APELAÇÃO CRIMINAL Nº 8431 PB (2005.82.00.009033-1) ?· acr 8431 pb apelaÇÃo criminal nº 8431 pb…

Download APELAÇÃO CRIMINAL Nº 8431 PB (2005.82.00.009033-1) ?· acr 8431 pb apelaÇÃo criminal nº 8431 pb…

Post on 16-Nov-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

TRANSCRIPT

  • ACR 8431 PB

    APELAO CRIMINAL N 8431 PB (2005.82.00.009033-1)APTE : MINISTRIO PBLICO FEDERALAPDO : DESTILARIA MIRIRI S/AAPDO : GILVAN CELSO CAVALCANTI DE MORAIS SOBRINHOAPDO : EMANUEL PINHEIRO DE MELOADV/PROC : CARLOS ROGERIO MARINHO DIAS E OUTROORIGEM : 2 VARA FEDERAL DA PARABA - PBRELATOR : JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI - Primeira Turma

    RELATRIO

    O JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI (Relator):

    O MINISTRIO PBLICO FEDERAL MPF ofereceu denncia (fls. 129/132)contra DESTILARIA JACUPE S/A (sucedida pela DESTILARIA MIRIRI S/A), GILVAN CELSOCAVALCANTI DE MORAIS SOBRINHO e EMANUEL PINHEIRO DE MELO, pela prtica dos tipospenais descritos nos arts. 40, 55 e 60 c/c o art. 15, II, a, c, d, e e q, todos daLei n 9.605/98, na forma do art. 69 do Cdigo Penal CP, alm do tipo descrito no art.2 da Lei n 8.176/91, em concurso formal com o j referido art. 55 da Lei n 9.605/98(fls. 02/11).

    Narrou a pea acusatria que a DESTILARIA JACUPE S/A, por deciso dosoutros dois denunciados, no interesse e benefcio dessa entidade, construiu, instalou e fezfuncionar projeto de carcinicultura numa rea de mangue de 63,8 ha localizada emesturio do Rio Mamanguape, interior de rea de Preservao Ambiental da Barra doRio Mamanguape/PB. Destacou que a obra, potencialmente poluidora, no tem licenaou autorizao do rgo ambiental competente, contrariando as normas legais eregulamentares pertinentes, bem como causando dano direito unidade de ConservaoAmbiental Federal, alm de executar extrao de recursos minerais sem a competentelicena. Arrolou quatro testemunhas.

    A denncia foi recebida em 25/05/2005 (fls. 538/539).

    Seguindo o rito do Cdigo de Processo Penal CPP vigente poca, oacusado GILVAN CELSO foi interrogado s fls. 567/576. Em seguida (fls. 578/579), aDESTILARIA JACUPE S/A e GILVAN CELSO apresentaram defesa prvia. Arrolaram cincotestemunhas.

    O acusado EMANUEL foi interrogado s fls. 616/621 e apresentou suadefesa s fls. 623/624, arrolando cinco testemunhas.

    As quatro testemunhas de acusao arroladas foram ouvidas (JosSantana Alves fls. 635/636; Jos Pereira da Silva fls. 637; Ivan Coutinho Ramos fls. 638/639; Edberto Farias de Novaes fls. 640/641). Emps, o magistrado do 1 grau

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    1

  • ACR 8431 PB

    deferiu o pedido do MPF para oitiva de mais uma testemunha. s fls. 692/693,depoimento da testemunha de acusao Edval Batista da Silva Filho.

    Oito das dez testemunhas arroladas pela defesa foram ouvidas (VirglioGadelha Pinto fls. 739/741; Givanildo Pereira da Silva fls. 742/743; Thales Ramon deQueiroz Bezerra fl. 792; Assis Lins de Lacerda Filho fls. 793/794; Srgio Tavares fl. 795; Jos Severino da Silva fl. 854; Severino Gomes da Silva fls. 913/914; AmaroJos da Silva fls. 963/964). As outras duas foram dispensadas (fls. 791 e 964).

    Na fase do antigo art. 499 do CPP, o MPF nada requereu (fl. 970).GILVAN CELSO, por seu turno, pugnou pela realizao de Percia ambiental (fls. 974/976),pedido indeferido pelo Juzo a quo (fls. 1.702/1.706).

    fl. 1.717, a DESTILARIA MIRIRI S/A informou que, em 16/11/2006,sucedeu a r DESTILARIA JACUPE S/A por incorporao.

    Nas alegaes finais (antigo art. 500 do CPP), o MPF sustentou que asprovas acostadas aos autos confirmam o petitrio exordial. Pediu, pois, a condenaodos rus nos termos da denncia (fls. 1.728/1.730).

    Na mesma oportunidade, a defesa postulou a reconsiderao do despachode fls. 1.702/1.706 que havia indeferido a percia ambiental. No mrito, pugnou pelaimprocedncia da denncia, ao reconhecimento de: a) existir circunstncia que exclui ocrime ou isenta o ru de pena relativamente acusao do art. 60 da Lei n 9.605/98; b)quanto ao supostos delitos do art. 55 da Lei n 9.605/98 e do art. 2 da Lei n 8.176/91,o fato no constituir infrao penal; c) estar provada a inexistncia do fato, alusivamenteao suposto dano ambiental previsto no art. 40 da Lei n 9.605/98, referente imaginriacontaminao do Rio Mamanguape; d) no haver prova da existncia do fato, ou,quando menos seja, no existir prova suficiente para a condenao, no que diz respeitoao pretenso dano ambiental respeitante ao imaginrio assoreamento do manguezal (fls.1.736/1.764).

    s fls. 1.803/1.810, em observncia aos princpios do contraditrio e daampla defesa, foi deferida a realizao da percia ambiental suscitada pela defesa.

    Cpia do Laudo pericial apresentado na Ao Civil Pblica n2005.82.00.004315-8 juntada s fls. 1.854/2.381.

    O MPF opinou pela no realizao de nova prova pericial e trouxe aosautos pareceres dos seus assistentes tcnicos (fls. 2.383/2.407).

    A defesa pronunciou-se tambm manifestando desinteresse na realizaode nova percia e requerendo, ainda, a juntada da Anlise do laudo pericial firmada pelosseus assistentes tcnicos (fl. 2.411/2.545).

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    2

  • ACR 8431 PB

    Instado a se manifestar, o Parquet requereu o reconhecimento da extinoda punibilidade em relao aos crimes previstos nos arts. 55 e 60 da Lei n 9.605/98, pelaocorrncia da prescrio da pretenso punitiva estatal. No mais, defendeu que restouevidenciada a prtica da conduta descrita no art. 40 da Lei n 9.605/98, bem como noart. 2 da Lei n 8.176/91 (fls. 2.563/2.566).

    A defesa, por sua vez, argumentou a inexistncia de prova firme, apta esegura de efetivo dano ambiental, muito menos de explorao desautorizada de matriaprima pertencente Unio (fls. 2.570/2.584).

    A sentena julgou a demanda nos seguintes termos:a) decretou a extino da punibilidade em face da prescrio relativamente aos delitosdos arts. 55 e 60 da Lei n 9.605/98;b) julgou improcedente a denncia e absolveu os rus da imputao referente ao delitodo art. 40 da Lei n 9.605/98, nos termos do art. 386, VII, do CPP.

    Apesar de no constar no dispositivo na sentena o entendimento dojulgador acerca da imputao pelo crime do art. 2 da Lei n 8.176/91, o magistrado, nafundamentao de sua deciso, afastou a incidncia desse tipo penal pela atipicidade daconduta, porquanto entendeu que a atividade de explorao de camares no constituiatividade mineral que se contemple no art. 2 da Lei n 8.176/91.

    Os embargos de declarao opostos pelos rus (fls. 2.645/2.647) foramimprovidos (fls. 2.651/2.653)

    O MPF apelou. Nas suas razes recursais (fls. 2.658/2.663), destacou apossibilidade de a extrao irregular de areia ensejar a incidncia concomitante do tipopenal previsto no art. 2 da Lei n 8.176/91 e no art. 55 da Lei n 9.605/98, uma vez queos institutos tutelam bens jurdicos diferentes, quais sejam, o patrimnio pblico federal ea qualidade ambiental, respectivamente. No que refere ao crime previsto no art. 40 daLei n 9.605/98, defendeu a ocorrncia do dano ambiental decorrente das atividades doempreendimento promovido pelos acusados. Argumentou que o maior equvoco deambos os julgadores em referncia (presente ao penal e da ao civil pblica correlata) justamente limitar a apreciao do dano ambiental em tela apenas questo daqualidade da gua lanada no esturio prximo. Sustentaram que os rus causaramdano rea de Proteo Ambiental APA, da Barra do Rio Mamanguape, criada peloDecreto Federal n 924/1993. Ao final, pugnaram pela reforma da sentena, paracondenar, em concurso material, a DESTILARIA MIRIRI S/A, GILVAN CELSO CAVALCANTI DEMORAIS SOBRINHO e EMANUEL PINHEIRO DE MELO, nas penas cominadas no art. 2 da Lei n8.176/91 e nas penas do art. 40 da Lei n 9.605/98 (sendo aplicadas primeira r aspenalidades previstas no art. 21 da referida lei), com a incidncia das circunstnciasagravantes previstas no art. 15, II, a, c, d, q e r, da mesma lei ambiental.

    Contrarrazes pelo no provimento da apelao (fls. 2.678/2.709).

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    3

  • ACR 8431 PB

    Em parecer (fls. 2.714/2.729), a Procuradoria Regional da Repblica da5 Regio opinou pelo no provimento do recurso.

    o relatrio.

    Ao eminente revisor.

    JUIZ FRANCISCO CAVALCANTIRelator

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    4

  • ACR 8431 PB

    APELAO CRIMINAL N 8431 PB (2005.82.00.009033-1)APTE : MINISTRIO PBLICO FEDERALAPDO : DESTILARIA MIRIRI S/AAPDO : GILVAN CELSO CAVALCANTI DE MORAIS SOBRINHOAPDO : EMANUEL PINHEIRO DE MELOADV/PROC : CARLOS ROGERIO MARINHO DIAS E OUTROORIGEM : 2 VARA FEDERAL DA PARABA - PBRELATOR : JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI - Primeira Turma

    EMENTA: CRIME DOLOSO CONTRA O MEIO AMBIENTE.PROVA INCONTESTE. CONDENAO DOS DIRIGENTESRESPONSVEIS E DA PESSOA JURDICA, NOS TERMOS DALEI AMBIENTAL.1. Prova inconteste da prtica de crime ambiental consistente naimplantao e explorao de projeto de carcinicultura, com expressa econsciente violao da legislao de regncia;2. Responsabilidade comprovada, pelo exame da prova dos autos, doScio controlador, do diretor superintendente e da pessoa jurdica.3. Inexistncia de prova de explorao clandestina de jazida mineral.Ponto em que sucumbe a denncia.4. Provimento, apenas parcial do apelo, nos termos das provascolhidas.

    VOTO

    O JUIZ FEDERAL FRANCISCO CAVALCANTI (Relator): Discute-se nospresentes autos a prtica de crimes contra o meio ambiente. No caso, tipos que afetam,sobretudo, o equilbrio ecolgico em rea de extrema importncia que so osmanguezais.

    Relevante precisar-se o que seria rea de mangue. Como tal pode se definir:

    ManguezalO manguezal um ecossistema especial que se desenvolve em zonas

    litorneas tropicais, associado a terrenos baixos, planos e regies estuarinas, smargens de lagunas ou ao longo de rios e canais naturais, em reas encharcadas,salobras e calmas, com influncia das mars; porm, no atingidos pela aodireta das ondas. Nesses locais, a fora das mars branda e a velocidade dascorrentes baixa, favorecendo intensa deposio de sedimentos finos e matriaorgnica (IPT, 1988).

