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N 414 Maro / 2015FUNDAO INSTITUTO DE PESQUISAS ECONMICAS

As ideias e opinies expostas nos artigos so de responsabilidadeexclusiva dos autores, no refl etindo a opinio da Fipe

RobertoLuisTrosteranalisaosdesaiosdosetorbancrioeatendncia

maiorconcentraoanteaconjunturaeconmicaepolticade2015.

Regras para Penso por Morte

R N C

Presidncia do Brasil: Sem Rumo Num Mundo de Fantasias

I N C

Vdeo sob Demanda, Monetizao e Outras Fronteiras na Economia Poltica do Setor Criativo

J L M

O Comportamento da Poltica Fiscal: de 1990 aos Anos Recentes

C B S F

anlise de conjuntura

Poltica Monetria

R L T

Mercado de Trabalho

V M S

RogrioNagamineCostanzianalisaasmudanasnasregrasparapenso

pormortenaPrevidnciaSocial,diantedeumquadrodeexpressivo

aumentodosgastoscomessebenecio.

JulioLucchesiMoraesdiscutenovosmodelosdenegcionosetoraudio-

visualinternacional,perspectivasdemonetizaodeatividadescriativas

epossveisregulamentaesnessesegmento.

p.3

IracidelNerodaCostatececomentriosecrticassobreaatuaopoltica

eeconmicadogovernoDilmanesteinciode2015.

p.9

CarlndiaBritoSantosFernandes,nosegundoartigodasrie,apresenta

umaperspectivahistricadaconduopr-cclicadapolticaiscaldos

anos1990atacriseinanceirade2008.

p.13

p.14

p.17

p.6 VeraMartinsdaSilvafazumbalanodomercadodetrabalho,apartirde2000,eapresentaosdadosdaPNADcontnuadejaneirode2015.

maro de 2015

Conselho Curador

JuarezA.BaldiniRizzieri(Presidente)AndrFrancoMontoroFilhoCarlosAntonioRocca

DenisardC.deOliveiraAlvesFernandoB.HomemdeMeloFranciscoVidalLunaHeronCarlosEsvaeldoCarmoJoaquimJosMartinsGuilhotoJosPauloZeetanoChahad

INFORMAES FIPE UMA PUBLICAO MENSAL DE CONJUNTURA ECONMICA DA FUNDAO INSTITUTO DE PESQUISAS ECONMICAS ISSN16786335

Conselho Editorial

HeronCarlosE.doCarmoLeninaPomeranzLuizMartinsLopesJosPauloZ.ChahadMariaCristinaCacciamaliMariaHelenaPallaresZockunSimoDaviSilber

Editora-Chefe

FabianaF.Rocha

Preparao de Originais e Reviso

AlinaGasparellodeAraujo

Produo Editorial

SandraVilasBoas

http://www.ipe.org.br

SimoDaviSilberVeraLuciaFava

Diretoria

Diretor Presidente

CarlosAntonioLuque

Diretor de Pesquisa

MariaHelenaPallaresZockun

Diretor de Cursos

JosCarlosdeSouzaSantos

Ps-Graduao

PedroGarciaDuarte

Secretaria Executiva

DomingosPimentelBortoletto

Indicadores Catho-Fipe

Os indicadores Catho-Fipe, desenvolvidos pela Fipe em parceria com a Catho, oferecem uma viso mais apro-

fundada e imediata do mercado de trabalho e da economia brasileira. As informaes disponveis em tempo

real no banco de dados da Catho e em outras fontes pblicas da Internet permitem agilidade na extrao e

clculo dos nmeros. Desta forma, possvel acompanhar a situao imediata do mercado de trabalho, sem

a necessidade de se esperar um ou dois meses para a divulgao dos dados ofi ciais. Todos os indicadores so

divulgados no ltimo dia til de cada ms, com informaes sobre o prprio ms.

