apostila de direito civil iv - wilson

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Ponto n 1. MATRIA DIREITO DAS COISAS INTRODUO Conceito: Direito das Coisas vem a ser um conjunto de normas que regem as relaes jurdicas concernentes aos bens materiais ou imateriais suscetveis de apropriao pelo homem. Desse conceito percebe- se: Primeiro que nem todos os bens interessam ao direito das coisas, pois o homem s se apropria de bens teis satisfao de suas necessidades; Segundo se a coisa no for suscetvel de apropriao exclusiva pelo homem, por ser inesgotvel a sua utilizao, no interessa ao direito das coisas. Ex. a luz solar, o oceano... O direito das coisas compreende tanto os bens materiais (mveis ou imveis), como os imateriais, ou seja, os direitos autorais, uma vez que o legislador ptrio preferiu consider-los, como modalidade de direito especial, isto , como propriedade imaterial ou intelectual, embora no desconhea o aspecto moral desse direito, decorrente da prpria personalidade do autor, fruto do seu engenho e inteligncia. S.S.V. faz uma distino entre as expresses coisa e bem, afirmando que: a palavra coisa tem sentido mais extenso, compreendendo tanto os bens que podem ser apropriados, como aqueles objetos que no o podem. (...), existem bens juridicamente considerados que no podem ser denominados coisas, porque sua apropriao pelo homem segue regime de ordem mais moral e filosfica do que jurdica, como ocorre, por exemplo, com a honra, a liberdade, o nome da pessoa natural. Evoluo: O direito das coisas a parte do direito civil que por mais longo tempo se manteve fiel tradio romana e aos princpios individualistas. No entanto, fato incontestvel que o direito das coisas gradualmente vem sofrendo profundas modificaes. Vrios fatores vm contribuindo para essas mudanas, podemos citar, por ex., a preponderncia cada vez maior do interesse pblico sobre o particular. Antigamente, diversa era a situao. A propriedade, eixo em torno do qual girava todo o direito das coisas, caracterizava-se pelo feitio nitidamente

individualista; tratava-se, ento, de relao puramente privada e individual, de carter sagrado e absoluto. O homem podia usar, gozar e dispor da coisa que lhe pertencesse como melhor lhe aprouvesse, sem que fosse lcito opor qualquer restrio ao livre exerccio desse direito. O Direito Civil relutou em aceitar a mudana do absolutismo do direito de propriedade, mas o Dir. Constitucional e Administrativo, aos poucos, modificaram essa viso egostica e individualista. Para se ter uma idia, outrora, a propriedade do solo compreendia, alm da superfcie, com os seus acessrios e adjacncias, o espao areo e o subsolo (C.C 43, n I, e art. 526). Cdigo de Minerao (Dec. Lei n 227, 28/02/67), Cdigo das guas (Dec. Lei n 24.643, de 10/7/34, Lei n 9.433, de 8/01/97 Poltica Nacional de Recursos Hdricos, - ver art. 526 do C.C.) A evoluo tambm ocorreu no sentido de expandir o direito das coisas conquistando novas relaes jurdicas. Por ex., o compromisso de compra e venda de bens imveis. Classificao - O direito das coisas tem sido estudado sob trs aspectos diferentes: direito das coisas clssico, direito das coisas cientfico e direito das coisas legal. a) O direito das coisas clssico o que herdamos do direito romano, compreendendo o estudo do domnio, das servides, da superfcie, de enfiteuse, do penhor e da hipoteca. Hoje, o mbito do direito das coisas bem mais amplo, estando desatualizado esse modo de classificao. b) Direito das coisas cientfico o mesmo do direito clssico, porm, com mbito bem mais amplo, graas ao trabalho da doutrina; c) Direito das coisas legal aquele regulado pela legislao, que se preocupa com a situao jurdica da propriedade numa dada poca e lugar. o direito das coisas que ser objeto do nosso estudo, e, na medida do possvel, acrescentado da doutrina e das decises dos tribunais. Contedo O direito das coisas, tal como vem regulado pela legislao civil, compreende o estudo da propriedade e respectivos direitos derivados. Faz parte, ainda, do contedo do direito das coisas a propriedade literria, cientfica e artstica; boa parte da doutrina afirma que o legislador foi contraditrio consigo mesmo, porquanto clssica a sistematizao do referido direito, no sendo possvel sair do estudo das coisas corpreas quando aqueles direitos, tambm, chamados autorais, so de natureza imaterial, do fundo moral, decorrentes da prpria personalidade humana.

Direitos reais e pessoais Para o nosso direito h distines entre direitos reais e pessoais, isto , direitos sobre as coisas e contra as pessoas. O direito pessoal uma relao jurdica na qual ao sujeito ativo (credor) assiste o poder de exigir do sujeito passivo (devedor) determinada prestao, positiva ou negativa. J o direito real a relao jurdica material da qual o titular pode retirar da coisa, de modo exclusivo e contra todos, as utilidades que ela capaz de produzir. O direito real afeta a coisa direta e imediatamente, sob todos ou sob certos aspectos e a segue em poder de quem quer que a detenha (Lafayette). o direito que se prende coisa, prevalecendo com a excluso da concorrncia de quem quer que seja, independendo para o seu exerccio da colaborao de outrem e conferindo ao seu titular a possibilidade de ir buscar a coisa onde quer que se encontre, para sobre ela exercer o seu direito. Contudo, h teses unitrias que afirmam existir apenas um instituto. Essas teses bipartem-se em duas teorias opostas, a personalista e a impersonalista.

