Apostila de Libras Básico

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<ul><li><p> 1</p><p>APOSTILA DE LNGUA BRASILEIRA DE SINAIS </p><p>NVEL BSICO </p><p>2010 </p></li><li><p> 2</p><p>1. O que Surdez? </p><p>Surdez o nome dado impossibilidade e dificuldade de ouvir, podendo ter como causa vrios fatores que podem ocorrer antes, durante ou aps o nascimento. A deficincia auditiva pode variar de um grau leve a profunda, ou seja, a criana pode no ouvir apenas os sons mais fracos ou at mesmo no ouvir som algum. </p><p> 2. Os Nmeros da Surdez 2.1 No Brasil No Brasil, estima-se que existam cerca de 15 milhes de pessoas com algum tipo de perda auditiva. No Censo de 2000, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), 3,3% da populao responderam ter algum problema auditivo. Aproximadamente 1% declarou ser incapaz de ouvir. No Maranho, de acordo com levantamentos realizados pelo IBGE/2000, o nmero de surdos de aproximadamente 200 mil pessoas, enquanto na ilha de So Lus foram registrados 27.922 surdos. Atualmente o Brasil atende a cerca de 700 mil pessoas com surdez nos diversos nveis e modalidades de ensino, distribudas entre escolas especiais para surdos, escolas de ensino regular e ONGs. De acordo com a Organizao Mundial da Sade (OMS), estima-se que 1,5% da populao brasileira (2,25 milhes) so portadores de deficincia auditiva. Em 1998, havia 293.403 alunos, distribudos da seguinte forma: 58% com problemas mentais; 13,8%, com deficincias mltiplas; 12%, com problemas de audio; 3,1% de viso; 4,5%, com problemas fsicos; 2,4%, de conduta. Apenas 0,3% com altas habilidades ou eram superdotados e 5,9% recebiam "outro tipo de atendimento" (Sinopse Estatstica da Educao Bsica/Censo Escolar 1998, do MEC/INEP). No Brasil, empresas com mais de cem funcionrios devem contratar 2% de pessoas com deficincia, com 201 a 500 funcionrios - 3%, de 501 a 1000% - 4 % e de 1001 funcionrios em diante, 5%. 2.2 No Mundo Dados da Organizao Mundial de Sade (OMS) indicam que 10% da populao mundial apresentam algum problema auditivo. 2.3 Outros Nmeros Enquanto a reduo do processo de audio entre as mulheres se torna mais acentuado a partir dos 55 anos, aps a menopausa, os homens comeam a sofrer essa degradao, em mdia, j aps os 30 anos de idade. Essa foi a concluso de pesquisadores da Universidade de Dakota do Sul (Estados Unidos), aps realizarem estudo que avaliou de que maneira a idade e o sexo interferem no processo auditivo. Casos de surdez podem ser evitados. Para isso necessrio que se tomem alguns cuidados. 3. Nveis de Surdez Pelo decreto N3.298 De 20 de dezembro De 1999 Art.4 considerada pessoa portadora de deficincia aquela que se enquadrar em uma das seguintes categorias: A) De 25 a 40 Decibis Surdez Leve B) De 41 a 55 Decibis - Surdez Moderada C) De 56 a 70 Decibis - Surdez Acentuada D) De 71 a 90 Decibis - Surdez Severa E) De Acima de 91 Decibis - Surdez Profunda F) Anacusia (surdez bilateral) 4. Comunicao Gestual </p></li><li><p> 3</p><p>Existem vrias formas de comunicao gestual : Portugus sinalizado; Libras; mmica; pantomima, alfabeto manual, comunicao total, bilingismo e outros. 5. Universalidade Ao contrrio do que muitos pensam, a lngua de sinais no universal, nem mesmo a nvel nacional existe uma padronizao, ainda mais em um pas de grandes dimenses como o nosso. Em uma cidade como So Paulo podemos observar at certos "bairrismos". Grupos de surdos possuem sinais diferentes para uma mesma situao. 