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1

PLANO DIRETOR DE RECURSOS HDRICOS DA BACIA

HIDROGRFICA DO RIO SAPUCA

Anlise Retrospectiva, Avaliao de Conjuntura,

Diagnstico e Prognstico das Demandas

Hdricas e Cenrio Tendencial.

Elaborado para:

Companhia de Saneamento de Minas Gerais - COPASA

Elaborado por:

Vida Prestao de Servios em Engenharia, Meio Ambiente e

Reflorestamento Ltda.

Belo Horizonte

2010

2

CONSIDERAES INICIAIS

Antes de se fazer um julgamento ou de se atribuir responsabilidades sobre o estudo

realizado pela Vida Prestao de Servios em Engenharia, Meio Ambiente e

Reflorestamento Ltda. (Vida Meio Ambiente) devem ser lidas as consideraes a

seguir apresentadas.

Este relatrio foi elaborado para e por solicitao da COPASA com o objetivo de

apresentar o Diagnstico da Demanda Hdrica da Bacia do Rio Sapuca, como etapa

para a elaborao do Plano Diretor de Recursos Hdricos do Rio Sapuca.

Todos os estudos realizados durante a elaborao deste relatrio foram baseados no

conhecimento profissional da empresa contratada sobre os padres, cdigos,

tecnologia e legislaes Brasileiras atuais (janeiro de 2010). Mudanas nestes podem

implicar que opinies, sugestes, recomendaes ou concluses apresentadas no

relatrio tornem-se inapropriadas ou incorretas.

3

NDICE

1. IDENTIFICAO .................................................................................................. 4

1.1 Identificao da contratante ....................................................................... 4

1.2 Empresa contratada .................................................................................... 4

1.3 Responsveis tcnicos pela elaborao do projeto ................................. 5

2. OUTORGA DE DIREITO DE USO DE RECURSOS HDRICOS ........................... 6

2.1 Campanha de Regularizao do Uso da gua .......................................... 7

3. LEVANTAMENTO DAS INFORMAES SOBRE OUTORGA NA BACIA DO

RIO SAPUCA .............................................................................................................. 9

3.1 Outorga de mananciais Superficiais ........................................................ 10

3.1.1 Evoluo Temporal das Outorgas ........................................................ 14

3.1.2 Outorgas de Mananciais Superficiais por Ponto Notvel ................... 15

3.2 Outorga de Mananciais Subterrneos ..................................................... 20

3.2.1 Evoluo das Outorgas ......................................................................... 23

3.3 Comparao entre as evolues temporais das outorgas superficiais e

subterrneas ......................................................................................................... 24

3.4 Certido de Uso insignificante ................................................................. 27

4. DEMANDA HDRICA SUPERFICIAL ................................................................. 30

4.1 Evoluo da demanda hdrica superficial ............................................... 32

4.1.1 Cenrio Tendencial para 10 anos ......................................................... 32

4.2 Concluses ................................................................................................ 41

5. BALANO HDRICO SUPERFICIAL .................................................................. 43

6. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ................................................................... 49

7. ANEXOS ............................................................................................................. 50

7.1 Anexo A Cadastro da Campanha de Regularizao ............................ 50

7.2 Anexo B Mapa dos Usos das guas ..................................................... 51

7.3 Anexo C Resumo das Demandas outorgadas ...................................... 52

4

1. IDENTIFICAO

1.1 Identificao da contratante

Razo Social Companhia de Saneamento de Minas Gerais - COPASA

CNPJ 17.281.106/0001-03

Endereo Rua Mar de Espanha, 453, Belo Horizonte, MG.

Contato Paulo Emlio

Telefone (31) 3250.2217

1.2 Empresa contratada

Razo Social Vida Prestao de Servios em Engenharia, Meio Ambiente e Reflorestamento Ltda.

Nome Fantasia Vida Meio Ambiente

Endereo Rua da Bahia, 362, sala 901. Centro. Belo Horizonte - MG

Contato Mrcio Augusto Mendes Ferreira

Telefone (31) 3274.6642

E.mail marcio@vidameioambiente.com.br

5

11..33 Responsveis tcnicos pela elaborao do projeto

Coordenao

Leandro Henrique de Melo Martins Engenheiro Ambiental CREA MG 107.802/D

Mrcio Augusto Mendes Ferreira Engenheiro Civil CREA MG 79.414/D

Equipe Tcnica

Julimara Alves Devens Engenheira Civil, especialista

em Recursos Hdricos CREA ES -9516/D

Leandro Henrique de Melo Martins Engenheiro Ambiental CREA MG 107.802/D

Mrcio Augusto Mendes Ferreira Engenheiro Civil CREA MG 79.414/D

Equipe de Apoio

Eric Oliveira Perreira Estagirio: Geografia MG 11.366.368

Leonardo Mateus Pfeilsticker de Knegt Estagirio: Geografia M 9031998

Malena Silva Nunes Estagiria: Geografia MG 13.103.027

Renata Melem de Oliveira Estagiria: Geografia MG 1.961.482

6

2. OUTORGA DE DIREITO DE USO DE RECURSOS HDRICOS

A gua pode ser aproveitada para diversas finalidades, como: abastecimento humano,

dessedentao animal, irrigao, indstria, gerao de energia eltrica, preservao

ambiental, paisagismo, lazer, navegao, etc. Porm muitas vezes esse usos podem

ser concorrentes, gerando conflitos entre setores usurios, ou mesmo impactos

ambientais. Neste sentido, gerir recursos hdricos uma necessidade premente e que

tem o objetivo de buscar acomodar as demandas econmicas, sociais e ambientais

por gua em nveis sustentveis, de modo a permitir a convivncia dos usos atuais e

futuros da gua sem conflitos. nesse instante que o instrumento da Outorga se

mostra necessrio, pois ordenando e regularizando o uso da gua possvel

assegurar ao usurio o efetivo exerccio do direito de acesso gua, bem como

realizar o controle quantitativo e qualitativo desse recurso.

A outorga de direito de uso de recursos hdricos um instrumento da Poltica Nacional

de Recursos Hdricos, estabelecido no inciso III, do art. 5 da Lei Federal n 9.433, de

08 de janeiro de 1997. Esse instrumento tem como objetivo assegurar o controle

quantitativo e qualitativo dos usos da gua e o efetivo exerccio dos direitos de acesso

aos recursos hdricos. Em outras palavras, pode-se dizer que a outorga o

instrumento legal que assegura ao usurio o direito de utilizar os recursos hdricos

Compete Agncia Nacional de guas ANA, de acordo com o inciso IV, do art. 4

da Lei Federal n 9.984, de 17 de junho de 2000, outorgar, por intermdio de

autorizao, o direito de uso de recursos hdricos em corpos de gua de domnio da

Unio, bem como emitir outorga preventiva. Tambm competncia da ANA a

emisso da reserva de disponibilidade hdrica para fins de aproveitamentos

hidreltricos e sua conseqente converso em outorga de direito de uso de recursos

hdricos.

Em Minas Gerais, o rgo responsvel pelas outorgas dos rios estaduais o Instituto

Mineiro de Gesto das guas IGAM. Atravs da outorga, o IGAM executa a gesto

quantitativa e qualitativa do uso da gua, emitindo autorizao ou concesso para

captaes e lanamentos, bem como para quaisquer intervenes nos rios, ribeires e

crregos de Minas Gerais.

importante salientar que a outorga no d ao usurio a propriedade de gua ou sua

alienao, mas o simples direito de seu uso. Portanto, a outorga pode ser suspensa,

parcial ou totalmente, em casos extremos de escassez ou de no cumprimento pelo

7

outorgado dos termos de outorga previstos nas regulamentaes, ou por necessidade

premente de se atenderem os usos prioritrios e de interesse coletivo.

2.1 Campanha de Regularizao do Uso da gua

A Campanha de Regularizao do Uso dos Recursos Hdricos em Minas Gerais

GUA: FAA O USO LEGAL teve como objetivo informar e facilitar o acesso aos

meios de regularizao do uso da gua, alm de levantar dados sobre a utilizao dos

recursos hdricos no Estado.

