apostila de libras - história e educação

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surdez causas educação linguagem história escola

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  • 1. SUMRIO LIBRAS A SURDEZ ...................................................................................... LIBR 07 CAUSAS DA SURDEZ ........................................................ LIBR 13 SNTESE PARA AUTO-AVALIAO............................................ LIBR 19 A IMPORTNCIA DA AUDIO PARA AQUISIO DALNGUA ORAL ................................................................................................................ LIBR 21 A LINGUAGEM E SUA IMPORTNCIA .......................................... LIBR 27 SNTESE PARA AUTO-AVALIAO ............................................ LIBR 33 LIBRAS LNGUA BRASILEIRA DE SINAIS ................................. LIBR 35 APARATO LEGAL A SURDEZ E A INCLUSO ........................... LIBR 41 SNTESE PARA AUTO-AVALIAO ............................................ LIBR 47 A EDUCAO BLINGE PARA SURDOS ................................... LIBR 49 O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO ................. LIBR 57 SNTESE PARA AUTO-AVALIAO ..................................... LIBR 63 OATENDIMENTOESCOLARPARAOALUNOCOMSURDEZ...... LIBR 65 A ESCRITA DO SURDO ................................................................. LIBR 69 SNTESE PARA AUTO-AVALIAO ............................................ LIBR 75 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15.

