Apostila Curso de Libras

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<ul><li><p>Lngua Brasileira de Sinais - Libras</p><p>So Cristvo/SE2010</p><p>Margarida Maria Teles Vernica dos Reis Mariano Souza</p></li><li><p>Copyright 2009, Universidade Federal de Sergipe / CESAD.Nenhuma parte deste material poder ser reproduzida, transmitida e gravada por qualquer meio eletrnico, mecnico, por fotocpia e outros, sem a prvia autorizao por escrito da UFS.</p><p>Projeto Gr co e CapaHermeson Alves de Menezes</p><p>DiagramaoNeverton correia da silva </p><p>Instrutora de LibrasTnia Mara dos Santos Sampaio </p><p>RevisoraElizangela Maria de Goes Silva</p><p>Elaborao de ContedoMargarida Maria Teles</p><p>Vernica dos Reis Mariano Souza</p><p>Teles, Margarida MariaT269I Lngua brasileira de sinais - Libras / Margarida Maria Teles, </p><p>Vernica dos Reis Mariano Souza. -- So Cristvo: Universidade Federal de Sergipe, CESAD, 2009.</p><p> 1. Lngua brasileira de sinais. 2. Libras. I. Souza, Vernica dos Reis Mariano. II. Ttulo. </p><p> CDU 81`221.24(81) </p><p>Lngua Brasileira de Sinais - Libras</p></li><li><p>UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPECidade Universitria Prof. Jos Alosio de Campos</p><p>Av. Marechal Rondon, s/n - Jardim Rosa ElzeCEP 49100-000 - So Cristvo - SE</p><p>Fone(79) 2105 - 6600 - Fax(79) 2105- 6474 </p><p>Presidente da RepblicaLuiz Incio Lula da Silva</p><p>Ministro da EducaoFernando Haddad</p><p>Secretrio de Educao a DistnciaCarlos Eduardo Bielschowsky</p><p>ReitorJosu Modesto dos Passos Subrinho </p><p>Vice-ReitorAngelo Roberto Antoniolli</p><p>Chefe de GabineteEdnalva Freire Caetano</p><p>Coordenador Geral da UAB/UFSDiretor do CESAD</p><p>Antnio Ponciano Bezerra</p><p>Vice-coordenador da UAB/UFSVice-diretor do CESADFbio Alves dos Santos</p><p>NCLEO DE MATERIAL DIDTICO</p><p>Hermeson Menezes (Coordenador)Edvar Freire CaetanoIsabela Pinheiro Ewerton</p><p>Diretoria PedaggicaClotildes Farias (Diretora)Hrica dos Santos MotaIara Macedo ReisDaniela Souza SantosJanaina de Oliveira Freitas</p><p>Diretoria Administrativa e Financeira Edlzio Alves Costa Jnior (Diretor)Sylvia Helena de Almeida SoaresValter Siqueira Alves</p><p>Coordenao de CursosDjalma Andrade (Coordenadora)</p><p>Ncleo de Formao ContinuadaRosemeire Marcedo Costa (Coordenadora)</p><p>Ncleo de AvaliaoGuilhermina Ramos (Coordenadora)Carlos Alberto VasconcelosElizabete SantosMarialves Silva de Souza</p><p>Ncleo de Servios Gr cos e Audiovisuais Giselda Barros</p><p>Ncleo de Tecnologia da InformaoJoo Eduardo Batista de Deus AnselmoMarcel da Conceio Souza</p><p>Assessoria de ComunicaoGuilherme Borba Gouy</p><p>Lucas Barros OliveiraNeverton Correia da SilvaNycolas Menezes Melo</p><p>Coordenadores de CursoDenis Menezes (Letras Portugus)Eduardo Farias (Administrao)Haroldo Dorea (Qumica)Hassan Sherafat (Matemtica)Hlio Mario Arajo (Geogra a)Lourival Santana (Histria)Marcelo Macedo (Fsica)Silmara Pantaleo (Cincias Biolgicas)</p><p>Coordenadores de TutoriaEdvan dos Santos Sousa (Fsica)Geraldo Ferreira Souza Jnior (Matemtica)Janana Couvo T. M. de Aguiar (Administrao)Priscilla da Silva Ges (Histria)Rafael de Jesus Santana (Qumica)Ronilse Pereira de Aquino Torres (Geogra a)Trcia C. P. de Santana (Cincias Biolgicas)Vanessa Santos Ges (Letras Portugus)</p></li><li><p>AULA 1</p><p>Viso Histrica da Lngua Brasileira de Sinais .................................. 07</p><p>AULA 2</p><p>Lngua Brasileira de Sinais ................................................................ 15</p><p>AULA 3</p><p>Tipos de emprstimos lingusticos e o sistema pronominal .............. 23</p><p>AULA 4</p><p>Escrita da lngua de sinais e o sistema de transcrio em Libras ..... 35</p><p>AULA 5</p><p>Estrutura gramatical da LIBRAS........................................................ 51</p><p>AULA 6Estrutura gramatical da LIBRAS (nvel morfolgico, semntico e pragmtico)........................................................................................ 