Anlise Fundamentalista como Suporte no Mercado de Renda ... ? 1 - INTRODUO A anlise fundamentalista

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  • Anlise Fundamentalista como Suporte noMercado de Renda Varivel

    Luis Felipe Camlo de Freitasfelipecamelo.eco@gmail.com

    UniFOA

    Camila Fatima Clarimundo de Freitasmila_nely@hotmail.com

    UniFOA

    Patricia Nunes Costa dos Reispatricia.nunes@foa.org.br

    UniFOA

    Resumo:A anlise fundamentalista tem como objetivo avaliar alternativas de investimento a partir doprocessamento, caracterizao e interpretao das informaes contbeis e gerenciais das empresaslistadas na BOVESPA Bolsa de Valores do Estado de So Paulo, bem como, a leitura de informaessobre a conjuntura macroeconmica e do panorama setorial nos quais a companhia se insere. Essaanlise, particularmente, utiliza estudos de histricos financeiro dos investimentos, com a presuno deprever o comportamento das aes no mercado acionrio. Para se trabalhar essas questes, esta pesquisarealiza o estudo exploratrio da Anlise Fundamentalista para explicitar e verificar sua recepo nomercado de renda varivel quando da publicao do balano patrimonial das empresas. Buscou-sedemonstrar quais so as variveis mais importantes da anlise fundamentalista e como o mercado derenda varivel percebe esses resultados em termos de evoluo do valor das aes das empresasnegociadas na Bolsa de Valores. Para responder as questes da pesquisa, trabalhou-se com a perspectivade realizar o estudo exploratrio da Anlise Fundamentalista, com base em levantamento e anlisebibliogrfica e documental, acessando fontes primrias e secundrias para explicitar a anlisefundamentalista, luz do referencial terico de Assaf Neto (2001), Pinheiro (2009) e estudos deCorretoras de Valores especializadas. Verificou-se o maior relevo que o mercado trabalha em relao sexpectativas do que com os fatos. Dado que, em uma situao onde o fluxo de informaes eficiente,toda informao j se refletiria no preo dos ativos.

    Palavras Chave: Anlise Fundamentali - Aes - Expectativas - -

  • 1 - INTRODUO

    A anlise fundamentalista tem como objetivo avaliar alternativas de investimento a

    partir do processamento, caracterizao e interpretao das informaes contbeis e gerenciais

    das empresas listadas na BOVESPA Bolsa de Valores do estado de So Paulo, bem como, a

    leitura de informaes sobre a conjuntura macroeconmica e do panorama setorial nos quais a

    companhia se insere. Essa anlise, particularmente utiliza estudos de histricos financeiro dos

    investimentos, com finalidade de prever seu comportamento futuramente.

    O investimento em aes de uma empresa no gera resultados instantneos por ter

    uma perspectiva de retorno financeiro no longo prazo. Sendo assim, a anlise fundamentalista

    tem a presuno de estabelecer o valor justo para a ao, fundamentando decises do

    investimento para gerar lucro no longo prazo. Assim com as inovaes tecnolgicas o

    mercado varivel vem proporcionando facilidades e mais segurana aos investimentos por

    parte dos aplicadores.

    Existem trs alternativas de anlise de investimentos de renda varivel, sendo elas

    Aes, Fundo de ndice e Fundo de Investimento Imobilirio. Tais investimentos so

    baseados em hipteses, ou seja, investimentos de risco. Como esclarece Pinhero (2009),

    a justificativa desse tipo de anlise antecipar o comportamento futuro de uma

    determinada empresa no mercado, isto , adiantar-se ao mercado. Para que isso seja

    certo, tem que partir de uma hiptese bsica: o mercado no eficiente no curto

    prazo. Se no fosse assim, no seria possvel adiantar-se ao mercado. Hoje o preo

    de uma ao no reflete o verdadeiro valor, mas existe uma tendncia de que isso

    ocorra em um futuro prximo. O analista fundamentalista trata o tempo todo de

    descobrir supervalorizaes ou subvalorizaes, com base em determinada

    informao ainda no negociada pelo mercado.(p.380)

    Nessa dimenso, anlise fundamentalista preocupa-se em estabelecer o valor justo

    para a ao da empresa, fundamentando decises de investimentos. Nesse sentido, a premissa

    bsica da anlise fundamentalista baseia-se em objetivar o valor justo da empresa pela sua

    capacidade de gerar lucros no futuro.

    medida que os produtos financeiros ganham sofisticaes e o acesso ao mercado

    varivel vai se facilitando cada vez mais atravs do home broker1, o entendimento dos

    fundamentos da empresa proporciona maior segurana aos investimentos de longo prazo,

    nesse mercado.

