apostila de algas ii

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  • UNIVERSIDADE SANTA CECLIA

    BIOLOGIA

    ALGAS II Prof. Andr Lus Faccini

    MACROALGAS

    2 SEMESTRE - 2013

  • Algas II Macroalgas Prof. Andr Lus Faccini

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    1- Diversidade morfolgica em macroalgas

    J abordamos no curso do 1 semestre alguns aspectos mais bsicos da morfologia das microalgas, agora procuraremos descrever a diversidade morfolgica das chamadas macroalgas.

    Vimos durante o primeiro semestre que as microalgas esto distribudas em muitos grupos taxonmicos (divises); entretanto, teremos as macroalgas distribudas em trs grupos taxonmicos ou divises (Chlorophyta, Phaeophyta e Rhodophyta).

    Entende-se aqui como macroalga aquelas algas suficientemente grandes para serem observadas a olho nu. Embora a grande maioria compreenda organismos pluricelulares podemos encontrar alguns representantes considerados unicelulares.

    1.1) Formas Filamentosas (Ex.: Cladophora, Ectocarpus, Polysiphonia) Os talos filamentosos podem apresentar uma grande variao de formas desde aqueles que possuem apenas uma nica fileira de clulas sendo, portanto, unisseriados (Fig. 1) at aqueles que apresentam duas ou mais fileiras de clulas sendo, portanto, plurisseriados (Fig. 3). Estes ltimos podem apresentar um grau crescente de complexidade. Tanto um caso como o outro pode apresentar ramificao ou no.

    Algumas formas apresentam diferenciao entre uma poro prostrada (sistema rastejante que ancora o talo ao substrato) e uma ereta; tais formas so comuns em Phaeophyta e podem ocorrer em Chlorophyta. Neste caso costuma-se falar em hbito heterotrquio (Fig. 2).

    Nos costes rochosos freqentemente so encontradas formas que no apresentam a poro ereta: o talo crostoso, formado pela fuso de filamentos prostrados fortemente aderidos ao substrato (Fig. 3). Tal fuso tambm pode ocorrer na poro ereta, originando um talo pseudoparenquimatoso (Figs. 4, 5 e 6), este pode ter a forma cilndrica ou folicea; uma formao tpica de Rhodophyta e pode ocorrer em Phaeophyta e Chlorophyta.

    O talo pseudoparenquimatoso formado por vrias fileiras (filamentos) de clulas e tem seu crescimento determinado por clulas que se dividem sempre no mesmo plano.

    Estes ainda podem ser construdos de duas maneiras: a) Pela diviso celular ocorrida em clulas de um filamento principal de onde

    surgem ramificaes constituindo filamentos secundrios, tercirios, etc talo de construo uniaxial (Figs. 6 e 7a);

    b) Pela diviso celular ocorrida em clulas de vrios filamentos justapostos no havendo um filamento principal que d origem a outros talo de construo multiaxial (Fig. 7b).

    1.2) Formas Parenquimatosas (Figs. 8 e 9) (Ex.: Dictyota, Ulva, Porphyra) Estes talos compreendem algumas formas mais complexas encontradas entre

    as algas. Estes talos crescem atravs de divises celulares que ocorrem em dois ou trs

    planos diferentes formando um tecido bidimensional (fig. 8) ou tridimensional (Fig. 9). Ocorrem em Chlorophyta, Rhodophyta e Phaeophyta sendo que, somente nesta ltima, podemos encontrar talos tridimensionais e mais espessos com diferenciao de tecidos

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    (crtex e medula) (Fig. 9). Na medula daquelas formas mais complexas podemos encontrar clulas alongadas que se assemelham aos tubos crivados das plantas vasculares e que desempenham a funo de transporte de substncias produzidas na fotossntese.

    1.3) Forma Cenoctica (Sifonceo) (Figs.10, 11, 12 e 13) (Ex.: Bryopsis, Codium, Caulerpa)

    Talo constitudo por filamentos tubulares no divididos em clulas. Encontramos este tipo de talo exclusivamente em algumas espcies de Chlorophyta (e Xantophyceae), a maioria marinha. As formas maiores podem ser formadas por um nico filamento (unisseriado) (Fig.10) ou vrios justapostos (multisseriado), formando um talo pseudoparenquimatoso (Figs.11, 12 e 13).

    A estrutura cenoctica multinucleada e tem um grande nmero de cloroplastos. O gnero Codium bem representado na frica do Sul e comum em regies

    tropicais do mundo. As espcies de Codium (Figs.11, 12 e 13) so compostas por uma massa de clulas entrelaadas sem paredes transversais entre os ncleos; dessa forma, so cenocticas; no entanto, esta massa de clulas forma uma estrutura compacta determinando em um talo pseudoparenquimatoso. Essas clulas "incham" na superfcie, originando estruturas denominadas utrculos em cujas laterais surgem gametngios (Fig.13).

    Fig. 1 Goniotricum sp. Talo filamentoso

    unisseriado ramificado

    Fig. 2 Fritschiella sp. Talo com diferenciao de

    filamentos prostrados, eretos e rizoidais (heterotrquio).

    Fig. 3 Ralfsia sp. Aspecto geral do talo filamentoso

    plurisseriado e crostoso.

