APLICAÇÃO DE MODELO HIDROLÓGICO NA SUB-BACIA DO ?· CAPÍTULO 2: Caracterização ambiental e fisiográfica…

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MINISTRIO DA EDUCAO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

PR-REITORIA DE PS-GRADUAO E PESQUISA NCLEO DE PS-GRADUAO E ESTUDOS EM RECURSOS NATURAIS

APLICAO DE MODELO HIDROLGICO NA SUB-BACIA DO RIACHO DAS CAPIVARAS/SE COMO FERRAMENTA DE

AUXLIO AO PLANEJAMENTO AMBIENTAL

FABRCIA NASCIMENTO ROSAS

2009

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MINISTRIO DA EDUCAO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

PR-REITORIA DE PS-GRADUAO E PESQUISA NCLEO DE PS-GRADUAO E ESTUDOS EM RECURSOS NATURAIS

FABRCIA NASCIMENTO ROSAS

APLICAO DE MODELO HIDROLGICO NA SUB-BACIA DO RIACHO DAS CAPIVARAS/SE COMO FERRAMENTA DE

AUXLIO AO PLANEJAMENTO AMBIENTAL

Dissertao apresentada Universidade Federal de Sergipe, como parte das exigncias do Curso de Mestrado em Agroecossistemas, rea de concentrao Sustentabilidade de Agroecossistemas, para obteno do ttulo de Mestre.

Orientador

Prof. Dr. Arisvaldo Vieira Mllo Jnior

SO CRISTVO SERGIPE BRASIL

2009

FABRCIA NASCIMENTO ROSAS

APLICAO DE MODELO HIDROLGICO NA SUB-BACIA DO RIACHO DAS CAPIVARAS/SE COMO FERRAMENTA DE

AUXLIO AO PLANEJAMENTO AMBIENTAL

Dissertao apresentada Universidade Federal de Sergipe, como parte das exigncias do Curso de Mestrado em Agroecossistemas, rea de concentrao Sustentabilidade de Agroecossistemas, para obteno do ttulo de Mestre.

APROVADA em 28 de maio de 2009.

Prof. Dr. Alceu Pedrotti UFS

Dr. Marcus Aurlio Soares Cruz CPATC/EMBRAPA

Prof. Dr. Arisvaldo Vieira Mllo Jnior UFS

(Orientador)

SO CRISTVO

SERGIPE BRASIL 2009

SUMRIO

LISTA DE FIGURAS ................................................................................. vi

LISTA DE TABELAS ................................................................................... viii

LISTA DE SIGLAS E ABREVIAES ...................................................... ix

RESUMO ....................................................................................................... x

ABSTRACT ................................................................................................... xi

CAPTULO 1 ................................................................................................. 1

1. Introduo Geral ........................................................................................ 1

2. Referencial Terico .................................................................................... 4

3. Referncias Bibliogrficas ......................................................................... 10

CAPTULO 2: Caracterizao ambiental e fisiogrfica da sub-bacia do

Riacho das Capivaras .....................................................................................

14

1. Resumo ...................................................................................................... 14

2. Abstract ...................................................................................................... 15

3. Introduo .................................................................................................. 16

4. Referencial Terico .................................................................................... 17

5. Material e Mtodos .................................................................................... 21

5.1. rea de estudo ......................................................................................... 21

5.2. Levantamento fisiogrfico da sub-bacia do Riacho das Capivaras ........ 22

5.2.1. rea da Bacia ..................................................................................... 23

5.2.2. Comprimento da Bacia ...................................................................... 23

5.2.3. Fator Forma (Ff) ................................................................................ 23

5.2.4. Coeficiente de compacidade (Kc) ...................................................... 24

5.2.5. ndice de Circularidade (Ic) ............................................................... 24

5.2.6. Declividade mdia da Bacia ............................................................... 25

5.2.7. Declividade mdia do rio principal .................................................... 25

5.2.8. Densidade dos cursos dgua (Ds) ..................................................... 25

5.2.9. Densidade de drenagem (Dd) ............................................................. 26

5.3. Levantamento dos aspectos ambientais .................................................. 27

5.3.1. Reserva Legal e reas de Preservao Permanente (APPs).............. 27

5.3.2. Extrao Mineral ................................................................................ 31

5.3.3. Ocupao urbana Assentamento de Reforma Agrria .................... 34

6. Resultados e Discusses ............................................................................ 35

6.1. Caractersticas fisiogrficas .................................................................... 35

6.2. Aspectos Ambientais .............................................................................. 37

6.2.1. Uso e ocupao do solo ...................................................................... 37

6.2.2. Reserva Legal e reas de Preservao Permanente (APPs) ............. 45

6.2.3. Extrao mineral ................................................................................ 48

6.2.4. Ocupao urbana Assentamento de Reforma Agrria .................... 49

7. Concluses ................................................................................................. 52

8. Referncias Bibliogrficas ......................................................................... 54

CAPTULO 3: Aplicao de modelo hidrolgico na Bacia do Riacho das

Capivaras/SE como ferramenta de auxlio ao planejamento ambiental ........

63

1. Resumo ...................................................................................................... 63

2. Abstract ...................................................................................................... 64

3. Introduo .................................................................................................. 65

4. Referencial Terico .................................................................................... 66

4.1. Bacias Hidrogrficas ............................................................................... 66

4.2. Ciclo hidrolgico e Escoamento superficial ........................................... 69

4.3. Modelagem hidrolgica .......................................................................... 72

4.4. Mtodo do SCS ....................................................................................... 76

4.4.1. Grupos hidrolgicos dos solos ........................................................... 78

4.4.2. Classe de tratamento, uso e condio hidrolgica do solo.................. 82

4.4.3. Desenvolvimento matemtico do MSCS ........................................... 84

4.5. Curva de permanncia de vazes ............................................................ 85

4.6. Simulao de cenrios ............................................................................. 87

5. Material e Mtodos .................................................................................... 89

5.1. Descrio da sub-bacia hidrogrfica ....................................................... 89

5.1.1. Localizao ........................................................................................ 89

5.1.2. Clima .................................................................................................. 89

5.1.3. Solo e uso atual .................................................................................. 89

5.1.4. Caracterizao hidrolgica ................................................................. 92

5.2. Mtodo do SCS ....................................................................................... 93

5.3. Cenrios .................................................................................................. 94

6. Resultados e Discusses ............................................................................ 97

7. Concluses ................................................................................................. 103

8. Referncias Bibliogrficas ......................................................................... 105

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 Localizao da sub-bacia hidrogrfica do Riacho das Capivaras ........................................................................................................

21

Figura 2 Precipitao pluviomtrica mdia mensal na sub-bacia do Riacho das Capivaras no perodo de 1948-1970 ........................................

22

Figura 3 Forma alongada e densidade dos cursos dgua da sub-bacia do Riacho das Capivaras ....................................................................

36

Figura 4 Imveis da sub-bacia do Riacho das Capivaras apgrupados por rea.................................................................................................

38

Figura 5 Percentual de ocupao de cada imvel na rea da sub-bacia do Riacho das Capivaras ..................................................................

38

Figura 6 Paisagem com predominncia de relevo ondulado, ocupada com pastagem e pequenos testumunhos de mata nativa........................

39

Figura 7 Pastagem degradada, apresentando solo exposto........................... 40

Figura 8 Uso do fogo para limpeza de reas para plantio ............................ 41

Figura 9 rea aps a queimada....................................................................

41

Figura 10 Captao de gua para consumo humano e irrigao de pequeno porte ...............................................................................................

42

Figura 11 Mata de capoeira grossa (a) e capoeira fina (b) ............................ 43

Figura 12 Mapa de uso e ocupao da sub-bacia do Riacho das Capivaras ........................................................................................................

44

Figura 13 Uso e ocupao da sub-bacia do Riacho das Capivaras em percentuais .....................................................................................

45

Figura 14 Supresso da mata ciliar para implantao de pastagem ........................................................................................................

46

Figura 15 Desestabilizao das margens e consequente assoreamento do curso dgua ..................................................................................

46

Figura 16 rea de preservao permanente prevista em Cdigo Florestal (a) e existentes (b) ........................................................................

47

Figura 17 Retirada de areia do leito do Riacho das Capivaras ........................................................................................................

49

Figura 18 Assentamento do MST existente na sub-bacia do Riacho das Capivaras .......................................................................................

50

Figura 19 Construes feitas com madeira retirada da Mata Atlntica..........................................................................................

50

Figura 20 Ausncia da mata ciliar ao longo do Riacho das Capivaras.........................................................................................

51

Figura 21 Assoreamento ao longo do Riacho das Capivaras.......................................................................................

51

Figura 22 Assoreamento ao longo do Riacho das Capivaras, remanescente de Mata Atlntica ..........................................................................

52

Figura 23 Esquema representativo do ciclo hidrolgico ................................

70

Figura 24 Tipos de solo existente na sub-bacia do Riacho das Capivaras ......................................................................................................

91

Figura 25 Uso e ocupao do solo da sub-bacia do Riacho das Capivaras em percentuais ...............................................................................

92

Figura 26 Curva de permanncia de vazo do Cenrio 1 .........................................................................................................

101

Figura 27 Curva de permanncia de vazo do Cenrio 2 .........................................................................................................

101

Figura 28 Curva de permanncia de vazo do Cenrio 3 .........................................................................................................

102

Figura 29 Curva de permanncia de vazo do Cenrio 4 .........................................................................................................

102

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Tabela do CN para uso agrcola ................................................... 83

Tabela 2

Uso e ocupao do solo para o Cenrio 1......................................

94

Tabela 3

Uso e ocupao do solo para o Cenrio 2......................................

95

Tabela 4

Uso e ocupao do solo para o Cenrio 3......................................

96

Tabela 5

Uso e ocupao do solo para o Cenrio 4 .....................................

97

Tabela 6

Uso e ocupao do solo para os quatro cenrios simulados ..........

98

Tabela 7

Uso e ocupao do solo para os quatro cenrios simulados em percentuais da rea total.................................................................

98

Tabela 8

Indicadores de avaliao de cada cenrio simulado ......................

99

Tabela 9

Vazes de referncia para os cenrios simulados..........................

103

LISTA DE SIGLAS E ABREVIAES

ANA Agncia Nacional de guas

APP rea de Preservao Permanente

ARL rea de Reserva Legal

CN Nmero da Curva de Escoamento

CONAMA Conselho Nacional de Meio Ambiente

DNPM Departamento Nacional de Produo Mineral

EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria

FCRAM Florestamento Compensatrio para Reteno de gua em micro-bacia

GHS Grupo Hidrolgico de Solo

INCRA Instituto Nacional de Colonizao e Reforma Agrria

LIO Licena de Instalao e Operao

MP Ministrio Pblico

MS Mandado de Segurana

MSCS Mtodo do Soil Conservation Service

QGis Quantum Gis

SCS Soil Conservation Service

SEPLAN/SRH-SE Secretaria de Planejamento/ Secretaria de Recursos Hdricos de Sergipe

SIG Sistema de Informaes Georreferenciadas

TCU Tribunal de Contas da Unio

RESUMO

ROSAS, Fabrcia Nascimento. Aplicao de modelo hidrolgico na sub-bacia do Riacho das Capivaras/SE, como ferramenta de auxlio ao planejamento ambiental. 2009. 115p. Dissertao (Mestrado em Agroecossistemas) Universidade Federal de Sergipe, So Cristvo, SE.1

O manejo inadequado dos recursos solo e gua tm produzido a degradao do meio

ambiente. O conhecimento do volume do escoamento superficial fundamental para auxiliar na tomada de deciso direcionada ao planejamento dos recursos hdricos e ao controle da eroso. Com o presente trabalho, objetivou-se a caracterizao morfomtrica da sub-bacia hidrogrfica do Riacho das Capivaras, bem como, estimar o escoamento superficial produzido mediante alteraes no uso do solo. A sub-bacia do Riacho das Capivaras est localizada no municpio de Estncia, regio sul do Estado de Sergipe. Os dados foram obtidos a partir de cartas planialtimtricas, cadastral, de declividade e de uso e ocupao do solo e levantamento de campo, os quais foram manipulados por meio do programa QUANTUM GIS (QGis). O escoamento superficial foi calculado com base no modelo hidrolgico SCS (Soil Conservation Service) que tem como principal varivel o nmero da curva de escoamento superficial (CN) que estimado com base nas informaes de solo e cobertura da terra. Neste trabalho foram elaborados e analisados diferentes cenrios de uso dos recursos ambientais, considerando variaes temporais dos mesmos. A caracterizao morfomtrica da sub-bacia do Riacho das Capivaras aponta para uma bacia de forma mais alongada - pouco susceptvel a enchentes em condies normais de precipitao - comprovada pelo ndice de circularidade, coeficiente de forma e coeficiente de compacidade. Entretanto, cerca de 34% de sua rea apresenta relevo classificado como de forte declive, sendo sua declividade mdia de 17,9%, o que facilita o escoamento superficial e aumenta a necessidade de proteo das reas de recarga do lenol fretico. Na simulao de escoamento superficial verificou-se que no cenrio, em que prevalece o aspecto econmico em detrimento do ambiental, obteve-se o maior CN (84,84) com conseqente maior volume superficial escoado. Verificou-se tambm que, no cenrio em que as reas de reserva legal e de preservao permanentes so conservadas, o CN e o escoamento superficial no divergem, significativamente, do cenrio que associa prticas adequadas de manejo manuteno das reas de preservao permanente. Estes dados evidenciam que o manejo do solo to importante quanto a cobertura vegetal no controle do escoamento superficial.

Comit orientador: Arisvaldo Vieira Mello Jnior DEA/UFS (orientador), Alceu Pedrotti DEA/UFS, Marcus Aurlio Soares Cruz- CPATC/ EMBRAPA.

ABSTRACT ROSAS, Fabrcia Nascimento. Aplicao de modelo hidrolgico na sub-bacia do Riacho das Capivaras/SE, como ferramenta de auxlio ao planejamento ambiental. 2009.115p. Dissertao (Mestrado em Agroecossistemas) Universidade Federal de Sergipe, So Cristvo, SE.1

The degradation of the environment has been produced by inadequate management of

soil and water resources. Knowledge of the volume of runoff is essential to assist in decision-making directed the planning of water resources and control of erosion. The present study aimed characterizing morphometrically the watershed of the Riacho Capivaras located in Estncia, Southern State of Sergipe, as well estimate the runoff produced by changes in soil use. Topographic, cadastral, slope, use and occupancy of soil maps were processed in a Geographic Information System using QUANTUM GIS (QGis). The runoff was calculated on the hydrologic model SCS (Soil Conservation Service) that has as main variable the number of the curve of runoff (CN) which is estimated based on the information of soil and cover the land. In this work were prepared and analyzed various scenarios for the use of environmental resources, by the temporal variations of them. The morphometric characterization of the watershed of the Riacho Capivaras points to a elongated basin - unlikely to flooding under conditions of normal rainfall - evidenced by the index of circularity, coefficient of shape and compactness. However, approximately 34% of its area has classified as high-relief and its average slope of 17.9%, which facilitates the runoff and increases the need for protection of areas of recharge of groundwater. In the simulation of runoff for different scenarios it was found that the scenario in which the aspect prevails the economic over environment, it was obtained the highest CN (84.84) with consequent increased surface volume disposed. There was also that in the scenario where the areas of legal reserve and permanent preservation are conserved, the CN and runoff do not differ significantly from the scenario involving appropriate management practices for the maintenance areas of permanent preservation. These data show that soil management is as important as the vegetation cover to control of runoff. Guindance Committee: Arisvaldo Vieira Mello Jnior DEA/UFS (Major professor), Alceu Pedrotti DEA/UFS, Marcus Aurlio Soares Cruz- CPATC/ EMBRAPA.

CAPTULO 1 1. Introduo Geral

Os recursos naturais so de vital importncia para a humanidade, contudo, os mesmos

tm sido utilizados de forma indiscriminada, contribuindo para uma rpida e intensa

degradao ambiental. O solo um recurso renovvel que demora milhares de anos para se

formar e que pode se degradar de forma irreversvel por m utilizao pelo homem, em

poucas dcadas ou mesmo, anos. Este cenrio foi criado ao longo do tempo, decorrente da

combinao do crescimento exagerado das demandas localizadas e da degradao da

qualidade das guas facilitada pela gesto inadequada do uso e ocupao da terra e pelo

descaso com planejamento hdrico.

A ocorrncia de problemas relacionados escassez de recursos hdricos, no Brasil,

tem como um dos principais fatores a m distribuio temporal e espacial das chuvas e

vazes, aliada, muitas vezes, concentrao das demandas por gua em determinadas regies.

No Brasil, os problemas de escassez hdrica decorrem, fundamentalmente, da combinao do

crescimento exagerado das demandas localizadas e da degradao da qualidade das guas. A

supresso de florestas e matas ciliares, a ocupao desordenada e inadequada da terra tem

contribudo para perda gradual da capacidade produtiva do solo, acentuao gradual de

enchentes, variaes climticas, assoreamento e contaminao de redes de drenagem por

sedimentos e poluentes de origem difusa, proporcionando um elevado prejuzo econmico e

social. Este quadro conseqncia do aumento desordenado dos processos de

industrializao, expanses urbanas e agrcolas ocorridas a partir da dcada de 50.

A maioria das indstrias usa, em sua produo, grandes quantidades de gua limpa em

processos como refrigerao e gerao de vapor, incorporao dos produtos, higiene e

limpeza. E como resultado destes processos, a gua perde oxignio ao ser aquecida, carrega-

se de resduos txicos, metais pesados e restos de materiais em decomposio quando do

processo de lavagem. Esta gua contaminada por resduos inorgnicos - os mais comuns so

chumbo, cdmio e mercrio - lanada em rios e mar e, a depender da composio e

concentrao, estes poluentes hdricos tm a capacidade de intoxicar e matar

microorganismos, animais aquticos e espcies vegetais.

O caso da Plumbum Minerao e Metalurgia Ltda, um exemplo deste tipo de

degradao ambiental. Localizada no municpio de Santo Amaro da Purificao, no

Recncavo baiano, foi abandonada em 1993, tendo produzido e depositado

indiscriminadamente 490.000t de escria contaminada com metais pesados, sobretudo

chumbo (Pb) e cdmio (Cd). Desde o incio de suas atividades, em 1989, a populao rural fez

uma srie de reclamaes contra a empresa. Esta insatisfao decorria dos primeiros sinais de

contaminao, evidenciada pela morte de rebanho bovino e eqino, nas reas adjacentes ao

empreendimento (ANJOS, 2001).

J a presso exercida pela expanso urbana sobre os recursos hdricos estimulada

pelo desenvolvimento perifrico dos grandes centros que, ocupando reas imprprias para

urbanizao, algumas vezes, avanam sobre stios de grande importncia ecolgica,

ocasionando desequilbrios freqentes tais como inundaes e degradao da qualidade da

gua.

No contexto da ocupao rural, os sistemas agrossilvopastoris tm sido apontados

como impactantes devido ao uso de agrotxicos, adubaes nitrogenadas, dejetos de criaes

e aos desmatamentos. RUNHOFF et al. (2004), em trabalho desenvolvido na Bacia do Arroio

Grande (RS), avaliou o volume de gua infiltrada e perdida a partir da cobertura vegetal. Sub-

bacias com maiores percentuais de cobertura florestal apresentam um volume maior de gua

infiltrada, bem como um menor volume de gua perdida em escoamento superficial e sub-

superficial. Em contraposio, em reas ocupadas com campos e pastagens, do volume total

precipitado, apenas 7,20% so infiltrados no solo. Em reas agrcolas, este percentual ainda

menor, apenas 3,60%, o restante escoado superficialmente e perdido, ou seja, deixam de

infiltrar e abastecer o lenol fretico.

Na sub-bacia do Riacho das Capivaras (SE), caracterizada por minifndios nos quais

so praticadas a agricultura, pecuria e a extrao mineral (areia de rio), a populao tem

percebido o efeito da ao antrpica na qualidade da gua e solo quando os recursos naturais

disponveis no so utilizados e manejados de forma planejada. visvel, nesta rea, a perda

de solo por processos erosivos, o assoreamento dos cursos dgua, alm da perda de material

gentico (espcies animais e vegetais nativos). Para esta populao, o principal fator de

degradao do riacho a extrao da areia e o desmatamento das margens que por sua vez

provoca o desmoronamento da calha do riacho. O desmatamento aumenta tanto a

compactao quanto a perda de solos por eroso e posterior sedimentao do material

mobilizado, contribuindo para elevar a taxa de escoamento superficial e, conseqentemente,

diminuindo a infiltrao e recarga dos aqferos.

Desperdcios verificados na agricultura irrigada, indstria e sistemas de abastecimento

tm estimulado uma srie de discusses sobre o uso da gua e seu gerenciamento, uma vez

que a gua tem se tornando um bem cada vez mais escasso. Surgem a partir da, idias de

desenvolvimento sustentvel e gesto de recursos naturais. Criada em janeiro de 1997, a Lei

9.433 define bacia hidrogrfica como unidade territorial para implementao da Poltica

Nacional de Recursos Hdricos e atuao do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos

Hdricos, devendo sempre proporcionar o uso mltiplos das guas.

Uma ferramenta de gesto de recursos naturais que vem sendo discutida como uma

nova modalidade de planejamento o planejamento ambiental. A gesto ambiental pode ser

entendida como um processo de articulao das aes dos diferentes agentes sociais que se

interagem no espao das bacias hidrogrficas, visando garantir a adequao dos meios de

explorao dos recursos ambientais (naturais, econmicos e socioculturais) s especificidades

do meio ambiente.

Dentro deste contexto, este trabalho tem como objetivo o desenvolvimento de uma

metodologia para planejamento e gerenciamento ambiental, atravs da elaborao e anlise de

diferentes cenrios de uso dos recursos ambientais, considerando variaes temporais dos

mesmos, visando dar subsdios gerao de mecanismos de manejo da bacia hidrogrfica.

Como os processos ambientais apresentam variabilidade temporal e espacial, a interao

modelagem hidrolgica e SIG constitui-se em uma ferramenta eficiente para a modelagem

ambiental. Neste sentido, esta pesquisa foi desenvolvida utilizando o programa computacional

Quantum Gis (QGis), um sistema de informao geogrfica de interface Windows, Linux,

Unix e MacOSX que suporta arquivos Shape(shp), Tif, PostGIS, GRASS entre outros e

permite editar e criar layers de mapas.

A presente dissertao de mestrado composta de dois captulos principais,

estruturados na forma de artigos. O primeiro intitulado Caracterizao ambiental e

fisiogrfica da sub-bacia do Riacho das Capivaras, neste artigo foram levantadas as

caractersticas ambientais e fisiogrficas atravs de informaes do Relatrio Tcnico da

Secretaria de Recursos Hdricos do Estado de Sergipe, elaborado no ano de 2006, cartas

planialtimtricas, cadastral, de declividade e de uso e ocupao do solo, shapes e

levantamento de campo, os quais foram manipulados em um SIG por meio do programa

QUANTUM GIS (QGis) com objetivo de fornecer subsdios para as ferramentas de

planejamento e gesto ambiental.

No segundo captulo, intitulado Aplicao de modelo hidrolgico na sub-bacia do

Riacho das Capivaras/SE, como ferramenta de auxlio ao planejamento ambiental, diferentes

cenrios de uso dos recursos ambientais - considerando variaes temporais dos mesmos -

foram elaborados e em seguida, analisados mediante a aplicao do mtodo do Soil

Conservation Service (SCS), que estimou o escoamento superficial em cada cenrio proposto.

Esta metodologia permite a avaliao prvia da influncia de um plano de manejo sob o

aspecto o escoamento superficial e, conseqentemente, o fluxo de rios e recarga de gua,

infiltrao em determinada bacia hidrogrfica.

2. Referencial terico

Os ecossistemas naturais terrestres, que ocorrem em todo o Planeta, tm sido alterados

e deslocados com a introduo de agroecossistemas. Ecossistema qualquer biossistema que

abrange todos os organismos que funcionam em conjunto (a comunidade bitica) numa dada

rea, interagindo com o ambiente fsico de tal forma que um fluxo de energia produza

estruturas biticas claramente definidas e uma ciclagem de materiais entre as partes vivas e

no vivas (ODUM, 1988). O agroecossistema um ecossistema com presena de pelo menos

uma populao agrcola e que difere fundamentalmente dos ecossistemas naturais por ser

regulado pela interveno do homem na busca de determinado propsito (HART, 1980). o

complexo de ar, gua, solo, plantas, animais, micro-organismos, e tudo que est vinculado a

uma rea modificada pelo homem com propsito da produo agrcola, independente da

extenso (MARTEN, 1988). De forma simplificada, o complexo sistema agro-scio-

econmico-ecolgico ligado em vrias dimenses (CONWAY, 1987). Os Agroecossistemas

so demarcados a partir de sua definio como ecossistemas terrestres implantados pelo

homem que, ao diminuir deliberadamente a diversidade bitica, busca lograr, pelo controle

desses ambientes artificiais, um mnimo de estabilidade. Entretanto, delinear as fronteiras

exatas de um agroecossistemas difcil (ALTIERI, 1989). Para SCHLINDWEIN e

DAGOSTINI (1998), sem refutar o enunciado, conceitos dessa categoria so demasiado

ecocntrico, pois, se limitam a considerar somente os elementos do meio fsico, em seus

componentes biticos e abiticos, e suas inter-relaes sem reconhecer os aspectos de ordem

scio-econmica e cultural, como elementos que se situam na gnese dos distintos

agroecossistemas.

