Anlise histrica do processo de regionalizao no Rio ... histrica do processo de regionalizao no Rio ... novas formas de ... Gesto em Sade (GTPMA)11, conduz um processo de trabalho que agrega

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<ul><li><p>Anlise histrica do processo de regionalizao no Rio Grande do Sul e a construo </p><p>do planejamento regional </p><p>Historical analysis of the process of regionalization in Rio Grande do Sul and the </p><p>construction of regional planning </p><p>Autores: Cristian Fabiano Guimares1, Rosane Azevedo Neves da Silva</p><p>2, Maria Isabel </p><p>Barros Bellini3, Ligia Maria Correa Geyer</p><p>4, Liane Belardinelli Prytoluk</p><p>5, Gabriel </p><p>Calazans Baptista6, Gladis Tyllmann</p><p>7, Ana Maria Mejolaro Dalla Valle</p><p>8, Cristiane Fischer </p><p>Achutti9, Renata Varela</p><p>10 </p><p>Resumo: Este artigo discute como o processo de regionalizao foi sendo construdo no </p><p>Rio Grande do Sul, realizando uma crtica histrica da construo desse princpio do SUS </p><p>no territrio gacho. Ao resgatar a experincia de construo das regies de sade no </p><p>Estado, evidencia as mudanas organizacionais ocorridas no processo, desde a </p><p>implantao das regies administrativas da Secretaria Estadual de Sade (SES) nos anos </p><p>cinquenta at a atualidade. Desse modo, exploramos como a lgica burocrtico-</p><p>administrativa induziu o processo de desenho da regionalizao no Rio Grande do Sul e </p><p>como o modo de compreender esse processo foi se modificando ao longo dos anos, </p><p>destacando a emergncia de novos sentidos para o planejamento regional no territrio </p><p>gacho. </p><p>Palavras-chave: regionalizao; planejamento regional; governana regional; gesto em </p><p>sade. </p><p>Abstract: This article discusses how the process of regionalization was being built in Rio </p><p>Grande do Sul, seeking conduct a review of the historical building that SUS principle, </p><p>from the analysis of the construction of the health regions in the state. Presents the </p><p>experience of building the territory of the health regions, shows the organizational </p><p>changes that occurred in the process, since the implementation of the administrative </p><p>regions of the state Secretaria Estadual de Sade to the present. Thus, we explore how the </p><p>bureaucratic-administrative logic led the design process of regionalization in Rio Grande </p><p>do Sul from the sixties and as the way of understanding this process has been changing </p><p> 1 Secretaria da Sade do Rio Grande do Sul/IPA Metodista </p><p>2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul </p><p>3 Secretaria da Sade do Rio Grande do Sul/PUCRS </p><p>4 Secretaria da Sade do Rio Grande do Sul </p><p>5 Secretaria da Sade do Rio Grande do Sul </p><p>6 Secretaria da Sade do Rio Grande do Sul </p><p>7 Secretaria da Sade do Rio Grande do Sul </p><p>8 Secretaria da Sade do Rio Grande do Sul </p><p>9 Secretaria da Sade do Rio Grande do Sul </p><p>10 Secretaria da Sade do Rio Grande do Sul </p></li><li><p>over time, with emphasis on the production of new directions for regional planning in the </p><p>state territory. </p><p>Key-words: regionalization; regional planning; regional governance; health </p><p>management. </p></li><li><p>1. Introduo </p><p>A Regionalizao uma das diretrizes que fundamentam o SUS e ainda que nos </p><p>primeiros anos de implantao do sistema de sade os gestores tenham se preocupado </p><p>prioritariamente com a municipalizao e com o financiamento, pois lutavam com a </p><p>histrica centralizao dos recursos em Braslia e no Ministrio de Sade, a </p><p>regionalizao cada vez mais tem assumido um papel fundamental na consolidao do </p><p>maior sistema pblico de sade do mundo. Durante os anos noventa o Sistema nico de </p><p>Sade (SUS) foi ampliado no territrio nacional, se fazendo presente progressivamente </p><p>em todos os municpios, que passaram a contar com gesto e servios de sade de base </p><p>municipal, bem como com a participao social de diferentes atores por meio dos </p><p>Conselhos Municipais de Sade, impondo, dessa forma, novos desafios aos gestores das </p><p>trs esferas do