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Teologia

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  • C o m e n t r i o B b l i c o

  • Epstola aos

    HEBREUS

    Richard S. Taylor

  • Introduo

    A. Autoria

    A epstola aos Hebreus annima. Esse o fato isolado mais importante em relao sua origem. Sua autenticidade no est sendo questionada. Tudo que podemos fazer observar a evidncia externa fornecida pela Igreja e a evidncia interna da prpria epstola, e a partir delas tirarmos nossas prprias concluses em relao a quem foi o seu autor.

    1. Evidncia ExternaClemente de Roma (95 d.C.) usa Hebreus 3.2; 11.37 em sua primeira epstola aos

    Corntios 17.1, 5. O Pastor de Hermas (datada por Goodspeed em 95-100 d.C.) tambm mostra estar familiarizado com esta epstola. Ela no se encontra no Cnone Muratoriano (final do sculo II).

    Westcott escreve: Perto do final do sculo II encontram-se evidncias de que existia um conhecimento dessa epstola em Alexandria, no norte da frica, na Itlia, e no Oeste europeu. Desde o tempo de Pantaenus acreditava-se em Alexandria que a Epstola aos Hebreus, pelo menos indiretamente, era obra do apstolo Paulo e de autoridade cannica; e esta opinio, apoiada em diferentes formas por Clemente e Orgenes, veio a ser aceita de modo geral pelas igrejas gregas orientais no sculo III.1

    Aproximadamente na mesma poca, uma traduo latina da epstola recebeu um reconhecimento limitado no norte da frica, mas no como uma obra do apstolo Paulo.2

    Na Itlia e no Oeste europeu, a epstola no foi reconhecida como sendo de Paulo e, conseqentemente, pelo que tudo indica, no era reconhecida como cannica.3 Nas verses siracas, ela era claramente tratada como um apndice das epstolas paulinas.

    Westcott declara mais adiante: Em resumo, quando o livro comeou a circular, trs opinies distintas acerca dele j haviam obtido aceitao local. Em Alexandria, a epstola grega era vista no como um escrito direto de Paulo, mas, indiretamente, como uma traduo livre das suas palavras ou uma reproduo dos seus pensamentos. No norte da frica, ela era conhecida at certo ponto como obra de Barnab e reconhecida como autoridade secundria. Em Roma e no Oeste europeu, no foi includa na coleo das epstolas paulinas e no tinha peso apostlico.4

    Em seguida, nos voltamos diretamente ao testemunho dos antigos Pais da Igreja. Clemente de Alexandria (195 d.C.) acreditava que a epstola aos Hebreus foi escrita por Paulo aos judeus na lngua hebraica (aramaica) e, mais tarde, traduzida por Lucas e publicada entre os gregos. Conforme citado por Eusbio, ele escreveu: Mas provvel que o ttulo, Paulo, o apstolo, no foi prefixado epstola. Ao escrever aos Hebreus, que haviam formado um preconceito em relao a ele, e suspeitavam dele, ele sabiamente oculta seu nome, para evitar um prejulgamento do contedo da epstola.6 Se Paulo, de fato, escreveu Hebreus, esta a melhor sugesto que poderia ser feita quanto ao motivo de omitir o seu nome no incio da epstola.

    A opinio de Orgenes (220 d.C.), o maior estudioso bblico da Igreja Antiga, citada com freqncia. Ele disse: Parece que os pensamentos so do apstolo, mas o estilo e a

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  • fraseologia pertencem a uma outra pessoa que anotava o que o apstolo dizia, e escrevia, quando lhe convinha, o que o seu mestre havia falado [...] Mas quem de fato escreveu a epstola, somente Deus sabe.6

    Westcott conclui: Os alexandrinos ressaltavam o aspecto da canonicidade e, certos dela, colocaram-na junto com os escritos de Paulo. Os Pais orientais enfatizavam o aspecto da autoria e, acreditando que a epstola no era propriamente de Paulo, negaram sua autoridade cannica [...] Acreditamos que a autoridade cannica da epstola independe de ser ou no de autoria paulina. A percepo espiritual do Oriente pode ser unida ao testemunho histrico do Ocidente. E, se entendemos que o julgamento do Esprito se faz sentir por meio da conscincia da comunidade crist, ento nenhum livro da Bblia mais reconhecido por meio do consentimento universal, ao dar uma viso divina dos fatos do Evangelho repleta de lies para todos os tempos, do que a epstola aos Hebreus.7

    Quando nos voltamos para o perodo da Reforma, notamos que Erasmo expressou suas dvidas, no quanto autoridade do livro, mas quanto sua autoria. Lutero negou a autoria paulina e sugeriu que pudesse ter sido escrito por Apoio. Calvino disse que no conseguia aceitar a autoria paulina. Ele acreditava que provavelmente Lucas, ou Clemente, escreveram esse livro.

    2. Evidncia InternaH similaridades no estilo e vocabulrio entre a epstola aos Hebreus e os escritos de

    Lucas e Clemente de Roma. A descrio de Apoio em Atos (18.24-25) encaixa-se no perfil de autoria dessa epstola. Mas a Igreja Antiga no apresenta qualquer pista de que Apoio tenha sido o autor da Epstola aos Hebreus. Devemos deixar o assunto sem soluo definida.

    Muitos estudiosos tm destacado a clara diferena entre as epstolas de Paulo e a epstola aos Hebreus. Paulo escreve num estilo abrupto e com mudanas repentinas. Por outro lado, o estilo de Hebreus cuidadosamente polido e ritmicamente construdo.8

    A estrutura tambm diferente. Paulo apresenta primeiro a doutrina e ento a aplicao prtica. Mas Hebreus alterna entre doutrina e exortao pelo menos uma meia dezena de vezes.

