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  • Quando naquela tardedepois da chuva, ao lado da janela,olhava o arco-ris, lembreique aqui dentro o escuro prevalecialongamente perto do amor.

    Daqueles dias recordo as treze estrelas contadase a cada uma dizia:aquela que cai infinitamente para lembrar de nossas alegrias. Masse indagar pelas outras respondo:o amor tem ponto.

    MRIO ALEX ROSA - Poeta. Professor de Literatura Brasileira no (UNI-BH). Tem poemas publicados nas Revistas Dimenso, InimigoRumor, Cacto, Teresa, Jandira, Folhinha de So Paulo e no Suplemento Literrio de Minas Gerais. Publicou uma plaquete nacoleo Relgio do Rosrio.Traduziu poemas de Alejandra Pizarnik publicados pela Espectro Editorial. Breve sair seu primeirolivro de poemas infantis.

    AO LADO DA TARDEMARIO ALEX ROSA

    BELO HORIZONTE, MARO DE 2006, N. 1288 SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA DE MINAS GERAIS

    50 ANOS DA POESIA CONCRETAHOMENAGEM A AUGUSTO DECAMPOS + PARA WEISSMANNARMANDO F. FILHO + CLAUDIOFELDMAN SOBRE RASHOMON +ANTONIO OU OS DONS DO ERROM.ESTHER MACIEL + RESENHAMRIO DE CARVALHO POR M. DELOURDES SOARES + POEMASDINIZ GONALVES JR + SIMONENEVES + MRIO ALEX ROSA.

  • 2. Maro 2006 .3Maro 2006

    GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS ACIO NEVES DA CUNHASECRETRIA DE ESTADO DE CULTURA ELEONORA SANTA ROSA SECRETRIOADJUNTO MARCELO BRAGA DE FREITAS DIRETORA E EDITORA CAMILA DECASTRO DINIZ FERREIRA PROJETO GRFICO E DIREO DE ARTE MRCIA LARICACONSELHO EDITORIAL NGELA LAGO + CARLOS BRANDO + EDUARDO DE JESUS+ MELNIA SILVA DE AGUIAR + RONALD POLITO EQUIPE DE APOIO ANA LCIAGAMA + FREDERICO MATOS + ROSNGELA CALDEIRA + SRGIO RICARDO ESTAGI-RIOS CAMILA PEIXOTO + VALBER PALMEIRA JORNALISTA RESPONSVEL MENOTIANDREOTTI {REG. PROF. 221665}. TEXTOS ASSINADOS SO DE RESPONSABILIDADEDOS AUTORES. AGRADECIMENTOS: IMPRENSA OFICIAL/ DR. PEDALINO COSTADIRETOR GERAL, DR. PERSICHINI CUNHA DIRETOR DE TECNOLOGIA GRFICA +LIVRARIA E CAF QUIXOTE + LIVRARIA SCRIPTUM. Impresso nas oficinas da Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais.

    Suplemento Literrio de Minas GeraisAv. Joo Pinheiro, 342 - Anexo30130-180 Belo Horizonte MGTel/fax: 31 3213-1072suplemento@cultura.mg.gov.br

    CAPA: AUGUSTO DE CAMPOS.PROFILOGRAMA 2. homcage to webern. 1972.

    MULTUMNON

    MULTA:ESSENCIAS EMEDULAS

    DANIEL LACERDA

    Quando recebo queixas de leitores que sentem falta deuma coluna mensal no jornal sobre crtica literria delivros brasileiros e estrangeiros, no h como deixar defazer uma auto-crtica e me indagar sobre a funo dosSuplementos Literrios. At mesmo o literrio deveser posto em questo.

