Apostila Controle Estatistico de Processo

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  • 8/13/2019 Apostila Controle Estatistico de Processo

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    AAPPOOSSTTIILLAA

    CCOONNTTRROOLLEEEESSTTAATTSSTTIICCOODDEEPPRROOCCEESSSSOO

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    1. INTRODUO

    Controle da qualidade um conjunto de aes ou medidas desenvolvidas

    com o objetivo de assegurar que os servios ou produtos gerados atendam aos

    requisitos segundo os quais foram especificados. Segundo a ISO 8402,

    Controle da Qualidade definido como sendo o conjunto de tcnicas e

    atividades operacionais usadas para atender os requisitos para a qualidade.Avaliar os resultados das aes, com o objetivo de verificar se os mesmos

    esto em conformidade com as expectativas, faz parte da natureza do homem.

    Assim, no sentido Lato, pode-se dizer que o controle da qualidade remonta aos

    primrdios da civilizao humana.

    No se pode precisar, no tempo, quando foi que o controle da qualidade

    comeou a ser utilizado, de forma sistemtica, de modo a assegurar que os

    resultados das aes empreendidas viessem a atender aos requisitos dos

    projetos, na forma como foram concebidos. Entretanto, a perfeio das obras

    remanescentes das civilizaes grega, romana, egpcia, chinesa, e outras, sob

    a forma de templos, termas, pirmides, muralhas, etc., nos permite assegurar

    que alguma forma de controle devia ser por eles empregada.Os registros histricos nos mostram que at o final do sculo XVIII, antes

    do incio da era industrial, os empreendimentos eram, na sua maioria, de

    natureza individual ou familiar e cada um definiae controlavaa qualidade dos

    produtos ou servios que gerava. Curiosamente, esta uma postura muito

    atual. No que se refere a garantia da qualidade, cada um responsvel pela

    qualidade do que faz. A diferena entre um profissional do final do sculo XVIIIe o seu colega dos anos 90 est na forma segundo a qual aquele entendia e

    este entende a funo qualidade. Para o profissional do sculo XVIII a

    qualidade estava relacionada ao atendimento as especificaes do produto,

    ifi t dit d l El d fi i

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    cliente vo ser atendidas. No se trata mais apenas de uma inspeo final para

    verificar se o produto tem ou no defeitos de fabricao.Entretanto, no se pode dizer que a sociedade, at o incio do sculo XIX,

    encontrava-se totalmente sem estruturas organizacionais orientadas para o

    controle da qualidade. Registra-se, no decorrer da idade mdia, intensas

    atividades de associaes de arteses, estabelecendo padres que visavam

    proteger ganhos econmicos e sociais de seus associados e regular a

    economia. Para alcanar esses objetivos essas associaes desenvolveramintensos e importantes trabalhos estabelecendo salrios, condies de trabalho

    e especificaes para matrias-primas e produtos acabados.

    Entre 1900 e 1930, com o advento da era industrial, pressionados pela

    crescente concorrncia e pela complexidade dos processos, iniciou-se uma

    nova fase para o controle da qualidade. Essa foi a era da inspeo. No incio,as inspees eram feitas no produto acabado e tinha por objetivo evitar que

    itens defeituosos chegassem ao consumidor. Nenhuma tcnica estatstica era

    usada. No final dos anos 20, como decorrncia da crescente complexidade dos

    processos e da maior concorrncia do mercado, iniciou-se a utilizao de

    tcnicas estatsticas para o controle dos produtos. Em 1924, foi criado o

    Inspection Engineering Departament of Western Electrics Bell TelephoneLaboratories, do qual foram membros personalidades como R. B. Miller, G. D.

    Peterson, H. F. Dodge, G. D. Edwards, P. S. Olmstead, M. N. Torrey e outros,

    aos quais devemos importantes trabalhos pioneiros de desenvolvimento de

    teorias e mtodos de controle da qualidade, incluindo critrios para seleo e

    amostragem. A primeira carta de controle da qual se tem registro foi

    desenvolvida por Shewhart em 1924 e ficou conhecida como Carta deControle de Shewhart.