A Campanha foi voltada para todas as pessoas que realizam interveno em recursos

hdricos, sejam guas superficiais ou subterrneas, como gua de poos artesianos,

lagos, rios, crregos e ribeires.

A Campanha instituiu por meio da Portaria IGAM n 30, de 22 de agosto de 2007, o

Registro de Uso da gua, como instrumento para regularizao temporria. No

primeiro momento, os usurios realizaram o registro e, com as informaes coletadas,

o IGAM far o estudo de disponibilidade hdrica no Estado. Posteriormente, o Instituto

convocar os cadastrados para regularizarem o uso da gua, com a concesso de

outorga ou certificado de uso insignificante. Vale ressaltar que quem fizer o registro

ficar isento de penalidades at que seja convocado para regularizao formal.

Na bacia do Rio Sapuca a Polcia de Meio Ambiente, Prefeitura de Itajub, Prefeitura

de Pouso Alegre e a Prefeitura de Brazpolis so parceiros do IGAM no

cadastramento de usurios de gua.

De acordo com a Assessora da Diretoria de Monitoramento e Fiscalizao Ambiental

DMFA do IGAM, responsvel pela compilao dos dados da campanha, e

considerando os cadastros recebidos at Setembro de 2009, foram realizados 20.245

(vinte mil duzentos e quarenta e cinco) cadastros, nos municpio da bacia do Rio

Sapuca (Anexo A Cadastro da Campanha de Regularizao).

Dos cadastros realizados, 49,50% referem-se a consumo humano (Grfico 01). Um

detalhe interessante que pode se observado analisando a Tabela do Anexo A a

presena do uso piscicultura1 em todos os municpios.

1 ramo da aqicultura, que se preocupa com o cultivo de peixes, bem como de outros organismos aquticos

8

Grfico 1 Campanha Uso Legal GD5 Finalidades de Uso

FONTE: IGAM Campanha de Regularizao do Uso dos Recursos Hdricos em Minas Gerais/2009.

A Campanha de Regularizao terminou no dia 31 de julho de 2009. A partir de agora

os usurios de gua no Estado que no esto regulares e que no preencheram o

Registro devem proceder regularizao formal, por meio da solicitao da Outorga

ou do Certificado de Uso Insignificante.

9

3. LEVANTAMENTO DAS INFORMAES SOBRE OUTORGA NA BACIA DO

RIO SAPUCA

Para compreender as informaes apresentadas neste captulo, necessrio entender

o significado dos usos da gua encontrados na bacia. As informaes foram

repassadas por IGAM e ANA.

Abastecimento Pblico: captao de gua utilizada para o abastecimento de

cidades, vilas e distritos. Normalmente solicitadas por empresa de distribuio

de gua, como por exemplo a COPASA.

Consumo humano: captao de gua destinada ao consumo humano em

pequenas quantidades.

Aquicultura: captao de gua para utilizao no cultivo de organismos

aquticos, incluindo peixes, moluscos, crustceos, anfbios e plantas aquticas

para uso do homem.

Consumo agroindustrial: captao de gua destinadas a empresa que utilizam

a gua na plantao e na indstria de beneficiamento. No procedimento de

concesso de outorgas, a ANA desconsidera o termo Agroindstria e concede

duas outorgas: uma para a utilizao de gua na lavoura, por exemplo, e outra

para o processo produtivo industrial.

Consumo industrial: captao de gua destinada a indstria, utilizada no

processo produtivo.

Consumo industrial e humano: captao de gua destinada ao processo

produtivo da indstria e ao consumo dos funcionrios.

Dessedentao de animais: captao de gua utilizada na criao de animais.

Irrigao: captao de gua destinada a irrigao de plantaes.

Paisagismo: captao de gua utilizada para manuteno do paisagismo em

parques e praas

Gerao de energia: captao de gua destinada a produo de energia.

Exemplo: Hidreltricas

Lava jato: captao de gua destinada a lavagem de veculos

Asperso de vias: captao de gua destinada a asperso de vias.

Minerao e Extrao Mineral: captao de gua destinada a minerao. Os

termos extrao mineral e minerao, teoricamente, possuem o mesmo

10

significado. Contudo, para a ANA, o termo extrao mineral mais empregado

para identificar os nmeros pedidos de lavra para extrao de areia. Por isso,

adotou-se o costume de utilizar o termo extrao mineral para a explorao de

recursos superficiais e de minerao para aqueles de maior profundidade

3.1 Outorga de mananciais Superficiais

A partir dos dados fornecidos pelo IGAM em sua pgina eletrnica na Internet, e pela

ANA estabeleceu-se a relao de outorgas concedidas de 1993 at junho de 2009 na

bacia do Rio Sapuca. Alm disso, foram levantadas as outorgas da Companhia de

Saneamento de Minas Gerias COPASA, para complementar os resultados. Esta

complementao foi realizada uma vez que identificou-se que vrias outorgas da

COPASA no apareciam nas listagens disponibilizadas pelo IGAM. Buscou-se

tambm, uma consulta direta ao banco de dados do IGAM, mas at a finalizao deste

trabalho nenhuma informao havia sido repassada.

No total, foram concedidas pelo IGAM 127 (cento e vinte e sete) outorgas para uso de

recursos hdricos superficiais, sendo 115 de uso consuntivo (onde h perdas entre o

que retorna ao curso natural) e 12 outorgas de uso no consuntivo (no h perdas).

A Tabela 01 mostra o nmero de outorgas e a porcentagem relativa a cada uso na

bacia.

Tabela 1 Outorgas Superficiais concedidas pelo IGAM na bacia no Rio Sapuca

Uso N de Outorgas

Nmero Porcentagem

Abastecimento Pblico 50 39,84%

Aquicultura 8 6,25%

Consumo Agroindustrial 6 4,69%

Consumo Industrial 18 14,06%

Dessedentao de animais 2 1,56%

Irrigao 28 21,88%

Extrao mineral 4 3,13%

Paisagismo 1 0,78%

Transposio de corpo de gua 6 4,69%

Gerao de energia 1 0,78%

Outros 3 2,34%

TOTAL* 127 100%

Outros = Lava jato e Asperso de vias.

FONTE: IGAM 2009

11

importante lembrar que optou-se por trabalhar com todas outorgas existentes na

bacia: as vencidas e as vigentes. Isso porque a tendncia que as outorgas vencidas

sejam renovadas.

De acordo com as informaes da SUPRAN Sul de Minas, existem hoje 20 processos

em anlise tcnica como pode ser observado na Tabela 02.

Tabela 2 Processos em Anlise Tcnica - Superficial

Uso Municpio

1 Barramento sem captao Eli Mendes

2 Canalizao e/ou retificao de curso de gua Congonhal

3 Captao em barramento sem regularizao de vazo Machado

4 Captao em barramento sem regularizao de vazo Paraguau

5 Captao em barramento sem regularizao de vazo Pouso Alegre

6 Captao em barramento sem regularizao de vazo Pouso Alegre

7 Captao em barramento sem regularizao de vazo Pouso Alegre

8 Captao em barramento sem regularizao de vazo Itajub

9 Captao em corpos de gua Machado

10 Captao em corpos de gua Silvianpolis

11 Captao em corpos de gua Cambu

12 Captao em corpos de gua Senador Amaral

13 Captao em corpos de gua Carvalhpolis

14 Captao em corpos de gua Conceio Dos Ouros

15 Captao em corpos de gua Conceio Dos Ouros

16 Captao em corpos de gua Turvolndia

17 Dragagem de curso de gua para minerao Estiva

18 Dragagem de curso de gua para minerao Conceio Dos Ouros

19 Dragagem de curso de gua para minerao So Gonalo do Sapuca

20 Dragagem de curso de gua para minerao Careau

FONTE: SUPRAN Sul de Minas 2009

Se somarmos as outorgas superficiais concedidas pela ANA na bacia do Rio Sapuca,

com as outorgas concedidas pelo IGAM teremos um total de 167 outorgas (uso

consuntivo e no consuntivo) conforme a Tabela 03 e Grfico 01.

