apostila compesa

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  • 1. 6 Um sistema de abastecimento de gua pode ser concebido e projetado para atender pequenos povoados ou a grandes cidades, variando nas caractersticas e no porte de suas instalaes. Caracteriza-se pela retirada da gua da Natureza, adequao de sua qualidade, transporte at os aglomerados humanos e fornecimento populao em quantidade compatvel com suas necessidades. A gua abrange quase 4/5 da superfcie terrestre; desse total, 97,0% referem-se aos mares e os 3% restantes s guas doces. Dentre as guas doces, 2,7% so formadas por geleiras, vapor de gua e lenis existentes em grandes profundidades, no sendo economicamente vivel seu aproveitamento para o consumo humano. Em conseqncia, constata-se que somente 0,3% do volume total de gua do planeta pode ser aproveitado para nosso consumo, sendo 0,01% encontrada em fontes de superfcie (rios, lagos) e o restante, 0,29% em fontes subterrneas (poos e nascentes). A populao metropolitana do Recife tem o seu abastecimento de gua fundamentado na explorao conjunta de mananciais de superfcies e subterrneos, sendo a parcela captada em superfcie significativamente maior que a obtida pela explorao atravs de poos. O uso dos mananciais de superfcie corresponde a uma oferta de aproximadamente 8.300 L/s, que somados aos poos perfaz um total de 10,5 m3 /s, insuficiente para atender a demanda da populao da RMR. (Regio Metropolitana do Recife). Constitui, portanto, fator de suma importncia que haja um aproveitamento adequado dos recursos hdricos, visando a manuteno da qualidade e fornecimento de gua em quantidade suficiente para a preservao da sade e bem estar da populao consumidora. Os sistemas de tratamento de gua so processos realizados na gua bruta (suja), visando obter um produto de qualidade (fsica, qumica e microbiolgica) de tal maneira que a mesma esteja livre de organismos capazes de originar enfermidades e de qualquer mineral ou substncia orgnica que possa prejudicar a sade. 1 23 1 BARROS, R.T.V. et al. Saneamento. Belo Holizonte: Escola de Engenharia da UFMG, 221p. (Manual de Saneamento e Proteo Ambiental para os Municpios, 2), 1995. 2 LIMA, J.C.A.L. de. gua: Abundncia e escassez. Recife: COMPESA, Diretoria de Operaes, GERE, 2001. 3 OLIVEIRA, W.E, de et al. Tcnica de abastecimento e tratamento de gua. 2 ed. rev. So Paulo. CETESB, 1976. v. 10.

