apostila de licitaÇÕes e contratos revisada 2010

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MDULO DE LICITAES E CONTRATOS

Prof. Morgana Bellazzi de Oliveira Carvalho Salvador 2010

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APRESENTAO Este mdulo trata do tema LICITAES, CONTRATOS e CONVNIOS, que tanto interessa Administrao Pblica - entendendo esta no apenas como o Estado ou o Governo, mas sim, como as relaes desenvolvidas entre este e os cidados para efetivao do interesse pblico. Com efeito, a Administrao Pblica para desenvolver suas atividades necessita manter relaes negociais com terceiros, para comprar, alienar ou contratar obras ou servios. E so seus agentes que realizam esse mister. Assim, faz-se necessrio estarem sempre aperfeioando-se e capacitando-se, sendo isto o melhor investimento que o administrador pode promover sua entidade, ainda mais que, com o advento da Emenda Constitucional n.19/98 o Princpio da Eficincia passou a constar expressamente da Carta Magna, o que obriga a Administrao Pblica a desenvolver as suas tarefas com presteza, perfeio e rendimento funcional, para obter, dentro das melhores condies possveis e de forma desburocratizada, um resultado que seja compatvel com a idia de boa gesto. O dever de obter uma obrigao de resultado (eficincia) atinge, portanto, o agente pblico, que dever estar capacitado para desenvolver as atividades operacionais da Administrao Pblica, com vistas a atender os ditames da Lei Maior e das normas infraconstitucionais, especialmente os da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/00) e da de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92). A exigncia constitucional implica na necessidade de um governo e de um controle otimizado da coisa pblica, de modo a racionalizar o desembolso de verbas por parte do Errio. Assim, o contedo desta apostila direcionado, principalmente queles que militam na rea de compras pblicas, mas no apenas a estes, posto que sua inteno democratizar o conhecimento sobre o tema, oferecendo numa linguagem simples, ordenada e direta, um norte para que TODOS possam entender os procedimentos envolvidos nas compras pblicas e desempenhar essas atividades de maneira profissional, eficiente e padronizada. Portanto, este trabalho trata-se mais at de um roteiro de estudo, no exauriente, do que verdadeiramente uma apostila ou resumo, mas que se esfora em prestigiar a maiutica como metodologia didtica, a objetividade e a clareza nas explicaes, ainda que sucintamente expostas. A pretenso o estmulo ao estudo e desenvolvimento dos temas aqui abordados. Bom deleite!

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SUMRIO LICITAES CONCEITO PRINCPIOS NOES GERAIS O que licitar? Por qu licitar? Quem deve licitar? Quem no pode participar de licitao? Quem deve conduzir a licitao? Qual a responsabilidade? Como licitar? Quais so os tipos de licitao? E quando houver empate? Quando desclassificar liminarmente uma proposta? O que vedado ao licitante vencedor e Administrao? Quais as modalidades de licitao? Como escolher a modalidade? O que violao de modalidade? E fracionamento de despesa? Que contratao direta por dispensa ou inexigibilidade? Quais as fases de licitao? Como se desencadeiam as fases? Que revogao e anulao de licitao? Quais as conseqncias de no licitar ou licitar de forma inadequada? CONTRATOS CONCEITO E PECULIARIDADES DIFERENAS ENTRE CONTRATO E CONVNIO NOES GERAIS Como deve ser formalizado o contato? obrigatrio? Quais as clusulas necessrias no contrato? E quanto publicidade, como feita? Pra que serve a garantia e quais os tipos previstos em lei? Quais as hipteses de modificao do contrato e qual a forma? Qual a durao do contrato? Pode haver prorrogao? Como se d a execuo do contrato? Pode haver subcontratao? Qual a diferena entre reajuste e reviso do contrato? Quando se aplica a resciso e a extino do contrato? CHECK LISTS REFERNCIAS LEGISLAO LICITAES

CONCEITO Licitao o procedimento administrativo formal mediante o qual a Administrao Pblica convoca, mediante condies estabelecidas em ato prprio (edital ou convite), empresas interessadas na apresentao de propostas para fornecimento de bens ou servios, e seleciona a PROPOSTA MAIS VANTAJOSA, a que melhor atende ao interesse pblico, proporcionando iguais oportunidades aos que desejam contratar com o poder pblico (possibilitando, dentro das condies estabelecidas no ato prprio, o comparecimento do maior nmero possvel de concorrentes).

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O objetivo da licitao , portanto, duplo: visa proporcionar s entidades governamentais possibilidades de realizarem o negcio mais vantajoso (melhor contratar), assegurando, ao mesmo tempo, a participao igualitria de todos os administrados (princpio constitucional da isonomia). De acordo com a Lei 8.666/93, que regulamenta o art. 37, XXI, da Constituio Federal estabelecendo normas gerais, a celebrao de contratos com terceiros na administrao Pblica deve ser necessariamente precedida de licitao, ou seja, A REGRA LICITAR, porm, h hipteses de dispensa e inexigibilidade de licitao previstas pela prpria lei. Tal lei estabelece as normas gerais da licitao, no mbito de toda a Federao, ou seja uma Lei de mbito nacional. Nada obsta, portanto, que os Estados e Municpios legislem sobre normas de carter especial, desde que estas acatem as disposies gerais previstas pela Lei 8.666/93. Se o Municpio no editar sua prpria Lei de Licitaes e Contratos, seus rgos devem seguir nessa matria os ritos estabelecidos na lei federal, ainda que o Estado tenha editado lei prpria.