6. LIBRAS - Lngua Brasileira de Sinais LIBRAS, ou Lngua Brasileira de Sinais, a lngua materna dos surdos brasileiros e, como tal, poder ser aprendida por qualquer pessoa interessada pela comunicao com essa comunidade. Como lngua, esta composta de todos os componentes pertinentes s lnguas orais, como gramtica semntica, pragmtica sintaxe e outros elementos, preenchendo, assim, os requisitos cientficos para ser considerada instrumental lingstico de poder e fora. Possui todos os elementos classificatrios identificveis de uma lngua e demanda de prtica para seu aprendizado, como qualquer outra lngua. Foi na dcada de 60 que as lnguas de sinais foram estudadas e analisadas, passando ento a ocupar um status de lngua. uma lngua viva e autnoma, reconhecida pela lingstica. Pesquisas com filhos surdos de pais surdos estabelecem que a aquisio precoce da Lngua de Sinais dentro do lar um benefcio e que esta aquisio contribui para o aprendizado da lngua oral como Segunda lngua para os surdos. Os estudos em indivduos surdos demonstram que a Lngua de Sinais apresenta uma organizao neural semelhante lngua oral, ou seja, que esta se organiza no crebro da mesma maneira que as lnguas faladas. A Lngua de Sinais apresenta, por ser uma lngua, um perodo crtico precoce para sua aquisio, considerando-se que a forma de comunicao natural aquela para o qual o sujeito est mais bem preparado, levando-se em conta a noo de conforto estabelecido diante de qualquer tipo de aquisio na tenra idade. Extrado de www.feneis.com.br 6.1 LEI N 10.436, de 24 de abril de 2002 Dispe sobre a Lngua Brasileira de Sinais - Libras e d outras providncias O PRESIDENTE DA REPBLICA. Fao saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1o reconhecida como meio legal de comunicao e expresso a Lngua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expresso a ela associados. Pargrafo nico. Entende-se como Lngua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicao e expresso, em que o sistema lingstico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical prpria, constituem um sistema lingstico de transmisso de idias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. Art. 2o Deve ser garantido, por parte do poder pblico em geral e empresas concessionrias de servios pblicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difuso da Lngua Brasileira de Sinais - Libras como meio de comunicao objetiva e de utilizao corrente das comunidades surdas do Brasil. Art. 3o As instituies pblicas e empresas concessionrias de servios pblicos de assistncia sade devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficincia auditiva, de acordo com as normas legais em vigor. Art. 4o O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a incluso nos cursos de formao de Educao Especial, de Fonoaudiologia e de Magistrio, em seus nveis mdio e superior, do ensino da Lngua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme legislao vigente. Pargrafo nico. A Lngua Brasileira de Sinais - Libras no poder substituir a modalidade escrita da lngua portuguesa. Art. 5o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicao. Braslia, 24 de abril de 2002; 181o da Independncia e 114o da Repblica. </p></li><li><p> 4</p><p>7. Conselhos teis no aprendizado e uso da LIBRAS Para que um sinal seja produzido corretamente, necessrio observar: Configurao de mo, ponto de articulao, movimento e expresso. Focalize o rosto do usurio da LIBRAS, no as mos. Como usurio da LIBRAS, voc aprender a ampliar seu campo visual. Caso no encontre um sinal para uma determinada palavra, lembre-se de que somente a comunidade surda poder cri-lo. Certifique-se de que haja claridade suficiente no momento da conversa em LIBRAS. No tenha receio de sinalizar e errar. O erro faz parte do processo de aprendizagem. Pode ser que em sua cidade, devido ao regionalismo, os surdos utilizem alguns sinais diferentes para a mesma palavra. Caso isto ocorra, busque conhec-los tambm com o prprio surdo. Nem sempre voc encontrar um sinal que signifique exatamente a palavra que deseja empregar. Caso isso ocorra, procure um sinal que mais se aproxime. EX.: CONFECCIONAR (FAZER - sinal em LIBRAS). Os termos tcnicos, possivelmente, no tero sinais especficos que os represente exatamente. Portanto, recomendvel digit-lo para o surdo e tentar "interpret-lo", at que ele, entendendo o contexto, crie o sinal correspondente. Informe aos surdos sobre o que acontece ao seu redor. Procure dar ao surdo o mximo de informaes visuais. Ex.: campainha luminosa para incio e trmino de qualquer atividade. Se voc quiser chamar a ateno de um surdo, procure toc-lo no ombro se estiver prximo, ou acene com os braos se estiver distante. O contato com a comunidade surda fundamental nesse processo de aprendizado da lngua, pois alm do grande exerccio que se pode fazer, uma preciosa oportunidade de se conhecer tambm a cultura dessa comunidade. 8. Aspectos Lingsticos da LIBRAS Fonte: Secretaria de Estado da Educao Depto. Educao Especial Curitiba: SEED/SUED/DEE. 1998 Karin Lilian Strobel e Sueli Fernandes 9. VARIAES LINGSTICAS Na maioria do mundo, h, pelo menos, uma lngua de sinais usada amplamente na comunidade surda de cada pas, diferente daquela da lngua falada utilizada na mesma rea geogrfica. Isto se d porque essas lnguas so independentes das lnguas orais, pois foram produzidas dentro das comunidades surdas. A Lngua de Sinais Americana (ASL) diferente da Lngua de Sinais Britnica (BSL), que difere, por sua vez, da Lngua de Sinais Francesa (LSF). Ex.: </p><p>NOME </p></li><li><p> 5</p><p>Alm disso, dentro de um mesmo pas h as variaes regionais. A LIBRAS apresenta dialetos regionais, salientando assim, uma vez mais, o seu carter de lngua natural. 9.1 VARIAO REGIONAL: representa as variaes de sinais de uma regio para outra, no mesmo pas. Exemplos: </p><p> 9.2 VARIAO SOCIAL: refere-se s variaes na configurao das mos e/ou no movimento, no modificando o sentido do sinal. Ex.: </p><p> 9.3 MUDANAS HISTRICAS: com o passar do tempo, um sinal pode sofrer alteraes decorrentes dos costumes da gerao que o utiliza. Ex.: </p></li><li><p> 6</p><p> 9.4 ICONICIDADE E ARBITRARIEDADE A modalidade gestual-visual-espacial pela qual a LIBRAS reduzida e percebida pelos surdos leva, muitas vezes, as pessoas a pensarem que todos os sinais so o desenho no ar do referente que representam. claro que, por decorrncia de sua natureza lingstica, a realizao de um sinal pode ser motivada pelas caractersticas do dado da realidade a que se refere, mas isso no uma regra. A grande maioria dos sinais da LIBRAS so arbitrrios, no mantendo relao de semelhana alguma com seu referente. Vejamos alguns exemplos entre os sinais icnicos e arbitrrios. 9.4.1 SINAIS ICNICOS Uma foto icnica porque reproduz a imagem do referente, isto , a pessoa ou coisa fotografada. Assim tambm so alguns sinais da LIBRAS, gestos que fazem aluso imagem do seu significado. Ex.: </p><p> Isso no significa que os sinais icnicos so iguais em todas as lnguas. Cada sociedade capta facetas diferentes do mesmo referente, representadas atravs de seus prprios sinais, convencionalmente, (FERREIRA BRITO, 1993) conforme os exemplos abaixo: </p></li><li><p> 7</p><p>RVORE LIBRAS - representa o tronco usando o antebrao e a mo aberta, as folhas em movimento. LSC (Lngua de Sinais Chinesa) - representa apenas o tronco da rvore com as duas mos (os dedos, indicador e polegar, ficam abertos e curvos). </p><p> 9.4.2 SINAIS ARBITRRIOS So aqueles que no mantm nenhuma semelhana com o dado da realidade que representam. Uma das propriedades bsicas de uma lngua a arbitrariedade existente entre significante e referente. Durante muito tempo afirmou-se que as lnguas de sinais no eram lnguas por serem icnicas, no representando, portanto, conceitos abstratos. Isto no verdade, pois em lngua de sinais tais conceitos tambm podem ser representados, em toda sua complexidade. Ex.: </p></li><li><p> 8</p><p>ESTRUTURA GRAMATICAL 9.4.3 ASPECTOS ESTRUTURAIS A LIBRAS tm sua estrutura gramatical organizada a partir de alguns parmetros que estruturam sua formao nos diferentes nveis lingsticos. Trs so seus parmetros principais ou maiores: A Configurao da(s) mo(s)-(CM) o Movimento - (M) e o Ponto de Articulao - (PA); e outros trs constituem seus parmetros menores: Regio de Contato, Orientao da(s) mo(s) e Disposio da(s) mo(s).