    Torna-se o elo de ligao entre os ambientes marinho, terrestre e de guadoce, caracterizando-se por uma constante conquista de novas reas pelo acmulode grandes massas de sedimentos e detritos trazidos pelos rios e pelo mar. Osubstrato assim originado tem consistncia pastosa; pouco compactado,alagadio, rico em matria orgnica, pouco oxigenado e sujeito a perodos

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    5

  • ACR 8431 PB

    alternados de inundao e drenagem, conforme variao das mars (IPT, 1988).Lamberti (1969).

    Conceito:Entende por mangal ou manguezal um grupo de plantas que se desenvolvem

    na zona litornea, em substrato plano, lodoso, contornando por esturios,enseadas, lagoas,baas etc.,que, segundo Veloso & Ges Filho (1982) so reaspedologicamente instveis e dinmicas, seja pela constante deposio de areias domar, seja pelo rejuvenescimento do solo ribeirinho, com deposies aluviais elacustres.

    Os termos antes citados denominam a vegetao, o solo e tudo o que nele seencontre. Esses autores salientam que, no Brasil, tal ecossistema tem sidoestudado mais do ponto de vista de sua composio florstica do que por seusaspectos ecolgicos ou fisiolgicos.

    1. Caractersticas gerais dos manguezais: Os manguezais so predominantemente tropicais e crescem em zonascosteiras protegidas, plancies inundveis, praias lodosas, e desembocaduras derios. Pertencem a uma variedade de famlia de plantas, sendo as que mais sedestacam as Combretaceae, Rhizophoraceae e Avicenniaceae, apresentandoconforme suas caractersticas morfolgicas e fisiolgicas distribuio por seisregies geogrficas do planeta. Para o pleno desenvolvimento dos manguezais,algumas caractersticas fsico-qumicas e geogrficas so necessrias, tais como: Climas tropicais: Existncia de substrato mole constitudo por sedimentos finos de silte e argila,rico em matria orgnica, geralmente de origem fluvial; reas abrigadas da forte ao das ondas e mars violentas; Existncia de gua salobra ou salgada; Amplitude de mars.

    Flora: No geral, reduzido o nmero de espcies vegetais que compem osnossos manguezais, se comparados a outras regies tropicais do globo terrestre. Entre as espcies dominantes de porte arbreo temos:Rhizophora mangle (mangue vermelho), Laguncularia racemosa (mangue branco)e Avicennia schaueriana (mangue siriba). Conforme a origem do manguezal ainda podem ocorrer o Hibiscus tiliaceus(porte arbreo); Acrostichum aureum (uma samambaia); Spartina sp. (porteherbceo), alm de diversas espcies da famlia Bromeliaceae. Podem ainda podeocorrer vrias associaes vegetais, influenciados pelo grande acmulo dematria orgnica superficial ou intersticial.

    Fauna: Merece tambm destaque a fauna dos manguezais composta por umcomplexo conjunto de animais que podem ser residentes, semi-residentes ouvisitantes. Destaca-se ainda a presena de caranguejos, peixes e camares e umnmero enorme na vegetao perifrica de mamferos, rpteis e avifaunacaracterstica de esturios marinhos.

    Numa avaliao sistmica os manguezais so ecossistemas de grandeprodutividade, promovendo a troca de gases entre as vrias partes da planta e aatmosfera e a produo de biomassa area (razes, caules, folhas e frutos) eterrestre (razes). Colabora ainda na manuteno das bacias flvio - marinhas,permitindo a absoro pelo lenol fretico.

    A produo de biomassa em manguezais implantados maior que nasformaes originais, devido s aes de manejo florestal desenvolvidas, em face as

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    6

  • ACR 8431 PB

    florestas nativas apresentarem muito cedo um estgio clmax, diminuindo asatividades fsico-biolgicas da populao, e consequentemente diminuindo suaproduo de biomassa.

    2. Ecologia dos manguezais: Por conceito o manguezal um ecossistema aberto quanto a energia ematria. Os nutrientes carreados pelos rios, mars, chuvas e pelo run-off(escoamento superficial) da zona circunvizinha, so distribudos sobre o solo domanguezal e da retirados por processos fsicos, qumicos e biolgicos,incorporando-se aos sedimentos e/ou sendo absorvido pelo metabolismo vegetalou animal. Esses nutrientes produzidos so reciclados pela complexa rede da vida nomangue. Em estudos experimentais, Heald (1971 apud Fonseca 2002) e Odum(1988), calcularam para os manguezais uma produo de material seco (folhas) daordem de 800g/m/ano, sendo que desse total, menos de 5% foram consumidosdiretamente e menos de 2% foram armazenados como turfa (argila orgnica). Dos93% restantes, metade foi consumida por fungos, bactrias e outros. A outrametade foi carreada para as guas do litoral.

    importante observar que a reciclagem nos manguezais iniciada ainda nasrvores, pelos fungos, bactrias e protozorios, sendo ento incorporados aosubstrato realimentando a diversificada teia alimentar continuamente.

    2.1 Dendrologias (ramo da botnica que estuda as plantas lenhosas,principalmente rvores e arbustos, e as suas madeiras) dos manguezais:

    Conforme j descrito anteriormente, existe uma riqueza de biodiversidadenos manguezais mesmo com os fatores adversos como insolao, inundaes,salinidade, etc., porm para efeito de estudo do projeto em curso recair sobre astrs espcies mais utilizadas para a recuperao dos manguezais, a saber: Rhizophora sp: tambm chamado mangue vermelho, famliaRhizophoriaceae, coloniza lugares onde os nveis de mars so mais elevados,permanecendo por mais tempo alagados. Por possurem propgulos (funo depropagar a espcie, estruturas adaptadas para garantir o sucesso na dispero)relativamente pesados e grandes, que afundam aps um certo perodo deflutuao, retornando a superfcie, permitindo boiar e se fixar aps a baixa damar. Permite ainda a disperso dos propgulos a longa distncia.

    Possuem razes areas (recentemente constataram que so caules areos),formando verdadeiras escoras (caules-escoras), apresentando grande quantidadesde lenticelas (so pequenas estruturas que aparecem como bolinhasesbranquiadas para captar oxignio do ar) na sua superfcie e possuindo no seuinterior a substncia tanino que impede que as razes submersas se deteriorem.Apresenta a facilidade da reproduo por "viviparidade", analogamente, uma vezque da planta j se obtm o propgulo preparado para o plantio. Laguncularia sp: tambm chamado mangue branco, famlia Combretaceae,esta espcie ocupa preferencialmente as reas mais afastadas da influncia daoscilao das mars, necessitando de um perodo maior dessas amplitudes, parapromover o enraizamento e consequentemente sua fixao ao substrato. Ospropgulos so pequenos, no exibindo a mesma caracterstica de flutuao, queaps afundarem no retornam a superfcie. Apresenta um sistema radicular(razes)pouco profundo(ainda no h estudos que comprovam se as razes so maisprofundas ou no) disposto de forma radial com os pneumatforos (razes quecrescem para cima, na superfcie, para troca gasosa). Possuem glndulasexcretoras de excesso de sal na base da lmina foliar. Sua reproduo ocorreatravs de sementes. Avicennia sp: tambm chamado mangue siriba, famlia Avicenniaceae, estaespcie tem ocorrncia restrita s reas mais afastadas da influncia das mars

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    7

  • ACR 8431 PB

    e consequentemente com menor frequncia de inundao. Os seus propgulostambm so pequenos e sempre flutuam, necessitando para efetuar sua fixao aosubstrato de um perodo maior livre da influncia das oscilaes de mars,conforme a espcie anterior, com grande poder de resistncia. Apresentamtambm em suas razes as estruturas de pneumatforos e folhas brilhosas comglndulas que expelem sal.

    3. Manguezais e os centros de origem de espcies:A superior diversidade nos trpicos bem conhecida: aproximadamente 3/4

    das espcies mundiais encontram-se confinadas nos trpicos. No ambientemarinho, fatos histricos indicam que a maioria dos grupos animais se originouem regies tropicais, em reas adjacentes ou zonas de transio demanguezais. No ambiente terrestre, uma alta diversidade tambm encontrada nostrpicos. Existem, contudo, certas reas dos trpicos nas quais a diversidade deespcies atingiu nveis mais altos do que o normal. Tais reas funcionam,aparentemente, como "centros de origem evolucionria". Este fato enfatiza aimportncia de se destinar esforos para conter a taxa de extino de espciesencontradas nos trpicos e a conservao dos diferentes sistemas tropicais,incluindo os manguezais.

    O conceito de "centro de origem" reforado pela descoberta de taxa maisnovos nas regies tropicais, com aumento da idade em direo as altas latitudes.Sugere-se que tais gradientes representam uma adaptao em longo prazo, alatitudes mais frias por grupos antes tropicais (Briggs, 1984 apud Fonseca 2001).Embora os trpicos marinhos possuam uma biota rica, existem variaeslongitudinais considerveis. A riqueza da fauna da regio Ocidental Indo -Pacfica 2,5 vezes maior que da regio do Atlntico Ocidental, 3,5 vezes maiorque a do Pacfico Oriental e 7,3 vezes maior que a do Atlntico Oriental (Briggs,1985 apud Fonseca 2001).

    Esses dados foram obtidos atravs de trabalho de comparao de diversidadede espcies nessas quatro reas tropicais, comprovando a existncia de variaeslongitudinais. Em menor escala, a diversidade de espcies pode variarconsideravelmente segundo fatores tais como: heterogeneidade do substrato,proximidade da costa e distrbios fsicos.

    O eixo longitudinal do Indo - Pacfico Ocidental percorre quase 2/3 do globoterrestre, o que o torna um caso especial. Na maioria dos trabalhos realizados naregio foi encontrado um pico de diversidade na rea que se estende das Filipinas pennsula Malay at a Nova Guin (Briggs, 1992 apud Fonseca 2001). Estetringulo tem sido considerado um centro de radiao evolucionria, uma vez queo nmero de espcies tende a cair em todas as direes. No seu interiorencontram-se extensas reas de manguezais, citando, ento, o autor trabalhos queevidenciam a maior diversidade de espcies nas regies tropicais.

    4.Diversidade e conservao:As atividades conservacionistas mais utilizadas consistem em cercar

    pequenas reas com o objetivo de afugentar espcies ameaadas, ou preservarespcies nativas. A maioria dos parques e refgios selvagens contm apenaspequenas fraes do habitat nativo pr-existente. Desta forma fica-se restrito aslimitaes da relao espcie-rea, que estima que um habitat reduzido em umdcimo de seu tamanho original perder metade de suas espcies. Assim coloca-sea questo da preservao de espcies ou habitats.

    A falta de uma estratgia preservacionista, cientificamente aceita, aliada aofato das grandes concentraes urbanas, prximas a manguezais e aos centros deorigem evolucionria adjacentes, continuam a priorizar a preservao dasespcies raras ou incomuns. Muitas dessas espcies em vias de extino soendmicas, ou seja, extinguindo-se seus habitats, no tero futuro filtico (Relativo

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    8

  • ACR 8431 PB

    ao filo: ramo filtico). Ao focar a ateno para os centros de origem, pode-setentar preservar reas de alta diversidade; essas reas tm grande importnciaevolucionria histrica e futura.