governo. </p><p>A partir dos anos 2000 a reorientao do modelo de ateno sade exigiu que </p><p>gestores municipais e estaduais se debruassem sobre a regionalizao, buscando </p><p>aprimorar as ferramentas de gesto, especialmente aquelas relacionadas gesto </p><p>colegiada/compartilhada, a fim de alcanar novas formas de administrar e arcar com as </p><p>demandas que surgiram frente s mudanas impostas pelo novo paradigma. </p><p>Criavam-se ento novas alternativas de organizao do sistema de sade para a </p><p>populao e novas estratgias para atender as suas necessidades, sendo fundamental a </p><p>composio de prticas de gesto cooperativas. Assim, a forma como o processo de </p><p>regionalizao vem sendo desenvolvido no estado do Rio Grande do Sul o objeto de </p><p>discusso desse artigo que faz uma crtica histrica da construo desse princpio do SUS </p><p>no Estado e apresenta uma anlise do processo de construo das Regies de Sade e sua </p><p>(des)articulao ao conceito de regio administrativa. Dessa forma queremos dar </p><p>destaque as mudanas organizacionais ocorridas no processo, desde a implantao das </p><p>regies administrativas da Secretaria Estadual de Sade (SES) at a atualidade, </p><p>evidenciando a singularidade dessa construo no territrio gacho. A reflexo para a </p><p>qual convidamos o leitor propem problematizar o modo como a lgica burocrtico-</p><p>administrativa induziu o processo de desenho da regionalizao no Rio Grande do Sul a </p></li><li><p>partir dos anos sessenta, e como modo de compreender esse processo foi se modificando </p><p>ao longo do tempo. </p><p>Este artigo foi construdo a partir da experincia cotidiana da equipe da SES-RS </p><p>comprometida com a induo de processos de gesto compartilhada que tenham como </p><p>ponto de partida o territrio das regies de sade no cenrio gacho. Assim, esse texto </p><p>apresenta um relato da experincia que foi sendo construda nos ltimos anos no universo </p><p>da gesto estadual do SUS, a partir da construo de uma anlise crtico-reflexiva da </p><p>realidade, articulada com a teoria existente sobre o assunto. </p><p>2. Justificativa </p><p>A regionalizao impe que os gestores dialoguem na construo de condies de </p><p>acesso a servios de sade, tendo em vista garantir a integralidade, universalidade e </p><p>equidade, ou seja, fazer com que os princpios que fundam o SUS sejam efetivados na </p><p>prtica cotidiana. Dessa forma, com vistas a garantir a produo de redes de ateno </p><p>sade e a melhoria da qualidade do acesso s aes e servios, percebe-se que o dilogo, </p><p>a construo e a pactuao de compromissos e responsabilidades compartilhadas entre os </p><p>gestores so alguns dos dispositivos essenciais no territrio da regio de sade. Para Paim </p><p>(2009), a regionalizao : </p><p>(...) a articulao entre os gestores estaduais e </p><p>municipais na implementao de polticas, aes e </p><p>servios de sade qualificados e descentralizados, </p><p>garantindo acesso, integralidade e resolutividade na </p><p>ateno sade da populao. Significa organizar os </p><p>servios de sade em cada regio para que a </p><p>populao tenha acesso a todos os tipos de </p><p>atendimento (PAIM, 2009. p.49). </p></li><li><p>A discusso sobre a regionalizao no pode estar dissociada da construo das </p><p>redes de ateno sade. Essa questo importante, pois: </p><p>As redes de sade do nfase ao entorno funcional. </p><p>O conceito de redes de sade ou, de forma mais </p><p>abrangente, de redes de produo de sade, procura </p><p>dar conta desta coproduo tensa entre a rede </p><p>assistencial (com suas normas prprias necessrias) </p><p>e o territrio. Contudo, o territrio no apenas </p><p>espao de demanda ou depositrio de necessidades e </p><p>recursos para a rede assistencial. O territrio tambm </p><p>se produz na medida em que a localizao de pontos </p><p>da rede assistencial alteram o espao vivido (RIGHI, </p><p>2010. p.65). </p><p>O maior desafio que se coloca diz respeito superao da viso fragmentada, </p><p>sendo que o modo de efetivar essa mudana reunindo esforos no sentido de construir </p><p>compromissos coletivos entre os gestores sobre a realidade sanitria da regio de sade. </p><p>Para isso, se