SIFUENTES (2004) considera agroecossistemas como os processos de trabalho e suas

conotaes tcnicas e esto constitudos por objetos (cultivares, animais, plantas nativas e

fauna silvestre), meios e foras de trabalho da unidade produo. Para estes autores, a

diferena entre agroecossistemas e ecossistemas o resultado da interveno do homem para

modificar os elementos fsicos e biolgicos do ecossistema para obter suas satisfaes a partir

das populaes animal e vegetal, silvestre e domstica. Esta interveno est geralmente

programada, o agricultor tem um propsito a cumprir com o sistema e o manejo seguindo um

plano pr-concebido que permite alcanar sua reproduo social. A reduo da biodiversidade

quando do estabelecimento de um agroecossistemas implica em um maior custo entrpico, na

medida em que so sistemas que o homem deliberadamente afastou do estado estacionrio no

qual originalmente encontravam-se (SCHLINDWEIN e DAGOSTINI, 1998). Para avaliar o

desempenho dos agroecossistemas, CONWAY (1987) sugere quatro propriedades primrias,

baseadas nas relaes entre as propriedades dos principais sistemas que contribuem com os

efeitos do agroecossistema como um todo. So elas: produtividade, estabilidade,

sustentabilidade e equidade, MARTEN (1987) ainda acrescenta autonomia como propriedade.

As trs primeiras propriedades correspondem, aproximadamente, s propriedades naturais de

um ecossistema e as demais, no possuem relao direta com esse.

O processo de converso de terras para produo agrcola tem causado um impacto

negativo sobre a diversidade de organismos e processos ecolgicos que compem a paisagem.

Embora outras formas de explorao humana do ambiente, como a minerao e urbanizao,

tambm contribuam para modificao do habitat em larga escala e para a perda de

biodiversidade, a produo agrcola incluindo a o pastoreio e a produo de madeira ,

em boa parte, responsvel pelas mudanas ambientais em nvel de biosfera, as quais ameaam

o sistema de sustentao da vida na Terra (GLIESSMANN, 2001). A questo dos recursos

hdricos tm sido a expresso de como os fatores ambientais e suas interaes agem sobre um

sistema modificando o seu desempenho. Estes recursos tm sofrido presses constantes e

significativas devido crescente demanda por gua nos centros urbanos, industriais e

agrcolas, levando ao reconhecimento de que a funo da bacia hidrogrfica como um

sistema - no , apenas, a produo de gua. Uma bacia hidrogrfica engloba todas as

modificaes que os recursos naturais venham a sofrer. No existe rea qualquer da Terra, por

menor que seja, que no se integre a uma bacia ou micro-bacia, (CRUZ, 2003). A bacia pode

ser definida como uma unidade fsica caracterizada como uma rea de terra drenada por um

determinado curso dgua e limitada, perifericamente, pelo chamado divisor de guas

(MACHADO, 2002). Seu papel hidrolgico o de transformar uma entrada de gua, de

volume concentrada no tempo (precipitao), em uma nica sada de gua (escoamento)

(GROSSI, 2003).

A gua um recurso natural renovvel, nico, essencial vida, escasso e est

distribudo de forma desigual no planeta, tornando o manejo e a preservao de bacias

hidrogrficas, temas relevantes nos ltimos anos. O uso do solo associado a um dado relevo e

tipo e manejo do solo uma varivel importante na definio do nvel de degradao de uma

bacia hidrogrfica. A cobertura vegetal a defesa natural de um terreno contra a eroso. O

efeito da vegetao pode ser assim enumerado: (a) proteo direta contra o impacto das gotas

de chuva; (b) disperso da gua, interceptando-a e facilitando a evaporao antes que atinja o

solo; (c) decomposio das razes das plantas que formam canculos no solo, aumentam a

infiltrao da gua; (d) melhoramento da estrutura do solo pela adio de matria orgnica,

aumentando assim sua capacidade de reteno de gua; (e) diminuio da velocidade de

escoamento da enxurrada pelo aumento do atrito na superfcie (BERTONI e NETO, 1990). A

cobertura vegetal desempenha papel regulador nos processos hidrolgicos e as profundas

alteraes nesta cobertura vegetal, com eliminao de estruturas florestais que do lugar a

agroecossistemas, modificam por sua vez, a velocidade do escoamento superficial, fazendo

com que as guas provenientes das precipitaes escoem mais facilmente em direo a calhas

de rios, desinibidas e carreando maior massa de materiais terrgenos que tendero a depositar

em reas de declive mais reduzido, principalmente no leito dos fluxos organizados (LAGO,

1989).

MACHADO (2002), utilizando tcnicas de modelagem e geoprocessamento, simulou

o escoamento superficial e a produo de sedimentos em uma bacia hidrogrfica na qual a

maior parte da rea era ocupada por cana-de-acar (56,2%) e de terrenos de menor

declividade, enquanto que as encostas mais ngremes eram ocupadas por pastagem (30,9%).

Ao simular a substituio das pastagens por vegetao nativa nas reas de preservao

permanente, como previsto em Cdigo Florestal (Lei no. 4.771/65), o escoamento superficial

diminuiu, bem como a produo de sedimentos que foi reduzida em 84,4%. As pastagens,

embora em intensidade um pouco menor que as florestas, fornecem grande proteo ao solo

contra os estragos pela eroso. Seu trato pode afetar grandemente seu valor como

revestimento do solo contra a eroso (BERTONI e NETO, 1990). AZEVEDO (2004) estudou

a degradao do solo sob pastagens, diagnosticando-a qualitativamente e quantitativamente,

para o entendimento dos ndices de degradao. Este autor obteve ndices de degradao

fsica, qumica e geral, a partir da quantificao de atributos fsicos e qumicos do solo e

comparando-os com dados da vegetao natural de mesma toposequncia.

BARRETO NETO (2004) desenvolveu um modelo dinmico para avaliao da perda

de solo e do escoamento superficial a partir da simulao de diferentes cenrios de usos do

solo da bacia hidrogrfica do Rio Quilombo, localizado no Vale do Ribeira-SP. Dentre os

cenrios simulados a cobertura florestal foi a que proporcionou menor perda de solo, visto que

as florestas possuem um alto potencial de reteno de gua devido a sua alta capacidade de

interceptao, evapotranspirao e infiltrao. O cenrio de solo exposto apresentou os

maiores valores de perda de solo, resultado previsvel, uma vez que nessa situao o solo no

apresenta nenhuma proteo contra as chuvas e o escoamento superficial

Estudo realizado na sub-bacia do Riacho Una em Sap/PB verificou que a baixa

ocorrncia de processos erosivos e o baixo risco de degradao da terra esto associados,

predominantemente, a relevos planos e suaves ondulado, onde a cobertura do solo formada

por mata, cerrado, cana-de-acar e pasto. Em contraposio, as maiores taxas de risco de

degradao, terras includas nas classes alta e muito alta, se relacionam com a categoria de

uso correspondente a culturas temporrias (MENDONA,2005).

FERREIRA et. al. (2007) verificaram que, baseado no percentual de escoamento

superficial de 46,6% e no valor de vazo mxima de 23,56 m3.s-1, avaliados em conjunto com

informaes de relevo e solo, a bacia do Crrego Joo Pedro (ES), possui boa infiltrao de

gua no solo o que favorece as atividades agrcolas. Nesta bacia, a classe de uso do solo

predominante a floresta natural (46,6%) o que do ponto de vista hidrolgico, e um bom

resultado, j que reas cobertas por florestas tendem a apresentar boa infiltrao. Alm da

floresta, a rea estudada ocupada por pastagem (35,8%) e agricultura (11,6%). As categorias

solos expostos (3,4%) e uso urbano (2,6%) correspondem s reas de ocupao no

mapeamento realizado.

O uso e ocupao do solo no s interferem na qualidade da gua, como tambm

causam alteraes nos ecossistemas aquticos. CORBI (2006) analisou a influncia de

diferentes prticas de manejos de solo sobre os macro-invertebrados aquticos de crregos

localizados em reas adjacentes, com especial nfase para o cultivo de cana-de-acar, na

bacia do Rio Jacar-Guau (SP). Os crregos protegidos por mata ciliar apresentaram uma

fauna de macro-invertebrado mais rica e heterogenia do que em crregos situados em reas

abertas que so habitados por uma fauna mais homognea e pobre. BRABEC et al. (2008), em

reviso sobre a impermeabilizao de superfcies e a qualidade da gua para o manejo de

bacias hidrogrficas, verificaram que a biota afetada pela combinao de fatores fsicos e

qumicos que influenciam a qualidade da gua e est mais suscetvel destruio de seu

habitat.

O manejo sustentvel de agroecossistemas requer o conhecimento de como os fatores

individuais afetam organismos cultivados e como todos os fatores interagem para formar o

complexo ambiental. necessrio saber como os fatores interagem, compensam, favorecem e

se opem uns aos outros. Tambm preciso conhecer a extenso da variabilidade presente na

unidade produtiva, de rea para rea e dentro de cada uma (GLIESSMANN,2001).

O uso mltiplo de uma bacia hidrogrfica exige um plano adequado de manejo. Cada

bacia hidrogrfica deve ter um plano de utilizao integrada de recursos hdricos, o qual deve

constituir o referencial para todas as decises e intervenes setoriais nestes recursos (CRUZ,

2003). O estudo em bacias hidrogrficas possibilita a integrao dos fatores que condicionam

a qualidade e a disponibilidade dos recursos hdricos, com os seus reais condicionantes fsicos

e antrpicos, (HEIN, 2000).

A gesto ambiental, institucionalizada pelas conferncias mundiais sobre meio

ambiente, entendida como um processo de articulao das aes dos diferentes agentes sociais

que se interagem no espao das bacias hidrogrficas, implementada atravs de polticas

ambientais; planejamento ambiental e gerenciamento ambiental.

Entende-se por polticas ambientais os modelos administrao adotado por um

governo ou empresa para utilizao sustentvel do meio ambiente. O gerenciamento

ambiental o conjunto de aes destinado a regular o uso, controle, proteo e conservao

do meio ambiente, e a avaliar a conformidade da situao corrente com os princpios

doutrinrios estabelecidos pela poltica ambiental. Planejamento ambiental, segundo anlise

de PERES e MEDIONDO (2004), todo planejamento das aes antrpicas no territrio

levando em conta a capacidade de suporte dos ecossistemas em nvel local e regional sem

perder de vista as questes de equilbrio das escalas maiores, visando melhoria da qualidade

de vida dentro de uma tica ecolgica como base nas interaes que a mantm. O

planejamento conservacionista das terras, para MINOTTI (2006), de fundamental

importncia para a conservao do solo, controle da perda de sedimentos e gua, gerando

informaes importantes para o processo de tomada de deciso no gerenciamento de bacias

hidrogrficas.

Uma etapa fundamental do processo de planejamento caracterizao ambiental,

baseada no levantamento de dados e informaes e no conhecimento da rea a ser planejada.

A carncia de banco de dados e sistemas de anlises funcionais tem sido um fator limitante

para aplicao em modelos hidrolgicos, nos quais se pode qualificar, quantificar, simular e

prever riscos ambientais. O uso de ferramentas como sistemas de informaes geogrficas

(SIGs) so muito teis por terem como vantagem a capacidade de armazenar, manipular,

transformar, analisar e exibir informaes georreferenciadas, contidas em mapas e/ou banco

de dados, gerando novas informaes (GIBOSHI, 2006). Como os processos ambientais so

dinmicos (apresentam variao temporal e espacial), a interao modelagem dinmica e SIG,

constitui-se uma poderosa ferramenta para modelagem ambiental (BARRETO NETO, 2004).

Uma estratgia eficaz de planejamento ambiental pode se basear na definio de

cenrios que permitam uma avaliao constante do nvel de sustentabilidade do processo

scio-econmico. Os cenrios so imagens alternativas de futuro, ricas em indicadores para

contribuir na tomada de decises. Esse instrumento, baseado em um conjunto de dados

comparados, sobrepostos e avaliados de maneira integrada aponta diversas projees de

situaes para uma determinada rea de interveno tendo em vista a soluo de um problema

ou a melhora de uma condio presente impactante (PERES e MEDIONDO, 2004).

Neste sentido, a elaborao de cenrios ambientais que levem em conta a

vulnerabilidade do sistema ambiental e a aplicao de um modelo hidrolgico, como tcnica

complementar de avaliao dos impactos inerentes aos diferentes tipos de uso de solo e

manejo do agroecossistema no escoamento superficial, constituem a metodologia que ser

aplicada como prottipo na sub-bacia do Riacho das Capivaras e poder servir de base para

orientar o manejo de outras bacias em todo Estado de Sergipe.

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CAPTULO 2

CARACTERIZAO AMBIENTAL E FISIOGRFICA DA SUB-BACI A DO RIACHO DAS CAPIVARAS

1. Resumo

ROSAS, Fabrcia Nascimento. Aplicao de modelo hidrolgico na sub-bacia do Riacho das Capivaras/SE, como ferramenta de auxlio ao planejamento ambiental. 2009.115 p. Dissertao (Mestrado em Agroecossistemas) Universidade Federal de Sergipe, So Cristvo, SE.1

Este trabalho foi desenvolvido com o objetivo de fazer a caracterizao ambiental e

fisiogrfica da sub-bacia do Riacho das Capivaras, localizada no municpio de Estncia-SE.

Foram utilizadas cartas planialtimtricas, cadastral, de declividade e de uso e ocupao do

solo e levantamento de campo, os quais foram manipulados em um SIG por meio do

programa QUANTUM GIS (QGis). Em decorrncia do desmatamento progressivo, queimada,

e eroso do solo e das margens do rio, a sub-bacia apresenta um quadro de impacto ambiental

alarmante, induzido pela necessidade de gerao de renda por meio da atividade agrcola e

explorao mineral. Esta sub-bacia possui 56,5% de sua rea ocupados por pastagens, 29,53%

por mata atlntica em diferentes estgios de regenerao, 9,11% por agricultura, 3,11% de

rea degrada (solos expostos) e 1,75% de construes rurais e estradas. Estas formas de

ocupao esto organizadas em agroecossistemas de baixo desempenho (produtividade,

estabilidade, sustentabilidade, equidade e autonomia). A rea de drenagem da sub-bacia do

Riacho das Capivaras de 23,87 km2, com permetro de 28,5 km e declividade mdia de

17,9%. Os valores do coeficiente de compacidade, do fator de forma e do ndice de

circularidade, indicam que a sub-bacia apresenta forma alongada, mostrando-se pouco

susceptvel a enchentes em condies normais de precipitao. No entanto, o elevado nvel de

degradao promovido pela supresso da vegetao de reas consideradas de preservao

permanente pelo Cdigo Florestal (apenas 13,27% da rea total de APPs na sub-bacia so

preservados) pode torn-la susceptvel a enchentes, com significativa produo de

sedimentos. A situao atual de ocupao da sub-bacia mostra a necessidade de um

planejamento para a recuperao das reas de preservao permanente, aes mais efetivas

sobre gesto ambiental e dos recursos hdricos e um manejo adequado dos agroecossistemas.

Comit orientador: Arisvaldo Vieira Mello Jnior DEA/UFS (orientador), Alceu Pedrotti DEA/UFS, Marcus Aurlio Soares Cruz- CPATC/ EMBRAPA.

2. Abstract

ROSAS, Fabrcia Nascimento. Aplicao de modelo hidrolgico na sub-bacia do Riacho das Capivaras/SE, como ferramenta de auxlio ao planejamento ambiental. 2009.115 p. Dissertao (Mestrado em Agroecossistemas) Universidade Federal de Sergipe, So Cristvo, SE.1

This study aimed to make the physiographic and environmental characterization of the

Riacho das Capivaras basin, located in the city of Estncia-SE. Topographic, cadastral,

slope, use and occupancy of land maps were processed in a Geographic Information System,

using QUANTUM GIS (QGis). Because of progressive deforestation, burning, soil and river

banks erosion, the basin presents a framework for environmental impact alarmingly, driven by

the need to generate income through agricultural activity and mineral exploitation. The basin

has 56.5% of its area occupied by pastures, 29.53% rainforest in different stages of

regeneration, 9.11% agriculture, 3.11% degraded area (exposed soils) and 1.75% rural

buildings and roads. These forms of occupation are organized in agricultural ecosystems of

low performance. The area of drainage of the Riacho das Capivaras basin is 23.87 km2,

with perimeter of 28.5 km and a mean slope of 17.9%. The values of the coefficient of

compactness, form factor and the index of circularity, indicate that the basin shows elongated

shape and flooding are unlikely under conditions of normal rainfall. However, the high level

of degradation promoted by removal of the vegetation of permanent preservation areas

considered by the Forest Code can make it prone to flooding, with significant production of

sediment. The current occupation state of the basin shows the necessity of a planning for the

permanent recovery areas, more effective action on environmental management and water

resources and an adequate management of agroecosystems.

Guidance Committee: Arisvaldo Vieira Mello Jnior DEA/UFS (Major professor), Alceu Pedrotti DEA/UFS, Marcus Aurlio Soares Cruz- CPATC/ EMBRAPA. .

3. Introduo

A caracterizao dos aspectos fsicos e morfolgicos de uma bacia hidrogrfica, com o

intuito de levantar as reas crticas do ponto de vista da manuteno da gua, condio

bsica para o planejamento bem sucedido da conservao e produo de gua.

Uma das caractersticas a classe de declividade, conhec-la visa atender legislao

especfica para ordenamento do uso da terra, bem como, tem relao importante com vrios

processos hidrolgicos a exemplo da infiltrao e do escoamento superficial. A infiltrao

tambm influenciada pelo uso da terra, e pode ser modificada pelo homem atravs do

agroecossistema implantado e do manejo adotado. O agroecossistema um ecossistema com

presena de pelo menos uma populao agrcola e que difere fundamentalmente dos

ecossistemas naturais por ser regulado pela interveno do homem na busca de determinado

propsito (HART, 1980). o complexo de ar, gua, solo, plantas, animais, micro-organismos,

e tudo que est vinculado a uma rea modificada pelo homem com propsito da produo

agrcola, independente da extenso (MARTEN, 1988). SIFUENTES (2004) considera

agroecossistemas como os processos de trabalho e suas conotaes tcnicas e esto

constitudos por objetos (cultivares, animais, plantas nativas e fauna silvestre), meios e foras

de trabalho da unidade produo. Para este autor, a diferena entre agroecossistemas e

ecossistemas o resultado da interveno do homem para modificar os elementos fsicos e

biolgicos do ecossistema para obter suas satisfaes a partir das populaes animal e vegetal,

silvestre e domstica. Esta interveno geralmente programada, o agricultor tem um

propsito a cumprir com o sistema e o manejo, seguindo um plano pr-concebido que permite

alcanar sua reproduo social. A reduo da biodiversidade quando do estabelecimento de

um agroecossistema implica em um maior custo entrpico, na medida em que so sistemas

que o homem deliberadamente afastou do estado estacionrio no qual originalmente

encontravam-se (SCHLINDWEIN e DAGOSTINI, 1998).

As constantes modificaes no uso do solo provocam significativas alteraes no

balano de gua, com reflexos nas camadas superficiais e sub-superficiais, ocorrendo eroso,

transporte de sedimentos e elementos qumicos bioativos, causando alteraes no sistema

ecolgico e na qualidade da gua (TOLEDO, 2001). O instrumento legal mais importante para

disciplinar o uso das terras o Cdigo Florestal, institudo pela Lei Federal no. 4771/65. A

cobertura vegetal desempenha papel regulador nos processos hidrolgicos e as profundas

alteraes nesta cobertura, com eliminao de estruturas florestais que do lugar a

agroecossistemas, modificam por sua vez, a velocidade do escoamento superficial, fazendo

com que as guas provenientes das precipitaes escoem mais facilmente em direo a calhas

de rios, desinibidas e carreando maior massa de materiais terrgenos que tendero a depositar

em reas de declive mais reduzido, principalmente no leito dos fluxos organizados (LAGO,

1989).

Dentro deste contexto, o presente estudo tem o objetivo de avaliar as caractersticas

ambientais e fisiogrficas da bacia do Riacho das Capivaras, verificando o cumprimento da

legislao ambiental em relao ao uso e ocupao do solo da bacia, especialmente nas reas

de preservao permanentes. Na avaliao sero utilizados recursos de sistema de

informaes geogrficas para criar um modelo representativo do cenrio atual que possibilite

a obteno de dados que possam dar subsdio aos mecanismos de manejo da bacia

hidrogrfica.

4. Referencial Terico

A crescente demanda por gua nos centros urbanos, industriais e agrcolas exerce, presso

constante e significativa sobre os recursos hdricos, levando ao reconhecimento de que a

funo da bacia hidrogrfica no , apenas, a produo de gua. Uma bacia hidrogrfica

engloba todas as modificaes que os recursos naturais venham a sofrer. No existe rea

qualquer da Terra, por menor que seja, que no se integre a uma bacia ou micro-bacia,

(CRUZ, 2003). A bacia pode ser definida como uma unidade fsica, caracterizada como uma

rea de terra drenada por um determinado curso dgua e limitada, perifericamente, pelo

chamado divisor de guas (MACHADO, 2002). A bacia hidrogrfica tambm pode ser

caracterizada como um volume, por possuir uma distribuio tridimensional que se inicia com

os usos da terra, passa pelo perfil de solo e engloba as rochas que sustentam a bacia (PRADO,

2005).

Seu papel hidrolgico o de transformar uma entrada de gua, de volume concentrada no

tempo (precipitao), em uma nica sada de gua (escoamento) (GROSSI, 2003). Sob este

aspecto, a sub-bacia hidrogrfica, pode ser considerada como a menor unidade da paisagem

capaz de integrar todos os componentes relacionados com a qualidade e disponibilidade de

gua como: atmosfera, vegetao natural, plantas cultivadas, solos, rochas subjacentes, corpos

dgua e paisagem circundante (MOLDAN e CERNY, 1994). Ambientalmente, pode-se dizer

que a bacia hidrogrfica a unidade ecossistmica e morfolgica que melhor reflete os

impactos das interferncias antrpicas, tais como a ocupao das terras com as atividades

agrcolas (JENKIS et al., 1994).

A gua um recurso natural renovvel, escasso e est distribudo de forma desigual no

planeta, tornando o manejo e a preservao de bacias hidrogrficas, temas relevantes nos

ltimos anos. Para FAUSTINO (1996), o manejo de bacias hidrogrficas uma cincia ou

arte que trata da gesto para se conseguir o uso apropriado dos recursos naturais em funo da

interveno humana e suas necessidades, proporcionando ao mesmo tempo a sustentabilidade,

a qualidade de vida, o desenvolvimento e o equilbrio do meio ambiente.

O estudo em bacias hidrogrficas possibilita a integrao dos fatores que condicionam a

qualidade e a disponibilidade dos recursos hdricos, com os seus reais condicionantes fsicos e

antrpicos, (HEIN, 2000). A eleio da micro-bacia como unidade de planejamento traz, entre

outras, as seguintes vantagens: (a) racionaliza a aplicao de recursos; (b) estimula a

organizao dos produtos; (c) reduz custos; (d) promove a execuo de prticas

conservacionistas de forma integrada; (e) reduz riscos ambientais; e (f) realimenta mananciais

(BRAGAGNOLO, 1997). Cada bacia hidrogrfica deve ter um plano de utilizao integrada

de recursos hdricos, o qual deve constituir o referencial para todas as decises e intervenes

setoriais nestes recursos (CRUZ, 2003).

A qualidade d gua dos corpos hdricos est relacionada geologia, ao tipo de solo, ao

clima, ao tipo e quantidade de cobertura vegetal e ao grau de modalidade de atividade humana

dentro da bacia hidrogrfica (VALENTE e CASTRO, 1987). E, embora o uso e ocupao das

bacias hidrogrficas influenciem, segundo RANZINI (1990) em ltima instncia, a qualidade

e quantidade das guas superficiais e subterrneas, no significa dizer que estas variveis

sejam menos importantes que as demais, at porque, so as nicas que podem ser modificadas

pelo homem em funo dos mais diversos propsitos. A presena da cobertura do solo

proporciona uma diminuio do escoamento superficial, da capacidade de transporte de

agregados, do processo de selamento superficial, e um aumento da taxa de infiltrao da gua

no solo. A freqente retirada de vegetao, para implantao a agroecossistemas de baixo

nvel tecnolgico produz um efeito final que pode ser observado na degradao acelerada dos

solos e das guas superficiais e subterrneas (GOUDIE, 1995).