    Para muitas pessoas, destaca o eclogo Robert Ricklefs, a extino deespcies coloca uma questo moral. Algumas tomam essa posio porque, se aespcie humana atinge com o seu desenvolvimento toda a natureza, dela aresponsabilidade moral de proteger a natureza afetada. Se a moralidade origina-se de uma lei natural, onde todos tem direito a vida, pode-se presumir que osdireitos dos indivduos e espcies no-humanos so tambm legtimos, tantoquanto os de nossa espcie e seus ambientes. No se garante o direito a existnciaperptua, assim como ao homem no dada a imortalidade, mas a extino deespcies atravs da caa, poluio e destruio de habitats, assim como adisseminao de doenas, pode ser anloga ao assassinato, carnificina, aogenocdio e outras infraes aos direitos humanos que buscamos preservar.

    s vezes, destaca ainda Ricklefs (1996), pode-se questionar a conservao deum tipo de habitat, como os manguezais, atravs da comparao do valoreconmico das espcies nativas que l ocorrem com o valor advindo da alteraoou outro manejo do habitat. Contudo, por exemplo, o ganho a curto prazo deconverter florestas em agricultura, ou de um recurso marinho excessivamenteexplorado ou cultivado intensivamente graas a degradao de manguezais, assumido sobrepujar qualquer valor de longo prazo de conservar o sistema naturalpara uma receita sustentvel.

    O valor de espcies e habitats conservados torna-se evidente, quando oscustos de longo prazo da sobre-explorao ou converso dos manguezais soapropriadamente levados em conta, uma prtica que no encorajada pelopragmatismo do desespero da fome, nem pela notria viso curta e ignorante dasatuais geraes.

    5. A dimenso social dos manguezais:Os manguezais se constituem num dos mais produtivos ecossistemas do

    planeta, sendo responsveis pela manuteno de uma teia biolgica, que iniciada na degradao das folhas por microrganismos decompositores, passandopor diversos ns, culminando nos peixes e mamferos at o homem. Devido a suaestrutura complexa, os manguezais arvorecem criao de numerosos nichos paradiferentes espcies de peixes, crustceos, moluscos, aves, que passam toda a vidaou parte dela no ecossistema. Atuam tambm como filtro biolgico de sedimentosque evitam o assoreamento das regies estuarinas, atravs da reteno mecnicadas razes, da floculao e da vegetao rasteira que se desenvolve nas reasperifricas, fixando paisagens e o perfil geomorfolgico das reas costeiras,protegendo as habitaes e as comunidades residentes em seu entorno.

    A dimenso humana do manguezal tem relao tambm com os povostradicionais que ocupam as regies estuarinas que utilizam os produtos do manguepara sua alimentao e o excedente para a sua comercializao, contribuindopara a manuteno de sua famlia. Observa-se ainda que existe uma relao deequilbrio entre os povos tradicionais que ocupam as bordas dos manguezais e onvel de produo de matria e energia do ecossistema.

    Quando se inicia a influncia antrpica externa e nociva, os nveis deequilbrio so alterados, gerando conflitos de ordem scio-econmica, com adiminuio dos produtos naturais provenientes de seus bosques, bem como ocomprometimento da qualidade das guas circundantes.

    5. A importncia da recuperao dos ecossistemas manguezais:Apesar da proteo integral pelos dispositivos legais vigentes, manguezais,

    restingas e brejos vm sofrendo um intenso e constante processo de degradao,que muitas vezes compromete os importantes servios ambientais e econmicos

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    9

  • ACR 8431 PB

    desses e, por consequncia, os estudos relacionados a sua valorao, influindo nojuzo de valor dos entrevistados sobre aqueles, em funo de seu maior ou menorgrau da degradao.

    Os ecossistemas denominados manguezais so formaes paisagsticascaractersticas das zonas costeiras abrigadas nos trpicos e sub-trpicos e suaimportncia at algumas dcadas passadas desconhecida, sentenciou sua sub-utilizao e destruio. Apesar de sua clara ligao com a produtividadepesqueira tanto comercial como artesanal e dos diversos dispositivos legais quelhe conferem a proteo integral, em diversos pases os manguezais vm sendodestrudos em taxas alarmantes, destacando-se como um dos ecossistemascosteiros mais ameaados e estimando-se a perda anual de 1.000.000 ha de emtodo o planeta (Fonseca, 2001).

    Os processos de degradao se agravam medida que na zona costeira doscontinentes que a ocupao humana se d com maior intensidade, submetendoconsequentemente no s os manguezais como os demais ecossistemas litorneos apresses que muitas vezes destroem por completo o equilbrio de extensas reas.

    Em diversas partes do mundo de uma forma cada vez mais presente,paralelamente ao processo de degradao, vem sendo desenvolvidas formas derestaurar os ambientes impactados e at mesmo propiciar as condiesnecessrias para a criao de novas reas. Mais do que uma recente linha depesquisa e de atuao dos profissionais ligados com a rea ambiental, asatividades de restaurao/criao de manguezais apresentam em sua proposta acrescente preocupao e conscientizao da sociedade quanto a importnciadestes ecossistemas no s como provedores e mantenedores da biodiversidade,bem como diretamente relacionados com a sustentao de inmeras e importantesatividades econmicas humanas, que variam desde a pesca artesanal a atividadestursticas, industriais, a qualidade de vida das populaes litorneas residentes noentorno desses ecossistemas, podendo constiturem-se, tambm, em grandesdepsitos para o sequestro de carbono da atmosfera, contribuindo para a mitigar oefeito estufa no planeta .

    Por que efetuar trabalhos de restaurao e criao de manguezais, outraquesto que necessita tornar-se clara em estudos de valorao dos bens e serviosdesses ecossistemas, como alternativa reverso das reas degradadas, aosequestro do carbono atmosfrico e a fixao do perfil geomorfolgico costeiro. Ainexistncia de uma instituio supranacional e a inpia das medidas voltadas eficincia econmica, face as grandes disparidades no atual padro dedistribuio da renda nos pases de ambos os hemisfrios, so entraves para umacordo sobre a emisso dos greenhouse gases (GHG) (gases na atmosfera queemitem e absorvem radiao na faixa do infravermelho), realando a importnciadas pesquisas sobre a recomposio de manguezais como alternativa ao sequestrodo carbono atmosfrico (Fonseca, 2002)

    No fundo, a discusso existente nos presentes autos envolve a proteo aomanguezal e a leso que a ele teria sido causada pelos denunciados. O MD Juiz de 1.Grau, ao julgar o processo julgou improcedente a denncia (em sede de embargos dedeclarao, confirmou o julgado), e assim se pronunciou:

    PROCESSO N 2005.82.9033-1 - CLASSE 31 - AO CRIMINALAUTOR: MINISTRIO PBLICO FEDERALPROCURADOR DA REPBLICA: JOS GUILHERME FERRAZ DA COSTARUS: DESTILARIA JACUPE S/A, SUCEDIDA POR INCORPORAO PELADESTILARIA MIRIRI S/A, GILVAN CELSO CAVALCANTI DE MORAISSOBRINHO E EMANUEL PINHEIRO DE MELO

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    10

  • ACR 8431 PB

    ADVOGADOS: IVON PIRES FILHO, BRULIO LACERDA, BRUNO LACERDA ECARLOS ROGRIO MARINHO DIAS

    S E N T E N A

    Cuida-se de Embargos de Declarao (fls. 2645/2647) opostos por DestilariaMiriri S/A, Gilvan Celso Cavalcanti de Morais Sobrinho e Emanuel Pinheiro deMelo sentena que proferi s fls. 2586/2641.

    Os Embargantes afirmam que o dispositivo da sentena omisso quanto absolvio do delito do artigo 2 da Lei n 8.176/1991.

    o relatrio. Decido.

    De forma esquemtica:

    Embargos de DeclaraoSentena"Esse eminente Magistrado Federal afastou, judiciosamente, na fundamentao dodecisrio, a imputao alusiva ao art. 2 da Lei n 8.176/9 1, ao reconhecimentoda vedao - fora da hiptese de concurso de crimes - de dupla tipicidade penalpelo mesmo fato, alm de excluir a incidncia de dispositivo relativo exploraomineral em caso versando sobre questes eminentemente ambientais, nos seguintestermos, in verbis:A autuao deu-se perante o ordenamento ambiental. J a denuncia alarga aspossveis hipteses legais que, por argumentar, trazem tais tipos para as hiptesestticas.Entendo que para uma mesma conduta no pode haver duas tipicidades, porque,inclusive no se trata de concurso.Em nenhum momento cuida-se de extratividade mineral stricto sensu, regulada porlegislao especfica, ainda que pudesse causar dano ambiental.A atividade de explorao de camares vanamei no constitui atividade mineralque se contemple no artigo 2 da Lei n 8.17611991.O rgo ambiental enquadrou, com acerto, no plano apenas da tipicidade doartigo 55 da Lei n 9.605/1998.Em princpio, no h que considerar a atividade de criao de camares na esferade usurpao, produo oq explorao de matria prima pertencente Unio,com ou sem autorizao legal ou em desacordo com as obrigaes impostas pelottulo autorizativo.Em momento algum empresa e seus diretores pode ser atribuda a atividademineradora. No h meno ou qualquer referncia atividade de minerao areclamar o exame do tipo legal descrito no artigo 2 da Lei n8176/1991.A alegao de extrao de recursos minerais no se compadece com a hipteseftica. A construo de tanques de viveiros a ensejar eventuais danos ambientaise/ou assoreamento atinam com o ordenamento jurdico ambiental e no com ateleologia do ordenamento mineral.Assim, afasto a incidncia da tipicidade do artigo 2 da Lei no 8.176/1991.Contudo, na parte final da sentena, fl. 2639, circunscreveu-se o decisrio aosseguintes termos:1) Decreto a extino da punibilidade em face da prescrio (artigo 107, inciso IV,do Cdigo Penal) relativamente aos delitos dos artigos 55 e 60 da Lei n9.605/1998.

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    11

  • ACR 8431 PB

    2) Julgo improcedente a denncia e absolvo os Rus da imputao referente aodelito do artigo 40 da Lei n 9.60511998, nos termos do artigo 386, inciso VII, doCdigo de Processo Penal.No se visualiza, portanto, na parte final do decisum embargado, remisso aopreceptivo processual penal no qual se assentou a sentena para o efeitoespecfico de absolver os embargantes da imputao relativa ao delito do art. 2da Lei n 8.176/91 - malgrado fundamentadamente afastada no corpo do julgado.Ante as consideraes alinhadas, suplicam dessa Ilustre Autoridade JudiciriaFederal que, reconhecendo-a, declare a sentena para suprir a omisso apontada,como medida essencial de Direito.Postulam, pois, sejam os embargos ora manifestados conhecidos e providos poresse reto Sentenciante, para o efeito suso declinado.""Da imputao alusiva ao delito do artigo 2 da Lei n 8.176/1991O Auto de Infrao n 29737 lavrado pelo IBAMA em 17.05.2002 (fls. 33) contma descrio da conduta: "Executar extrao mineral, sem LO (licena deoperao) rea degradada 0,5 ha." A descrio legal contida no Auto: infrao aoartigo 55 da Lei n 9.605/1998.A denncia enquadra a conduta em dois tipos legais: artigo 55 da Lei n9.605/1998 e artigo 2 da Lei n 8.176/1991.Com relao ao artigo 55 da Lei n 9.605/1998, ocorreu a prescrio da pretensopunitiva, como visto.A autuao deu-se perante o ordenamento ambiental. J a denncia alarga aspossveis hipteses legais que, por argumentar, trazem tais tipos para as hiptesesfticas.Entendo que para uma mesma conduta no pode haver duas tipicidades, porque,inclusive no se trata de concurso.Em nenhum momento cuida-se de extratividade mineral stricto sensu, regulada porlegislao especfica, ainda que pudesse causar dano ambiental.A atividade de explorao de camares vanamei no constitui atividade mineralque se contemple no artigo 2 da Lei n 8.176/1991.O rgo ambiental enquadrou, com acerto, no plano apenas da tipicidade doartigo 55 da Lei n 9.605/1998.Em princpio, no h que considerar a atividade de criao de camares na esferade usurpao, produo ou explorao de matria prima pertencente Unio,com ou sem autorizao legal ou em desacordo com as obrigaes impostas pelottulo autorizativo.Em momento algum empresa e seus diretores pode ser atribuda a atividademineradora. No h meno ou qualquer referncia atividade de minerao areclamar o exame do tipo legal descrito no artigo 2 da Lei n 8.176/1991.A alegao de extrao de recursos minerais no se compadece com a hipteseftica. A construo de tanques de viveiros a ensejar eventuais danos ambientaise/ou assoreamento atinam com o ordenamento jurdico ambiental e no com ateleologia do ordenamento mineral.Assim, afasto a incidncia da tipicidade do artigo 2 da Lei n 8.176/1991.(....)ISTO POSTO:1) Decreto a extino da punibilidade em face da prescrio (artigo 107, inciso IV,do Cdigo Penal) relativamente aos delitos dos artigos 55 e 60 da Lei n9.605/1998.2) Julgo improcedente a denncia e absolvo os Rus da imputao referente aodelito do artigo 40 da Lei n 9.605/1998, nos termos do artigo 386, inciso VII, doCdigo de Processo Penal."