    No acompanhamento do mercado de renda varivel perceptvel a importncia que a

    divulgao de resultados de uma empresa pode ter sobre os seus papis comercializados na

    Bolsa de Valores. Nesse cenrio, os resultados servem como importantes indicadores do

    desempenho da empresa, dando elementos para a avaliao do quanto vale a companhia.

    Para se realizar a anlise dos resultados, devem-se determinar quais so as variveis

    mais importantes. Os analistas de mercado estariam se preocupando no momento, em relao

    empresa analisada com o lucro, o crescimento das receitas, a gerao operacional de caixa,

    ou outra varivel?

    Uma questo indelvel diz respeito comparao dos resultados anteriores que podem

    ser do perodo imediatamente anterior ou se propor a comparao com o mesmo perodo em

    anos anteriores ou, com a expectativa existente dos analistas. Nessa dimenso se apresenta o

    problema: Por que as aes de algumas empresas caem aps a divulgao de resultados,

    mesmo quando apresentam lucro superior ao perodo anterior? E o que se pode inferir sobre

    1 Tecnologia desenvolvida sobre a internet que permite atravs de uma plataforma on line ao investidor comum

    acessar e fazer aplicaes no mercado acionrio, desde que cadastrado em uma Corretora de Valores.

  • empresas com resultados positivos divulgados quando notcias negativas do mercado

    internacional disparam a manada 2 em sentido contrrio.

    Os resultados trimestrais so bastante aguardados pelo mercado, pois com o

    demonstrativo de resultados, verifica-se o desempenho das empresas. Nessa dimenso surgem

    algumas dvidas sobre qual seria a importncia desses nmeros no comportamento das aes?

    Por que algumas empresas conseguem um excelente lucro e mesmo assim suas aes caem?

    Ou, ao contrrio, por que algumas empresas registram e publicam prejuzo e ainda assim o

    comportamento de seus papis fica na esfera positiva da Bolsa de Valores?

    Para se trabalhar essas questes, esta pesquisa realiza o estudo exploratrio da Anlise

    Fundamentalista para explicitar e verificar sua recepo no mercado de renda varivel quando

    da publicao do balano patrimonial das empresas.

    Sendo assim, a pesquisa busca demonstrar quais so as variveis mais importantes da

    anlise fundamentalista e como o mercado de renda varivel percebe esses resultados em

    termos de evoluo do valor das aes das empresas negociadas na Bolsa de Valores. Ser

    oportuno, tambm, acompanhar o comportamento dos agentes do mercado de renda varivel

    frente s suas expectativas sobre a publicao da anlise fundamentalista das empresas.

    Para responder essas questes, esta anlise trabalhou com a perspectiva de realizar o

    estudo exploratrio da Anlise Fundamentalista, com base em levantamento e anlise

    bibliogrfica e documental, acessando fontes primrias e secundrias para explicitar a anlise

    fundamentalista, luz do referencial terico de Assaf Neto (2001), Pinheiro (2009) e estudos

    de Corretoras de Valores.

    2 - PRINCPIOS DA ANLISE FUNDAMENTALISTA

    A anlise dos fundamentos da empresa, sublinha a anlise financeira, sendo assim,

    busca estudar em detalhe os demonstrativos financeiros da companhia, como o balano

    patrimonial e o demonstrativo de resultados, por exemplo. A partir destes dados e da cotao

    das aes3 da empresa, a anlise pode distinguir se os papis esto caros ou baratos em

    relao aos seus fundamentos atuais ou futuros. Este um ponto de relevo da anlise

    fundamentalista.