faz necessrio ultrapassar a viso dos gestores municipais que, de maneira </p><p>geral, est focalizada no territrio do municpio, apenas. Com isso, busca-se ampliar a </p><p>viso para que os municpios se entendam enquanto conjunto, promovendo a cooperao </p><p>e a soluo dos problemas que no so dificuldades individuais, mas coletivas. </p><p>A concepo do SUS sempre foi em formato de rede, e aparentemente simples </p><p>essa concepo ainda que inicial e visceral no garantiu que assim se efetivasse. Rede </p><p>mais do que a soma das partes, mais do um leque de servios, estabelecimentos, aes e </p><p>de programas. Ampliando essa perspectiva, Santos e Andrade (2008) aportam a seguinte </p><p>compreenso: </p><p>Rede de servios de sade ou de ateno sade a </p><p>forma de organizao das aes e servios de </p><p>promoo, preveno e recuperao da sade, em </p></li><li><p>todos os nveis de complexidade, de um determinado </p><p>territrio, de modo a permitir a articulao e a </p><p>interconexo de todos os conhecimentos, saberes, </p><p>tecnologias, profissionais e organizaes ali </p><p>existentes, para que o cidado possa acess-los, de </p><p>acordo com suas necessidades de sade, de forma </p><p>racional, harmnica, sistmica, regulada e conforme </p><p>uma lgica tcnico-sanitria (SANTOS &amp; </p><p>ANDRADE, 2008. p.37) </p><p>A regionalizao da sade, ou a organizao em rede uma construo constante </p><p>e vem sendo pauta durante os 23 anos de consolidao do sistema brasileiro de sade. A </p><p>importncia da regionalizao, ou da organizao em rede pontuada na seguinte </p><p>afirmao Sem uma rede uma rede de servios, no ser possvel garantir a integralidade </p><p>da ateno sade. Somente uma rede dar conta desse encargo(SANTOS &amp; </p><p>ANDRADE, 2008. p.23). </p><p>Embasados nesta premissa e nos princpios do SUS, o Grupo de Trabalho de </p><p>Planejamento, Monitoramento e Avaliao da Gesto em Sade (GTPMA)11</p><p>, conduz um </p><p>processo de trabalho que agrega todos os departamentos da SES e representantes das </p><p>regionais de sade e no coletivo constri e executa metodologias que participam na </p><p>induo do planejamento regional com a conseqente organizao das regies de sade. </p><p>Esse processo, foi provocado a partir da problematizao da atual configurao </p><p>do processo de regionalizao da sade no Estado (GUIMARAES &amp; BELLINI, 2013, </p><p>p.40), ou seja, a partir de discusses e provocaes norteadas pela legislao do SUS e </p><p>que tiveram como estofo a realidade da rede de ateno sade no Estado. Discutir o </p><p>sistema de sade de maneira regionalizada uma maneira de provocar a construo do </p><p>planejamento regional e de reforar a necessidade de participao de diferentes atores na </p><p>11 Grupo de Trabalho de Planejamento, Monitoramento e Avaliao da Gesto da SES/RS (GTPMA), </p><p>formado por membros de diferentes departamentos/setores da SES e com a participao de algumas </p><p>Coordenadorias Regionais de Sade (CRS) ficando esse GTPMA sob a coordenao da Assessoria Tcnica </p><p>e de Planejamento (ASSTEPLAN) /SES </p></li><li><p>construo de um modelo de governana que valorize a dimenso do coletivo na </p><p>construo do SUS. Desse modo, importante discutir a experincia produzida no Rio </p><p>Grande do Sul com relao ao processo de regionalizao, tendo em vista fortalecer esse </p><p>princpio estratgico do sistema de sade brasileiro, permitindo avanar o conhecimento </p><p>sobre essa caracterstica importante da gesto estadual. </p><p>3. Regionalizao da sade: uma diretriz em movimento </p><p>A importncia da regionalizao como uma das diretrizes do SUS se d e se </p><p>confirma quando ela condiciona o conhecimento da realidade de uma populao </p><p>delimitada em uma rea delimitada. Esse conhecimento da realidade deve aportar: todos </p><p>os problemas, facilidades, caractersticas, formas de acesso, cultura, fluxos de transporte, </p><p>etc, dessa populao. Amparados nesse conhecimento e a partir dele as equipes de sade </p><p>no processo de regionalizao apropriar-se-o da organizao da regio, das aes de </p><p>vigilncia epidemiolgica, sanitria, aes ambulatoriais e hospitalares que devero </p><p>contemplar todos s nveis de