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PRINCPIOS O procedimento licitatrio norteado, dentre outros, pelos seguintes princpios: da igualdade, da legalidade, da impessoalidade, da publicidade, da moralidade/probidade, da economicidade, da vinculao ao instrumento convocatrio, do julgamento objetivo e da adjudicao ao vencedor (arts. 3, 4, 41, 45, da Lei 8.666/93 e art. 37, da CF/88). A) IGUALDADE OU ISONOMIA assegura tratamento igual a todos os

interessados/concorrentes, sendo esse princpio uma garantia essencial para a competio em todas as fases da licitao; B) LEGALIDADE vincula os licitantes e a Administrao Pblica s regras estabelecidas nas leis e princpios em vigor no existindo, portanto, na Administrao Pblica, espao para o exerccio de vontades pessoais; C) IMPESSOALIDADE obriga a Administrao a observar, nas suas decises, critrios impessoais, previamente estabelecidos, afastando a discricionariedade e o subjetivismo na conduo dos procedimentos; D) PUBLICIDADE permite o acesso a qualquer interessado s licitaes pblicas, atravs da divulgao dos atos administrativos praticados em todas as fases, abrangendo editais e seus anexos, avisos, homologao e contrato, ainda que resumidamente. A publicidade consiste em condio de eficcia dos direitos dos licitantes e do seu amplo controle pela sociedade. E) MORALIDADE/PROBIDADE a conduta dos licitantes e dos agentes pblicos deve que ser, alm de lcita, compatvel com a moral, a tica, os bons costumes e as regras da boa administrao; F) ECONOMICIDADE - consiste no respeito melhor relao custo-benefcio, em que no implique no desperdcio dos recursos do Estado, vedando-se a aquisio pela Administrao de bens ou servios acima do preo ou condies de mercado; G) VINCULAO AO INSTRUMENTO CONVOCATRIO obriga a Administrao e o licitante a observarem as normas e condies estabelecidas no ato convocatrio (edital ou convite); H) JULGAMENTO OBJETIVO a Comisso julgadora do certame deve observar os critrios objetivos definidos no ato convocatrio para julgamento das propostas; I) ADJUDICAO AO VENCEDOR assegura ao vencedor que, em caso de adjudicao do objeto, esta lhe seja garantida, porm, nada impede que a Administrao revogue ou anule o certame antes de adjudicar o objeto ao vencedor, sem gerar direito ao ressarcimento a este ou a qualquer outro licitante.

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NOES GERAIS O que licitar ? Devem ser contratadas mediante licitaes pblicas, exceto nos casos expressamente previstos na Lei 8.666/93, a execuo de obras, a prestao de servios, inclusive de publicidade, o fornecimento de bens para atendimento de necessidades pblicas, as alienaes e locaes no mbito dos Poderes da Unio, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municpios. (art. 1, da Lei n 8.666/93)

Por que licitar ? De acordo com o art. 37, inciso XXI, da CF/88, a licitao obrigatria para a Administrao Pblica. O procedimento licitatrio visa permitir que a Administrao contrate aqueles que renam as condies necessrias para o atendimento do interesse pblico, levando em considerao aspectos relacionados capacidade tcnica e econmico-financeira do licitante, qualidade do produto e ao valor do objeto. Assim, licita-se para obter o negcio mais vantajoso para a Administrao, assegurando a participao isonmica dos interessados. Licita-se para comprar bem! (arts. 2 e 3, da Lei n 8.666/93)

Quem deve licitar ? As pessoas jurdicas de direito pblico da Administrao Direta e as entidades que compem a Administrao Indireta (fundos especiais, as autarquias, as fundaes pblicas, as empresas pblicas, as sociedades de economia mista e todas as entidades controladas direta ou indiretamente por todos os entes federados da federao brasileira) devem licitar, sendo que segundo o art. 173, 1, III, da CF/88, a lei estabelecer o estatuto jurdico da empresa pblica e da sociedade de economia mista e suas subsidirias que explorem atividade econmica e dispor sobre licitao e contratao de obras, servios, compras e alienaes dessas entidades, observados os princpios da administrao pblica. (art. 1, pargrafo nico, da Lei n 8.666/93)

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Quem no pode participar de licitao ? No podem participar, direta ou indiretamente, da licitao, da execuo da obra, da prestao dos servios e do fornecimento de bens necessrios obra ou servios o autor de projeto bsico ou executivo, pessoa fsica ou jurdica e a empresa, isoladamente ou em consrcio, responsvel pela elaborao de projeto bsico ou executivo ou da qual o autor do projeto seja dirigente, gerente, acionista ou detentor de mais de 5% (cinco por cento) do capital com direito a voto, ou controlador, responsvel tcnico ou subcontratado. O servi