    O Balano Patrimonial um dos tipos de demonstrativos financeiros existentes, pois

    serve para analisar o valor contbil de uma empresa, com base nas aplicaes e origens de

    seus recursos em um dado momento. Os nmeros quando transformados e utilizados em

    forma de ndices podem sinalizar aspectos importantes como liquidez e endividamento.

    A estrutura do balano dividida em duas partes, sendo que todos os ativos ficam do

    lado esquerdo e os passivos e o patrimnio lquido do lado direito. As contas so classificadas

    em termos de prazo, sendo que as de curta maturao (os chamados circulantes) ficam na

    parte superior. As contas da parte inferior so aquelas de longo prazo, como demonstrado no

    Quadro seguinte.

    2 O efeito manada comumente definido por um consenso que se forma entre os investidores ao tomarem

    conhecimento do pensamento hegemnico no mercado. Ou seja, os investidores preferem agir junto com os

    demais para aumentarem lucros ou diminurem prejuzo. 3 Ao um valor mobilirio representativo de uma parcela (frao) do capital social de uma sociedade, com

    prazo de emisso indeterminado e negocivel no mercado. (ASSAF NETO e LIMA 2011, 40)

  • Quadro 1 Estrutura do Balano Patrimonial

    ATIVO PASSIVO

    Ativo Circulante

    Ativo Realizvel a Longo Prazo

    Ativo Permanete

    Investimento

    Imobilizado

    Diferido

    Passivo Circulante

    Passivo Exigvel a Longo Prazo

    Resultados de Exerccios Futuros

    Patrimnio Lquido

    Capital Social

    Reservas de Capital

    Reservas de Reavaliao

    Reservas de Lucros

    Lucros ou Prejuzos Acumulados Fonte: (ASSAF NETO e LIMA 2011, 188)

    Os ativos representam as aplicaes de recursos da empresa, e incluem o caixa, ttulos

    comercializveis, os estoques, os equipamentos, etc. Eles so contabilizados na parte esquerda

    do balano patrimonial. So classificados como ativos circulantes, ativos realizveis em longo

    prazo e ativos permanentes, conforme o prazo de maturao do ativo. Para toda aplicao de

    recursos, necessrio um financiamento. Desse modo, a soma dos passivos e do patrimnio

    lquido de uma empresa deve sempre ser igual ao montante de seus ativos.

    No lado direito do balano patrimonial, ficam as contas de financiamento. Elas so

    divididas em passivo (capital de terceiro) e patrimnio lquido (capital prprio). A relao

    entre essas suas divises importante, pois mostra quo endividada uma empresa est.

    Outra anlise que pode ser feita com base no balano patrimonial a do perfil das

    dvidas. possvel calcular a parcela de passivos de curto prazo no montante total, sabendo

    quantas contas vencero nesse e quantas vencero nos prximos exerccios. Outro clculo

    interessante a do capital de giro lquido, ou seja, a diferena entre os ativos circulantes da

    empresa e os seus passivos circulantes. A empresa precisa equilibrar os prazos de suas

    aplicaes com o de suas origens.

    Como cita Assaf Neto & Lima ( 2011),

    as sociedades por aes so obrigadas a elaborar e publicar as seguintes

    demonstraes financeiras: Balano Patrimonial; Demonstrao das

    Mutaes Patrimoniais ou Demonstrao dos lucros ou Prejuzos

    acumulados; Demonstrao do Resultado do Exerccio e Demonstrao das

    Origens e Aplicaes de Recursos.(p.188)

    A legislao regula a publicao em seus valores nominais no exerccio passado, ou

    seja, a preos correntes da poca, no evidenciando os valores reais.

    Assaf Neto & Lima (2011), esclarece que em 2007, com o advento da Lei n11.638,

    buscou-se padronizar o modelo de contabilidade nacional s caractersticas dos Balanos

    Contbeis Internacionais, desta feita, o objetivo em um mundo globalizado com a presuno

    da concorrncia perfeita, seria facilitar o acesso s informaes entre os agentes de mercado e,

    nesse caso, os agentes internacionais.

