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  • ANLISE ERGONMICA DA

    SINALIZAO PARA DEFICIENTES

    VISUAIS EM HOTIS

    Larissa Nascimento dos Santos (UFRN)

    larissa.interiores@yahoo.com.br

    Ricardo Jose Matos de Carvalho (UFRN)

    rjmatos@terra.com.br

    O tema da acessibilidade a pessoas com deficincia est em

    crescimento no Brasil e este artigo trata da anlise das atividades

    desenvolvidas por uma pessoa com deficincia visual atravs dos

    princpios ergonmicos, objetivando recomendaess de sinalizaes

    para hotis que possam atender s estas pessoas. Para a anlise dos

    dados utilizou-se o mtodo da Anlise Ergonmica do Trabalho,

    atravs dos mtodos observacionais, onde foi feita a observao

    atravs de filmagens e fotos feitas durante a atividade da pessoa com

    deficincia visual na utilizao do hotel, levando em considerao suas

    tarefas cognitivas. Ao final das anlises foram geradas recomendaes

    de alterao ou insero da sinalizao adequada para a utilizao e

    entendimento das pessoas com deficincia visual de forma autnoma,

    segura e confortvel s suas necessidades e limitaes. Podemos

    concluir que so necessrios investimentos em pesquisas sobre este

    assunto, visto que a literatura ainda no desenvolveu mtodos

    cannicos de anlise ergonmica de tecnologias de orientao para

    pessoas com deficincia visual.

    Palavras-chaves: Ergonomia, Acessibilidade, Deficientes visuais,

    Sinalizao

    XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovao Tecnolgica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produo na Consolidao do Brasil no

    Cenrio Econmico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011.

  • XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovao Tecnolgica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produo na Consolidao do Brasil no

    Cenrio Econmico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011.

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    1. Introduo

    O Brasil, a exemplo de outros pases, vem adotando gradativamente os conceitos de

    acessibilidade. Esse crescimento deve-se ao esforo de profissionais que trabalham pensando

    nos direitos das pessoas com deficincia, resultando em normas tcnicas e leis que exigem a

    utilizao dos espaos urbanos e das edificaes por todas as pessoas, independente das suas

    limitaes.

    Entretanto, a sociedade nem sempre oferece pontos de referncias acessveis a todas as

    pessoas, principalmente s pessoas com deficincia visual. Por no terem acesso s

    informaes visuais para sua orientao e mobilidade, estas ficam limitadas a certos espaos

    fsicos, vendo restringirem-se seu direito liberdade de ir e vir (ALMEIDA et al, 2007).

    Enquanto o sentido da viso d suporte, para as pessoas que o possuem, para orientar-se e

    adquirir informaes, as pessoas com deficincia visual utilizam outras formas para a

    explorao do ambiente, a orientao e mobilidade com autonomia, tais como o tato

    exploratrio, o movimento orientado e a audio seletiva para identificao de estmulos.

    O tato exploratrio permite identificar objetos, formas, relevos e texturas utilizando as mos,

    a bengala e todo o corpo, sendo basicamente prprio-cntrico. Atravs do movimento

    orientado o indivduo obtm informaes constantes sobre o equilbrio do corpo no espao e

    seus eixos de referncia (vertical/horizontal, direita/ esquerda, frente/costas), assim como

    sobre a direo, a distncia, e o ritmo do movimento em si (DISCHINGER, 2006 apud

    DISCHINGER, in ALMEIDA et al, 2010).

    Vrias so as leis estaduais e municipais que obrigam a existncia de escritos adaptados

    disposio de deficientes visuais em restaurantes, bares e lanchonetes, hotis e motis, a

    exemplo da Lei Estadual 3.879, do Estado do Rio de Janeiro que, apesar de ter sido

    sancionada em junho de 2002, encontra uma realidade muito diferente do que fora

    estabelecido. Muitos estabelecimentos ignoram a necessidade de proporcionar atendimento

    diferenciado e de qualidade para todos os pblicos existentes, e os que precisam de

    atendimento especial so excludos ou mal atendidos.

    O setor hoteleiro, segundo a EMBRATUR, o principal objeto de consumo do turismo que,

    por sua vez, responsvel por 5,6% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. Dados da

    Associao Brasileira da Indstria Hoteleira - ABIH relevam que a indstria hoteleira

    brasileira envolve um volume significativo de recursos, com patrimnio imobilizado em torno

    de US$ 15 bilhes, receita bruta anual de cerca de US$ 9 bilhes, arrecadao de mais de US$

    1,8 bilho em impostos, taxas, contribuies, e grande gerao de divisas internacionais.

