apostila de filosofia - 1ª série - ensino médio

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PROFo: MORAIS 1a SRIE ENSINO MDIOTEMTICA:

BIMESTRE: PRIMEIRO

1 O QUE FILOSOFIA?As vrias formas de definir o que Filosofia Diversas so as formas de se tentar definir o que seja Filosofia. A primeira delas procurar analisar a origem da palavra Filosofia. Assim sendo, philosophia uma palavra de origem grega formada por dois grupos de palavras: phila = amizade ou amor; sophia = saber ou sabedoria. Por essa definio, Filosofia significa amor sabedoria. Mas essa no a definio que buscamos. A segunda forma simplesmente dizer que filosofia aquilo que fazem os filsofos, aqueles que, segundo a crena popular, vivem a vida fazendo perguntas que muitas vezes no encontram respostas. A tudo e a todos questionam... A Filosofia , muitas vezes, entendida como sinnimo de modo de viver (filosofia de vida), ou ainda como ideias ou princpios que orientam o trabalho de empresas ou profissionais (filosofia de trabalho ou filosofia da empresa) etc. Nenhuma dessas definies anteriores nos interessa em particular, queremos facilitar o entendimento e, no, dificult-lo mais ainda. Filosofia uma atividade, um modo de pensar acerca das coisas. E que coisas so essas? A filosofia desenvolve sua atividade de pensamento, se ocupando das coisas do mundo! A filosofia se preocupa com a vida humana. Mas, contrariamente, ao que pensam a maioria das pessoas, filosofar, no somente ficar perguntando sobre tudo a todos! Filosofar , sim, perguntar, mas perguntar e buscar responder de modo lgico, de modo organizado e de acordo com certas regras. Portanto, fazer filosofia (filosofar) no perguntar qualquer coisa ou dar qualquer resposta! A atividade filosfica exige argumentao, indcios (indicaes, provas) que confirmem (corroborem) aquilo que ele est afirmando ou quer saber. Ento, filosofar exige que a pessoa saiba do que est falando, saiba fornecer solues e aponte caminhos possveis para a soluo de problemas existentes ou que os prprios filsofos criaram.

2 SENSO COMUM, MITO E FILOSOFIASenso Comum ou Conhecimento (Sabedoria) Popular Segundo a definio dado pelo Dicionrio Aurlio: Senso comum = Conjunto de opinies e modos de sentir que, por serem impostos pela tradio aos indivduos de uma determinada poca, local ou grupo social, so geralmente aceitos de modo acrtico como verdades e comportamentos prprios da natureza humana. A definio dada no deixa dvidas, senso comum so opinies geralmente aceitas em poca determinada. Isto significa que o senso comum varia com a poca, ou melhor, de acordo com o conhecimento relativo alcanado pela maioria num determinado perodo histrico, embora possa existir uma minoria mais evoluda que alcanou um conhecimento superior ao aceito pela maioria. Estas minorias por destoarem deste senso comum so geralmente discriminadas. A histria est cheia destes exemplos. O mais conhecido o de Galileu. Em seu tempo o senso comum considerava que a terra era o centro do universo e que o sol girava em torno dela. Galileu ao afirmar que era a terra que girava em volta do sol quase foi queimado pela Inquisio. Teve que abjurar-se para salvar a vida; esta opinio era to arraigada na mente das pessoas que at a prpria Bblia testemunha isto ao afirmar que Josu deteve o sol. Hoje o senso comum mudou. Quem afirmar que o sol gira em torno da Terra ser considerado no mnimo um louco pela maioria.FILOSOFIA DIRIA - Blog: PROFEMORAIS.BLOGSPOT.COM e-mail: PROFEMORAIS@GMAIL.COM