    Entre 1930 e 1940, o uso da estatstica como ferramenta para o controle

    da qualidade se consolidou como tcnica. Destaca-se nesse perodo os

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    produo levou a uma inevitvel deteriorao da qualidade dos produtos. Esse

    fato obrigou o sistema produtivo a utilizar, em escala sem precedentes, astcnicas estatsticas que j haviam sido desenvolvidas para o controle de

    produtos. Nesse perodo, intensivos programas de treinamento, orientados

    para a utilizao destas tcnicas, foram implementados, com os objetivos de:

    minimizar perdas, reduzir o custo de produo e, principalmente, assegurar a

    qualidade dos produtos. Nesse perodo, as foras armadas dos Estados Unidos

    e dos pases aliados desempenharam um papel importantssimo nodesenvolvimento de novas tcnicas estatsticas, na pesquisa de novas teorias

    de controle, na implementao de programas de controle da qualidade e,

    principalmente, no estabelecimento de padres.

    De 1950 a 1960, as foras armadas dos pases aliados, principalmente

    devido a guerra fria, que demandava contnuos e intensos programas de

    desenvolvimentos na rea da indstria blica, continuaram sendo os principais

    impulsionadores do desenvolvimento da rea de controle da qualidade. Os

    principais esforos dos anos 50 foram orientados para os estabelecimentos de

    novos padres. Nessa dcada, o controle da qualidade deixou de enfocar o

    produto e passou a orientar-se para o processo, o que, do ponto de vista

    estratgico, representou um passo importantssimo. Na verdade o responsvel

    pelos itens defeituosos o processo. Se o processo capaz e se est sendo

    devidamente controlado deve, portanto, gerar produtos sem defeitos.

    Na dcada de 50, o Japo iniciou sua jornada rumo a industrializao.

    Deming, que havia participado ativamente, na dcada de 40, dos programas de

    mobilizao para a qualidade, nos Estados Unidos, foi para o Japo e,

    juntamente com Juran e Ishikawa, tornou-se o principal responsvel peladisseminao dos conceitos de controle da qualidade naquele pas.

    Nos anos 60, o uso prtico da estatstica como ferramenta para o controle

    de processo se consolidou e foram lanadas as bases para a implantao dos

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    Os anos 80 se caracterizaram pela implementao, em larga escala, dos

    conceitos de TQM. O Japo, mantendo a sua posio de vanguarda, liderou ospases industrializados na implementao destes conceitos. A aprovao das

    Normas ISO srie 9000, em 1987, representou uma mudana de paradigma e

    a Europa, bero dessas Normas, ocupou a posio de destaque neste novo

    cenrio.

    A partir da dcada de 60, os problemas relacionados com a preservao

    da qualidade do meio ambiente passou, cada vez mais, a ocupar o centro dasatenes da nossa sociedade. O resultado desse movimento, principalmente

    nos pases mais desenvolvidos, foi o incio de presses social para que os

    sistemas produtivos utilizassem tecnologias no poluidoras.

    Na dcada de 70, a sociedade, preocupada com os nossos recursos

    naturais, evoluiu, incorporando conceitos de racionalizao de insumos nosprocessos produtivos. O vertiginoso crescimento das atividades industriais,

    ocorrido nesse ltimo quarto do sculo XX, despertou, principalmente nas

    comunidades mais esclarecidas, uma forte conscientizao de que a natureza

    no infinita em sua capacidade de absorver os resultados de todas as

    atividades humanas, no ritmo em que estas vm ocorrendo, sem que sejam

    alteradas as condies ambientais globais. Como resultado, seis anos aps arealizao da ECO-92, foi assinado, no incio de 1998, o protocolo de Kyoto

    que estabelece critrios sobre emisso de CO2 e outros gases que exercem

    efeito estufa e prioriza o desenvolvimento e a utilizao de tecnologias

    amigveis com relao a mudanas climticas.

