APOSTILA betel - Sociologia da religião

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<p>2011Instituto Bblico Betel Brasileiro</p> <p>Introduo a sociologia da religio</p> <p>Professor:Pr. Josias Mourahttp://josiasmoura.wordpress.com</p> <p>Curso de Sociologia da religio</p> <p>Site: http://josiasmoura.wordpress.com/</p> <p>Pag. 1</p> <p>Sumrio1) 2) 3) 4) Introduo ............................................................................................................................................................. 2 Religio ................................................................................................................................................................. 3 Senso religioso ...................................................................................................................................................... 4 Paradigmas ............................................................................................................................................................ 4 Qual a importncia das pressuposies de uma sociedade? ......................................................................................... 6 Qual a diferena entre o homem comum e o cientista?................................................................................................ 6 A verdade cientfica x verdade religiosa ..................................................................................................................... 7 Algumas consideraes sobre os sistemas de crenas dos individuos .......................................................................... 7 5) Por uma anlise sociolgica: O Simbolismo Religioso............................................................................................ 8 A finalidade do simbolismo religioso ......................................................................................................................... 8 A vida religiosa e o simbolismo ................................................................................................................................. 8 6) O mtodo de investigao da sociologia ................................................................................................................. 9 O Mtodo e os Mtodos ............................................................................................................................................. 9 Mtodo Histrico (promovido por Boas) ...................................................................................................................10 Mtodo Comparativo (empregado por Tylor) ............................................................................................................10 Mtodo Monogrfico (criado por Le Play) ................................................................................................................10 Mtodo Esttico (planejado por Quetelet) .................................................................................................................10 Mtodo Tipolgico (aplicado por Max Weber) ..........................................................................................................11 Mtodo Funcionalista (utilizado por Malinowski) .....................................................................................................11 Mtodo Estruturalista (desenvolvido por Lvi-Strauss)..............................................................................................11 7) 8) 9) 10) 11) 12) 13) 14) Sociologia da Religio em Hume ..........................................................................................................................12 A sociologia da Religio em Durkheim .................................................................................................................13 Weber e a Religio ...............................................................................................................................................14 O que Weber mostra em relao a religio?...............................................................................................................14 O cristo em uma sociedade no-crist .............................................................................................................16 A lei mosaica e os profetas ...............................................................................................................................18 Jesus e os apstolos .........................................................................................................................................24 Religio no brasil.............................................................................................................................................25 OS FILSOFOS MODERNOS E A RELIGIO..............................................................................................33</p> <p>OS PROFETAS........................................................................................................................................................19</p> <p>A