anne-marie chartie jean hÉbra.riy

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  • Anne-Marie CHARTIEJean HBRA.RIY

    Resumo

    cada grande etapa da histria do ensino da leitura, ordenaram-se os diferentes mtodos emsistemas de oposio binria. De fato, no se pode compreender suas escolhas (e suasrejeies) seno restituindo suas evolues histricas, pois cada mtodo herda dos sistemas deoposio anteriores que ele contribui a fazer esquecer. No contexto deste artigo, nosrestringiremos a apresentar os princpios dos mtodos que so at hoje os mais habitualmentelembrados quando se fala de aprendizagem da leitura (em reunies de pais de alunos, emdebates na mdia); isto , o mtodo silbico e o mtodo global, mas tambm o mtodo silbicocom incio global chamado mtodo misto e o mtodo natural, mtodo global elaborado porClestin Freinet. Todos estes mtodos foram criados entre 1880 e 1930; e muitos outros,elaborados depois, levaram outra parte as discusses entre especialistas; mas a "guerra dosmtodos", da dcada de 1960, sem dvida, assegurou por longo tempo a popularidade das suasdesignaes. No entanto, necessrio dar algumas precises histricas e tcnicas sobre asescolhas de aprendizagem que exigem estas etiquetas.Palavras-cbaves: histria do ensino; ensino da leitura; mtodos de leitura.

    chacune des grandes tapes de I'histoire de I' enseignement de Ia lecture, on a ordonn lesdiffrentes mthodes dans des systemes d' opposition binaire. En fait, on ne peut comprendreleurs choix (et leurs refus) qu'en restituant leurs volutions historiques car chacune hrite dessystmes d' opposition antrieurs qu' elle a contribu faire oublier. Dans le cadre de cet article,nous nous bomerons prsenter les principes des mthodes Qui continuent aujourd'hui d'treles plus habituellement invoques quand on parle d' apprentissage de Ia lecture (runions deparents d' leves, dbats dans les mdias), c' est--dire Ia mthode syllabique et Ia mthodeglobale, mais aussi Ia mthode syllabique dpart global appele mthode mixte et Ia mthodenaturelle, mthode globale labore par Clestin Freinet. Toutes ces mthodes ont t conuesentre 1880 et 1930 et bien d'autres, lahores depuis, ont deplac ailleurs les discussions entrespcialistes, mais Ia "guerre des mthodes" de Ia dcenniel960 a sans doute assur pourlongtemps Ia popularit de leurs dsignations. Pourtant, iI n' est sans doute pas superflu dedonner quelques prcisions historiques et techniques sur les choix d' apprentissage auxquelsrenvoient ces tiquetages.Mots-cl: Histoire de I'enseignement; Mthodes de Ia lecture.

    1 Artigo publicado na revistaLe Franais A.yourd'hui, 90. Paris, p.lllO-I09, 1990. Autorizada a publicao.Traduo de Maria Helena Camara Bastos. Reviso de Maria de Lourdes Cauduro e Ellen Garber2 Pesquisadora e Maitre de Conference no Departement d'histoire de ('ducation. SHE-INRPlFrana.chartier@inrp.fr3 Inspetor da Educao Nacional e Maitre de Confrence l'cole des Hautes tudes en Sciences Sociales.ParisIFrana. jhbrard@ehess.fr

    mailto:chartier@inrp.fr

  • Freqentemente, quando se aborda a questo da leitura e de suaaprendizagem, um ou outro "mtodo" posto em acusao. Os meios decomunicao fizeram da denncia dos famosos "mtodos globais" um dostemas preferidos do grande pblico. Os editores utilizaram,alternativamente, utilizam um ou outro recurso metodolgico quando lhespareciam uma garantia de melhor difuso de seu produto. Os professoresanunciam-se voluntrios de uma doutrina mas modificam " sua maneira"os instrumentos que utilizam. Os pesquisadores distinguem concisamenteentre as maneiras de aprender a ler quando dedicam-se s avaliaescomparativas. Apesar destas aparentes evidncias ( a oposio mtodossilbicos/mtodos globais, por exemplo), a questo dos mtodos de leiturapermanece um tanto confusa, e contribui para fazer do debate sobre aaprendizagem um conflito de opinio mais que um exame racional dasrealidades e das questes.

    Entretanto, uma primeira preciso se impe. A palavra mtododesigna, freqentemente, tanto um pequeno livro fabricado por um editor edestinado s crianas, como um conjunto de princpios pedaggicos,psicolgicos ou lingsticos, que definem objetivos e meios adequados paraatingi-Ios. Algumas vezes, um livro realmente se refere a um mtodo; omais freqente, no pertence a nenhuma doutrina homognea, e suarealizao depende de estratgias editoriais complexas. Caracteriz-Io,nesse caso, necessitaria de preferncia mais o exame atento dasconcorrncias que se impem no mercado do que uma anlise dosexerccios propostos.