    Como no poderia deixar de ser, os movimentos conservacionistas

    influenciaram fortemente os conceitos relativos a qualidade e motivaram a

    aprovao das Normas ISO Srie 14000, em 1996. Essas Normas especificam

    os requisitos relativos a um sistema de gesto ambiental e regem as relaes

    contratuais para o comrcio interno e entre pases, operacionalizando grande

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    orientados no sentido de lhe agregar qualidade. Essa foi a era da inspeo, do

    controle da qualidade e a estatstica foi a principal ferramenta utilizada.Nas dcadas de 50, 60 e 70, o processopassou a ser o ponto principal

    das atenes, sem que, contudo, o produto tenha sado de cena. Controlar o

    processo para que os produtos por ele gerados atendam as especificaes,

    certamente uma forma mais econmica de assegurar qualidade. Nesse perodo,

    as inspees continuaram sendo atividades importantes mas apenas para registrar

    a qualidade da produo e a estatstica consolidou sua posio como ferramentaindispensvel para os processos de controle.

    Nas dcadas de 80 e 90 cresceu no meio empresarial a conscincia de que

    to ou mais importante do que produzir com qualidade, oferecer ao cliente o que

    ele deseja, atender as suas necessidades. Assim, o cliente, como o parceiro

    mais importante do negcio, passa a ser o foco das atenes. Atender sexpectativas do cliente e, se possvel, superar essas expectativas, passa a ser a

    poltica dos negcios de sucesso. As caractersticas de uma empresa orientada

    para o atendimento ao cliente so:

    seus processos so consistentes e adequadamente controlados (eficincia),

    seus produtos so especificados de acordo com as necessidades do seu

    cliente (eficcia),

    como as necessidades do cliente esto sempre mudando, elas so flexveis,

    adaptam-se com rapidez e tm viso do futuro (efetividade).

    Para essa empresa, o cliente no sentido lato (a sociedade) aparece no

    cenrio com importncia crescente e vai se tornando to importante quanto o

    cliente que adquire seus produtos ou servios (cliente no sentido strito).

    O controle de processo, para estar de acordo com o enfoque filosfico

    da era em que estamos vivendo, deve ser dinmico, deve estar orientado para

    as necessidades dos clientes (interno e externo, strito e lato senso) e ser capaz

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    2. OBJETIVOS DO CONTROLE DE PROCESSO

    Conforme j foi enfatizado, o controle de processo deve fazer parte do

    esforo cooperativo de todos os setores da empresa, no sentido de assegurar a

    sua conformidade e a qualidade da produo, para que seja possvel atender

    s necessidades dos clientes internos e externos.

    Atuando em todas as fases do processo produtivo e principalmente nospontos crticos, seus objetivos so:

    Gerar as informaes necessrias ao desenvolvimento dos novos produtos;

    Fornecer os subsdios necessrios s tomadas de decises nos processosde compra e recepo de matrias-primas;

    Assegurar, ao setor de produo, as informaes requeridas para o efetivo

    controle dos processos de fabricao;

    Inspecionar os produtos acabados;

    Acompanhar o perfil da qualidade dos produtos concorrentes.

    3. CONTROLE ESTATSTICO DE PROCESSO

    A estatstica , sem dvidas, uma ferramenta de trabalho poderosssima

    para quem trabalha em controle da qualidade e controle de processo.

    Para os nossos propsitos, a aplicao de tcnicas estatsticas ao

    controle da qualidade pode ser resumida em dois tipos de aes:

    aplicao de tcnicas matemticas na anlise dos dados de controle e

    sistematizao desses dados de modo a facilitar a anlise dos mesmos,

    auxiliando os responsveis a tomar decises.