    Balanos das companhias brasileiras devem seguir os padres internacionais,

    mais prximo ao europeu, e conhecido pela sigla IFRS (International

    Financial Reporting Standard). O IFRS constitui-se em um conjunto de

    pronunciamentos de contabilidade, adotados pelos pases da Europa (Unio

    Europia) em 2005, e tem por objetivo padronizar as demonstraes

  • contbeis elaboradas pelas companhias abertas da Europa. Diversos pases

    passaram a adotr estes procedimentos contbeis, inclusive o Brasil. (ASSAF

    NETO e LIMA 2011, 189)

    3 - PRINCIPAIS INDICADORES E EVOLUO DAS CONTAS

    Embora a anlise dos nmeros isolados seja pouco usual, pois, ao contrrio do

    demonstrativo de resultado, o balano analisa estoques e no fluxos elucidador analisar

    ndices derivados do balano. Estes podem ser comparados com os de outras companhias do

    setor ou mesmo com os de outros anos. A evoluo das contas pode ser bastante elucidativa

    sobre o rumo da empresa.

    Uma distino importante do balano em relao a outros demonstrativos que ele

    mostra a situao da empresa em um momento especfico, no se referindo a um perodo. Por

    exemplo, o balano pode mostrar a situao em 31 de dezembro, porm no no quarto

    trimestre. Assim, ele evidencia a situao da empresa, ao contrrio do demonstrativo de

    resultados, que funciona mais como um "filme", como, por exemplo, dos fluxos, como

    receitas e despesas, referentes ao quarto trimestre. Sendo assim, vale citar que o valor contbil

    geralmente no indica o valor real da companhia. Mesmo com limitaes, o balano

    patrimonial, certamente um instrumento til na anlise da situao das empresas.

    Analisar os demonstrativos financeiros de uma empresa uma forma importante de

    medir seu desempenho. No entanto, a maior parte dos analistas no considera apenas os

    nmeros que constam nos principais demonstrativos, como o balano patrimonial,

    o demonstrativo de resultados e o demonstrativo de origem e aplicao de recursos.

    atravs da anlise de indicadores financeiros, calculados a partir dos dados

    disponveis nos demonstrativos, que os analistas obtm uma noo mais clara da situao e

    desempenho recente das empresas.

    3.1 - INDICADORES DE RENTABILIDADE

    Permitem avaliar os lucros da empresa em relao a um dado nvel de vendas, ativos, e

    capital investido. A anlise vertical particularmente til na comparao do desempenho de

    uma empresa entre perodos diversos. Os indicadores mais utilizados so retorno sobre

    patrimnio liquido, retorno sobre ativos e retorno sobre vendas.

    3.1.2 - MARGEM OPERACIONAL

    Determina a porcentagem de cada unidade monetria de venda que restou aps a

    deduo de todas as despesas, exceo do imposto de renda. definida como resultado

    operacional dividido pela receita lquida de vendas. Caso uma empresa tenha um resultado

    operacional de R$ 10 milhes e vendas de R$ 100 milhes, a margem operacional ser 10%,

    ou seja, a empresa ganhou R$ 10,00 (antes de imposto) para cada R$ 100,00 vendidos.

    3.1.3 - MARGEM EBITDA

    Essa medida ao contrrio da margem operacional exclui despesas financeiras e

    depreciao. O EBITDA4 visto como uma aproximao do impacto das vendas no caixa da

    empresa, de forma que a margem EBITDA d uma ideia de retorno em termos de dinheiro em

    caixa.

    3.1.4 - MARGEM LQUIDA

    4 Expresso em ingls para lucro antes de juros impostos, depreciao e amortizao.

  • Determina a porcentagem de cada real de venda que restou aps a deduo de todas as

    despesas, inclusive o imposto de renda. definida como lucro lquido dividido pela receita

    lquida de vendas. Funciona de forma semelhante margem operacional, porm, neste caso, o

    lucro lquido utilizado, j incluindo o que foi pago em impostos.

    3.1.5 - RETORNO SOBRE PATRIMNIO

    Mede o retorno para os acionistas do capital investido na empresa (calculado como

    lucro lquido/patrimnio lquido). Por exemplo, um lucro de R$ 20 milhes para uma empresa

    de R$ 100 milhes de patrimnio significa um retorno de 20% sobre o capital investido por

    acionistas. Esse retorno pode ser comparado com o de outras empresas (do mesmo setor), ou

    de outros investimentos (ex.: poupana, renda fixa etc.).