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    12

  • ACR 8431 PB

    Conforme assinalei no julgado, o princpio da especialidade afasta a incidnciade tipo penal (artigo 2 da Lei n 8.176/1991) que trata de atividade mineral.

    ISTO POSTO, conheo dos Embargos de Declarao e nego-lhes provimento, mngua de omisso.

    Publique-se em mos do Diretor da Secretaria (artigo 389 do Cdigo deProcesso Penal, e artigo 41, inciso III, da Lei n 5.010/1966), adequando-se aoregistro no sistema informatizado, nos termos do Provimento n 01/2009, daCorregedoria-Geral do Tribunal Regional Federal da 5 Regio.

    Intimem-se as partes.

    Aps o trnsito em julgado, envie-se cpia desta sentena aos JuzesDistribuidores da Justia Estadual e Justia Eleitoral em Joo Pessoa (artigo 3da 11.971/2009).

    Joo Pessoa,16 de fevereiro de 2011

    ALEXANDRE COSTA DE LUNA FREIRE Juiz Federal

    Em funo da citada sentena, o MD Procurador da Repblica ao recorrerpretendeu a reforma da sentena por entender incidente o tipo do art. 2 da Lei n8.176/91 que no estaria absorvido, como pretendido pela sentena, invocandoprecedentes do STJ entendendo inaceitvel a tese do remanejamento poremprstimo de material argiloso. Defendeu, ainda a existncia de crime de dano aunidade de conservao federal. Defendeu que a simples instalao do empreendimento revelia de qualquer licenciamento ambiental, caracterizaria o ilcito. Destacou oassoreamento em algumas partes do manguezal que existe no entorno do projeto.Pretendeu demonstrar ter havido equivoco do magistrado... ao afirmar que o fatodano unidade de conservao pela supresso de vegetao no fora imputado nadenncia, destacando que tal constaria explicitamente daquela pea.RESSALTOU, TAMBM, OS DANOS QUE TERIAM SIDO CAUSADOS APA, da barra do rio Mamanguape. Requereu, ao final o provimento do recursona forma indicada s fls. 663. J o Representante Regional do MPF posicionou-secontrariamente tese do Parquet de 1 grau, fundando-se nos termos da sentenaproferida na ao civil pblica n 20058200004315-8, que entendeu ter havido danoapenas em relao existncia de dano em relao supresso de vegetao demanguezal.

    Observo que A PRESENTE QUESTO EST VINCULADA MATRIAOBJETO DA AC n 520224/PB, recentemente julgada na 2 Turma desta Corte, emAcrdo, por maioria, que deu provimento parcial apelao, para reconhecer aimpossibilidade de concesso de licena pela SUDEMA e condenar a DESTILARIAMIRIRI S/A (antiga DESTILARIA JACUPE S/A) a:

    Apresentar e executar projeto de recuperao ambiental darea atingida, devidamente subscrito por profissionalhabilitado e sob a superviso do IBAMA ...incluir a retirada

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    13

  • ACR 8431 PB

    total do empreendimento da regio analisada pela percia,J QUE ACIMA CONSTATADO QUE NO PODE HAVERLICENCIAMENTO DE PROJETO DE CARCINICULTURANA MESMA; CONDENAR A R DESTILARIA MIRIRI S/A (antiga destilaria Jacupe S/A) a pagar, a ttulo decompensao por danos morais coletivos, o valor de R$500.000,00 (quinhentos mil reais0 a serem revertidos aofundo de reconstituio de bens lesados de que trata oartigo 13 da lei 7347/85.

    Mister se faz, pois, um exame mais apurado das questes suscitadas, nopodendo se acolher a tese do MD Procurador Regional da Repblica do reflexo daimprocedncia em primeiro grau da ao .

    Relevante, de logo, definir o que seria a APA da foz do rio Mamanguape. Foi elacriada h cerca de 20 anos, como se v do texto abaixo:

    Decreto 924/93 | Decreto no 924, de 10 de setembro de 1993Cria a rea de Proteo Ambiental da Barra do Rio Maman guape no Estado daParaba e d outras providncias.O PRESIDENTE DA REPBLICA, no uso da atribuio que lhe confere o art. 84,inciso IV, da Constituio, e tendo em vista o disposto nos arts. 8, da Lei n 6.902,de 27 de abril de 1981, 4, inciso II, e 9, inciso VI da Lei n 6.938, de 31 deagosto de 1981, e no Decreto n 99.274, de 6 de junho de 1990, DECRETA:Destruio, destino final, descarte de produtos e resduos industriais.Art. 1 Fica criada a rea de Proteo Ambiental (APA) da Barra do RioMamanguape, localizada nos Municpios de Rio Tinto e Lucena, no Estado daParaba, envolvendo guas martimas e a poro territorial descrita no art. 2deste decreto, com o objetivo de:I - garantir a conservao do habitat do Peixe-Boi Marinho (Trichechus manatus);II - garantir a conservao de expressivos remanescentes de manguezal, mataatlntica e dos recursos hdricos ali existentes;III - proteger o Peixe-Boi Marinho (Trichechus Manatus) e outras espcies,ameaadas de extino no mbito regional);IV - melhorar a qualidade de vida das populaes residentes, mediante orientaoe disciplina das atividades econmicas locais;V - fomentar o turismo ecolgico e a educao ambiental.Art. 2. A APA da Barra do Rio Mamanguape apresenta delimitao baseada nascartas topogrficas SB.25-Y-A-VI-3-NO, SB.25-Y-A-V-4-NE, SB.25-Y-A-VI-1-SO,SB.25-Y-A-VI-3-SO, em escalas 1:25.000 da Superintendncia do Desenvolvimentodo Nordeste-SUDENE, conforme a seguinte descrio: Partindo do Ponto 00, decoordenadas geogrficas 6 47'06"latitude Sul e 35 04'48" longitude Oeste; dessePonto, segue com azimute 80 e distncia (77 mm) de 1.920m, rumo ao Ponto 01,de coordenadas geogrficas de 6 46'56"latitude Sul e 35 03'47" longitude Oeste;desse Ponto, segue com azimute 147 e distncia (69 mm) de 1.725m, rumo aoPonto 02, de coordenadas geogrficas 6 47'42"latitude Sul e 35 03'16" longitudeOeste; desse Ponto, segue com azimute 75 e distncia (211 mm) de 5.275m rumoao Ponto 03, de coordenadas geogrficas de 6 46'57"latitude Sul e 35 00'31"longitude Oeste; desse Ponto, segue com azimute 99 30' e distncia (39 mm) de975m, rumo ao Ponto 04, de coordenadas geogrficas 6 47'01"latitude Sul e 3500'00" longitude Oeste; desse Ponto, segue com azimute 19 e distncia (22 mm)de 550 m, rumo ao Ponto 05, de coordenadas geogrficas de 6 46'44"latitude Sule 35 59'53" longitude Oeste; desse Ponto, segue com azimute 91 e distncia (53

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    14

    http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/823945/constituio-da-republica-federativa-do-brasil-1988http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/823945/constituio-da-republica-federativa-do-brasil-1988http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/823945/constituio-da-republica-federativa-do-brasil-1988http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/110257/lei-6902-81http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/104090/lei-da-poltica-nacional-do-meio-ambiente-lei-6938-81http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/109146/decreto-99274-90http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804633/art-1-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804633/art-1-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804568/art-2-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804568/art-2-do-decreto-924-93

