apostila de desinfecção e esterilização

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  • Apostila de Desinfeco e Esterilizao

    INTRODUO

    Esterilizao o processo que objetiva destruir todas as formas de vida com capacidade

    de desenvolvimento durante os estgios de conservao e de utilizao do produto.

    Conservar manter as caractersticas do produto durante a vida til de armazenamento

    (vida de prateleira) temperatura ambiente.

    Esterilidade ou nvel de segurana a incapacidade de desenvolvimento das formas

    sobreviventes ao processo de esterilizao, durante a conservao e utilizao de um

    produto. A manuteno do nvel de esterilidade conferido a um produto garante o

    prolongamento da vida til de prateleira e depende das operaes de pr-esterilizao,

    de esterilizao e ps-esterilizao.

    Os mtodos de esterilizao permitem assegurar nveis de esterilidade compatveis s

    caractersticas exigidas em produtos farmacuticos, mdico-hospitalares e alimentcios.

    O mtodo escolhido depende da natureza e da carga microbiana inicialmente presente

    no item considerado. O calor, a filtrao, a radiao e o xido de etileno podem ser

    citados como agentes esterilizantes.

    CRESCIMENTO MICROBIANO

    s condies favorveis de crescimento, os microrganismos presentes nos produtos,

    iniciam sua multiplicao. A populao microbiana pode ser representada atravs de

    contagens microbianas em diferentes tempos. Obtm-se assim a curva de crescimento,

    que caracterizada por quatro fases distintas, denominadas de fase de latncia (lag),

    exponencial ou logartmica, estacionria e de declnio ou morte

  • A fase de latncia caracteriza o tempo necessrio ao ajuste dos microrganismos ao novo

    ambiente fsico-qumico. O prolongamento mximo dessa fase aumenta a vida til de

    prateleira do produto.

    Durante a fase logartmica ou exponencial, as clulas se dividem em ritmo constante, e

    o aumento no nmero de clulas diretamente proporcional ao tempo de gerao. A

    fase logartmica deve ser inibida antes, durante e aps o processamento do produto,

    definindo o nvel de esterilidade do produto final.

    Na fase estacionria a velocidade de crescimento constante, o microrganismo mais

    resistente a qualquer agente fsico (calor, radiao) ou qumico (cloro, xido de etileno).

    Para bactrias do gnero Bacillus e Clostridium a fase de esporulao, dependendo da

    temperatura e do valor do pH do produto. Durante a fase de morte ou inibio do

    crescimento o nmero de clulas viveis decresce em ritmo constante, e

    logaritmicamente, frente s condies desfavorveis do meio ambiente. O processo de

    esporulao continua.

    DESTRUIO MICROBIANA

    O produto se mantm conservado se no houver a manifestao dos microrganismos

    presentes; isto significa dizer que, aps a exposio ao agente esterilizante, poder haver

    microrganismos dormentes ou em estado latente de sobrevivncia, que no se

    multiplicaro durante a vida til de prateleira, porque o produto no oferece condies

    favorveis de germinao e reproduo.

    A destruio de uma populao homognea de microrganismos considerada

    logartmica, equivalente cintica qumica de uma reao de 1a ordem. O fenmeno de

    destruio trmica pode ser representado pelo modelo de curva linearizada, semi-

    logartmica de sobreviventes. A representao grfica do logaritmo decimal de

    sobreviventes, em relao ao tempo de exposio temperatura constante resulta em

    curva linearizada decrescente.

    ESTERILIZAO POR CALOR MIDO:

  • O calor no somente o agente esterilizante mais usado como tambm o mais

    econmico e mais fcil de controlar. O calor mido quando comparado ao calor seco

    um processo efetivo em funo do uso de temperaturas mais baixas e, do curto perodo

    de tempo necessrio para garantir o nvel de esterilidade proposto.

    Sendo os esporos bacterianos altamente resistentes s condies ambientes adversas,

    eles so usados como indicadores biolgicos na avaliao do nvel de esterilidade

    atingido, e de possveis falhas operacionais. Esporos de Bacillus stearothermophilus so

    considerados convenientes indicadores biolgicos na esterilizao pelo calor mido,

    particularmente temperatura de referncia de 121C.

    Os esporos de Bacillus subtilis so empregados nos processos de esterilizao pelo calor

    seco e pelo xido de etileno e os esporos de Bacillus pumilus indicados para validar

    processos cujo agente esterilizante a radiao inica.

    No mtodo de esterilizao onde se emprega o calor mido, na forma de vapor saturado,

    o agente responsvel pelo aquecimento o vapor de gua saturado, ao qual

    correspondem valores de temperatura e de presso definidos. A completa retirada de ar

    da cmara de esterilizao assegura ao sistema atingir a temperatura de esterilizao

    definida, presso correspondente quela indicada no manmetro do equipamento.

