apostila de metodologia do fazer um trabalho academico sem erros

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Disciplina: Metodologia do Trabalho Cientfico Professora: Iane Cruz Obando. Email: ianeobando@gmail.com EMENTA Leitura, anlise e interpretao de textos. Cincia e senso comum. O mtodo e a construo do conhecimento cientfico. O conhecimento cientfico. Planejamento, projetos de pesquisa cientfica, construo de artigos, segundo as normas da ABNT. CARGA HORRIA A carga horria desta disciplina de 80 horas. OBJETIVO Sensibilizar o aluno para a importncia dos mtodos tcnicas na formao universitria. Elaborar etapas do mtodo cientfico. Praticar os tipos de leitura. Apresentar estudos de textos de acordo com o direcionamento. Conhecer os tipos de mtodos e tcnicas para a elaborao de trabalho cientficos. Conhecer as diretrizes das normas cientficas. Apresentar um trabalho cientfico. METODOLOGIA Aulas expositivas; Discusso de exemplos prticos e tcnicos; Aplicao de trabalho prtico e terico; Seminrios; Pesquisas bibliogrficas; Leitura crticas de textos em trabalhos individuais e de grupo. CONTEDO PROGRAMTICO Universidade e a pesquisa cientfica; O conhecimento: evoluo do conhecimento; A cincia e suas caractersticas; Mtodos cientficos; Elaborao do trabalho cientfico; Fichamentos; Artigos; Resumos; Relatrios; Seminrios; Estudo de textos; Documentao pessoal; Preparao para a comunicao; A Redao Diretrizes para elaborao e apresentao de trabalhos cientficos. AVALIAO 1. Avaliao: Estudos dirigidos individuais e em grupo; 2. Avaliao: Seminrio; 3. Avaliao: Freqncia; 4. Avaliao de rendimento escolar.

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REFERNCIAS: ALVES, RUBEM. Entre a cincia e a sapincia: o dilema da educao. 3 ed. So Paulo: Loyola, 1999. ANDR, MARLI & LDKE, MENGA. Pesquisa em educao: abordagens qualitativas. So Paulo: EPU, 1986. FAZENDA, IVANI. (org.) Metodologia da pesquisa educacional. So Paulo: Cortez, 2000. FURAST, PEDRO AUGUSTO. Normas Tcnicas para trabalho cientfico: Elaborao e Formatao. Explicando as normas da ABNT. 14. ed. Porto Alegre: s.n., 2006. GIL, ANTNIO CARLOS. Mtodos e tcnicas de pesquisa social. 5. ed. So Paulo: Atlas, 1999. GONALVES, Hortncia de Abreu. Manual de Artigos Cientficos. So Paulo: Avercamp, 2004. HHNE, LEDA MIRANDA (org.). Metodologia Cientfica: caderno de textos e tcnicas. 7. ed. 3. imp. Rio de Janeiro: Agir, 2000. LAKATOS, EVA MARIA E MARCONI, MARINA DE ANDRADE. Metodologia do trabalho cientfico. So Paulo: Atlas 2001. MINAYO, MARIA CECLIA DE SOUZA (org.). Pesquisa social: Teoria, mtodo e criatividade. 21. ed. Petrpolis, RJ: Vozes, 1994. MINAYO, MARIA CECLIA DE SOUZA (org). Pesquisa social: Teoria, mtodo e criatividade. 13 ed. Petrpolis, RJ. Vozes, 1999. RIBEIRO, JOANA DARC. Guia para a elaborao de projetos de pesquisas. Manaus: EDUA, 2003. TEIXEIRA, ELIZABETH. As trs metodologias: acadmica, da cincia e da pesquisa. 2. ed. Petrpolis, RJ: Vozes, 2005. TRIVIOS, AUGUSTO NIBALDO SILVA. Introduo pesquisa em cincias sociais: a pesquisa qualitativa em educao. So Paulo: Atlas, 1987.

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SUMRIO: 1. LEITURA, ANLISE E INTERPRETAO DE TEXTO........................................ .. 05 1.1. SOBRE LEITURA E BURRICE (RUBEM ALVES)....................................................... 05 1.2. O ATO DE LER (ELIZABETH TEIXEIRA).................................................................... 07 2. CINCIA E SENSO COMUM......................................................................................... 09 2.1. CONHECIMENTOS: POPULAR, FILOSFICO, RELIGIOSO E CIENTFICO (LAKATOS)........................................................................................... ................................. 09 3. ENFOQUES NA PESQUISA EM CINCIAS SOCIAIS (TRIVIOS).......................12 3.1. ENFOQUE POSITIVISTA................................................................................................ 12 3.2. ENFOQUE FENOMENOLGICO...................................................................................18 3.3. ENFOQUE MARXISTA...................................................................................................23 4. TIPOS DE PESQUISA (FACHIN)...................................................................................27 4.1. O PROJETO DE PESQUISA............................................................................................31 5. TRABALHO CIENTFICO (FURAST)........................................................................33 5.1. NORMAS DA ABNT ASSOCIAO BRASILEIRA DE NORMAS E TCNICAS.............................................................................................................................. .33 5.2. ARTIGO CIENTFICO....................................... ............................................... ...............40 5.2.1. Caractersticas bsicas de um artigo........................................................................ .......41 5.2.2. Estruturao do artigo.......................... ........................................................................... 41