religiosidade atual .................................................................................................................................................30 a. Rousseau ..............................................................................................................................................................33 b. Durkheim - As formas elementares da vida religiosa .............................................................................................34 c. Karl Marx .............................................................................................................................................................35 15) 16) 17) 18) 19) BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................................................37 ANEXO I - Ritos corporais entre os Sonacirema .............................................................................................40 ANEXO II -Distribuio das crenas em 2000..................................................................................................45 ANEXO III -Desencantamento do Mundo ........................................................................................................47 Informaes acerca do professor ......................................................................................................................52</p> <p>Curso de Sociologia da religio</p> <p>Site: http://josiasmoura.wordpress.com/</p> <p>Pag. 2</p> <p>Sociologia da religio1) IntroduoSociologia da religio busca explicar as relaes mtuas entre religio e sociedade. Os estudos fundamentam-se na dimenso social da religio (a religio uma instituio social) e na dimenso religiosa da sociedade (os indivduos que compem a sociedade so seres religiosos e praticam rituais revestidos de sacralidade). WACH, (1990, p. 11, 205) diz que a sociologia da religio estuda a inter-relao da religio com a sociedade, e as formas de interao que ocorrem de uma com a outra, e d como bsica para a sociologia da religio a hiptese de que os impulsos, as idias e as instituies religiosas influenciam as formas sociais e, por sua vez, so por elas influenciados, alm de receberem o influxo da organizao social e da estratificao. J NOTTINGHAM, entende que o socilogo da religio ocupa-se dela como um aspecto do comportamento de grupo e estuda os papis que a religio tem desempenhado atravs dos tempos. So campos de pesquisa da sociologia da religio: a) Influncias gerais do grupo sobre a religio; b) Funes dos rituais nas sociedades; c) Tipologias de organizaes religiosas e de respostas religiosas ao mundo ou a ordem social; d) Influncias diretas ou indiretas dos sistemas ideais religiosos na sociedade e seus componentes ou elementos (como classes, grupos de nacionalidades, grupos tnicos) e da sociedade nos sistemas ideais; e) Anlise especfica de nmeros de seitas religiosas e movimentos tais como mormonismo e testemunhas de Jeov; f) Interao de entidades religiosas significativas em mbito local ou de comunidade; g) Avaliaes conscientes ocasionais, feitas por porta-vozes para grupos religiosos mais importantes, das circunstncias sociais nas quais os grupos se encontram.</p> <p>Curso de Sociologia da religio</p> <p>Site: http://josiasmoura.wordpress.com/</p> <p>Pag. 3</p> <p>Esta relao est incompleta e seus itens aparecem por isso menos especificamente sugeridos do que poderiam ser, mas o carter geral dos interesses da sociologia da religio aparece, assim, razoavelmente bem indicados. Considerando que religio diz respeito a todos os homens, devemos, antes de mais nada, proceder a um auto-exame.</p> <p>2) ReligioAo longo de milhares de anos, a religio tem evidenciado um importante papel na vivncia dos seres humanos. Apesar da universalidade que caracteriza o fenmeno religioso, de uma forma ou outra, a religio marca presena em todas as sociedades humanas, influenciando a forma como vemos e reagimos ao meio que nos rodeia. No existe uma definio de religio genericamente aceita, a sua concepo varia naturalmente de sociedade para sociedade, cultura para cultura. No obstante a isto, pode-se enumerar algumas das principais caractersticas "comuns" ou "partilhadas" entre todas as religies: Tradicionalmente, as diferentes religies evidenciam um sistema de crenas no sobrenatural, envolvendo majoritariamente Deuses ou divindades. Implicam igualmente um conjunto de smbolos; sentimentos e prticas religiosas. Paralelamente, a religio apresenta-se como um fenmeno social e no apenas individual. O referido atributo de fenmeno social atribudo religio perpetua-se atravs das cerimnias habituais, que decorrem predominantemente em locais de culto indicados para tal: igrejas, templos ou santurios. Resumidamente, apresentam-se os principais indicadores comuns s vrias religies, que contribuem para uma melhor compreenso do fenmeno religioso: - A tendncia para a sacralizao de determinados locais; - A forte interao com o divino; - A exposio de grandes narrativas que explicam, legitimam e fundamentam o comeo do mundo e sua existncia.