2. 7 Os dados e informaes contidos nesta apostila constam de um enfoque geral a respeito dos mananciais para abastecimento pblico do Sistema Tapacur, as etapas de tratamento que a gua sofre ao chegar na ETA, princpios qumicos envolvidos no processo, destino da gua aps tratamento, e controle laboratorial o qual realizado desde o ponto de captao at a distribuio. Integram a apostila fotos e esquemas utilizados para facilitar a leitura e ensejar uma melhor compreenso das questes envolvidas, o layout da ETA, o esquema hidrulico do Sistema Tapacur, esquema do leito filtrante, esquema dos decantadores, informaes adicionais da ETA, um breve histrico do saneamento, ilustraes mostrando formas de se evitar o desperdcio de gua e algumas tabelas dos padres de potabilidade da portaria 1469/00 do Ministrio da Sade. 3. 8 3 Fundamentao Terica 3.1 Mananciais para abastecimento pblico Um manancial uma nascente ou fonte de gua utilizada para vrios fins e classificam-se em: Manancial superficial compreende as guas dos rios, crregos, ribeiro, lagos e reservatrios artificiais. Manancial subterrneo a parte da gua que se encontra totalmente abaixo da superfcie e captada atravs de poos rasos ou profundos. A escolha do manancial se constitui na deciso mais importante na implantao de um sistema de abastecimento de gua. Realiza-se previamente no mesmo, anlises de componentes orgnicos e bacteriolgicos para verificao dos teores de substncias prejudiciais, limitados pela resoluo n 20 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA)4 . E observa-se a vazo mnima do manancial necessria para atender a demanda por um determinado perodo de anos. A - Captao de guas superficiais Captar gua significa aproveitar ou colher nas nascentes (gua corrente) e composta por barragens ou vertedores para manuteno do nvel ou para regularizao da sada da gua na unidade de tempo, dispositivos para impedir a entrada de materiais flutuantes e para controlar a entrada de gua, canais ou tubulaes (adutora) utilizados para conduzir a gua at o seu destino, poos de suco e casa de bombas para abrigar os conjuntos elevatrios. OBS: Barragem uma obra executada em um rio ou crrego, ocupando toda a sua largura, com a finalidade de elevar o nvel de gua do manancial, e aumentar a capacidade de acumular gua alm do seu leito. O Sistema Tapacur comeou a operar em 1977 e possui um universo de atendimento de aproximadamente 60% da cidade do Recife; So Loureno da Mata, Camaragibe e Jaboato (Sede, Socorro e Sucupira). 3.1.1 Rio Tapacur Acumula gua na Barragem Tapacur, localizada em So Loureno da Mata. A gua bruta trazida para a ETA (Estao de Tratamento de gua) atravs da adutora do Tapacur (conjunto de tubulaes), possui uma extenso de 27,3 Km, dimetro 1600mm e capacidade nominal de transporte 3.100 l/s. Ainda no trecho da adutora existe as interligaes do Sistema Vrzea do Una e das elevatrias de Tima e Castelo5 . 4 5 4 Brasil. CONAMA. Resoluo 20, de 18/06/1986 Estabelece classificao das gua, salobras e salinas do territrio nacional. 5 Relatrio do Sistema Tapacur. Recife: COMPESA GPR, 2000. Fig. 01 Barragem Tapacur 4. 9 3.1.2 Rio Duas Unas Acumula gua na Barragem Duas Unas localizada em Jaboato dos Guararapes. Sua adutora transporta 1.000 l/s de gua, por recalque (atravs de bombas) ou por gravidade (proporcionada pelo desnvel existente entre o ponto inicial e final da aduo). Possui um dimetro de 800mm e extenso total de aproximadamente 7,6 km da Barragem at a ETA. 3.1.3 Rio Capibaribe Foi regularizado para operao das elevatrias de Tima e Castelo pelas Barragens do Carpina e Goit. Estas barragens foram construdas para conteno de enchente mas passaram a desempenhar dupla funo, ou seja: conteno de enchente e abastecimento. 3.1.4 Rio Goit Acumula gua na Barragem do Goit, localizada em Paudalho. Possui finalidade e funes idnticas as de Carpina. 3.1.5 Rio Vrzea do Una Acumula gua na Barragem Vrzea do Uma localizada em So Loureno da Mata. Possui uma adutora que funciona no regime de gravidade da barragem de mesmo nome at a injeo no stand pipe em tubos de 800 mm e 3996 m de extenso. B - Elevao de gua bruta realizada atravs da Estao Elevatria, na qual o lquido levado por meio de bombas para um local situado em nvel superior ao terreno circundante. O Sistema Tapacur possui trs Estaes Elevatrias: a) Estao Elevatria Duas Unas: Localizada na BR-232, em Jaboato dos Guararapes, e conduz cerca de 1000 l/s de gua da Barragem Duas Unas at a ETA Tapacur (Castello Branco). Fig. 02 Barragem Duas Unas Fig. 03 Barragem do Goit Fig. 04 Barragem Vrzea do Una Fig. 05 Estao Elevatria Duas Unas: 5. 10 b) Estao Elevatria Tima: Situada na localidade de Tima, prxima BR-408, em So Loureno da Mata, bombeia a gua do Rio Capibaribe e injeta no stand pipe. Possui duas adutoras de 600 mm e transporta 400 l/s. c) Estao Elevatria Castelo: Localizada em So Loureno da Mata, prxima BR-408, bombeia tambm a gua do Rio Capibaribe e injeta na Adutora do Tapacur. Possui uma vazo de 100 l/s 6 . 6 6 Relatrio do Sistema Tapacur. Recife: COMPESA GPR, 2000. Fig. 06 Estao Elevatria Tima Fig. 07 Estao Elevatria Castelo 6. 11 3.2. Etapas do Tratamento da gua Nosso planeta tem muita gua, no entanto, ela no potvel. No pode ser usada sem antes passar por um tratamento por meio de vrios processos, que a limpa e descontamina para garantir a sade e o bem-estar da populao. A finalidade do tratamento remover ou destruir quaisquer microorganismos nocivos, substncias qumicas prejudiciais, bem como materiais em suspenso ou em soluo prejudiciais aparncia ou ao aspecto esttico da gua. Aps o processo de captao da gua num determinado ponto do manancial, a gua bombeada at a Estao de Tratamento onde submetida aos seguintes processos: 3.2.1 Coagulao (mistura rpida) As guas possuem partculas que necessitam de um tratamento qumico capaz de propiciar sua deposio. Este tratamento realizado provocando-se a coagulao (inicio do processo de unio das partculas de sujeira), empregando-se o sulfato de alumnio (que tem a funo de promover a aglomerao das impurezas), e adicionado quando a gua passa pela calha Parshall, provocando-se uma mistura rpida do produto gua. Nesta calha tambm feita a medio de gua que est entrando na ETA. OBS: A aplicao de cal est condicionada necessidade de correo de pH (Parmetro que mede o grau de acidez ou basicidade de uma soluo). Reaes do sulfato de alumnio: Estas reaes ocorrem em duas situaes: a) O sulfato de alumnio reagindo com os sais naturalmente encontrados na gua, resulta na precipitao do hidrxido de alumnio e origina sulfato de clcio e gs carbnico segundo a reao: Al2(SO4)3 + 3 Ca (HCO3)2 2 Al(OH)3 + 3 CaSO4 + 6 CO2 b) O sulfato de alumnio reagindo com sais como carbonato de sdio ou uma base hidrxido de clcio proveniente da converso do pH: 1. Al2(SO4)3 + 3 Na2 CO3 + 4 H2O 2 Al(OH)3 + 3 Na2SO4 + 3 CO2 + H2O O sulfato de alumnio reage com o carbonato de sdio adicionado e origina hidrxido de alumnio, sulfato de sdio e gs carbnico. 2. Al2(SO4)3 + Ca (OH)2 3 CaSO4 + 2 Al2(OH)3 O sulfato de alumnio reage com o hidrxido de clcio adicionado e origina hidrxido de alumnio (precipitante)7 . 3.2.2 Floculao (Mistura lenta) 7 Nesta etapa a gua submetida a uma agitao lenta nos floculadores, que so tanques constitudos de ps giratrias e vo favorecer a continuao do processo de formao de pesados flocos (aglutinao das impurezas). Esta fase deve ser bem conduzida, pois da boa formao dos 7 Consideraes tericas do tratamento da gua. Recife: COMPESA GPR (Gerncia de Produo do Recife), 1999. Fig. 08 Calha Parshall 7. 12 flocos que depender o consumo dos agentes coagulantes, como tambm a eficincia e melhores condies de f

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