12

Tabela 3 Outorgas superficiais concedidas pelo IGAM e ANA na bacia do Rio

Sapuca

USO N de outorgas Vazo

Nmero Porcentagem m/s Porcentagem

Abastecimento Pblico 52 31,33% 2,5074 77,11%

Aqicultura 8 4,82% 0,0099 0,30%

Consumo Agroindustrial 6 3,61% 0,1004 3,09%

Consumo Industrial 21 12,65% 0,1519 4,67%

Minerao 30 18,07% 0,1760 5,41%

Dessedentao de animais 2 1,20% 0,0001 0,03%

Irrigao 32 19,28% 0,3011 9,26%

Outros 3 1,81% 0,0051 0,16%

Extrao mineral 4 2,41% 0,0000 0

Paisagismo 1 0,60% 0,0000 0

Transposio de corpo de gua 6 3,61% 0,0000 0

Gerao de energia 1 0,60% 0,0000 0

TOTAL* 166 100% 3,25 100%

FONTE: IGAM 2009 e ANA 2008

Grfico 2 Outorgas Superficiais na bacia do Rio Sapuca (numero de outorgas)

FONTE: IGAM 2009 e ANA 2008

De acordo com a Tabela 03 e Grfico 02 os principais usos na bacia do Rio Sapuca,

de acordo com o nmero de outorgas so Abastecimento Pblico, Irrigao,

Minerao e Consumo Industrial.

13

Em termos de vazo, os principais usos tambm so Abastecimento Pblico, Irrigao,

Minerao e Consumo Industrial (Grfico 3).

2,51

0,010,10

0,15

0,18

0,0001 0,30

0,010,00

0,00 0,00

0,00

Uso - vazo (m/s)

Abastecimento Pblico - 2,51

Aquicultura - 0,01

Consumo Agroindustrial - 0,10

Consumo Industrial - 0,15

Minerao - 0,18

Dessedentao de animais - 0,0001

Irrigao - 0,30

Outros - 0,01

Extrao mineral

Paisagismo

Transposio de corpo de gua

Gerao de energia

Grfico 3 Outorgas Superficiais na bacia do Rio Sapuca (vazo)

FONTE: IGAM 2009 e ANA 2008

A Tabela 04 mostra o nmero de outorgas dividas por regio da Bacia. Percebe-se

uma concentrao na regio do Baixo e Mdio Sapuca. Esta distribuio tambm

pode ser vista no Anexo B (Mapa dos Usos das guas da Bacia do Rio Sapuca).

Tabela 4 Outorgas Superficiais divididas por regio da bacia

Regio da bacia N de outorgas

Numero Porcentagem

Alto 42 25,30%

Mdio 78 46,99%

Baixo 46 27,71%

Total 166 100%

FONTE: IGAM 2009 e ANA 2008

14

3.1.1 Evoluo Temporal das Outorgas

A evoluo temporal das outorgas na bacia do Rio Sapuca pode ser visualizada no

Grfico 04.

Grfico 4 Evoluo Temporal do nmero de Outorgas Superficiais na Bacia do Rio Sapuca

FONTE: IGAM 2009 e ANA 2008

Analisando o Grfico 04, a partir do ano de 2004 percebe-se uma mdia de outorgas

concedidas por ano: em torno de 21 outorgas por ano. O baixo nmero de outorgas e

a no seqncia dos anos no inicio do grfico se deve a deficincia do cadastro de

outorgas e a falhas no banco de dados.

Em termos de vazo, a evoluo das outorgas na bacia apresentada no Grfico 05.

15

366

415

155353,1

539,2

182,4

198

353,7 342,6

102,1244,3

3.251,4

0

500

1000

1500

2000

2500

3000

3500

1993 1995 1997 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

Va

zo

-L/

s

Ano

Vazo Vazo acumulada Vazo Mdia - 343 L/s

Grfico 5 Evoluo Temporal das vazes outorgadas nos mananciais superficiais da Bacia do Rio Sapuca

FONTE: IGAM 2009 e ANA 2008

De acordo do o Grfico 5 a vazo mdia anual outorgada na bacia do Rio Sapuca

de 343,0 L/s. De 11 anos analisados, 6 possuem a vazo outorgada acima da mdia.

No ano de 2003 a vazo outorgada foi bem superior a vazo mdia na bacia. Neste

ano foram registradas apenas 8 outorgas, mas duas dessas outorgas foram para

abastecimento pblico no municpio de Pouso Alegre, o que contribuiu para essa

vazo elevada.

3.1.2 Outorgas de Mananciais Superficiais por Ponto Notvel

Os pontos notveis selecionados foram em exutrios de sub-bacias dos principais

afluentes da bacia e em pontos ao longo do rio Sapuca, seguindo uma ordem

cronolgica partindo do Alto Sapuca at a foz da bacia e foram utilizados no estudo

de disponibilidade e Balano Hdrico, conforme demonstrado no Item 9.2.1 do

Diagnstico do Meio Fsico-Bitico da Bacia do rio Sapuca.

As outorgas de mananciais superficiais de uso consuntivo foram distribudas de acordo

com os pontos notveis, como pode ser visto na Tabela 05. As outorgas levantas no

stio do IGAM e ANA serviram de apoio para somar as demandas outorgadas

montante de cada um desses pontos notveis considerados.

16

Tabela 5 Outorgas de mananciais superficiais por ponto notvel.