    Fig. 4 Esquema mostrando a estrutura de um talo

    pseudoparenquimatoso. Os vrios filamentos

    encontram-se fortemente unidos e o conjunto

    determina uma estrutura macia. (Keats, 1999)

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    Fig. 5 Talo pseudoparenquimatoso de aspecto cilndrico.

    Aspecto geral e corte transversal de Hypnea musciformis

    (Rhodophyta).

    Fig. 6 Talo pseudoparenquimatoso de aspecto

    foliceo. Organizao uniaxial. Membranoptera

    (Rhodophyta)

    Fig. 7 a) Talo cilndrico de organizao uniaxial.

    b) Talo cilndrico de organizao multiaxial.

    Fig. 8 Talo parenquimatoso, aspecto

    foliceo. Ulva (Chlorophyta)

    Fig.9 Talo parenquimatoso.

    Aspecto geral e corte transversal do

    talo mostrando diferenciao de

    tecidos. Ecklonia (Phaeophyta).

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    2- Tipos de crescimento encontrados em algas O crescimento de algas pluricelulares pode-se dar de duas maneiras: 2.1- Difuso - quando a maioria das clulas do talo capaz de se dividir. Este tipo

    de crescimento pode ser encontrado tanto em talos filamentosos como, por exemplo, em Ectocarpus (Phaeophyta), como em talos parenquimatosos, como em Ulva (Chlorophyta).

    2.2- Localizado neste caso, as divises celulares esto restritas a

    determinadas regies do talo. a) Apical - a diviso ocorre apenas na clula apical do talo (ex.:

    Sargassum) ou em um grupo de clulas apicais (meristema apical) (ex.: Chnoospora) ou ainda uma margem de clulas apicais (ex.: Padina).

    b) Intercalar as divises ocorrem em determinadas regies do talo, mas no na regio apical. Neste caso podemos encontrar trs situaes: b1) crescimento tricotlico no qual a diviso celular ocorre na base de um ou vrios filamentos (ex.: Desmarestiales, Cutleriales, Chordariales Phaeophyta); b2) meristema intercalar nos quais as divises ocorrem em uma zona meristemtica localizada na base da lmina (ex.: Laminariales); b3) meristoderme que compreende uma camada superficial de meristema (epiderme) cujas s clulas se dividem em dois planos: periclinal - acrescentando novas clulas no crtex e diviso anticlinal acrescentando novas clulas na epiderme permitindo assim o aumento da rea superficial (Ordens Laminariales e Fucales - Phaeophyta).

    Fig.10 Bryopsis

    (Chlorophyta). Talo cenoctico.

    Smith 1955.

    Fig.11 Codium duthieae

    (Chlorophyta). Aspecto geral. Talo

    cenoctico e pseudoparenquimatoso.

    Fig.12 - Seco transversal de

    um ramo mostrando as linhas

    centrais e os utrculos. Os

    ncleos esto indicados por

    pontos.

    (Seagrief 1967 e Newton 1931)

    Fig.13 - Detalhe dos utrculos com as

    linhas centrais e os gametngios. Os

    ncleos esto indicados por pontos.

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    DIVISO CHLOROPHYTA

    CHLORO (grego) = verde

    PHYTON (grego) = planta

    Grupo que compreende entre 550 e 570 gneros e entre 16.000 a 17.000 espcies.

    As algas verdes ou clorfitas j foram abordadas durante o primeiro semestre deste curso devido ao grande nmero de espcies e formas unicelulares (microalgas) que existem. Assim, os aspectos citolgicos e morfolgicos bsicos, assim como reproduo e evoluo j foram discutidos na ocasio.

    As macroalgas, que so muito comuns em ecossistemas marinhos e estuarinos, encontram-se classificadas na Classe Ulvophyceae compreendendo cerca de 110 gneros e 959 espcies.

    Algumas espcies, bastantes comuns em nossos costes rochosos, so bem resistentes a situaes de impacto ambiental e, deste modo, so consideradas algas oportunistas, pois podem dominar o ambiente quando espcies mais sensveis desaparecem.

    Lembraremos a seguir as caractersticas citolgicas e bioqumicas que identificam organismos deste grupo:

    -Pigm -Cloroplasto: delimitado por uma dupla membrana (envelope do cloroplasto) e

    apresentam formas variadas; -Reserva: amido (acumulado no interior do cloroplasto); -Parede celular: celulose (principal componente); -Flagelos: em pelo menos uma fase do ciclo de vida. Devemos lembrar que a forma dos cloroplastos, estrutura dos flagelos e da raiz

    flagelar, posicionamento de microtbulos em relao ao plano de diviso celular (ficoplasto e fragmoplasto), a maneira como ocorre a diviso da clula, entre outros aspectos, so caractersticas importantes na determinao de grupos taxonmicos.

    Abaixo temos alguns exemplos de clorfitas e a diversidade morfolgica de seus talos: a) Chaetomorpha (filamentoso no ramificado), b) Ulva (foliceo), c) Halimeda (talo calcificado), d) Spirogyra (filamentoso), e) Caulerpa (cenoctico), f) Chara (filamentoso com regies diferenciadas de ns e internos).

    a b c d e ff

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    Instrues para confeco do relatrio: O relatrio de aula prtica deve conter os seguintes itens: 1- Ttulo da aula 2- Integrantes que fazem parte do gru