    3.2 - ESTRUTURA DE CAPITAL

    Permite analisar a posio de endividamento (quanto de capital de terceiros est sendo

    usado para financiar a empresa), a capacidade da empresa em gerar caixa suficiente para

    pagar os juros e principal de suas dvidas (cobertura de juros), e/ou garantir o crescimento

    sustentado de suas atividades (taxa de reteno).

    3.2.1 - ENDIVIDAMENTO TOTAL SOBRE PATRIMNIO

    Expressa a relao entre o que a empresa deve a terceiros e o que foi investido pelos

    acionistas. Um ndice elevado pode dificultar o levantamento de novos financiamentos, ou

    pressionar a capacidade de gerao de caixa da empresa (j que grande parte do lucro ser

    usada para pagar juros e principal de dvidas assumidas).

    3.2.2 - COBERTURA DE JUROS

    Mede a capacidade da empresa de pagar os juros contratuais da sua dvida sem

    comprometer a sua gerao de caixa. s vezes uma empresa possui um endividamento alto,

    mas a sua cobertura de juros muito boa. Nesse caso, o alto endividamento pode ser resultado

    da estratgia da empresa em buscar formas mais baratas de financiamento. A frmula mais

    comum a diviso do lucro antes dos juros e impostos (EBIT) pelas despesas financeiras

    brutas.

    3.3 - INDICADORES DE LIQUIDEZ

    Medem a capacidade da empresa de satisfazer suas obrigaes de curto prazo na data

    de vencimento, ou seja, refere-se solvncia da situao financeira global da empresa. Os

    principais indicadores de liquidez so capital circulante, ndice de liquidez corrente, liquidez

    seca e liquidez geral. Como cita Pinheiro (2009),

    Podemos interpretar a liquidez de uma empresa como sendo o grau de

    capacidade que ela possui, em determinado momento, de atender a seus

    compromissos a curto prazo mediante a realizao de seus ativos circulantes.

    O grau de liquidez de um ativo depende da rapidez com que ele pode ser

    transformado em dinheiro sem perder valor. (p.411)

    3.3.1 - LIQUIDEZ CORRENTE

    Indica o quanto a empresa tem a receber no curto prazo em relao ao quanto tem a

    pagar no mesmo perodo. definido como ativo circulante dividido pelo passivo circulante.

    Em geral espera-se que esse indicador esteja acima de 1, pois caso contrrio a empresa pode

    ter dificuldades para pagar suas obrigaes de curto prazo.

  • 3.3.2 - INDICADORES DE ATIVIDADE

    So usados para medir a rapidez com que vrias contas da empresa so convertidas em

    vendas ou caixa. Entre os indicadores mais utilizados esto: giro de caixa, giro de estoques, e

    perodo mdio de cobrana.

    3.3.3 - GIRO DE CAIXA

    Em geral, quando o ndice de liquidez corrente de uma empresa baixo, isso significa

    que o giro de caixa alto, ou seja, o dinheiro que a empresa recebe pelas suas mercadorias

    vendidas rapidamente usado para financiar suas atividades.

    4 - VARIVEIS EM DESTAQUE

    Qual seria a varivel mais evidenciada pelos analistas de mercado? Essa questo varia

    nos debates dos analistas ao longo do tempo. Alm disso, a anlise de empresas varia de setor

    para setor, com algumas variveis, como a gerao operacional de caixa, por exemplo, no

    sendo calculadas para empresas que atuam no segmento financeiro, como bancos.

    Entretanto, encontra-se com mais frequncia na centralidade das discusses de anlise

    trs variveis: receitas lquidas, lucro lquido e Ebitda, a mais utilizada medida de gerao de

    caixa. Neste contexto, vale a pena analisar as vantagens e desvantagens de cada uma.

    4.1 - RECEITA E LUCRO

    A receita lquida fornece um panorama do que acontece com o faturamento da

    empresa, mas no traz elementos para avaliar um quadro completo, pois a empresa poderia

    aumentar as receitas em 50% e as despesas poderiam subir o dobro.

    J o lucro ou prejuzo uma varivel que chama a ateno do pblico em geral. No

    entanto, este possivelmente o indicador mais difcil de ser previsto, pois surge como

    resultado tanto de elementos operacionais como no operacionais, que muitas vezes podem

    afetar este indicador de forma significativa.