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1. LEITURA, ANLISE E INTERPRETAO DE TEXTO 1.1. SOBRE LEITURA E BURRICE1 Ler pode ser uma fonte de inteligncia. Freqentemente uma fonte de emburrecimento. Muitas pessoas, inteligentes por nascimento, ficaram burras por excesso de leitura. Essa afirmao contraria aquilo que os professores normalmente dizem e fazem. Eles acreditam que livros, quanto mais, melhor. E a partir desse princpio, emprestado por analogia da antiga etiqueta culinria mineira, obrigam seus alunos a ler listas infindveis de livros provas da seriedade de seu saber e do rigor de seus cursos. Na antiga culinria mineira era assim: vinha a dona da casa e enchia o prato da gente - e a gente comia com prazer. A, quando o prato estava raspado e limpo, a gente feliz com a barriga cheia, vinha ela com outra concha cheia e, sem pedir licena, reenchia o prato vazio, que a gente era obrigado a comer. Essa prtica se baseava em duas pressuposies. A primeira dizia que os estmagos so muito maiores do que parecem. A segunda dizia que as pessoas sempre querem comer mais, e no o fazem por acanhamento. "Livros, quanto mais, melhor" to verdadeiro quanto, "comida, quanto mais, melhor". Nietzsche disse que leva muito tempo para a gente ter coragem de dizer o que sabe. Faz muito tempo que sei que excesso de leitura faz mal para a inteligncia, mas nunca me atrevi a diz-lo. Tinha medo de ser condenado fogueira. A coragem me veio quando descobri um aliado: um livrinho muito pequeno - pode ser lido em meia hora -, Sobre livros e leitura2. Autor: Arthur Schopenhauer. Como ningum se atrever a acusar o filsofo de inimigo da leitura e do pensamento, transcrevo o que ele escreveu: "Quando lemos outra pessoa pensa por ns: s repetimos seu processo mental. Durante a leitura nossa cabea apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. Em outras palavras: ler um exerccio de alienao. Alienao palavra que os ativistas polticos de eras passadas cobriram de excrementos. Nome feio e malcheiroso. Foi identificada com um estado no qual a pessoa no tem conscincia do que est acontecendo no mundo em que vive, o oposto da to louvada "conscincia crtica", expresso obrigatria em todo documento sobre educao. A palavra vem do latim, alius, "outro". O alienado uma pessoa que est fora de si, caminha num mundo que no o seu; de outro. Mas isso, precisamente, o que a leitura faz. Para ler preciso fazer "parar meu mundo". Se o mundo que me prprio no for "desligado", no poderei entrar no mundo que se encontra no livro. Abro o livro. Desligo meu mundo. Comeo a leitura. Entro num mundo que no meu; de outro. A alienao uma das fontes do prazer da leitura. Por meio dela sou capaz, ainda que por um curto espao de tempo, de sair de minha realidade e viver a realidade de outro. Ainda ontem, relendo a parte final do livro Zorba 3, pus-me a chorar. O feitio da leitura faz com que eu me esquea de meu mundo e me transporte para o lado de Zorba. Esse exerccio voluntrio de alienao parte da boa sade mental, e quem no consegue fazlo porque est meio enlouquecido. Mas aquilo que remdio, no varejo, vira veneno, no atacado. Schopenhauer continua: "Da se segue que aquele que l muito e quase o dia inteiro, e que nos intervalos se entretmALVES, Rubem. Entre a cincia e a sapincia: o dilema da educao. 3 ed. So Paulo: Loyola, 1999. Arthur Schopenhauer, Sobre livros e leitura, Porto Alegre, Paraula, s.d . 3 Nikos Kazantzakis, Zorba The Greek, New York, Simon & Schuster, 1997.2 1

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com passatempos triviais, perde, paulatinamente, a capacidade de pensar por conta prpria. Porque quanto mais lemos menos rastro deixa no esprito o que lemos: como um quadro negro, no qual muitas coisas foram escritas, uma sobre as outras. Assim, no se chega ruminao: s com ela que nos apropriamos do que lemos da mesma forma como a comida no nos nutre pelo comer, mas pela digesto. Ele continua: " por isso que, no que se refere a nossas leituras, a arte de no ler sumamente importante". Por vezes, ao ver as listas de livros indigestos e sem sabor que os professores obrigam seus alunos a ler, tenho vises infernais de um buffet imenso, centenas de pratos que os alunos so obrigados a comer (digerir e assimilar outra coisa. Via de regra a refeio acadmica termina em vmito ou diarria. O engolido esquecido). "Esse o caso de muitos eruditos: leram at ficar estpidos. Porque a leitura contnua, retomada a todo instante, paralisa o esprito ainda mais que um trabalho manual contnuo, j que neste ainda possvel estar absorto nos prprios pensamentos. " Nietzsche pensava o mesmo. Eis o que ele disse no Ecce homo4: "Os eruditos, que hoje nada mais fazem que 'dedar' livros [ir virando as pginas com o dedo], acabam por perder inteiramente a capacidade de pensar por eles mesmos. Enquanto vo lendo no pensam. Os eruditos gastam todas as suas energias dizendo Sim e No na crtica daquilo que outros pensaram eles mesmos no tm mais a capacidade de pensar. Vi com meus prprios olhos: pessoas bem-dotadas e com liberdade de esprito que, aos trinta anos, j haviam lido a ponto de