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  • UNIVERSIDADE PRESIDENTE ANTONIO CARLOS UNIPAC CAMPUS II UB MG

    LNGUA PORTUGUESA: TEORIA E PRTICA

    Prof: Ilza Corra Ribeiro (Organizadora)

    2007

  • NDICE 1. ELEMENTOS DA LINGUAGEM .............................................................................. 2

    1.1. CONCEITO ....................................................................................................... 2 1.2. DENOTAO E CONOTAO ........................................................................ 2 1.3. VARIABILIDADE LINGSTICA ....................................................................... 3 1.4. AS ARMADILHAS DAS PALAVRAS................................................................. 4 1.5. ORDENAO DA LINGUAGEM ...................................................................... 5 1.6. A REPETIO ENFTICA E O PLEONASMO VICIOSO ................................ 6 1.7. PROBLEMAS COMUNS NA INTERPRETAO DE TEXTOS ........................ 7 1.8. PROBLEMAS DA LNGUA CULTA .................................................................. 8 1.8. ORTOEPIA E PROSDIA .............................................................................. 14 1.9. ORTOFONIA .................................................................................................. 14 1.10. ORTOEPIA ................................................................................................... 15 1.11. PROSDIA ................................................................................................... 15 1.12. OXTONAS ................................................................................................... 15 1.13. PAROXTONAS ............................................................................................ 15 1.14. PROPAROXTONAS .................................................................................... 16 1.15. EMPREGO DOS SINAIS DE PONTUAO ................................................ 16 1.16. EMPREGO DO HFEN ................................................................................. 20 1.17. ORTOGRAFIA .............................................................................................. 21 1.18. ACENTUAO GRFICA ............................................................................ 23 1.19. HOMONMA .................................................................................................. 24 1.20. ARONMIA .................................................................................................... 25 1.21. VERBO ......................................................................................................... 31 1.22. VERBOS IRREGULARES ............................................................................ 32 1.22. PRONOME DE TRATAMENTO .................................................................... 44 1.23. A ARTICULAO DO TEXTO ...................................................................... 57 1.24. CONCORDNCIA VERBAL ......................................................................... 64 1.25. SINTAXE ...................................................................................................... 69 1.26. CONCORDNCIA NOMINAL ....................................................................... 75 1.27. COLOCAO PRONOMINAL ...................................................................... 78

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS 84

  • 2

    1. ELEMENTOS DA LINGUAGEM

    1.1. CONCEITO

    A linguagem a faculdade que o homem tem de exprimir seus estados mentais por meio de um sistema de sons vocais chamado lngua que se organiza numa representao compreensiva em fase do mundo exterior objetivo e interior subjetivo e se concretiza pela atividade da fala. Uma das peculiaridades da linguagem a distino entre sua forma oral e a escrita. Na primeira h muita liberdade de organizao dos recursos que o sistema da lngua nos oferece; na segunda essa liberdade relativa, dependendo do objetivo do texto, de seu destinatrio. O cdigo lingstico rico e as situaes de comunicao tambm. O emissor tem a tarefa de fazer suas escolhas com critrios adequados para no prejudicar a eficcia de sua comunicao. Uma importante lembrana o fato de que na oralidade o interlocutor est presente, na atividade escrita o interlocutor est ausente e este fato indica que as estratgicas da escrita so muito diferentes das estratgias da fala. Vejamos a reproduo de um breve dilogo. _ Veja isso. _ Hum! Que lindo! _ Diferente, n? _ Na outra revista estava mais ousado o ngulo, nessa ta mais ... sei l ... _ Me empresta um pouquinho? _ C quer mesmo? Pode levar.

    1.2. DENOTAO E CONOTAO

    Compare as duas mensagens: A Comprei uma geladeira nova. B Minha namorada est uma geladeira comigo. O signo lingstico geladeira tem dois significados, havendo, portanto, dois signos lingsticos a se considerar e no apenas o que chamamos de palavra, que uma s na verdade. preciso considerar que a lngua constitui-se de um sistema de signos lingsticos que utiliza sinais combinados de determinada maneira, possibilitando a transmisso de mensagem. A comunicao s existe quando receptor e emissor dominam o cdigo utilizado. Ex.: Comprei uma casa nova E um trepadest aste. No h comunicao, mas o receptor ouviu uma seqncia de sons que no so signos lingsticos, pois no tm significado. Para que haja signo lingstico, alm da parte sonora, deve haver uma idia, um significado. Logo, o SL constitui-se de:

    a) Significante: parte material, sons/letras;

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    b) Significado: parte psquica (idia/contedo). Cada vez que se altera um dos elementos, h um novo signo lingstico. Considerando a palavra geladeira, vamos observar o SL 1, empregado no seu sentido prprio, sem permitir outras interpretaes. a significao bsica dos elementos lingsticos na funo informativa da linguagem. a linguagem denotativa. O SL 2 empregado com novo significado, a ele atribudo, nem sempre dicionarizado, comum na linguagem expressiva. a linguagem conotativa.