75</p><p>AULA 7</p><p>Sintaxe da LIBRAS : verbos e tempos verbais.................................. 83</p><p>AULA 8</p><p>Legislao e ensino de Libras ........................................................... 97</p><p>AULA 9</p><p>Sistema de numerao em LIBRAS ................................................ 103</p><p>AULA 10</p><p>Surdez, educao e incluso social .................................................111</p><p>Sumrio</p></li><li><p>VISO HISTRICA DA LNGUA BRASILEIRA DE SINAIS</p><p>METADiscutir alguns pontos relevantes na histria da evoluo da Lngua de Sinais. </p><p>OBJETIVOSAo nal desta aula, o aluno dever:analisar comparativamente as diferentes abordagens educacionais no processo </p><p>de educao das pessoas surdas.</p><p>Aula</p><p>OI!</p></li><li><p>8Lngua Brasileira de Sinais - Libras</p><p>VISO HISTRICA DA LNGUA BRASILEIRA DE SINAIS</p><p>A histria da Lngua de Sinais est implcita na concepo de educao das pessoas surdas ou de cientes auditivas, in uenciadas por mdicos e reli-giosos num contexto poltico e sociocultural, ao longo dos sculos. De acordo com Russo e Santos (1993): De cincia auditiva pode ser de nida como a reduo ou perda total da capacidade de deteco do som de acordo com padres estabelecidos pela American National Standards Institute (ANSI, 1989), expresso pelo Zero audiomtrico (0 dB NA (Db-decibis, NA-nvel de audio)), refere-se aos valores de nveis de audio que correspondem mdia de deteco de sons em vrias frequncias, por exemplo: 500 Hz, 1000 Hz, 2000 Hz e 3000Hz. Considera-se, em geral, que a audio normal corresponde habilidade para deteco de sons at 25 dBNA e a surdez quando a perda de audio profunda (maior que 91 dB NA), incapaz de desenvolver a linguagem oral.</p><p>Durante a antiguidade at o sculo XV, os de cientes auditivos foram tratados como seres primitivos, incompetentes e imperfeitos, castigados pe-los Deuses. Sendo assim, como consequncia eram abandonados, excludos dos direitos sociais e no podiam ser educados. Nesse perodo, era comum a eugenia, ou seja, eliminao das pessoas de cientes, mal-formadas ou as muito doentes, para controle social, visando a melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras geraes seja fsica ou mentalmente. </p><p>As primeiras controvrsias em relao forma de comunicao dos surdos ou de cientes auditivos so evidenciadas pelas a rmaes de Aris-tteles o qual acreditava que o pensamento s seria concebido atravs da palavra falada, negando aos de cientes auditivos a possibilidade de instruo. [...] Ensinava que os que nasciam surdos, por no possurem linguagem, no eram capazes de raciocinar [...] (SOARES,1999,p.17). Enquanto Scrates (em 360 a.C.), declarou que era aceitvel que os Surdos comunicassem com as mos e o corpo(Ibid., p 18). Vale ressaltar o pensamento de Santo Agostinho que acreditava que os Surdos podiam comunicar por meio de gestos, que, em equivalncia fala, eram aceitos quanto salvao da alma, mas, foi John Beverley (700 d.C.) que ensinou um surdo a falar pela primeira vez, considerado como o primeiro educador de surdos. </p><p>Somente a partir da Idade Moderna que comeou a se distinguir surdez de mudez, surgindo indcios das trs abordagens los cas na educao dos surdos: o gestualismo (uso de sinais), o oralismo (lngua na modalidade oral, fala/som) e o mtodo combinado (sinais, treino da fala e leitura labial). Essas abordagens utilizadas pelos primeiros educadores serviram inicialmente para ensinar lhos dos nobres a conseguirem privilgios legais. (LACERDA, 1998). </p><p>Segundo Soares (1999) e Moura (2000), a seguir, se encontram descritas as principais abordagens los cas e seus respectivos defensores:</p></li><li><p>9Viso Histrica da Lngua Brasileira de Sinais Aula</p><p>1ABORDAGENS DEFENSORES</p><p>Treinamento da Fala (fala/som) ou oralismo: defende o aprendizado da lngua oral, com o objetivo de aproximar os surdos ao mximo possvel do modelo ouvinte.