    De acordo com os dados do censo do IBGE, no ano de 2000, o Brasil apresentava 24 milhes

    de pessoas com deficincia, sendo 16,6 milhes (48%) de pessoas com algum grau de

    deficincia visual, com 148 mil se declarando cegos. Esta populao ainda no est sendo

    vista como nicho potencial de mercado, assim, no encontram meios suficientes de usufruir

    dos servios e equipamentos disponveis por este tipo de edificao promotora do turismo. A

    ausncia da acessibilidade nos estabelecimentos hoteleiros demonstra o descaso ao

    cumprimento de leis e normas como a NBR 9050, estabelecida em 2004 e amparada pela Lei

    Federal 10.098 de 19 de dezembro de 2000.

    Apesar de uma maior conscientizao por parte dos rgos responsveis em proporcionar

    acessibilidade, ainda a pouca quantidade de publicaes existentes relacionadas temtica

    voltada para deficientes visuais em empreendimentos hoteleiros. Com isso, esta pesquisa foi

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    desenvolvida para contribuir com os estudos e anlises sobre a importncia da acessibilidade

    para deficientes visuais em empreendimentos hoteleiros e o presente trabalho ir analisar e

    difundir uma ferramenta que ir promover a hospitalidade e proporcionar a autonomia dessa

    populao em meios de hospedagem, a sinalizao. A pesquisa foi despertada pela seguinte

    hiptese: a adequao dos hotis em termos de acessibilidade, total ou assistida,

    disponibilizando, tambm, tecnologias assistivas facilitar a acessibilidade das pessoas com

    deficincia visual e diminuir os riscos de acidentes.

    2. Deficincia visual

    Ao longo da histria da humanidade, a perda da viso, assim como outros tipos de deficincia

    tm sido explicados atravs de mitos, crendices, concepes populares e cientficas de cada

    poca (SILVA, 2008). Estes conceitos trouxeram conseqncias negativas na imagem das

    pessoas com deficincia visual que so percebidas at hoje, em grande parte da sociedade,

    como pessoas dignas de piedade. Por outro lado, cada vez mais est se buscando explicaes

    para as causas da perda da viso e suas definies.

    As patologias que levam deficincia visual incluem, principalmente, alteraes das

    seguintes funes visuais: viso central, viso perifrica e sensibilidade aos contrastes. Silva

    (2008) ressalta que h casos em que a cegueira causada por doenas que atingem

    especificamente o aparelho ocular, como o glaucoma, a catarata e as distrofias perifricas e

    centrais, e aqueles em que esta condio associada a outros problemas orgnicos, como a

    diabetes, ou sndromes neurolgicas que afetam o nervo ptico. Nestes casos, geralmente a

    cegueira progressiva, com tempo varivel at a perda total da viso. H tambm os casos de

    cegueira adquirida de forma sbita por traumas e violncias.

    A deficincia visual pode ser caracterizada como cegueira, na qual a acuidade visual igual

    ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correo ptica, ou como baixa viso, que

    significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correo ptica. H

    ainda os casos nos quais a somatria da medida do campo visual em ambos os olhos igual

    ou menor que 60. (DECRETO n 5.296/2004).

    Fatores pessoais (cognitivos, sensoriais, psicolgicos, fsicos e relativos percepo) e

    ambientais (cor, contraste, tempo, espao e iluminao) podem, pois, potencializar ou agravar

    o nvel de funcionamento visual decorrente de alteraes das funes visuais, nomeadamente,

    na acuidade visual, no campo visual, na motilidade ocular, nas funes cerebrais e na

    percepo da luz e da cor. (PORTUGAL/Ministrio da Educao, 2008)

    O servio de qualidade nos hotis para pessoas com deficincia visual importante para

    preservar sua integridade fsica e seu direito de lazer sem infortnios. Para que seja possvel a

    troca de mensagens na prestao de servios com este grupo, necessrio que se tenha

    conhecimento do pblico ao qual ser direcionado o atendimento e ter sensibilidade para

    escolher os recursos de comunicao adequados, sem limitar a difuso da mensagem a um s

    tipo de comunicao. Os prestadores de servios no precisam adotar o sentimento de

    compaixo que a maioria da populao atribui a eles, mas devem considerar a legislao e

    trat-los com respeito e igualdade.

    3. Acessibilidade

    A insero da acessibilidade aos deficientes visuais num ambiente construdo efetivada

    quando estes ambientes passam a proporcionar condies de mobilidade com autonomia e

    segurana, a partir da eliminao das barreiras arquitetnicas, urbansticas, comunicacionais e

    instrumentais que dificultem a percepo das caractersticas do ambiente.

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