</p> <p>Curso de Sociologia da religio</p> <p>Site: http://josiasmoura.wordpress.com/</p> <p>Pag. 4</p> <p>3) Senso religiosoO homem tem como dado emergente em seu comportamento o que, como tendncia, atinge toda a sua atividade a interrogao sobre tudo o que realiza: Que sentido tem tudo? Como escreve o telogo italiano Luigi Giussani: O fator religioso representa a natureza do nosso eu enquanto se exprime em certas perguntas: Qual o significado ltimo da existncia? Por que existem a dor, a morte? Por que, no fundo, vale a pena viver? Ou, a partir de outro ponto de vista: De que e para que feita a realidade? O senso religioso coloca-se dentro da realidade do nosso eu ao nvel dessas perguntas: coincide com aquele compromisso radical do nosso eu com a vida, que se mostra nessas perguntas. (Giussani, 2000, p.71). O senso religioso surge em nossa conscincia atravs de perguntas nascidas no encontro com a filosofia, a arte e toda a realidade circundante. Ele proporciona ao homem uma abertura na busca de uma resposta totalizante. Dessa forma, segundo Giussani, que o senso religioso define o eu: o lugar da natureza onde afirmado o significado do todo. (Giussani, op.cit., p.74). O senso religioso , pois, o mpeto que move o homem rumo busca da exigncia primordial da razo humana: a do significado.</p> <p>4) ParadigmasParadigma (do grego Pardeigma) literalmente modelo, a representao de um padro a ser seguido. um pressuposto filosfico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo cientfico; uma realizao cientfica com mtodos e valores que so concebidos como modelo; uma referncia inicial como base de modelo para estudos e pesquisas. A palavra paradigma geralmente utilizada no contexto de mudana de paradigmas, ou seja, a mudana de um conjunto de idias bsicas generalizadas e compartilhadas sobre a maneira de funcionar do mundo para novas possibilidades de entendimento do real, mudando-se ou ampliando-se o entendimento convencional do real. Esta palavra foi popularizada pelo fsico Thomas Kuhn em seu livro A Estrutura das Revolues Cientficas, publicado em 1962. Os paradigmas funcionam como uma lente colorida atravs da qual ela enxerga o mundo.</p> <p>Curso de Sociologia da religio</p> <p>Site: http://josiasmoura.wordpress.com/</p> <p>Pag. 5</p> <p>Para evitar que existam tantas lentes ou percepes diferentes de uma mesma realidade quanto o nmero de pessoas existentes sobre a terra que existem os paradigmas, que so lentes padronizadas atravs das quais se olha para uma mesma realidade. Paradigmas so os filtros de percepo que criam a nossa realidade subjetiva. Apenas poderemos ver (entenda-se "perceber") o mundo de outra forma se modificarmos nossos paradigmas. Conjuntos de crenas ou verdades relacionadas entre si so chamados de paradigmas. Podemos falar do paradigma espiritual, por exemplo. Vrus e bactrias como causas de doenas outro paradigma, distinto da medicina psicossomtica. A medicina oriental h milnios tem em seu paradigma uma energia vital, chamada de prana ou chi (entre outros nomes), que no est presente no paradigma ocidental, exceto em medicinas e terapias alternativas. Paradigmas e crenas podem subsistir por sculos. O Sol girou em torno da Terra por 1.400 anos. A Fsica at o incio do sculo tinha as leis de Newton como um de seus principais paradigmas. Com a Teoria da Relatividade, esse passou a ser um caso especial de outro paradigma. E continua mudando; no livro Universo Elegante, Brian Greene diz por exemplo que "A sugesto de que o nosso universo poderia ter mais de trs dimenses pode parecer suprflua, bizarra ou mstica. Na realidade, contudo, ela concreta, e perfeitamente plausvel". Crenas e verdades dificilmente subsistem por si s; normalmente elas esto agrupadas, sustentando umas s outras. Por exemplo, acreditar em Jesus Cristo est vinculado a acreditar em coisas espirituais, podendo estar associado tambm crena na existncia do diabo e de outros mundos ou dimenses. Acreditar no diabo envolve tambm acreditar que nossas escolhas podem ser influenciadas por fatores externos e ocultos. Mudar um paradigma pode ser difcil, j que em geral est enraizado nas profundezas do inconsciente e por vezes no sujeito a questionamento ou atualizao por feedback. Mesmo no meio cientfico isto ocorre: o prprio Einstein, que revolucionou os paradigmas da Fsica, teve dificuldades em aceitar a revoluo seguinte, a da Mecnica Quntica. Max Planck (citado por Stanislav Grof no livro Alm do Crebro) disse que "uma nova verdade cientfica triunfa no porque convena seus oponentes fazendoos ver a luz, mas porque eles eventualmente morrem, e uma nova gerao cresce familiarizando-se com ela". Robert Dilts, no livro Crenas, conta que curou o cncer de sua me trabalhando durante quatro dias mudando crenas limitantes e resolvendo conflitos.</p> <p>Curso de Sociologia da religio</p> <p>Site: http://josiasmoura.wordpress.com/</p> <p>Pag. 6</p> <p>Lewis Munford observa que "Cada transformao do homem... apia-se numa nova base ideolgica e metafsica (= vis...</p>