apostila de cuidador

Download Apostila de cuidador

Post on 20-Jul-2015

72 views

Category:

Health & Medicine

2 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • ANHANGUERA EDUCACIONAL /OAB SANTO ANDR 1

    PROF ENF GILBERTO DE JESUS

    Curso de cuidador Dinmica de convivncia

    O treinamento de pessoas para o cuidado faz-se necessrio, face situao de desamparo

    em que se encontram os idosos, no sentido de facilitar o atendimento imediato s suas

    necessidades bsicas quando doentes fragilizados.

    Tendo em vista o aumento progressivo da populao idosa, o resgate do papel dos

    "cuidadores" uma questo a ser pensada. Entretanto, em razo da complexidade cada vez

    maior na organizao das sociedades, enfatiza-se a necessidade de preparo e

    aprendizadoespecficos para exercer o papel de "cuidador".

    Para cuidar de idosos, espera-se que haja algum capaz de desenvolver aes de ajuda

    naquilo que estes no podem mais fazer por si s; essa pessoa assume a responsabilidade

    de dar apoio e ajuda para satisfazer s suas necessidades, visando a melhoria da condio

    de vida.

    No se pode esquecer que, em muitas situaes, o "cuidador" nem sempre um ente da

    famlia, e que introduzir pessoas externas ao contexto familiar implica em reconhecer valores

    de respeito e discrio, para no interferir na dinmica familiar.

    Princpios orientadores

    O preparo de cuidadores exige a definio de uma base conceitual norte adora dos valores e

    princpios filosficos, que podem ser reconhecidos pelos pressupostos de Gonalves e col

    (1997):

    1. O cuidado humano ou "cuidar de si" representa a essncia do viver humano; assim,

    exercer o autocuidado uma condio humana. E ainda "cuidar do outro" sempre

    representa uma condio temporria e circunstancial, na medida em que o "outro" est

    impossibilitado de se cuidar .

    2. O "cuidador" uma pessoa, envolvida no processo de "cuidar do outro" - o idoso, com

    quem vivncia uma experincia contnua de aprendizagem e que resulta na descoberta de

    potencialidades mtuas: nesta relao ntima e humana que se revelam potenciais, muitas

  • ANHANGUERA EDUCACIONAL /OAB SANTO ANDR 2

    PROF ENF GILBERTO DE JESUS

    vezes encobertos, do idoso e do cuidador. O idoso se sentir capaz de se cuidar e

    reconhecer suas reais capacidades;

    3. O cuidador um ser humano de qualidades especiais, expressas pelo forte trao de amor

    humanidade, de solidariedade e de doao. Costuma doar-se ou voluntariar-se para as

    reas de sua vocao ou inclinao. Seus prstimos tm sempre um cunho de ajuda e apoio

    humanos, com relaes afetivas e compromissos positivos.

    Funes - Ajudar nas atividades da vida diria; administrar medicamentos por via oral

    prescritos pelo especialista; auxiliar na deambulao e mobilidade; cuidados com a

    organizao do ambiente protetor e seguro, acesso a dispositivos de ajuda ( equipamentos )

    para a ateno ao idoso; propiciar conforto fsico e psquico; estimular o relacionamento e

    contato com a realidade e levar o idoso a participar de atividades recreativas e sociais.

    Conferir sinais vitais, reconhecer sinais de alteraes (alerta) e prestar socorro em situaes

    de urgncia (os primeiros).

    Cuidador Profissional

    Conceito - O cuidador profissional a pessoa que possui educao formal com diploma

    conferido por instituio de ensino reconhecida em organismos oficiais, e que presta

    assistncia profissional ao idoso, famlia e comunidade.

    Perfil - Ter cursado Ensino Mdio ou Superior e tido treinamento especfico em cuidado do

    idoso, em instituies oficialmente reconhecidas.

    Destacam-se as habilidades e qualidades pessoais para o cuidado.

    Funes - Os cuidadores profissionais seguem funes especficas em conformidade com

    as legislaes das categorias profissionais.

    Os cuidadores "informais" e "formais" devem desenvolver algumas habilidades e qualidades

    para prestar cuidado, especificadas a seguir:

    Habilidades tcnicas: o conjunto de conhecimentos tericos e prticos, adquiridos por

    meio da orientao de profissionais especializados. Esses conhecimentos iro preparar o

    cuidador para prestar ateno e cuidados ao idoso (descritas nas funes).

    Qualidades ticas e morais: So atributos necessrios para permitir relaes de confiana,

    dignidade, respeito e ser capaz de assumir responsabilidades com iniciativa. Quando no for

    parente, deve procurar adaptar-se aos hbitos familiares, respeitar a intimidade, a

    organizao e crenas da famlia, evitando interferncia.

