Anuário de Segurança Pública 2012

Download Anuário de Segurança Pública 2012

Post on 24-May-2015

1.717 views

Category:

Documents

11 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

A sexta edio do Anurio Brasileiro de Segurana Pblica lanada sob a gide de uma importante conquista no campo da segurana pblica: a aprovao da Lei 12.681/2012, que cria o Sistema Nacional de Informaes de Segurana Pblica, Prisionais e sobre Drogas SINESP.

TRANSCRIPT

<ul><li> 1. Anurio Brasileirode Segurana PblicaISSN 1983-7364 ano 6 2012</li></ul><p> 2. sumrio4Ficha institucional 5 Ficha tcnica 6IntroduoFrum Brasileiro de Segurana PblicaRua Mrio de Alencar, n 103Vila MadalenaSo PauloSPBrasilCEP: 05436-090tel/fax: 55 11 3081-0925www.forumseguranca.org.br2 3. Parte 1 Segurana Pblica em nmeros 10 Estatsticas criminais 40 Gastos com segurana pblica e prises 54 Populao carcerria 70 Efetivos das foras policiais Parte 2 legado do SINESPJC para a construo de umOSistema Nacional de Informaes 86 produo de estatsticas e indicadores de seguranaApblica no Brasil em perspectiva histrica e a criao doSistema Nacional de Estatsticas de Segurana Pblica(SINESPJC) 98Nem tudo que reluz ouro: uma anlise da qualidadedos dados do SINESPJC Parte 3 Apndice metodolgico116Classificando as Unidades da Federao de acordocom a qualidade dos dados criminais divulgadose ograu de alimentao do Sistema Nacional de Estatsticade Segurana Pblica e Justia Criminal - SINESPJC3 4. expediente Copyright Frum Brasileiro de Segurana Pblica ISSN 1983-7634 FICHA INSTITUCIONAL FRUM BRASILEIROMINISTRIO DA JUSTIA DE SEGURANA PBLICA Ministro da Justia Presidente do Conselho de Administrao Jos Eduardo Cardozo Srgio Roberto de Abreu Secretria Executiva Conselho de Administrao Marcia Pelegrini Elizabeth Leeds Presidente de Honra Arthur Trindade Secretria Nacional de Segurana Pblica Eduardo PazinatoRegina Maria Filomena de Luca Miki Humberto Vianna Jsus Trindade Barreto Jr.Departamento de Polticas, Programas e Jos Luiz de Amorim RattonProjetos Luciene Albuquerque Cristina Gross Villanova Diretora Paula Poncioni Renato Srgio de Lima Departamento de Execuo e Avaliao do Roberto Maurcio GenofrePlano Nacional de Segurana Pblica Washington Frana Sidnei Borges Fidalgo Diretor Secretria ExecutivaDepartamento de Pesquisa, Anlise da Samira BuenoInformao e Desenvolvimento de Pessoal em Segurana Pblica Isabel Seixas de Figueiredo Diretora Cristina Neme Coordenadora Geral Rafael Rodrigues oordenador de Pesquisa C /SINESPJC4 5. FICHA TCNICAAgradecimentosMinistrio da JustiaAnurio Brasileiro de Secretaria Nacional de Segurana Pblica Segurana Pblica 2012SENASP/MJCristina Neme (SENASP/MJ)Coordenao Geral Rafael Rodrigues (SENASP/MJ)Renato Srgio de Lima Emerson Soares Batista Rodrigues (SENASP/Samira BuenoMJ)Mirella Soares Diniz (SENASP/MJ)Assistente de Coordenao Gestores estaduais do SINESPJCThandara SantosEquipe TcnicaEdio de arteBeatriz Rodrigues URBANIA (11) 3828-3991Caio ValiengoNota legalConsultoria Tcnica Os textos e opinies expressos no AnurioCimar Alejandro Prieto Aparicio do Frum Brasileiro de Segurana PblicaCristiane De Lo Ballanotti so de responsabilidade institucional e/Tlio Kahnou, quando assinados, de seus respectivosautores. Os contedos e o teor das anlisesAssessoria de Comunicao publicadas no necessariamente refletem aJander Ramonopinio de todos os colaboradores envolvidosRaphael Ferrari na produo do Anurio.Estagiria de Comunicao Licena Creative CommonsCamila Fernandes permitido copiar, distribuir, exibir eexecutar a obra, e criar obras derivadasTextossob as seguintes condies: dar crdito aoAlmir de Oliveira Juniorautor original, da forma especificada peloMarcelo Durante autor ou licenciante; no utilizar essa obraLudmila Mendona Lopes Ribeirocom finalidades comercias; para alterao,Tlio Khantransformao ou criao de outra obra combase nessa, a distribuio desta