    1.3. VARIABILIDADE LINGSTICA

    NVEIS DE FALA

    Podemos reconhecer, dentre as variantes lingsticas usadas pelos falantes dois grandes nveis: o coloquial (ou informal) e o formal (ou culto). O nvel formal caracteriza-se por uma linguagem mais obediente s normas gramaticais, estando, portanto, menos sujeito a variaes. O nvel coloquial representado pelas formas de linguagem usadas na conversao diria, num ambiente descontrado. bem espontneo e natural. Esse nvel, entretanto, apresenta caractersticas variadas, pois depende muito do grau de instruo dos falantes, de sua condio social, etc. Deve-se ressaltar, porm, que essa distino no significa que um nvel seja melhor do que o outro. O que interessa a adequao do nvel empregado situao em que ocorre o ato de fala. Se o objetivo de um indivduo falar para ser bem compreendido pelo ouvinte, ele deve saber usar adequadamente os nveis de fala. O reconhecimento das vrias possibilidades de organizao das mensagens favorece uma pessoa, pois se torna capaz de estabelecer contato com interlocutores de formao variada e em situaes diversas. Imagine um mdico, por exemplo, tentando explicar a um analfabeto as caractersticas de uma doena. Se no tiver conscincia das diversidades lingsticas, o mdico nunca se far compreender. Alm disso, no devemos esquecer que, em nossa sociedade, o conhecimento da norma culta um dos meios de valorizao social, alm de permitir ainda o acesso a formas mais elaboradas de cultura, tanto no campo da arte como no da cincia. Leia o texto de Stanislau Ponte Preta, destaque as expresses tpicas de nvel coloquial e substitua-as por termos equivalestes do nvel formal:

    TEXTO

    VAMOS ACABAR COM ESSA FOLGA

    O negcio aconteceu num caf. Tinha uma poro de sujeitos sentados nesse caf, tomando uma e outras. Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemes, o diabo. De repente um alemo forte para cachorro levantou e gritou que no via homem para ele ali dentro. Houve surpresa inicial, motivada pela provocao, e logo um turco, to forte como o alemo, levantou-se de l e perguntou: _ Isso comigo? _ Pode ser com voc tambm respondeu o alemo.

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    A ento o turco avanou para o alemo e levou uma traulitada to segura que caiu no cho. Vai da o alemo repetiu que no havia homem ali dentro para ele. Queimou-se ento um portugus que era maior ainda do que o turco. Queimou-se e no conversou. Partiu para cima do alemo e no teve outra sorte. Levou um murro debaixo dos queixos e caiu sem sentidos. O alemo limpou as mos, deu mais um gole no chope e fez ver aos presentes que o que ele dizia era certo. No havia homem para ele ali naquele local . Levantou-se ento um ingls troncudo pra cachorro e tambm entrou bem. E depois do ingls foi a vez do francs, depois de um noruegus, etc., etc. At que, l do canto do caf, levantou-se um brasileiro magrinho, cheio de picardia para perguntar, como os outros: _ Isso comigo? O alemo voltou a dizer que podia ser. Ento o brasileiro deu um sorriso cheio de bossa e veio vindo gingando pro lado do alemo. Parou perto, balanou o corpo e ... PIMBA! O alemo deu-lhe uma porrada na cabea com tanta fora que quase desmonta o brasileiro. Como, minha senhora? Qual o fim da histria? Pois a histria termina a que pros brasileiros perderem essa mania de pisar manso e pensar que so mais malandros do que os outros. (In Tia Zulmira e eu, Rio de Janeiro, Civilizao Brasileira, 1960, p.71).

    1.4. AS ARMADILHAS DAS PALAVRAS

    As palavras podem se tornar um problema, se nos deixarmos dominar por elas. O uso popular tende a fixar-se mais que o culto e formal, provocando desvios da norma em vrias reas da gramtica normativa. Observemos alguns exemplos: 1 - Problemas ortogrficos: a) O professor Daniel no gosta de dar aulas germinadas. b) A chuva parece eminente. c) No percebi que a cela do cava