  • ACR 8431 PB

    mm) de 1.325m, rumo ao Ponto 06, de coordenadas geogrficas de 646'45"latitude Sul e 34 59'09" longitude Oeste; desse Ponto, segue com azimute30 e distncia (39 mm) de 975m, rumo ao Ponto 07, de coordenadas geogrficasde 6 46'18"latitude Sul e 34 58'54" longitude Oeste; desse Ponto, segue comazimute 46 e distncia (129 mm) de 3.225m, rumo ao Ponto 08, de coordenadasgeogrficas 6 45'06"latitude Sul e 34 57'37" longitude Oeste; desse Ponto, seguecom azimute 64 30' e distncia (56 mm) de 1.400m, rumo ao Ponto 09, decoordenadas geogrficas de 6 44'44"latitude Sul e 34 56'56" longitude Oeste;desse Ponto, segue com azimute 23 30' e distncia (68 mm) de 1.700m, rumo aoPonto 10, de coordenadas geogrficas 6 43'28"latitude Sul e 34 56'35" longitudeOeste; desse Ponto, segue com azimute 2 30' e distncia (30 mm) de 750m, rumoao Ponto 11, de coordenadas geogrficas 6 43'30"latitude Sul e 34 56'33"longitude Oeste; desse Ponto, segue com azimute de 358 e distncia de (52 mm)de 1.300m, rumo ao Ponto 12, localizado margem direita da Rodovia Estadual41, que interliga a comunidade de Marcao Baia da Traio, de coordenadasgeogrficas 6 42'47"latitude Sul e 34 56'34" longitude Oeste; desse Ponto, seguecom azimute 80 30' e distncia (121 mm) de 1.012m terrestres adentrando emrea martima 1.080 milhas nuticas, rumo ao Ponto 13, de coordenadasgeogrficas 6 42'30"latitude Sul e 34 54'57" longitude Oeste; desse Ponto seguecom azimute 169 30' e distncia (680 mm) de 9.179,3 milhas nuticas, rumo aoPonto 14, de coordenadas geogrficas 6 51'38"latitude Sul e 34 53'20" longitudeOeste; desse Ponto, segue com azimute 245 30' e distncia (68 mm) de 823,4milhas nuticas e 20m terrestres, rumo ao Ponto 15, de coordenadas geogrficas6 52'01"latitude Sul e 34 54'01" longitude Oeste; desse Ponto, segue com azimute233 30' e distncia (141 mm) de 3.525m, rumo ao Ponto 16, de coordenadasgeogrficas 6 53'09"latitude Sul e 34 55'42" longitude Oeste; desse Ponto, seguecom azimute 310 30, e distncia (53 mm) de 1.325m, rumo ao Ponto 17, decoordenadas geogrficas 6 52'41"latitude Sul e 34 56'15" longitude Oeste; dessePonto, segue com azimute 53 30' e distncia (129 mm) de 3.225m, rumo ao Ponto18, de coordenadas geogrficas 6 51'39"latitude Sul e 34 54'50" longitude Oeste;desse Ponto, segue com azimute 343 e distncia (163 mm) de 4.705m, rumo aoPonto 19, de coordenadas geogrficas 6 49'31"latitude Sul e 34 55'26" longitudeOeste; desse Ponto, segue com azimute 319 30' e distncia (104 mm) de 2.600m,rumo ao Ponto 20, de coordenadas geogrficas 6 48'27"latitude Sul e 34 56'22"longitude Oeste; desse Ponto, segue com azimute de 256 e distncia (157 mm) de3.925m, rumo ao Ponto 21, de coordenadas geogrficas 6 49'01"latitude Sul e 3458'21" longitude Oeste; desse Ponto, segue com azimute 261 30' e distncia (474mm) de 6.850m, rumo ao Ponto 22, de coordenadas geogrficas 6 49'30"latitudeSul e 35 02'06" longitude Oeste; desse Ponto, segue com azimute 243 e distncia(118 mm) de 2.950, rumo ao Ponto 23, de coordenadas geogrficas 650'12"latitude Sul e 35 03'32" longitude Oeste; desse Ponto segue com azimute263 30' e distncia (99 mm) de 2.475m, rumo ao Ponto 24, de coordenadasgeogrficas 6 50'22"latitude Sul e 35 04'52" longitude Oeste; desse Ponto, seguecom azimute 347 30' e distncia (121 mm) de 3.025m, rumo ao Ponto 25, decoordenadas geogrficas 6 48'44"latitude Sul e 35 05'14" longitude Oeste; dessePonto, segue com azimute 26 30' e distncia (38 mm) de 950m, rumo ao Ponto 26,de coordenadas geogrficas 6 48'16"latitude Sul e 35 05'00" longitude Oeste;desse Ponto segue com azimute 10 e distncia (88 mm) de 2.200m, rumo ao Ponto00, ponto inicial desta descrio, fechando um permetro aproximado de 79.965me uma rea aproximada de 14.640 hectares, cujas coordenadas geogrficas,distncias de terreno e ngulos de azimute so aproximados das cartastopogrficas. Citado por 1Art. 2 A APA da Barra do Rio Mamanguape foi delimitada com base nas cartastopogrficas SB. 25-Y-A-VI-3-NO, SB. 25-Y-A-V-4-NE, SB. 25-Y-A-VI-1-SO e SB.25-Y-A-VI-3-SO de escala de 1.25.000, da Superintendncia do Desenvolvimento

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    15

    http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804568/art-2-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804568/art-2-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804568/art-2-do-decreto-924-93

  • ACR 8431 PB

    do Nordeste-SUDENE, conforme a seguinte descrio: inicia no ponto 00, decoordenadas geogrficas 6 46'55,814"de latitude sul e 35 03'46,732" delongitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 80 26'31"e distncia de1.898,630 m, rumo ao ponto 01, de coordenadas geogrficas 6 47'41,814" delatitude sul e 35 03'15,733"de longitude oeste; desse ponto, segue com azimute de145 47'27" e distncia de 1.704,217 m, rumo ao ponto 02, de coordenadasgeogrficas 6 46'56,814 "de latitude sul e 35 00'30,739" de longitude oeste;desse ponto, segue com azimute de 74'29'56"e distncia de 5.253,001 m, rumo aoponto 03, de coordenadas geogrficas 6 47'00,814" de latitude sul e 3459'59,740"de longitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 97 07'08" edistncia de 960,020 m, rumo ao ponto 04, de coordenadas geogrficas 646'43,815 "de latitude sul e 34 59'52,741" de longitude oeste; desse ponto, seguecom azimute de 22 08'10"e distncia de 564,854 m, rumo ao ponto 05, decoordenadas geogrficas 6 46'44,814" de latitude sul e 34 59'08,742"delongitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 91 04'01" e distncia de1.351.746 m, rumo ao ponto 06, de coordenadas geogrficas 6 46'17,815 "delatitude sul e 34 58'53,743" de longitude oeste; desse ponto, segue com azimute de28 48'41"e distncia de 948,925 m, rumo ao ponto 07, de coordenadasgeogrficas 6 45'05,815" de latitude sul e 34 57'36,745"de longitude oeste; desseponto, segue com azimute de 46 40'47" e distncia de 3.238,383 m, rumo ao ponto08, de coordenadas geogrficas 6 44'43,816 "de latitude sul e 34 56'55,747" delongitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 61 32'43"e distncia de1.429,250 m rumo ao ponto 09, de coordenadas geogrficas 6 43'27,816" delatitude sul e 34 56'34,748"de longitude oeste; desse ponto, segue com azimute de15 12'50" e distncia de 2.422,530 m, rumo ao ponto 10, de coordenadasgeogrficas 6 43'29,816 "de latitude sul e 34 56'32,748" de longitude oeste;desse ponto, segue com azimute de 134 46'43"e distncia de 86,886 m, rumo aoponto 11, de coordenadas geogrficas 6 42'46,816" de latitude sul e 3456'33,748"de longitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 358 26'27" edistncia de 1.321,519 m, rumo ao ponto 12, localizado margem direita daRodovia Estadual 41, que interliga a comunidade de Marcao Baa da Traio,de coordenadas geogrficas 6 42'29,816 "de latitude sul e 34 54'56,751" delongitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 79 49'54"e distncia de1.023,46 m, at a praia do Coqueirinho e, da, adentrando em rea martima de1,08 (um vrgula zero oito) milhas nuticas (2001,5 m), rumo ao ponto 13, decoordenadas geogrficas 6 51'37,812" de latitude sul e 34 53'19,755"delongitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 169 44'29" e distncia de 9,23(nove vrgula vinte e trs) milhas nuticas (17 098,276 m), rumo ao ponto 14, decoordenadas geogrficas 6 52'00,812 "de latitude sul e 34 54'00,753" delongitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 240 28'05"e distncia de0,671 (zero vrgula seiscentos e setenta e uma) milhas nuticas (1.243,524 m), ata praia de Lucena e, da, mais 200,206 m terrestres rumo ao ponto 15, decoordenadas geogrficas 6 53'08,811" de latitude sul e 34 55'41,749"delongitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 235 48'14" e distncia de3.739,388 m, rumo ao ponto 16, de coordenadas geogrficas 6 52'40,812 "delatitude sul e 34 56'14,748" de longitude oeste; desse ponto, segue com azimute de310 05'58"e distncia de 1.329,233 m, rumo ao ponto 17, de coordenadasgeogrficas 6 51'38,812" de latitude sul e 34 54'49,751"de longitude oeste; desseponto, segue com azimute de 58'38'47" e distncia de 3.231,275 m, rumo ao ponto18, de coordenadas geogrficas 6 49'30,813 "de latitude sul e 34 55'25,750" delongitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 344 04'14"e distncia de4.085,149 m, rumo ao ponto 19, de coordenadas geogrficas 6 48'26,814" delatitude sul e 34 56'21,748"de longitude oeste; desse ponto, segue com azimute de318 35'53" e distncia de 2.612,318 m, rumo ao ponto 20, de coordenadasgeogrficas 6 49'00,813 "de latitude sul e 34 58'20,744" de longitude oeste;

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    16

  • ACR 8431 PB

    desse ponto, segue com azimute de 253 48'57"e distncia de 3.800,959 m, rumoao ponto 21, de coordenadas geogrficas 6 49'29,813" de latitude sul e 3502'05,736"de longitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 262 24'51" edistncia de 6.967,220 m, rumo ao ponto 22, de coordenadas geogrficas 650'11,813 "de latitude sul e 35 03'31,733" de longitude oeste; desse ponto, seguecom azimute de 243 42'56"e distncia de 2.939,600 m, rumo ao ponto 23, decoordenadas geogrficas 6 50'21,813" de latitude sul e 35 04'51,730"delongitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 262 37'30" e distncia de2.476,043 m, rumo ao ponto 24, de coordenadas geogrficas 6 48'43,813 "delatitude sul e 35 05'13,729" de longitude oeste; desse ponto, segue com azimute de347 06'21"e distncia de 3.086,163 m, rumo ao ponto 25, de coordenadasgeogrficas 6 48'15,814" de latitude sul e 35'04'59,729"de longitude oeste; desseponto, segue com azimute de 26 18'27" e distncia de 961,828 m, rumo ao ponto26, de coordenadas geogrficas 6 47'05,814 "de latitude sul e 35 04'47,730" delongitude oeste; desse ponto, segue com azimute de 09 28'38"e distncia de2.182,265 m, rumo ao ponto 00, incio desta descrio, totalizando uma reaaproximada de 14.640 ha e um permetro de 80.158,368 m. (Redao dada peloDecreto de 7 de abril de 1998). Citado por 1Art. 3 A APA da Barra do Rio Mamanguape ser implantada, supervisionada,administrada e fiscalizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dosRecursos Naturais Renovveis (IBAMA), em articulao com a Superintendnciade Defesa do Meio Ambiente (SUDEMA) e com o Batalho de Polcia Florestal, doEstado da Paraba, as Prefeituras dos Municpios de Rio Tinto e de Lucena e seusrespectivos rgos de meio ambiente, e organizaes no-governamentaisinteressadas.Art. 4 O IBAMA poder firmar convnios e acordos com rgos e entidadespblicas ou privadas sem prejuzo de sua competncia de superviso efiscalizao, visando atingir os objetivos previstos para a APA da Barra do RioMamanguape.Art. 5 A implantao e administrao da APA de que trata este decreto ter oassessoramento tcnico-cientfico do Centro Nacional de Conservao e Manejode Sirnios (Projeto Peixe-Boi Marinho), do IBAMA.Art. 6 Na implantao e gesto da APA da Barra do Rio Mamanguape seroadotadas, entre outras, as seguintes medidas:I - as atividades a serem permitidas ou incentivadas em cada zona, definidas pelozoneamento ambiental desta APA, e outras que devero ser restringidas ouproibidas, inclusive rotas martimas, sero regulamentadas por InstruoNormativa do Ibama, ouvido, no que couber, o Ministrio da Marinha;II - a utilizao de instrumentos legais e incentivos financeiros governamentaispara assegurar a proteo da biota, o uso racional do solo e do subsolo;III - mecanismos destinados a impedir ou evitar a captura, a apanha, os maus-tratos, a mutilao ou a morte do Peixe-Boi Marinho ou o exerccio de atividadesque ameacem a integridade dos indivduos desta espcie, ficando o contato diretorestrito aos pesquisadores credenciados pelo IBAMA;IV - a divulgao deste Decreto, objetivando o esclarecimento de sua finalidade ea orientao da comunidade envolvida;V - a promoo de programas especficos de educao ambiental, extenso rural esaneamento bsico.Art. 7 Fica estabelecida na APA da Barra do Rio Mamanguape uma Zona de VidaSilvestre, a ser delimitada pelo IBAMA quando da sua implantao, objetivandoproteger locais de maior ocorrncia do Peixe-Boi Marinho, manguezais, lagoas,falsias, formaes de barreiras e matas representativas, onde no seropermitidas:I - na poro martima: o uso de embarcaes motorizadas, exceto as destinadas realizao de pesquisas, ao controle ambiental, guarda costeira e fiscalizao,