</p><p>Gerolamo Cardano (Mdico Italiano, 1501-1576):Interessou-se mais pelo estudo do ouvido, nariz e cre-bro, escreveu a conduo ssea do som. Segundo ele, a escrita poderia representar os sons da fala e do pensa-mento e a surdez no alterava a inteligncia.</p><p>Juan Pablo Bonet (Espanhol. 1579-1629): Baseado nos trabalhos de Len, escreveu sobre as ma-neiras de ensinar os surdos a ler e a falar por meio do alfabeto manual e proibia o uso da lngua gestual. </p><p>Johann Conrad Ammam (Mdico Suo,1669-1724):Defensor da leitura labial; com o uso de espelhos, desco-briu a imitao dos movimentos da linguagem, como tambm a percepo atravs do tato das vibraes da laringe. Considerava que a fala era uma ddiva de Deus e fazia com que a pessoa fosse humana e que o uso da lngua gestual atro ava a mente.</p><p>Sammuel Heinicke (Alemo,1729-1790):Fundou uma escola de surdos, em Edimburgo (a primeira escola de correo da fala da Europa); ensinou vrios surdos a falar, criando e de nindo o mtodo hoje conhecido como Oralismo; edi cou a aprimeira escola pblica para de cientes scos. Segundo ele, o pensa-mento s possvel atravs da lngua oral. (fala/som)</p><p>Alexander Graham Bell (Cientista Escocs, 1847-1922):Era grande defensor do oralismo e opunha-se lngua gestual e s comunidades de surdos, uma vez que as con-siderava como um perigo para a sociedade. Foi professor de surdos em Londres e desenvolveu a metodologia denominada fala visvel.</p><p>Jacob Rodrigues Pereira (Francs,1715-1780):Era o maior opositor do Abade LEpe, usava gestos, mas defendia a oralizao dos surdos, iniciou o trabalho de desmutizao por meio da viso e do tato.</p></li><li><p>10</p><p>Lngua Brasileira de Sinais - Libras</p><p>Mtdo Combinado ou Bimodal: defende o uso da lngua oral, lngua de sinais, treinamento auditivo, leitura labial e o alfabeto digital, entre outros recursos.</p><p>Pedro Ponce de Len (Monge Espanhol,1520-1584):Iniciou a histria sistematizada de educao dos surdos. Fundou uma escola para professores de de cientes auditivos e desenvolveu uma metodologia de educao que incluia leitura e escrita, treinamento da fala e o alfabeto manual.</p><p>Thomas Hopkins Gallaudet (Prof. America-no,1837-1917):Era opositor ao oralismo puro, defendia os sinais metdicos do Abade De LEpee; fundou a escola de Hartford para surdos, em abril de 1817. Gallaudet e seu lho Edward Miner Gallaudet, instituram nessa escola a Lngua Gestual Americana com o mtodo combinado, ingls escrito e o alfabeto manual. Em 1857, a escola passou a ser Universidade Gallaudet.</p><p>Lnguagem Gestual (hoje Lngua de Sinais): considerada importante veculo de aquisio de conhecimento, comunicao e organizao do pensamento no desenvolvimento da pessoa surda.</p><p>Charles Michelde Lpe (Abade Frances, 1712-1789):Criador da lngua gestual (lingua de sinais), criou os sinais metdicos. Reconheceu que essa lngua existia e se desenvolvia entre grupos de surdos, embora no fosse considerada uma lngua com gramtica, mas, com car-actersticas lingusticas apoiada no canal visual-gestual. Fundou o Instituto Nacional de Surdos-Mudos, em Paris (primeira escola pblica de surdos do mundo).</p><p>Aps a Revoluo Francesa e durante a Revoluo Industrial (sc.XVIII), a disputa tornou-se mais acirrada entre os mtodos oralista e os baseados na lngua gestual. No Congresso de Milo (1880) instituiu-se o oralismo como loso a o cial de educaco dos surdos, nesse perodo o ensino da lngua gestual passou a ser proibido nas escolas em toda a Europa. </p><p> Logo, o oralismo espalhava-se para outros continentes e, em consequncia disso, tornou-se a abordagem mais priorizada na educao dos surdos, durante ns do sculo XIX e grande parte do sculo XX. De acordo com Lacerda (1998), os resultados de muitas dcadas de trabalho nessa linha no mostraram grandes sucessos. O processo de aquisio da fala era parcial e tardio em relao aos ouvintes, comprometendo o desen-volvimento