apostila civil iii

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Direito Civil III

TEORIA GERAL DOS CONTRATOS

1.1 Conceito e gnese

1.2 Condies de validade dos contratos

1.3 Princpios fundamentais do direito contratual

Procedimentos de ensino

1.1. Conceito e gnese

Conceito

- Orlando Gomes: negcio jurdico bilateral, ou plurilateral, que sujeita as partes observncia de conduta idnea satisfao dos interesses que a regulam. (Contratos. 17.ed. Rio de Janeiro: Forense, 1996. p. 10)

- Roberto Senise Lisboa: trata-se do ajuste de vontades por meio do qual so constitudos, modificados ou extintos os direitos que uma das pessoas tem, muitas vezes, em benefcio de outra. (Manual de Direito civil. Vol. 3. 3.ed. So Paulo: RT, 2005. p. 41)

- Cdigo Civil Italiano, art. 1.321.il contrato lacoordo di due ou pi parti per costituire, regolare ou estinguere tra loro um rapporto giuridico patrimoniale. (o contrato um acordo de duas partes ou mais, para constituir, regular ou extinguir entre elas uma relao jurdica patrimonial).

* O Cdigo Civil Brasileiro no estabelece uma definio de contrato.

Estrutura do contrato

- Partes (bipolaridade da relao contratual: alteridade e composio de interesses).

Obs: art. 117, CC/2002: autocontrato.

- Objeto- imediato (operao)

- mediato (bens jurdicos materiais ou imateriais)

Teorias sobre a natureza jurdica do contrato

Objetivas:

- teoria normativa (Hans Kelsen): acordo de vontades que possui a funo criadora do direito.

- teoria preceptiva (Oscar von Blow): as clusulas contratuais tm natureza de preceito jurdico.

Subjetivas:

- voluntarista (Savigny): a vontade o fundamento dos contratos.

- declarativa (Sailleles): a vontadedeclaradapor ambas as partes o fundamento dos contratos.

A teoria que prevalece na doutrina a teoria declarativa.

Evoluo histrica

No Direito Romano o contrato era instituto solene. Distinguia-se a conveno (conventio) do pacto (pacta) e do contrato (contracto). O compromisso abrangia amancipatio, anexume astipulatio. A obrigao de dar, fazer ou no fazer estabelecida na forma do compromisso assumia a denominao decontractooupacta vestia. A punio para o inadimplemento contratual acarretava responsabilidade patrimonial e corporal (a responsabilidade corporal foi abolida com aLex Poetelia Papiria, de 326 a.C.).

Jusnaturalismo e Direito Cannico: princpio da f jurada. Transformao da concepo de contrato liberdade das formas. Prestgio ao consensualismo.

1804: Cdigo Napoleo (Cdigo Civil Francs). Liberalismo, igualdade formal e patrimonialismo. Contratos paritrios. O cdigo civil francs inspirou toda uma gerao de cdigos denominados oitocentistas.

Revoluo Industrial: incio da fase da despersonalizao da obrigao. Contratos de adeso. Hipossuficincia x igualdade formal.

Dirigismo contratual (liberdade positiva e liberdade negativa). Publicizao das relaes de direito privado. A constitucionalizao do direito civil e sua implicao nas relaes contratuais. Clusulas contratuais gerais. Justia distributiva. O princpio da socialidade.

1.2. Condies de validade dos contratos

Os contratos, enquanto negcios jurdicos que so, desdobram-se em trs planos distintos, conforme estudado em Direito Civil I: existncia, validade e eficcia. (Sugere-se que aqui o professor faa uma breve reviso sobre os pressupostos de existncia, requisitos de validade e fatores eficaciais).

Quanto validade, os contratos seguem os mesmos requisitos do art. 104, CC:

-agente livre e capaz;

Consentimento, no sentido que passamos a analisar, significa a declarao de vontade de cada parte no contrato. O consentimento pressupe declarao de vontade isenta de vcios (erro, dolo, coao) e esclarecida. Fala-se, ento, em consentimento esclarecido, isto , o declarante deve receber todas as informaes relevantes a respeito do objeto e do contedo do contrato a ser celebrado, para que possa manifestar sua vontade com conscincia.

O consentimento representa o acordo de duas ou mais vontades a respeito de uma relao jurdica sobre determinado objeto. O consentimento, para ser vlido, deve recair sobre a existncia e a natureza do contrato, o objeto e as clusulas que o compem.

-objeto lcito, possvel e determinvel;

O contedo do contrato por vezes denominado de objeto do contrato. Seria a regulamentao dos prprios interesses pelos contratantes. o contedo que possui carter normativo hbil para criar, modificar ou extinguir relaes jurdicas.

-forma adequada.

Em regra, a forma no direito contratual livre (princpio do consensualismo). O estudo das espcies contratuais revelar a forma que cada contrato deve/pode assumir.