    Tambm h uma diferena teolgica. O livro de Hebreus construdo em torno do sumo sacerdcio de Cristo. Acristologia de Paulo, um dos assuntos mais importantes em suas epstolas, nunca toca nesse aspecto.

    Este conjunto de fatos tem levado praticamente todos os estudiosos, quer liberais ou conservadores, a descartar a autoria de Paulo para o livro de Hebreus. Mesma a igreja catlica romana tem modificado sua posio. Wikenhauser, um estudioso catlico, escreveu: Paulo no pode ter sido o autor imediato.9

    B. Data

    Kuemmel representa a posio liberal atual quando escreve: A epstola foi provavelmente escrita entre 80 e 90.10 Concordamos com Westcott, no entanto, quando diz: A carta pode ter sido escrita no perodo crtico entre 64 d.C., durante o governo de Gessius Florus, e 67 d.C., no incio da guerra judaica, mais provavelmente pouco antes do incio desta guerra.11

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  • C. Destinatrios

    A viso tradicional que o livro de Hebreus foi escrito para os cristos judeus na Palestina. Mas Theodor Zahn sugere que ele se destinava ao grupo de cristos judeus em Roma. Os cristos de Jerusalm eram pobres e dependiam das ofertas das igrejas gentlicas. No entanto, Hebreus 6.10 indica que os leitores de Hebreus muitas vezes ajudaram os cristos pobres. Alguns sugerem que Hebreus foi escrito para Alexandria. Mas essa idia tem pouco apoio.

    Em 1836 sugeriu-se pela primeira vez que Hebreus foi dirigido basicamente aos gentios. A maioria dos estudiosos protestantes hodiernos defende essa posio, juntamente com os catlicos. Wikenhauser escreve: Precisamos admitir que as evidncias hoje deixam claro que a Epstola aos Hebreus no foi dirigida aos cristos judeus em primeiro lugar.12 Kuemmel concorda. Mas J. Cambier diz: No entanto, a nfase ao longo da carta acerca da superioridade da nova dispensao religiosa comparada com a antiga melhor explicada se pensarmos na epstola como sendo enviada aos cristos judeus.13 Para ns, este argumento parece irrefutvel. Concordamos comDonald Guthrie quando escreve: Um claro contrapeso a favor dos cristos judeus precisa ser admitido, se o ttulo tradicional do livro deve merecer algum crdito.14 Everett F. Harrison diz: O carter hebraico-cristo da epstola parece suficientemente provado.15

    Os da Itlia vos sadam (13.24) mais corretamente traduzido por: Aqueles que vm da Itlia enviam saudaes (RSV). O texto grego traz: aqueles longe de (apo). O fato de a primeira notcia de Hebreus vir de Roma (1 Clemente) um suporte considervel para a idia de que esta epstola foi escrita para Roma. Esta a posio da maioria dos estudiosos hoje. Guthrie e Harrison deixam esta questo em aberto. Harrison parece favorecer a idia dos destinatrios serem os cristos da Palestina.

    D. Propsito

    Isto depende, claro, de como identificamos os leitores. O ponto de vista tradicional que Guthrie descreve como o mais amplamente difundido16 que Hebreus foi escrito para advertir os cristos judeus contra a apostasia de voltar ao judasmo. A inteno da epstola parece claramente ser de mostrar a superioridade do cristianismo em relao ao judasmo. Os versculos de abertura, bem como os primeiros captulos, mostram o carter definitivo de Jesus Cristo como a revelao final e perfeita de Deus humanidade.

    A palavra-chave de Hebreus melhor (ou superior ou mais excelente). Cristo superior aos anjos, a Moiss ou Josu. O cristianismo uma aliana superior. O cristianismo tem um descanso melhor, um sacerdcio melhor e altar e sacrifcio melhores. Tudo isso seria obviamente mais significativo para os leitores judaico-cristos do que para os gentios.

    Ralph Earle

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  • Esboo

    I. A Pessoa de Cristo Definitiva, 1.1 4.16

    A. Mais do que um Anjo um Filho, 1.12.4B. Menos do que um Anjo um Homem, 2.5-18C. Maior do que Moiss, 3.1-19D. O Descanso Necessrio, 4.1-16

    II. 0 Sacerdcio de Cristo Definitivo, 5.1 7.28

    A. Um Sumo Sacerdote Perfeito, 5.1-10B. A Necessidade de Perfeio, 5.116.20C. O Sacerdcio da Perfeio, 7.1-28

    III. A Paixo de Cristo Definitiva, 8.1 10.25

    A. Cristo e a Nova Aliana, 8.1-13B. A Nova Aliana e o Sangue de Cristo, 9.1-28C. O Caminho para o Santo dos Santos, 10.1-22D. As Obrigaes do Santo dos Santos, 10.23-25

    IV. A nossa C onfisso de F Definitiva, 10.26 13.25

    A. A Alternativa para a F, 10.26-39B. As Credenciais da F, 11.1-40C. A Perseverana da F, 12.1-29D. O Caminho da F, 13.1-19E. Concluso, 13.20-25

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  • A PESSOA DE CRISTO DEFINITIVA

    Hebreus 1.14.16

    A. M ais do que um Anjo um F ilho, 1.1 2.4

    1. O Deus que Fala (1.1,2a)Os primeiros quatro versculos formam um nico perodo e constituem o prlogo de

    Hebreus. Nele lemos ac