    Qualidades emocionais: Deve possuir domnio e equilbrio emocional, facilidade de

    relacionamento humano, capacidade de compreender os momentos difceis vividos pelo

    idoso, adaptao s mudanas sofridas por ele e famlia, tolerncia ante situaes de

    frustrao pessoal.

  • ANHANGUERA EDUCACIONAL /OAB SANTO ANDR 3

    PROF ENF GILBERTO DE JESUS

    Qualidades fsicas e intelectuais: Deve possuir sade fsica, incluindo fora e energia,

    condies essenciais nas situaes em que h necessidade de carregar o idoso ou dar

    apoio para vestir-se e cuidar da higiene pessoal. Ser capaz de avaliar e administrar

    situaes que envolvem aes e tomada de decises.

    Motivao: condio fundamental a empatia por idosos. Valoriz-los como grupo social,

    considerando que o "cuidado" deve ser um compromisso prioritrio, pessoal e tambm da

    sociedade.

    O cuidador de idosos dependentes deve organizar suas tarefas de cuidado de modo a ter

    oportunidades de se autocuidar. Muitas vezes, o cuidador se sobrecarrega nas suas

    atividades e se esquece de que uma pessoa que tambm necessita de cuidados. A famlia

    deve avaliar esse trabalho, em conjunto com profissionais e planejar atividades para idosos

    e cuidadores. Cursos so necessrios, visando a orientao aos cuidadores do cuidado com

    o outro e consigo mesmo.

    Fonte: BRASIL, Presidncia Social. Idosos: Problemas e cuidados bsicos. Braslia:

    MPAS/SAS, 1999.

    O cuidado, com frequncia, comea em forma gradual. Provavelmente voc j esta

    ajudando a algum a:

    Levar ao Mdico; Fazer as compras no supermercado; Pagar as contas; Lavar a roupa ou limpar a casa ou Cozinhar.

    Com o tempo, voc poderia oferecer maiores cuidados. Quem sabe compartilhe a

    responsabilidade com outros membros da famlia ou com amigos, ou quem sabe se

    encarregue de tudo voc mesmo, inclusive ate dedicar s 24 horas do dia ao cuidado dessa

    pessoa. provvel que o cuidado de outra pessoa compreenda:

    Aliment-la ou dar-lhe banho; Ajud-la a usar o banheiro; Supervisionar o horrio de tomar as medicaes; Contratar a outras pessoas que a cuidem; Programar todo o atendimento mdico ou; Administrar todos os seus assuntos econmicos e legais.

    REFLEXO Respeito e Dignidade

  • ANHANGUERA EDUCACIONAL /OAB SANTO ANDR 4

    PROF ENF GILBERTO DE JESUS

    Antes de comear a realizao deste curso, vamos nos deter alguns minutos para

    considerar seu papel especial como ajudador. A diferena de um cuidador profissional, voc

    conhece na pessoa que cuida. Conhece a pessoa por completo, o que ela gosta e o que ela

    no gosta tambm, suas fortalezas e suas fraquezas individuais, alm de seus desejos e

    necessidades.

    muito fcil cair numa atitude protetora quando se cuida de outra pessoa, especialmente

    se tratar de um membro da famlia. Mas precisamos compreender que a no ser que a

    pessoa esteja passando por um transtorno cognitivo (Distrbio cerebral devido a um

    derrame cerebral, demncia ou outro problema de sade), ELE, entretanto toma as decises

    sobre sua vida. s vezes, a pessoa poderia tomar decises que voc no tomaria, mas

    sua deciso. Isto pode ser difcil para voc, como cuidador, mas deve ter cuidado e estar

    alerta para no cair na superproteo.

    Uma das necessidades humanas mais importantes o respeito e a dignidade e essa

    necessidade no muda quando a pessoa adoece e fica incapacitada, de fato, esta poderia

    inclusive acentuar-se mais.

    Existem muitas coisas que voc pode fazer para se assegurar que a pessoa sob seus

    cuidados receba respeito e dignidade, direito bsicos de todo ser humano.

    Respeitar sua privacidade fsica e emocional.

    Fechar a porta quando o ajuda a vestir-se ou usar o banheiro; Bater a porta antes de entrar; No comentar informao privada com outras pessoas, mesmo que estas sejam membros

    da famlia, sem sua permisso.

    Respeitar seu direito de escolher.

    Ao tomar decises, sentimos certo controle sobre nossa vida. Por exemplo, se a pessoa

    pode faz-lo, permita que decida o que e quando comer; Se a pessoa tem problemas cognoscitivos, oferea-lhe opes sobre o que comer, quando

    comer e o que usar. Se a pessoa insiste em usar a mesma camisa todos os dias, use uma toalha como proteo

    quando coma e lave a roupa de noite. Se pensar que uma deciso boba ou de pouca importncia, trate de ver porque isso

    importante para a pessoa. Se a pessoa se nega a tomar seus medicamentos ou toma decises que possam ser

    perigo