nova obradever estar sob uma licena idntica a essa.Equipe Frum Brasileiro deSegurana PblicaSecretria ExecutivaSamira Buenoapoio/parceirosEquipe AdministrativaAna Maura Tomesani MarquesDbora LopesHilda Soares Mancuso OPEN SOCIETYRenata GuaraldoFOUNDATIONS5 6. introduoAsexta edio do Anurio Brasileiro de Segurana Pblica lanada sob a gide de umaimportante conquista no campo da segurana pblica: a aprovao da Lei 12.681/2012, que criao Sistema Nacional de Informaes de Segurana Pblica, Prisionais e sobre Drogas SINESP.Aps vrios anos de luta pelo aumento da qualidade das informaes disponveis sobresegurana pblica e justia criminal, o Governo Federal enviou em 2010 um Projeto de Lei aoCongresso e conseguiu aprov-lo num tempo relativamente rpido, num sinal de que o temaganhou maturidade institucional e superou o embate poltico partidrio que muitas vezes trava aproduo legislativa no pas.Trata-se de uma agenda de Estado, h muito reclamada pela sociedade tanto em termos demaior eficincia na gesto das polticas pblicas, quanto no que diz respeito transparncia e prestao de contas para a populao.O Frum Brasileiro de Segurana Pblica (FBSP) orgulha-se de integrar o grupo de instituiese grupos sociais que muito lutaram para que esta conquista se tornasse realidade e, por estarazo, faz questo de elogiar o Ministrio da Justia pela iniciativa e, sobretudo, o CongressoNacional pela disposio em romper com uma perversa prtica de no legislar sobre matriasafeitas segurana pblica.Por certo a agenda da segurana pblica ainda impe uma srie de questes ao CongressoNacional, aos Governadores, aos Prefeitos e ao Governo Federal, mas a nossa torcida para quea aprovao do SINESP signifique uma inflexo na forma como as polticas de segurana pblicatm sido articuladas e coordenadas no Brasil.Os desafios ainda so grandes, pois como os dados aqui compilados vo demonstrar, hum hiato considervel entre a aprovao da Lei 12.681/2012 e a real implementao do SINESP.As pactuaes polticas e metodolgicas so imprescindveis e, se os aspectos tecnolgicosj esto sendo enfrentados, a discusso sobre a coordenao do Sistema, por meio do ComitGestor previsto na Lei, central para o sucesso ou para o fracasso da iniciativa. Dito de outraforma, os mecanismos de coordenao e pactuao sero to ou mais importantes que a apro-vao da Lei que criou o sistema.Num exemplo, os dados do Paran, Acre, de Roraima, Piau e Rio Grande do Norte no foraminformados em sua totalidade ao sistema do MJ. Os dados do Paran, no obstante a metodo-logia de avaliao criada para o Anurio 2012 classific-los como de boa qualidade e disponveis,precisaram ser buscados diretamente junto Secretaria de Segurana Pblica. Tais casos so,portanto, uma evidncia de que existem questes polticas e organizacionais que superam oaspecto da qualidade e dificultam o envio dos dados para o Ministrio de Justia e que, se noenfrentadas, o momento histrico de conquista pode se perder.No faz mal lembrar que, em termos histricos e jurdicos, a criao do SINESP em si no seconstitui propriamente numa inovao, na medida em que desde 1871 o Brasil conta com legislaoespecfica sobre produo de dados criminais. O prprio Cdigo de Processo Penal vigente, em seu6 7. artigo 809, j disciplina tal matria de um modo suas estruturas. Avanos eventuais no aparatomuito similar proposta que rege o SINESP e que policial e reformas na legislao penal tm sebusca integrar diferentes rgos e bases de dados. revelado insuficientes para reduzir a incidnciaA principal novidade do SINESP est na vontade da violncia urbana, numa forte evidncia dapoltica simultnea existncia de ferramentasfalta de coordenao e controle.tecnolgicas que podem transformar diretrizes O fato que, para o FBSP, resultados pere-e regras em prticas operacionais. Porm, semnes s podem ser obtidos mediante reformasuma reflexo objetiva e urgente acerca do modelo estruturais do sistema