apicultura em regioes tropicais

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    Fundao Agromisa, Wageningen, 2004.

    Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicao pode ser reproduzida qual-quer que seja a forma, impressa, fotogrfica ou em microfilme, ou por quaisquer outrosmeios, sem autorizao prvia e escrita do editor.

    Primeira edio em potugus: 1996Segunda edio em potugus: 2004

    Autor: P. SegerenEditores: V. Mulder, J. Beetsma, R. SommeijerDesign grfico: Janneke ReijndersImpresso por: Digigrafi, Wageningen, Pas Baixos

    ISBN: 90-77073-77-9NUGI: 835

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    Prefcio 3

    Prefcio

    Para o homem, a criao de abelhas pode ser um passatempo interes-

    sante, uma forma de ganhar algum dinheiro ou ainda um modo devida. Indicamos neste livrete os mtodos a seguir para trabalhar com aabelha melfera do Oeste (Apis mellifera). Para alm disso, encon-tram-se, no final do mesmo, informaes sobre a abelha melfera deLeste (Apis cerana). Os dados so provenientes de diversas partes domundo.Embora os princpios da apicultura sejam globalmente idnticos emtodo o mundo, contudo necessrio ter em linha de conta a espcie

    das abelhas, a raa, o clima e a vegetao. pessoa que tenciona iniciar-se na apicultura, aconselha-se trabalhardurante pelo menos um ano com um apicultor experimentado. Comefeito, os segredos da profisso s se aprendem com a prtica.O Ministrio da Agricultura e das Florestas pode fornecer informaese, em muitos casos, este ministrio possui um departamento reservado apicultura que organiza demonstraes e cursos, prope a sua fre-quncia e fornece igualmente, em certos casos, colnias de abelhas.Se desejar promover a cultura das abelhas na sua regio, tome semprecomo ponto de partida o mtodo local e actual e tente progressivamen-te melhor-lo em vez de se lanar directamente na introduo de ummtodo completamente novo.

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    A apicultura nas regies tropicais4

    ndice

    1 A importncia da apicultura 6

    1.1 O mel 61.2 A cera 61.3 O plen 71.4 A polinizao 7

    2 Espcies e raas de abelhas 8

    3 A composio da colnia 10

    3.1 A rainha 103.2 As operrias 113.3 Os zngos 14

    4 A vida quotidiana numa colnia 154.1 O enxame 154.2 O ciclo de desenvolvimento da abelha 154.3 O desenvolvimento da colnia 164.4 A enxameao 174.5 O abandono da colmeia (absconding) 194.6 A substituio silenciosa da rainha 20

    5 A prtica da apicultura 225.1 Alguns princpios do mundo das abelhas 225.2 Lidar com as abelhas 235.3 As colmeias 245.4 Colmeias de quadros mveis (construo desmontvel) 265.5 As colmeias de quadros 295.6 Outras necessidades 365.7 A preparao da colmeia 425.8 A instalao do apirio 44

    6 A primeira poca 48

    6.1 A captura de um enxame 48

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    ndice 5

    6.2 A gesto 506.3 A inspeco 506.4 A alimentao 516.5 Medidas a tomar durante o crescimento da colnia 53

    7 Os preparativos para a colheita de mel 577.1 Uma inspeco rigorosa 577.2 A ampliao das colnias 597.3 Da apicultura nmada/transumante 627.4 A enxameao 63

    8 A colheita do mel 68

    8.1 A extraco dos favos de mel 688.2 A extraco do mel 708.3 A conservao do mel 75

    9 O tratamento da cera 769.1 O mtodo do coador 769.2 O cerificador solar (tambm recipiente para destapar) 77

    10 A colheita de plen 79

    11 Doenas e pragas 8011.1 Doenas 8011.2As pragas 82

    12 A abelha melfera do leste (a. Cerana) 89

    Anexo 1: Medidas e dimenses 91

    Anexo 2: Aplicaes de cera de abelha 92

    Leitura recomendada 93

    Endereos teis 94

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    A apicultura nas regies tropicais6

    1 A importncia da apicultura

    1.1 O mel

    O mel um alimento aconselhado para as crianas, para os doentes epessoas que efectuam trabalhos fsicos esforados porque constitu-do, na sua maior parte, de acar facilmente assimilvel pelo homem(80%).? O mel pode ser usado para adoar bebidas e comida.? O mel pode ser usado para tratar feridas superficiais e as irritaes

    da garganta.?

    Devido ao seu carcter nutriente, estimulante e medicinal, o melpossui um alto valor econmico e, portanto, apresenta-se como umbom produto comercial.

    ? Um apicultor experimentado pode tratar de uma centena de colni-as. Isto quer dizer que o apicultor deve, durante alguns perodos doano (preveno da enxameao, extraco do mel, alimentao dascolnias), fazer da manuteno das suas colmeias uma tarefa diria.O tempo que lhe resta pode ento ser empregue noutras actividades.

    Se a apicultura for uma actividade familiar, torna-se ento possvelmanter um maior nmero de colnias. A produo de mel dependemuito do clima e da vegetao.