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    17

    http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/119115/decreto-98http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804568/art-2-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804560/art-3-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804560/art-3-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804551/art-4-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804551/art-4-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804541/art-5-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804541/art-5-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804527/art-6-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804527/art-6-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804475/art-7-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804475/art-7-do-decreto-924-93

  • ACR 8431 PB

    cujo monitoramento dever ser executado em estreita articulao com o Ministrioda Marinha;II - na poro territorial: a construo de estradas, desmatamentos de qualquernatureza e edificaes, exceto as destinadas realizao de pesquisa e ao controleambiental.Art. 8 Na APA da Barra do Rio Mamanguape ficam proibidos:I - a implantao de atividades industriais poluidoras capazes de afetar o meioambiente;II - o exerccio de atividades capazes de provocar eroso ou assoreamento dascolees hdricas;III - o despejo nos cursos d'gua de qualquer efluentes, resduos ou detritos, emdesacordo com as normas tcnicas oficiais;IV - o exerccio de atividades que ameacem as espcies da biota, as manchas devegetao primitiva, as nascentes e os cursos d'gua existentes na regio;V - o uso de biocidas e fertilizantes, quando em desacordo com as normas ourecomendaes tcnicas oficiais.Art. 9 Na rea da APA objeto deste Decreto, a abertura de estradas e de canaispara construo de barragens em cursos d'gua, a implantao de projetos deurbanizao, de atividade minerria, de atividade industrial e agrcola, quecausem alteraes ambientais, dependero de licenciamento do IBAMA.Art. 10. Sero aplicadas pelo IBAMA aos transgressores das disposies desteDecreto as penalidades previstas nas Leis ns 6.902, de 27 de abril de 1981, e6.938, de 31 de agosto de 1981, alteradas pela Lei n 7.804, de 18 de julho de1989, na Resoluo n 10 do Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA, de6 de dezembro de 1990, e no Decreto n 99.274, de 6 de junho de 1990.Pargrafo nico. Alm das penalidades previstas no caput deste artigo, seroainda aplicadas as constantes das Leis ns 5.197, de 3 de janeiro de 1967, e 7.653,de 12 de fevereiro de 1988.Art. 11. Os investimentos e a concesso de financiamentos da AdministraoPblica, direta ou indireta, destinados regio compreendida pela APA, seropreviamente compatibilizados com as diretrizes estabelecidas neste Decreto.Art. 12. O IBAMA expedir os atos normativos complementares que se fizeremnecessrios ao cumprimento deste Decreto.Art. 13. Este decreto entra em vigor na data de sua publicao.Braslia, 10 de setembro de 1993; 172 da Independncia e 105 da Repblica.ITAMAR FRANCO

    De acordo com o que dos autos consta, a Empresa r (destilaria Jacupe e, porsucesso Destilaria Miriri S/A) teria iniciado, dentro da APA, a implantao de umprojeto de carcinicultura, conforme se verifica do documento de fls. 62 a 66, que adefesa apresentada pelo acusado Gilvan Celso Cavalcanti de Moraes Sobrinho emnome da Destilaria Jacupe S/A, sucedida pela Destilaria Miriri S/A.

    Naquela petio, cuja cpia acha-se aqui entranhada, alegou-se:

    (textual)... durante todo o processo a requerente sempre cumpriu com todas asrecomendaes efetuadas pelo IBAMA PB , executando o seu projeto dentro doque houvera protocolado junto quele rgo para aprovao de seu projeto,solicitando a regularizao de sua licena de implantao e, como no poderiadeixar de ser, a sua licena de operao... (destaque-se, a prpria empresareconhecia que no aguardara a concesso da licena, mas estava a agir deacordo com o projeto cujo esboo protocolara junto seccional do IBAMA-PB)...

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    18

    http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804447/art-8-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804384/art-9-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804384/art-9-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804374/art-10-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804374/art-10-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/110257/lei-6902-81http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/104090/lei-da-poltica-nacional-do-meio-ambiente-lei-6938-81http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/128117/lei-7804-89http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/109146/decreto-99274-90http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91706/cdigo-de-caa-lei-5197-67http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/103431/lei-7653-88http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804359/art-11-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804359/art-11-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804350/art-12-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804350/art-12-do-decreto-924-93http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2804345/art-13-do-decreto-924-93

  • ACR 8431 PB

    como houvera dado entrada no pedido da sua licena de operao, entendeu apromovente que poderia realizar alguns testes em seus equipamentos, haja vistao seu processo j estivesse concludo e at mesmo remetido a Braslia a fim deque pudesse ser analisado e submetido emisso da LO, uma vez que j haviacumprido todas as recomendaes do IBAMA PB ...(ou seja a empresa antes deobter a licena de operao estava funcionando, embora denominasse tal fase detestes operacionais)... restando apenas o parecer final do rgo em Braslia,responsvel pela emisso de tais licenas.

    Tal pea relevante, pois firmada pelo principal acusado, que declara ter iniciadoo empreendimento antes da licena necessria. O simples protocolar de um hipotticoprojeto foi entendido como correspondente aprovao de um empreendimento.

    Os danos ao ecossistema por essa espcie de empreendimento so bastantegraves. Observe-se, a ttulo de ilustrao, o texto de Jane Evangelista sobre a matria:

    Cultivo de camares em manguezais ameaa fauna e floraNa Bahia, a carcinicultura tem causado srios problemas ambientais em reas demangue, alm de impactos sociais s populaes que vivem em seu entornoO rico ecossistema do manguezal se configura como um berrio para inmerasespcies da fauna e da flora aqutica. Os peixes, moluscos e crustceos, quehabitam e se reproduzem neste ambiente, so importantes fonte de renda e dealimento para as famlias que vivem na regio costeira. Por estas razes, desde1965, os manguezais foram reconhecidos pelo governo Brasileiro como reas deProteo Permanente (APPs).A resoluo n 369 do Conselho Ambiental do Meio Ambiente (Conama)estabelece que as reas de mangue no devam sofrer qualquer tipo de intervenoem sua vegetao, a no ser em caso de utilidade pblica. Porm, isto no o queobservamos no litoral brasileiro. Com cerca de 20 mil Km, a faixa de manguebrasileira, maior do mundo, tem sido devastada, muitas vezes com o aval dosgovernos municipais e estaduais.Na regio nordeste, particularmente na Bahia, os manguezais tm sido ameaadospela construo de tanques para a criao de camares em suas dependncias. Acarcinicultura, como conhecida este tipo de criao, tem causado sriosproblemas ambientais nas reas de mangue, alm de gerar infortnios spopulaes que vivem nas proximidades dos manguezais e que deles tiram osrecursos necessrios para a sobrevivncia.O impacto social causado pela implantao da carcinicultura nos manguezais opior problema que este tipo de cultivo pode gerar. Para Miguel Accioly, professordo Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Uma criaodeste tamanho ou menor (aponta para uma fotografia tirada por satlite de umimenso tanque que corta um manguezal), como aquelas que eu te mostrei,dificultam o acesso do pescador ao caminho que ele tinha naturalmente para ir aomangue e aos locais de pesca. Por exemplo, toda essa regio era, principalmente,um local de pesca de sururu. Tem um povoadozinho, aqui, que vive h sculos e oprincipal produto l, o sururu. Resultado, depois da criao disso aqui (tanque)o banco de sururu acabou e o pessoal agora est desempregado, porque eles nose empregaram aqui (no criadouro), simplesmente, eles deixaram de pescar osururu.Alm desse problema, os pescadores sofrem com a ameaa dos vigilantes quetrabalham para as empresas de cultivo de camares. Os locais para pesca dosmoradores se restringem ao entorno dos tanques, logo, so vigiados e muitas vezes

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    19

    http://www.mma.gov.br/conama/

  • ACR 8431 PB

    confundidos com ladres. Segundo o professor, um pescador j foi morto emValena.Manguezal X Carcinicultura O manguezal produz muito, mas pouco consumido pelos seres que vivem nele. Toda a produo excedente alimenta oesturio, que funciona basicamente como um berrio tanto para os seres quevivem no mar quanto para os que vivem nos rios. um lugar abrigado que nopossui fortes ondas ou correnteza e onde h poucos predadores, por isso osanimais vo para se reproduzir. Com a ocupao dos mangues, o fornecimento dealimento para o esturio reduzido, e algumas espcies podem ser extintas daregio.Desta forma, o cultivo de camares nas reas de mangue no teria motivo paraexistir, porm a carcinicultura uma rea muito rentvel da aquicultura, segundodados da Associao Brasileira de Criadores de Camaro (ABCC), divulgados em2002, esta atividade moveu sozinha cerca de US$ 6,1 bilhes no mundo. No Brasil,particularmente no nordeste, no diferente, a produo de camares em viveiros,seja em tanques no mangue ou em terra firme, tem crescido a cada ano. E, estadeve ser a justificativa para a criao dos crustceos em reas de APP: o lucro,no das pessoas que vivem as cercanias dos manguezais, mas das indstrias que seinstalam com licena nestas reas, infligindo o que preconiza a resoluo n 369do Conama. necessrio ressaltar, ainda, que a produo dentro dos tanques menor, pormconcentrada, j a produo no manguezal maior, no entanto dispersa, dando aimpresso de que no h ganhos ou benefcios, mas as marisqueiras e ospescadores da regio vivem dos peixes e moluscos do mangue. Segundo Accioly,com a construo do tanque no mangue, voc tira 1000 desempregados quevivem nesta rea e bota 20 carteiras assinadas. Para o governo isto est timo, aestatstica melhorou muito, passou a ter 20 carteiras assinadas quando se tinha1000 desempregados. S que na verdade estes 1000 que esto aqui, eles perderama fonte de alimentao, vo ter que ir para outro lugar, mas no tem outro lugar, eeles no eram desempregados, eles produziam alimentos, eles no passavamfomeFiscalizao, irregularidades e danos ao ambienteO processo de fiscalizao das fazendas de camares, instaladas nos manguezais,desenvolvido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) consiste emesclarecer e apurar denncias e ocorrncias, aplicar sanes de multa e embargo,mant-las e fazer o relato ao Ministrio Pblico. Por sua vez, o Ministrio Pblicofaz a denncia justia, que conta com informaes tcnicas atualizadas,fornecidas pelo Ibama sobre as irregularidades encontradas no cultivo, e, caso osujeito acusado seja condenado, responder pelo passivo ambiental, assumindosua responsabilidade nas reas administrativa, civil e penal. Culpado, odegradador ter, ainda, que fazer a reparao do dano causado, elaborando umplano de recuperao ambiental que ter sua eficincia julgada pelo Ibama.O monitoramento dos fiscais dos rgos ambientais deveria ser contnuo, pormisso nem sempre ocorre, pois o contingente de fiscais no suficiente para cobriro litoral baiano. Desta forma, algumas criaes, mesmo embargadas, permanecemfuncionando irregularmente.Uma questo importante surge quando nos deparamos com uma APP sendodegradada para promover benefcios particulares: Como fiscalizar algo que emsua essncia j irregular, como os criadouros de camares nos manguezais?Segundo o agente ambiental federal e instrutor de aes fiscalizatrias do Ibama,Alberto Gonalves, quando um rgo seja federal, estadual ou municipal licenciaestes cultivos obviamente deve conhecer os padres, os parmetros de tolernciados impactos para aquele ambiente. Ento, o licenciamento traz comocondicionantes todas as providncias para que aquilo no afete o ambiente maisdo que o necessrio Como o mangue APP, no poderia instalar os tanques, por

