumas hipteses do MP como substituto processual:A para propor ao de investigao de paternidade (art. 2, 4 da Lei de Investigao de Paternidade Lei N 8.560, DE 29 DE DEZEMBRO DE 1992).B para propor ao coletiva em defesa de consumidores lesados (art. 81 ss do CDC);C para propor a denominada ao ex delicto, quando o ofendido por pobre na forma da lei (art. 68 CPP).A substituio processual, que confere legitimidade extraordinria ao autor, no prerrogativa exclusiva do MP, sendo ainda conferida a outras entidades, como, aos sindicatos, as associaes civis, desde que os direitos envolvidos no litgio refiram-se a seus associados e filiados.Na substituio processual, o substituto pode praticar todos os atos processuais, lhe sendo vedados, contudo, o direito de transigir, de renunciar ou de reconhecer o pedido, tudo considerando que o direito material no lhe pertence e sim ao sujeito da demanda (lide), ao substitudo.- Representao Processual: aqui a pessoa que se encontra no processo est defendendo direito alheio, mas em nome alheio (do titular do direito). Esta conferida, por exemplo, aos genitores da parte absolutamente incapaz, ao curador especial do incapaz que no tiver representante legal, ou se os interesses deste colidirem com os daqueles ou do ru preso, do revel citado por edital ou com fora certa (art. 8 e 9 CPC).

Deveres das partes e de seus procuradores:As partes possuem deveres (que so tambm de todos aqueles que de algum modo atuam no processo, como advogados, escreventes, oficiais de justia...), os quais devem ser cumpridos ao longo do processo. Tais deveres poderiam, em verdade, ser reduzidos a uma nica frase: cabe as partes o dever de auxiliar o juzo no descobrimento da verdade e na efetivao das decises, sem utilizar expedientes antiticos. Assim que nos termos ao art. 14 CPC, incumbem s partes os deveres de expor os fatos em juzo conforme a verdade; proceder com lealdade e boa-f; no formular pretenses, nem alegar defesa, cientes de que so destitudas de fundamento; no produzir provas, nem praticar atos inteis ou desnecessrios declarao ou defesa do direito; cumprir com exatido os provimentos mandamentais e no criar embaraos efetivao de provimentos judiciais, de natureza antecipatria ou final. Quanto a este ultimo dever importante notar que foi estabelecida uma sano para o caso de descumprimento, de que ficam livres apenas os advogados, aos quais se aplicam somente as disposies do Estatuto da Advocacia (Lei. 8906/94). Afirma o nico do art. 14 do CPC que tal descumprimento constitui ato atentatrio ao exerccio da jurisdio: pagamento de multa, no superior a vinte por cento do valor da causa, a ser paga no prazo estabelecido pelo juiz. Esse prazo correr do transito em julgado da deciso final da causa e, no sendo a multa paga at o termo final, ser ela inscrita como divida ativa da Unio ou do Estado (conforme tramite o feito na Justia Federal ou Estadual).

