angie sage - minha casa mal-assombrada

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como foi contado a ANGIE SAGE Ilustraes JIMMY PICKERING Traduo RITA SUSSEKIND

SUMRIO

~ 1 ~ O CAPACETE DO CAVALEIRO HORCIO ~ 2 ~ ESTA CASA EST A VENDA ~ 3 ~ HOTIS ENORMES ~ 4 ~ CAVALEIRO HORCIO ~5 ~ A PASSAGEM SECRETA ~6 ~ EDMUNDO ~7 ~ A VARANDA ~8 ~ CAVALEIRO HORCIO ~9 ~ KIT-EMBOSCADA ~10 ~ A TERRVEL EMBOSCADA DE ARAMINTA ~11 ~ VO EMBORA! ~12 ~ O PLANO B ~13 ~ VANDA E ARAMINTA

Tudo comeou quando eu estava no meu quarto de quinta-feira realizando meu ensaio de fantasma. Eu sempre fiz ensaios de fantasma regularmente, j que tinha a certeza de que seria mais fcil encontrar um fantasma se ele pensasse que eu tambm era um. Sempre quis encontrar um fantasma, mas sabe que, apesar de a nossa casa se chamar Casa Fantasmim, eu nunca, nunca vi um nico fantasma, nem um pequenininho. Imaginei que a tia Tat os

tivesse espantado ela teria me espantado se eu fosse um fantasma. Ento, eu estava ocupada ensaiando com o meu lenol de fantasma sobre a cabea, por isso tropecei no p esquerdo do Cavaleiro Horcio. Coisa estpida. E, em seguida, seu p esquerdo caiu, e o Cavaleiro Horcio desmoronou em centenas de pedaos. Estpido Cavaleiro Horcio. Todas as partes do estpido Cavaleiro Horcio rolaram pelo cho, e eu pisei em sua cabea e meu p ficou preso nela. No se preocupe, no era uma cabea de verdade. O Cavaleiro Horcio era apenas uma velha armadura malfeita que estava sempre pelo caminho, se escondendo em diversos cantos escuros.

Eu gritava com ela para que sasse e pulava sacudindo o p como uma louca, mas a cabea estpida do Cavaleiro Horcio estava presa. Em seguida, no momento perfeito, tia Tat gritou: Caf da manh! naquele tom de se-voc-no-descer-agoramesmo-eu-vou-dar-seu-caf-pa-ra-o-gato no que a gente tenha um gato, mas o que ela faria se tivssemos, eu sei que faria. Ento dei a sacudida mais forte do mundo com o p alis, estou surpresa por a perna toda no ter se soltado , e o capacete do Cavaleiro Horcio voou para longe, saiu pela porta do quarto e caiu pelas escadas do sto. Fez um barulho fantstico. Poderia ter ouvido l do poro. O som se propaga muito bem nesta casa, por isso eu tambm pude ouvir o grito da tia Tat muito bem. Achei escorreguei melhor pelo ir andando, e ento no corrimo desci

patamar. Queria ver se o tio Drac j tinha ido dormir ele trabalha noite , pois, se j tivesse, eu iria acord-lo para que ele descesse comigo, caso tia Tat desse um ataque. A porta do seu quarto a vermelha pequena, no fim do corredor de cima, o que leva at a torre. Fui muito cuidadosa ao abrir a porta, j que ela d numa queda quilomtrica. Tio Drac retirou todo o piso da torre para que seus morcegos pudessem voar para onde quisessem. Tio Drac adora seus morcegos; faria qualquer coisa por eles. Eu tambm adoro morcegos, eles so to dceis. Empurrei o Morcego do caminho, e ele caiu l para baixo da torre. Mas no tem importncia, j que o cho da torre tem mais ou menos uns trs metros de coc de morcego, ento bem macio. Sem o Morcego no meio da porta, eu podia ver o saco de dormir do tio Drac com

facilidade. Estava pendurado numa viga como um grande morcego em forma de flor e estava vazio. timo, pensei, ele ainda est l embaixo com a tia Tat. Ento, para poupar tempo, escorreguei pelo corrimo da escadaria principal e tambm pelo corrimo da escada do poro o que eu no deveria fazer, j que ele se solta e cai constantemente e, num segundo, j estava do lado de fora da segunda-cozi- nha-esquerda-logo-depois-da-despensa. Estava suspeitamente problemas! Empurrei a porta com muito cuidado, e fiquei feliz por t-lo feito, j que tia Tat estava sentada na ponta da longa mesa, passando manteiga numa torrada de uma maneira que parecia que a torrada tinha dito alguma coisa muito pessoal e muito grosseira. No parecia um caf da manh divertido, pensei. Os sinais no eram bons. quieto l. Oops, pensei,

Primeiro sinal no-bom: no meio da mesa quando estava o vi o capacete pela do Cavaleiro vez, mas Horcio. Ele tinha bem mais entalhes do que ltima obviamente no era minha culpa, j que ele estava direitinho quando saiu do meu p. Segundo, terceiro, quarto e quinto sinais no-bons: tia Tat estava toda coberta de fuligem menos as duas janelinhas em seus culos, que ela tinha limpado bem para que pudesse atacar a torrada. Tia Tat coberta de fuligem o pior dos sinais. Significa que ela lutou contra o aquecedor de gua, e ele venceu. Sentei na minha cadeira de maneira atenciosa e solidria. Tio Drac parecia muito aliviado em me ver. Veja bem, eu moro com meus tios, pois meus pais foram caar vampiros na Transilvnia quando eu era pequena e nunca mais voltaram.

