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ISSN1983-7364

Anurio do Frum Brasileiro de Segurana Pblica

ano2 2008

sumrio

4 Ficha tcnica 6 Introduo

Parte 1 Segurana pblica e instituies policiais em nmeros

10 Estatsticas criminais 24 Instituies policiais 28 Sistema prisional 36 Gastos com polticas de segurana pblica 44 Municpios

Parte 2 Territrios explicativos no campo da segurana pblica 58 O territrio como categoria de anlise e de interveno na rea de segurana pblica

Parte 3 Compreendendo a ao do governo local

64 Gesto local e polticas pblicas: os desafios do campo da segurana

68 Guardas Municipais brasileiras: um panorama estrutural, institucional e identitrio

72 Participao do municpio na segurana pblica

76 Local: o terceiro fator do controle criminal

Parte 4 Desafios complementares aos diagnsticos e monitoramentos no campo da segurana pblica

82 Pesquisa de vitimizao: notas metodolgicas

ficha tcnica

Frum Brasileiro de Segurana Pblica Rua Teodoro Sampaio, 1020 cj. 1409 Pinheiros So Paulo SP CEP 05406-050 tel/fax [11] 3081 0925 www.forumseguranca.org.br

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Copyright Frum Brasileiro de Segurana Pblica

ISSN 1983-7364

Coordenao Tcnica Renato Srgio de Lima Carolina de Mattos Ricardo Adriana Taets Apoio TcnicoCimar Alejandro Prieto AparcioEliana BordiniLlian Liye KonishiPaulo de Martino Jannuzzi EstagirioDaniel Mazzuco Apoio InstitucionalElizabeth LeedsJosephine BourgoisPaulo Sette Cmara Apoio AdministrativoAmanda GouvaAna Maura TomesaniDilma Nazrio TextosJos Vicente da Silva FilhoLuciane PatrcioMrcia Cristina AlvesRegina MikiYolanda Cato

Agradecimentos institucionaisDepartamento de Polcia Federal DPF/MJ Secretaria Nacional de Segurana Pblica SENASP/MJ Copidesque e revisoVnia Regina Fontanesi Edio de arteURBANIA Nota legalOs textos e opinies expressos no Anurio do Frum Brasileiro de Segurana Pblica so de responsabilidade institucional e/ou, quando assinados, de seus respectivos autores. Os contedos e o teor das anlises publicadas no necessariamente refletem a opinio de todos os colaboradores envolvidos na produo do Anurio. Licena Creative Commons permitido copiar, distribuir, exibir e executar a obra, e criar obras derivadas sob as seguintes condies: dar crdito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante; no utilizar essa obra com finalidades comercias; para alterao, transformao ou criao de outra obra com base nessa, a distribuio desta nova obra dever estar sob uma licena idntica a essa.

apoio

O Frum Brasileiro de Segurana Pblica chega ao seu terceiro ano de existncia e, como previsto, consolida sua opo pela transparncia das polticas de segurana pblica com a publi-cao da segunda edio do seu Anurio, no qual dados policiais so articulados a informaes sobre pesquisas de vitimizao, prises, gastos pblicos e, particularmente nesta edio, a uma discusso sobre o papel do territrio e dos municpios na segurana pblica do Brasil.

Mais do que apenas pretender a divulgao de dados, requisito fundamental da democracia e que as instituies policiais brasileiras comearam a se acostumar a partir da dcada de 1990, o Anurio busca compilar referncias j disponveis e disp-las de modo a indicar seus limites, lacunas e, em especial, potencialidades, seja no mbito tcnico e metodolgico, seja no nvel poltico, cujas eventuais fragilidades de algumas dessas informaes foram e, infelizmente, ainda so tomadas como justificativa para a no publicizao das estatsticas no pas.

Significa dizer, portanto, que o Frum Brasileiro de Segurana Pblica faz uma aposta poltica explcita na transparncia como fator fundamental de melhoria no s das prprias estatsticas existentes, mas, sobretudo, das polticas pblicas retratadas. Sem conhecer e dar publicidade aos registros existentes, pouco podemos avaliar em relao eficincia das aes empreendidas e ao padro e caractersticas do crime, da violncia e da forma como o Estado, em suas mltiplas esferas e poderes, lida com tais fenmenos.

Por certo, compreende-se a necessidade de ponderaes metodolgicas que evitem o uso desconstrutivo dos cenrios descritos. Num exemplo clssico, ranking de crimes s deve ser construdo com controle de que os dados de todas as unidades classificadas tenham qualidade equivalente, pois, do contrrio, unidades que investem pouco na divulgao de suas realida-des seriam equivocadamente beneficiadas em comparao com aquelas que investiram em sistemas de registro e, por isso mesmo, tendem a apresentar um nmero maior de casos do que as primeiras.

Compromisso com a qualidade e a transparncia das polticas de segurana pblica

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Exatamente por isso, o Frum Brasileiro de Segurana Pblica agregou, neste ano, os registros policiais segundo grupos de qualidade estimada dos dados criminais, utilizando, para tanto, um parmetro de classificao externo s instituies policiais. Os grupos foram cons-trudos tendo-se por base os dados da rea de sade, que possui uma tradio mais antiga de controle epidemiolgico de cenrios e, por isso, avalia a qualidade dos seus registros.