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O senso comum se manifesta atravs dos ditos populares, das crenas do povo. um verdadeiro receiturio para o homem resolver os seus problemas da vida diria. Apesar de ser um saber no-sistematizado, isto , por no se basear na investigao e no questionamento, ainda assim, nos dias de hoje, muito til para guiar o homem na sua vida cotidiana. Quem nunca se orientou pela experincia dos mais velhos? Quando algum mais experiente que ns nos alerta para no fazermos tal coisa, ns sempre pensamos duas ou trs vezes antes de decidirmos seguir ou no esse conselho! Mito ou Conhecimento Mtico Um mito (do grego antigo ) uma narrativa de carter simblico, relacionada a uma dada cultura. O mito procura explicar a realidade, os principais acontecimentos da vida, os fenmenos naturais, as origens do Mundo e do Homem por meio de deuses, semideuses e heris. O mito simplesmente ento uma histria narrada, indiferente do julgamento que faamos sobre ela de verdadeira ou falsa. Esse sentido original do mito est intimamente ligado oralidade, vocalizao, pois a Grcia antiga do perodo homrico possua uma cultura estritamente oral. Isso quer dizer que as histrias no eram escritas, mas eram passadas de gerao a gerao atravs do canto do aedo (), poeta-rapsodo. Conhecimento Filosfico: tenses entre as formas de conhecimento O conhecimento filosfico, quando de seu surgimento, provocou inmeras tenses entre o j solidificado conhecimento mtico. Durante longo perodo de tempo na histria humana e, em especial na histria grega, o mito constitui-se na fonte exclusiva de explicao para a existncia do ser humano e da criao e organizao do mundo. O conhecimento transmitido e a maneira como explicavam os acontecimentos j no eram suficientemente coerentes para os filsofos. Os primeiros filsofos tentaram racionalizar as explicaes mticas para o surgimento do mundo e dos problemas humanos, mas aos poucos, essa tendncia de manter o mito vivo nas teorias filosficas foi desaparecendo. A Filosofia procurava esclarecimentos justificados, ou seja, comprovados atravs de argumentos slidos, lgicos; e isto o mito e o senso comum no poderiam fornecer. Por isso a Filosofia se distanciou do mito e do senso comum, mas no os desconsiderou, muitas vezes os utiliza, porm busca questionar, investigar, ampliar os horizontes de conhecimento sobre o assunto abordado. Questionar o que est a estabelecido, investigar caminhos para comprovar suas suspeitas e apontar solues que levem comprovao ou no de suas perguntas, essa a atividade desenvolvida pela filosofia. Mostrar que o que sempre nos dito como certo: assim e pronto, sempre pode ser posto prova, no simplesmente para discordar, mas para apontar caminhos que at ali no se buscou mostrar ou no se quis que fosse mostrado, essa a proposta de trabalho da Filosofia! Rubem Alves, filsofo brasileiro, afirma: devemos ter esprito de criana para que possamos exercer nossa plena capacidade filosfica. A criana busca saber novas coisas. Para a criana o diferente o combustvel que a move em busca de conhecimento (de saber) o novo a leva a querer saber! ATIVIDADE 1 1) Construa, a partir do que foi exposto aqui, uma sntese da definio de Filosofia. 2) Consulte em um dicionrio o significado das palavras filosofia e mito. Depois compare com as definies apresentadas aqui. 3) Descreva, em poucas linhas, as semelhanas e diferenas entre Filosofia e Mito. 4) Leia o texto: Alegoria da Caverna do filsofo Plato. Identifique: nos dias de hoje, o que a caverna, quem so os prisioneiros; o que so as correntes, o que so as imagens projetadas na parede, quem o prisioneiro que foge. Texto disponvel em: http://profemorais.blogspot.com/2011/01/alegoria-da-caverna-imaginemos-uma.htmlFILOSOFIA DIRIA - Blog: PROFEMORAIS.BLOGSPOT.COM e-mail: PROFEMORAIS@GMAIL.COM

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LENDO E REFLETINDO A REALIDADEA Caverna de Plato (e as nossas)Mrio Srgio Santos O filsofo Plato (427-347 a.C.) nasceu em Atenas no perodo de ouro da democracia grega. Seu nome verdadeiro era Arstocles. o discpulo mais notvel de Scrates (469-399a.C) e pela profundidade e alcance de sua obra ele considerado um dos pilares do pensamento ocidental. Uma das maiores contribuies de sua filosofia apresentada no texto intitulado Alegoria da Caverna. Segundo o filsofo, a maior parte da humanidade se encontra como prisioneira de uma caverna, permanecendo de costas para a abertura luminosa e de frente para a parede escura do fundo. Devido a uma luz que entra na caverna, os prisioneiros contemplam na parede do fundo as sombras dos seres que compem a realidade. O problema maior que, acostumadas a ver apenas essas projees, as pessoas tomam essa iluso como se fosse a realidade. Plato chega a levantar a hiptese de que algum habitante da referida caverna saia e depois de se acostumar com a luz, consiga enxergar os seres, as coisas, o mundo e no mais suas sombras. Essa figura, segundo o mito, teria dificuldades em conseguir convencer os moradores da caverna de que aquilo que tomavam como realidade era to somente sua sombra: uma iluso. Para Plato, essa tentativa de voltar caverna para resgatar das sombras os antigos conterrneos o rduo ofcio do educador ou, mais precisamente, do filsofo (amigo da sabedoria). Mais de vinte e trs sculos nos separam do pensador grego e sua metfora continua nos interpelando e convidando-nos reflexo. Aprisionamo-nos em um nmero cada vez maior de cavernas criadas por ns mesmos. O escritor portugus Jos Saramago, por exemplo, em livros como O Ensaio Sobre a Cegueira e A Caverna com sua absurda lucidez, aponta para o fato de que todos estamos enclausurados nas cavernas da indiferena, da insensibilidade e da incapacidade de ver interiormente. Para o ganhador do Prmio Nobel de literatura, a libertao dos grilhes de tais cavernas realizar-se-ia por meio de uma espcie de revoluo de bondade. O processo de informatizao produziu nas ltimas dcadas o fenmeno da virtualizao da vida cotidiana. A produo cultural, o sistema poltico, a economia, a tica, as relaes entre as pessoas e as emoes se tornam cada vez mais virtuais e menos reais. A chamada globalizao outra caverna aparentemente sem fronteiras. Trata-se, na verdade, conforme Frei Betto telogo brasileiro de grande expresso de uma globocolonizao, isto , a imposio arbitrria e unilateral de um modelo poltico, econmico e cultural que se apresenta como necessrio e nico. Parte significativa dos programas e noticirios de TV constitui uma caverna que aprisiona e ofusca a viso de mais de 99% da populao brasileira. Eles apresentam amide um espetculo de sombras e iluses que, sob

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