PONTO 01 - LOURENO VELHO

Usos Quantidade Vazo - m/s

Lavagem de Veculos 1 0,001

Abastecimento Pblico 1 0,040

TOTAL 2 0,041

PONTO 02 - SAPUCA

Usos Quantidade Vazo - m/s

Lavagem de Veculos 1 0,001

Abastecimento Pblico 11 0,465

Consumo Industrial 3 0,079

Aquicultura 1 0,006

Minerao 1 0,016

TOTAL 17 0,567

PONTO 03 - VARGEM GRANDE

Usos Quantidade Vazo - m/s

Abastecimento Pblico 1 0,040

TOTAL 1 0,040

PONTO 04 - CAPIVARI

Usos Quantidade Vazo - m/s

Consumo Industrial 4 0,009

Dessedentao de animais 1 0,000

Irrigao 1 0,001

TOTAL 6 0,010

PONTO 05 - ITAIM

Usos Quantidade Vazo - m/s

Abastecimento Pblico 9 0,216

Consumo Agronidustrial 2 0,037

Consumo Industrial 1 0,002

TOTAL 12 0,255

17

PONTO 06 - SAPUCA MIRIM

Usos Quantidade Vazo - m/s

MInerao 3 0,027

Consumo Agronidustrial 1 0,003

Dessedentao de animais 1 0,000

Consumo Industrial 7 0,017

Irrigao 2 0,015

Abastecimento Pblico 3 0,060

TOTAL 17 0,122

PONTO 07 - SAPUCA MIRIM

Usos Quantidade Vazo - m/s

Minerao 4 0,037

Dessedentao de animais 1 0,000

Consumo Industrial 8 0,018

Irrigao 2 0,015

Abastecimento Pblico 15 0,596

Consumo Agronidustrial 3 0,040

TOTAL 33 0,706

PONTO 08 - MANDU

Usos Quantidade Vazo - m/s

Abastecimento Pblico 2 0,400

Aquicultura 2 0,001

Irrigao 2 0,014

Dessedentao de animais 1 0,0001

Consumo Industrial 3 0,030

TOTAL 7 0,445

18

PONTO 09 - SAPUCA MIRIM

Usos Quantidade Vazo - m/s

Abastecimento Pblico 17 0,996

Aquicultura 2 0,001

Irrigao 4 0,029

Dessedentao de animais 2 0,000

Consumo Industrial 11 0,049

MInerao 4 0,037

Consumo Agronidustrial 3 0,040

Asperso de Vias 2 0,004

TOTAL 45 1,156

PONTO 10 - CERVO

Usos Quantidade Vazo - m/s

Consumo Agronidustrial 2 0,003

Abastecimento Pblico 1 0,019

Consumo Industrial 1 0,004

Irrigao 2 0,018

TOTAL 6 0,044

PONTO 11 - SAPUCA

Usos Quantidade Vazo - m/s

Lavagem de Veculos 1 0,001

Abastecimento Pblico 17 1,160

Consumo Industrial 4 0,079

Aquicultura 1 0,006

Minerao 6 0,049

TOTAL 29 1,294

19

PONTO 12 - SAPUCA

Usos Quantidade Vazo - m/s

Abastecimento Pblico 35 2,175

Aquicultura 4 0,008

Irrigao 9 0,083

Dessedentao de animais 2 0,000

Consumo Industrial 16 0,132

Minerao 13 0,094

Asperso de Vias 2 0,004

Consumo Agronidustrial 5 0,043

Lavagem de Veculos 1 0,001

TOTAL 87 2,540

PONTO 13 - TURVO

Usos Quantidade Vazo - m/s

Abastecimento Pblico 5 0,036

Aquicultura 1 0,002

Consumo Agronidustrial 1 0,057

Consumo Industrial 1 0,000

Irrigao 2 0,015

TOTAL 10 0,095

PONTO 14 - DOURADO

Usos Quantidade Vazo - m/s

Abastecimento Pblico 3 0,054

Irrigao 4 0,046

TOTAL 7 0,100

20

PONTO 15 - SAPUCA

Usos Quantidade Vazo - m/s

Abastecimento Pblico 47 2,386

Aquicultura 7 0,010

Irrigao 18 0,172

Dessedentao de animais 2 0,000

Consumo Industrial 19 0,146

Minerao 24 0,138

Asperso de Vias 2 0,004

Consumo Agronidustrial 6 0,100

Lavagem de Veculos 1 0,001

TOTAL 126 2,957

PONTO 16 - SAPUCA

Usos Quantidade Vazo - m/s

Abastecimento Pblico 52 2,507

Aquicultura 8 0,010

Irrigao 32 0,301

Dessedentao de animais 2 0,0001

Consumo Industrial 21 0,152

Minerao 30 0,176

Asperso de Vias 2 0,004

Consumo Agronidustrial 6 0,100

Lavagem de Veculos 1 0,001

TOTAL 154 3,25

FONTE: IGAM, 2009 e ANA, 2009.

3.2 Outorga de Mananciais Subterrneos

Para o levantamento das outorgas subterrneas utilizou-se os dados disponveis na

pgina eletrnica do IGAM (http://www.igam.mg.gov.br), alem das outorgas da

COPASA que no aparecem no cadastro do IGAM. Os dados disponibilizados pelo

IGAM e COPASA so referentes s outorgas at julho de 2009.

21

De acordo com os dados disponveis, foram concedidas 114 (cento e quatorze)

outorgas para uso de recursos da bacia do rio Sapuca.

A Tabela 06 apresenta o nmero de outorgas concedidas e a vazo total relativamente

a cada uso das guas subterrneas outorgado na bacia.

Tabela 6 Outorgas para gua subterrnea na Bacia do Rio Sapuca

Uso N de Outorgas Vazo

Nmero Porcentagem m/h Porcentagem

Abastecimento Pblico 33 28,95% 435,96 53,25%

Aqicultura 1 0,88% 1,30 0,16%

Consumo Humano 16 14,04% 42,75 5,22%

Consumo Agroindustrial 1 0,88% 3,20 0,39%

Consumo Industrial 22 19,30% 146,96 17,95%

Consumo Industrial e Humano 23 20,18% 127,47 15,57%

Dessedentao animal 2 1,75% 9,80 1,20%

Irrigao 4 3,51% 23,67 2,89%

Lavagem de Veculos 12 10,53% 27,54 3,36%

TOTAL* 114 100% 818,65 100%

FONTE: IGAM 2009

Grfico 6 Porcentagem de acordo com o numero de outorgas para uso de gua subterrnea

FONTE: IGAM 2009

22

Grfico 7 Porcentagem de acordo com a vazo outorgada para os usos de gua subterrnea identificados na bacia do Rio Sapuca.

FONTE: IGAM 2009

Grfico 8 Vazo outorgada para os usos de gua subterrnea

FONTE: IGAM 2009

23

Os dados obtidos junto ao IGAM representados nos Grficos 6, 7 e 8 mostram que o

principal uso das guas subterrneas, em termos de vazo, refere-se ao

Abastecimento Pblico.

Os usos de consumo humano e Industrial so outros importantes usos registrados na

bacia do Rio Sapuca.

3.2.1 Evoluo das Outorgas

A evoluo temporal das outorgas subterrneas na bacia do Rio Sapuca pode ser

visualizada nos Grfico 09 e 10 abaixo.

Grfico 9 Evoluo Temporal do nmero de Outorgas Subterrneas na Bacia do Rio Sapuca.

24

69 65,0499,4

9,53 9,79

150,14 134,95

414,84

514,24 523,77 533,56683,7

818,65

0

100

200

300

400

500

600

700

800

900

2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

m/

h

Vazes outorgadas Vazo Acumulada

Grfico 10 Evoluo Temporal das vazes outorgadas nos mananciais subterrneos da Bacia do Rio Sapuca

Nos anos de 2006 e 2007 percebe-se uma falha nos dados. Isso ocorreu devido ao

fato que nestes anos o IGAM teve uma reduo no numero de funcionrios

responsveis pelas anlises dos processos de outorga.

Analisando os grficos e ignorando os anos de 2006 e 2007, nota-se um crescimento

no nmero de outorgas concedidas anualmente.

3.3 Comparao entre as evolues temporais das outorgas superficiais e

subterrneas

O Grfico 11 apresenta a evoluo temporal das outorgas superficiais e subterrneas

na bacia do rio Sapuca.

25

9

21 21

54

25

12

8

25

18

27

20

14

27

0

5

10

15

20

25

30

2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

n de Outorgas subterrneas n de Outorgas superficiais

Grfico 11 - Evolues temporais das outorgas superficiais e subterrneas

Analisando o Grfico 11, percebe-se um equilbrio no nmero de outorgas nos anos de

2003 a 2005, o que no ocorre nos anos seguintes.

Os dados obtidos junto ao IGAM representados nos Grficos 6, 7 e 8 mostram que o

principal uso das guas subterrneas, em termos de vazo, refere-se ao

Abastecimento Pblico.

Em funo da qualidade das guas subterrneas2, a participao das mesmas tende a

crescer, como est ocorrendo em outros pases, principalmente nos mais

desenvolvidos (ROCHA, 2009). Outro fator que proporciona tal crescimento refere-se

s facilidades deste tipo de captao em relao superficial em algumas cidades

devido a distancia da captao a cidade e a qualidade da gua superficial.

As guas de superfcie so as de mais fcil captao e por isso havendo, pois, uma

tendncia a que sejam mais utilizadas no consumo humano. No entanto sabe-se que

2 A gua captada atravs de poos profundos, na maioria das vezes, no precisa ser tratada,

bastando apenas desinfeco com cloro. Isso ocorre porque, nesse caso, a gua no

apresenta qualquer turbidez, eliminando as outras fases que so necessrias ao tratamento

das guas superficiais.

26

menos de 5% da gua doce existente no globo terrestre encontram-se disponveis

superficialmente, ficando o restante armazenado em reservas subterrneas.

Logicamente que nem toda gua armazenada no subsolo pode ser retirada em

condies economicamente viveis, principalmente as localizadas em profundidades

excessivas e confinadas entre formaes rochosas.

O Grfico 12 compara os principais usos superficiais e subterrneos em termos de

vazo.

Grfico 12 Comparao das vazes das outorgas superficiais e subterrneas

27

Nota-se que as vazes superficiais so maiores em praticamente todos os usos

representados no grfico, mostrando que as captaes superficiais, em termos de

vazo, predominam na Bacia do Rio Sapuca.

3.4 Certido de Uso insignificante

Algumas captaes de guas superficiais e/ou subterrneas, bem como acumulaes

de guas superficiais, no esto sujeitas outorga. Elas so consideradas de uso

insignificante.

A Deliberao Normativa 09/04 do Conselho Estadual de Recursos Hdricos

(CERH) estabelece critrios que definem os usos considerados insignificantes no

Estado de Minas Gerais, sendo necessrio, nesse caso, fazer um cadastramento junto

ao IGAM.

De acordo com a DN 09/04

As captaes e derivaes de guas superficiais menores ou iguais a

1 litro/segundo sero consideradas como usos insignificantes para as Unidades

de Planejamento e Gesto ou Circunscries Hidrogrficas do Estado de Minas

Gerais.