MACHADO (2002), utilizando tcnicas de modelagem e geoprocessamento, simulou

o escoamento superficial e a produo de sedimentos em uma bacia hidrogrfica na qual a

maior parte da rea era ocupada por cana-de-acar (56,2%) e de terrenos de menor

declividade, enquanto que as encostas mais ngremes eram ocupadas por pastagem (30,9%).

Ao simular a substituio das pastagens por vegetao nativa nas reas de preservao

permanente, como previsto em Cdigo Florestal (Lei no. 4.771/65), o escoamento superficial

diminuiu, bem como a produo de sedimentos que foi reduzida em 84,4%.

SILVA et al. (2001) relatam que quanto mais protegida pela cobertura vegetal estiver a

superfcie do solo contra a ao da chuva, tanto menor a ocorrncia de perda do solo e menor

degradao da gua, notadamente nas regies tropicais e subtropicais. DONADIO et al.

(2005) avaliaram a influncia de remanescentes de vegetao ciliar e da ao antrpica na

qualidade da gua, em quatro nascentes da bacia hidrogrfica do Crrego Rico, localizadas

nos municpios de Taquaritinga e de Guariba SP. Nas nascentes com vegetao natural

remanescente, a qualidade da gua mostrou-se melhor que nas nascentes com uso agrcola,

sendo as variveis cor, turbidez, alcalinidade e nitrognio total as que mais explicaram essas

diferenas.

Estudos feitos por GARCIA et al. (2006) revelam que a inadequao de uso do solo,

devido rpida expanso da cultura da cana-de-acar em reas no recomendadas,

especialmente em funo do relevo e do tipo de solo da bacia avaliada, potencializa o

processo erosivo dos solos cujos sedimentos so carreados para os cursos dgua, juntamente

com componentes dos fertilizantes utilizados nas culturas. Igualmente, o tipo de cobertura do

terreno afeta o volume de gua dos rios locais, pelo aumento do deflvio em detrimento da

infiltrao. Isto ocasiona aumento na eroso e diminuio na capacidade de recarga dos

aqferos subordinados ao sistema.

BORGES et al. (2006) quantificaram o reflorestamento compensatrio com vistas

reteno de gua no solo da bacia hidrogrfica do Crrego Palmital, em Jaboticabal/SP,

proposto na metodologia Florestamentos Compensatrios para Reteno de gua em Micro-

bacias (FCRAM). Esta metodologia estima a reteno de gua em micro-bacias considerando:

o valor mdio mundial de destino da gua no ciclo ecolgico, os usos/ocupao do solo

(floresta, pastagem e agricultura) e a estimativa da permeabilidade. A bacia do Crrego

Palmital possui 86% de sua rea ocupada por agricultura e 5% ocupados por pastagens, as

florestas respondem por apenas 2% da rea total. Para reter o volume total de gua, estimado

em metodologia FCRAM, para compensar a perda que ocorre em excesso nas reas de

pastagens e agricultura, os autores propem o reflorestamento compensatrio de 8,87% da

rea da bacia.

FERREIRA et al. (2007) verificaram que, baseado no percentual de escoamento

superficial de 46,6% e no valor de vazo mxima de 23,56 m3.s-1, avaliados em conjunto com

informaes de relevo e solo, a bacia do crrego Joo Pedro (ES), possui boa infiltrao de

gua no solo o que favorece as atividades agrcolas. Nesta bacia, a classe de uso do solo

predominante a floresta natural (46,6%) o que do ponto de vista hidrolgico, um bom

resultado, j que reas cobertas por florestas tendem a apresentar boa infiltrao. Alm da

floresta, a bacia do crrego Joo Pedro ocupada por pastagem (35,8%) e agricultura

(11,6%). As categorias solos expostos e uso urbano correspondem a 3,4% e 2,6%,

respectivamente.

O uso e ocupao do solo no interferem apenas na qualidade da gua, tambm

causam alteraes nos ecossistemas aquticos. CORBI (2006) analisou a influncia de

diferentes prticas de manejos de solo sobre os macro-invertebrados aquticos de crregos

localizados em reas adjacentes, com especial nfase para o cultivo de cana-de-acar, na

bacia do Rio Jacar-Guau (SP). Os crregos protegidos por mata ciliar apresentaram uma

fauna de macro-invertebrado mais rica e heterognia do que em crregos situados em reas

abertas que so habitados por uma fauna mais homognea e pobre. Os crregos protegido por

mata ciliar apresentaram uma fauna de macro-invertebrado mais rica e heterognia do que em

crregos situados em reas abertas que so habitados por uma fauna mais homognea e pobre.

BRABEC et al. (2008), em reviso sobre a impermeabilizao de superfcies e a qualidade da

gua para o manejo de bacias hidrogrficas, verificaram que a biota afetada pela

combinao de fatores fsicos e qumicos que influenciam a qualidade da gua e est mais

suscetvel destruio de seu habitat.

A partir dos estudos citados possvel perceber que o uso e ocupao do solo exercem

influncia nos ecossistemas (terrestres e aquticos), na produo e qualidade da gua. Sendo

assim, propor um plano de manejo para uma bacia hidrogrfica, em suma, refere-se ao

ordenamento do uso e ocupao da paisagem, aptides de cada segmento e sua distribuio

espacial, observadas as caractersticas fisiogrficas da respectiva bacia hidrogrfica. Para

PIRES e SANTOS (1995), o planejamento e gerenciamento de bacias hidrogrficas devem

incorporar todos os recursos naturais/ambientais da rea de drenagem da bacia e no apenas o

hdrico. Deve integrar os aspectos ambientais, sociais, econmicos, polticos e culturais, com

nfase ao primeiro, pois a capacidade ambiental de dar suporte ao desenvolvimento possui

sempre um limite, a partir do qual, outros aspectos sero inevitavelmente afetados. Em outras

palavras, as caractersticas intrnsecas de cada sub-bacia hidrogrfica condicionam seu uso e a

ocupao, determinando suas potencialidades e limitaes.

5. Material e Mtodos

5.1. rea de Estudo

A sub-bacia hidrogrfica do Riacho das Capivaras localiza-se na regio sul do Estado de

Sergipe, no municpio de Estncia, entre as coordenadas geogrficas 1108 e 1114 de

latitude sul, e 3726 e 3729 de longitude oeste. (Figura 1).

FIGURA 1. Localizao da sub-bacia hidrogrfica do Riacho das Capivaras.

Climatologicamente o regime pluviomtrico da rea em analise do tipo martimo pela

classificao de Kppen. Definindo-se por um perodo seco de primavera a vero,

representado pelos meses de setembro a fevereiro, e um perodo chuvoso de outono a inverno,

abrangendo os meses de maro a agosto (Figura 2). Devido influncia inter-tropical da rea,

as temperaturas mdias compensadas anuais oscilam entre 23,6C e 26,9C e umidade relativa

mdia anual de 80,5% (SEPLAN/SRH-SE, 2006). O Riacho das Capivaras importante

contribuinte do Rio Piau e est inserido na bacia hidrogrfica de mesmo nome. Possui uma

rea de drenagem de 23,87 Km e compreende os municpios sergipanos de Estncia e

Salgado (SEPLAN/SRH-SE, 2006).

FIGURA 2. Precipitao pluviomtrica mdia mensal na sub-bacia do Riacho das Capivaras no perodo de 1948-1970 (ANA).

Esta sub-bacia sofre presses antrpicas desde sua nascente at seu desge no Rio

Piauitinga, tambm afluente do Rio Piau. Ela abrange noventa e nove estabelecimentos,

incluindo os povoados Jurema e Fonte Nova, alm de uma indstria de beneficiamento de

leite, fora de atividade. As propriedades rurais so, predominantemente, minifndios de at 10

ha, ocupados na sua maioria por pastagens para criao extensiva de pequenos rebanhos,

agricultura de subsistncia, extrao de areia e alguns pequenos remanescentes de mata em

diferentes estgios de antropizao e/ou sucesso ecolgica. No h rede pblica de

esgotamento sanitrio, apenas sumidouros para descarte de efluentes slidos e lquidos

(SEPLAN/SRH-SE, 2006).

5.2. Levantamento fisiogrfico da sub-bacia hidrogrfica do Riacho das Capivaras

Os dados do levantamento fisiogrficos foram obtidos atravs de cartas digitais em

ambiente CAD (escala 1:400.000) e de Sistema de Informaes Geogrficas, no formato

Shapefile, manipuladas por meio do programa Quantum Gis (QGis). As cartas e informaes

geogrficas utilizados fazem parte do Relatrio Tcnico produzido pela Secretaria de

Recursos Hdricos do Estado de Sergipe (SEPLAN-SRH/SE) no ano de 2006. Estes dados

referem-se ao arranjo espacial dos cursos fluviais, que podem ser influenciados em sua

atividade morfogentica, pela natureza e disposio das camadas rochosas, pela resistncia

litlica varivel, pelas diferenas de declividade e pela evoluo geomorfolgica da regio

(CHRISTOFOLETTI, 1980).

5.2.1. rea da Bacia

A rea de uma bacia hidrogrfica toda rea drenada pelo conjunto do sistema fluvial,

projetada em plano horizontal (CHRISTOFOLETTI, 1980). Foi utilizado o software Quantum

Gis para realizao do clculo da rea.

5.2.2. Comprimento da Bacia

Para realizao deste clculo foi utilizado o software Quantum Gis.

5.2.3. Fator de Forma (Ff)

As bacias hidrogrficas tm uma variedade infinita de formas, que supostamente

refletem o comportamento hidrolgico da bacia. O fator de forma relaciona a forma da bacia

com a de um tringulo, correspondendo razo entre a largura mdia e o comprimento axial

da bacia. A forma de uma bacia, bem como a forma do sistema de drenagem, pode atuar sobre

alguns processos hidrolgicos ou sobre o comportamento hidrolgico da bacia (CARDOSO et

al, 2006). O fator de forma (Ff) foi determinado utilizando-se a Equao 1.

BFf

L=

(1)

em que:

L = Comprimento axial da bacia (km)

B = Largura mdia (km)1

iBn=

O fator de forma um ndice indicativo da tendncia para enchentes de uma bacia.

Uma bacia com um fator de forma baixo menos sujeita a enchentes que outra de mesmo

tamanho, porm com maior fator de forma. Isso se deve ao fato de que em uma bacia estreita

e longa, com fator de forma baixo, h menos possibilidade de chuvas intensas cobrindo

simultaneamente toda sua extenso; e tambm numa tal bacia, a contribuio dos tributrios

atinge o curso dgua principal em vrios pontos ao longo do mesmo, afastando-se da

condio ideal de uma bacia circular na qual a concentrao de todo o deflvio da bacia se d

num ponto s (CHRISTOFOLETTI, 1980).

5.2.4. Coeficiente de compacidade (Kc)

O coeficiente de compacidade relaciona a forma da bacia com um crculo, constitui a

relao entre o permetro da bacia e a circunferncia de um crculo de rea igual a da bacia.

Este coeficiente um nmero admensional que varia com a forma da bacia,

independentemente do seu tamanho; quanto mais irregular for a bacia, tanto maior ser o

coeficiente de compacidade. Um coeficiente mnimo igual unidade corresponderia a uma

bacia circular e, para uma bacia alongada seu valor significativamente superior a 1. Uma

bacia ser mais suscetvel a enchentes mais acentuadas quando seu Kc for mais o prximo da

unidade (CHRISTOFOLETTI, 1980). O Kc foi determinado baseado na Equao 2.

0,28P

KcA

= (2)

em que:

P = Permetro da bacia (km)

A = rea da bacia (km2)

5.2.5 ndice de Circularidade (IC)

Simultaneamente ao coeficiente de compacidade, o ndice de circularidade tende para

a unidade medida que a bacia se aproxima da forma circular e diminui medida que a forma

torna alongada (CHRISTOFOLETTI, 1980). Para isso, utilizou-se a Equao 3.

212,57

AIC

P=

(3)

em que:

A = rea da bacia (km2)

P = Permetro da bacia (km)

5.2.6. Declividade mdia da Bacia

A declividade mdia calculada pela mdia das divises das diferenas de duas cotas

com o comprimento do segmento de reta entre elas em vrias posies da bacia. Foi utilizado

o software Quantum Gis para realizao da declividade mdia (Quantum GIS, 2006).

5.2.7 Declividade mdia do rio principal

A velocidade de escoamento de um rio depende da declividade dos canais fluviais.

Assim, quanto maior a declividade, maior ser a velocidade de escoamento e bem mais

pronunciados e estreitos sero os hidrogramas das enchentes. Obtm-se a declividade de um

curso dgua, entre dois pontos, dividindo-se a diferena total de elevao do leito pela

extenso horizontal do curso dgua entre esse dois pontos, sendo desprezados trechos

extremos. A declividade do canal pode ser descrita por meio da Equao 4.

HS

L

= (4)

em que:

S = Declividade (m/m);

H = Diferena de cota entre os pontos que definem o incio e o final do canal (m);

L = Comprimento do canal entre esses pontos (m).

5.2.8. Densidade dos cursos dgua (Ds)

Densidade dos cursos dgua envolve a relao entre o nmero de cursos dgua (rios

perenes e intermitentes) e a rea total da bacia. Sua finalidade comparar a freqncia ou a

quantidade de cursos dgua existentes em uma rea de tamanho padro

(CHRISTOFOLETTI, 1980). O rio principal contado apenas uma vez de sua nascente at a

foz. A ordem dos cursos dgua reflete no grau de ramificao ou bifurcao dentro de uma

bacia. Os tributrios de ordem superior so contados da sua nascente at a juno com o rio de

ordem superior. A densidade de cursos dgua no indica a eficincia da drenagem, pois a

extenso dos cursos dgua no levada em conta. A densidade dos cursos dgua pode ser

descrita por meio da Equao 5.

NsDs

A=

(5)

em que:

Ns = Nmero de cursos dgua

A = rea da bacia (km2)

O clculo da densidade de rios importante porque representa o comportamento

hidrogrfico de determinada rea, em um de seus aspectos fundamentais: a capacidade de

gerar novos cursos de gua (CHRISTOFOLETTI, 1980).

5.2.9. Densidade de drenagem (Dd)

A densidade de drenagem correlaciona o comprimento total dos canais de escoamento

com a rea da bacia hidrogrfica (CHRISTOFOLETTI, 1980). O sistema de drenagem

formado pelo rio principal e seus tributrios. Seu estudo indica a maior ou menor velocidade

com que a gua deixa a bacia hidrogrfica, sendo assim, o ndice indica o grau de

desenvolvimento do sistema de drenagem, ou seja, fornece uma indicao da eficincia da

drenagem da bacia, sendo expressa pela relao entre o somatrio dos comprimentos de todos

os canais da rede sejam eles perenes, intermitentes ou temporrios, e a rea total da bacia

(Equao 6). Um valor alto para Dd indicaria uma densidade de drenagem relativamente alta e

uma resposta rpida da bacia a uma precipitao.

LtDd

A=

(6)

em que:

Dd = Densidade de drenagem (km/km2);

Lt = Comprimento total de todos os canais (km);

A = rea de drenagem (km2).

5.3. Levantamento dos aspectos ambientais

Para levantamento dos aspectos ambientais da sub-bacia hidrogrfica do Riacho das

Capivaras considerou-se as informaes e mapas de uso e ocupao do solo (escala

1:400.000) e de rea de preservao permanente, que compem Relatrio Tcnico elaborado

pela Secretaria de Recursos Hdricos de Sergipe em 2006. Para quantificar os tipos de uso

conflitantes da terra, estes mapas foram comparados atravs do Quantum GIS. Os resultados

foram avaliados de acordo com os padres estabelecidos pela Constituio Federal, Leis

Federais no 4.771/65 e legislao ambiental correlata.

5.3.1. Reserva Legal e reas de Preservao Permanentes (APPs)

O Cdigo Florestal, Lei Federal no 4.771/65, em seu artigo primeiro, estabelece que as

florestas existentes no territrio nacional e demais formas de vegetao, reconhecidas de

utilidade s terras que revestem, so bens de interesse comum a todos os habitantes do Pas,

exercendo-se os direitos de propriedade, com as limitaes que a legislao preceitua. Neste

mesmo artigo esto conceituadas as reas de Preservao Permanente (APPs) e reas de

Reserva Legal (ARLs). So reas com funes distintas, embora na prtica sejam

confundidas.

A MP 2.166-67, de 2001, estabelece que as APPs so reas cobertas ou no por

vegetao nativa, com a funo ambiental de preservar aos recursos hdricos, a paisagem, a

estabilidade geolgica, a biodiversidade, o fluxo gnico de fauna e flora, proteger o solo e

assegurar o bem-estar das populaes humanas, esto protegidas nos termos dos artigos 2 e

3 do Cdigo Florestal e tm seus limites definidos no Art. 3 da Resoluo CONAMA

303/02.

De acordo com a Lei Federal no 7.803, de 1989, consideram-se como APPs as

florestas e demais formas de vegetao natural situadas: a) ao longo dos rios ou cursos

dgua, cuja largura mnima varia proporcionalmente largura dos cursos dgua; b) ao redor

das lagoas, lagos ou reservatrios dgua naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que

intermitentes e nos chamados olhos dgua; d) no topo dos morros, montes, montanhas e

serras; e) nas encostas ou parte destas, com declividade superior a 45; f) nas restingas, como

fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas;

h) em altitude superior a 1.800 m, qualquer que seja a vegetao. Consideram-se, ainda, de

preservao permanente, as florestas e demais formas de vegetao natural, quando assim

declaradas por ato do Poder Pblico.

Freqentemente, nas reas de matas ciliares (formaes florestais associadas aos

cursos dgua) estabelece-se conflitos entre os interesses de utilizao destas reas por parte

dos proprietrios das terras e a necessidade de preservao ambiental estabelecida pela

legislao. As matas ciliares desempenham importantes funes e seus efeitos no so apenas

locais, mas refletem na qualidade de vida de toda a populao sob influncia de uma bacia

hidrogrfica. De acordo DAVIDE et al. (2000), seus principais benefcios so:

a) Qualidade da gua: As matas ciliares possuem funo de tamponamento entre os cursos

dgua e reas adjacentes cultivadas; melhoram a qualidade da gua e retm uma grande

quantidade de sedimentos, nutrientes, principalmente fsforo (P) e nitrognio (N), e produtos

txicos. Estas matas conseguem reter cerca de 80% do P e 89% do N provenientes do

escoamento superficial das reas adjacentes. Excesso de P e N na gua provoca o crescimento

exagerado de algas e plantas aquticas, podendo alterar o nvel de oxignio, com conseqente

mortalidade de peixes e outras formas de vidas aquticas;

b) Recarga de aqferos subterrneos: As florestas ciliares so tambm eficientes para recarga

de aqferos subterrneos atravs de canais formados nos solo pelas razes das rvores;

c) Estabilizao das margens dos rios: As matas ciliares permitem a estabilizao do solo s

margens dos rios atravs da grande malha de razes que d resistncia aos barrancos. O litter

florestal, cobertura do solo formada basicamente por resduos vegetais depositados

(VALLEJO, 1982), atua como uma esponja, retendo e absorvendo o escoamento superficial,

auxiliando a infiltrao da gua e a reteno de partculas do solo que so carreadas pela

enxurrada. A taxa de infiltrao de gua no solo florestal pode ser de 10 a 15 vezes maior do

que numa pastagem e 40 vezes mais que num solo descoberto;

d) Habitat para a fauna silvestre: As matas proporcionam uma proviso de gua, alimento e

abrigo para um grande nmero de espcies de pssaros e pequenos animais, alm de

funcionarem como corredores de fauna; e

e) Habitat aqutico: A vida aqutica dos rios e lagos profundamente beneficiada pela

presena de matas ciliares, as quais proporcionam sombreamento para as guas, importante

fator para manuteno da temperatura destas. Variaes bruscas de temperatura da gua

podem afetar uma grande variedade de seres aquticos e reduzir a reproduo e sobrevivncia

dos peixes. As razes das rvores, alm de darem estabilidade s margens, propiciam a criao

de tocas, que servem de abrigo para peixes e outros organismos. Finalmente, os frutos, flores,

folhas e ramos fornecem alimento e abrigo para pequenas criaturas que vivem no fundo dos

rios e lagos, como insetos, anfbios, crustceos e pequenos peixes, sendo vitais na cadeia

alimentar.

A supresso total ou parcial de florestas e demais formas de vegetao permanente

somente ser admitida quando necessria execuo de obras, planos, atividades ou projetos

de utilidade pblica ou interesse social, quando inexistir alternativa tcnica e locacional ao

empreendimento proposto, sem prejuzo do licenciamento a ser procedido pelo rgo

ambiental competente. Previamente autorizao para a supresso de vegetao em rea de

preservao permanente, o rgo ambiental competente indica as medidas mitigadoras e

compensatrias que devero ser adotadas pelo empreendedor. Nestas reas o acesso de

pessoas e animais permitido para obteno de gua, desde que no exija a supresso e no

comprometa a regenerao e a manuteno em longo prazo da vegetao nativa (MP 2.166-

67, de 2001).

considerada rea de Reserva Legal a rea localizada no interior de uma propriedade

ou posse rural, excetuada a de preservao permanente, necessria ao uso sustentvel dos

recursos naturais, conservao e reabilitao dos processos ecolgicos, conservao da

biodiversidade e ao abrigo e proteo de fauna e flora nativas (MP 2.166-67, de 2001). A

vegetao da reserva legal no pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime

de manejo florestal sustentvel, de acordo com princpios e critrios tcnicos e cientficos

estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipteses previstas no 3o do Artigo 16, da Lei

4.771/65, sem prejuzo das demais legislaes especficas. Este pargrafo diz que para

cumprimento da manuteno ou compensao da rea de reserva legal em pequena

propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de rvores frutferas

ornamentais ou industriais, compostos por espcies exticas, cultivadas em sistema intercalar

ou em consrcio com espcies nativas (MP 2.166-67 de 2001).

As florestas e outras formas de vegetao nativa, ressalvadas as situadas em rea de

preservao permanente, assim como aquelas no sujeitas ao regime de utilizao limitada ou

objeto de legislao especfica, so suscetveis de supresso, desde que sejam mantidas, a

ttulo de reserva legal, no mnimo: a) oitenta por cento da propriedade rural localizada na

Amaznia Legal; b) trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em rea de cerrado

localizada na Amaznia Legal, sendo no mnimo vinte por cento na propriedade e quinze por

cento na forma de compensao em outra rea, desde que esteja localizada na mesma micro-

bacia, e seja averbada margem da inscrio de matrcula do imvel, no registro de imveis

competente, sendo vedada a alterao de sua destinao, nos casos de transmisso, a qualquer

ttulo, de desmembramento ou de retificao da rea, com as excees previstas neste Cdigo.

Quando se tratar de averbao da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar

gratuita, devendo o Poder Pblico prestar apoio tcnico e jurdico, quando necessrio; c)

vinte por cento, na propriedade rural situada em rea de floresta ou outras formas de

vegetao nativa localizada nas demais regies do Pas; e d) vinte por cento, na propriedade

rural em rea de campos gerais localizada em qualquer regio do Pas (MP 2.166-67 de 2001).

A localizao da reserva legal deve ser aprovada pelo rgo ambiental estadual

competente ou, mediante convnio, pelo rgo ambiental municipal ou outra instituio

devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovao, a funo social

da propriedade, e os seguintes critrios e instrumentos, quando houver: a) o plano de bacia

hidrogrfica; b) o plano diretor municipal; c) o zoneamento ecolgico-econmico; d) outras

categorias de zoneamento ambiental; e e) a proximidade com outra Reserva Legal, rea de

Preservao Permanente, unidade de conservao ou outra rea legalmente protegida (MP

2.166-67 de 2001).

Recentemente, os percentuais de Reserva Legal e APPs, definidos em Cdigo

Florestal tm sido alvo de discusses polmicas. Projetos de leis tramitam na Cmara dos

Deputados propondo desde a mudana no cmputo das reas de reserva legal como, at

mesmo, a reduo do percentual a ser respeitado. Exemplos deles so o: PL 3225/08 que

altera o cmputo das reas de preservao permanente (APPs) no clculo da reserva legal em

propriedades rurais; PL 0238.0/2008 que prope a reduo de 30 para 5 metros a rea de

matas ciliares situadas s margens dos cursos dgua no Estado de Santa Catarina; PL

4519/08 que visa a reduo de 80% para 35% nas reas de reserva legal dentro da Amaznia;

e a Reduo de 80 para 50% da rea de reserva legal s margens das rodovias BR-163

(Cuiab-Santarm) e BR-230 (Transamaznica). O argumento central destas propostas a

necessidade de disponibilizar terras para a agricultura. As discusses so baseadas

essencialmente em critrios econmicos e poucos argumentos biolgicos tm sido levantados.

A deciso sobre as alteraes do Cdigo Florestal depende de parmetros biolgicos,

econmicos, sociais e polticos. Porm, as implicaes biolgicas de qualquer alterao nos

instrumentos legais so fundamentais para embas-la.