PERSONALISTA = afirma de que no exato que o direito real consista na relao entre a pessoa e a uma coisa determinada. Semelhante relao no passa de simples fato, que a posse. A relao jurdica material no pode existir entre pessoa e coisa, o que representaria um contra-senso; ela s pode estabelecer-se entre pessoas. Por outras palavras, como os demais direitos, pressupe sujeito ativo, sujeito passivo e objeto. Assim, no direito de propriedade, por exemplo, o sujeito ativo o proprietrio, o sujeito passivo, a coletividade em geral, exceto o titular do direito, e o objeto, a coisa sobre que recai o mesmo direito. (...). Essa relao de natureza pessoal, como as demais obrigaes, mas de contedo negativo. Os demais indivduos achamse obrigados a respeitar o direito do titular e devem abster-se da prtica de qualquer ato tendente a les-lo. Na concepo personalista, o direito das obrigaes constitui o centro de todo direito civil. Em seu contedo, ele abrange todas as relaes jurdicas civis, inclusive o direito real. Em todas elas, o elemento pessoal vem a ser o denominador comum, o trao caracterstico da relao jurdica; s que o direito real prima pelo seu contedo forte (oponvel erga omnes), ao passo que o direito pessoal se caracteriza por um contedo fraco (oponvel apenas contra uma ou determinadas pessoas).

IMPERSONALISTA = tambm unitria, em contraste com a personalista, esta prope a fazer com que os direitos pessoais sejam absorvidos pelos reais. Pretende ela, assim, despersonalizar a obrigao, a fim de patrimonializ-la. Parte ela da idia de que toda obrigao possui um fundo patrimonial, um valor econmico, independente da pessoa do devedor. Pretendem os seus adeptos, objetivando a obrigao, transform-la num direito sobre a respectiva prestao, numa espcie, portanto, de direito real, com abstrao da pessoa do devedor. No entanto, o nosso ordenamento jurdico no adota tais teorias, para ele h diferenas. O nosso sistema legal, filiado teoria clssica, caracteriza o direito real pela imediao ou inflexo do homem sobre a coisa. Esse poder direto do indivduo sobre a coisa o critrio fundamental que configura e distingue o direito real, que se constitui, portanto, de trs elementos essenciais: a) o sujeito ativo da relao jurdica; b) a coisa, objeto, do direito; c) a inflexo imediata do sujeito ativo sobre a coisa. Os objetos do direito real e pessoal so especificamente diversos e irredutveis. Apresentamos de forma parcial, algumas distines: O direito real traduz apropriao de riqueza, e o direito pessoal, prestao de servios; o primeiro tem por objeto uma coisa material, o segundo, um ato ou uma absteno; aquele oponvel erga omnes, ao passo que este vincula duas pessoas determinadas, sujeito ativo e passivo. O direito real para o seu exerccio independe da colaborao de terceiros, o direito pessoal depende da colaborao do devedor, espontnea ou forada, indispensvel para o gozo do direito. O direito real segue seu objeto onde quer que se encontre. Esse fenmeno denominado de SEQELA, que CONSISTE NA PRERROGATIVA CONCEDIDA AO TITULAR DO DIREITO real de seguir a coisa nas mos de quem quer que a detenha, de apreend-la para sobre a mesma exercer o seu direito real. Ex. se o proprietrio d seu imvel em garantia hipotecria e depois o aliena, o credor hipotecrio pode apreender a coisa nas mos do adquirente, ou dos eventuais subadquirentes, para sobre a mesma fazer recair a penhora, levando-a praa, a fim de se pagar com o produto da arrematao.

EMENTA: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE TERCEIRO. AUSNCIA DE VIOLAO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. HIPOTECA ANTERIOR A LAVRATURA DE CONTRATO. CINCIA DO CONTRATANTE. PRECEDENTES. RECURSO DESPROVIDO. 1. A ausncia das condies da ao e dos pressupostos processuais, alm de outras questes de ordem pblica devem ser aferidas em momento posterior ao juzo de admissibilidade, motivo pelo qual a violao ao devido processo legal, dever ser devidamente apreciada como prejudicial do mrito. 2. As provas acostadas aos autos foram suficientes para embasar o convencimento do magistrado, restando, portanto, correto o julgamento antecipado da lide, proferido com base no livre convencimento motivado do rgo judicante. Ademais, a rplica no imprescindvel para o deslinde da lide, motivo pelo qual inexiste qualquer afronta ao princpio do devido processo legal, no havendo que se falar em nulidade da sentena. 3. A boa-f do embargante no restou demonstrada, na medida em que tinha cincia, ao adquirir o imvel, de que pendia hipoteca em favor da Texaco do Brasil SA, decorrente de dbito relativo a contrato de concesso comercial. Direit