global dos surdos. </p><p> No ano de 1960, Willian Stokoe publicou artigos demonstrando que a American Signan Language - Lngua de Sinais Americana-ASL - possua caractersticas semelhantes s da lngua oral. Nessa mesma dcada, Doraty </p></li><li><p>11</p><p>Viso Histrica da Lngua Brasileira de Sinais Aula</p><p>1Schif et, professora e me de de ciente auditivo, utilizou o mtodo que combinava lngua de sinais associada lngua oral, treinamento auditivo, leitura labial e o alfabeto digital denominado Total Approach, traduzido para Abordagem Total ou Comunicao Total. Embora esta tenha apresentado avanos, a maioria dos surdos no consseguiram atingir nveis acadmicos compatveis (idade/srie), pois os sinais apenas representavam recursos de auxlio da fala e no comprovavam desenvolvimento lingustico. (LACERDA, 1998). </p><p> Na decada de 1970, a Sucia e a Inglaterra observaram que os de cientes auditivos utilizavam em momentos distintos a oralizao e a lngua de sinais, originando a loso a bilngue, ou seja, a utilizao pelos surdos da lngua de sinais como primeira lngua (L1) e , como segunda, a lngua majoritria do seu pas (L2). Logo, expandiu-se na dcada seguinte para todos os pases esse tipo de educao que se contrape aos modelos oralistas e comunicao total, advogando que cada lngua deve manter suas carctersticas prprias.</p><p>A HISTRIA DA LNGUA DE SINAIS NO BRASIL</p><p> No Brasil, a histria da Lngua de Sinais teve incio com a fundao, em 1857 do Instituto dos Surdos-Mudos, atualmente denominado INES-Instituto Nacional da Educao de Surdos . O professor surdo, Ernest Huet, veio da Frana a convite de Dom Pedro II e trouxe o mtodo combinado, sendo o currculo constitudo por lngua portuguesa, aritmtica, linguagem articulada e leitura sobre os lbios, entre outras.</p><p> Em 1862, Huet deixa o Instituto e em seu lugar assume Dr. Manuel de Magalhes Couto (1862-1868) que, no tendo conhecimento a respeito da educao de surdos, no prosseguiu com o trabalho educacional, levando o Instituto a ser considerado um asilo de surdo em 1868. Nesse mesmo ano, foi nomeado o Dr. Tobias Leite (1868-1896) para a direo do instituto, restabelecendo o aprendizado da linguagem articulada e da leitura dos lbios. </p><p> Na gesto da professora Ana Rmoli de Faria Dria (1896), in uen-ciada pelo Congresso de Milo, o Instituto adotou o cialmente o mtodo oralista puro e implantou o primeiro Curso Normal de Formao de Profes-sores para Surdos. A primeira turma formou-se em 1954, com 52 alunas/professoras, de oito Estados brasileiros que disseminaram o mtodo oral no pas. (SOARES,1999. p.90).</p><p> Na dcada de 1970, aps visitar a Universidade Gallaudet, nos Estados Unidos, a professora de surdos Ivete Vasconcelos retorna ao Brasil trazendo a loso a da Comunicao Total. Linguistas brasileiros, como a professora Lucinda Ferreira Brito, comeam a se interessar pelo estudo da Lngua de Sinais atribuindo o nome de Lngua de Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros (LSCB). Entretanto, em 1994, aps discusso com a </p></li><li><p>12</p><p>Lngua Brasileira de Sinais - Libras</p><p>comunidade Surda, Brito passa a utilizar a abreviao LIBRAS para desig-nar a Lngua Brasileira de Sinais que passou a ser legalmente reconhecida atravs da Lei n 10.436 de 24 de abril de 2002, como lngua prpria da comunidade de surdos do Brasil, servindo como meio legal de comunicao e expresso.</p><p>CONCLUSO</p><p>No Brasil, os prs e os contras na histria da LIBRAS so re exos das posies tomadas no mundo sobre a educao das pessoas surdas. Observa-se que, atualmente, na educao dos surdos coexistem as trs loso as. Cabe ressaltar que a implantao e uso da Comunicao Total, apesar de ter ocorrido em um breve perodo, o mais presente no cotidiano escolar devido ausncia de formao dos pro ssionais numa loso a bilngue.</p><p>RESUMO </p><p>A histria da Lngua de Sinais est implcita na educao das pessoas surdas. Da antig...</p></li></ul>