Para as UPGRH SF6, SF7, SF8, SF9, SF10, JQ1, JQ2, JQ3, PA1, MU1, Rio

Jucuruu e Rio Itanhm, ser considerado como uso insignificante a vazo

inferiores a de 0,5 litro/segundo para as captaes e derivaes de guas

superficiais.

As acumulaes superficiais com volume mximo de 5.000 m sero

consideradas como usos insignificantes para as Unidades de Planejamento e

Gesto ou Circunscries Hidrogrficas do Estado de Minas Gerais.

Para as UPGRH SF6, SF7, SF8, SF9, SF10, JQ1, JQ2, JQ3, PA1, MU1, Rio

Jucuruu e Rio Itanhm, o volume mximo a ser considerado como uso

insignificante para as acumulaes superficiais ser de 3.000 m.

As captaes subterrneas, tais como, poos manuais, surgncias e cisternas,

com volume menor ou igual a 10 m/dia, sero consideradas como usos

insignificantes para todas as Unidades de Planejamento e Gesto ou

Circunscries Hidrogrficas do Estado de Minas Gerais.

O procedimento inicial para o cadastro de uso insgnificante o mesmos que o seguido

para solicitao de outorga.

28

Para o levantamento das certides de uso insignificante utilizou-se os dados

disponveis na pgina eletrnica do IGAM (http://www.igam.mg.gov.br). Os dados

disponibilizados pelo IGAM so referentes s certides at o ano de 2008.

De acordo com os dados disponveis, foram concedidas 31 (trinta e uma) certides de

uso insignificante superficial e 75 (setenta e cinco) certides uso insignificante

subterrnea, totalizando 106 certides (Tabela 7 e Grfico 13)

Tabela 7 Certides de uso insignificante na bacia do Rio Sapuca

Uso N de outorgas

Numero Porcentagem

Aqicultura 3 2,83%

Consumo agroindustrial 11 10,38%

Consumo humano 35 33,02%

Consumo industrial 15 14,15%

Dessedentao de animais 16 15,09%

Irrigao 5 4,72%

Lavagem de veculos 21 19,81%

TOTAL 106 100%

FONTE: IGAM 2008 e IGAM 2009

Grfico 13 Certides de uso insignificante na bacia do Rio Sapuca

FONTE: IGAM 2009

Observa-se que nas informaes de uso insignificante o uso Lavagem de Veculos

aparece com um nmero considervel de certides (21 certides), ao contrrio do que

29

acontece nas outorgas superficiais. Isso se deve ao baixo volume captado por este

uso para o funcionamento da referida atividade.

30

4. DEMANDA HDRICA SUPERFICIAL

Para a avaliao da demanda hdrica atual da bacia do Sapuca foram utilizados os

dados de outorgas concedidas a nvel estadual, disponveis no stio do Instituto

Mineiro de Gesto das guas - IGAM at junho de 2009, e as outorgas de cunho

federal disponveis no stio da Agncia Nacional das guas - ANA at dezembro de

2008. Portanto a demanda atual estimada neste estudo considera as outorgas

concedidas at esse perodo mencionado e que estavam disponveis para anlise.

Os resultados consolidados para a bacia de estudo, divididos em Alto, Mdio e Baixo

Sapuca, esto contidos na Tabela 8, considerando os principais usos consuntivos tais

como: abastecimento urbano, abastecimento industrial, abastecimento rural,

dessedentao animal, irrigao e outros. Observa-se na Tabela 8 que a maior

demanda encontra-se no Mdio Sapuca, totalizando 1,98 m/s de vazo outorgada.

Observe que apesar de o Baixo Sapuca ter um maior nmero de outorgas (44) e

relao ao Alto Sapuca (36), a vazo outorgada do Alto Sapuca (0,75 m/s) maior

que a do Baixo (0,52 m/s).

Tabela 8 Demandas outorgadas a nvel estadual (junho/09) e federal (dez/2008) para os diferentes usos consuntivos

Nmero Porcentagem m/s PorcentagemConsumo industrial 11 30,56% 0,096 12,72%Consumo Agroindustrial 1 2,78% 0,003 0,40%Abastecimento Pblico 16 44,44% 0,592 78,66%Aquicultura 1 2,78% 0,006 0,80%Irrigao 1 2,78% 0,001 0,13%Dessedentao de animais 1 2,78% 0,000 0,00%Minerao 4 11,11% 0,054 7,20%Outros 1 2,78% 0,001 0,09%

Total - Alto Sapuca 36 100% 0,75 100%

Nmero Porcentagem m/s PorcentagemAbastecimento pblico 27 36,49% 1,651 83,41%Aqicultura 4 5,41% 0,003 0,17%Consumo agroindustrial 5 6,76% 0,097 4,92%Consumo industrial 6 8,11% 0,036 1,82%Dessedentao de animais 1 1,35% 0,000 0,00%Irrigao 12 16,22% 0,121 6,14%Minerao 17 22,97% 0,066 3,31%Outros 2 2,70% 0,004 0,22%

Total - Mdio Sapuca 74 100% 1,98 100%

Nmero Porcentagem m/s PorcentagemAbastecimento pblico 9 20,45% 0,265 50,90%Aqicultura 3 6,82% 0,001 0,10%Consumo agroindustrial 0 0,00% 0,000 0,00%Consumo industrial 4 9,09% 0,020 3,85%Irrigao 19 43,18% 0,179 34,39%Minerao 9 20,45% 0,056 10,76%

Total - Baixo Sapuca 44 100% 0,52 100%TOTAL DE OUTORGAS 154 Total VAZO 3,25

BAIXO SAPUCAN de Outorgas Vazo

ALTO SAPUCAN de Outorgas Vazo

MDIO SAPUCAN de Outorgas Vazo

31

O Grfico 14 possibilita a visualizao da distribuio dessas vazes outorgadas,

contidas na Tabela 08, para a bacia do Sapuca como um todo, considerando as

demandas outorgadas a nvel estadual com as de nvel federal para os diferentes usos

consuntivos.

Grfico 14 Demandas (vazes) outorgadas a nvel estadual para os diferentes usos (junho/09).

Os dados federais de declaraes de outorga foram os mais difceis de serem obtidas

informaes atualizadas tanto no banco de dados no stio do rgo quanto atravs de

solicitao direta. Esse um dos fatos que levam a sugerir que este tipo de estudo,

quem incluem levantamento de outorga, deva passar periodicamente por atualizaes

at que seja solucionado este tipo de problema de defasagem de dados nos sistemas

dos rgos gestores.

Diante disso, importante que haja uma melhor controle por parte dos rgos

gestores de recursos hdricos nas bacias hidrogrficas de maior interesse quanto ao

registro e atualizao dos dados de demanda. O mau gerenciamento das bacias

hidrogrficas pode ocasionar escassez de gua e tambm de outros recursos naturais

das bacias.

O resumo das demandas outorgadas, contendo inclusive o rio/localidade de uso da

gua, encontra-se no Anexo C Resumo das Demandas outorgadas. Esses dados

auxiliaram no estudo de balano hdrico que ser discutido no Captulo 5 deste

documento.

32

4.1 Evoluo da demanda hdrica superficial

4.1.1 Cenrio Tendencial para 10 anos

Para o estabelecimento de um cenrio tendencial de uso da gua na bacia do rio

Sapuca para 5 anos foi tomado como base o estudo realizado pelo ONS Operador

Nacional do Sistema Eltrico, que, com a participao da Agncia Nacional de Energia

Eltrica ANEEL, ANA , do Ministrio de Minas e Energia MME e dos Agentes de

Gerao, responsveis pelo aproveitamento dessas bacias, desenvolveu em 2003 e

2004, o projeto de reviso das sries histricas de vazes naturais nas principais

bacias do Sistema Interligado Nacional SIN.

Esse projeto trata dos estudos de consistncia e reconstituio das sries histricas

de vazes naturais e de estimativas de vazes para as atividades de usos consuntivos

da gua, para as bacias dos rios Paranaba, Grande, Tiet, Paranapanema, Iguau,

Paran, So Francisco e Tocantins.