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    20

    http://www.abccam.com.br/abcc/http://www.ibama.gov.br/

  • ACR 8431 PB

    isso se luta para desinstal-los ou para que os j historicamente instalados seadquem as normas.O Conama e demais rgos ambientais, a partir de estudos, elaboram os padrestcnicos que os cacinicultores devem seguir. E, estes devem elaborar e fornecerperiodicamente relatrios sobre a qualidade ambiental de seus empreendimentos,documentos que devero ser verificados pelos rgos ambientais.Os criadouros licenciados de camares nos mangues so antigos, j os irregularesso mais recentes. Isso porque, o mangue no tecnicamente adequado para ocultivo de camaro em tanques, as condies de drenagem para limpeza e controlesanitrio, por exemplo, no podem ser feitas de forma adequada. Quando se tratados viveiros instalados em terra firme, as condies so completamente diferentes,o tanque pode ser totalmente drenado, seco ao sol e ter fundo queimado com cal,sendo, desta forma, esterilizado e desinfetado. H um controle sanitrio que nopode ser feito no mangue. No ambiente aqutico do manguezal, no h comosecar totalmente o viveiro, o fundo constitudo de lama, acumulando resduostxicos, bactrias e microrganismos no fundo do viveiro. Desta forma, os viveirosconstrudos em manguezais tm durabilidade mxima de 10 anos, pois os resduossaturam e matam o mangue, tornando-o invivel para o cultivo. Por isso, pelainviabilidade tcnica, os criadouros mais recentes em manguezais so ilegais oupertencem a empresrios predadores, que pensam nica e exclusivamente no lucromomentneo, pulando de mangue em mangue, deixando um terrvel rastro dedanos ambientais.A criao irregular de camares em manguezal no exige muitos investimentos,mas gera lucro rapidamente. Para Accioly, geralmente h uma grande empresade criao de camaro por traz dele (criador irregular), fornecendo rao,fornecendo o ps larva, que so os filhotes de camaro, e fornecendo algumainformao tcnica. Ento, ele entra sem custo nenhum, praticamente depois eleentrega os camares cultivados irregularmente para aquele empresrio que paga aele. O empresrio pega o camaro que foi criado de forma ilegal mistura ao dele,criado de forma legal, e, a partir dali, o camaro t todo com nota fiscal.Os danos causados pela carcinicultura aos manguezais so agravados pelamorosidade dos processos ambientais, alguns tramitam h cerca de seis anos.Enquanto os processos esto tramitando os tanques no so removidos dos locais eos prejuzos ambientais so ampliados. Os tanques s so retirados aps o trminodos processos, que indicaro como o empreendedor sanar o problema causado.(capturado em www.cienciaecultura.ufpb, em 18/11/2012).

    Essa matria , tambm, muito bem exposta por Karen Figueiredo Oliveira, nadissertao depurao do efluente proveniente da carcinicultura, utilizando a ostra-do-mangue crassotrea rizhophorae, defendida perante a Universidade de Santa Cruz(UESC), Ilhus, em 2011, sobretudo fls. 08/12.

    Seguiu a Destilaria em sua defesa (fls. 64) afirmando que a autuao dafiscalizao do IBAMA, naquele momento, se dera em funo:

    De alegao de assoreamento do rio Mamanguape;1.Do despejo de guas drenadas de criao de larvas de camaro2.vananmei no meio ambiente.

    Sobre essa espcie de camaro, no demais lembrar, repetindo a pesquisadoraSara Nani:

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    21

    http://www.cienciaecultura.ufpb

  • ACR 8431 PB

    A alta produtividade do camaro vannamei o principal atrativo para o seucultivo. "O rendimento das espcies nativas bastante inferior", justifica o criadorde Canania. O melhor exemplo est no Nordeste, onde, nos ltimos anos, osempresrios da pesca tm investido pesado na carcinicultura. A produo anualcresceu a uma taxa de 50% e, no ano passado, foram exportadas aproximadamente60 mil toneladas, um acrscimo de quase 70% sobre o volume de 2002, segundo aAssociao Brasileira de Criadores de Camaro (ABCC), totalizando US$ 240milhes.PESQUISAS Se as vantagens parecem tentadoras aos investidores, pesquisadesenvolvida pelo Laboratrio de Biotecnologia de Manguezais (Bioma), doInstituto Oceanogrfico da USP, identifica diversos fatores ligados ao cultivo dovannamei no esturio que podem causar impacto ao manguezal. Em seu estudosobre o tema, o pesquisador Clemente Coelho Jnior aponta a contaminao dasguas pelos efluentes dos tanques, que podem apresentar hormnios, compostosqumicos, resduos alimentares e fertilizantes. Outro risco a transmisso dedoenas. Segundo o pesquisador, j foram descritas aproximadamente 35enfermidades para o vannamei, entre vrus, bactrias, fungos e protozorios, quepodem afetar as diferentes fases da vida do crustceo.

    Continuou em sua defesa, a Destilaria, (fls. 64) afirmando:

    ... justia seja feita, o assoreamento encontrado pelos tcnicos em05.09.2002 nos entornos do projeto j esto sendo mitigados, conforme sevislumbra do relatrio de acompanhamento das medidas de controle erecuperao ambiental... (reconhece-se, pois, o assoreamento e no poderiaser diferente, pois, como poderiam ser construdos os viveiros sem aconstruo de barreiras, que, naturalmente levam a assoreamento).

    Quanto ao despejo de guas drenadas da criao de larvas, afirmou que :

    Em nenhum momento havia existido recomendao para que seconstrusse tal bacia de sedimentao. Isto porque a recomendao feitapelo IBAMA na vistoria que aprovou o projeto e sua autorizao a suaimplantao era a construo de caixas de sedimentao...

    Ora, seria de indagar-se, a que aprovao se refere o acusado se reconhece que oprojeto ainda se achava pendente de aprovao pelo rgo responsvel em Braslia?

    Em verdade, o que se constata que a empresa e seus dirigentes resolveram,moto prprio implantar o projeto, sem esperar pela prvia licena. Violaramflagrantemente a legislao ambiental.

    Destaque-se, para adequado entendimento dos fatos, o teor do PARECER11/2003 IBAMA/DILIQ/CGLIC/COAIR, cuja copia acha-se s fls. 107/112 dos autos,cujas concluses so:

    APS ANLISE PCA/PRAD DO PROJETO DECARCINICULTURA NO MUNICIPIO DE RIO TINTO/PB,ENCAMINHADO PELA DESTILARIA JACUPE,CONCLUMOS PELA INVIABILIDADE AMBIENTAL DOMESMO, RECOMENDANDO QUE OS TANQUES EINSTALAES PRESENTES SEJAM RETIRADAS, E QUE A

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    22

  • ACR 8431 PB

    REA IMPACTADA SEJA RECUPERADA INTEGRALMENTE.(fls. 112)

    Tivesse, pois, a destilaria e seus responsveis a concluso da anlise do projeto,observariam o inequvoco descumprimento voluntrio e doloso, das normas ambientaisde regncia.

    Em 01.11.2004, viria o Sr. Gilvan Celso Cavalcanti de Morais Sobrinho arequerer SUDEMA, em nome da Destilaria Jacupe S/A, licena prvia de instalao eoperao do empreendimento, ou seja, cerca de dois anos aps a autuao do IBAMA,obtendo o referido licenciamento em poucos dias. (vide 2 vol dos autos).

    Outro documento relevante o RELATRIO DE VISTORIA que se acha s fls.419/435 e seguintes dos autos, inclusive, instrudo com fotografias, onde se constatouque dos onze reservatrios, dez estavam em uso, inclusive com camares, sem o tanquede decantao.

    Outro elemento de prova relevante o depoimento do Acusado GILVANCELSO CAVALCANTI DE MORAIS SOBRINHO, perante o MM Juiz da 2 VaraFederal da Paraba (fls. 567 e segs.) onde reconhece a utilizao dos tanques, emboramantendo a tese que estaria apenas fazendo testes.

    Destaque-se, ainda, o depoimento de Emanuel Pinheiro de Melo, em seuinterrogatrio, perante o MM Juiz da 2. Vara da secional da Paraba que afirmou:

    ... antes do empreendimento tinha sido solicitado um PCA... depois que deramentrada na documentao; que o PCA previa que precisavam de um material deacabamento dos taludes; que o PCA previa que precisavam de um material deemprstimo que seria tirado da prpria fazenda para dar acabamento nos taludese para facilitar trafego de caminho, retirada de material...

    ... que o material de emprstimo foi argila, piarra para fazer o acabamento nostaludes, para torna-los trafegveis, tendo sido pego de uma rea da fazenda,distante um quilometro de onde estavam sendo feitos os viveiros de camaro; quehouve apenas o deslocamento dessa rea para os taludes, que no houvecomercializao de argila tendo sido deslocada argila dessa rea para ostaludes.(p. 620/621)

    Bastante expressivo o depoimento do engenheiro de pesca Ivan CoutinhoRamos (fls. 638):

    ... Com relao a rea de extrao de minrios, ainda se encontra l; que soonze viveiros que ocupavam uma rea j desmatada, usada para cultivo de gado eagricultura de subsistncia; que quando chegou aqui em 2002, o projeto j estavainstalado. Que era uma espcie de ilha, tendo sido retirada a parte central eficada a rea de mangue; que todos os diques eram recobertos com argila epiarra e no momento em que esteve l estava havendo uma eroso da parteexterna dos diques para a rea de vegetao; que houve uma recomendaotcnica para que fosse limpada aquela rea; ... que pediram para que retirasse a

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    23

  • ACR 8431 PB

    argila e deixasse a rea como era antes... ... que foi tentada a autorizao mas oIBAMA sempre contra o licenciamento desse sistema de produo , e elesocuparam a rea total com viveiros e as guas liberadas so muito ricas emmateriais orgnicos...

    E ainda o depoimento do engenheiro florestal Edberto Farias de Novaes (fls.648):

    ... a participao do depoente foi em dois momentos; que a primeira foi emsetembro de 2002, sendo a segunda aps trs anos; que o que mais chamou aateno da equipe foi a falta da bacia de sedimentao, havendo outros fatos; queos dois empreendimentos eram a extrao de argila e a criao de camaro eoutro fato consistia no cumprimento do embargo feito pelo IBAMA e esse embargono estava sendo cumprido.

    Importante, ainda, destacar o depoimento prestado em Juzo, perante o MD Juizde Direito da Comarca de Rio Tinto-PB (fls. 913/914), pelo motorista da Uniagro,empresa do grupo da Destilaria R. Destacou o Sr. Severino Gomes da Silva:

    ... motorista da Uniagro, pertencente ao grupo a que pertence tambm aDestilaria Jacupe; que tem conhecimento que na verdade a Jacupe fez osviveiros de camaro tratados na denuncia, mas no sabe se para tanto teveautorizao legal; que no local onde os viveiros foram feitos no existe nada queinforme que se cuida de APA rea de proteo ambiental; que no sabe informarse os viveiros de camaro causam poluio ao meio ambiente... (destaquesinexistentes no original)

    Outro no o depoimento de Amaro Jos de Arajo ( fls. 963) quando afirma:

    ... que os tanques foram construdos e as atividades de carcinicultura foraminiciadas...

    A prova, pois, do exerccio, no autorizado de atividades de carcinicultura,causadora de danos ambientais inconteste.

    De se destacar, ainda, parte das concluses da percia, de fls.1863:

    ... Portanto, de acordo com os objetivos de criao de uma APA a presena deempreendimentos de carcinicultura fere desde a pegislao ambiental, os acordosinternacionais de proteo bidiversidade e os direitos das comunidadestradicionais. Visto que o empreendimento da destilaria Miriri encontra-se inseridono manguezal....

    Destaque-se, de logo, o reconhecimento da prescrio em relao aos crimes dosartigos 55 e 60 da Lei n 9.605/1998, fato este inconteste.

