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A tirania do automovel num planeta poluido

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  • NED

    LUD

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    rg.)

    Este livro resultado da rica crtica anticarro que atinge diversos nveis em nossa sociedade. A diversidade de idias e aes propostas um bom exemplo disso.

    Ivan Illich, morto em dezembro de 2002, foi um dos mais destacados pensadores da segunda metade do sculo XX e desenvolveu idias originais em assuntos como desenvolvimento sustentvel, sade e pedagogia. Seu texto Energia e Eqidade um clssico sobre o assunto.

    Mr. Social Control um performer, poeta e ativista britnico muito conhecido nos meios radicais.

    Andr Gorz intelectual conhecido em todo o mundo vive na Frana e tem 16 livros publicados, muitos deles lanados no Brasil.

    Ned Ludd tambm o organizador do livro Urgncia das Ruas Black Block, Reclaim The Streets e os Dias de Ao Global, tambm lanado pela Coleo Baderna.

    Alm desses autores, o livro apresenta textos de grupos, indivduos e publicaes radicais que se opem cultura do carro e a todos os seus prejuzos.

    Apocalipse Motorizado A Tirania do Automvel em um Planeta Poludo apresenta no apenas uma anlise

    da insustentvel organizao de nosso atual sistema de transportes, mas tambm sugestes de como, na prtica,

    se opor de maneira inteligente e criativa ditadura do automvel.

    Rene alguns dos mais importantes representantes do pensamento ecolgico radical, como Ivan Illich

    e Andr Gorz.

    O pensamento radical sobre o papel do carro na nossa sociedade, a histria do movimento anticarro, seu objetivo,

    como organizar uma Massa Crtica em sua cidade, sugestes de manifestaes bem-humoradas: tudo

    condensado neste livro bombstico, um verdadeiro banquete para quem no aceita car parado, vendo o trfego passar

    fazendo suas vtimas.

    Um alerta para a tirania do automvel.O ESTADO DE S. PAULO

    Carros matam, poluem e escravizam; essa a tnica do livro Apocalipse Motorizado, que combate

    a cultura do automvel.DIRIO DO GRANDE ABC

    APOCALIPSE MOTORIZADOA TIRANIA DO AUTOMVEL EM UM PLANETA POLUDO

    Os Cavaleiros do Apocalipse esto a caminho... e vm motorizados!

    Quantos tm que se sacricar para que alguns possam se sentar confortavelmente em seus carros para se aventurarem em vias cada vez mais congestionadas? Por que aceitamos um meio de transporte que causa mais mortes anualmente do que qualquer guerra em curso na atuali-dade? Por que devemos nos sujeitar ditadura das indstrias automobi-lstica e petrolfera? Por que admitir que mais e mais hectares de terra produtiva percam lugar para rodovias asfaltadas?

    Essas e outras questes encontram respostas em Apocalipse Motoriza-do A Tirania do Automvel em um Planeta Poludo. At mesmo a obriga-toriedade de possuir um carro nas cidades modernas questionada a partir de uma perspectiva radical e inovadora.

    NED LUDD (org.)

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    A ARTE DA SUBVERSO PARA AS NOVAS GERA-

  • APOCALIPSE MOTORIZADOA TIRANIA DO AUTOMVEL EM UM PLANETA POLUDO

  • NED LUDD (org.)

    APOCALIPSE MOTORIZADOA TIRANIA DO AUTOMVEL EM UM PLANETA POLUDO

  • CONRAD LIVROS Rua Simo Dias da Fonseca, 93 Cambuci

    So Paulo SP 01539-020Tel: 11 3346.6088 Fax: 11 3346.6078

    livros@conradeditora.com.brwww.conradeditora.com.br

    CAPA: Johnny Freak

    TRADUO: Leo Vinicius

    PREPARAO DE TEXTO: Ricardo Rosas

    REVISO: Alexandre Boide

    DIAGRAMAO: Denis C. Y. Takata

    ILUSTRAES: Andy Singer

    PRODUO GRFICA: Priscila Ursula dos Santos (Gerente),

    Leonardo Alves Borgiani, Alberto Veiga e Andr Braga

    www.baderna.org

    Agradecemos a Andy Singer as ilustraesgentilmente cedidas para este livro.

    We are very grateful to Andy Singer for gently giving us permission to reproduce the book ilustrations.

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

    Apocalipse motorizado : a tirania do automvel em um planeta poludo / Ned Ludd, (org.) ; [traduo Leo Vinicius ; ilustraes de Andy Singer]. -- 2. ed. rev. -- So Paulo : Conrad Editora do Brasil, 2005. -- (Coleo Baderna)

    Vrios autores.Bibliograa.ISBN: 85-87193-95-3

    1. Automveis - Aspectos sociais I. Ludd, Ned.II. Singer, Andy. III. Srie.

    05-2886 CDD-303.484

    ndices para catlogo sistemtico:1. Lutas anticarro : Sociologia 303.484

  • SUMRIO

    Apresentao ........................................................................... 9

    Carros e Remdios

    Ned Ludd ..................................................................... 15

    Energia e Eqidade

    Ivan Illich ..................................................................... 33

    A Ideologia Social do Automvel

    Andr Gorz ................................................................... 73

    A Importncia do Carro para a Economia Moderna

    Aufheben ..................................................................... 83

    Acabem com Todos os Carros

    Mr. Social Control ....................................................... 103

    Abaixo o Carro... Viva a Bicicleta!