O estudo realizado procurou estimar as sries das vazes de retirada, de retorno e de

consumo para as cinco principais atividades de uso consuntivo da gua: irrigao,

abastecimento urbano, abastecimento rural, abastecimento industrial e dessedentao

animal, para cada municpio das noventa bacias que compem a rea do projeto. Essa

estimativa abrange a evoluo histrica das sries no perodo de 1931 a 2001 e, por

meio de estabelecimento de cenrios evolutivos setoriais, o comportamento dessas

sries at 2010.

O estudo adotou como referncia preferencial os dados do Instituto Brasileiro de

Geografia e Estatstica IBGE e os dados, informaes e documentos tcnicos da

ANA. Alm dessas instituies, foram obtidas, quando necessrias, informaes do

Ministrio da Integrao Nacional MI, do Ministrio da Agricultura, Pecuria e

Abastecimento MAPA, do Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto

MPOG, do Instituto Nacional de Meteorologia INMET, da Empresa Brasileira de

Pesquisa Agropecuria EMBRAPA, das Secretarias Estaduais de Planejamento e de

Recursos Hdricos, da Companhia de Saneamento Bsico do Estado de So Paulo

SABESP, alm de outras instituies nos estados abrangidos nos estudos.

Em relao aos dados do IBGE, foram utilizados dados censitrios dos levantamentos

realizados em:

Censos demogrficos: 1940, 1950, 1960, 1970, 1980, 1991 e 2000;

Censos agropecurios: 1940, 1950, 1960, 1970, 1975, 1980, 1985 e 1996;

33

Censos industriais: 1940, 1950, 1960, 1970, 1975, 1980 e 1985; e

Pesquisa industrial anual: 1990, 1995 e 2001.

A coleta de informaes necessrias elaborao da base de dados utilizada para a

estimativa das vazes de usos consuntivos incluiu: dados demogrficos municipais,

dados socioeconmicos municipais, dados da geografia dos municpios, dados da

produo industrial dos municpios, dados climatolgicos exigidos para o clculo da

evapotranspirao, superfcies irrigadas em cada municpio, principais projetos de

irrigao, nvel tecnolgico dos produtores das reas irrigadas, dados estatsticos

sobre os rebanhos municipais e localizao das principais tomadas para irrigao,

consumo urbano e industrial (Brasil, ONS; 2003).

Mais detalhes sobre os dados e informaes utilizados nos estudos, bem como o

detalhamento das metodologias empregadas para as estimativas das vazes ligadas

s cinco maiores atividades de usos consuntivos podem ser consultados em

FAHMA/DREER (2003).

O estudo aponta trs (3) cenrios de desenvolvimento para as bacias anteriormente

citadas: cenrio tendencial, normativo e ideal. Definidos conforme a seguir:

"Cenrio Tendencial - O Pas continuar enfrentando dificuldades,

mantendo a poltica macroeconmica atual, dificultando o crescimento

regional; as bacias de interesse no sero objeto de intervenes diferentes

daquelas atualmente em desenvolvimento, sem possibilidades, at o

horizonte fixado, de mudar fundamentalmente as tendncias determinadas.

O mercado interno continuar sendo uma restrio para o crescimento da

agricultura irrigada. As exportaes crescero segundo o cenrio

macroeconmico, sem constituir um elemento decisivo. Os comits e

agncias de bacia podero ser constitudos e a cobrana ser instituda,

mas sem resultados expressivos. Os recursos arrecadados nas bacias sero

parcialmente direcionados para aes em cada uma delas. Os conflitos j

existentes agravar-se-o durante o perodo, sendo necessrio definir

prioridades e impor restries utilizao dos recursos naturais, em

especial a gua. A disponibilidade presumida em alguns casos poder

limitar o crescimento da agricultura irrigada e, quando cotejada a sua

demanda com a humana e a da gerao de energia, poder ser necessrio

redirecionar recursos hdricos em algumas localidades, mas as

conseqncias, em razo do horizonte fixado, no sero muito importantes."

34

"Cenrio Otimista - O Pas cumprir suas metas macroeconmicas,

propiciando o desenvolvimento regional; no sero desenvolvidos planos,

programas e projetos alm daqueles em andamento e j previstos; as foras

restritivas atualmente enfrentadas na implantao dos programas podero

ser removidas, atingindo-se as metas; aquelas propostas para os programas

previstos sero tambm, alcanadas; nos locais de crescimento da atividade

econmica produzir-se- um crescimento demogrfico superior mdia; as

demandas de infra-estrutura fsica e social podero ser parcialmente

satisfeitas, constituindo, em alguns locais, obstculo para o crescimento. Os

comits e agncias de bacias estaro em funcionamento, a cobrana

estabelecida e os recursos sero quase que totalmente dirigidos para a

recuperao e preservao das bacias, regularizao e aumento da

disponibilidade de recursos hdricos para todos os usos. Em locais

especficos, os conflitos existentes agravar-se-o, pois no ser possvel

aumentar a disponibilidade, sendo necessrio o reordenamento da utilizao

da gua; algumas reas atualmente irrigadas devero reduzir seu consumo,

o que poder ser conseguido pela modernizao dos sistemas; possvel

que alguma rea, de expresso mdia, seja alijada por falta de recursos

hdricos; o crescimento da economia regional gerar empregos,

incorporando novos consumidores ao mercado, o qual continuar, apenas

parcialmente, restritivo para o crescimento da agricultura irrigada; os blocos

comerciais regionais tero se firmado, proporcionando o aumento da

exportao de produtos originrios do agro. O crdito seguir sendo um

obstculo importante."

"Cenrio Ideal - Considerar-se- que as condies de contorno permitem

ultrapassar as expectativas do cenrio otimista. Vale destacar, neste caso, o

acirramento dos conflitos pelo uso da gua em alguns locais, basicamente

em funo do crescimento da atividade econmica. Neste aspecto o

desempenho do setor agrcola ter papel preponderante."

O estudo da ONS constitui, dentre outras coisas, numa referncia tcnica para

realizao de trabalhos relacionados aos usos futuros dos recursos hdricos.

O fato de a sub-bacia do Sapuca pertencer bacia do Grande, esta contemplada no

estudo da ONS, possibilitou a uniformidade de critrios para a estimativa das

demandas futuras de gua definidas neste trabalho, da mesma forma que j foi

35

adotada para a elaborao de planos diretores de recursos hdricos de outras bacias

pertencentes ao Sistema Eltrico Nacional.

Neste sentido, o relatrio desenvolveu taxas anuais de crescimento econmico de

2004 at 2020. Neste plano diretor ser considerado apenas o cenrio mais crtico do

ponto de vista do consumo, que o cenrio ideal. A Tabela 9 apresenta essas taxas

para os diversos usos de 2004 at 2007, que foi o estabelecido no estudo da ONS. A

partir da, fez-se uma extrapolao considerando-se a taxa de crescimento constante e

igual a do ano de 2007 at o ano de 2020.

Neste estudo ser considerado, portanto, o cenrio de evoluo da demanda dos

prximos 10 anos.

36

Tabela 9 Taxas de crescimento(em %) para os usos consuntivos de gua outorgados na bacia do rio Sapuca considerando um cenrio ideal. Perodo 2004-2020.

2,43 2,43

5,95 5,95 5,95 5,95 5,95

0,03 0,03

1,02 1,02 1,02 1,02 1,02

2019 2020

4,5 4,5 4,5 4,5 4,5

Abastecimento Industrial

2016 2017 2018

0,03 0,03 0,03

2,43 2,43 2,43

3,25

0,01

0,72

Abastecimento Urbano

Abastecimento Rural

Dessedentao Animal

5,95

1,02

3,53 5,95 5,955,95 5,95

2,431,50 2,10

Irrigao 5,95 5,95 5,95

2,43 2,43 2,43 2,432,43 2,43

1,021,02 1,02 1,02 1,02 1,02 1,02

0,030,03 0,03 0,03 0,03 0,03 0,03

4,5

2013 2014 2015

4,5 4,54,0 4,3 4,5 4,5

Tipo de Uso

Ano

2005 2006 2007 2008 2009 20102004 2011 2012

5,955,28

4,5 4,5 4,5 4,5

0,96 1,02

4,62

0,030,030,020,02

0,90 1,02

2,432,43

37

Em seguida, a Tabela 10 apresenta a evoluo da demanda futura de gua na bacia

aplicando-se as taxas de crescimento do consumo da Tabela 9, considerando as

demandas outorgadas pelo IGAM em um horizonte de interesse nesse estudo de 2009

a 2020. Da mesma forma, a Tabela 11 apresenta essa evoluo considerando as

demandas outorgadas estaduais e federais, ou seja, a demanda total outorgada na

bacia.