O primeiro indicador uma estimativa para a taxa de desemprego calculada pelo IBGE, a Taxa de Desempre-

go Antecipada. A Fipe calcula tambm um ndice que acompanha a relao entre novas vagas e novos curr-

culos cadastrados na Internet, o ndice Catho-Fipe de Vagas por Candidato (IVC). Este indicador mais amplo

do que a taxa de desemprego, porque traz informaes sobre os dois lados do mercado: a oferta e a deman-

da por trabalho. Alm desses dois indicadores, o ndice de Salrios Ofertados permite o acompanhamento

dos salrios oferecidos pelas empresas que esto em busca de novos profi ssionais.

Maiores Informaes:

:(11)3767-1764

:cathoipe@ipe.org.br

3anlise de conjuntura

maro de 2015

Poltica Monetria

R L T (*)

Osetorbancriobrasileiroviveu

muitosdesaiosaolongodesua

histriaeseencontranumaen-

cruzilhada:podeserumsuporte

importantenestemomentodicil

ouse transformaremmaisum

peso,diicultandoaretomadada

economia.

Opiorquepoderiaacontecerneste

momentoterproblemasbanc-

rios.

Oambientemacroeconmicose

apresentacomplicado.Ossinais

desejadosdasvariveisestotro-

cados:inlaoejurosemaltae

crescimentoeempregoemqueda.

Agravandooquadro,nocenrio

internacional,hespeculaesde

queoBrasilpodeperderograude

investimento(investmentgrade),os

preosdascommoditiesestoem

quedaeoFEDdevesubirastaxas

nofuturoprximo.

Osindicadoresdosetorbanc-

riocomoumtodopreocupam.A

inadimplnciaestalta,embora

estvelnosinanciamentosbanc-

rios;ondiceSerasa,quetambm

incluiatrasosemoperaesdo

comrcioedoinanciamentono

bancrio,mostrarecordesdealta

nocomeodesteano.

Humaincertezasobreosimpac-

tosdaoperaoLavaJatonomer-

cadodecrditoeemquesetoresa

desaceleraoeconmicavaiafetar

maisocrdito.

Essequadroafetamaisasituao

dosbancosmdiosepequenos,que

japresentamumambientehostil.

Osnmerosdesetembrode2014

(osltimosconsolidadosdispo-

nveis)mostramqueosquatro

maioresbancostm49%dopatri-

mniolquidodosistemae68%do

lucro,enquantoosdemaisbancos

comerciaisemltiplostm32%do

patrimnioe10%dolucro.

Essesnmerosapontamparao

fatodequeaconcentraobanc-

riapodevirarmancheteesteano.

umtemasemprepresentenaanli-

sedosistemabancriobrasileiro.

Desdeaestabilizaodaeconomia,

osndicesdeconcentraobanc-

riaapresentamvalorescrescentes,

eonmerodebancos,queda:eram

246instituiesem1994,caram

para157em2010epara155em

2014.

4 anlise de conjuntura

maro de 2015

As taxasdeconcentraosubi-

ramnasltimasduasdcadase

aceleraramatendncianoltimo

quadrinio.Osquatromaiores

bancosdetinham57%docrdito

dosistemaem2010,aumentaram

suaparticipaopara58%noano

seguinte,para60%em2012,para

62%em2013epara63%em2014.

Osnmerosindicamquedevecon-

tinuaraseconcentrar.Desde2010,

opatrimniolquidodessequar-

tetosubiude41%dosistemapara

49%eolucrolquidoaumentoude

57%para68%.Portanto,observa-

-serentabilidademdiasuperior

aorestoetendnciadeaumentode

suaparticipao.

Maiorconcentraodosetorban-

crio,porsi s,noquerdizer

nada.possvelimaginarumsis-

temadeumnicobancoeiciente

oferecendoserviosadequadosa

preosrazoveis,bemcomooutro

demuitas instituiesoperando

comoumcartelcommargensde

lucrosabusivas.

Emborasejaumvalormaiorque

odopassadoequecontinuara

subir,onmeroemsinomotivo

depreocupaes.Usandocompa-

raes internacionais,osistema

bancriobrasileironomuito

concentrado.