    Quadro 1: A produo mdia (em kg) da abelha melfera do Oes-

    te, por ano e por colmeia, a seguinte:

    Continente A produo mdia Continente A produo mdia

    Ocenia 35 CEI 11Amrica do Norte 26 Europa 9

    Amrica Central, do Sul 25 frica 6

    sia (excepto CEI) 12

    1.2 A cera? utilizada no fabrico de produtos cosmticos, velas, folhas de cera

    moldada, produtos farmacuticos, graxas, etc. O mercado da cera muito estvel e bom.

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    ? A produo de cera varia, conforme a colmeia, de 0,2 a 0,5 kg seforem utilizados pequenos quadros e de 0,5 a 2 kg quando o mel

    prensado e todos os favos so dissolvidos.

    1.3 O plenO plen apanhado pelas abelhas pode ser recolhido atravs de um sis-tema muito simples. Uma colnia de abelhas colhe 100 a 200 g de p-len por dia, 30 a 50 kg por ano. Naturalmente, apenas se poder reteruma parte da colheita para no retardar muito o desenvolvimento dacolnia.O plen pode conter at 35% de protenas. Pode ser consumido seco

    ou misturado com outro alimento. O plen muito utilizado na inds-tria dos perfumes e ainda, nos nossos dias, para o consumo.

    1.4 A polinizaoA principal importncia da apicultura reside na polinizao das plantashortcolas e de cultura extensiva.As abelhas mantm-se fiis a uma flor. Quando uma abelha encontrouflores de uma dada espcie vegetal, chama as suas companheiras deninho para visitarem essa fonte de alimento. Esgotada essa espcie, asabelhas procuram ento uma outra espcie. No desempenho desta fun-o, as abelhas so muito importantes para as plantas que necessitamde uma polinizao cruzada. Quando, durante a florao, um nmerosuficiente de colnias se encontra nos arredores de uma espcie vege-tal, no s o rendimento ser maior como melhor ser a qualidade dosfrutos.

    A vantagem da polinizao atravs das abelhas foi demonstrada para:o abacate a ameixa a amndoa a bagao caf o caju a cereja os citrinoso coco a colza o damasco o feijoo girassol a goiaba a lechia a maa manga o maracuj o melo a mostardaa pra o pssego o piretro o ssamoo trevo

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    2 Espcies e raas de abelhas

    De entre as espcies mais conhecidas, a abelha melfera do Oeste

    (Apis mellifera) e a abelha melfera de Leste (Apis cerana) so as ni-cas que apresentam interesse econmico. Dentro da espcieA. mellife-ra, distinguem-se vrias raas. A abelha melfera italiana (A. melliferaligustica) exportada de Itlia para pases da Europa Ocidental, para aAmrica do Norte, Central e do Sul, Madagscar, Nova-Zelndia eAustrlia. Na frica do Norte, trabalha-se com a A.mellifera intermis-sa e a Sul do Saar com A. mellifera adansonii (a abelha Africana). Aabelha Afro-Brasileira, resultado de um cruzamento entre a abelha

    Africana e as raas melferas europeias outrora importadas, propagou-se em toda a Amrica do Sul e continua a sua evoluo para Norte(atingiu a Costa-Rica em 1983). Este cruzamento muito agressivo.

    Encontra-se Apis mellifera meda no Prximo OrienteDentro da espcie Apis cerana distinguem-se igualmente vrias raasconhecidas.Apis cerana indica na ndia e no Sri Lanka; no JapoApiscerana cerana eApis cerana sinensis na China.H todo o interesse em saber queA. mellifera adansonii e sobretudo amaior parte das raas deApis cerana tm um tamanho inferior Apismellifera ligustica. A literatura europeia diz respeito s raas europei-as; a literatura da frica do Norte Apis mellifera intermissa; a maior

    parte da literatura africana refere-se todavia A. mellifera adansonii.A literatura da sia de Leste dedica-se Apis cerana.

    por isso que na leitura das descries das colmeias, da cera moldada(dimenso da clula), das redes para excluso de rainhas (dimensodas fendas) e da largura dos intervalos entre os favos, preciso ter emconsiderao a espcie e a raa a que esses dados se referem (ver ocaptulo 12 para as adaptaes).

    Para alm destas espcies e raas de abelhas, extrai-se (furta-se) emgrande quantidade mel de abelhas que vivem em estado selvagem

    como a abelha da Floresta-Virgem (A. dorsata), a abelha An (A. flo-

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    rea) por exemplo na Indonsia, na ndia e no Sri Lanka e de abelhassem ferro (espcies Melipona e Trigona) sobretudo na Amrica doSul. As abelhas sem ferro podem perfeitamente ser criadas em caixi-nhas de madeira ou em potes de argila. Produzem um a dois litros de

    mel por ano.

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    3 A composio da colnia

    Numa colnia, existem duas castas femininas (a da rainha e a da ope-

    rria) e uma casta masculina (a do zngo) (figura 1).

    Figura 1: Rainha (A), operria (B) e zngo (C).

    3.1 A rainhaReconhece-se a rainha pelo seu longo abdmen que ultrapassa em lar-

    ga medida as asas quando estas esto e