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Legislao e tica Profissional

Professora Adriana Farias

CONCEITO DE TICAA tica um ramo da filosofia que lida com o que moralmente bom ou mau, certo ou errado. As palavras tica e moral tm a mesma base etimolgica: a palavra grega ethos e a palavra latina moral, ambas significam hbitos e costumes. A tica, como expresso nica do pensamento correto conduz idia da universalidade moral, ou ainda, forma ideal universal do comportamento humano, expressa em princpios vlidos para todo pensamento normal e sadio. O termo tica assume diferentes significados, conforme o contexto em que os agentes esto os agentes envolvidos. Uma definio particular diz que a tica nos negcios o estudo da forma pela qual normas morais pessoais se aplicam s atividades e aos objetivos da empresa comercial. No se trata de um padro moral separado, mas do estudo de como o contexto dos negcios cria seus problemas prprios e exclusivos pessoa moral que atua como um gerente desse sistema.1 Outro conceito difundido de tica nos negcios diz que tico tudo que est em conformidade com os princpios de conduta humana; de acordo com o uso comum, os seguintes termos so mais ou menos sinnimos de tico: moral, bom, certo, justo, honesto.2 As aes dos homens so, habitualmente , mas no sempre, um reflexo de suas crenas: suas aes podem diferir de suas crenas, e , ambas, diferirem do que eles devem fazer ou crer. Esse o caso, por exemplo, do auditor contbil independente que foi escalado por seu gerente de auditoria, para auditar as contas de uma empresa de auditoria e que tem relaes de parentesco com o presidente dela. Ao aceitar tal tarefa, o profissional estar agindo de acordo com sua crena, a de que ele consegue separar assuntos pessoais dos profissionais e que, portanto, nada h de errado em auditar as referidas contas. luz da tica profissional, o auditor deve solicitar sua excluso da tarefa a ele incumbida, comunicando as razes para o gerente de auditoria. Desse modo, ele estar agindo de acordo com a crena difundida de que este o procedimento correto. O comportamento esperado da empresa, tambm luz da tica profissional, ser o de que ela substitua o auditor designado. Espera-se, assim, estar comunicando

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NASH, Laura. tica nas empresas. So Paulo : Makron Books do Brasil, 1993, p. 6 BAUMHART, Raymond, S. J. tica em negcios. Rio de Janeiro : Expresso e Cultura, 1971.

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implicitamente sociedade que a firma de auditoria age com absoluta retido de procedimentos, e em conformidade com suas expectativas.

OBJETO E OBJETIVO DA ETICAA tica, enquanto ramo do conhecimento, tem por objeto o comportamento humano do interior de cada sociedade. O estudo desse comportamento, com o fim de estabelecer os nveis aceitveis que garantam a convivncia pacfica dentro das sociedades e entre elas, constitui o objetivo da tica.

FUNAO DA ETICAEm qualquer sociedade que se observe, ser sempre notada a existncia de dilemas morais em seu interior. Os dilemas morais so um reflexo das aes das pessoas, e surgem a partir do momento em que, diante de uma situao qualquer, a ao de um indivduo ou de um grupo de indivduos, contraria aquilo que genericamente a sociedade estabeleceu como padro de comportamento para aquela situao. O comportamento das pessoas, enquanto fruto dos valores nos quais cada um acredita, sofre alteraes ao longo da histria. Tal fato significa que aquilo que sempre foi considerado como um comportamento amoral pode, a partir de determinado momento, passar a ser visto como um comportamento adequado luz da moral Quando, por exemplo, um pas se envolve em uma guerra, os habitantes desse pas (ou pelo menos grande parte deles) esto assumindo um comportamento que normalmente condenam em tempo de paz, qual seja, matar seus semelhantes. Os problemas relacionados com o comportamento do ser humano encontramse inseridos no campo de preocupaes da tica. Ainda que no torne os indivduos moralmente perfeitos, a tica tem por funo investigar e explicar o comportamento das pessoas ao longo das vrias fases da histria. Essa funo apresenta-se como de grande relevncia, tanto no sentido de se entender o passado, quanto de servir como parmetro para fixao de comportamentos padres, aceitos pela maioria, visando a diminuir o nvel de conflitos de interesses dentro da sociedade.