Assim, para cada Unidade da Federao, foram considerados o nmero de mortes por agresso (homicdios) e o porcentual de bitos maldeclara-dos, ambos produzidos pelo Datasus, do Ministrio da Sade, agrupando-se, em termos comparati-vos, as Unidades com perfis semelhantes em relao a esses dois indicadores e estimando a qualidade dos registros criminais. A partir deste procedimento, os Estados foram classificados em trs grupos: no grupo 1 encontram-se aque-les que possuem uma quantidade pequena de bitos maldeclarados, o que seria indicativo de uma maior confiabilidade dos dados disponveis, possibilitando comparaes entre si. Compem esse grupo: Esprito Santo, Gois, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paran, Per-nambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, So Paulo e o Distrito Federal.

J os grupos 2 e 3 renem os Estados que possuem uma grande quantidade de bitos mal-declarados, com a diferena de aqueles perten-centes ao grupo 2 (Alagoas, Amap e Rondnia) registram altas taxas de homicdio, enquanto os pertencentes ao grupo 3 (Acre, Amazonas, Bahia, Cear, Maranho, Par, Paraba, Piau, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocan-tins) apresentam baixas taxas de homicdios. Todavia, diante do elevado porcentual de bitos maldeclarados, as comparaes de Estados dos dois grupos precisam ser relativizadas e os cenrios descritos no podem ser tomados como descrio exata da realidade.

Em suma, essa classificao foi realizada para permitir anlises mais acuradas sobre o quadro da segurana pblica no Brasil e, adi-cionalmente, indicar situaes que merecem ateno dos dirigentes pblicos no que diz respeito a investimentos em sistemas de regis-tro e divulgao. Porm, como toda inovao metodolgica, sabemos que a forma como

organizamos as informaes no a nica e tambm pode ser passvel de crticas. Todavia, acreditamos que ela suscita o bom debate; aquele que visa avaliar as aes substantivas da rea e atribuir papis e atribuies aos atores sociais envolvidos com a temtica.

Ainda nessa direo, a segunda edio do Anurio traz uma compilao de dados sobre aes desenvolvidas pelos municpios no campo da segurana pblica, alm de anlises sobre o papel desse ente da federao no sistema de segurana pblica, em termos de responsabi-lidades, atribuies e capacidades. Para alm dos municpios enquanto esfera administrativa, buscou-se tambm uma reflexo sobre o papel do territrio na organizao dos recursos de polcia e segurana pblica, na medida em que a partir do territrio que as polticas pblicas organizam o espao urbano e intervm na qua-lidade de vida da populao brasileira.

Enfim, a expectativa de que estejamos pr-ximos de inaugurar uma tradio de publicao anual de dados, que j chega ao seu segundo ano, que permita que os principais dados da rea sejam de domnio pblico e fomentem o debate republicano de idias e polticas de segurana, sem as frices polticas que eventuais segredos possam provocar.

O Frum Brasileiro de Segurana Pblica faz uma aposta poltica explcita na transparncia como fator fundamental de melhoria no s das prprias estatsticas existentes, mas, sobretudo, das polticas pblicas retratadas.

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parte 1 segurana pblica e instituies policiais em nmeros

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estatsticas criminais

TABELA 01 Crimes letais intencionais, por tipoUnidades da Federao 2006-2007

Distrito Federal 539 567 22,6 23,3 56 49 2,3 2,0 6 9 0,3 0,4

Esprito Santo 1.657 1.465 47,8 41,6 15 11 0,4 0,3 8 5 0,2 0,1

Gois 1.358 1.268 23,7 21,7 72 57 1,3 1,0 15 23 0,3 0,4

Mato Grosso 767 844 26,8 29,0 34 43 1,2 1,5 28 32 1,0 1,1

Mato Grosso do Sul 572 571 24,9 24,5 10 22 0,4 0,9 13 7 0,6 0,3

Minas Gerais 3.081 2.812 15,8 14,3 106 82 0,5 0,4 1 ... 0,0 ...

Paran ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Pernambuco 4.305 2.962 50,6 34,5 180 52 2,1 0,6 27 1 0,3 0,0

Rio de Janeiro 5.708 5.504 36,7 35,0 157 163 1,0 1,0 50 40 0,3 0,3

Rio Grande do Sul 1.362 ... 12,4 ... 127 ... 1,2 ... 129 ... 1,2 ...

Santa Catarina 650 607 10,9 10,0 19 29 0,3 0,5 49 50 0,8 0,8

So Paulo 6.057 4.877 14,8 11,7 266 218 0,6 0,5 ... ... ... ...

Total ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Alagoas

2.301 2.287 44,0 43,1 75 53 1,4 1,0 30 36 0,6 0,7

Amap

Rondnia

Total

Acre

11.063 7.844 20,9 ... 579 ... 1,1 ... ... ... ... ...

Amazonas

Bahia

Cear

Maranho

Par

Paraba

Piau

Rio Grande do Norte

Roraima

Sergipe

Tocantins

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