Responsabilidade das partes por dano processual:A existncia de deveres das partes tem como finalidade lgica, a existncia de uma responsabilidade das mesmas, a que se poderia chamar de responsabilidade processual.Esta responsabilidade poder dvida em duas partes: A responsabilidade por dano processual: dispe o art. 16 do CPC que responde por perdas e danos aquele que pleitear de m-f como autor, ru ou interveniente. Estabelece aqui a lei processual uma responsabilidade subjetiva, eis que se exige um elemento volitivo, a m-f, como requisito da responsabilidade. Logo a seguir, o art. 17 CPC descreve as condutas que devem ser consideradas como litigncia de m-f: deduzir pretenso ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso; alterar a verdade dos fatos; usar do processo para conseguir objetivo ilegal; opuser resistncia injustificada ao andamento do processo; proceder de modo temerrio em qualquer incidente ou ato do processo; provocar incidentes manifestamente infundados; interpuser recurso com intuito manifestamente protelatrio. Havendo litigncia de m-f, o juiz, de oficio ou a requerimento da parte, condenar o causador do dano a indenizar a parte contraria os prejuzos que esta sofreu, mas as despesas processuais que tiver efetuado e os honorrios advocatcios, alm de multa no excedente de um por cento sobre o valor da causa. Havendo mais de uma litigante de m-f, dever o juiz conden-los na proporo de seus interesses na causa, ou solidariamente (esta ultima se dar quando os diversos litigantes de m-f tiverem se coligado para lesar o adversrio).O valor da indenizao, a ser fixada imediatamente aps a pratica do ato punvel no ser superior a 20% (vinte por cento) sobre o valor da causa. Sendo o dano superior a essa quantia dever a liquidao ser feita por arbitramento.B responsabilidade pelas despesas processuais: encontra regulamentao a partir do art. 19 CPC. Em primeiro lugar cuidou a lei de estabelecer um nus de adiantar a verba necessria para a prtica dos atos processuais, o qual recai sobre aquele que realiza ou requer a realizao do ato processual (ressalvados nos casos de justia gratuita). A lei processual afirma que, o adiantamento ser feito por ocasio de cada ato, e que compete ao demandante (autor) adiantar a verba necessria a realizao dos atos determinados de oficio pelo juiz, ou a requerimento do MP.No artigo 20 CPC diz que a sentena dever condenar o vencido a pagar ao vencedor as despesas processuais que tiver efetuado, alm dos honorrios advocatcios, sendo estes devidos mesmo que o vencedor tenha atuado em causa prpria. Verifica-se que a responsabilidade, nesse caso, objetiva, sendo responsvel aquele que tiver restado sucumbente.O juiz, ao decidir qualquer incidente ou recurso dever condenar quem lhe tiver dado causa ao pagamento das despesas a ele referentes.O CPC estabelece, nos 3 a 5 do art. 20, os critrios para a fixao dos honorrios advocatcios, sendo de se considerar, como regra geral, que estes sero estabelecidos entre 10 e 20 por cento sobre o valor da condenao, devendo o juiz, ao fix-los, atender ao grau de zelo do advogado, o lugar da prestao do servio, a natureza e a importncia da causa, o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu servio (critrio somente utilizado em sentenas condenatrias). Nas causas de pequeno valor, nas de valor inestimvel, naquelas em que no houver condenao ou for vencida a Fazenda Pblica, e nas execues, embargadas ou no, os honorrios sero fixados consoante apreciao equitativa do juiz, atendidas as normas das alneas a, b e c do pargrafo anterior. Havendo sucumbncia recproca, os nus da sucumbncia sero repartidos proporcionalmente, pensando-se, na proporo da sucumbncia de cada um, as despesas processuais e os honorrios advocatcios. Assim torna-se facilmente compreensvel a regra contida no nico do art. 21 CPC, segundo a qual se um litigante decair de parte mnima do pedido, o outro responsvel, por inteiro, pelas despesas e honorrios.Afirma o art. 22 CPC que se o ru deixar de argir na contestao fato que, em tendo sido alegado, permitiria a imediata prolao da sentena extintiva do processo, o qual se dilata indevidamente, perde o direito a haver os honorrios de sucumbncia (se mesmo restar, a final, vencedor), alm de ser condenado nas custas devidas a partir da deciso de saneamento do processo.O art. 24 diz que nos processos de jurisdio voluntaria as despesas sero adiantadas pela requerente, e posteriormente rateadas pelos interessados.Responde pelo nus de sucumbncia aquele que der causa ao encerramento do processo por desistncia da ao, reconhecimento da procedncia do pedido ou renuncia a pretenso (art. 26 CPC). Nos casos de transao, as despesas processuais e os honorrios advocatcios sero divididos igualmente, salvo se as partes tiverem estipulado de forma diversa (art. 26, 2 CPC).Se houver assistncia, e restando vencido o assistido, o assistente ser condenado a ressarcir o vencedor das custas que este tiver despendido, sendo sua responsabilidade proporcional a atividade que tiver exercido no processo.

O advogadoDispe o art. 36 CPC que as partes se faro representar em juzo por advogado, podendo postular em caus...