complexidade. Essas aes e sua vinculao com os </p><p>estabelecimentos de sade, sejam eles, hospitais, unidades, laboratrios, etc, sero </p><p>distribudos de forma a contemplar as necessidades das regies. </p><p>A regionalizao enquanto concepo uma conquista, mas enquanto efetivao </p><p>ainda um desafio no cotidiano dos gestores e trabalhadores de sade os quais so os </p><p>protagonistas desse processo, pois se acredita que qualquer proposta de regionalizao </p><p>da sade no Brasil dever contribuir para o fortalecimento da identidade local e de um </p><p>determinado territrio no qual o poder poltico-institucional exercido por um amplo </p><p>conjunto de atores sociais envolvidos (GUIMARES, 2005. p.1024). </p></li><li><p>3.1. Processo de construo das Regies de Sade no Rio Grande do Sul: </p><p>Contextualizao do Cenrio Institucional </p><p>O GT PM&amp;A com a participao de algumas Coordenadorias Regionais de Sade </p><p>(CRS) e sob a coordenao da ASSTEPLAN ao findar o ano de 2010 iniciou um longo </p><p>processo de discusses e problematizaes com vistas a atualizar o Plano Diretor de </p><p>Regionalizao PDR no Estado. Esse processo, por sua complexidade, se estendeu por </p><p>dose anos e foi desenvolvido nos GTs de Planejamento, Monitoramento e Avaliao </p><p>regionais que esto espalhados por todo o territrio gacho. </p><p>A realizao deste trabalho, por sua densidade, exigiu vrios encontros, todos </p><p>registrados em atas ou relatrios para futuras pesquisas e consultas e sempre garantiu a </p><p>participao de todos os GTs regionais, dessa forma buscou romper com as formas </p><p>tradicionais que pautaram a organizao da Poltica de Sade brasileira e principalmente </p><p>de planejar em sade. </p><p>No Brasil, o estilo poltico tradicional de resolver </p><p>as situaes caso a caso e, de preferncia, no </p><p>interior dos gabinetes, e no de forma clara, global, </p><p>transparente e pblica. Assim, a efetiva </p><p>universalizao da sade e, nela, a eqidade de </p><p>resultados so alguns dos grandes desafios que </p><p>supe muita luta democrtica da sociedade </p><p>(SPOSATI &amp; LOBO, 1992. p.370). </p><p>Nesta perspectiva a forma de trabalho instaurada pelo GT PM&amp;A se amparou nas </p><p>prerrogativas postas no texto constitucional, nas leis que embasam e regulamentam o </p><p>Sistema nico de Sade (SUS) so elas: Lei 8.080 de 19/09/90 e Lei 8.142 de 28/12/90, </p><p>e no documento Descentralizao das Aes e Servios de Sade: a Ousadia de Cumprir </p><p>e Fazer Cumprir a Lei aprovado pelo Conselho Nacional de Sade, em 15 de abril de </p><p>1993 quanto ao processo de descentralizao da gesto das aes e servios de sade, e </p><p>tambm conforme referido na Portaria 545 no que se refere a regionalizao: </p></li><li><p>(...) entendida como uma articulao e mobilizao </p><p>municipal que leve em considerao caractersticas </p><p>geogrficas, fluxo de demanda, perfil </p><p>epidemiolgico, oferta de servios e, acima de tudo, </p><p>a vontade poltica expressa pelos diversos </p><p>municpios de se consorciar ou estabelecer qualquer </p><p>outra relao de carter cooperativo (MINISTRIO </p><p>DA SADE, 1993. p.3) </p><p>Os documentos que ampararam os estudos do GT PM&amp;A incluram a Norma </p><p>Operacional da Assistncia Sade de 2002 a qual tinha como objetivo avanar o </p><p>processo de descentralizao e organizao do SUS, ampliar as responsabilidades do </p><p>municpio na ateno bsica e estabelecer o processo de regionalizao como estratgia </p><p>de hierarquizao dos servios de sade, e assumia a responsabilidade pela integrao </p><p>do Plano Diretor de Regionalizao (PDR) gesto do SUS. O PDR por sua vez tinha </p><p>como objetivo apresentar o mapa da regionalizao da assistncia sade num </p><p>determinado territrio, bem como identificar as necessidades de investimentos, desta </p><p>forma ambos se configuram como instrumentos para construir a regionalizao da sade. </p><p> possvel identificar que nesta NOAS a concepo de regionalizao est </p><p>localizada na organizao territorial, na estruturao de um sistema funcional de sade a </p><p>partir do ordenamento das aes e s...</p></li></ul>

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