    Caroline Granier ......................................................... 119

    Ns Somos o Trnsito! ou Everyday is a Holiday

    Ned Ludd ................................................................... 123

    Apndice 1: Algumas informaes adicionais ....................... 129

    Apndice 2: Algumas idias de aes anticarro

    Car Busters ................................................................ 135

    Apndice 3: Como criar uma Massa Crtica:

    lies e idias da experincia de San Francisco .......... 141

  • APRESENTAO

    UM DOS MARCOS DA DECEPO com as autoridades de esquer-da no pas foi, em 2002, a liberao do marketing da indstria de cigarro durante o Grande Prmio Brasil de Frmula 1. A po-lmica foi imensa, com as lamentaes envergonhadas de alguns e a alegria incontida da direita tucanal que pde mais uma vez cantar seu refro vitorioso: Somos todos iguais!.

    No entanto, em meio a tantas consideraes a respeito do que signicam as propagandas de cigarro e do mau exemplo que seriam para a juventude, no houve nem uma boa alma a lembrar que, se estamos realmente levando a srio essa conversa, o que, antes de tudo, deveria ser proibido o prprio Grande Prmio de Frmula 1. Existe exemplo pior para um pas que lder em acidentes de automvel?

    Os nmeros so espetaculares: O Departamento Nacional de Trnsito (Denatran) fala em cerca de 20 mil mortos por ano no trnsito das cidades e das estradas. Os nmeros reais, embora no ociais, estariam entre 35 mil e 50 mil mortos por ano.1 Segundo dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econ-

    1. Folha de S.Paulo, 1o de junho de 2003, texto de Aureliano Biancarelli e Roberto

  • 10 Apocalipse Motorizado

    mica Aplicada), so, no Brasil, pouco mais de 1 milho de pes-soas envolvidas direta ou indiretamente em acidentes de automvel por ano! Isso porque o IPEA considera apenas acidentes em reas urbanas e no inclui dados a respeito dos que acontecem nas estradas.

    Se razo para os patriotas carem orgulhosos das vitrias de seus pilotos na Frmula 1 ou na Indy, talvez tambm seja motivo de orgulho saber que enquanto nos pases europeus e nos EUA a mdia de duas mortes/ano por 10 mil veculos, no Brasil essa taxa de 6,8 mortos.

    Se usssemos contra as propagandas de automvel a mesma l-gica com a qual se atacam lmes, desenhos animados e msica rap, h muito elas estariam proibidas. Veramos ento um destes especialistas em estatsticas demonstrando, por exemplo, que o aumento de acidentes de automvel no Brasil aconteceu depois da primeira vitria de Fittipaldi na Frmula 1. Ou armando que mulheres se envolvem menos em acidentes graves porque assistem menos a corridas e porque as propagandas tpicas de automvel no so feitas para elas.

    No vou aqui, claro, propor mais uma destas tediosas campa-nhas moralistas.1 No entanto, muito mais do que urgente chamar a ateno para o fato de que a relao da sociedade brasileira com o automvel especialmente doentia, mesmo para os padres patolgicos com que o mundo ocidental trata do assunto.

    Pode ser espantosa a constatao de que boa parte da classe mdia brasileira investe mais em seus carros que em casa prpria. Mas ainda mais divertido ver que essa mesma classe mdia, que se pe histrica ante a idia de que o lho adolescente possa ter acesso a um cigarro de maconha ou a um videogame violento, v com declarado orgulho que o mesmo adolescente j sabe dirigir aos 14 ou 15 anos. Como se carro no fosse algo muito mais perigoso que um baseado.2

    1 . D e i x o a p e n a s a s u g e s t o d e q u e R o d o v i a Ay r t o n S e n -na que um dia foi dos Trabalhadores seja re-rebatizada Ro-dovia Tamburello, para lembrar aos candidatos a pilotos que mesmo os bons do volante podem se machucar com o excesso de velocidade. 2. Nada contra adolescentes no volante. Anal todos os motoristas tendem a car iguais depois da primeira marcha.

  • 11Ned Ludd (org.)

    Isso no resultado apenas da conhecida ignorncia da classe mdia brasileira. O culto ao automvel, tambm ele, tem bases bem terrestres. Relaciona-se diretamente ao projeto de industrializao que resultou do pacto das elites brasileiras com as grandes mul-tinacionais do automvel. Se tal projeto foi um grande desastre social e ecolgico, foi tambm, por bom tempo, uma maravilha para os nmeros e as estatsticas econmicas. Um dos mais ce-lebrados exemplos de rpida modernizao (ao lado da URSS de Stalin, do Chile de Pinochet, da Cingapura de Lee Kuan Yew etc.). Modernizao que tornou possvel no s a popularizao do

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