5.3.2 Extrao Mineral

A minerao uma atividade degradadora e uma das maiores modificadoras da

superfcie terrestre, afetando no somente a paisagem local, mas o ecossistema em geral. Os

recursos minerais so indispensveis sobrevivncia do ser humano j que estes fazem parte

do cotidiano em praticamente todas as atividades (FILHO et al., 2007). A atividade de

minerao um dos setores bsicos da economia brasileira, responsvel no ano de 2000 por

8,5% do Produto Interno Bruto (PIB), que perfaz 50,5 bilhes de dlares, gerando 500.000

empregos diretos e um saldo na balana comercial de US$ 7,7 bilhes de dlares, alm de ter

tido um crescimento mdio anual de 8,2% no perodo 1995/2000 (WAGNER, 2002).

A extrao de minerais utilizados na construo civil est distribuda regionalmente no

pas, sendo 4% no norte, 8% no centro-oeste, 13% no nordeste, 21% no sul e 54% no sudeste.

Em 1992, estimou-se que existiam 16.528 pequenas empresas, com produo mineral da

ordem de 1,98 bilhes de dlares, em geral atuando em regies metropolitanas para uso na

construo civil (BARRETO, 2001). Os dados sobre pequenas mineraes so imprecisos,

uma vez que muitas empresas trabalham na informalidade, prejudicando a anlise estatstica.

A minerao, de um modo geral, est submetida a um conjunto de regulamentaes federais,

estaduais e municipais, com atribuies em relao minerao e ao meio ambiente (REIS et

al., 2005).

Trata-se de uma atividade econmica com suas definies na Constituio Federal e

legislao estipulada pelo Cdigo de Minerao e extensa legislao correlata. Neles

disciplinam-se acessos, conflitos de propriedade, direitos e obrigaes, bem como a

necessidade de recuperao de reas degradadas pela atividade (SINTONI, 2001). A

Constituio Federal no deixa dvidas quanto s particularidades da minerao ao

estabelecer em seus artigos: 20, inciso IX que os recursos minerais, inclusive os do subsolo

so bens da Unio e 176 que as jazidas, em lavra ou no, e demais recursos minerais e os

potenciais de energia hidrulica constituem propriedade distinta do solo, para efeito de

explorao ou aproveitamento, e pertencem Unio, garantida ao concessionrio a

propriedade do produto lavra. Desta forma, est assegurado que o subsolo propriedade

inconteste da Unio. O direito da explorao das substncias minerais est prescrito no

Cdigo de Minerao, fazendo-o cumprir o Departamento Nacional da Produo Mineral

DNPM. Este cdigo foi criado pelo Decreto-Lei 227/67 e modificado pela Lei Federal no

9.314/96. Em seu artigo 1. legisla sobre a competncia da Unio, que de administrar os

recursos minerais a indstria de produo mineral e a distribuio, o comrcio e o consumo de

produtos minerais. O DNPM o regulamentador das atividades mineral, atua como rgo co-

participante com os rgos ambientais estaduais no licenciamento ambiental das extraes

minerais. E, apesar desta co-participao, um grande volume de atividades clandestinas de

extrao de areia se desenvolve a revelia da legislao mineral e ambiental (SOUZA et al.,

2004).

Toda atividade de minerao sujeita ao licenciamento ambiental, inclusive as dos

minerais de uso direto na construo civil, como a areia. A Resoluo CONAMA 010/90 de

06 de dezembro de 1990 estabelece critrios especficos para o Licenciamento Ambiental de

extrao mineral da Classe II (Decreto-Lei n 227, 28 de fevereiro de 1967), visando o melhor

controle dessa atividade conforme preconiza as Leis n 6.567/76, 6.938/81, 7.804/89 e

7.805/89. A Resoluo CONAMA 237/97, regulamenta o licenciamento ambiental que foi

previsto pela Poltica Nacional do Meio Ambiente.

A extrao de minerais tem gerado muita polmica tanto na comunidade cientfica,

quanto na sociedade em geral e nos meios de comunicao, no somente pela degradao

causada, mas tambm pelas lagoas resultantes do processo final da explorao, que se

apresentam em grande nmero (FILHO et al., 2007). A minerao, diferentemente de outras

atividades industriais, possui rigidez locacional. S possvel minerar onde existe o minrio.

No caso especfico da minerao de areia, esta ocorre em locais onde houve a deposio de

material sedimentar erodido ao longo de eras geolgicas. Normalmente esses locais esto

prximos a fundo de vales e aos rios, coincidindo muitas vezes com as matas ciliares,

consideradas reas de preservao permanente APPs (ANNIBELLI, 2007). Esta assertiva,

apesar de bvia, sempre gera polmicas entre mineradores e ambientalistas, pois, assim como

a minerao locacional, a singularidade da flora e da fauna, requisitos para a implantao de

reas de conservao, tambm o .

As APPs garantem a estabilizao das margens de cursos dgua, atuando no controle

da eroso do solo e na manuteno da vazo e qualidade da gua, atenuando o carreamento de

sedimentos, nutrientes e produtos qumicos do solo para o ambiente aqutico, que podem

afetar a qualidade da gua e/ou diminuir a vida til dos reservatrios (SOUZA et al., 2004).

Em maro de 2006, foi aprovada a Resoluo no 369 do CONAMA, que dispe sobre a

possibilidade de interveno ou supresso de vegetao em APP. Levou-se em conta a

singularidade e o valor estratgico das reas de preservao permanente, caracterizadas, como

regra geral, pela intocabilidade e vedao de uso econmico direto. Considerou-se, ainda, que

as APPs, bem como outros espaos territoriais especialmente protegidos, so instrumentos de

relevante interesse ambiental, pois, integram o desenvolvimento sustentvel, objetivo das

presentes e futuras geraes, alm de sua funo socioambiental. No entanto, esta Resoluo

normatizou acerca de casos excepcionais, considerou que, em se tratando de obras, planos,

atividades, projetos de utilidade pblica ou de interesse social e para a realizao de aes

consideradas eventuais ou de baixo impacto ambiental, pode haver interveno ou supresso

de APP, mediante autorizao do rgo ambiental (ANNIBELLI, 2007).

Os estudos prvios requeridos em licenciamento tm como objetivo minimizar os

impactos que esta atividade pode causar ao meio, incrementar as aes relacionadas aos

impactos positivos e propor medidas de controle ambiental. Estas medidas podem ser

apresentadas em trs nveis: 1) Minimizao: que correspondem a aes que visam reduzir ou

eliminar impactos; 2) Reabilitao: que correspondem a aes que visam reintegrar os

ambientes condio original; e 3) Compensao: que so aes no sentido de compensar

impactos que no podem ser minimizados. Dentre as principais medidas de controle para os

impactos do meio bitico (p. ex.: alterao da flora, degradao de APP e

deslocamento/alterao comportamental da fauna), REIS et al. (2005) propem fazer

levantamento da flora local para realizar revegetao da rea e manter corredores verdes para

a migrao da fauna local. Para os impactos ao meio fsico (p. ex.: mudana da paisagem

natural, modificao na estrutura e fertilidade do solo, processos erosivos, alterao do nvel

do lenol fretico), os autores propem estudos prvios sobre a vegetao e relevo antes de se

modificar a topografia, estudos hidrolgicos para verificar as situaes dos nveis de lenol

fretico, realizar manejo correto do solo, implementar sistemas de drenagem para conter

processos erosivos e promover a recomposio vegetal nas reas susceptveis eroso.

Em geral, a extrao de areia causa impactos positivos sob o aspecto scio-

econmicos e impactos negativos sob o aspecto ambiental. Como impactos positivos podem-

se elencar a gerao de empregos diretos, bem como de empregos indiretos decorrentes dos

postos de trabalho que dependem da areia. Ao mesmo tempo, gera impostos, que revertem em

servios populao, possibilitando que se d continuidade a obras e projetos que visem

melhorar as condies de vida, proporcionando bem estar populao em geral. Em relao

aos impactos ambientais negativos podem-se elencar: a destruio da mata ciliar, o afugento

de animais, a poluio das guas e dos solos devido ao uso inadequado de combustveis

fsseis, a prtica de queimadas que visam acabar com a cobertura vegetal, a alterao dos

cursos dos rios, bem como de sua profundidade, alterando a velocidade de escoamento dessas

guas, entre outros (ANNIBELLI, 2007).

LELLES et al. (2005) identificaram e caracterizaram qualitativamente impactos

ambientais da extrao de areia em cursos d gua. Foram identificados 49 impactos, sendo 36

negativos (73,47%) e 13 positivos (26,53%). REIS et al. (2005) realizaram levantamento de

impactos ambientais nos empreendimentos de minerao de areia e argila, e entornos, no Rio

Jaguari Mirim (SP), distinguindo vrios impactos negativos e positivos. Neste diagnstico foi

apresentada uma tabela comparativa dos impactos ambientais, medidas de controle e aes de

monitoramento dos empreendimentos por ele estudado. SOUZA et al. (2004) ao estudarem a

degradao, por extrao de areia, em rea de preservao permanente no Rio Turvo (GO)

constatou o no cumprimento da legislao e das exigncias do rgo ambiental descritas em

um Plano de Controle Ambiental (PCA). Para o autor, uma maior rigidez na fiscalizao das

atividades em sua fase operacional necessria e suficiente para atenuar os danos constatados

na regio. RUFINO et al. (2008), em seu estudo identificaram e avaliaram qualitativamente a

degradao ambiental provocada pela minerao de areia na regio do mdio curso do Rio

Paraba (PB), tambm compartilham dessa viso. Para ele, a falta de fiscalizao e controle

dos rgos ambientais na extrao mineral gera grande parcela dos passivos ambientais,

sociais, trabalhistas e tributrios do setor. Todavia, a aplicao de normas cada vez mais

severas aliada ao desenvolvimento cientfico e tecnolgico tem contribudo para a reduo

dos impactos causados ao meio pela minerao. E que, por outro lado, enquanto no houver

uma integrao de aes da administrao pblica, da iniciativa privada e da comunidade, os

princpios ambientais contidos na Legislao Federal, Estadual e Municipal no sero

efetivados.

5.3.3. Ocupao urbana Assentamentos de Reforma Agrria

A ocupao urbana causa inmeras conseqncias sobre o equilbrio do meio

ambiente. Os principais problemas decorrentes so: desestruturao da topografia e da

hidrologia local, produo de sedimentos ocasionada pelos vrios tipos de eroso

(superficiais, voorocamentos, desmoronamentos e deslizamentos), contaminao dos

mananciais por resduos e deposio de entulhos

Os assentamentos de reforma agrria, devido ao seu potencial de impacto e dano

ambiental, so submetidos ao processo de licenciamento ambiental (Resoluo 289/2001 do

CONAMA). De acordo com a Resoluo 387, o licenciamento ambiental deve ser realizado

pelos rgos competentes, sendo necessrias apenas duas licenas, a prvia e a de instalao-

operao. No incio de 2007, o Tribunal de Contas da Unio (TCU) determinou mudanas nos

procedimentos de desapropriao de imveis rurais para fins de reforma agrria. Segundo

TCU, para minimizar despesas, o decreto presidencial determinando a desapropriao da terra

s deve ser publicado aps expedio de licena ambiental relativa ao projeto de

assentamento. No entendimento deste rgo, no processo de licenciamento haver casos em

que a licena ambiental no poder ser emitida, bem como casos em que a licena ambiental

apresentar condicionantes que tornam o assentamento invivel. Em 29 de maro de 2007, o

INCRA impetrou um mandado de segurana (MS 26503) contra a recomendao do TCU,

argumentando que a elaborao do projeto de assentamento, que depende da licena

ambiental, s pode ser feita a emisso da posse da terra. Assim, no seria possvel obter a

licena antes da publicao do decreto.

6. Resultados e Discusses

6.1. Caractersticas fisiogrficas

A sub-bacia hidrogrfica do Riacho das Capivaras apresenta uma rea de 23,87 km2,

com permetro de 28,5 km. Sua declividade mdia de 17,9%, o que segundo BERTONI e

NETO (1990) corresponde classe de declives fortes (12 50%). reas nesta faixa de

declive, de acordo com os autores, podem ser trabalhadas mecanicamente, para uso agrcola,

apenas em curva de nvel e por mquinas simples de trao animal ou, em certos limites, por

tratores de esteiras. A declividade influencia a relao entre a precipitao e o deflvio da

bacia hidrogrfica, sobretudo devido ao aumento da velocidade de escoamento superficial,

reduzindo a possibilidade da infiltrao de gua no solo (CARDOSO et al., 2006).

O curso dgua principal apresenta comprimento de 13,6 km. Os valores do coeficiente

de compacidade, do fator de forma e do ndice de circularidade foram 1,64; 0,21 e 0,37,

respectivamente. De acordo com os resultados, pode-se afirmar que a sub-bacia apresenta

forma alongada, mostrando-se pouco susceptvel a enchentes em condies normais de

precipitao (Figura 3).

Em estudo realizado em Teixeira de Freitas, BA, constatou-se que em uma bacia com

rea igual a 0,589 km2, 67,3% ocupada por floresta, e outra com rea de 0,257 km2, com

ocupao de 100% de pastagem, foram encontrados ndices de circularidade de 2,96 e 2,01,

respectivamente. Observou-se que picos de vazo com aumento da precipitao

proporcionaram a sada rpida da gua dessas bacias logo aps a precipitao (AZEVEDO,

1995). Dados semelhantes foram gerados a partir de estudo da bacia hidrogrfica do Rio

Debossan em Nova Friburgo, RJ, cuja rea de drenagem encontrada foi de 9,9156 km e o

permetro, de 17,684 km. A bacia hidrogrfica do Rio Debossan tem formato alongado,

coeficiente de compacidade de 1,5842, fator de forma de 0,3285 e ndice de circularidade de

0,3985. A forma mais alongada da bacia hidrogrfica indica que a precipitao pluviomtrica

sobre ela se concentra em diferentes pontos, concorrendo para amenizar a influncia da

intensidade de chuvas, as quais poderiam causar maiores variaes da vazo do curso dgua

(CARDOSO et al., 2006).

FIGURA 3. Forma alongada e a densidade dos cursos dgua da sub-bacia do Riacho das Capivaras

(SEPLAN/SRH-SE, 2006).

A densidade de drenagem encontrada na sub-bacia do Riacho das Capivaras foi de 4,25

km/km2 e o valor da densidade dos cursos dgua 10,26 (Figura 3). De acordo com

VILLELA e MATTOS (1975), este ndice pode variar de 0,5 km/km2, em bacias com

drenagem pobre, a 3,5 km/km2, ou mais, em bacias bem drenadas, indicando, assim, que a

bacia em estudo possui elevada capacidade de drenagem. Assim como o ndice de densidade

de drenagem encontrado na bacia hidrogrfica do Rio Turvo Sujo, em MG, que foi de 4,6

km/km2, mostrando que aquela bacia apresenta elevada capacidade de drenagem (SANTOS,

2001). J CARDOSO et al., (2006), identificaram que a bacia hidrogrfica do Rio Debossan

possui densidade de drenagem de 2,35 km/km2, possuindo mdia capacidade de drenagem.

6.2. Aspectos ambientais

6.2.1. Uso e Ocupao do solo

A sub-bacia do Riacho das Capivaras abrange 96 (noventa e seis) propriedades rurais,

uma indstria de beneficiamento de leite (sem funcionamento) e dois povoados, Jurema e

Fonte Nova (SEPLAN-SRH/SE, 2006).

Predominam nesta rea, as propriedades rurais caracterizadas como minifndios, com

at 10 ha. So 46 unidades includas nesta categoria, correspondendo a 47,9%

do nmero total de propriedades (96). Contrapondo a esta realidade, 12 imveis tm rea

superior a 50 ha e correspondem a apenas 12,5% do total de imveis. (Figura 4).

FIGURA 4 . Imveis da sub-bacia do Riacho das Capivaras agrupados por rea (SEPLAN/SRH-SE,2006).

Embora o nmero de propriedades com rea superior a 50 ha represente apenas 12,5%

dos imveis, a rea ocupada por estas alcana 1.333,88 ha, equivalendo a 55,8% da rea da

sub-bacia, podendo-se dizer que existe uma expressiva concentrao de terra entre poucos

proprietrios. A Figura 5 ilustra quanto cada imvel representa da rea da sub-bacia.

FIGURA 5. Percentual de ocupao de cada imvel na rea da sub-bacia do Riacho das Capivaras

(SEPLAN/SRH-SE, 2006).

A atividade agrcola predominante a pastagem para criao extensiva de pequenos

rebanhos. So 1.350,1ha (56,50% da rea em estudo) distribudos em pastagens implantadas

h muitos anos, pastos sujos caracterizados por pastos com vegetao arbustiva ou rvores

esparsas, ou reas degradadas representadas por pastos degradados com exposio de solo.

O pisoteio e o pastejo seletivo de plantas mais palatveis, submetem trechos da

pastagem superlotao e outros sub-lotao. Pelo pisoteio compacta-se a superfcie da

pastagem, especialmente em pocas de chuva (PRIMAVESI, 1986). FOLONI et al. (2003)

verificaram que a compactao influenciou o desenvolvimento areo e modificou a

distribuio do sistema radicular ao longo do perfil de duas cultivares de milho com

caractersticas genticas distintas, em solo submetido a quatro nveis de compactao.

ALBERNAZ e LIMA (2007) analisando o grau de degradao da cobertura vegetal de

quarenta reas de pastagens, situadas em duas sub-bacias hidrogrficas da regio de Lavras,

MG, verificaram que a cobertura vegetal total foi menor para as pastagens mistas, quando

comparadas aos pastos plantados, expondo estas reas a um maior risco de degradao,

detectada pela substituio natural e seletiva de espcies cultivadas por nativas. So reas de

solos mais expostos que possivelmente estejam em estgio avanado de degradao, nas quais

se empregam menos prticas conservacionistas.

As pastagens esto presentes em toda a extenso da sub-bacia e invadem at mesmo as

reas situadas margem do Riacho das Capivaras, onde deveria estar protegida pela mata

ciliar, que somente identificada em pequenas franjas, sem grande expresso em termos de

rea (Figura 6).

FIGURA 6. Paisagem com predominncia de relevo ondulado, ocupada com pastagem e pequenos testemunhos

da mata nativa (SEPLAN/SRH-SE, 2006).

As pastagens, embora em intensidade um pouco menor que as florestas, fornecem

grande proteo ao solo contra os efeitos da eroso. Seu trato pode afetar grandemente seu

valor como revestimento do solo contra a eroso (BERTONI e NETO, 1990). O manejo

inadequado o responsvel pela intensificao da ao dos fatores erosivos naturais

relacionados com solo, clima e relevo, promovendo o surgimento de inmeras feies

erosivas, principalmente as lineares, representadas pelos sulcos, ravinas e voorocas

(FUJIHARA, 2002). AZEVEDO (2004) estudou a degradao do solo sob pastagens,

diagnosticando-a qualitativamente e quantitativamente, para o entendimento dos ndices de

degradao. Este autor obteve ndices de degradao fsica, qumica e geral, a partir da

quantificao de atributos fsicos e qumicos do solo e comparando-os com dados da

vegetao natural de mesma toposequncia.

Ocorre que, o pastejo permanente e as queimadas, praticados na regio, so mtodos

que destroem, por melhor que seja, qualquer pastagem, (PRIMAVESI, 1986). Em volta de

aguadas, cochos e lugares preferidos pelo gado o solo fica desnudo (Figura 7).

FIGURA 7. Pastagem degradada, apresentando solo exposto (SEPLAN/SRH, 2006).

A queimada tambm prtica comum na sub-bacia em estudo, por se tratar de mtodo

mais rpido e barato para limpeza de pastos e reas para plantio (Figura 8). No entanto esta

prtica tem conseqncias negativas (Figura 9), no local em que houve a queimada instala-se

uma vegetao mais resistente ao fogo, ocorre a decadncia fsica pronunciada do solo, a

absoro de clcio e fsforo pelas forrageiras diminuda, bem como, desaparecem os

animais terrcolas benficos e aumentam os parasitas (PRIMAVESI, 1986).

FIGURA 8. Uso do fogo para limpeza de reas para plantio (SEPLAN/SRH-SE, 2006).

FIGURA 9. rea aps a queimada (SEPLAN/SRH-SE, 2006).

Segundo a Lei Federal no 4771/65, em seu art. 17, pargrafo nico, proibido o uso

de fogo nas florestas e demais formas de vegetao. Se peculiaridades locais ou regionais

justificarem o emprego do fogo em prticas agropastoris ou florestais, a permisso ser

estabelecida em ato do Poder Pblico, circunscrevendo as reas e estabelecendo normas de

precauo.

Outra atividade exercida na sub-bacia em estudo a agricultura praticada em pequenas

reas, com o cultivo de milho, feijo, mandioca e frutferas. Esta prtica agrcola

caracterizada como de subsistncia e ocupa apenas 217,70ha (9,11%) e assim como as

pastagens, est dissociada de prticas conservacionistas. Os campos de produo de cco

(Cocus nucifera), no possuem produtividade expressiva, sendo a cultura utilizada para

aproveitar as condies favorveis da composio granulomtrica dos solos que apresenta

textura com grande percentual de areia. Tais reas no recebem, com a freqncia

tecnicamente recomendada, adubao de manuteno, que venha repor a exportao de

nutrientes natural de um processo produtivo. Esta ocorre em maior freqncia nas

proximidades da foz do Riacho das Capivaras, possivelmente por apresentar reas menos

declivosas, maior facilidade para tratos culturais e solos com fertilidade natural mais elevada

(SEPLAN/SRH-SE, 2006).

As espcies ctricas (Citrus sp), tambm esto presentes em reas at menores que os

coqueirais, constituindo plantios na maioria das vezes no comerciais, compondo reas em

pequenos stios ou chcaras, servindo como uma fonte de renda adicional, para o sustento das

famlias nos minifndios. Algumas destas reas so rudimentarmente irrigadas durante o

perodo seco, atravs da captao de gua no riacho (Figura 10).

FIGURA 10. Captao de gua para consumo humano e irrigao de pequeno porte (SEPLAN/SRH-SE, 2006).

As culturas anuais como milho (Zea mays), feijo (Phaseolus vulgaris) ou at mesmo

mandioca (Manihot esculenta Crantz), ainda est atrelada subsistncia, tpica das

propriedades descapitalizadas, que sofrem com as dificuldades de acesso ao crdito e

assistncia tcnica. A queimada, como citado anteriormente, prtica frequente como medida

de preparo da terra para o posterior plantio das lavouras, inclusive em reas de encosta.

As capineiras tambm esto presentes na rea, representadas pelas espcies de capim

colonio (Panicum maximum) e capim elefante (Peninsetum purpureum), dentre outras. Estas

forrageiras so utilizadas como reserva estratgica de alimento fornecida aos rebanhos

diretamente no cocho ou na forma de ensilagem no perodo seco, ou para complementar a

alimentao de pequenos criatrios durante o ano.

Tambm compe a paisagem da sub-bacia, remanescentes de mata atlntica em

diferentes estgios de antropizao e/ou sucesso ecolgica. So 80,9 ha de mata atlntica

(3,39%) e 624,5 ha (26,14%) de mata atlntica em diferentes estgios de regenerao

denominada capoeira grossa e capoeira fina, distribuda em rea no necessariamente de

preservao permanente. Entende-se por capoeira grossa a mata com forte antropizao, mas

que ainda conserva grande parte das espcies que melhor representam o ecossistema. E por

capoeira fina, a mata de muito forte antropizao, apresentando uma vegetao bastante rala,

composta predominantemente por arbustos, rvores de pequeno porte ou espcies secundrias

(SEPLAN/SRH, 2006). (Figuras 11.a e 11.b).

Observa-se na Figura 12 (mapa de uso e ocupao da terra) que ocorre uma maior

concentrao de capoeiras, com destaque para a capoeira grossa presente no tero mdio da

sub-bacia, possivelmente, por se tratar de uma rea mais declivosa, onde a prtica agricultura

mais difcil e o difcil acesso leva a uma mais lenta presso sobre os recursos vegetais ali

presentes.

FIGURA 11. Mata de capoeira: Capoeira grossa (a) e Capoeira fina (b) (SEPLAN/SRH-SE, 2006).

A capoeira fina, normalmente est associada com reas de pastagem (Figura 11.b),

pois se mostraram muito presentes nos declives menos acentuados. Algumas reas, devido ao

abandono, apresentam sintomas de uma sucesso natural que pode levar a uma precria, mas

necessria recuperao daquele ecossistema (SEPLAN/SRH-SE, 2006).

FIGURA 12. Mapa de Uso e Ocupao do solo da sub-bacia do Riacho das Capivaras

(SEPLAN/SRH-SE, 2006).

