anúncio no jornal (...) coloquei o anúncio na sexta-feira pro jornal de

Download anúncio no jornal (...) coloquei o anúncio na sexta-feira pro jornal de

Post on 08-Jan-2017

217 views

Category:

Documents

2 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • 181

    anncio no jornal (...) coloquei o anncio na sexta-feira pro jornal de domingo. Quando foi de noite, ele

    me telefonou, disse : uma pessoa da minha cidade viu, telefonou para mim e eu estou telefonando para

    voc. E eu estou vivo aqui! Fui na casa dele...o cara est vivo, mas est doente.

    DS- Vou ver se eu acho o anncio que eu botei desse outro aqui para voc ver... pronto, o do A Tarde est

    aqui, olha aqui como :

    L- (Lendo o anncio) Se voc tem mais de 60 anos e chamado Hlio, trabalhou na seo de bateria,

    morou no Toror, namorava com a filha da vizinha ao mesmo tempo que namorava com outra na

    Barroquinha, telefone para Daniel Santiago Isso foi em que ano? 2005

    DS- Saiu duas vezes isso, porque eles s botam o anncio para sair duas vezes, obrigam voc a anunciar

    duas vezes. Saiu num domingo e parece que saiu no outro (...)

    L-Eu trouxe aqui a Revista Classificada. Eu queria que voc falasse um pouquinho como foi a criao

    dela, como que funcionou...

    DS- Essa revista Classificada... est dizendo aqui que fui eu e o Paulo Bruscky que criamos? Est aqui?

    Isso aqui programao visual do Paulo Bruscky, ele um programador visual assim, estapafrdio.

    L- Mas foi feito tudo manualmente, no ?

    DS- Isso aqui foi feito...

    L- O Unhandeijara Lisboa est vivo ainda?

    DS- Est. Quando eu falar com ele, vou falar que voc perguntou isso... se ele est vivo...

    L- porque no tive mais notcias dele...Voc me passa o contato dele?

    DS- Passo. Mas faz uns 10 anos que eu no o vejo. Eu tenho que ir a Paraba para falar com ele. Mas

    um cara muito esquisito, viu? Ele do tamanho dessa parede aqui, grande. Mas eu no me lembrava dessa

    revista (...) Esse negcio de classificados (olhando a Revista Classificados). Deixa eu ver se tem algum

    anncio meu aqui...Tem um aqui ! Esse anncio aqui assim:

    Interessa a algum que, numa madrugada de chuva, eu fiquei olhando os pingos grossos pela janela da

    cozinha e que na janela havia uma tbua de carne, uma pedra de amolar e um frasco de planta e que

    estava com frio, de cueca e p no cho?

    Ento eu fiz essa pergunta a algum no jornal classificado.

    L- E recebeu alguma resposta?

    DS- Tanta carta! Tanta carta... cartas de mulheres dizendo que, se eu estivesse com algum problema

    sentimental, que ela estava disposio, e outras... que eu tenho guardadas... essas cartas, entendeu? E

    outros caras com raiva, dizendo que isso era negcio de veado, no sei o qu... e eu sei mais ou menos

    quem so esses caras que mandaram, eles no assinavam no, mas pelo jeito, eles no tinham coragem de

    dizer, porque tinham os poetas acadmicos, dos sonetos que no gostavam desse tipo de poesia, e que a

    gente considerou isso poesia, entendeu? Poesia Classificada.

    L- Era uma espcie de Poesia Visual Classificada?

    DS- Era, porque saia nos classificados ... e tinha muita coisa (aponta para a revista) poesia Paga: Paulo

    Bruscky, t vendo? E quando a gente comeou a fazer isso, deu uma febrezinha em alguns poetas do

    Recife, eles fizeram anncios classificados, mas eles no tinham essa... como que se diz (...) esse

    veneninho que eu tinha com o Paulo Bruscky, de fazer essas coisas, n?

  • 182

    L- Essa espontaneidade?

    DS- Essa espontaneidade (...) e outras coisas que a gente fez mais (...). Tem Eu como poesia parece (...)

    Esse aqui Poema de repetio e geralmente a gente fazia isso quando tava bbado, a gente bebia

    muito na poca... Paulo Bruscky continua bebendo e eu fui proibido, e eu no bebo mais, se no eu morro

    dormindo (...) como o nome daquilo que d e voc fica todo duro? Convulso! E o mdico disse. Eu no

    sei se mentira dele para eu no beber mais, entendeu? (...) Para mim, parece que minha criatividade

    aumentou depois que eu parei de beber. incrvel, mas eu acordo de manh, s vezes eu perco o sono s

    5 horas da manh, vou para mesa escrever (...) e as anotaes, entendeu? Porque o seguinte: fazer poesia

    classificada em jornalzinho marginal eu acho que no tem [a mesma] graa [que] nos bons jornais, nos

    grandes jornais. Ento, voc veja s: esse outro anncio que eu botei, procurando meu amigo, um tipo

    de coisa assim, e se eu pudesse, eu colocava maior, porque caro, caro. uns 300 reais ou mais... e

    mulher assim, me controla para eu no gastar dinheiro com arte... as mulheres so assim, eu no sei se

    por causa dela ou no que eu fao arte, porque ela mesmo no sabe o que que voc vai me perguntar,

    nem sabe o que que eu fao (...) Esse de Paulo Bruscky tambm (aponta para anncio na revista

    classificada), ... esse ele botou em Nova York, parece...

    L- Foi, ele ficou l uma poca, no?