Tio Drac estava ocupado comendo o restinho de seu ovo cozido e tinha fuligem na boca por causa da torrada cheia de cinzas que tia Tat preparou para ele. Ol, Pimentinha disse ele. Ol, tio Drac respondi. Tentei pensar em algo gentil para dizer tia Tat, mas era difcil pensar em qualquer coisa com o capacete do Cavaleiro Horcio me encarando com seus olhinhos redondos e lustrosos. O capacete no tem olhos de verdade, claro, mas eu sempre achava que estava me olhando, apesar de saber que no passava de uma lata vazia. Tia Tat jogou minha tigela de mingau de aveia na minha direo, ento eu disse: Obrigada, tia Tat. E depois, j que tia Tat gosta de conversas educadas durante o caf, continuei: Andou tendo problemas com o aquecedor de gua novamente, tia Tat?

Sim, querida, mas no por muito tempo disse ela, mal mexendo os lbios. Antigamente, quando tia Tat falava assim, eu achava que ela estava treinando para ser ventrloqua, mas agora sei que porque ela est decidida em relao a alguma coisa e no se importa se voc concorda ou no com ela. Ah, por que, tia Tat? perguntei de forma especialmente gentil enquanto cobria meu mingau de aveia com acar mascavo e misturava bem depressa, deixando tudo com uma bela cor de lama. Tia Tat rangeu os dentes e disse: No faa isso com o acar, querida. Porque vamos nos mudar, por isso. Pouca coisa faz com que eu pare de cavar buracos de lama no meu mingau de aveia voc sabe, aqueles em que voc abre um canal que se enche de acar

mascavo, que eu acho que parece com lama , mas isso fez. Mudar? O que ela estava dizendo? No podamos nos mudar de jeito nenhum, no antes que eu encontrasse pelo menos um fantasma. E eu tambm queria encontrar um vampiro e um lobisomem. Tinha certeza de que deveria haver alguns na adega. No fique de boca aberta quando ela estiver cheia, querida disse tia Tat, o que no me parecia justo, j que o tio Drac estava com a sua boca aberta tambm, e estava cheia de torrada com fuligem, o que era nojento. Em seguida, tia Tat lanou ao tio Drac seu olhar diablico (que quase to bom quanto o meu) e disse: Drac, esta casa grande demais para ns. empoeirada e suja, muito fria e cheia de aranhas. O aquecedor uma ameaa. Ns vamos nos mudar para um

apartamento charmoso, pequeno, limpo e moderno, que no tenha aquecedor. Mas... tentei interromper, mas no adiantou nada. Tia Tat continuou falando.

E quando tivermos nos mudado para um apartamento, capacetes de velhas armaduras enferrujadas no vo mais cair nos meus dedos dos ps, porque no teremos velhas armaduras enferrujadas, O Cavaleiro Horcio pode ir para a reciclagem. Voc pode lev-lo, Drac. O qu? disse tio Drac, com o rosto parecido com o de um de meus peixinhos quando a gua do aqurio ficava muito baixa. Finalmente consegui falar uma palavra, apesar de ainda estar com a boca cheia de mingau de aveia , estava chocada demais para engolir. Mas ns no podemos sair desta casa eu disse a tia Tat. Lugar nenhum vai ser igual a esta casa!

Exatam ente disse tia Tat, como se eu tivesse concordado com ela ou coisa do tipo. Lugar nenhum pode ser como esta casa. Olhei para o tio Drac eu precisava de ajuda. Tio Drac entendeu a indireta. Calma, calma, Tat, querida murmurou ele, com sua voz de acalme-setia-Tat , voc no est falando srio. Eu estou falando srio, Drac disse tia Tat. Em seguida ela tentou me atrair

para o seu lado. E, Araminta, querida, voc sempre diz que se sente s aqui. Pense um pouquinho, voc teria muitos amigos num bom condomnio. Ela tentativa. No me importo eu disse a ela. Prefiro ficar aqui a ter um monte de amigos idiotas. Bem, isso o que veremos disse tia Tat, com seu olhar de ventrloqua maluca. no foi bem-sucedida em sua

Mais tarde naquela manh, eu estava olhando pela janela do meu quarto de quinta-feira e pensando a respeito do que tia Tat dissera. Sempre acho mais fcil pensar enquanto fao outra coisa, ento estava ocupada arrancando pedacinhos de tinta preta dos contornos da janela e arremessando-os nas esttuas monstruosas do parapeito. Foi sorte eu ter olhado l para baixo e percebido o homem parado na frente da

entrada. Ele vestia um terno azul-brilhante e estava encarando a casa enquanto fazia anotaes em seu bloco. Soube o que ele era na hora um corretor de imveis. Dava para perceber que tia Tat estava falando srio. Bem, eu tambm. Ento desci da janela e cantarolei uma cano alegre para mim mesma: La-di-da, la-di-da, hora de limpar o meu aqurio. Encontrei o velho aqurio num canto escuro, onde o guardei depois que o Brian, meu ltimo peixinho, fugiu. No sei para onde ele foi, mas nunca mais voltou. Por motivos sentimentais, conservei o aqurio do jeito que o Brian deixou, ento estava cheio de lodo, algas velhas e uma gua verde e fedorenta. O corretor de imveis estava de p logo abaixo da minha janela. Equilibrei o aqurio no peitoril e o derrubei. Caiu bem em cima dele. Na mosca!

O corretor de imveis ficou coberto de meleca verde na cabea e em seu terno azul-brilhante. parado instantes por Ele ficou alguns como se

estivesse muito surpreso e cuspiu uns pedaos de algas escorregadias. Em seguida olhou para cima, e direcionei um meu olhar diablico a ele. Ele emitiu barulho estranho, explosivo, como um ganido, e saiu correndo pela trilha. Bons ventos o levem. Na hora do almoo na dire