Os solos expostos, ora considerados como rea degradada, ocupam 74,4 ha (3,11%) e

as construes e benfeitorias, 41,8 ha (1,75%). Para OLDEMAN e LYNDEN (1998) existem

cinco principais causas para a degradao, isto , o desmatamento, o manejo inadequado da

agricultura, o superpastejo, a superexplorao da vegetao para combustvel e a atividade

industrial. Para KOBIYANA et al. (2001), muitos fatores relacionados agricultura podem

causar degradao do solo, da gua, do ar, dos organismos e da topografia. Entre estes, pode-

MATA

CAP. GROSSA

CAP. FINA

AGRICULTURA

PASTO

PASTO SUJO

REA DEGRADADA

se enfatizar a inaptido do ambiente, a compactao, o preparo de solo inadequado, o

monocultivo, a irrigao inadequada, o superpastejo e a cobertura de solo insuficiente. A no

observao de alguns destes pode transformar reas agrcolas em ambientes degradados. Na

Figura 13, tem-se a distribuio do uso e ocupao das terras da sub-bacia do Riacho das

Capivaras, em percentual.

FIGURA 13. Uso e Ocupao do solo da sub-bacia do Riacho das Capivaras em percentuais

(SEPLAN/SRH-SE, 2006).

6.2.2. Reserva Legal e reas de Preservao Permanente (APPs)

Na sub-bacia do Riacho das Capivaras a presena da Mata Atlntica ocorre em apenas

3,39% de sua extenso, quando consideramos a mata nos diversos estgios de regenerao

(capoeira fina e capoeira grossa) este percentual eleva-se para 29,53%, equivalente a 705,4 ha

distribudos aleatoriamente. A vegetao nativa da rea em estudo foi substituda ao longo do

tempo por pastagens, agricultura e para extrao mineral (areia). Esta interveno mais

significativa nas reas que deveriam estar ocupadas pela mata ciliar, considerada de

preservao permanente de acordo com o Cdigo Florestal Brasileiro (Lei n. 4.771/65).

(Figura 14)

FIGURA 14. Supresso da mata ciliar para implantao de pastagem.

As matas ciliares so os ecossistemas mais intensamente utilizados e degradados pelo

homem. Por possurem solos frteis e midos, elas esto sendo substitudas pela agricultura e

pecuria. Nestas reas tambm so comuns a explorao de areia e cascalho, com conseqente

solapamento dos barrancos, queda de rvores e assoreamento dos cursos dgua (DAVIDE et

al., 2000). Na sub-bacia do Riacho das Capivaras, as conseqncias da supresso da

vegetao ciliar so visveis, como mostra a Figura 15.

FIGURA 15. Desestabilizao das margens e conseqente assoreamento do curso dgua.

As APPs ao longo dos cursos dgua e nascentes, correspondem a 602,84 ha, o que

representa, aproximadamente, 25,23% da rea da sub-bacia. As APPs com declividade igual

ou superior a cem por cento ou 45 correspondem a 42,76 ha, o que representa,

aproximadamente, 1,78% da rea da sub-bacia. As APPs nos topos de morro correspondem a

42,88 ha, o que representa, aproximadamente, 1,79% da rea da sub-bacia. As APPs em volta

das lagoas e represas correspondem a 4,50 ha, o que representa, aproximadamente, 0,19% da

rea da sub-bacia. A rea de preservao permanente total foi obtida atravs do agrupamento

das APPs acima citadas, resultando em uma rea total de 692,9 ha, equivalente a 29% da rea

da sub-bacia. Em algumas propriedades o total de reas de mata superior ao total da APP

que a legislao prev para a regio, mas estas reas deveriam estar distribudas em locais

especificados pela legislao (ao longo das nascentes e cursos dgua, nos topos de morros,

entre outros). Para avaliar este fato foram sobrepostos os resultados das APPs obtidos

anteriormente com os obtidos na carta de vegetao e uso do solo. Na Figura 16.a, a cor verde

representa a rea permanente prevista em Cdigo Florestal, na Figura 16.b, o verde representa

a rea de mata existente que coincide com a rea permanente.

a) b)

FIGURA 16. a) rea de preservao permanente prevista em Cdigo Florestal; b) rea de preservao permanente existente (SEPLAN/SRH-SE, 2006).

As APPs que coincidiram com as reas de mata e capoeira grossa, que na data da

obteno da imagem, correspondem a 93,39 ha, o que significa dizer que apenas 13,27% da

rea total de APPs na sub-bacia so preservados. A maior parte da rea (599,51 ha), a cor

marron da Figura 16.b, aproximadamente 86,52%, deveria ser recuperada, como previsto no

Cdigo Florestal.

Embora a supresso da vegetao ciliar, ocorrida na sub-bacia do Riacho das

Capivaras, tenha sido motivada pela necessidade imediata de subsistncia do produtor, apenas

16,6% dos produtores declararam que sua propriedade rural constitui sua principal fonte de

renda (SEPLAN/SRH-SE, 2006). Estas propriedades, ditas como principal fonte de renda,

ocupam 230,24 ha, ou seja, 9,63% da rea da sub-bacia. Esta avaliao permite-nos inferir

que a rea da bacia encontra-se em estgio avanado de degradao em funo do

desmatamento e queimadas para implantao de agroecossistemas, que por no guardarem

suas principais propriedades (produtividade, estabilidade, sustentabilidade, equidade e

autonomia), as receitas geradas so insuficientes para a manuteno familiar dos agentes

produtivos, obrigando a maioria buscarem outras fontes de receita (SEPLAN/SRH-SE, 2006).

6.2.3. Extrao Mineral

A extrao de areia na sub-bacia do riacho das Capivaras para aplicao na indstria

da construo civil o maior fator de degradao ambiental pelo extrativismo mineral

ocorrido na rea. Os efeitos danosos desta extrao acarretam conseqncias devastadoras

para o meio ambiente aqutico e ribeirinho, que na maioria das vezes so irreversveis. A

retirada de areia no leito do riacho das Capivaras prtica comum e ocorre h algum tempo

(Figura 13). Realizado de forma clandestina, para abastecer o mercado da construo civil

local, o processo geralmente manual, consistindo na retirada do material a partir de ps, por

pessoas da prpria comunidade. A atividade conduzida totalmente sem atendimento a

critrios tcnicos, pois uma rea que no possui permisso de lavra, o que indica que

nenhum dos estudos previamente requeridos para o licenciamento, foi realizado, constituindo-

se em uma explorao predatria, que gera alteraes no meio ambiente.

FIGURA 17. Retirada de areia no leito do Riacho das Capivaras (SEPLAN / SRH SE, 2006).

Na rea em estudo, a minerao no representa grande parcela em extenso, se

comparada aos demais agentes degradadores. Sua ocorrncia pontual, limitando-se a

pequenas reas em que o exerccio desta atividade foi confirmado em apenas trs

propriedades (Figura 17). Entretanto, seus efeitos so drsticos ao meio ambiente, por causar

movimentao profunda das camadas do solo, retirada da vegetao e alterao do regime de

escoamento da gua.

6.2.4. Ocupao urbana Assentamento de Reforma Agrria

Na rea estudada, existem dois ncleos urbanos, o povoado Jurema e o povoado Fonte

Nova. Juntos, eles ocupam uma rea de 14,86 ha dos quais 2,26 ha so passveis de

reflorestamento segundo o Cdigo Florestal, pois se trata de rea de preservao permanente,

distribuda da seguinte forma: 1,66 ha so de mata ciliar; 0,22 ha de rea de encosta; e 0,38 ha

entornam de lagoa/represa. No h rede pblica de esgotamento sanitrio, apenas sumidouros

para descarte de efluentes slidos e lquidos e o lixo produzido basicamente queimado pela

populao (SEPLAN / SRH SE, 2006).

importante citar a implantao de um assentamento rural. Na poca da coleta dos

dados que subsidiaram o Relatrio Tcnico da Secretaria de Recursos Hdricos do Estado de

SE, havia um acampamento do Movimento dos Sem Terras (Figura 18) na Faz. Capivara

(uma das propriedades consideradas neste trabalho), no qual as construes foram feitas com

madeira retirada dos remanescentes de mata atlntica da rea (Figura 19). Esta fazenda foi

declarada de interesse social para fins de desapropriao, conforme publicao de 13 de

janeiro de 2005 do Dirio Oficial da Unio e nela foram assentadas 90 famlias.

FIGURA 18. Assentamento do MST existente na sub-bacia do Riacho das Capivaras (Arquivo INCRA).

FIGURA 19. Construes feitas com madeira retirada da Mata Atlntica (Arquivo INCRA).

O Assentamento Caio Prado, implantado na Faz Capivara ainda no teve sua licena

de instalao-operao (LIO) emitida por implicaes ambientais, j que a rea apresenta

intenso desmatamento ao longo do curso do Riacho Capivara, com severos processos de

eroso, comprometendo significativamente os recursos hdricos do assentamento e regio,

como pode ser visto nas Figuras 20, 21 e 22.

FIGURA 20. Ausncia da mata ciliar ao longo do Riacho das Capivaras (Arquivo INCRA).

FIGURA 21. Assoreamento ao longo do Riacho das Capivaras (Arquivo INCRA).

FIGURA 22. Assoreamento ao longo do Riacho das Capivaras no detalhe, remanescente de mata ciliar (Arquivo

INCRA).

7. Concluses

A sub-bacia do Riacho das Capivaras uma bacia agrcola, na qual a vegetao natural

est sendo substituda, gradativamente, por agroecossistemas pouco sustentveis.

Caracterizados pelo baixo nvel tecnolgico empregado e pela ausncia de prticas

conservacionistas de manejo dos recursos naturais. Os sistemas presentes na bacia no

possuem indicadores tcnicos compatveis com os praticados na regio e, conseqentemente,

no geram receita suficiente para a manuteno das famlias. Por esta razo a populao local

tem buscado alternativas para complementar sua renda. Dentre estas alternativas esto:

expanso das reas cultivadas para reas consideradas de preservao permanente, a fim de

compensar a baixa produtividade dos cultivos existentes; extrao de madeira para produo

de lenha; e a extrao de areia do leito do riacho. Estas alternativas so praticadas em toda a

extenso da bacia, independentemente da classificao do produtor rural e as conseqncias

destas prticas so o assoreamento do riacho, a eroso do solo (qumica ou por perda de

massa), alm dos prejuzos causados a fauna e flora locais.

As reas de preservao permanente desta sub-bacia (692ha) apresentam conflito entre

o uso do solo e o Cdigo Florestal em 89% de sua extenso. A categoria que apresentou maior

conflito foi a APP de vegetao ciliar no entorno de cursos d gua e nascentes (602,84ha).

Considerando a rea total de APP (29%) e a Reserva Legal de 20% definida em lei, cerca de

49% da rea total da sub-bacia deveria estar por vegetao nativa, ao invs dos 3,9%

encontrados.

Mesmo que a sub-bacia do Riacho das Capivaras pelas suas caractersticas

morfomtricas aponte para uma bacia pouco susceptvel a enchentes em condies normais de

precipitao, este preocupante quadro de degradao ambiental pode torn-la vulnervel a

eventos atpicos. Principalmente quando levamos em considerao a forte declividade da rea

- cerca de 34% de sua rea apresenta forte declive - o que favorece o escoamento superficial,

aumentando a necessidade de proteo das reas de recarga do lenol fretico.

Os resultados deste estudo mostram que existe a necessidade de elaborao de um

plano de manejo para a sub-bacia hidrogrfica do Riacho das Capivaras que adqe o uso do

solo a sua vocao e que contemple, principalmente, a recomposio da vegetao das APPs,

uma vez que os desmatamentos, queimadas, uso inadequado do solo e a extrao de areia

como componentes dos agroecossistemas, ali implantados, podem refletir na quantidade e na

qualidade da gua produzida por esta sub-bacia.

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CAPTULO 3

APLICAO DE MODELO HIDROLGICO NA BACIA DO RIACHO DAS CAPIVARAS/SE COMO FERRAMENTA DE AUXLIO AO PLANEJAM ENTO AMBIENTAL 1. Resumo

ROSAS, Fabrcia Nascimento. Aplicao de modelo hidrolgico na sub-bacia do Riacho das Capivaras/SE, como ferramenta de auxlio ao planejamento ambiental. 2009. 115p. Dissertao (Mestrado em Agroecossistemas) Universidade Federal de Sergipe, So Cristvo, SE.1

Conhecer o volume de escoamento superficial fundamental para auxiliar na tomada de deciso direcionada ao controle da eroso e ao planejamento ambiental. O Mtodo do Soil Conservation Service (MSCS) permite estimar a parcela da precipitao que resulta no escoamento superficial. Ele tem como principal varivel o nmero da curva de escoamento superficial (CN) que estimado com base nas informaes do solo e da cobertura vegetal. Este trabalho teve por objetivo geral desenvolver uma metodologia para planejamento e gerenciamento ambiental, atravs da elaborao e anlise de diferentes cenrios de uso dos recursos ambientais, considerando variaes temporais dos mesmos, visando dar subsdios gerao de mecanismos de manejo da bacia hidrogrfica. Com dados de precipitao diria de uma srie histrica (1948-1970), foi simulado, no MSCS, o escoamento superficial produzido em quatro diferentes cenrios de uso e ocupao do solo da sub-bacia do Riacho das Capivaras/SE. Com estes dados de escoamento, foi construda a curva de permanncia de vazo para cada cenrio, possibilitando o conhecimento das vazes de referncia da rea para cada cenrio de futuro. O Cenrio 3 mostrou-se mais indicado para conter os processos degradao ambiental da rea, visto que a manuteno das reas de preservao permanente aumentou o volume de gua infiltrado e reduziu o escoamento, o que, sob o aspecto de produo de gua, mais interessante pois, proporciona o aumento da disponibilidade hdrica na regio. Comit orientador: Arisvaldo Vieira Mello Jnior DEA/UFS (orientador), Alceu Pedrotti DEA/UFS, Marcus Aurlio Soares Cruz- CPATC/ EMBRAPA. .

2. Abstract ROSAS, Fabrcia Nascimento. Aplicao de modelo hidrolgico na sub-bacia do Riacho das Capivaras/SE, como ferramenta de auxlio ao planejamento ambiental. 2009. 115 p. Dissertao (Mestrado em Agroecossistemas) Universidade Federal de Sergipe, So Cristvo, SE.1

The Knowledge about the volume of surface runoff is essential to assist in decision making directed toward the control of erosion and environmental planning. The method of Soil Conservation Service (MSCS) allows to estimate the portion of precipitation that results in surface runoff. The MSCS has as main variable the number of the curve of surface runoff (CN) which is estimated based on the information of soil and plant cover. This work aimed to develop a methodology for planning and environmental management through the development and analysis of different scenarios of use of environmental resources, seeing the temporal variations of them, to give subsidies to the management of river watershed. With daily precipitation data from a historical series (1948-1970), was simulated in MSCS, the surface runoff produced in four different scenarios of land use and occupation of the watershed of the Riacho das Capivaras / SE. With this data of surface runoff, the curve for permanence of flow for each scenario was built, allowing the knowledge of the flow of the reference area for each scenario in the future. the Scenario 3 was more suitable for the process block environmental degradation of the area, since the maintenance of areas of legal reserve and permanent preservation increased the volume of water infiltration and reduced surface runoff, which, under the aspect of production of water, is more interesting because it provides increased water availability in the region. Guidance Committee: Arisvaldo Vieira Mello Jnior DEA/UFS (Major professor), Alceu Pedrotti DEA/UFS, Marcus Aurlio Soares Cruz- CPATC/ EMBRAPA. .

3. Introduo

O estudo dos recursos hdricos disponveis na natureza, sua quantificao, e a

caracterizao de seu comportamento em termos de variabilidade temporal e espacial

essencial para permitir sua utilizao, necessria sobrevivncia humana. Esta utilizao d-

se atravs do uso e ocupao do solo que, na maioria das vezes, altera o regime do rio. A

ocupao das terras por atividades humanas produz alteraes importantes nos processos

hidrolgicos em uma bacia hidrogrfica. Quando esta ocupao realizada de forma

intensiva, processos de eroso do solo so desencadeados e acelerados, ocasionados

principalmente, pelo escoamento das guas superficiais. Os efeitos resultantes podem

proporcionar graus de degradao irreversvel, alteraes nas caractersticas fsicas, qumicas

e biolgicas do solo, como: porosidade do solo, teor de matria orgnica, capacidade de

infiltrao, reteno e redistribuio de gua no perfil, que refletem na produo de gua.

A gua um recurso natural renovvel, nico e essencial vida, seu uso mltiplo

exige um plano adequado de manejo. A degradao do meio ambiente devido falta de

planejamento e uso inadequado dos recursos naturais tm se agravado com o passar dos anos,

acarretando problemas srios, no s de ordem scio-econmica, mas tambm no que diz

respeito sade e qualidade de vida da populao. O desmatamento das florestas e matas

ciliares, a ocupao desordenada e inadequada da terra tem contribudo para a acentuao

gradual das enchentes, perdas de solo por eroso, variaes climticas, assoreamento e

contaminao de redes de drenagens, proporcionando um elevado prejuzo econmico social.

Tendo em vista a complexidade de se estudar e prever impactos ambientais, torna-se

necessrio o estudo integrado do problema analisado dado que os processos envolvidos nos

agroecossistemas ou nos ambientes naturais no ocorrem de modo isolado, no podendo ser

analisados de forma reducionista. No caso dos agroecossistemas, processos ecolgicos,

econmicos e sociais esto envolvidos. O uso de modelos matemticos e simuladores que

representem e integrem as variveis envolvidas nos processo de sustentabilidade constituem-

se em importante ferramenta na pesquisa. Os modelos permitem avaliar e compreender o

comportamento de processos que possam induzir o aparecimento de impactos negativos.

Permitem, muitas vezes, visualizar o comportamento futuro do sistema com a criao de

cenrios ainda no explorados em experimentos reais, reduzindo gastos e otimizando tempo.

Entretanto, a carncia de banco de dados apropriados e sistemas de anlise funcionais tem

sido um fator limitante para que se possa qualificar, quantificar, simular e prever riscos

ambientais.

O presente trabalho tem por objetivo geral desenvolver uma metodologia para

planejamento e gerenciamento ambiental, atravs da elaborao e anlise de diferentes

cenrios de uso dos recursos ambientais, visando dar subsdios gerao de mecanismos de

manejo da bacia hidrogrfica. A metodologia ser aplicada como um prottipo na bacia do

Riacho das Capivaras e poder servir de base para orientar o manejo de outras bacias em todo

Estado de Sergipe.

4. Referencial terico 4.1. Bacias Hidrogrficas

A crescente demanda por gua nos centros urbanos, industriais e agrcolas exerce,

presso constante e significativa sobre os recursos hdricos, levando ao reconhecimento de

que a funo da bacia hidrogrfica no , apenas, a produo de gua. Uma bacia hidrogrfica

engloba todas as modificaes que os recursos naturais venham a sofrer. No existe rea

qualquer da Terra, por menor que seja, que no se integre a uma bacia ou micro-bacia,

(CRUZ, 2003). A bacia pode ser definida como uma unidade fsica, caracterizada como uma

rea de terra drenada por um determinado curso dgua e limitada, perifericamente, pelo

chamado divisor de guas (MACHADO, 2002). A bacia hidrogrfica tambm pode ser

caracterizada como um volume, por possuir uma distribuio tridimensional que se inicia com

os usos da terra, passa pelo perfil de solo e engloba as rochas que sustentam a bacia (PRADO,

2005).

Seu papel hidrolgico o de transformar uma entrada de gua, de volume concentrada

no tempo (precipitao), em uma nica sada de gua (escoamento) (GROSSI, 2003). Sob este

aspecto, a sub-bacia hidrogrfica, pode ser considerada como a menor unidade da paisagem

capaz de integrar todos os componentes relacionados com a qualidade e disponibilidade de

gua como: atmosfera, vegetao natural, plantas cultivadas, solos, rochas subjacentes, corpos

dgua e paisagem circundante (MOLDAN e CERNY, 1994). Ambientalmente, pode-se dizer

que a bacia hidrogrfica a unidade ecossistmica e morfolgica que melhor reflete os

impactos das interferncias antrpicas, tais como a ocupao das terras com as atividades

agrcolas (JENKIS et al., 1994).

A gua um recurso natural renovvel, escasso e est distribudo de forma desigual no

planeta, tornando o manejo e a preservao de bacias hidrogrficas, temas relevantes nos

ltimos anos. O manejo de bacias hidrogrficas uma cincia ou arte que trata da gesto para

se conseguir o uso apropriado dos recursos naturais em funo da interveno humana e suas

necessidades, proporcionando ao mesmo tempo a sustentabilidade, a qualidade de vida, o

desenvolvimento e o equilbrio do meio ambiente (FAUSTINO, 1996). Cada bacia

hidrogrfica deve ter um plano de utilizao integrada de recursos hdricos, o qual deve

constituir o referencial para todas as decises e intervenes setoriais nestes recursos (CRUZ,

2003).

O estudo em bacias hidrogrficas possibilita a integrao dos fatores que condicionam

a qualidade e a disponibilidade dos recursos hdricos, com os seus reais condicionantes fsicos

e antrpicos, (HEIN, 2000). A eleio da micro-bacia como unidade de planejamento traz,

entre outras, as seguintes vantagens: (a) racionaliza a aplicao de recursos; (b) estimula a

organizao dos produtos; (c) reduz custos; (d) promove a execuo de prticas

conservacionistas de forma integrada; (e) reduz riscos ambientais; (f) realimenta mananciais e

como conseqncia dos fatores citados, recupera a credibilidade da assistncia tcnica e da

extenso rural (BRAGAGNOLO, 1997).

A qualidade de cada corpo d gua est relacionada geologia, ao tipo de solo, ao

clima, ao tipo e quantidade de cobertura vegetal e ao grau de modalidade de atividade humana

dentro da bacia hidrogrfica (VALENTE e CASTRO, 1987). E, embora o uso e ocupao das

bacias hidrogrficas influenciem, segundo RANZINI (1990) em ltima instncia, a qualidade

e quantidade das guas superficiais e subterrneas, no significa dizer que estas variveis

sejam menos importantes que as demais, at porque, so as nicas que podem ser modificadas

pelo homem em funo dos mais diversos propsitos. A presena da cobertura do solo

proporciona uma diminuio do escoamento superficial, da capacidade de transporte de

agregados, do processo de selamento superficial, e um aumento da taxa de infiltrao da gua

no solo. A freqente retirada de vegetao, para implantao a agroecossistemas de baixo

nvel tecnolgico produz um efeito final que pode ser observado na degradao acelerada dos

solos e das guas superficiais e subterrneas (GOUDIE, 1995).

SILVA et al. (2001) relatam que quanto mais protegida pela cobertura vegetal estiver a

superfcie do solo contra a ao da chuva, tanto menor a ocorrncia de perda do solo e menor

degradao da gua, notadamente nas regies tropicais e subtropicais. DONADIO et al.

(2005) avaliaram a influncia de remanescentes de vegetao ciliar e da ao antrpica na

qualidade da gua, em quatro nascentes da bacia hidrogrfica do Crrego Rico, localizadas

nos municpios de Taquaritinga e de Guariba SP. Nas nascentes com vegetao natural

remanescente, a qualidade da gua mostrou-se melhor que nas nascentes com uso agrcola,

sendo as variveis: cor, turbidez, alcalinidade e nitrognio total as que mais explicaram essas

diferenas.

Estudos feitos por GARCIA et al. (2006) revelam que a inadequao de uso do solo,

devido rpida expanso da cultura da cana-de-acar em reas no recomendadas,

especialmente em funo do relevo e do tipo de solo da bacia avaliada, potencializa o

processo erosivo dos solos cujos sedimentos so carreados para os cursos dgua, juntamente

com componentes dos fertilizantes utilizados nas culturas. Igualmente, o tipo de cobertura do

terreno afeta o volume de gua dos rios locais, pelo aumento do deflvio em detrimento da

infiltrao. Isto ocasiona aumento na eroso e diminuio na capacidade de recarga dos

aqferos subordinados ao sistema. BORGES et al. (2006) quantificaram o reflorestamento

compensatrio com vistas reteno de gua no solo da bacia hidrogrfica do Crrego

Palmital, em Jaboticabal/SP, proposto na metodologia Florestamentos Compensatrios para

Reteno de gua em Micro-bacias (FCRAM). Esta metodologia estima a reteno de gua

em micro-bacias considerando: o valor mdio mundial de destino da gua no ciclo ecolgico,

os usos/ocupao do solo (floresta, pastagem e agricultura) e a estimativa da permeabilidade.

A bacia do Crrego Palmital possui 86% de sua rea ocupada por agricultura e 5% ocupados

por pastagens, as florestas respondem por apenas 2% da rea total. Para reter o volume total

de gua, estimado em metodologia FCRAM, para compensar a perda que ocorre em excesso

nas reas de pastagens e agricultura, os autores propem o reflorestamento compensatrio de

8,87% da rea da bacia.