    DS- Foi, ele morou l uma poca (...) Essa aqui minha (aponta) Eu como poesia. Agora, para ningum

    confundir que sou eu, minha pessoa igual poesia eu coloquei nhoc, nhoc, porque eu comia poesia,

    porque eu deixava, s vezes, de comer pra botar anncio no jornal. Ento, depois que eu comecei a fazer

    cinema, eu estou fazendo cinema agora com web cam. Voc conhece a web cam? J fez cineminha com

    ela?

    L- No

    DS- Ah, faa (...) Se voc pegar a web cam e der uma volta pelo seu quarto, voc faz um filme, porque

    ela grava, entendeu?

    L- E a resoluo boa?

    DS- A resoluo? Seja qual for a resoluo j um filme de arte. Quanto mais troncada mais gostosa,

    mais artstica, entendeu? s vezes eu vou ligar a web cam, a ela est de trs do computador, est jogada

    para l. Ento quando ligo, aparece aquilo que ela est vendo. A so fios, pregos, no sei o qu... mas

    menina, tem cada abstrato delicioso.

    L- Deve ter cada imagem interessante, no ?

    DS- Cada imagem interessante... ento eu pego aquilo, fotografo, levo no photopaint (...) no photopaint eu

    comeo a mexer nas cores e pronto (...)

    DS- Mas voc j viu esse aqui (aponta para o anncio...), esse aqui, olha (l): Ex-intelectual, especialista

    em brincadeiras de salo e terrao, para animar chs, desfiles e reunies de alta sociedade...

    L- Procurar Rua das Crioulas, 273...

    DS- Jonard Muniz de Britto isso, no sei se voc j ouviu falar... um poeta de l de Recife.

    L- Conheci, ele esteve aqui... Ah, esse anncio do Jonard? dele esse anncio?

  • 183

    DS- , e ele no assinou, ou foi timidez...Rua das Crioulas, est vendo? A fim de aceitar cach, rua

    das crioulas era onde ele morava (...) Ele o Palhao Degolado, est vendo? Ele fez um filme, O

    Palhao Degolado, que um filme histrico.... Cpias Super 8 de Palhao Degolado para entidades

    municipais, estaduais e federais tratar com D. Celeste

    L- Aqui tem o nome dele Jomard M. de Britto. Voc sabe que ele esteve aqui em Salvador tem 1 ms

    mais ou menos?

    DS- Ah, no sei no (...)

    L- Pois , ele veio para um evento da Faculdade de Comunicao...

    DS- Ah, ele est muito solicitado agora, Paulo Bruscky tambm. Paulo Bruscky no pra em Recife

    agora, pra l, pra c, pra l, pra c(...)

    DS- Ele na poca escrevia muita coisa (referindo-se ao poeta pernambucano Jomard Muniz de Britto)

    assim... comigo, com ele, ele me chama de Daniel Santiego e Paulo Bruxo(...)

    L- Ento... o Con(s) (c)erto Sensorial, o que eu queria saber... voc j mandou pela internet...

    DS- J mandei para voc...

    L- E a eu tomei nota de uns livros de artista: A Histria Poltico-Administrativa do Brasil; Volume

    Superior/Volume Inferior e Economia Poltica (...)

    DS- Economia Poltica, parece...

    L- o da torneira...

    DS- o da torneira. Voc j viu foto disso?

    L- Vi

    DS- E o outro: Volume Superior...

    L- Que eu achei genial...

    DS- Voc sabe como : cortado no meio, pronto... voc tem que ler os dois volumes (...) Eu no sei nem

    que livro , porque ns pegamos um livro de uma pessoa qualquer, apropriamos daquele livro e fizemos

    esse negcio. Se a pessoa um dia chegar a ver esse livro, a pode ser que processe a gente...mas acho que

    no...

    L- No... h a Licena Potica, n?

    DS-

    L- Eu gostei bastante desse trabalho. E tem tambm o Livro-Po, o Como ler, de 74.

    DS- O Como Ler foi um livro feito de po biscoito. Era um po assim, como po doce. Ns fizemos na

    padaria e o padeiro fez o livro em forma de po ou o po em forma de livro e ns colocamos biscoitinhos

    de letra. As letras eram biscoitos que vinham prontos j das fbricas de biscoito, como aqui tinham umas

    letrinhas de chocolate na Perini!

    L- Eu sei

    DS- Ento tinham umas letrinhas que vinham j prontas, uns biscoitinhos... Ento ns pegamos aquelas

    letrinhas, colocamos dentro do po, quando o po assou, ele ficou com letrinhas dentro. Ento o nome

    desse livro era como ler, e ele foi lanado num frigorfico l em Recife. O frigorfico abria de dia e de

    noite ele fechava. E ns pedimos permisso ao dono do frigorfico para fazer o lanamento l, e teve

    muita gente nesse frigorfico nessa noite... inclusive aquele poeta do nariz grande, Juca Chaves, estava l

  • 184

    nessa noite no Recife. E saiu o nosso lanamento do livro, no convite, saiu com a chamada do show dele

    l em Recife. E outra coisa: Nessa poca era tempo de MOBRAL. MOBRAL era Movimento

    Brasileiro de Alfabetizao. Ento as autoridades chegaram a fazer uma ligao do lanamento do nosso

    livro, que era como ler, dizendo que era uma crtica ao MOBRAL...

    L- E tinha esse vis crtico?

    DS- No, no tinha isso no. Da minha parte no tinha, s se tinha do Paulo Bruscky.

    L - Entendi. Mas tinha algo relacionado cultura, fome de cultura...

    DS- No, no... Foi uma febre que a gente teve de fazer livros (...