de segurana pblicade funcionamento das instituies de segurana e justia criminal, bem como do efetivo com-pblica, o Sistema no vai, sozinho, mudar o prometimento poltico dos Poderes Executivo,cenrio de profundas ineficincias que vem sendo Legislativo e Judicirio.descrito nos ltimos anos nas diferentes ediesEssas reformas devem envolver a constru-do Anurio Brasileiro de Segurana Pblica.o de um verdadeiro Sistema nico de Segu- Por essa razo, o FBSP reitera algumasrana Pblica no Brasil, atualizando a distribuioconcluses surgidas nas edies anteriores e a articulao de competncias entre Unio,e que indicam que a violncia urbana persisteEstados e Municpios e criando mecanismoscomo um dos mais graves problemas sociaisefetivos de cooperao entre eles; a reformano Brasil, totalizando mais de 800 mil vtimas do modelo policial estabelecido pela Constitui-fatais nos ltimos 15 anos. Nosso sistema caro,o Federal, de modo a promover a sua maiorineficiente, capacita e paga mal aos policiais e eficincia; e o estabelecimento de requisitosconvive com padres operacionais inaceitveismnimos nacionais para as instituies de segu-de letalidade e vitimizao policial. Em suma, no rana pblica no que diz respeito formaoconseguimos oferecer servios de qualidade.dos profissionais, prestao de contas, uso da fato que a histria recente da seguranafora e controle externo.pblica no Brasil tem sido marcada por demandas em torno dessa agenda que o Frumacumuladas e mudanas incompletas. Ganhos, Brasileiro de Segurana Pblica publica a sextacomo a reduo entre 2000 e 2011 dos homic- edio do Anurio e espera contribuir para adios em So Paulo, tendem a perder fora, na articulao de um novo pacto republicano demedida em que no h normas tcnicas, regras Poderes capaz de garantir a efetivao prticade conduta ou padres capazes de modificar cul-dessas mudanas. O Brasil amadurece para umturas organizacionais ainda baseadas na defesa novo modelo de desenvolvimento e a seguranado Estado e no da sociedade.pblica deve ser encarada como um dos pilares As instituies policiais e de justia criminal de um pas mais democrtico, inclusivo social eno experimentaram reformas significativas nas economicamente e indutor da cidadania. Frum Brasileiro de Segurana Pblica 7 8. 8 9. parte 1Segurana Pblicaem nmeros9 10. estatsticas criminais registros policiais TABELA 01 Crimes letais intencionais (1), por tipo Brasil e Unidades da Federao 2010-2011 Grupos de Homicdio doloso Latrocnio Estados segundo qualidade dos Ns. absolutosTaxas (3)Ns. absolutosTaxas (3) dados (2)Unidades da Federao 2010 (4) 201120102011 Variao (%)2010 (4) 201120102011Variao (%)Nacional43.684...22,9......1.593...0,8...... Grupo 1Alagoas2.1272.342 68,2 74,5 9,336 36 1,2 1,1-0,7Amazonas 9161.062 26,3 30,0 14,2 46 43 1,3 1,2-8,0Bahia4.5354.380 32,4 31,1-4,0116 120 0,8 0,92,9Cear2.6472.623 31,3 30,7-1,848 76 0,6 0,9 56,9Distrito Federal 657704 25,627,05,5139 44 5,4 1,7-68,8Esprito Santo 1.626 1.58946,344,8 -3,21624 0,5 0,748,6 Alta qualidade Gois978 97716,3 16,1-1,429 44 0,5 0,7 49,8 e alimentaMato Grosso871944 28,730,76,94749 1,5 1,6 2,9 o SINESPJC adequadamenteMato Grosso do Sul 451424 18,417,1 -7,11319 0,5 0,844,5Paraba1.4381.634 38,2 43,1 12,9 17 26 0,5 0,7 51,9Pernambuco 3.2433.251 36,9 36,7-0,5122 78 1,4 0,9-36,6Rio de Janeiro 4.418 4.00927,624,9 -9,9146 1160,9 0,7-21,2Rio Grande do Sul (5)1.653 1.71815,516,03,67482 0,7 0,810,4So Paulo4.321 4.19410,510,1 -3,7253 3160,6 0,823,9Sergipe629 67130,4 32,1 5,620 24 1,0 1,1 18,7 Grupo 2 Baixa qualidadeMaranho 1.0061.131 15,3 17,0 11,2 27 95 0,4 1,4248,1 e alimentaRondnia 548 39935,1 25,3 -27,826 12 1,7 0,8 -54,3 o SINESPJC adequadamenteTocantins255 25618,4 18,3-0,95 16 0,4 1,1 216,0 Grupo 3Acre (6) 183138 24,918,5-25,91411 1,9 1,5-22,8 Alta qualidade e Minas Gerais 2.878 3.63014,718,425,3 1690 0,1 0,5 458,8 no alimentaPar 3.3702.880 44,5 37,5 -15,7223 138 2,9 1,8 -39,0 o SINESPJC adequadamenteParan (7) 3.276 3.08531,429,3 -6,4101 88 1,0 0,8-13,4Rio Grande do Norte808... 