FERREIRA et al. (2007) verificaram que, baseado no percentual de escoamento

superficial de 46,6% e no valor de vazo mxima de 23,56 m3.s-1, avaliados em conjunto com

informaes de relevo e solo, a bacia do crrego Joo Pedro (ES), possui boa infiltrao de

gua no solo o que favorece as atividades agrcolas. Nesta bacia, a classe de uso do solo

predominante foi a floresta natural (46,6%) o que do ponto de vista hidrolgico, um bom

resultado, j que reas cobertas por florestas tendem a apresentar boa infiltrao. Alm da

floresta, a bacia do crrego Joo Pedro ocupada por pastagem (35,8%) e agricultura

(11,6%). As categorias solos expostos e uso urbano correspondem a 3,4% e 2,6%,

respectivamente.

O uso e ocupao do solo no interferem apenas na qualidade da gua, tambm causa

alteraes nos ecossistemas aquticos. CORBI (2006) analisou a influncia de diferentes

prticas de manejos de solo sobre os macro-invertebrados aquticos de crregos localizados

em reas adjacentes, com especial nfase para o cultivo de cana-de-acar, na bacia do Rio

Jacar-Guau. Os crregos protegido por mata ciliar apresentaram uma fauna de macro-

invertebrado mais rica e heterognia do que em crregos situados em reas abertas que so

habitados por uma fauna mais homognea e pobre.

A partir dos estudos citados possvel perceber que uma proposta para manejo de

bacias hidrogrficas, em suma, refere-se ao ordenamento do uso e ocupao da paisagem,

observadas as aptides de cada segmento e sua distribuio espacial na respectiva bacia

hidrogrfica. Para PIRES e SANTOS (1995), o planejamento e gerenciamento de bacias

hidrogrficas devem incorporar todos os recursos naturais / ambientais da rea de drenagem

da bacia e no apenas o hdrico. Deve integrar os aspectos ambientais, sociais, econmicos,

polticos e culturais, com nfase ao primeiro, pois a capacidade ambiental de dar suporte ao

desenvolvimento possui sempre um limite, a partir do qual, outros aspectos sero

inevitavelmente afetados. Em outras palavras, as caractersticas intrnsecas de cada sub-bacia

hidrogrfica condicionam seu uso e a ocupao, determinando as potencialidades e limitaes.

4.2. Ciclo hidrolgico e Escoamento superficial Para SILVEIRA (1997), o estudo dos recursos hdricos implica em conhecimento do

ciclo hidrolgico, seus componentes e as relaes entre eles. O ciclo hidrolgico (Figura 23),

o fenmeno global de circulao fechada da gua entre a superfcie terrestre e a atmosfera,

impulsionado principalmente pela energia solar, associada gravidade e rotao terrestre

(GOLDENFUM e TUCCI, 1996). o elemento fundamental da hidrologia, representando a

gua em fases distintas e independentes, desde a ocorrncia de precipitaes at seu retorno

atmosfera sob a forma de vapor. O ciclo hidrolgico caracteriza o comportamento natural da

gua quanto sua ocorrncia, transformaes de estado e relaes com a vida humana.

Envolve diversos processos hidrolgicos, fatores que tem influncia sobre as bacias

hidrogrficas, em especial a vegetao, de que maneira ela interfere na dinmica das bacias

hidrogrficas e qual a sua importncia para manuteno destas, via processos de

interceptao sendo condensao, precipitao, evapotranspirao, infiltrao e percolao,

exemplos de processos verticais, e os escoamentos superficial e sub-superficial, exemplos de

processos horizontais (KOBIYAMA, 1999).

FIGURA 23. Esquema representativo do ciclo hidrolgico (ZANETTI, 2007).

Para a compreenso do ciclo hidrolgico, pode-se descrev-lo como tendo incio com

a evaporao da gua dos oceanos. O vapor resultante transportado pelo movimento das

massas de ar e, sob determinadas condies, condensado, formando nuvens que por sua vez

podem resultar em precipitao. A precipitao que ocorre sobre a terra dispersa de vrias

formas. A maior parte fica temporariamente retida no solo prximo de onde caiu e finalmente

retorna atmosfera por evaporao e transpirao das plantas. Uma parte da gua restante

escoa sobre a superfcie do solo (escoamento superficial) ou atravs do solo para os rios

(escoamento sub-superficial), enquanto que parte penetra profundamente no solo (infiltrao),

indo suprir o lenol dgua subterrneo (VILLELA e MATTOS, 1975).

A precipitao entendida em hidrologia como o conjunto de guas originadas do

vapor dgua atmosfrico que atinge a superfcie terrestre. O conceito engloba a chuva, a

neblina, a saraiva, o orvalho, a geada e a neve. Suas principais caractersticas so o seu total,

durao e distribuies temporal e espacial. A chuva ou precipitao pluvial o tipo mais

importante para a Hidrologia por sua capacidade para produzir escoamento superficial,

contribuindo para a vazo dos rios (TUCCI, 1997).

O escoamento superficial a fase do ciclo hidrolgico que trata do conjunto das guas

que, por efeito da gravidade, se desloca na superfcie terrestre. a parcela do ciclo em que a

gua se desloca na bacia at encontrar uma calha definida (NETO et al., 2004). Quando

ocorre precipitao numa rea com cobertura vegetal, uma parte do volume total precipitado

interceptada pela vegetao e o restante atinge a superfcie do solo. No momento em que a

intensidade de precipitao supera a taxa de infiltrao da gua no solo, a gua comea a

preencher as depresses existentes em sua superfcie e, na seqncia, ocorre o escoamento

superficial (LINSLEY et., 1975; MOHAMOUD et al., 1990).

De modo geral, sob uma intensidade constante de chuva, a infiltrao e o escoamento

superficial so processos antagnicos: medida que um diminui (infiltrao) o outro aumenta

(escoamento), at atingirem certo equilbrio dinmico (estabilizao). Segundo PRUSKI et al.

(2003), a cobertura e os tipos de uso do solo, alm de seus efeitos sobre as condies de

infiltrao de gua no solo, exercem importante influncia na interceptao da gua advinda

da chuva. Quanto maior a porcentagem de cobertura vegetal, a rugosidade da superfcie do

solo e a evapotranspirao da cultura, maiores sero as taxas de infiltrao de gua no solo

quando ocorrer uma chuva e conseqentemente, menores sero as perdas por escoamento

superficial. A inclinao do declive do terreno outro fator que influencia fortemente as

perdas de solo e gua por eroso hdrica, pois, medida que ela aumenta, maiores sero o

volume e a velocidade do escoamento superficial e menor ser a taxa de infiltrao de gua no

solo. Com isso, aumenta a capacidade de transporte das partculas de solo por enxurrada,

assim como a prpria capacidade de cisalhamento, principalmente quando concentrada nos

sulcos direcionados no sentido pendente do terreno (COGO et al., 2003).

Quando a bacia rural e possui cobertura vegetal, o escoamento sofre a interferncia

desta cobertura e grande parte dele se infiltra. O escoamento em bacias urbanas regido pela

interferncia do homem atravs de superfcies impermeveis e sistemas de esgotos pluviais

(BARRETO NETO et al., 2004). O escoamento superficial , portanto, a combinao do fluxo

de pequena profundidade na superfcie com escoamento em pequenos canais que constituem a

drenagem da bacia hidrogrfica. A representao do escoamento em seus menores detalhes

difcil, devido grande variabilidade das condies fsicas da bacia (TUCCI, 1997).

O escoamento superficial o principal processo associado eroso hdrica. Este

promove o transporte de partculas do solo em suspenso, fertilizantes qumico, matria

orgnica, sementes, agrotxicos que, alm de causarem prejuzos diretos produo

agropecuria tambm podem causar a poluio dos cursos dgua (BRAGA, 2000).

Periodicamente, milhes de toneladas de solo erodido, transportados pelo escoamento

superficial, so depositados em rios, lagos e reservatrios. Alm da conduo de alta carga de

sedimentos, o carreamento de nutrientes para mananciais pode estimular o crescimento de

algas e acelerar a eutrofizao dos mesmos. Adicionalmente, uma carga excessiva de

sedimentos pode deteriorar ou destruir habitats aquticos, reduzir o valor esttico e reduzir a

capacidade de armazenamento de reservatrios (RAUHOFER et al., 2001).

Estimativas do escoamento superficial so importantes para se verificar o risco da

ocorrncia de eroso (YOUNG et al., 2002) e, ou, de enchentes. Dados de escoamento e perda

de solo so freqentemente obtidos em parcelas experimentais, as quais no consideram a

influncia topogrfica e de superfcie na produo de escoamento e sedimentos. Portanto,

estes dados no podem ser extrapolados para quantificar processos em nvel de encostas, que

so afetados expressivamente por variaes topogrficas e hidrolgicas (HUANG et al.,

2001). O escoamento superficial pode ser estimado por mtodos empricos, de uso

generalizado em estudos hidrolgicos, e por meio da modelagem hidrolgica a partir de

fundamentos fsicos.

4.3. Modelagem hidrolgica

A modelagem hidrolgica uma tcnica que possibilita o melhor entendimento e

representao do comportamento hidrolgico de bacias hidrogrficas, sendo que os modelos

hidrolgicos possuem grande potencial para caracterizar a disponibilidade hdrica em

condies de mudanas no clima ou no uso do solo. Segundo TUCCI (1998), com o aumento

de computadores a partir do final da dcada de 1950, criaram-se condies que propiciaram

um acelerado processo de desenvolvimento de modelos hidrolgicos baseados em conceitos

fsicos, sendo uma alternativa em relao aos modelos at ento existentes e que utilizavam

somente mtodos estocsticos. O uso de modelos estocsticos e determinsticos tem

contribudo para o conhecimento da evoluo dos sistemas ambientais, bem como tm

auxiliado o planejamento e gerenciamento das organizaes espaciais e uso dos recursos

naturais em escala local, regional e global (CRISTOFOLETTI, 1999).

Os modelos matemticos e fsicos tm estado presentes, nos ltimos anos, no

desenvolvimento de diversas reas do conhecimento humano, cientfico e das cincias

naturais. Esta importncia deve-se, entre outros aspectos, ao fato de poder obter relaes de

causa e efeito, sem que com isso se tenha efetivamente realizado alguma ao sobre o modelo

fsico real (MOREIRA, 2005). Os modelos baseados em processos fsicos tm vrios

parmetros e devem ser calibrados em relao aos dados observados. Normalmente, h muitas

combinaes de parmetros que podem reproduzir os dados observados, em particular quando

considerado somente um aspecto de desempenho do modelo. Este problema surge devido a

erros na estrutura do modelo, condies de contorno e variabilidade dos dados observados

(BELDRING, 2000).

Segundo TUCCI (1998), um modelo matemtico pode ser definido como a

representao de um sistema fsico por meio de equaes, ou seja, a representao do

comportamento de uma estrutura, esquema ou procedimento, real ou abstrato, que num dado

intervalo de tempo interrelaciona-se com uma entrada, causa ou estmulo de energia ou

informao, e uma sada, efeito ou resposta de energia ou informao.

O surgimento de problemas ambientais muito complexos estimulou o

desenvolvimento da modelagem ecolgica e ambiental como uma poderosa ferramenta de

sntese. Os modelos representam uma sntese dos diferentes elementos de um sistema e tm a

capacidade de fornecer novos conhecimentos sobre as reaes e propriedades do sistema

(SANTOS e ZEILHOFER, 2005). O modelo composto por um grupo de funes integradas

em uma plataforma de simulao, seja este mais simples ou mais complexo. Todavia, todos

possuem graus de simplificao, com o intuito de reduzir necessidades computacionais e

acomodar somente uma representao detalhada do processo considerado mais relevante nas

suas aplicaes (PRADO, 2005).

Modelar, para a hidrologia, a representao de um sistema (hidrolgico), com

objetivo de determinar, de maneira precisa e eficiente, os componentes do ciclo hidrolgico

em uma bacia hidrogrfica, e estimar eficientemente o comportamento e a magnitude da gua

(MOTA, 1999). PULLAR e SPRINGER (2000), definem modelos hidrolgicos como

representaes matemticas do fluxo de gua e seus constituintes sobre alguma parte da

superfcie e/ou sub-superfcie terrestre, que permitem a simulao de processos fsicos nas

suas dimenses temporais. Trata-se de uma ferramenta desenvolvida para melhor entender e

representar o comportamento da bacia hidrogrfica e prever condies diferentes das

observadas. Como os processos hidrolgicos so contnuos no tempo e no espao, sua

representao por modelagem matemtica implica em um grau de discretizao dos dados

utilizados (BARRETO NETO, 2004). De maneira geral, estes modelos apresentam

formulaes empricas para representar os fenmenos que ocorrem na bacia hidrogrfica, e

conseqentemente, os parmetros obtidos a partir das simulaes relacionam-se mais

qualitativamente do que quantitativamente com a fsica da bacia hidrogrfica (TUCCI, 1998).

A principal vantagem da aplicao de modelos est na possibilidade do estudo de

vrios cenrios diferentes e de forma rpida, muitos deles ainda no explorados em

experimentos reais. Outra importante vantagem da utilizao de simulao de cenrios est

associada ao seu baixo custo. Na maioria das aplicaes, o custo de executar um programa

computacional de magnitude muito menor do que o correspondente custo relativo

investigao experimental. Esse fator adquire maior importncia medida que o problema

real estudado apresenta maiores dimenses e complexidade (como uma bacia hidrogrfica),

alm dos custos operacionais mais elevados relativos s pesquisas de campo (PRADO, 2005).

A maior limitao do uso de modelos a dificuldade em trabalhar grande quantidade de dados

que descrevem a heterogeneidade dos sistemas naturais.

Por essas razes, Sistemas de Informaes Geogrficas (SIG) so empregados na

criao do banco de dados desses modelos. Por ser o uso desses modelos limitado pela

necessidade de dados espaciais e por proporcionarem aos SIGs grande facilidade em

manipular esses dados, a unio dessas duas tecnologias representa um importante passo para o

manejo de bacias hidrogrficas (PRADO, 2005). Esta integrao permite a visualizao de

cenrios passados ou atuais e tambm simular cenrios futuros a baixo custo e de forma

rpida. O acoplamento de SIGs com modelos hidrolgicos facilita a manipulao de

informaes espaciais e permite a interpretao dos resultados de simulaes no contexto

geogrfico. SANTOS e ZEILHOFER (2005) salientam que os modelos que representam

espao, tempo, escala e objetos em SIG no so compatveis com a maioria dos modelos

hidrolgicos. Estes autores enfatizam limitaes dos bancos de dados espaciais e no-

espaciais utilizados em SIGs na representao da caracterstica dinmica de fenmenos

hidrolgicos.

Para TUCCI (1998), a utilizao de modelos matemticos do tipo hidrolgico baseia-

se em trs condies fundamentais: (i) objetivos do estudo, (ii) dados disponveis e (iii)

metodologia proposta. O objetivo do estudo define o nvel de preciso desejado para a

representao dos fenmenos que ocorrem na bacia hidrogrfica. Em contrapartida, esta

preciso depende da quantidade e qualidade dos dados disponveis para aferir a metodologia,

assim o modelo hidrolgico escolhido de acordo com o objetivo do estudo, que definir o

nvel de preciso desejado, estando implcitas as questes relacionadas disponibilidade dos

dados.

O Soil and Water Assessment Tool (SWAT) um desses modelos matemticos que

foi desenvolvido pelo Agricultural Research Service e pela Texas A&M University, em 1996.

O modelo de domnio pblico, e tem o objetivo de simular os impactos das alteraes no

uso do solo sobre o escoamento superficial e subterrneo, produo de sedimentos e qualidade

da gua, permitindo a simulao de diferentes processos fsicos em uma bacia hidrogrfica

(PRADO, 2005). Baseia-se, para tanto, em caractersticas fsicas da bacia, usa dados de

entrada normalmente disponveis, computacionalmente eficiente para ser utilizado em

mdias a grandes bacias e, contnuo no tempo, podendo simular longos perodos de forma a

computar os efeitos das alteraes no uso do solo. O modelo apresenta sete componentes nas

reas de hidrologia, clima, sedimentos, crescimento vegetal, manejo agrcola, nutrientes e

pesticidas; e foi desenvolvido para predizer o efeito de diferentes cenrios de manejo na

qualidade da gua, produo de sedimentos e cargas de poluentes em bacias hidrogrficas

agrcolas (NEITSCH et al., 2002).

Outro modelo o Sistema MOHID, uma ferramenta numrica utilizada para definir os

limites dos esturios Portugueses. O desenvolvimento deste sistema iniciou-se em na dcada

de 80, vindo a ser objeto de sucessivos aperfeioamentos na seqncia da respectiva aplicao

a diferentes projetos cientficos e tecnolgicos. Atualmente este sistema de modelao

matemtica pode ser classificado com um dos mais elaborados entre os sistemas existentes

deste tipo, nomeadamente no que respeita s inovaes na coordenada vertical e

programao robusta e fivel (NEVES, 1985).

O sistema MOHID foi programado recorrendo programao orientada por objetos,

utilizando o ANSI Fortran 95. O sistema se encontra dividido em diferentes mdulos,

podendo cada um deles ser entendido com um modelo especfico, sendo, no entanto o sistema

composto por um nico ficheiro executvel. A utilizao do ANSI Fortran 95 garante a

independncia do sistema MOHID face ao sistema operativo no qual se pretende executar o

modelo (Windows, Linux, Unix, etc.) e uma fcil implementao do cdigo em qualquer

ambiente. O tempo de execuo do programa (tempo simulado versus tempo da unidade

central de processamento) varia em funo da malha de clculo e do passo de tempo utilizado.

No entanto, a possibilidade de correr os vrios mdulos (hidrodinmica, turbulncia, deriva,

etc.) com passos de tempo diferentes permite uma otimizao do tempo de clculo necessrio

para a execuo das simulaes (MOHID, 2002).

Os modelos do tipo chuva-vazo possuem vrias simplificaes em relao ao meio

fsico que buscam representar. Apesar disso, tais modelos so muito valiosos na engenharia de

recursos hdricos, em especial em reas com grande carncia de dados fluviomtricos ou de

difcil previsibilidade. A baixa complexidade estrutural, menor exigncia nos dados de

entrada e relativa facilidade de calibrao so fatores que apontam os modelos concentrados

como ferramentas ainda bastante teis aos hidrlogos, a despeito dos avanos dos modelos

distribudos (DI BELLO, 2005).

O mtodo do Soil Conservation Service - SCS, modelo do tipo chuva-vazo, utiliza a

chuva total para o clculo da infiltrao. Alguns autores fazem crticas quanto ao mtodo do

SCS. Para estes, a frmula no tem base fsica, pois se derivando a equao em relao ao

tempo, a taxa de infiltrao torna-se diretamente proporcional taxa de chuva. Isto diverge da

teoria fsica da infiltrao, pois para um solo saturado a taxa de infiltrao decresce com o

tempo, independentemente da chuva. O mtodo do SCS produz uma curva decrescente da

infiltrao somente para uma taxa de chuva constante. Outra falha apontada na estimativa da

equao da abstrao inicial. Os dados utilizados ajustaram-se a uma reta. Entretanto se os

pontos forem "plotados" em escala logartmica o ajuste no bom. Porm, este mtodo

continua sendo utilizado por ser de fcil aplicao. O mtodo no deve ser abandonado, pois

se conhecendo as suas restries e aplicando-se de maneira correta no haver problemas

(MARCELLINI, 1994).

Outro mtodo o ABC (Anlise de Bacia Complexas) utilizado em situaes onde as

nicas informaes so dados de chuvas dirias e quando se pretende analisar diferentes

cenrios representativos das condies hidrolgicas da bacia. Este sistema que roda em

ambiente Windows 32 bits e usa tecnologia ActiveX. Estes recursos permitem a obteno

de uma interface gil e amigvel, com uma disposio grfica atual. O sistema dispe de

grficos ilustrativos e interativos, frmulas empricas para facilitar o usurio a estimar valores

para situaes precrias de informaes e, relatrios para anlises de cenrios que podero ser

impressos ou transferidos para qualquer editor de texto (OLIVEIRA et al, 2006).

4.4. Mtodo do SCS

O Mtodo do SCS (MSCS) foi desenvolvido pelo Soil Conservation Service (1972),

vinculado ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (SCS-USDA), a partir da

anlise dos dados de um grande nmero de bacias hidrogrficas experimentais. um mtodo

amplamente experimentado e utilizado para estimar o escoamento superficial e,

conseqentemente, o fluxo de rios e recarga de gua, infiltrao, umidade do solo e transporte

de sedimentos a partir de dados de precipitao e de outros parmetros da bacia (umidade

inicial, tipo, uso e condio hidrolgica do solo). E pode ser continuamente adaptado para

auxiliar projetos de obras hidrulicas, trabalhos de conservao de solos e controle de

enchentes (SCS, 1972; PULLAR e SPRINGER, 2000).

Para ZANETTI (2007), como este mtodo foi desenvolvido para obteno da lmina

de escoamento superficial, considerando constante a intensidade de precipitao para uma

dada durao, no permite a obteno de vazes que ocorrem durante o evento analisado. A

autora em seu trabalho de modelagem hidrolgica utilizando o modelo HidroBacia e

comparando a outros modelos, verificou que valores de vazo mxima e escoamento

superficial calculados pelo Mtodo do SCS foram superestimados em relao a outros

(HidroBacia e Racional). Para ela, esta distoro deve-se ao fato de que o MSCS no

considera o perfil da precipitao na estimao do escoamento superficial e a taxa de

infiltrao da gua no solo considerada de forma indireta, por meio do enquadramento do

solo em grupos pr-estabelecidos, possibilitando que solos com diferentes taxas de infiltrao

apresentem o mesmo comportamento em relao ao escoamento superficial, o que no se

observa na prtica.

Como caracterstica positiva, MACHADO (2002) considera a simplicidade do mtodo

e o fato de estar enfocado nas principais caractersticas fsicas de uma bacia que produzem

escoamento superficial.

O escoamento superficial simulado por BARRETO NETO e FILHO (2003) manteve-

se muito prximo do escoamento superficial observado em campo, em todos os cinco eventos

simulados. As duas primeiras vazes calculadas (meses de junho e outubro) foram as que

mais se distanciaram da vazo observada, aproximadamente 50%, segundo o autor, isto

ocorreu pelo fato do MSCS apresentar pouca acurcia para pequenos volumes de chuva.

SOUZA et al. (2005) tambm observaram uma super-estimativa do escoamento

superficial obtido pelo MSCS em relao ao escoamento medido, indicando a necessidade de

se ajustar o mtodo s condies locais de clima e cultura, antes de sua adoo para previso

de escoamento superficial em determinada bacia hidrogrfica.

SILVA (2006) tambm observou uma diferena expressiva para o escoamento

estimado, de maneira geral, o MSCS superestima o deflvio observado. Resultados

semelhantes foram encontrados por MELLO (2003), o qual avaliou a aplicao deste mtodo

em uma sub-bacia de fluxo efmero, encontrando erros de elevada magnitude na predio do

deflvio.

Na aplicao do MSCS, as caractersticas fsicas da bacia, tais como o grupo

hidrolgico do solo, uso da terra, condio hidrolgica do solo e umidade antecedente, so de

fundamental importncia, uma vez que a combinao destas caractersticas determina a

escolha do parmetro curva nmero (CN), o qual estima o escoamento superficial gerado por

uma chuva. O parmetro CN um parmetro admensional que varia de 0 (ex., sem gerao de

escoamento superficial) a 100 (ex., toda a chuva convertida em escoamento superficial).

Esta escala relata as condies de cobertura do solo, variando desde uma cobertura muito

permevel at uma cobertura completamente impermevel, e de um solo com grande

capacidade de infiltrao para um solo com baixa capacidade (BARRETO NETO, 2004). Na

prtica, o mtodo usado para determinar a lmina de escoamento superficial baseando-se na

lmina de precipitao e no nmero da curva, sem considerar diretamente a durao e a

intensidade de precipitao.

O clculo do escoamento superficial gerado por uma chuva, atravs do MSCS,

realizado em quatro etapas (SCS 1972): (1) Determinao do Grupo Hidrolgico do Solo

(GHS); (2) determinao do parmetro CN do escoamento superficial com base no GHS, tipo

de uso da terra, tratamento dado cultura agrcola e condio hidrolgica do solo; (3)

determinao da umidade do solo com base nas chuvas de cinco dias pretritos a uma

determinada precipitao diria registrada, a qual se deseja simular o escoamento superficial;

(4) clculo do escoamento superficial gerado pela precipitao selecionada na etapa 3.

4.4.1. Grupos hidrolgico dos solos

Neste mtodo, os solos so classificados com base nos quatro GHS definidos pelo SCS

(SCS 1972; RAWS et al. 1992). Esta classificao foi realizada a partir de anlise das

caractersticas do solo de permitir uma maior ou menor capacidade de infiltrao de guas

provenientes de precipitaes, com enfoque maior na textura do solo. A profundidade

mencionada apenas na definio dos grupos A e B, porm sem apresentar um limite de

profundidade. No grupo C esto basicamente os solos de textura moderadamente fina a fina,

ou seja, solos compostos por silte e argila. Os solos argilosos pertencem ao grupo D. Isso

induz a maioria dos usurios do mtodo no Brasil a considerar apenas a textura superficial do

solo para enquadr-los em um dos grupos hidrolgicos usando a classificao original

apresentada pelo SCS, j que outras caractersticas importantes do ponto de vista da formao

do escoamento superficial no esto includas na definio dos grupos hidrolgicos

(SARTORI et al., 2005).