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FONTES DAS REGRAS ETICAS:O fato de se considerar a tica como a expresso nica do pensamento correto implica a idia de que existem certas formas de ao preferveis a outras, s quais se prendem necessariamente um esprito julgado correto. Tomando-se por base essa definio, existiria uma natureza humana verdadeira que seria a fonte primeira das regras ticas. 1a FONTE DAS REGRAS ETICAS: Essa natureza humana verdadeira seria aquela do homem sadio e puro, em que habitariam todas as virtudes do carter ntegro e correto. Toda ao do homem tico seria uma ao tica. (universalidade tica). 2a FONTE DAS REGRAS ETICAS: Existem, ainda , normas de carter diverso e at mesmo oposto idia da universalidade tica: as relacionadas forma ideal universal e comum do comportamento humano, expressa em princpios vlidos para todo pensamento so. Essa seria a segunda fonte das regras ticas. 3a FONTE DAS REGRAS TICAS: A conseqncia da busca refletida dos princpios do comportamento humano. Assim, cada significado do comportamento tico torna-se-ia objeto de reflexo por parte dos agentes sociais. Essa seria a procura racional das razes da conduta humana. 4a FONTE DAS REGRAS TICAS: A legislao de cada pas, ou de foros internacionais, ou mesmo os cdigos de tica Empresarial e Profissional. No obstante a literatura mencionar as leis como fonte de regras ticas, de acreditar que dificilmente um conjunto de leis poderia legislar satisfatoriamente sobre tica, pois uma lei especfica no poderia abarcar todas as situaes que surgissem sobre determinado assunto, e, tambm, porque nem toda lei pode ser considerada tica. 5a FONTE DAS REGRAS TICAS: Normas ticas vem dos costumes.

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A TICA NA EMPRESAVoc j sabe que a fase atual da economia capitalista criou um clima favorvel ao surgimento de inmeras interpretaes tanto otimistas como pessimistas quanto ao futuro da sociedade do trabalho. Sabe, tambm, que o conhecimento uma condio indispensvel ao exerccio da liberdade e, portanto, da cidadania. Por isso no podemos desconhecer que a possibilidade de estend-lo grande massa dos trabalhadores (durante tanto tempo excludos de seu acesso) cria perspectivas de que se venha a resgatar o valor do trabalho. E isso permite instituir uma nova tica nas empresas e na sociedade como um todo. hoje uma tendncia cada vez mais constante na organizao das fbricas a tomada de conscincia sobre a importncia de que o trabalho seja estruturado a partir de tarefas globais. Elas seriam executadas por equipes de profissionais suficientemente qualificados para dar conta de um mximo de atividades e para assumir responsabilidade com autonomia e criatividade. Essa forma de estruturao do trabalho no s representa o rompimento com o taylorismo, como tambm anuncia uma nova orientao relativa a polticas de recursos humanos. Tal poltica visa autodeterminao e ao crescimento de todos os envolvidos no processo de trabalho nas organizaes. Mas seria ingnuo acreditar que a revalorizao e o futuro da sociedade do trabalho dependeriam exclusivamente de uma poltica de recursos humanos voltada para a qualificao do trabalhador. Sabe-se que, numa economia globalizada, com um processo de produo flexvel, a qualificao do trabalho no garantida de emprego e nem o cria. No entanto, no resta dvida de que, no atual quadro econmico, os novos empregos passaro a absorver os trabalhadores mais qualificados. Nessas circunstncias, uma reflexo sobre a dimenso tica empresas dever passar necessariamente pelo resgate da qualificao profissional, mais incluir outros aspectos organizacionais, fundamentais ao resgate da dimenso pblica da tica e, conseqentemente, ao resgate da cidadania.

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DA RESPONSABILIDADE E DO COMPROMISSO COM A COMUNIDADE:Para pensar a questo tica nas organizaes empresariais necessrio, antes de tudo, definir o objetivo desse tipo de organizao. Uma organizao empresarial, utilizando determinada tecnologia, produz algum bem ou servio, para ser comercializado em funo do atendimento a demandas da sociedade. Cabe empresa desempenhar com qualidade sua misso especfica. Assim, por exemplo, espera-se de uma universidade que ela prepare o profissional do futuro; de um hospital, que cuide da doena; de uma indstria automobilstica, que produza bons carros; de um restaurante, que oferea boa comida. Por outro lado, esse desempenho no pode estar dissociado de seu objetivo principal, que a obteno de lucro. LUCRO O PERCENTUAL QUE EXCEDE AS DESPESAS COM MATRIAPRIMA, TECNOLOGIA, SALRIOS E QUE SE FAZ EMBUTIR NO PREO FINAL DO PRODUTO. Mas no se pode perder de vista que uma organizao empresarial est localizada numa comunidade. Ela oferece emprego aos moradores, paga impostos e a tecnologia que utiliza causa algum impacto sobre essa comunidade. Logo, ao refletir sobre a dimenso tica na empresa, precisamos compreender que, alm dos compromissos relativos ao seu funcionamento interno, a organizao empresarial possui compromissos externos, de ordem social. E quais so esses compromissos? Como honr-los? Vamos analisar, inicialmente, a questo do lucro, seu objetivo primeiro. Essa, que parece uma questo de interesse exclusivo da empresa, tem tambm importantes repercusses sociais. A primeira responsabilidade de uma empresa apresentar um bom desempenho econmico, de forma a cobrir custos e acumular capital. A conseqncia do seu sucesso econmico tende a se desdobrar socialmente em empregos, melhores salrios e arrecadao