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SEDE NACIONAL Rua So Bento, 365, 18 Andar Centro So Paulo SP Fone: (11) 3105-0884 / Fax: (11) 3107-0538 observatorio@os.org.br

A Economia Brasileira ps-Ascenso Chinesa: Anlise Setorial do Padro de Comrcio, dos Impactos sobre o Emprego e das Novas Estratgias Empresariais

Relatrio de Pesquisa II (IOS/DGB)

SO PAULO MARO/2008

INSTITUTO OBSERVATRIO SOCIAL

CONSELHO DIRETOR Presidente Artur Henrique da Silva Santos Diretor Administrativo - Financeiro Valeir Ertle CUT Denise Motta Dau CUT Jacy Afonso de Melo CUT Joo Antnio Felcio CUT Quintino Marques Severo CUT Rosane da Silva CUT Valria Conceio da Silva Dieese Joo Vicente Silva Cayres Dieese Mara Luzia Feltes Unitrabalho Francisco Mazzeu Unitrabalho Silvia Arajo Cedec Maria Ins Barreto Cedec Tullo Vigevani

DIRETORIA EXECUTIVA Presidente Artur Henrique da Silva Santos Diretor Administrativo - Financeiro Valeir Ertle Unitrabalho Carlos Roberto Horta Dieese Joo Vicente Silva Cayres CUT Jacy Afonso de Melo CUT Joo Antnio Felcio

Cedec Maria Ins Barreto

SUPERVISO TCNICA Amarildo Dudu Bolito - Supervisor Institucional Ronaldo Baltar - Supervisor do Sistema de Informao

ELABORAO DO RELATRIO DE PESQUISA Alexandre de Freitas Barbosa Consultor Tcnico Douglas Toledo Pesquisa Assistente de Pesquisa

A Economia Brasileira ps-Ascenso Chinesa: Anlise Setorial do Padro de Comrcio, dos Impactos sobre o Emprego e das Novas Estratgias Empresariais1ndice

Apresentao.......................................................................................Pag. 5 1.Introduo Metodolgica.................................................................Pag.6 2.As Economias Brasileira e Chinesa depois dos Anos 90................Pag.7 3.Evoluo das Relaes Comerciais entre Brasil e China: uma Anlise Setorial................................................................................................Pag.12 4.Evoluo da Produo e do Emprego nos Setores Mais Afetados pelo Comrcio Brasil-China......................................................................Pag.28 5.O Brasil, a China e as Polticas de Defesa Comercial..................Pag.35 6.As Estratgias Empresariais..........................................................Pag.46 7.Sntese Setorial................................................................................Pag.53 8. possvel Enfrentar o Drago?.....................................................Pag.55

Bibliografia.........................................................................................Pag.58

1

Texto elaborado pelo Instituto Observatrio Social (IOS)

ApresentaoEste o segundo relatrio de pesquisa oriundo do projeto Ascenso Chinesa e seu Impacto sobre a Amrica Latina e o Brasil: Impactos Setoriais e sobre o Mercado de Trabalho, desenvolvido pelo Instituto Observatrio Social, com apoio da DGB, central sindical alem. O objetivo desta pesquisa fornecer um conjunto de informaes sobre comrcio, produo e emprego para os setores industriais mais afetados pela concorrncia chinesa, de modo a permitir uma compreenso mais aprofundada sobre esta nova realidade por parte do movimento sindical brasileiro. Trata-se de um passo importante para que os trabalhadores possam desenvolver aes no plano nacional, regional e internacional que contribuam para atenuar os impactos negativos da ascenso chinesa sobre a produo, o emprego e as condies de trabalho no pas. Enquanto no primeiro relatrio procurou-se apontar as novas relaes econmicas entre a China e Amrica Latina, destacando os diversos padres de comrcio e investimento para alguns pases da regio, bem como o que isto significa em termos de oportunidades e constrangimentos para a poltica externa e para as aes do movimento sindical, o presente texto foca na relao entre China e Brasil. Com vistas a explicar como procedemos para a obteno dos dados, iniciamos o texto com uma introduo metodolgica, apresentando com detalhe as bases oficiais do governo brasileiro e das organizaes multilaterais utilizadas. Em seguida, apontamos as trajetrias distintas das duas economias durante os anos 90, para, na segunda parte, desenvolvermos uma anlise de corte setorial, apresentando uma srie de indicadores sobre os impactos da China nos setores onde o Brasil superavitria cadeia da soja e minrios e especialmente naqueles onde o pas apresenta dficits comerciais crescentes, quais sejam: txtil, vesturio, brinquedos, calados, produtos qumicos, eletroeletrnicos e mquinas. No caso dos setores deficitrios, apresentam-se tambm as diferenas recentes em termos de comportamento dos setores de baixo e alto valor agregado. Na terceira parte do texto, apontamos para o desempenho recente dos indicadores de produo e emprego nestes setores, procurando avaliar em que medida pode-se falar de um impacto chins negativo. Como veremos, a varivel independente China no facilmente dissociada do desempenho geral da indstria brasileira, dos efeitos da valorizao cambial e de outras variveis macroeconmicas e das aes implementadas ou postergadas no terreno da poltica industrial. Na quarta parte do texto, so discutidas as medidas de proteo comercial utilizadas pelo Brasil com relao China, destacando que estas devem fazer parte de uma estratgia mais ampla de reinsero dinmica e competitiva da economia brasileira no contexto internacional. Na quinta parte do texto, procuramos construir um esquema de modo a salientar as principais estratgias empresariais mobilizadas pelas empresas nacionais e multinacionais com atuao no Brasil para enfrentar o desafio competitivo chins.