25,5... ...13...0,4... ... Grupo 4Amap 26 63,90,9-77,41 -0,1 - - Baixa qualidade e no alimenta Piau240...7,7... ... 1...0,0... ... o SINESPJC Roraima 80...17,8...... 3...0,7... ... adequadamenteSanta Catarina 5047388,111,744,8 4139 0,7 0,6 -5,9 Continua Fonte: Sistema Nacional de Estatsticas em Segurana Pblica e Justia Criminal (SINESPJC) / Secretaria Nacional de Segurana Pblica (Senasp)/ Ministrio da Justia; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica - IBGE; Frum Brasileiro de Segurana Pblica. (1) Os dados informados correspondem ao volume de ocorrncias policiais registradas. (2) Grupos segundo qualidade estimada dos dados registrados (vide apndice metodolgico). (3) Por 100 mil habitantes. (4) Retificao das informaes publicadas no Anurio Brasileiro de Segurana Pblica, ano 5, 2011. (5) Os dados de homicdio doloso para 2010 e 2011 no RS incluem tambm homicdios culposos, que no os de trnsito. (6) Os dados de homicdio doloso para 2010 e 2011 no AC incluem tambm leso corporal seguida de morte. (7) Os dados de homicdio doloso, latrocnio e leso corporal seguida de morte para 2010 e 2011 no PR foram informados a partir do nmero de vtimas, e no de ocorrncias.10 11. Grupos de Leso corporal seguida de morteEstados segundoqualidade dos Ns. absolutos Taxas (3)dados (2) Unidades da Federao 2010 (4)201120102011Variao (%) Nacional ... ......... ...Grupo 1 Alagoas 20 210,60,74,2 Amazonas20 200,60,6-1,5 Bahia1781841,31,32,8 Cear 60 690,70,8 14,0 Distrito Federal58 132,30,5 -77,9 Esprito Santo21 50,60,1-76,4Alta qualidade Gois 12 50,20,1-58,9e alimenta Mato Grosso 31 221,00,7 -30,0o SINESPJCadequadamenteMato Grosso do Sul 7 7 0,30,3-1,2 Paraba5 70,10,239,1 Pernambuco28 490,30,6 73,6 Rio de Janeiro4239 0,30,2-7,9 Rio Grande do Sul (5) 8778 0,80,7 -10,7 So Paulo... ......... ... Sergipe8 130,40,6 60,8Grupo 2Baixa qualidadeMaranho352140,53,2504,9e alimenta Rondnia 8 40,50,3-50,4o SINESPJCadequadamenteTocantins3 50,20,464,6Grupo 3 Acre (6) ... ......... ...Alta qualidade e Minas Gerais ...60 ...0,3...no alimenta Par11 180,10,2 61,3o SINESPJCadequadamenteParan (7) 2181552,11,5 -29,4 Rio Grande do Norte132...4,2......Grupo 4 Amap3 -0,4 - -Baixa qualidadee no alimenta Piau1 ...0,0 ......o SINESPJC Roraima- ......... ...adequadamente Santa Catarina98 981,61,6-1,1Concluso(-) Fenmeno Inexistente.(...) Informao no disponvel.Nota: Estimativas populacionais elaboradas no mbito do Projeto UNFPA/IBGE (BRA/4/P31A) -Populao e Desenvolvimento. Coordenao de Populao e Indicadores Sociais. 11 12. MAPA 01 Grupos segundo a qualidade estimada dos dados registrados (1) Unidades da Federao - 2011 RR AP AM PA CE MA RNPB PIPE AC TOAL SERO MT BAGODF MGLegenda ESMS SP RJGrupo 1 (15)Grupo 2 (3)PRGrupo 3 (5)SCGrupo 4 (4) RS Fonte: Sistema Nacional de Estatsticas em Segurana Pblica e Justia Criminal (SINESPJC) / Secretaria Nacional de Segurana Pblica (Senasp) /Ministrio da Justia; Frum Brasileiro de Segurana Pblica. (1) Vide apndice metodolgico Nota:rupo 1 - alta qualidade e alimenta o SINESPJC adequadamente. G Grupo 2 - baixa qualidade e alimenta o SINESPJC adequadamente. Grupo 3 - alta qualidade e no alimenta o SINESPJC adequadamente. Grupo 4 - baixa qualidade e no alimenta o SINESPJC adequadamente.12 13. TABELA 02 Crimes violentos letais intencionais (1), por tipoUnidades da Federao 2010-2011Grupos deCVLI - Crimes violentos letais intencionais (3)Estados segundoqualidade dos Ns. absolutosTaxas (4)dados (2)Unidades da Federao 2010 (5) 2011 2010 2011Variao (%) Nacional............... Grupo 1 Alagoas 2.1832.399 70,076,39,1 Amazonas9821.125 28,231,812,8 Bahia 4.8294.684 34,533,2-3,6 Cear 2.7552.768 32,632,4-0,4 Distrito Federal854 76133,229,2 -12,3 Esprito Santo1.6631.618 47,345,6-3,6 Alta qualidadeGoi...</p>