    Uma outra precauo tambm importante. Se no podemosconfundir produto editorial e corpo de doutrina, no podemos tambmconfundir posies tericas e prticas dos professores em sua classe. Ora,temos poucos estudos comparativos rigorosos sobre isso. A seofrancofnica da International Reading Association organizou uma grandepesquisa sobre os pases francofnicos, e os resultados esto disponveispara a Sua francesa e Qubec. Eles confirmam a forte homogeneidade dasprticas e sua diferena em relao s metodologias as quais se referemexplicitamente os professores ou os gestores das diferentes instituiesgovernamentais. Por isso, a necessidade, esperando que os resultadosestejam disponveis para a Frana, de iluminar as fontes as quais seoriginam estes discursos, sem cessar de os renovar pela formao deprofessores e pela edio escolar. Aqui, nos centraremos nos mtodos nosentido estrito do termo. Sero considerados como documentos prioritriosos pareceres pedaggicos, as justificaes tericas, destinados informaodos professores. Os prefcios dos livros escolares constituiro um segundogrupo de documentos, que devero constantemente se referir aos primeiros.

  • Tentou-se, seguidamente, estabelecer tipologias de mtodos, opondoinovao e tradio, ou ainda, tomando como critrios os princpiosexplicita ou implicitamente subjacentes a cada um dos mtodos utilizadosnas classes. Nesse ltimo caso, so diferentes disciplinas (psicologia,lingistica, pedagogia) que, segundo os momentos da histria, seroconvocadas. Assim, desde 1920, tomou-se o hbito de colocar em oposiomtodos globais e mtodos silbicos, suprimindo assim uma distino maisantiga que contrastava mtodos de soletrao e mtodos no-soletrativos (por volta de 1830) ou ainda mtodos de leitura-escrita e mtodos comnfase apenas na leitura (por volta de 1880). Os manuais especializadosdestinados formao dos professores tentaram impor, por volta de 1950,uma oposio que se pensava ento ainda mais coerente entre mtodosanalticos (os mtodos globais), mtodos sintticos (os mtodos silbicos) emtodos mistos (incio global, anlise das palavras memorizadas em slabase letras, sntese das letras em slabas e das slabas em palavras). Muito maisprximo de ns ainda, oposies mais tcnicas se impuseram: distino,nos anos 70, entre mtodos fundados em uma anlise fonolgica estrita dalngua oral e mtodos que se prendiam aos "sons" da linguagem; ou ainda, ocontraste reivindicado entre mtodos que se propem a ensinar a "ler"(entendido "compreender") e aqueles que s se importam com o ensinar "decifrar".

    Desse modo, cada grande etapa da histria do ensino da leitura,ordenaram-se os diferentes mtodos em sistemas de oposio binria. Defato, no se pode compreender suas escolhas (e suas rejeies) senorestituindo suas evolues histricas, pois cada mtodo herda dos sistemasde oposio anteriores que ele contribui a fazer esquecer. No contexto desteartigo, nos restringiremos a apresentar os princpios dos mtodos que soat hoje os mais habitualmente lembrados quando se fala de aprendizagemda leitura (em reunies de pais de alunos, em debates na mdia); isto , omtodo silbico e o mtodo global, mas tambm o mtodo silbico comincio global chamado mtodo misto e o mtodo natural, mtodo globalelaborado por Clestin Freinet. Todos estes mtodos foram criados entre1880 e 1930; e muitos outros, elaborados depois, levaram outra parte asdiscusses entre especialistas; mas a "guerra dos mtodos", da dcada de1960, sem dvida, assegurou por longo tempo a popularidade das suasdesignaes. No entanto, necessrio dar algumas precises histricas etcnicas sobre as escolhas de aprendizagem que exigem estas etiquetas.

  • A reflexo metodolgica dos anos de lules Ferry combina osavanos anteriores (aprendizagem simultnea da leitura e da escrita, ensinocoletivo sobre material padronizado, estabelecer as progresses, etc.) e criaum sistema de aprendizagem que vai durar quase um sculo. Aos objetivoslimitados de uma alfabetizao restrita (decodificao de um corpuslimitado por textos por sua vez transmitidos oralmente), foram substitudospor objetivos muito mais ambiciosos pelos republicanos: uma escolarizaogeral dos camponeses, com a qual pretendem erradicar os valorestradicionalistas da cultura oral e inculcar, ao mesmo tempo, umnacionalismo unificador - novos valores do progresso, das cincias e daRepblica. Para isso, dispem de livros, produzidos em quantidade por umaeditora que controlada indiretamente seno de maneira oficial. Mas, osrepublicanos necessitam de que as crianas tornem-se leitores eficazes,capazes de compreender o que lem e de transmitir aos seus pais a novacultura propagada pela escola. preciso, ento, estabelecer umametodologia baseada nos avanos alcanados nos perodos anteriores. Overbete "Leitura", do Dictionnaire de pdagogie et d 'instruction primaire,publicado sob a direo de Ferdinand Buisson (Hachette, 1882), representa,nesse domnio, a doutrina oficial. 1. Guillaume, que se responsabilizou pelasua redao, repertoria os mtodos publicados desde o sculo XVII, paramostrar como se faz atualmente a sntese de todos os progressoscapitalizados pela histria, reunindo no s os. procedimentos sintticostradicionais e os procedimentos analticos dos audaciosos inovadores, comotambm o ensino da leitura e da escrita, graas ao "mtodo das palavrasnormais". Maurice Block, jovem professor da escola normal d' Auteuil, queescreveu um livro, com o pseudnimo de Schler - Mthode analytique-synthtique d'criture-lecture combine avec les leons de choses et delangue (Hachette) -, que pode satisfazer todo mundo. o modelo queGuillaume esco

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