    Resta a discusso acerca da Lei n 9605/98 em relao a dois dispositivos:

    Art. 40. Causar dano direto ou indireto s Unidades de Conservao e sreas de que trata o art. 27 do Decreto n 99.274, de 6 de junho de 1990,independentemente de sua localizao:

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    24

  • ACR 8431 PB

    Pena - recluso, de um a cinco anos. 1o Entende-se por Unidades de Conservao de Proteo Integral asEstaes Ecolgicas, as Reservas Biolgicas, os Parques Nacionais, osMonumentos Naturais e os Refgios de Vida Silvestre. (Redao dada pelaLei n 9.985, de 18.7.2000) 2o A ocorrncia de dano afetando espcies ameaadas de extino nointerior das Unidades de Conservao de Proteo Integral serconsiderada circunstncia agravante para a fixao da pena. (Redaodada pela Lei n 9.985, de 18.7.2000) 3 Se o crime for culposo, a pena ser reduzida metade.... ...Art. 55. Executar pesquisa, lavra ou extrao de recursos minerais sem acompetente autorizao, permisso, concesso ou licena, ou em desacordocom a obtida:Pena - deteno, de seis meses a um ano, e multa.Pargrafo nico. Nas mesmas penas incorre quem deixa de recuperar area pesquisada ou explorada, nos termos da autorizao, permisso,licena, concesso ou determinao do rgo competente.

    Em relao a esse ltimo dispositivo, objeto da denncia, no foi objeto dopedido na apelao de fls. 663, o que se explica pelo fato de no haver demonstrao deexplorao e pesquisa de lavra, nos termos do cdigo de minerao. Entender-se que aauto utilizao teria esse perfil seria um equvoco, que no foi perseguido pelo MDRepresentante do Parquet em sede recursal. Resta o exame da outra tipificao, bemcomo da Lei n 8.176/91:

    Art. 2 Constitui crime contra o patrimnio, na modalidade de usurpao, produzirbens ou explorar matria-prima pertencentes Unio, sem autorizao legal ouem desacordo com as obrigaes impostas pelo ttulo autorizativo.Pena: deteno, de um a cinco anos e multa. 1 Incorre na mesma pena aquele que, sem autorizao legal, adquirir,transportar, industrializar, tiver consigo, consumir ou comercializar produtos oumatria-prima, obtidos na forma prevista no caput deste artigo. 2 No crime definido neste artigo, a pena de multa ser fixada entre dez etrezentos e sessenta dias-multa, conforme seja necessrio e suficiente para areprovao e a preveno do crime. 3 O dia-multa ser fixado pelo juiz em valor no inferior a quatorze nemsuperior a duzentos Bnus do Tesouro Nacional (BTN).

    Sobre essa matria j apreciou o TRF da 1 Regio:

    PROCESSO PENAL. PENAL. LEI 8.176, DE 1991, ART. 2 (EXPLORAR AMATRIA PRIMA). LEI 9.605, DE 1998, ART. 55 (EXTRAO RECURSOSMINERAIS). DERROGAO.1. Quando o agente extrai recursos minerais, sem a competente autorizao legal,altera o mundo naturalstico uma s vez, havendo, no caso, um conflito aparentede normas. de atentar-se que o art. 2 da Lei 8.176, de 1991, estabelece queconstitui crime contra o patrimnio, na modalidade de usurpao, (...) explorarmatria-prima pertencentes Unio, sem a devida autorizao legal (...), e o art.55 da Lei 9.605, de 1998, define como crime o executar (...) extrao de recursosminerais sem a competente autorizao. A conduta, nos dois crimes, a mesma,razo por que muitos entendem que esta ltima norma, por ser posterior, derrogouo art. 2 da Lei 8.176, de 1991, modificando a pena, reduzindo-a.

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    25

    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9985.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9985.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9985.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9985.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9985.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9985.htm

  • ACR 8431 PB

    2. Confirmao pelo Ministrio Pblico Federal da transao firmada pelo autordo fato, que assumiu a obrigao de reparar o dano ambiental, perante juizabsolutamente incompetente, o que leva ao no recebimento da denncia.

    Quanto a este ltimo tipo, no resta nos autos provado que os acusados tenhampraticado qualquer dos verbos que caracterizam as condutas criminosas:

    1. Produzir bens; ou,2. Explorar matria-prima pertencente Unio, sem autorizao legal ou emdesacordo com as obrigaes impostas pelo ttulo autorizativo.

    A destilaria no explorou jazida de argila, ou de qualquer outro recursomineral da Unio Federal, como definido nos arts. 20 e 176 da CF/88. No se podeconfundir com produo a utilizao de argila existente na propriedade para construirbarreiras de conteno e taludes, mesmo para atividades ilcitas. No se pode, na mesmalinha de pensamento, entender esse agir como explorao de matria-primapertencente Unio.

    J o tipo do art.40 da Lei n 9605/98 est devidamente preenchido.

    Como bem define Luiz Rgis Prado, causar dano significa originar, produzir,ocasionar, dar lugar a prejuzos, deterioraes, de qualquer ordem, contra a floraou fauna locais, de forma direta ou indireta.1 O dolo simples, comum, material,de forma livre e plurisubsistente.2 Indaga-se: No caso, a construo e utilizao de onzetanques de grande porte, barreiros, ou baldes, transformando ilhas na foz do rio, no meiode manguezais, sem autorizao possvel, com deslocamento de material estranho comoargila e piarra, com construo de estradas para acesso de caminhos, sem elementopara evitar o despejo dos dejetos, resduos, dos camares nas reas de mangue,caracteriza o tipo? A resposta no pode ser outra, seno a afirmativa.

    O crime ocorreu, com dimenso bem razovel. No se trata de um pequenoempreendimento artesanal, mas de obra empresarial de porte. No se pode esquecer, nocaso, o papel do direito penal ambiental. Como bem lembra Alex Fernando Santiago:

    ... O direito penal de uma sociedade de risco quer evitar a ocorrncia de danosde magnitude. Tanto assim que modifica o momento da sano penal da lesopara aquele da exposio a perigo do bem jurdico.3

    O crime foi praticado. Deve-se observar a responsabilidade de cada um dosapelados.

    No tocante a GILVAN CAVALCANTI DE MORAES SOBRINHO. Suaautoria patente. Os depoimentos das testemunhas, sobretudo o seu prprio, em

    1 PRADO, Luiz Rgis. Crimes contra o meio ambiente. So Paulo: RT, 2.ed. 2001, p. 115.2 Idem, p.116.3 SANTIAGO, Alex Fernandes. Compreendendo o papel do direito penal na defesa do meio ambiente.

    Revista de Direito ambiental, ano 16/61 jan.mar/2011. So Paulo: RT, P.102.

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    26

  • ACR 8431 PB

    juzo, as peties que apresentou ao IBAMA demonstram que, com o intuito claroe evidente de obter lucro fcil, pois, poca o mercado de camares, sobretudopara exportao era bastante promissor, determinou a realizao de obras quecausaram dano ao meio ambiente, dentro de uma APA.

    Levando em conta os elementos do Cdigo Penal:

    Art. 59 - O juiz, atendendo culpabilidade, aos antecedentes, conduta social, personalidade do agente, aos motivos, s circunstncias e conseqncias do crime,bem como ao comportamento da vtima, estabelecer, conforme seja necessrio esuficiente para reprovao e preveno do crime: (Redao dada pela Lei n7.209, de 11.7.1984)I - as penas aplicveis dentre as cominadas;(Redao dada pela Lei n 7.209, de11.7.1984)II - a quantidade de pena aplicvel, dentro dos limites previstos;(Redao dadapela Lei n 7.209, de 11.7.1984)III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;(Redaodada pela Lei n 7.209, de 11.7.1984)IV - a substituio da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espcie depena, se cabvel. (Redao dada pela Lei n 7.209, de 11.7.1984)

    Considerando a culpabilidade do agente, a sua conduta social, como empresriode grande porte, responsvel pela explorao de empreendimentos de grande porte, ascircunstancias, que envolvem, tipicamente o sacrifcio de bem jurdico ambiental torelevante, com sobreposio de busca de ganho fcil, com consequncias extremamentegravosas, deve a pena ser fixada em dois anos e seis meses de recluso, em princpioem regime aberto, com substituio por duas penas restritivas de direito, adiantefixadas.

    Em relao a EMANUEL PINHEIRO DE MELO, dirigente daDestilaria Jacupe, depois Miriri (vide fls 681 e segs), tinha conscincia da ilicitudedos atos praticados e teve, participao efetiva para suas ocorrncias. No prpriodepoimento demonstra, embora tentando encobrir a verdade, ter sido responsvelpela implantao do projeto ilicitamente implantado. Os elementos que levam fixao da pena so semelhantes queles aplicados ao primeiro ru, razo pela qualentendo que deve ser aplicada a ele idntica pena, com a mesma substituio.Ambos condenados em custas processuais.

    As penas de prestao de servios a que ficam condenados os rus, por dois anose seis meses, dever corresponder a:

    I - prestao de servios comunidade;II - prestao pecuniria, correspondente ao fornecimento de cinco cestas

    bsicas, por semana, a colnias de pescadores, na regio de rio Tinto;

    Quanto Destilaria Miriri S/A, em funo da sua autnomaresponsabilidade penal, fica condenada a multa de R$ 500.000,00 e restaurao darea de mangue objeto da implantao do projeto de carcinicultura com a

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    27

    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htm

  • ACR 8431 PB

    proibio de realizar esse tipo de atividade por cinco anos. Condenada, ainda, aopagamento de custas processuais.

    Dou, pois, parcial provimento apelao, nestes termos.

    como voto.

    JUIZ FRANCISCO CAVALCANTIRelator

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    28

  • ACR 8431 PB

    APELAO CRIMINAL N 8431 PB (2005.82.00.009033-1)APTE : MINISTRIO PBLICO FEDERALAPDO : DESTILARIA MIRIRI S/AAPDO : GILVAN CELSO CAVALCANTI DE MORAIS SOBRINHOAPDO : EMANUEL PINHEIRO DE MELOADV/PROC : CARLOS ROGERIO MARINHO DIAS E OUTROORIGEM : 2 VARA FEDERAL DA PARABA - PBRELATOR : JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI - Primeira Turma

    EMENTA: CRIME DOLOSO CONTRA O MEIO AMBIENTE. PROVAINCONTESTE. CONDENAO DOS DIRIGENTES RESPONSVEIS EDA PESSOA JURDICA, NOS TERMOS DA LEI AMBIENTAL.1. Prova inconteste da prtica de crime ambiental consistente na implantao eexplorao de projeto de carcinicultura, com expressa e consciente violao dalegislao de regncia;2. Responsabilidade comprovada, pelo exame da prova dos autos, do Sciocontrolador, do diretor superintendente e da pessoa jurdica.3. Inexistncia de prova de explorao clandestina de jazida mineral. Ponto emque sucumbe a denncia.4. Provimento, apenas parcial do apelo, nos termos das provas colhidas.

    ACRDO

    Vistos e relatados os presentes autos, DECIDE a Primeira Turma do TribunalRegional Federal da 5 Regio, por unanimidade, dar parcial provimento apelao, nos termosdo relatrio e voto anexos, que passam a integrar o presente julgamento.

    Recife, 22 de novembro de 2012. (Data do julgamento)

    JUIZ FRANCISCO CAVALCANTIRelator

    PODER JUDICIRIO

    TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIOGABINETE DO JUIZ FRANCISCO CAVALCANTI

    29

Recommended

View more >