A forma representa a exteriorizao do acordo de vontades. o modo pelo qual o contedo do contrato exteriorizado. A forma cumpre trs funes: torna certa e isenta de dvidas a manifestao de vontade; demonstra a existncia de uma declarao de vontade apta a produzir efeitos jurdicos; e, por ltimo, protege a boa-f de terceiros.

Importante pontuar que a validade do contrato determinada no momento de sua celebrao, o que se faz relevante em contratos de trato sucessivo que foram aperfeioados durante a vigncia do Cdigo de 1916 e ainda produzem efeitos sob a gide do Cdigo de 2002. Nesse caso, a validade ser apurada conforme as regras do CC/16, mas os efeitos que ainda produzem devero ser adequados ao CC/02, consoante esclarece o art. 2035, caput,CC:

Art. 2.035. A validade dos negcios e demais atos jurdicos, constitudos antes da entrada em vigor deste Cdigo, obedece ao disposto nas leis anteriores, referidas no art. 2.045, mas os seus efeitos, produzidos aps a vigncia deste Cdigo, aos preceitos dele se subordinam, salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execuo.

1.3 Princpios fundamentais do direito contratual

a) Liberdade de contratar. Autonomia da vontade.Pacta sunt servanda.

Autonomia da vontade x autonomia privada.

Em um primeiro momento, aliberdade de contratarest relacionada com a escolha da pessoa ou das pessoas com quem o negcio ser celebrado, sendo uma liberdade plena, em regra (...). Em outro plano, a autonomia da pessoa pode estar relacionada com o contedo do negcio jurdico, ponto em que residem limitaes ainda maiores liberdade da pessoa humana. Trata-se, portanto, daliberdade contratual. (TARTUCE, Flvio.Direito civil: teoria geral dos contratos e contratos em espcie. So Paulo: Mtodo, 2006. p. 70).

Divergncia doutrinria:- autonomia privada (liberdade contratual) autonomia da vontade (liberdade contratual).

- Autonomia privada = autonomia da vontade

- Autonomia da vontade superada pela autonomia privada

A autonomia privada o poder que os particulares tm de regular, pelo exerccio de sua prpria vontade, as relaes que participam, estabelecendo-lhe o contedo e a respectiva disciplina jurdica. Sinnimo de autonomia da vontade para grande parte da doutrina contempornea, com ela porm no se confunde, existindo entre ambas sensvel diferena. A expresso autonomia da vontade tem uma conotao subjetiva, psicolgica, enquanto a autonomia privada marca o poder da vontade no direito de um modo objetivo, concreto e real. (AMARAL, Francisco.Direito civil: introduo. 5.ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2003. p. 348).

Pacta sunt servanda: princpio da fora obrigatria dos contratos. No modelo induvidualista-liberal tpico dos cdigos oitocentistas, esse princpio era tomado como absoluto. No entanto, na concepo atual do direito civil, luz dos preceitos constitucionais vigentes e dos prprios princpios consagrados pelo CC/2002, tal princpio foi relativizado com vistas melhor proteo da dignidade humana.

b) Liberdade de forma

No direito civil brasileiro vigora o princpio da liberdade das formas (princpio do consensualismo), atravs do qual possvel que o contrato seja celebrado pela simples manifestao da vontade. Os efeitos jurdicos do contrato sero gerados independentemente da forma pela qual a vontade se manifestou, a menos que a lei tenha estipulado forma especfica (contratos formais). Logo, os contratos sem forma determinada pela lei so regra na legislao civil ptria.

c) Funo econmica e social do contrato.

Referncias legislativas: art. 421 e 2035, CC/2002.

Art. 421. A liberdade de contratar deve ser exercida em razo e nos limites da funo social do contrato.

Orlando Gomes:Afuno econmico-socialdo contrato foi reconhecida, ultimamente, como a razo determinante de sua proteo jurdica. Sustenta-se que o Direito intervm, tutelando determinado contrato, devido sua funo econmico-social. Em conseqncia, os contratos que regulam interesses sem utilidade social, fteis ou improdutivos no merecem proteo jurdica. Merecem-na apenas os que tm funo econmico-social reconhecidamente til. (Contratos. 17.ed. Rio de Janeiro: Forense, 1996. p. 20)

Gustavo Tepedino:Tal como observado em relao propriedade, em que a estrutura interna do direito remodelada de acordo com sua funo social, concretamente definida, e que se constitui em pressuposto de validade do exerccio do prprio domnio, tambm o contrato, uma vez funcionalizado, se transforma em um instrumento de realizao do projeto constitucional. (...). Disto decorre que a norma do art. 421 no pode ser compreendida apenas como uma restrio ocasional liberdade contratual como se o direito subjetivo de contratar fosse, em si mesmo, essencialmente absoluto, embora sujeito a restries externas mas, antes, o prprio conceito de contrato deve ser reformulado luz da funo social que lhe cometida. (Cdigo civil interpretado: luz da constituio federal. Rio de Janeiro: Renovar, 2006. p. 10)

De uma forma ampla, a insero do princpio da funo social do contrato no Cdigo de 2002 est relacionada revoluo copernicana do direito privado. Por outro