2. REFERNCIA CRUZADA Libras APOSTILA INTERNET ATIVIDADE ASSUNTO ATIVIDADE ASSUNTO 1 A SURDEZ 1 Vdeoaula 1 2 CAUSAS DA SURDEZ 2 Vdeoaula 2 3 SNTESE PARA AUTO-AVALIAO 3 Auto-avaliao 4 A IMPORTNCIA DA AUDIO PARA AQUISIO DA LNGUA ORAL 4 Vdeoaula 3 5 A LINGUAGEM E SUA IMPORTNCIA 5 Vdeoaula 4 6 SNTESE PARA AUTO-AVALIAO 6 Auto-avaliao 7 LIBRAS - LNGUA BRASILEIRA DE SINAIS 7 Vdeoaula 5 8 APARATOLEGAL- ASURDEZEAINCLUSO 8 Vdeoaula 6 9 SNTESE PARA AUTO-AVALIAO 9 Auto-avaliao 10 A EDUCAO BILNGUE PARASURDOS 10 Vdeoaula 7 11 O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO 11 Vdeoaula 8 12 SNTESE PARA AUTO-AVALIAO 12 Auto-avaliao 13 O ATENDIMENTO ESCOLAR PARA O ALUNO COM SURDEZ 13 Vdeoaula 9 14 A ESCRITA DO SURDO 14 Vdeoaula 10 15 SNTESE PARA AUTO-AVALIAO 15 Auto-avaliao 3. LIBR 7 Libras ATIVIDADE 1A SURDEZ OBJETIVO Contextualizar a disciplina no universo da educao. TEXTO Segundo dados do Mec e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), no censo de 2000, estima-se que haja no Brasil cerca de 520 mil surdos com at 17 anos. Estamos, portanto, longe de considerarmos a surdez uma questo para ser relegada a segundo plano. Por ser a audio essencial para a aquisio da lngua falada, podemos imaginar o quanto sua ausncia traz de prejuzos para a pessoa com surdez. A surdez no apenas a perda auditiva orgnica, fsica, mas est totalmente relacionada a questes sociais, pois somos constitudos por nossa histria, nossas experincias e a ausncia de uma lngua afetam de forma significativa a leitura do mundo desde o relacionamento me/beb. Problemas psicolgicos tambm permeiam todas as experincias durante a vida da pessoa com surdez, basta observarmos que a grande maioria das crianas surdas so filhas de pais ouvintes, o que nos leva a refletir que o fato de receber um diagnstico de seu filho, leva a famlia a um perodo de aceitao e adaptao, que chamamos de perodo de luto, e que pode se prolongar at a conscientizao e superao de muitos entraves, passando, ento, para o perodo da luta, da busca de recursos necessrios para a criana. Enquanto esse processo se desenvolve, normalmente a criana tem seus estmulos reduzidos ao invs de uma estimulao precoce, to importante para a sua experincia e aprendizagem. O surdo necessita de muitos estmulos visuais e tambm tteis para melhor ler e compreender o mundo que o rodeia. A ttulo de ilustrao, observemos a fala de Sarah Elizabeth, me de uma criana surda, referenciada por Sacks (1998, p.81): Ouvimos o diagnstico da surdez profunda de nossa filha Charlotte quando ela estava com dez meses de vida. Durante esses trs ltimos trs anos, vivenciamos uma srie de emoes: descrena, pnico e ansiedade, raiva, depresso e tristeza e, finalmente, aceitao e apreciao. medida que nosso pnico inicial se esvaiu, ficou claro que precisvamos usar uma lngua de sinais com nossa filha enquanto ela era bem nova. 4. LIBR 8 Libras ATIVIDADE 1 Comeamos as aulas de lngua de sinais estudando em casa o Ingls Exato em Sinais ( Signed Exact English, SEE), uma rplica precisa em sinais do ingls falado, que a nosso ver nos ajudaria a transmitir a nossa lngua, literatura e cultura inglesa nossa filha. Sendo pais ouvintes, sentamos esmagados pela tarefa de aprender ns mesmos uma nova lngua e simultaneamente ter de ensin-la a Charlotte, por isso, a familiaridade com a sintaxe inglesa fazia com que essa lngua de sinais nos parecesse acessvel, (...) Queramos desesperadamente acreditar que Charlotte era semelhante a ns. Depois de um ano, decidimos passar da rigidez do SEE para o Ingls em Sinais (Signed English), uma lngua franca que mistura o vocabulrio da Linguagem Americana de Sinais, que mais visual- mente descritiva, com a sintaxe do ingls, que familiar (...) (mas) as complexas estruturas lineares do ingls falado no se traduzem para uma lngua de sinais interessante, e por isso tivemos que reorientar o modo como pensvamos a fim de produzir sentenas visuais. Fomos iniciados nos aspectos mais vvidos e excitantes da lngua de sinais: expresses idiomticas, humor, mmica, sinais totalmente conceituais e expresso facial. (...) Agora estamos passando para a Linguagem Americana de Sinais, estudando-a com uma mulher surda que usu- ria nativa dessa linguagem, consegue comunicar-se por sinais sem hesitao e capaz de codificar essa linguagem para ns, ouvintes. Estamos animados e estimulados com o processo de aprender uma linguagemengenhosaesensvel,quepossuiimensabelezaeimagina- o. uma grande alegria perceber que a comunicao de sinais por Charlotte reflete padres visuais de pensamento. Surpreendemo-nos pensando de modo diferente a respeito de objetos fsicos, e de seu lugar e movimento, graas s expresses de Charlotte. Por mais que nos esforcemos e tentamos imaginar o que representa a surdez para uma pessoa nunca vamos conseguir, pois ocorre que j trazemos em nosso arquivo mental todos os registros sonoros, os quais temos tido contato desde nossa vida intra-uterina. Mesmo que fiquemos surdos neste exato momento, o que chamamos de surdez ps-lingstica, no ser a mesma experincia de um surdo de nascena, pois a lngua j est registrada e com ela todas as experincias sonoras que tivemos anteriormente. O que significa, ento, para uma pessoa nunca ter tido possibilidade de ter acesso a uma lngua falada? A pessoa com surdez pr-lingstica, isto , surdez antes 5. ATIVIDADE 1 LIBR 9 Libras de qualquer experincia em relao lngua falada, enfrenta barreiras muitas vezes intransponveis. Ainda, de acordo com Sacks (1998, p.22): (...) nascer surdo infinitamente mais grave do que nascer cego, pelo menos de forma potencial. Isso porque os que tm surdez pr- lingustica, incapazes de ouvir seus pais, correm o risco de ficar se- riamente atrasados, quando no permanentemente deficientes, na compreenso da lngua, ao menos que se tomem providncias efica- zes com toda a presteza. E ser deficiente na linguagem, para um ser humano, uma das calamidades mais terrveis, porque apenas pelo meio da lngua que entramos plenamente em nosso estado e cultura humanos,quenoscomunicamoslivrementecomnossossemelhantes, adquirimos e compartilhamos informaes. Se no pudermos fazer isso, ficaremos incapacitados e isolados, de um modo bizarro sejam quais forem nossos desejos, esforos e capacidades inatas. E, de fato, podemos ser to pouco capazes de realizar nossas capacidades intelectuais que pareceremos deficientes mentais. A audio um dos sentidos mais importantes para a vida humana, pois ela abre o caminho para a linguagem oral. A pessoa surda perde parte da coneco com o mundo comunicativo, sofrendo prejuzos no seu desenvolvimento lingstico. Em seus estudos, Vygotsky ressalta que a linguagem tem um papel essencial na organizao das funes psicolgicas superiores. A linguagem o instrumento por excelncia que nos faz agir, pensar e modificar nossas relaes sociais. Na nossa realidade brasileira, so relativamente poucos os surdos que dominam razoavelmente a lngua portuguesa, geralmente por terem tido acesso a recursos, equipamentos, metodologias, professores particulares, fonoaudilogos, alm do diagnstico e estimulao precoces. A grande maioria dos surdos difere dessa parcela privilegiada, tendo um diagnstico tardio e iniciando seu atendimento especializado com idade mais avanada, o que contribui para aumentar a dificuldade lingstica e seu desenvolvimento cognitivo, pois perderam o melhor momento do desenvolvimento optimal, de maior plasticidade das funes neuropsicolingsticas. A surdez pode ser classificada como leve, moderada, severa ou profunda. Observe o quadro abaixo dos tipos de perda auditiva: 6. LIBR 10 Libras ATIVIDADE 1 - LIMITE NORMAL 0 A 25 DECIBIS - PERDA LEVE 26 A 40 DECIBIS - PERDA MODERADA 41 A 70 DECIBIS - PERDA SEVERA 71 A 90 DECIBIS - PERDA PROFUNDA ACIMA DE 90 DECIBIS Uma pessoa com perda leve apresenta dificuldade em perceber todos os fonemas e no consegue ouvir vozes baixas ou distantes, porm ela adquirir a lngua oral normalmente. Com uma perda moderada, a pessoa deixa de perceber a palavra, por ser, justamente, o limite da percepo desta, apresentando, normalmente, atraso de linguagem. Faz-se necessrio intensificar a voz para que ela seja ouvida. A pessoa com perda severa identificar apenas alguns rudos, s percebendo a voz bem forte. Ela necessitar de muito apoio, clnico e educacional, para a aquisio da lngua oral. A perda auditiva profunda a mais grave, por privar a pessoa, totalmente, das informaes auditivas. Ela precisar de um atendimento especializado tanto na rea clnica, como na educacional, o mais cedo possvel para que possa amenizar suas dificuldades. As mais recentes pesquisas na rea da surdez apontam que o mais importante para estes casos a aqu