    O lucro lquido pode trazer uma viso distorcida do que ocorre com a empresa, pois

    muitas vezes um resultado operacional ruim pode ser "mascarado" por elementos no

    operacionais, como vendas de ativos, reverso de provises ou mesmo pelo resultado

    financeiro, sobretudo ganhos ou perdas cambiais.

    4.2 - GERAO OPERACIONAL DE CAIXA

    Esse indicador muito comentado pelos analistas, embora seja importante ressaltar

    que no existe consenso, este o Ebitda, que mede a gerao operacional de caixa. Tambm

    conhecido como Lajida, abreviatura de Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciao e

    Amortizao, este indicador se tornou muito popular nos ltimos anos, por excluir diversos

    itens no operacionais.

    Embora tambm seja alvo de crticas, principalmente pela falta de padronizao no seu

    clculo por parte das empresas, o Ebitda aparece como uma importante medida de

    desempenho operacional, ao medir efetivamente o quanto de caixa a empresa gerou a partir de

    suas atividades operacionais.

    5 - AS EXPECTATIVAS RACIONAIS DOS AGENTES DE MERCADO

    Em relao Teoria das Expectativas Racionais, Mankiw (2009), sublinha que as

    pessoas, ao preverem o futuro, usam otimamente todas as informaes de que dispem,

    inclusive informaes sobre as polticas governamentais (p.520).

  • Nesse sentido, Blanchard, (2001) complementa que

    a reao ao consumo s variaes da renda depende de se os consumidores

    percebem essas variaes como transitrias ou permanentes (...) [e] o

    investimento depende tanto do lucro corrente quanto do valor atual dos

    lucros futuros esperados (p.354).

    Nessa dimenso, onde se pode trabalhar uma profuso de sentimentos e sensaes, os

    agentes de mercado buscam no somente sua sobrevivncia, mas auferirem lucros nas

    transaes realizadas no mercado de renda varivel, seu objetivo. Sendo assim, a presuno

    de antecipar movimentos futuros supera a publicao dos nmeros e a anlise

    fundamentalista das empresas, essa ltima somada ao entendimento do cenrio

    macroeconmico, consubstanciam as expectativas formuladas que iro servir de base para as

    decises de compra e venda de papis negociados das empresas na BOVESPA.

    A Teoria das Expectativas Racionais, se sobrepe ao Mito da Caverna de Plato,

    segundo o qual as pessoas imaginam que as sombras traduzem realidade, porm a verdade

    estaria fora da caverna. Nesse sentido a traduo dos sinais, pelos agentes de mercado,

    significariam a prpria realidade que se ir materializar.

    Nessa dimenso, toda a safra de resultados trimestrais bastante aguardada pelo

    mercado. Pois com os demonstrativos de resultados, os agentes de mercado visualizam o

    desempenho da empresa e analisando os aspectos macroeconmicos formulam suas

    expectativas racionais.

    5.1 - EXPECTATIVAS E REALIZAO

    Frente s expectativas de mercado, a cotao atual da ao j incorpora o resultado

    que o mercado acredita que a empresa ir divulgar no futuro. Por exemplo, esperado um

    prejuzo de uma empresa que registrou perdas nos ltimos anos, se no houve nenhuma

    mudana significativa nesse perodo. Desse modo, se o resultado for realmente negativo, na

    dimenso que o mercado esperava, provavelmente, nada ocorre com a ao.

    Por outro lado, se o resultado vem positivo, a ao tende a subir, porque ela estava

    "precificada" com a estimativa de prejuzo. Ainda que a companhia registre um resultado

    negativo no perodo, a ao pode registrar alta, desde que essa perda seja menor do que a que

    o mercado esperava. Ou seja, o que vale comparar os nmeros com a expectativa, e no com

    o resultado passado.

    5.2 - EXPECTATIVAS E FUTURO

    Os resultados contbeis/financeiros so importantes. Pois atravs deles o mercado

    especula o que acontecer com a empresa no futuro. No uma simples projeo do passado,

    at porque muitas variveis no apresentam comportamento linear, mas um ponto de

    partida: feitos alguns ajustes, o mercado estima e tem a presuno de especular seu

    comportamento no futuro.