    A ao letal do calor uma relao tempo temperatura, dependente de fatores que

    definem a intensidade do tratamento e do tempo de exposio ao calor para reduzir a

    populao microbiana a nveis estabelecidos.

    Os indicadores fsicos e biolgicos so recomendados para validar ciclos de

    esterilizao e condies de processamento: (i) os indicadores fsicos, termopares

    conectados a um registrador de temperatura, so distribudos em diferentes pontos da

    cmara e da carga, e medem a distribuio do calor, indicando os pontos frios; e (ii) os

    indicadores biolgicos, microrganismos resistentes ao agente esterilizante, so

    utilizados para verificar se as medidas fsicas garantem o nvel de esterilidade

    estabelecido.

    O procedimento tempo temperatura selecionado depende do produto, do tipo, do teor

    e da fonte dos contaminantes antes da esterilizao, da aplicao de mtodos para

    minimizar tal contaminao e preveni-la ps processamento, contribuindo para

    assegurar o xito da esterilizao.

  • O bioindicador adequado deve apresentar uma populao de esporos e uma

    termoresistncia ao processo de esterilizao superiores quelas dos microrganismos

    originalmente presentes no produto a ser esterilizado.

    De todos os mtodos avaliados para a esterilizao, o calor mido na forma de vapor

    saturado sob presso a mais freqentemente utilizada e a mais confivel. Este mtodo

    no txico, no custoso e esporocida.

    O vapor aquece rapidamente o material e penetra na sua estrutura. Considerando estes

    fatos, a esterilizao a vapor poderia ser utilizada sempre que possvel para todos os

    itens que no so sensveis ao calor e umidade (eg, equipamento para anestesia e

    terapia respiratria), mesmo quando no essencial para prevenir a transmisso de

    doenas.

    O princpio bsico da esterilizao a vapor, quando feito em uma autoclave, o

    tratamento de cada item com vapor a uma temperatura e presso adequados, por um

    tempo especfico, com a finalidade de destruir o microorganismo por meio de

    coagulao irreversvel e denaturao das enzimas e estruturas proticas.

    Conseqentemente, so quatro os parmetros para esterilizao a vapor: temperatura,

    presso, tempo e concentrao de vapor.

    O vapor ideal para esterilizao 100% saturado, com gua no saturada na forma de

    uma fina nvoa. A produo de presso a altas temperaturas fundamental para matar

    os microrganismos rapidamente.

    A temperatura especfica deve ser obtida para garantir a atividade microbicida. As duas

    temperaturas mais utilizadas para esterilizao a vapor so 121C e 132C. Esporos de

    Bacillus stearothermophilus so utilizados para monitorar a eficincia da esterilizao.

    Geralmente o tempo de exposio requerido para esterilizar suprimentos empacotados

    de hospitais de 30 minutos a 121C em autoclave convencional ou 4 minutos a 132C

    em uma autoclave com pulsos de vcuo.

    ESTERILIZAO POR XIDO DE ETILENO

  • O xido de etileno um gs inflamvel, explosivo, carcinognico e, quando misturado

    com gs inerte, sob determinadas condies tem sido uma das principais opes para

    esterilizao de materiais termossensveis.

    Na legislao brasileira h vrios documentos que tratam das instalaes para xido de

    etileno e do controle de sade dos funcionrios que nelas trabalham. O seu mecanismo

    de ao a alquilao das cadeias proticas microbianas, impedindo a multiplicao

    celular.

    O seu uso indicado para materiais termossensiveis, desde que obedecidos alguns

    parmetros relacionados com concentrao de gs, temperatura, umidade e tempo de

    exposio.

    A concentrao mnima recomendada de 450mg/l, a umidade relativa de 20% a 40%

    , a temperatura entre 49-60C. No entanto os parmetros devem ser controlados levando

    em considerao a calibragem do equipamento e a validao do processo. O cuidado

    imprescindvel a ser tomado a aerao do material. Esta fase consiste na remoo do

    xido de etileno absorvido pelos materiais.

    O xido de etileno utilizado freqentemente para esterilizar produtos mdicos e

    odontolgicos que no podem ser esterilizados a vapor. O xido de etileno incolor,

    inflamvel e explosivo. Misturando ETO (10 a 12%) com dixido de carbono ou

    clorofluorcarbono (CFC) reduz-se o risco de exploso e incndio. Por causa dos danos

    do CFC a camada de oznio, desde 31 de dezembro de 1995, CFC no mais produzido

    para uso geral.

    Os hospitais tem 3 alternativas para ETO-CFC: 8.5% ETO e 91.5% de dixido de

    carbono: ETO misturado com hidrofluorcarbonos e 100% ETO. A atividade

    microbicida do ETO considerado ser resultante da alquilao das protenas, DNA e

    RNA. Aquilao ou a substituio de um tomo de hidrognio com um grupo alquil

    previne o metabolismo e a replicao

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