    A aplicao de tcnicas estatsticas tem por principal objetivo oferecer aos

    responsveis pela tomada de decises referncias relativas ao grau de

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    Grficos de controle para fraes defeituosas.

    Os controles por mdia e amplitude so feitos com base na teoriaestatstica da distribuio normal. J o controle de fraes defeituosas , mais

    freqentemente, fundamentado na distribuio de Poisson. Para alguns casos

    de controle de fraes defeituosas, a aplicao de teoria estatstica da

    distribuio binomial pode ser vantajosa.

    A definio de controle estatstico de processo pode ser realizada atravs

    da juno dos significados de cada uma das palavras.

    Controle manter algo dentro dos limites (padres) ou fazer algo se

    comportar de forma adequada.

    Estatstica obter concluses com base em dados e nmeros que

    trazem informaes.

    Controle Estatstico fazer com que os resultados se mantenham

    conforme o previsto pelos padres com a ajuda de dados numricos.

    Processo a combinao necessria entre o homem, os materiais, as

    mquinas, os equipamentos e o meio ambiente para fabricar um produto

    qualquer. Mais especificamente, um processo qualquer conjunto de

    condies ou conjunto de causas (sistema de causas) que trabalhamsimultaneamente para produzir um determinado resultado.

    Portanto, Controle Estatstico de Processo (CEP) um mtodo

    preventivo de se comparar, continuamente, os resultados de um processo com

    os padres, identificando a partir de dados estatsticos as tendncias para

    variaes significativas, a fim de eliminar/controlar essas variaes. O objetivo

    principal no CEP reduzir cada vez mais a variabilidade de um processo.

    4. VARIAES NUM PROCESSO

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    Se forem s as causas que atuam no processo, diz-se que as variaes

    do processo so aceitveis e inevitveis e a eliminao destas causas

    inevitvel;

    Variaes anormais devem ser corrigidas, ou seja, eliminadas;

    As causas de variaes aceitveis so chamadas causas aleatrias ou

    acidentais, as outras so causas especiais.

    Logo tm-se:Processo sob controle:

    o processo cujas causas de variao so devidas somente pelas

    causas aleatrias.

    Se o processo esta sob controle:

    - A variabilidade das caractersticas de qualidade do produto devida,

    apenas, ao acaso;

    - As causas de variaes no afetam de forma significativa o processo;

    - Pode ser at impossvel, mas quase sempre antieconmica, a

    eliminao estas causas;

    Existe uma distribuio estatstica estvel associada ao processo.

    Processo fora de controle:

    o processo em que se fazem sentir causas especiais.

    Se o processo no esta sob controle:

    - A variabilidade das caractersticas de qualidade do produto devida acausas especiais, possveis de serem corrigidas;

    A variabilidade do processo anormal, com grandes alteraes nas

    caractersticas de qualidade;

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    - Grfico seqencial

    recomendado para quando preciso apresentar a tendncia dos pontosobservados sobre um especificado perodo de tempo.

    Grficos seqenciais so empregados para representar visualmente um

    conjunto de dados. So utilizados para monitorar um processo verificando se

    ao longo do tempo se a mdia est mudando.

    Os grficos seqenciais so ferramentas simples para serem construdase utilizadas. Pontos so marcados no grfico para serem avaliados.

    O grfico a seguir mostra a quilometragem rodada, por litro de

    combustvel, atingida entre um enchimento e outro do tanque de certo veculo.

    A quilometragem por litro dada abaixo para 21 intervalos sucessivos entre os

    enchimentos do tanque de combustvel.

    25,7 26,3 24,8 22,1 22,3 28,2 25,124,8 26,3 24,5 24,9 22,8 23,0 24,823,1 24,7 24,2 23,1 25,3 24,8 26,2

    Con

    sumo(km/l)

    24,619

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    referncia importante) os registros situam-se abaixo d...