    Os preos alvo sugeridos pelos bancos e corretoras passam por ajustes aps o

    resultado corporativo ter sido anunciado. Isso porque o preo alvo calculado com base em

    um fluxo de caixa projetado da empresa, descontado por uma taxa de risco.

    CONCLUSO

    Constantemente se observa que os investidores ficam surpresos com a reao do

    mercado aps a divulgao dos resultados de algumas das principais empresas brasileiras.

  • Mesmo aps divulgarem lucros elevados, algumas vezes recordes histricos, os papis das

    empresas fecham em queda na Bovespa.

    O que ocorre nestes casos que os resultados, mesmo muito positivos na comparao

    com perodos anteriores, ficaram abaixo da expectativa mdia dos analistas. Embora o desvio

    possa muitas vezes ser pequeno, com muitos analistas, inclusive, acreditando que os nmeros

    ficaram em linha com suas projees, os papis podem reagir negativamente.

    Nessa dimenso, depura-se que o mercado trabalha mais com as expectativas do que

    com os fatos. Como, em uma situao onde o fluxo de informaes eficiente, toda

    informao j se reflete no preo dos ativos, o que pode causar grandes mudanas so

    surpresas, ou seja, fatos novos que no eram de conhecimento do mercado.

    Nesse sentido, observam-se alm das expectativas dos agentes, suas incertezas em um

    mercado de risco, sendo assim, Camargos (2004), esclarece que

    Os termos expectativa, incerteza e risco, so partes integrantes do

    vocabulrio cotidiano dos economistas hoje em dia, abrangendo diferentes

    linhas de pensamento e as mais diversas reas de aplicao. Na economia

    real, h indicadores e mais indicadores sobre medidas de risco e expectativas

    dos agentes. Contudo, no podemos falar em consenso sobre o significado

    destes termos na cincia econmica; ao contrrio: o que observamos so

    confrontos de ideias, disputas entre interpretaes sobre autores especficos

    e, ainda, silncio sobre o sentido e abrangncia dos conceitos que esto

    sendo utilizados. (p.05)

    Entretanto a anlise com trimestres anteriores importante, mesmo que traga poucas

    novidades, pois pode refletir fatos que j eram de conhecimento do mercado. Assim, a

    divulgao de um lucro ou Ebitda menor pode no derrubar uma ao, pois isso j era

    esperado pelo mercado e os papis j precificavam este fato.

    Como o mercado trabalha na hiptese de que todos os fatos conhecidos j esto

    precificada no preo da ao, ganha muita importncia comparar os resultados divulgados

    pelas empresas com as projees feitas pelos analistas. Estes profissionais de mercado,

    qualificados para a anlise de empresas, acabam servindo como referncia e, com suas

    previses, orientam o mercado.

    Desta forma, qualquer desvio dos resultados em relao ao projetado pelos analistas

    deveria trazer implicaes sobre as aes, j que, na teoria, traz um fato novo que no era de

    conhecimento ou entendimento do mercado, justificando uma queda ou alta nas aes.

    Porm, mesmo esta comparao est sujeita a crticas. Em primeiro lugar, no fcil

    obter uma medida consistente de consenso de mercado, j que muitos analistas divulgam suas

    informaes apenas para seus clientes, dificultando a compilao dos dados. Alm disso,

    mesmo que todos os analistas sejam consultados, ainda existem diferenas na forma no qual o

    mercado precifica a opinio de cada analista, ou seja, a opinio de alguns pode valer mais do

    que de outros.

  • REFERNCIAS

    ASSAF NETO, Alexandre, e F.G. LIMA. Curso de Administrao Financeira. 2. So Paulo, SP:

    Atlas, 2011.

    BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia: Teoria e Poltica Econmica. 2. Traduo: Maria Jos

    Cyhlar Monteiro. Rio de Janeiro, RJ: Campus, 2001.

    CAMARGOS, Luiz Rogrio de. Fundamentos para uma Teoria de Expectativa Econmica. Escola

    de Economia de So Paulo.Texto para Discusso. So Paulo, SP: FGV - EESP, 2004.

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