LOMBARDI NETO et al. (1989) utilizando a metodologia do SCS com base no

Levantamento dos Solos do Estado de So Paulo (Brasil, 1960) e nos ndices de erodibilidade

dos solos (K) estabelecidos por BERTONI (1978), propuseram uma definio para os grupos

hidrolgicos de acordo com suas caractersticas e resistncias eroso. Para SARTORI et al.

(2005), essa classificao traz a definio de cada grupo na forma de critrios, considerando

as principais caractersticas dos solos que condicionam o escoamento superficial e a eroso, as

quais so: a profundidade, a textura, a razo textural entre o horizonte superficial e sub-

superficial, e a permeabilidade dos solos influenciada pela sua porosidade e pela atividade de

argila.

SARTORI et al. (2005) compreendendo que a classificao proposta por LOMBARDI

NETO et al. (1989) adequada para o uso com o mtodo do SCS nas condies dos solos do

Brasil, apresentou uma proposta para extenso dessa classificao para a nova nomenclatura

do atual Sistema Brasileiro de Classificao de Solos (Embrapa, 1999). As definies dos

grupos hidrolgicos do solo e a proposta para o enquadramento em primeiro nvel categrico

(ordem) das classes so apresentadas a seguir.

Grupo Hidrolgico A

Solos muito profundos (prof. > 200cm) ou profundos (100 a 200 cm);

Solos com alta taxa de infiltrao e com alto grau de resistncia e tolerncia a eroso;

Solos porosos com baixo gradiente textural (

porosidade; LATOSSOLO AMARELO E LATOSSOLO VERMELHO AMARELO,

ambos de textura mdia, mas com horizonte superficial no arenoso.

Grupo Hidrolgico B

Solos muito profundos (100 a 200 cm);

Solos com moderada taxa de infiltrao, mas com moderada resistncia e tolerncia a

eroso;

Solos porosos com gradiente textural variando entre 1,20 e 1,50;

Solos de textura arenosa ao longo do perfil ou de textura mdia com horizonte

superficial arenoso;

Solos de textura argilosa ou muito argilosa desde que a estrutura proporcione boa

macro-porosidade em todo o perfil;

Solos com argila de atividade baixa (Tb), minerais de argila 1:1;

A textura dos horizontes superficial e sub-superficial pode ser: arenosa/arenosa,

arenosa/mdia, mdia/argilosa, argilosa/argilosa e argilosa/muito argilosa.

Enquadram-se neste grupo:

LATOSSOLO AMARELO e LATOSSOLO VERMELHO AMARELO, ambos de

textura mdia, mas com horizonte superficial de textura arenosa; LATOSSSOLO

BRUNO; NITOSSOLO VERMELHO; NEOSSOLO QUARTZARNICO;

ARGISSOLO VERMELHO ou VERMELHO AMARELO de textura arenosa/mdia,

mdia/argilosa, argilosa/argilosa ou argilosa/muito argilosa que no apresentam

mudana textural abrupta.

Grupo Hidrolgico C

Solos muito profundos (100 a 200 cm) ou pouco profundos (50 a 100 cm);

Solos com baixa taxa de infiltrao e baixa resistncia e tolerncia a eroso;

Solos porosos com gradiente textural variando maior que 1,50 e comumente

apresentam mudana textural abrupta;

Solos associados a argila de atividade baixa (Tb);

A textura nos horizontes superficial e sub-superficial pode ser: arenosa/mdia e

mdia/argilosa apresentando mudana textural abrupta; arenosa/argilosa e

arenosa/muito argilosa.

Enquadram-se neste grupo:

ARGISSOLO pouco profundo, mas no apresentando mudana textural abrupta ou

ARGISSOLO VERMELHO, ARGISSOLO VERMELHO AMARELO E

ARGISSOLO AMARELO, ambos profundos e apresentando mudana textural

abrupta; CAMBISSOLO de textura mdia e CAMBISSOLO HPLICO ou HMICO,

mas com caractersticas fsicas semelhantes aos LATOSSOLOS (latosslico);

ESPODOSSOLO FERROCRBICO; NEOSSOLO FLVICO.

Grupo Hidrolgico D

Solos com taxa de infiltrao muito baixa oferecendo pouqussima resistncia e

tolerncia a eroso;

Solos rasos (prof. < 50)

Solos pouco profundos associados mudana textural abrupta ou solos profundos

apresentando mudana textural abrupta aliada argila de alta atividade (Ta), minerais

de argila 2:1;

Solos argilosos associados argila de atividade alta (Ta);

Solos orgnicos.

Enquadram-se neste grupo:

NEOSSOLO LITLICO; ORGANOSSOLO; GLEISSOLO; CHERNOSSOLO;

PLANOSSOLO; VERTISSOLO; ALISSOLO; LUVISSOLO; PLINTOSSOLO;

SOLOS DE MANGUE; AFLORAMENTOS DE ROCHA; Demais CAMBISSOLOS

que no se enquadram no Grupo C; ARGISSOLO VERMELHO AMARELO e

ARGISSOLO AMARELO, ambos pouco profundos e associados mudana textural

abrupta.

4.4.2. Classe de tratamento, uso e condio hidrolgica do solo

No MSCS, as condies de superfcie da bacia hidrogrfica so avaliadas em funo

da classe de tratamento, uso e condio hidrolgica do solo. O tipo de uso da terra representa

a cobertura que est sobre a bacia, tais como floresta, pntanos, pastagem, solo descoberto,

reas impermeveis (telhados, rodovias), entre outras. O tipo de tratamento dado a terra,

muito aplicado em reas de solos agricultveis, est relacionado a prticas mecanizadas, tais

como plantao em contorno e em terraos, e a prticas de gerenciamento, tais como controle

de pastagens, rotao, reduo e associao de culturas. A associao entre tipo de uso e o

tipo de tratamento da terra denominada de classe. Alguns exemplos de classes encontradas

sobre bacias so: plantao de cereais em curva de nvel; florestas muito esparsas; florestas

densas; pastagem densa, solo descoberto plano, estradas pavimentadas, entre outros

(BARRETO NETO, 2004).

A associao de um GHS (A, B, C ou D) a um determinado tipo de uso e tratamento

dado a terra denominado complexo hidrolgico solo-cobertura. A caracterizao deste

complexo permite a identificao do valor numrico do parmetro CN em tabelas publicadas

em bibliografia especializada (SCS 1972; RAWLS et al. 1992; TUCCI, 1998; TUCCI 2000).

O CN representa uma curva mdia de infiltrao que separa a parte da precipitao que

escoar superficialmente. Uma disperso natural dos pontos em torno da curva mdia foi

interpretada pela medida da variabilidade natural da umidade do solo e associado relao

chuva-escoamento. A condio de umidade antecedente foi usada como um parmetro

representativo dessa variabilidade (PONCE e HAWKINS, 1996). Dessa forma a variabilidade

do CN depende do volume precipitado num perodo de 5 a 30 dias antecedente a uma

determinada chuva, a qual denominada de Precipitao Antecedente (USBR, 1977).

Tendo em vista tal fato, o SCS definiu trs condies de umidade antecedente do solo, as

quais so:

Condio I: Condio em que os solos de uma bacia hidrogrfica esto secos, mas no ao

ponto de murchamento das plantas, quando se ara ou cultiva bem o solo. A precipitao

acumulada dos cinco dias anteriores menor que 13 mm (estao seca) e 36 mm (estao

mida).

Condio II: o caso em que os solos encontram-se na umidade ideal, isto , nas

condies que precederam a ocorrncia de uma enchente mxima anual em numerosas bacias

hidrogrficas. A precipitao acumulada dos cinco dias anteriores est entre 13 e 28 mm

(estao seca) e entre 36 e 53 mm (estao mida).

Condio III : Condio em que os solos apresentam quase saturados, quando da ocorrncia

de chuvas fortes ou fracas e baixas temperaturas durantes 5 dias anteriores a uma determinada

precipitao. A precipitao acumulada dos cinco dias anteriores maior que 28 mm (estao

seca) e 53 mm (estao mida).

A Tabela 1 traz uma adaptao das tabelas do CN para usos agrcolas, principalmente

sobre as definies dos tipos de culturas e manejo agrcola. Os valores desta tabela foram

baseados nos resultados de estudos de SARTORI (2004), nos trabalhos de SILVA (1996) e

LOMBARDI NETO (no publicado), e tambm nos prprios valores do CN da tabela do SCS.

Tabela 1: Tabela do CN para usos agrcolas

Descrio da cobertura Nmero da curva para os

grupos

Uso Tratamento ou manejo do

solo A B C D Solo Exposto 83 86 91 94 Terra arada + SRC 81 85 90 93 RCS 75 83 88 90 Culturas Anuais (Ca) N* + SRC 77 84 89 91 N* + RCI 72 80 85 88 N* + RCSI 66 74 80 82 N* + RCS 63 70 77 80 Culturas Temporrias (Ct) N* 65 75 81 83 N* + RCS 61 71 78 81 Culturas Perenes (Cp) N* 43 65 76 82 N* + RCS 32 58 72 79 Pastagem Degradada 68 79 86 89 Nativa 49 69 79 84 Melhorada 39 61 74 80 Reflorestamento N* 45 66 77 83 N* + RCS 35 55 70 77 Vegetao Natural Capoeira 30 48 65 73 Mata 20 40 49 52 Estradas e construes rurais < 50% impermevel 59 74 82 86 Estradas e construes rurais > 50% impermevel 72 82 87 89

Legenda:

N*: Plantio em nvel ou contorno.

Ca: Culturas anuais (plantio e colheita anual). Ex.: milho, soja, etc.

Ct: Culturas temporrias (plantio a cada 3 ou mais anos). Ex.: cana-de-acar.

Cp: Culturas perenes. Ex.: pomar, caf.

SRC: Sem resduo cultural.

RCI: Resduo cultural incorporado 5 t/ha.

Pastagem:

Degradada presena de compactao superficial, utilizao de queimadas, e at 25% da rea

sem vegetao, mesmo no perodo chuvoso.

Nativa: Pasto natural sendo feito controle de manejo de animais e limpezas espordicas.

Melhorada: Correo de acidez e fertilizao, plantio de gramneas adaptadas, manejo de

animais.

4.4.3. Desenvolvimento matemtico do MSCS

O escoamento superficial se inicia quando as parcelas de chuva perdidas por

infiltrao, evapotranspirao, interceptao e armazenamento em depresses, denominadas

perdas iniciais, so menores do que a precipitao total.

A Equao do escoamento superficial definida pelo MHSCS :

Sendo Q (ou Pe) o escoamento superficial ou chuva excedente, P a precipitao, S o potencial

de reteno mximo aps o incio do escoamento superficial e Ia as perdas iniciais (SCS,

1972).

Apesar do parmetro Ia ser bastante varivel, estudos realizados pelo SCS em muitas

bacias de drenagens, mostraram que o Ia representa 20% de S (SCS, 1972), conforme

Equao emprica abaixo:

Logo, substituindo a Equao (8) na Equao (7), temos:

A Equao (9) utilizada para a estimativa do escoamento superficial gerado por um

volume de chuva acumulada em determinado intervalo de tempo (SCS, 1972).

O parmetro S est relacionado ao solo e condio de cobertura da bacia hidrolgica

atravs do parmetro CN, conforme Equao (10), com S em polegadas, ou Equao (11),

com S em milmetros (SCS, 1972).

4.5. Curva de permanncia de vazes

A curva de permanncia de vazes definida como uma curva acumulativa de

freqncia da srie temporal contnua dos valores das vazes que indica a porcentagem de

tempo que um determinado valor de vazo foi igualado ou ultrapassado durante o perodo de

observao. representada por um grfico que relaciona a vazo (eixo y) e a porcentagem

do tempo (eixo x), e representa o complemento da funo distribuio cumulativa de

probabilidades de vazes ou a probabilidade de excedente das vazes (VOGEL e

FENNESSEY, 1994; HOLMES et al., 2002; CASTELLARIN et al., 2004; PERRY et al.,

2004; CRUZ e TUCCI, 2008).

NAGHETTINI e PINTO (2007) definem curva de permanncia como a variao do

diagrama de freqncias relativas acumuladas, na qual a freqncia de no superao

substituda pela porcentagem de um intervalo de tempo especfico em que o valor da varivel,

indicado em abscissas, foi igualado ou superado. Segundo CRUZ e TUCCI (2008) a

permanncia de uma vazo tambm pode ser interpretada como a probabilidade de ocorrncia

da vazo mdia diria do rio ser maior ou igual a um determinado valor, no perodo de sua

amostra.

Na construo do grfico da curva de permanncia duas metodologias so

consideradas como principais descritas em TUCCI (2000): i) ajuste de uma funo

matemtica; e ii) a metodologia emprica. A funo matemtica parte do princpio que a curva

resultante acompanha uma funo matemtica, e sugere a funo usada na distribuio log-

normal para representar a curva de permanncia. A metodologia emprica consiste em

estabelecer n intervalos de classe de vazes, de acordo com a magnitude das vazes e

ordenados de forma decrescente, para em seguida se obter as respectivas freqncias a partir

da contagem do nmero de vazes da srie contido em cada intervalo. Esta ltima

metodologia a tcnica mais utilizada na construo da curva de permanncia visando

principalmente o estudo da disponibilidade e potencialidades hdrica em bacias hidrogrficas

como descrito nos trabalhos de CRDOVA (2000); GARCIA et al, (2007); SANTOS e

SILVA, (2007) e CRUZ e TUCCI (2008).

O grfico da curva de permanncia amplamente utilizado em estudos hidrolgicos

nos quais os objetivos esto direcionados ao gerenciamento da qualidade da gua,

abastecimento de gua, estudos hidreltricos, controle de vazo, sedimentometria em bacias

hidrogrficas. VOGEL e FENNESSEY (1995) e CRUZ (2001) afirmam que a curva de

permanncia caracteristicamente um instrumento sintetizador da variabilidade das vazes,

caracterizando a base de comportamento para a sustentabilidade de sistemas aquticos.

As curvas de permanncia, alm dos resultados diretos que fornecem para o estudo do

aproveitamento das disponibilidades do curso dgua, constituem instrumento valioso de

comparao entre bacias hidrogrficas, representando os efeitos do relevo, da vegetao e uso

do solo e da precipitao, na distribuio das vazes (EUCLYDES et., 2001).

A partir da curva de permanncia so obtidas as vazes associadas s permanncias de

90% (Q90) e 95% (Q95), muito utilizadas como vazes mnimas de referncia para outorga de

uso da gua. O estabelecimento dos critrios de outorga de direito de uso das guas, alm de

estar vinculado disponibilidade hdrica, tambm dependente dos sistemas jurdico e

econmicos locais. A vazo de referncia o estabelecimento de um valor de vazo que passa

a representar o limite superior de utilizao da gua em um curso d'gua e , tambm, um dos

principais entraves implementao de um sistema de outorga (RIBEIRO, 2000; CMARA,

2003). A aplicao do critrio de vazo de referncia, segundo HARRIS et al. (2000),

constitui-se em procedimento adequado para a proteo dos rios, pois as alocaes para

derivaes so feitas, geralmente, a partir de uma vazo de base de pequeno risco. As prticas

adotadas para a definio da vazo ecolgica em diversos estados brasileiros enquadram-se

dentro dos mtodos hidrolgicos. Vazo ecolgica a demanda de gua necessria a manter

num rio de forma a assegurar a manuteno e conservao dos ecossistemas aquticos

naturais, aspectos da paisagem de outros de interesse cientfico ou cultural (BERNARDO,

1996, em J. GONDIM, 2006).

Em alguns estados do Brasil, a legislao relativa outorga estabelece uma

porcentagem da Q90 ou Q95 como referncia para a concesso de outorga. Dentre as mais

usadas est a vazo de referncia Q90, que a vazo com 90% de permanncia no leito do rio

no ponto de anlise (ALMEIDA NETO, 2007). Citando o exemplo do Decreto Estadual n.

6296/97 de regularizao da outorga, para o Estado da Bahia, a vazo de referncia 80% da

Q90 como limites mximos das derivaes a serem outorgadas (GARRIDO, 2003) e a vazo

ecolgica (a vazo que deve permanecer no rio) indiretamente estabelecida de 20% Q90. No

Cear, a vazo de referncia 90% da Q90 e a vazo ecolgica indiretamente estabelecida de

10% Q90 (Decreto Estadual n. 23.067/94). No Paran, a vazo de referncia 50% da Q95 e a

vazo ecolgica indiretamente estabelecida de 50% Q95 (Decreto Estadual n. 4646/01). Em

Sergipe, a outorga de direito de uso de recursos hdricos regulamentada pelo Decreto no

18456/99 que especifica o nvel de garantia do volume outorgado para cada usurio de no

mnimo 85% e no mximo 95%, mas no determina qual a vazo de referncia outorgvel que

deve ser adotada

4.6. Simulao de cenrios

Dentre as vantagens da utilizao de modelos matemticos, uma das mais importantes

refere-se elaborao de cenrios, ou seja, possibilidade de alterar as configuraes dos

parmetros de entrada do modelo no intuito de gerar novos conjuntos de condies virtuais, as

quais permitem, de antemo, a visualizao das conseqncias geradas por um determinado

grupo de fatores hipotticos (MINOTI, 2006).

Os cenrios so importantes ferramentas para o planejamento ambiental, eles

combinam uma grande quantidade de conhecimento quantitativo e qualitativo, e transmitem

os resultados de uma anlise integral de forma transparente e compreensvel. Ao mesmo

tempo, a gerao de cenrios contribui para estimar como um futuro incerto pode reagir e

como este pode ser influenciado pelas decises feitas hoje (DLL et al., 1999). O objetivo da

simulao de cenrios no caracterizar, de maneira completa, a eficincia das alternativas de

manejo ou do uso da terra, mas exemplificar a aplicao das vantagens da utilizao da

integrao de modelos matemticos e sistemas de informaes geogrficas (MACHADO,

2002).

GIRARDI (2001) construiu cenrios histricos para avaliar impactos e indicar reas

potenciais para conservao em florestas de restingas situadas no municpio de Bertioga-SP.

A metodologia utilizada identificou, com preciso, reas de restingas que sofreram impactos

no passado alm de apontar tendncias no estado de conservao dessa vegetao.

SHIDA e PIVELLO (2001) realizaram a caracterizao fisiogrfica e de uso das terras

da regio de Luiz Antnio e Santa Rita do Passa Quatro, interior de So Paulo, utilizando

sensoriamento remoto e SIG. As autoras delimitaram unidades homogneas analisadas quanto

declividade, geomorfologia, pedologia e uso e ocupao das terras. Atravs de testes

estatsticos e matrizes de contingncia, foi possvel concluir que a ocupao das terras foi

influenciada especialmente pelo tipo de solo, em seguida pelo relevo e pela declividade.

GOMES (2002) utilizou como ferramenta a anlise de paisagem, fundamentada na

construo de cenrios, para relacion-los ao histrico e informaes scio-econmicas de

assentamentos humanos no municpio de Parati-RJ. Um dos objetivos foi classificar os

conflitos de uso existentes nas comunidades assentadas em reas de preservao de Mata

Atlntica pertencentes ao Parque Nacional da Serra da Bocaina, apontando para resoluo

desses conflitos. A autora relacionou os cenrios encontrados com o histrico das

comunidades e as informaes scio-econmicas, bem como classificou e interpretou as

categorias de conflitos existentes. Verificou-se, neste estudo, uma mudana do padro de uso

da terra da dcada de 60; predominantemente agrcola, para a atualidade, nos trs

assentamentos, que o aumento da vegetao, principalmente nas reas retalhadas que,

gradativamente, se transformam em chcaras de final de semana. Constatou-se, ainda, uma

ocupao desordenada e progressiva nas margens dos rios, com trechos ocupados por grande

nmero de edificaes.

Atravs da construo de cenrios sucessivos dos ltimos 40 anos, SANTOS (2002)

analisou as modificaes da paisagem de uma rea agrcola situada no oeste paulista. Atravs

de operaes com mapas em ambiente SIG, o autor verificou que a construo de usinas

hidreltricas provocou profundas transformaes na regio, principalmente em funo da

migrao da mo-de-obra, do campo para a construo civil, alm da gerao de diversos

outros impactos de natureza ambiental ou econmica.

HORA et al. (2004), descrevem as etapas da construo de cenrios de

sustentabilidade para a bacia do Riacho Cajueiro dos Veados, situada no municpio de

Malhador/SE, em duas pocas distintas, 1989 e 1998, contribuindo para o planejamento e o

estabelecimento de alternativas de recuperao e/ou restaurao da cobertura vegetal, em rea

de preservao permanente dos sistemas de produo agrcolas existentes.

Os trabalhos acima citados focalizam a evoluo temporal e espacial do uso da terra e

de seus recursos naturais, principalmente da cobertura vegetal. A compreenso da dinmica

evolutiva da paisagem , portanto, um fator chave na tomada de decises em processos de

planejamento ambiental.

5. Materiais e Mtodos

5.1. Descrio da sub-bacia hidrogrfica

5.1.1. Localizao

A sub-bacia hidrogrfica do Riacho das Capivaras localiza-se na regio sul do Estado de

Sergipe, no municpio de Estncia, entre as coordenadas geogrficas 1108 e 1114 de

latitude sul, e 3726 e 3729 de longitude oeste. O Riacho das Capivaras importante

contribuinte do Rio Piau e est inserido na bacia hidrogrfica de mesmo nome. Possui uma

rea de drenagem de 23,87 Km e compreende os municpios sergipanos de Estncia e

Salgado.

5.1.2 Clima

Climatologicamente o regime pluviomtrico da rea em analise do tipo martimo

pela classificao de Kppen. Definindo-se por um perodo seco de primavera a vero,

representado pelos meses de Setembro a Fevereiro, e um perodo chuvoso de outono inverno,

abrangendo os meses de maro a agosto. Devido influncia inter-tropical da rea, as

temperaturas mdias compensadas anuais oscilam entre 23,6C e 26,9C e umidade relativa

mdia anual de 80,5% (SEPLAN/SRH-SE, 2006).

5.1.3 Solo e uso atual

A rea total da sub-bacia, na sua maioria, era ocupada pela Mata Atlntica em

solos da classe dos Argissolos Vermelho Amarelo em associao com Argissolo Amarelo, nas

reas de relevo mais movimentado (declividade de 7 a 20%), Latossolos Amarelos coeso, com

textura mdia-argilosa, localizados nos trechos de relevo suave ondulado (declividade de 3 a

8%) e Neossolos Flvicos na margem do Riacho, em declives bem mais suaves

(SEPLAN/SRH-SE, 2006). De acordo com as proposies de SARTORI (2004), o solo da

bacia foi enquadrado como pertencente ao grupo hidrolgico tipo C.

Os solos predominantemente Argissolos Vermelho-Amarelo, so licos, ou seja, ricos

em alumnio, conseqentemente de baixa fertilidade, profundos, com textura mdio-argilosa e

apresentando um horizonte coeso, tpico das reas dominadas por Sedimentos do Grupo

Barreiras, os chamados Tabuleiros, que se apresentam na regio costeira brasileira

(SEPLAN/SRH-SE, 2006).

Os Argissolos nesta rea, tambm apresentam, nos trechos de relevo mais

movimentado, caractersticas plnticas (declividade de 20-45%), presena de concrees

ferruginosas, que colorem um pouco solos de vermelho (Figura 24a), e limitam tambm a

ocupao com agricultura. Os solos com esse horizonte coeso apresentam problemas para uso

com agricultura com espcies perenes e at mesmo com algumas espcies anuais, pois

limitam o desenvolvimento do sistema radicular, uma vez que podem promover uma

dificuldade de infiltrao da gua, conseqentemente promovendo, em situaes de relevo

mais movimentado e solo desnudo, eroso em sulcos. Possivelmente, isto explica a expressiva

ocupao das reas da sub-bacia com as pastagens, que tem desenvolvimento radicular

superficial e no so to exigentes em termos de fertilidade do solo. (SEPLAN/SRH-SE,

2006).

FIGURA 24. Tipos de solo existente na sub-bacia do Riacho das Capivaras (SEPLAN/SRH-SE, 2006).

Os Latossolos Amarelos (Figura 24b) se apresentam mais associados aos Neossolos

Flvicos, e em margens de taludes mais altos, esto freqentemente sujeitos eroso

marginal. Como so solos com uniformidade textural, promovem o desmoronamento de

grandes blocos, promovendo movimentos de massa que agravam a problemtica do

assoreamento do rio.