38

Tabela 10 - Evoluo da demanda outorgada de 2009 at 2015, em m/s (demandas outorgadas pelo IGAM).

Total 2,56 2,67 2,79 2,91 3,04 3,17 3,31 3,46 3,61 3,77 3,94 4,11

3 C ons iderar o cons umo Indus trial e Minerao

0,306 0,325 0,344 0,365Irrigao 0,258 0,273 0,289

0,119 0,122

1 C ons iderar o cons umo L avajato e as pers o de vias

2 C ons iderar o cons umo na Aquicultura e s etor Agroindus trial

0,125 0,128Abastecimento

Industrial30,1108 0,113 0,116

0,000105 0,0001060,000103 0,000104Dessedentao

Animal0,000100 0,000101 0,000102

0,1104Abastecimento

Rural20,1105 0,11050,11040,110 0,1103 0,1104

2,478 2,5902,372

2013 2014

2,7062,269Abastecimento

Urbano12,078 2,172

2015Tipo de Uso

Ano

2009 2010 2011 2012 2020

2,828 2,955 3,088 3,227 3,373

2016 2017 2018 2019

0,1107

0,000107 0,000108 0,000110 0,000111 0,000112

0,1105 0,1106 0,1106 0,1106

0,144

0,386 0,409 0,434 0,459 0,487

0,131 0,134 0,138 0,141

39

Tabela 11 - Evoluo da demanda outorgada de 2009 at 2015, em m/s (demandas outorgadas pelo IGAM e ANA).

Total 3,25 3,39 3,54 3,69 3,85 4,01 4,19 4,37 4,56 4,76 4,97 5,18

Tipo de Uso

Ano

2014 20152009 2010 2011 2012 2013

Abastecimento

Urbano1

Abastecimento

Rural20,1103

2,512 2,625 2,744 2,867

0,1103 0,1104 0,1104

0,000104

1 C ons iderar o cons umo L avajato e as pers o de vias

3,2722,996 3,131

0,1104 0,1105 0,1105

0,0001060,000105

0,370

0,000100 0,000101 0,000102

0,336 0,344

Irrigao

Dessedentao Animal

0,352 0,3610,328

0,000103

Abastecimento

Industrial3

0,301 0,319 0,338 0,358 0,379 0,402

0,379

0,426

2 C ons iderar o cons umo na Aquicultura e s etor Agroindus trial

3 C ons iderar o cons umo Indus trial e Minerao

2020

3,419 3,573 3,734 3,902 4,077

2016 2017 2018 2019

0,1107

0,000107 0,000108 0,000110 0,000111 0,000112

0,1105 0,1106 0,1106 0,1106

0,427

0,451 0,478 0,507 0,537 0,569

0,388 0,397 0,407 0,417

40

De forma geral, pode-se observar da evoluo das demandas totais outorgadas por

uso na bacia do Sapuca (Tabela 11) que:

A demanda por Abastecimento Urbano passa de 2,51m3/s em 2009 para

3,27m3/s em 2015 e, para 4,07m3/s em 2020.

A demanda por Abastecimento Rural passa de 0,1103m3/s (110,3L/s) em 2009

para 0,1105m3/s (110,5L/s) em 2015 e, para 0,1107 m3/s (110,7L/s) em 2020.

Percebe-se que no h uma tendncia considervel de crescimento de

demanda.

A demanda para Dessedentao Animal passa de 0,00010m3/s (0,10 L/s) em

2009 para 0,000106 m3/s (0,106L/s) em 2015 e, para 0,000112 m3/s (0,112L/s)

em 2020.

A demanda por Abastecimento Industrial passa de 0,328 m3/s em 2009 para

0,379 m3/s em 2015 e, para 0,427 m3/s em 2020.

A demanda por irrigao passa de 0,301 m3/s em 2009 para 0,426 m3/s em

2010 e, para 0,569 m3/s em 2020.

A demanda total passa de 3,25 m/s em 2009 para 5,18 m/s em 2020, o que

representa um acrscimo de quase 2 m/s ou 2000 L/s neste perodo de 10 (dez)

anos. Da a importncia dessa previso para um planejamento futuro de controle do

uso da gua nessa bacia.

O Grfico 15 ilustra a evoluo das demandas outorgadas por uso na bacia. Observa-

se que o abastecimento urbano o maior uso na bacia e nota-se nitidamente o

crescimento dessa demanda. Diante disso, importante que os rgos gestores

faam o controle adequado dessa atividade.

41

2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 20200,0

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

3,5

4,0

4,5

5,0Demanda Outorgada (m

3 /s)

Ano

Abastecimento Urbano Abastecimento Rural Abastecimento Industrial Dessedentao Animal Irrigao Outros

Grfico 15 Evoluo da demanda outorgada de 2009 at 2020, em m3/s (demandas outorgadas pelo IGAM jun/09 e ANA-dez/09).

4.2 Concluses

O estudo de demanda bem como o de tendncia de consumo hdrico em uma

determinada bacia importante do ponto de vista do controle e racionamento do uso

pelo rgo gestor. H tambm a necessidade desses rgos de considerar essa

evoluo de demanda com a disponibilidade hdrica dessa mesma bacia para que o

consumo no ultrapasse os limites estabelecidos pela legislao e, consequentemente

no ocasione problemas de conflito pelo uso da gua. A abordagem sobre o assunto

ser feita no captulo que tratar de balano hdrico.

Neste trabalho foi adotada uma metodologia de extrapolao de dados que muito

provavelmente deve embutir erros, tendo em vista que foi necessrio adotar a taxa de

crescimento constante a partir de 2007. Entretanto as estimativas de cenrio

propostas correspondem ao nico estudo de projeo disponvel para a regio onde a

bacia hidrogrfica do rio Sapuca se encontra.

Por esse e outros motivos verificou-se que estudos dessa natureza devem ser

melhorados continuamente, de forma sistemtica, em intervalo curto de tempo de

42

forma a tornar possvel o aperfeiamento da metodologia utilizada para previso de

taxas de crescimento de usos consuntivos e a utilizao de dados mais atualizados e

precisos.

Importante destacar que muito provavelmente o uso na bacia hoje bem diferente do

que se tem outorgado. Um exemplo disso foi o resultado da Campanha de

Regularizao realizada pelo IGAM que, apesar dos dados no terem sido tratados,

mostra que existem usos no outorgados em grande quantidade. Somente seria

possvel fazer uma comparao dos resultados dos cadastros realizados na campanha

com os usos j outorgados caso esses cadastros tivessem sido tratados

adequadamente pelos rgos gestores e de fato, com valores de vazes de consumo

verdadeiros. Ou seja, os dados brutos, at mesmo com respostas dos entrevistados,

muitas vezes inadequadas, s permitem ter uma viso geral da situao e a certeza

da necessidade de se atualizar esse banco de dados na qual foi feita referncia no

pargrafo anterior.

Uma atualizao do estudo da ONS utilizando-se dados e metodologias mais recentes

serviria, por exemplo, como ponto de partida para se propor a evoluo de demanda

at mesmo para um perodo de tempo superior ao estabelecido neste trabalho.

Por ltimo, espera-se que haja um maior esforo por parte dos rgos ambientais em

geral e, em especial, dos rgos gestores de recursos hdricos para transformar o seu

banco de dados numa ferramenta de uso mais confivel e atualizado.