Em seguida, uma sntese setorial procura agrupar a evoluo das principais variveis para o perodo 2000-2005 em termos de comrcio, produo e emprego para os setores selecionados. Finalmente, procuramos resumir as principais concluses do estudo, com o intuito de esboar um quadro mais matizado do desafio que a ascenso chinesa impe sociedade brasileira, fugindo das anlises extremas que tendem a encarar a China, ora como salvao para o pas, ora como responsvel por uma futura destruio do parque industrial brasileiro.

1. Introduo MetodolgicaA inteno desta anlise foi apresentar os dados comerciais que possibilitassem um diagnstico dos setores mais impactados pelas importaes brasileiras da China ou nos quais as exportaes para aquele pas se revelassem importantes. Em linhas gerais, os setores cujos captulos do sistema harmnico (SH1996 e SH2002) somados correspondessem a mais de 4% do valor total importado pelo Brasil no ano de 2005 foram includos na anlise. Deste modo, do lado das exportaes, os setores analisados e seus respectivos captulos so: soja, 12; leos vegetais, 15; minrios, 26; e, por fim, ferro e ao, 72. Do lado das importaes, temos os setores e captulos seguintes: qumico, 28 e 29; txtil, 53 a 60; vesturio, 61 e 62; calados, 64; eletro-eletrnico, 84; mquinas, 85; e, finalmente, brinquedos, 95. Quando necessrio outros captulos passaram a integrar a pesquisa para efeitos de comparao. Isto ocorreu, sobretudo, para contrastar as evolues comerciais de matrias-primas e produtos de baixo valor agregado e produtos acabados ou de maior valor agregado, como nos binmios couro-calado (comparao entre os captulos 42 e 64) e ferro-ao (comparao entre os itens do capitulo 72 relacionados a ferro e os relacionados a ao). Os dados de comrcio internacional foram obtidos da base de dados do Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Aliceweb. Essa base de dados apenas informa o comrcio bilateral em que uma das partes o Brasil, e foi utilizada notadamente para os parceiros comerciais China e Mundo. Quando necessrio buscar dados do comrcio chins com outro parceiro que no o Brasil, a fonte utilizada foi a base de dados das Naes Unidas, o Comtrade. Na existncia de discrepncia entre dados de uma e outra fonte, foram utilizados aqueles oriundos da primeira fonte, pois est a oficial brasileira. A partir de todos os valores coletados, e segundo a metodologia desenvolvida pela Federao das Indstrias do Estado de So Paulo (Fiesp, 2006), toda a pauta comercial bilateral foi desmembrada em cdigos NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), e reagrupada em categorias: pesca, minrios, combustveis, agrcolas no-processados, agrcolas processados e industriais. Para tentar avaliar a real participao dos importados chineses nos setores em que o supervit deste pas com o Brasil expressivo, foram coletados os valores, disponibilizados pela Fundao de Comrcio Exterior (FUNCEX), de penetrao das

importaes por setor de atividade. Utilizando a mesma metodologia que a Fundao emprega, foram estimados os valores de um coeficiente de penetrao das importaes provenientes da China. O calculo feito pela diviso do valor de importao de produtos chineses pelo consumo aparente domstico. Assim, ambos os valores so calculados por: M/(V-X+M ) Em que: M corresponde ao valor de importao no setor proveniente da China. V o valor de produo no setor, calculado em preos constantes, a dlares de 2004. X o valor de exportao brasileira do setor. M corresponde ao valor de importao total do setor. V-X+M corresponde ao consumo aparente. Em seguida foram avaliados, para os setores chave, os nveis de emprego e remunerao mdia. A fonte utilizada foi oram as bases de dados de Relao Anual de Informaes Sociais (RAIS) do Ministrio do Trabalho e Emprego. Para os dados de produo e emprego tambm se fez uso dos indicadores de produo e pessoal ocupado assalariado da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (PIM/IBGE), que se limita s empresas de porte grande e mdio (mais de 30 trabalhadores por estabelecimento). Para a descrio de barreiras de comrcio foram coletados dados disponveis do Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio (Departamento de Comrcio DECOM), do Ministrio de Relaes Exteriores e da Organizao Mundial do Comrcio. So os nveis tarifrios praticados pelo Brasil segundo a Tarifa Externa Comum (T