    No universo das mdia eletro-eletrnica, a literatura noapenas dialoga com os novos meios de comunicao,como traz em sua linguagem as modificaes por elesprovocadas. Por outro lado, literatura e cultura so inter-

    faces que impedem, atravs de sua diversidade e multi-plicidade, de pensamentos e idias, tanto em sua formacomo no contedo, a imposio de um nico olhar, deum fazer unssono que nada tem a ver com a criao.Esta j traz em si uma crtica que, se lida com a devidaateno, oferece aos leitores uma excelente oportu-nidade de reflexo sobre o mundo em que vivemos, essepresente para onde convergem passado e futuro.

    Camila Diniz FerreiraEditora

  • 4. .5Maro 2006Maro 2006 DANIEL LACERDA MULTUM NON MULTA: ESSNCIAS E MEDULAS DANIEL LACERDA MULTUM NON MULTA: ESSNCIAS E MEDULAS

    Em entrevista concedida por ocasio do lanamento de seu livro Msica de Inveno (CAMPOS : 1998), quandoquestionado acerca da contribuio da msica ao seu trabalho potico propriamente dito, Augusto de Camposassim se pronunciou:

    Para responder a esta questo, recorramos srie decategorias' delineada, curiosamente, por um dosnomes listados: Ezra Pound. Pound, em seu ensaiocrtico ABC da Literatura (POUND : 1989), afirmaque a literatura - e ns, aqui, estendemos sua afir-mao para as artes plsticas e para a msica - temsido criada por algumas classes de pessoas. misterreproduzirmos aqui estas classes, para uma adequa-da compreenso da divisa do poeta norte-americano:

    1) Inventores: homens que descobriramum novo processo ou cuja obra nos d umexemplo conhecido de um novo processo.2) Mestres: homens que combinaram umcerto nmero de tais processos e que osusaram to bem ou melhor que os inven-tores.3) Diluidores: homens que vieram depoisdas duas primeiras espcies de escritor e

    A msica para mim uma 'nutrio de impulso'indispensvel. Como a poesia, no dizer de Pound,est mais prxima da msica e das artes plsticasdo que da prpria literatura, acho natural queassim seja. Sem Webern, Mondrian e Malivitch, euno teria formulado o 'Poetamenos' (tambm devedor, bvio, de Mallarm, Pound, Joyce e Cummings).

    Dada a relevncia do Poetamenos - obra antecipadora das premissas da poesia concreta,na qual o dbito para com a melodiadetimbres, do compositor austraco Anton Webern,particularmente, evidente - para a poesia de Augusto de Campos, cremos no serdescabido ampliar sua afirmao, a ponto de dizer que, sem os dilogos com as poticasdos autores acima, toda a sua obra no teria sido formulada.Partindo deste princpio, trs escopos norteiam este ensaio introdutrio: a) fazer uma leituragenrica dos traos comuns entre as poticas dos autores por Campos listados; b) estabe-lecer, tambm de forma genrica, um ponto de contato entre as suas poticas e a poticado prprio Augusto de Campos; c) traar o roteiro de nossa pesquisa investigativa.

    Qual, se algum, o elo entre as pinturas de Piet Mondrian e Kasimir Malivitch, a msica de Anton Webern,a prosa potica de James Joyce e as poesias de Stephane Mallarm, Ezra Pound e e.e.cummings?

    (Revista Cult : 1998, p. 7)

  • 6. Maro 2006

    no foram capazes de realizar to bem otrabalho.4) Bons escritores sem qualidades salientes:homens que tiveram a sorte de nascer emuma poca em que a literatura de seu pasou em que algum ramo particular da artede escrever saudvel.5) Beletristas: homens que realmente noinventaram nada, mas que se especiali-zaram em uma parte particular da arte deescrever (...)6) Lanadores de modas: homens quegozam de um certo prestgio por umdeterminado tempo e, logo em seguida,desaparecem.(idem ibidem, pp. 42 e 43)

    Verifiquemos agora a qual das categorias acima per-tencem cada um dos artistas por Augusto de Camposlistados.