43

5. BALANO HDRICO SUPERFICIAL

O estudo de balano hdrico superficial de uma bacia hidrogrfica compara a

disponibilidade hdrica com a demanda superficial (consumo). Para tanto se adota uma

vazo que representa uma situao crtica em termos de oferta hdrica. Os valores de

demandas outorgveis so fraes dessas vazes de referncia, que, no estado de

Minas Gerais (IGAM) a vazo mnima de sete dias de durao e perodo de retorno

de 10 anos, Q7,10, e a nvel federal (ANA) e a Q90%.

Conforme j mencionado neste Plano Diretor a mxima vazo outorgvel para

captao definida pelos rgos outorgante estadual e federal, de 30% da Q7,10.

Aqui o balano hdrico ser feito entre as vazes mnimas de sete dias de durao e

perodo de retorno de 10 anos (Q7,10) e as demandas hdricas outorgadas em pontos

notveis ao longo da bacia do Sapuca. Esses valores sero apresentados mais

adiante.

A Figura 01 permite a visualizao desses pontos, outrora mostrados, porm, aqui

tambm possvel visualizar as outorgas, detalhadas no captulo de demanda hdrica,

espacializadas ao longo da bacia do Sapuca.

44

Figura 1 Pontos notveis tomados como referncia para balano-hdrico superficial bem como espacializao das outorgas totais na bacia.

45

Os resultados consolidados do balano hdrico para os pontos notveis da bacia esto

contidos na Tabela 12. Complementarmente, a penltima e ltima colunas apresentam

as relaes existentes entre a demanda outorgada e a vazo disponvel (Q7,10) e entre

vazo mxima outorgvel naquele ponto segundo a legislao vigente (30% da Q7,10),

respectivamente.

Os resultados dessas ltimas colunas possibilitam comparar as demandas outorgadas

(com registro disponvel at o momento) com a vazo disponvel, por sub-bacia (a

rea de drenagem de cada uma dessas sub-bacias esto contidas na mesma tabela).

46

Tabela 12 Comparao da disponibilidade hdrica em termos de Q7,10 em pontos notveis da bacia do Sapuca x Demanda Hdrica outorgada.

1 Loureno Velho 562,0 4,3 1,30 0,041 1,26 0,9% 3,1%2 Sapuca 1882,5 15,9 4,77 0,567 4,20 3,6% 11,9%3 Vargem Grande 404,9 1,3 0,39 0,04 0,35 3,1% 10,3%4 Capivari 423,5 1,6 0,48 0,021 0,46 1,3% 4,4%5 Itaim 678,1 2,3 0,69 0,255 0,44 11,0% 36,8%6 Sapuca-Mirim 1404,9 5,0 1,50 0,119 1,38 2,4% 7,9%7 Sapuca-Mirim 2237,3 7,8 2,34 0,703 1,64 9,0% 30,1%8 Mandu 401,5 1,5 0,45 0,445 0,00 30,0% 100%9 Sapuca-Mirim 2794,6 9,6 2,89 1,153 1,74 12,0% 39,9%10 Cervo 513,5 1,9 0,56 0,044 0,52 2,3% 7,8%11 Sapuca 2818,8 16,4 4,93 1,294 3,64 7,9% 26,2%12 Sapuca 6699,6 32,1 9,63 2,537 7,09 7,9% 26,3%13 Turvo 563,6 2,0 0,61 0,095 0,52 4,6% 15,4%14 Dourado 356,4 1,3 0,40 0,100 0,30 7,5% 25,1%15 Sapuca 8141,8 38,6 11,59 2,954 8,64 7,6% 25,5%16 Sapuca 8856,3 42,2 12,7 3,25 9,41 7,7% 25,7%

Relao [3]/[2]

Relao [3]/[1]

Sub-bacia/RioPontos

Disponibilidade

Q7,10 (m3/s)

[1]

Demanda Outorgada

(m3/s) [3]

30% Q7,10

(m3/s) [2]

Ad (km2)

Balano Hdrico

(m3/s) [2]-[3]

47

Dentre os resultados apresentados na Tabela 12 destaca-se que, ao se analisar o

valor mostrado na penltima coluna, para a sub-bacia do rio Mandu (Ponto Notvel 8),

esta j utiliza a demanda mxima outorgvel de 30% da Q7,10 disponvel para toda a

sub-bacia. Para este mesmo ponto quando se avalia o indicador balano hdrico, o

valor zero sinaliza que esta sub-bacia requer uma ao urgente visando, sobretudo,

evitar possveis conflitos de uso desse manancial. A ltima coluna, que relaciona a

demanda atual outorgada com a mxima outorgvel, confirma essa anlise, tendo em

vista que a relao neste ponto foi de 100%. A interpretao dos demais pontos pode

ser feita de forma anloga.

Diante dessa anlise, sugerido que os rgos gestores de recursos hdricos avaliem

o balano hdrico em sub-bacias dentro de uma bacia maior ou em casos como esse,

que o critrio de outorga seja reavaliado, de modo a compatibilizar as necessidades

dos ocupantes da bacia (demanda hdrica) com as necessidades ambientais dos

cursos de gua (vazo ecolgica).

O ponto notvel 16 localiza-se prximo seo exutria da bacia, representando o

local onde se acumulam todas as demandas outorgadas da bacia do Sapuca.

Percebe-se que cerca de do limite da vazo outorgvel (30% da Q7,10) nesse ponto

j vem sendo utilizado pelos usos outorgados. Se considerarmos a hiptese de que

grande parte dos usos ainda no outorgada, esse quadro pode tornar-se

preocupante. Com certeza o volume de gua utilizado bem maior que o efetivamente

cadastrado.

Destaca-se novamente a importncia dos rgos gestores de recursos hdricos de

estarem cada vez mais adquirindo Sistemas de Informaes Georreferenciados e

outros Instrumentos de Gesto de Recursos Hdricos sofisticados que possibilitem um

maior controle desses usos em uma bacia hidrogrfica.

O estudo apresentado neste captulo ressalta a importncia de se ter um banco de

dados confiveis de demandas outorgadas e que possa estar disponvel e de fcil

acesso para pesquisadores e profissionais que buscam contribuir para a soluo de

problemas enfrentados na bacia.

Por ltimo, entende-se que a emisso da declarao de outorga efetuada pelo rgo

competente deve ser uma ao efetiva e constante dentro da bacia, devendo esses

rgos, inclusive aumentar a busca de parcerias junto a gestores locais que atuam

nessa rea e que so responsveis por licenciamento de atividades que tambm

requerem essas declaraes para colaborarem nesta ao. Certamente isso j vem

sendo feito em algumas localidades da bacia do Sapuca, mas importante que isso

48

ocorra em todos os municpios que pertencem s regies do Alto, Mdio e Baixo

Sapuca.

49

6. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

BRASIL, Operador Nacional do Sistema Eltrico. Estimativa das vazes para

atividades de uso consuntivo da gua nas principais bacias do Sistema Interligado

Nacional SIN. Braslia: 2003.

FAHMA/DREER. Relatrio Final Estimativa das Vazes para Atividades de Uso

Consuntivo da gua nas Principais Bacias do Sistema Interligado Nacional SIN.

Relatrio Tcnico, Consrcio FAHMA/DREER FAHMA Planejamento e Engenharia

Agrcola e DREER Engenheiros Associados, Braslia. 2003.

Outorgas emitidas pela ANA < disponvel em www.ana.gov.br>.

Outorgas emitidas pelo IGAM < disponvel em http://www.igam.mg.gov.br>.

Plano Diretor de Recursos Hdricos da bacia hidrogrfica do rio das Velhas: resumo

executivo. Instituto Mineiro de Gesto das guas. Comit da Bacia Hidrogrfica do Rio

das Velhas. Belo Horizonte. 2004.

Plano Diretor de Recursos Hdricos da bacia hidrogrfica do rio Paracatu: resumo

executivo. Instituto Mineiro de Gesto das guas. Comit da Sub-Bacia Hidrogrfica

do Rio Paracatu. Belo Horizonte. 2006.

50

7. ANEXOS

7.1 Anexo A Cadastro da Campanha de Regularizao

FONTE: IGAM Campanha de Regularizao do Uso dos Recursos Hdricos em

Minas Gerais/2009.

51

7.2 Anexo B Mapa dos Usos das guas

52

7.3 Anexo C Resumo das Demandas outorgadas

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