Os Neossolos Flvicos, os antigos solos de aluvio, so resultantes da deposio de

materiais mais grosseiros pelas enchentes, conseqentemente bastante arenosos compondo as

margens em trechos de relevo mais suave do Riacho, substrato que outrora sustentava a

vegetao ciliar presente na rea (Figura 24c). A sua composio granulomtrica

predominantemente dominada por partculas arenosas e de textura mais grosseira, exprimem

uma condio de muito baixa coeso a esses solos, traduzida por uma grande vulnerabilidade

aos movimentos de massa, que provocam desmoronamentos, quando no esto protegidos

pela vegetao ciliar. Tais desmoronamentos tambm resultam em eroso e conseqente

assoreamento do rio.

A atividade agrcola predominante a pastagem para criao extensiva de pequenos

rebanhos. So 1.350,1ha (56,50% da rea em estudo) distribudos em pastagens implantadas

h muitos anos, pastos sujos caracterizados por pastos com vegetao arbustiva ou rvores

esparsas, ou reas degradadas representadas por pastos degradados com exposio de solo. As

pastagens esto presentes em toda a extenso da sub-bacia e invadem at mesmo as reas

situadas margem do Riacho das Capivaras, onde deveria estar protegida pela mata ciliar, que

somente identificada em pequenas franjas, sem grande expresso em termos de rea.

Outra atividade exercida na sub-bacia em estudo a agricultura praticada em pequenas

reas, com o cultivo de milho, feijo, mandioca e frutferas. Esta prtica agrcola

caracterizada como de subsistncia e ocupa apenas 217,7 ha (9,11%) e assim como as

pastagens, est dissociada de prticas conservacionistas e baixo rendimento produtivo.

Tambm compe a paisagem da sub-bacia, remanescentes de mata atlntica em diferentes

estgios de antropizao e/ou sucesso ecolgica. So 80,9 ha de mata atlntica (3,39%) e

624,5 ha (26,14%) de mata atlntica em diferentes estgios de regenerao denominada

capoeira grossa e capoeira fina, distribuda em rea no necessariamente de preservao

permanente. Os solos expostos, ora considerados como rea degrada, ocupam 74,4 ha (3,11%)

e as construes e benfeitorias, 41,8 ha (1,75%). A Figura 25, a seguir, traz o uso e ocupao

do solo da sub-bacia do Riacho das Capivaras.

FIGURA 25. Uso e Ocupao do solo da sub-bacia do Riacho das Capivaras em percentuais

(SEPLAN/SRH-SE, 2006).

5.1.4 Caracterizao hidrolgica

A sub-bacia hidrogrfica do Riacho das Capivaras apresenta uma rea de 23,87 km2,

com permetro de 28,5 km, com declividade mdia de 17,9%. O curso dgua principal

apresenta comprimento de 13,6 km, a densidade de drenagem de 4,25 km/ km2 e o valor da

densidade dos cursos dgua 10,26. Os valores do coeficiente de compacidade, do fator de

forma e do ndice de circularidade so 1,64; 0,21 e 0,37, respectivamente. De acordo com

estes dados, pode-se afirmar que a sub-bacia apresenta forma alongada, mostrando-se pouco

susceptvel a enchentes em condies normais de precipitao.

5.2 Mtodo do SCS

Para estimativa do escoamento superficial da gua da chuva, ser utilizado o mtodo

do SCS (1972) que usa a seguinte equao:

(12)

em que

P: chuva total (mm);

Ia: so as perdas iniciais (interceptao e armazenamento na superfcie) e representam 20% da

infiltrao mxima (0,2S);

S: infiltrao potencial mxima (mm);

Q: chuva excedente (mm).

A Equao (12) representa a relao chuva-escoamento superficial, quando a

precipitao (P) maior que 0,2S. Se a precipitao for menor ou igual que 0,2S, o

escoamento superficial estimado ser zero.

Dada as dificuldades encontradas para se determinar o potencial mximo de reteno,

o SCS (1972), adotou um ndice denominado nmero da curva de escoamento, representado

por CN, obtido em funo da cobertura do solo pela vegetao, tipo de preparo e classe

hidrolgica de solo, e utilizou uma expresso emprica e adimensional que relaciona CN ao

parmetro S, a qual, quando P e Q so expressos em milmetros, dada por:

(13)

Quando a condio de umidade antecedente do solo diferente da condio

intermediria (AMC II), o valor de CN pode ser convertido para as condies AMC I ou

AMC III, utilizando as relaes apresentadas em tabela do prprio mtodo.

5.3 Cenrios

Visando avaliar os impactos, no escoamento superficial da sub-bacia hidrogrfica do

Riacho das Capivaras, inerentes aos diferentes tipos de uso de solo e manejo dos

agroecossistemas, sob diferentes condies de uso e ocupao das terras, definiram-se quatro

cenrios de ocupao da bacia, conforme apresentados a seguir:

Cenrio 1 (C_1): Uso e ocupao das terras referente ao ano de 2004, ora

considerado cenrio base, obtido a partir de memorial descritivo (relatrio e shapes)

elaborado pela Secretaria de Recursos Hdricos de Sergipe em 2006. Este cenrio possui

99,7ha de pastagens degradadas, 1250,4ha de pastagem nativa, 624,5ha de capoeira, 217,7ha

de culturas anuais sem resduos culturais, 74,4ha de reas degradas (solos expostos), 80,9ha

de mata e 41,8ha de construes e estradas. Na Tabela 2 consta o uso e ocupao do solo do

C_1, com respectivo CN e infiltrao potencial mxima, de acordo com tabela do CN

adaptada por SARTORI (2004).

TABELA 2. Uso e ocupao do solo para o Cenrio 1.

Uso e Ocupao rea (ha) CN (Ia=0,2S, Umidade II)

Pasto Sujo (Degradada) 99,7 86

Pastagem (Nativa) 1250,4 79

Capoeira 624,5 65

Culturas Anuais (N + SRC) 217,7 89

rea degradada (solo exposto) 74,4 91

Mata (vegetao natural) 80,9 49

Construes e estradas 41,8 82

TOTAL 2389,4 CN Ponderado = 75,9

Infiltrao potencial mxima - 80,65 mm

Cenrio 2 (C_2): Cenrio no qual o uso e ocupao das terras atual, atendem s

determinaes do Cdigo Florestal Brasileiro, (Lei n 4.771, de 15/09/65, alterada pela Lei n

7.803, de 8/08/93) em que todas as reas de preservao permanente dos recursos hdricos

(APP) foram preservadas e os percentuais de reserva legal, respeitados. A rea considerada de

preservao permanente na sub-bacia do Riacho das Capivaras abrange 692,90 ha e apenas

93,39 ha, desta, esto ocupados com mata e capoeira. Ainda pelo Cdigo, 339,3 ha devero

compor a rea de Reserva Legal (20%). Na Tabela 3 consta o uso e ocupao do solo deste

cenrio, com respectivo CN infiltrao potencial mxima.

TABELA 3. Uso e ocupao do solo para o Cenrio 2.

Uso e Ocupao rea (ha) CN (Ia=0,2S, Umidade II)

Pasto Sujo (Degradada) - -

Pastagem (Nativa) 1191,09 79

Capoeira 233,41 65

Culturas Anuais (N + SRC) 217,7 89

rea degradada (solo exposto) - -

Mata (vegetao natural) 705,4 49

Construes e estradas 41,8 82

TOTAL 2389,40 CN Ponderado = 69,7

Infiltrao Potencial Mxima (S) - 110,42 mm

Para esta conformao, buscou-se no modificar a estrutura produtiva da bacia, uma

vez que, as reas de Reserva Florestal e de Preservao Permanente no podem ser utilizadas

para fins econmicos, salvo os casos previstos em lei. O uso projetado do solo para o Cenrio

2, teve por base o Cenrio 1, onde: a rea de capoeira regenerou-se, complementando a rea

de vegetao natural, 705,4 ha (80,9 ha + 624,5 ha); as reas de pastagens degradadas e solos

expostos recuperadas ao nvel de capoeira, 174,1 ha ( 99,7 ha + 74,4 ha); e 59,31 ha de

pastagem nativa evoluram para a categoria capoeira. Desta forma, foi possvel alcanar os

938,81 ha considerados como rea de preservao permanente e de reserva legal.

Cenrio 3 (C_3): O uso projetado do solo para o C_3, baseou-se na conformao do

Cenrio 1, diferindo pela prtica de manejo de solo e utilizao de tratos culturais, no qual as

pastagens nativas e degradas passaram a ser melhoradas (correo de acidez e fertilizao,

plantio de gramneas adaptadas e manejo dos animais), totalizando 1350,1 ha, e o cultivo de

culturas anuais prev o plantio em nvel e resduos culturais nas superfcies com a mesma

rea cultivada (217,7 ha). Como se trata de uma bacia ocupada predominantemente por

minifndios responsveis pela manuteno do agricultor familiar, respeitar o Cdigo Florestal

pode comprometer a subsistncia familiar. Recentemente, os percentuais de Reserva Legal e

APPs, definidos em Cdigo Florestal tm sido alvo de discusses polmicas. Projetos de leis

tramitam na Cmara dos Deputados propondo desde a mudana no cmputo das reas de

reserva legal como, at mesmo, a reduo do percentual a ser respeitado. Exemplos deles so

o: PL 3225/08 que altera o cmputo das reas de preservao permanente (APPs) no clculo

da reserva legal em propriedades rurais; PL 0238.0/2008 que prope a reduo de 30 para 5

metros a rea de matas ciliares situadas s margens dos cursos dgua no Estado de Santa

Catarina; PL 4519/08 que visa a reduo de 80% para 35% nas reas de reserva legal dentro

da Amaznia; e a Reduo de 80 para 50% da rea de reserva legal s margens das rodovias

BR-163 (Cuiab-Santarm) e BR-230 (Transamaznica). Desta forma, no C_3, so

respeitadas apenas as reas de preservao permanente. A rea de capoeira passou a ocupar

86,9 ha, e aos 80,9 ha de mata foram acrescentados 537,6 ha provenientes de Capoeira e 74,4

ha provenientes de da rea degradada, totalizando 692,9 ha.

TABELA 4. Uso e ocupao do solo para o Cenrio 3.

Uso e Ocupao rea (ha) CN (Ia=0,2S, Umidade II)

Pasto Sujo (Degradada) - -

Pastagem (melhorada) 1350,1 74

Capoeira 86,9 65

Culturas Anuais (N + RCS) 217,7 77

rea degradada (solo exposto) - -

Mata (vegetao natural) 692,9 49

Construes e estradas 41,8 82

TOTAL 2389,40 CN Ponderado = 66,8

Infiltrao Potencial Mxima (S) - 126,07 mm

Cenrio 4 (C_4): Dada necessidade imediata de gerao de receitas para a

manuteno familiar, falta de educao ambiental e ausncia de orientao tcnica, este

cenrio foi definido a partir de viso pessimista de futuro em relao sustentabilidade dos

agroecossistemas. Neste cenrio (Tabela 5), os remanescentes de mata do Cenrio 1 (80,9 ha)

deram espao s culturas anuais sem o devido manejo, que somados aos 217,7 ha existentes

totalizaram 298,6 ha. As pastagens nativas tornaram-se degradadas. As pastagens degradadas

do Cenrio 1 (99,7 ha) tornaram-se reas degradas (solos exposto) totalizando 174,1 ha. A

capoeira tornou-se pastagem nativa com uma rea de 624,5 ha.

TABELA 5. Uso e ocupao do solo para o Cenrio 4.

Uso e Ocupao rea (ha) CN (Ia=0,2S, Umidade II)

Pasto Sujo (Degradada) 1250,4 86

Pastagem (Nativa) 624,5 79

Capoeira - -

Culturas Anuais (N + SRC) 298,6 89

rea degradada (solo exposto) 174,1 91

Mata (vegetao natural) - -

Construes e estradas 41,8 82

TOTAL 2389,4 CN Ponderado = 84,84

Infiltrao Potencial Mxima (S) - 45,38 mm

O escoamento superficial gerado a partir de cada cenrios foi simulado no MSCS e em

seguida construiu-se a curva de permanncia de vazo que servir como medida de

comparao entre usos alternativos, de modo que se proceda avaliao entre situaes

concretas e potenciais diversas.

6. Resultados e Discusso

Este trabalho apresenta uma anlise simplificada de alguns cenrios comparativos de

uso e ocupao do solo na sub-bacia do Riacho das Capivaras. A anlise est baseada nos

resultados de simulao com um modelo hidrolgico e construo da curva de permanncia

de vazes. Foram definidos quatro cenrios: o C_1, considerado cenrio base, o de uso e

ocupao das terras referente ao ano de 2004; o C_2 em que o uso e ocupao das terras

atendem s determinaes do Cdigo Florestal, no qual est prevista a manuteno das reas

de reserva legal e das reas de preservao permanente; o C_3 em que o uso e ocupao das

terras prev prticas conservacionistas nas atividades agrcolas e a manuteno apenas da rea

de preservao permanente prevista em Cdigo Florestal; e o C_4 em que no so realizadas

prticas de manejo conservacionistas nas atividades agrcolas, tampouco cumprido o

disposto em Cdigo Florestal (Tabela 6). Na Tabela 7, tem-se o uso e ocupao do solo

expresso em percentual para cada cenrio.

TABELA 6. Uso e ocupao do solo para os quatro cenrios simulados.

Uso e Ocupao (ha) C_1 C_2 C_3 C_4

Pasto Sujo (Degradada) 99,7 - - 1250,4

Pastagem (Nativa) 1250,4 1191,09 1350,1 624,5

Capoeira 624,5 233,41 86,9 -

Culturas Anuais (N + SRC) 217,7 217,7 - 298,6

Culturas Anuais (N + RCS) - - 217,7 -

rea degradada 74,4 - - 174,1

Mata (vegetao natural) 80,9 705,4 692,9 -

Construes e estradas 41,8 41,8 41,8 41,8

rea Total (ha) 2389,4

TABELA 7. Uso e ocupao do solo para os quatro cenrios simulados em percentuais da rea total.

Uso e Ocupao (%) C_1 C_2 C_3 C_4

Pasto Sujo (Degradada) 4,2 - - 52,32

Pastagem (Nativa) 52,3 49,84 56,5 26,13

Capoeira 26,14 9,8 3,64 -

Culturas Anuais (N + SRC) 9,11 9,11 - 12,5

Culturas Anuais (N + RCS) - - 9,11 -

rea degradada 3,11 - - 7,3

Mata (vegetao natural) 3,39 29,5 29 -

Construes e estradas 1,75 1,75 1,75 1,75

rea Total 100

As diferenas entre os quatro cenrios foram analisadas comparando-se os valores de

CN, infiltrao potencial mxima e as vazes mnimas (Q90), mximas (Q5) e mdias (Q50).

Utilizando o Mtodo do SCS foram estimados o CN e a infiltrao potencial mxima. As

vazes mnimas (Q90), mximas (Q5) e mdias (Q50), foram determinar atravs da curva de

permanncia, construda a partir de dados de precipitao diria, transformados de mm/dia

para l.s-1, fundamentada nos registros hidrolgicos e escoamento superficial obtido pelo

MSCS. Na Tabela 8, constam os indicadores de avaliao de cada cenrio simulado.

TABELA 8. Indicadores de avaliao de cada cenrio simulado.

INDICADORES C_1 C_2 C_3 C_4

CN Ponderado 75,9 69,7 66,8 84,8

S: Infiltrao Potencial Mx (mm) 80,65 110,42 126,07 45,38

(Q90): Vazo mnima ( l.s-1) 0,048 0,047 0,043 0,052

(Q50): Vazo mdia ( l.s-1) 0,758 0,728 0,701 0,836

(Q5): Vazo mxima ( l.s-1) 7,603 7,246 7,103 8,642

O parmetro CN retrata as condies de cobertura e solo, variando desde uma

cobertura muito permevel (limite inferior, valor = 0) at uma cobertura completamente

impermevel (limite superior, valor = 100). Os valores de CN, obtidos pelo MSCS para os

cenrios construdos, representam bem esta relao. Pode-se verificar que os menores valores

para o CN esto associados aos maiores valores de infiltrao e conseqentemente, menores

valores de escoamento superficial (vazes).

No C_4, marcado pela gesto inadequada do uso e ocupao da terra, o CN foi de

84,84, valor prximo ao limite superior, onde praticamente todo volume precipitado escoado

e a infiltrao mxima potencial foi a menor dos trs cenrios (45,38 mm). Isso porque, em

solos desprotegidos h formao de selo superficial que reduz a infiltrao de gua. O CN do

C_1 (75,9) possui valor prximo ao do C_4, indicando que esta realidade facilmente

conquistada caso no se revejam os sistemas produtivos ali implantados. O CN do C_2 e do

C_3 possuem valores bem prximos (69,7 e 66,8 respectivamente) e so mais baixos que os

apresentados no C_1 e no C_ 4. No entanto, o C_3 apresenta um CN ainda menor (66,8) e um

maior volume infiltrado (126,07 mm) mostrando que o arranjo sustentvel dos

agroecossistemas aliado manuteno apenas da rea de preservao permanente prevista em

Cdigo Florestal se constitui numa boa alternativa de manejo da bacia. Uma vez que, a

manuteno das reas de reserva legal implica em reduo das reas produtivas e demanda

custos para demarcao da rea (projeto) e registro cartorrio. Uma caracterstica importante a

ser considerada nos agroecossistemas a produo de gua alm da produo de alimentos. A

anlise dos cenrios indicou que, para a produo de gua, o manejo e as prticas

conservacionistas empregados nos sistemas produtivos so mais importantes que a

manuteno da cobertura vegetal.

Isso no quer dizer que a reserva legal no tenha sua importncia. De acordo com o

Conselho Nacional de Meio Ambiente, essa reserva (de floresta ou outra formao vegetal)

necessria ao uso sustentvel dos recursos naturais, conservao e reabilitao dos processos

ecolgicos, conservao da biodiversidade e ao abrigo e proteo da fauna e flora nativas.

As discusses sobre as alteraes nos percentuais de Reserva Legal definidos no Cdigo

Florestal, que atualmente tramitam no Congresso Nacional, so baseadas essencialmente em

critrios econmicos e poucos argumentos biolgicos tm sido levantados. A deciso sobre as

alteraes do Cdigo Florestal depende de parmetros biolgicos, econmicos, sociais e

polticos. Porm, as implicaes biolgicas de qualquer alterao nos instrumentos legais so

fundamentais para embas-la.

Os valores de CN, bem como a importncia do uso e ocupao do solo na produo de

escoamento superficial, encontrados e constatados neste trabalho esto compatveis com a

realidade que outros autores avaliaram. AQUINO et al. (2008), ao estimar o escoamento

superficial em sub-bacia do semi-rido brasileiro, tambm encontraram maiores valores de

CN nas regies com pouca cobertura vegetal. Sendo nestas reas onde se pratica uma

atividade agrcola mais intensa sem alguma prtica conservacionista de uso e manejo do solo.

PICKBRENNER et al. (2005), ao determinar o CN utilizando o geoprocessamento em

simulao hidrolgica na Bacia do Rio Cricima, encontraram os maiores valores em reas

mais urbanizadas, onde os percentuais de impermeabilizao apresentam-se bastante altos,

associados s condies de solos com capacidade de infiltrao abaixo da mdia. As regies

de matas e campos tambm aparecem como bons indicadores de reas onde ocorre menor

escoamento superficial (menor CN).

RUHOFF (2004), ao realizar a modelagem ambiental com a simulao de cenrios,

observou que as maiores perdas de gua ocorreram principalmente nas sub-bacias que

apresentam as maiores taxas de ocupao agrcola, e que conseqentemente possuem as

menores reas percentuais de cobertura florestal. J os processos erosivos que ocorrem com o

escoamento superficial e sub-superficial da gua, no se relacionam diretamente com a

cobertura florestal, mas principalmente com as prticas conservacionistas (no) adotadas nas

lavouras agrcolas.

Os modelos hidrolgicos analisam, em parte, o aspecto ambiental, eles presumem que

a manuteno de uma vazo de referncia, calculada com base estatstica da srie histrica,

possa acarretar em benefcio ao ecossistema. A principal vantagem destes mtodos est na

pequena quantidade de informaes necessrias para sua implementao, em geral apenas a

srie histrica de vazes.

Com o objetivo de se conhecer a amplitude de variao das vazes produzidas a partir

das modificaes no uso e ocupao do solo e, principalmente, a freqncia com que cada

valor de vazo ocorre em determinado curso dgua, foi determinada a curva de permanncia

para cada cenrio. As quatro curvas resultantes esto apresentadas nas Figuras 26, 27, 28 e 29.

FIGURA 26: Curva de permanncia de vazo para o Cenrio 1.

FIGURA 27: Curva de permanncia de vazo para o Cenrio 2.

FIGURA 28: Curva de permanncia de vazo para o Cenrio 3.

FIGURA 29: Curva de permanncia de vazo para o Cenrio 4.

A curva de permanncia indica a porcentagem de tempo em que determinado valor de

vazo foi igualado ou ultrapassado durante o perodo de observaes. Ela permite visualizar,

de imediato, a potencialidade natural do curso dgua, destacando-se a vazo mnima e o grau

de permanncia para qualquer valor da vazo (TUCCI, 2002).

Os resultados da simulao dos Cenrios 1, 2, 3 e 4, mostrado na Tabela 9 foram

semelhantes, para todas as vazes mnimas (Q90) das curvas de permanncia analisadas. A Q95

est associada aos perodos de grandes estiagens, a menor vazo que um rio garante em 95%

do tempo, o C_2 o que apresenta maior Q95 (0,201 l.s-1), ou seja, aumenta a disponibilidade

hdrica da rea. A Q50 significa que 50% dos valores esto abaixo ou acima deste valor, mas

geralmente menor que a vazo mdia. As vazes mximas (Q5) variaram de 7,1029 l.s-1 a

8,642 l.s-1 e esto associadas a vazes de cheia, o C_4 mais vulnervel a estas vazes, uma

vez que, seus solos esto desprotegidos e o volume de escoamento maior, desta forma os

processos erosivos decorrentes desta combinao so mais severos.

TABELA 9: Vazes de referncia para os cenrios simulados

INDICADORES C_1 C_2 C_3 C_4

(Q95): Vazo mnima (l.s-1) 0,0188 0,0201 0,0190 0,0195

(Q90): Vazo mnima (l.s-1) 0,0486 0,0467 0,0427 0,0519

(Q50): Vazo mdia (l.s-1) 0,7578 0,7276 0,7009 0,8355

(Q5): Vazo mxima (l.s-1) 7,6026 7,2463 7,1029 8,6420

7. Concluses

O desenvolvimento de metodologias para a simulao do escoamento superficial

gerado por uma chuva essencial para avaliaes dos recursos hdricos em uma bacia

hidrogrfica. O mtodo do SCS, neste trabalho, mostrou-se uma metodologia adequada e

confivel para simulao dos processos hidrolgicos ocorridos na sub-bacia do Riacho das

Capivaras/SE. Atravs da comparao e avaliao dos cenrios simulados, foi possvel prever

os reflexos das decises tomadas a cerca do uso e ocupao. Os Cenrios 2 e 3 mostraram-se

mais indicados para conter os processos de degradao ambiental, visto que a manuteno das

reas de reserva legal e de preservao permanente aumentou o volume de gua infiltrado,

reduziu o escoamento superficial e apresentou maior vazo de referncia mnima (Q95), o que,

sob o aspecto de produo de gua, mais interessante pois proporciona o aumento da

disponibilidade hdrica na bacia.

Diante do estgio de degradao ambiental encontrado na sub-bacia do Riacho das

Capivaras, o Cenrio 3 particularmente o mais indicado para do ponto de vista de produo

de gua das propriedades agrcolas. Este cenrio mostra que prticas conservacionistas nas

atividades agrcolas, aliadas a manuteno das reas de preservao permanente, se

constituem numa boa alternativa de uso sustentvel dos agroecossistemas.

Quanto ao mtodo utilizado para avaliao do escoamento superficial, o MSCS, este

constituiu-se uma boa ferramenta de auxlio ao planejamento ambiental pois, trata-se de uma

metodologia simples, que pode ser utilizada, principalmente, em reas que tenham poucos

dados disponveis neste estudo, as informaes foram geradas a partir da precipitao diria.

No h limitao de nmero de cenrios no qual a metodologia possa ser aplicada, desde que

os indicadores de avaliao sejam bem definidos pelos planejadores. E, embora o MSCS

superestime valores de escoamento (como afirmado por alguns autores) foi possvel verificar

que a capacidade de reteno de gua no solo inversamente proporcional ao escoamento e

est diretamente associada ao fator manejo e cobertura do mesmo. O mtodo tambm

proporcionou a gerao de dados de vazo que serviram de base para a construo da curva de

permanncia de vazes da rea em estudo, por conseguinte, a obteno dos valores de vazes

de referncia. Desta forma, o MSCS constitui-se em uma importante ferramenta de auxlio ao

planejamento ambiental e pode ser extrapolado para outras bacias hidrogrficas do Estado de

Sergipe.

8. Referncia Bibliogrfica

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