(FERREIRA BRITO, 1990) Parmetros principais a) configurao da mo (CM) b) ponto de articulao (PA) c) movimento (M) Ex.: </p><p> a) Configurao da mo (CM): a forma que a mo assume durante a realizao de um sinal. Pelas pesquisas lingsticas, foi comprovado que na LIBRAS existem 43 configuraes das mos (Quadro I), sendo que o alfabeto manual utiliza apenas26 destas para representar as letras. Ex.: </p><p>TELEFONE BRANCO </p></li><li><p> 9</p></li><li><p> 10 </p><p> b) Ponto de articulao (PA): o lugar do corpo onde ser realizado o sinal. Ex.: </p><p>c) Movimento (M): o deslocamento da mo no espao, durante a realizao do sinal. Ex.: </p><p> Direcionalidade do movimento a) Unidirecional: movimento em uma direo no espao, durante a realizao de um sinal. Ex.: PROIBIDO, SENTAR, MANDAR. b) Bidirecional: movimento realizado por uma ou ambas as mos, em duas direes diferentes. Ex.: PRONTO, JULGAMENTO, GRANDE, COMPRIDO, DISCUTIR, EMPREGADO, PRIMO, TRABALHAR, BRINCAR. c) Multidirecional: movimentos que exploram vrias direes no espao, durante a realizao de um sinal. Ex.: INCOMODAR, PESQUISAR. Tipos de movimentos </p><p>a) Movimento Retilneo </p></li><li><p> 11 </p><p>b) Movimento helicoidal </p><p>Alto Macarro Azeite </p><p>C) Movimento circular </p><p>d) Movimento Semi-Circular </p><p>e) Movimento sinuoso </p></li><li><p> 12 </p><p>f) Movimento angular </p><p> 9.4.4 Parmetros secundrios a) Disposio das mos: a realizao dos sinais na LIBRAS pode ser feito com a mo dominante ou por ambas as mos. Ex.: BURRO, CALMA, DIFERENTE, SENTAR, SEMPRE, OBRIGADO b) Orientao das mos: direo da palma da mo durante a execuo do sinal da LIBRAS, para cima, para baixo, para o lado, para a frente, etc. Tambm pode ocorrer a mudana de orientao durante a execuo de um sinal. Ex.: MONTANHA, BAIXO, FRITAR. c) Regio de contato: a mo entra em contato com o corpo, atravs do: Toque: MEDO, NIBUS, CONHECER. Duplo toque: FAMLIA, SURDO, SADE. Risco: OPERAR, JOS (nome bblico), PESSOA. Deslizamento: CURSO, EDUCADO, LIMPO, GALINHA. 9.4.5 Componentes no manuais Alm desses parmetros, a LIBRAS conta com uma srie de componentes no manuais, como a expresso facial ou o movimento do corpo, que muitas vezes podem definir ou diferenciar significados entre sinais. A expresso facial e corporal pode traduzir alegria, tristeza, raiva, amor, encantamento, etc., dando mais sentido a LIBRAS e, em alguns casos, determinando o significado de um sinal. Ex.: O dedo indicador em [G] sobre a boca, com a expresso facial calma e serena, significa silncio; o mesmo sinal usado com um movimento mais rpido e com a expresso de zanga significa uma severa ordem: </p></li><li><p> 13 </p><p>Cale a boca! A mo aberta, com o movimento lento e com expresso serena, significa calma; o mesmo sinal com movimento brusco e com expresso sria significa pra. Em outros casos, utilizamos a expresso facial e corporal para negar, afirmar, duvidar, questionar, etc. Ex.: </p><p>Sinais faciais: em algumas ocasies, o sinal convencional modificado, sendo realizado na face, disfaradamente. Exemplos: ROUBO, ATO-SEXUAL. 9.5 ESTRUTURA SINTTICA A LIBRAS no pode ser estudada tendo como base a Lngua Portuguesa, porque ela tem gramtica diferenciada, independente da lngua oral. A ordem dos sinais na construo de um enunciado obedece a regras prprias que refletem a forma de o surdo processar suas idias, com base em sua percepo visual-espacial da rea...</p></li></ul>