    Partindo dos moldes acadmicos naturalistas -paisagens e naturezas mortas - Piet Mondrian, com asrie rvores (1908), comea a alterar sua forma deexpresso pictrica. Nesta obra serial, j esto pre-sentes alguns dos elementos que mais tarde lhe seriamcaros, tais quais, a relao entre as linhas horizontaise verticais. A inflexo para o abstracionismo, no en-tanto, comea a dar-se com a adeso ao

    cubismo. Porm, o pintor holands acaba afastan-do-se dele, por consider-lo uma abstrao e no areal arte abstrata. Com a eliminao do volume noespao pictrico e a adoo de um modelo concisoe econmico, que utiliza como elemento de basesuperfcies planas e retangulares justapostas natela, e as trs cores primrias - o vermelho, o azule o amarelo - com algo de preto e de branco, d-seo seu rompimento com a arte cubista e a criao doNeoplasticismo.

    Ainda que em seu ensaio Sobre os Novos sis-temas da Arte, o pintor russo Kasimir Malivitchafirme que o Cubismo pulveriza as velhas con-cluses sobre pintura e constri novas, de acordocom seu prprio sistema (PERLOFF : 1993, p. 208),estando entre estas 'novas concluses' a construodas mais variadas unidades em uma organizaodefinida(idem ibidem), seu rompimento com aesttica cubista viria com a manifestao de umarealidade maior(idem,ibidem): o Suprematismo. Acorrente suprematista utiliza elementos geomtricosabstratos, elaborando composies puras e cerebrais,destitudas de toda sensualidade.

    Anton Webern purificou a tcnica dodecafnica -do grego dodka (doze) - , criada por ArnoldSchoenberg: emprego de uma sequncia de 12 sonsque formam uma estrutura, na base da qual a obra construda. Abolem-se as tradicionais sequncias demelodia, harmonia e padro rtmicos, caractersticos damsica tonal. Traos da msica de Webern : cachos desons cercados de, por vezes amplas, zonas de silncio.Quase nunca mais do que trs notas ao mesmo tempo,associadas em relao de dissonncia. Uma melodiacontnua, passando de um instrumento para o

    outro: klangfarbenmelodie - melodiadetimbres. Umamsica de natureza serial, onde se rompem todas asamarras com a estrutura tradicional.

    Un Coup de Ds (Um Lance de Dados): poema-partitura que aspira a condio de constelao, aboleradicalmente a linearidade lgico-discursiva do versotradicional, utilizando-se - segundo o prprio autor,Stephane Mallarm, informa em sua nota introdutria -de: a) diferentes caracteres de impresso entre o moti-vo preponderante, o secundrio e os adjacentes,ditando as normas de oralizao da pea; b) posiodas linhas tipogrficas determinando as descidas esubidas da entonao; c) o branco da pgina criandoum espao como que de silncio ao redor dos vocbu-los; d) uso especial da folha, que passa a compor-sede duas pginas - esquerda e direita - desdobradas,podendo ser lidas tanto separadamente quanto como

    DANIEL LACERDA MULTUM NON MULTA: ESSNCIAS E MEDULAS Augusto de Campos. PROFILOGRAMA 1. pond/maiakvski. 1966.

  • .9Maro 20068. Maro 2006

    Multum - rigor, qualidade - e no multa - quanti-dade, extenso: divisa weberniana que Augusto deCampos adota como busca permanente de seuiderio esttico.Uma leitura da extenso das peas do autor revela,de fato, um temperamento afeito brevidade e conciso, pelo menos se considerarmos sua pro-duo a partir da supracima citada obra Poetamenos(1953). Interessante nos voltarmos, para uma ade-quada compreenso do perfil minimalista campo-siano, ao ensaio Mrio Faustino ou a Impacinciarfica, de Haroldo de Campos (CAMPOS : 1993).Nele, o autor

    estabelece um paralelo entre a programao da poesiaconcreta e o projeto potico de Mrio Faustino(idem ibidem, pp. 189-192).Imbuda de ultimar o projeto mallarmeano de sinta

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