Outrasempresasdeabrangncia

nacional,comoaviaoetelefo-

nia,tmtaxasdeparticipaoem

mercadosmaisaltas.Ehsetores,

comoosaneamentobsico,emque

umanicairmaofereceseuspro-

dutoseserviosacustosrazoveis.

Oimportantedeterminarascau-

sasdaconcentraobancria,se

sobenicasounoparaasocie-

dade,ecomoestruturaromercado

paraadequ-loaosinteressesdo

Brasil.

Umaconcentraomaiorpodeser

resultadodeabusodopoderde

mercado,daexistnciadeecono-

miasdegrandezaedacombinao

deambos.

Aprimeiracausaque,emrazo

deseutamanhoedarigidezdos

relacionamentos,osgrandesco-

brariamtaxasmaisaltasecom

issoteriamlucrosextraordinrios.

Todavia,noocaso;namdia,as

taxasdosquatrograndesbancos

nosomaioresqueasdosoutros

bancoscomerciais.

Umaanlisedasdemonstraes

contbeismostraqueaexplicao

estemeconomiasdegrandeza,

causadaspordistoresinstitu-

cionais,comumvisregulatrio

favorecendobancosgrandes.

Osquatromaiorestm71%dos

depsitostotais,sistemicamente

somaisrelevantesdoqueasde-

mais1.576instituiesdosistema

juntas,quenamdiatmumndice

deBasileia(solidez)queodobro

dosgrandes.Portanto,ospequenos

soapartemenosvulnerveldo

sistema.

Mesmo assim, a regulao a

mesmaparatodasasinstituies,

umtamanhonico,noimpor-

tandosuaparticipaoourisco

sistmico.Comooscustosdecom-

pliancesopredominantemente

ixos,soproporcionalmentemaio-

resparaosbancosmenores.

EnquantoolemaCCCparabancos

grandesClientela,CustoseCrdi-

to,paraosdemaissetransformou

emCompliance,ComplianceeCom-

plianceemrazodoaumentode

exignciasregulatriascontbeis,

iscais,deoperaes,depagamen-

tos,cambiais,decadastroepru-

denciais,paracitaralgumas.

Ilustrandooponto,apenasasre-

grasquetratamdeaferirasolidez

decadainstituioso68norma-

tivostotalizando581pginas,um

despautrio!umabizantinice.

Osistemabancrio brasi leiro,

deacordocomoWorldEconomic

Forum, temumdoscustosmais

altosporativosdomundo,ena

mdiaosquatromaiorestmcus-

tosmenoresporativo,oqueexpli-

capartedalucratividademaisalta

dosmaiores.

Umsegundofatorqueexplicaode-

sempenhomelhordosmaioresa

regulaodeliquidez,emrazodas

exignciasdenveisaltosdeencai-

xeseaofatodequeoredesconto

nocumpreseupapelacontento

nosltimosdozemeses,observa-

-seapenasumaoperaodeR$20

milhes.

5anlise de conjuntura

maro de 2015

Enquantoosquatromaiorestm

51%doativo emoperaesde

crdito,osdemaisapenas38%,em

razodoestoquemaiordeativos

lquidosquedevemter. Issofaz

comqueondicedecoberturados

menoressejamaisbaixo,oquese

reletenumarentabilidademenor.

Opontoque,apesardebemin-

tencionada,aregulamentao

concentradora,temumaltocusto

deeicinciaenoresolveadequa-

damenteaquestodaestabilidade;

muitopelocontrrio,temumefeito

perversodefragilizaremvezde

fortalecerosistema.

Aconcentraomaisconsequn-

ciadoquecausadasdiiculdades

dosistema.Existeumvisregula-

trioquegeraeconomiasdegran-

dezafavorecendobancosgrandes,

diicultandoe,emalgunscasos,in-

viabilizandoinstituiesmenores.

Aconsequnciaquelimitaosur-

gimentodenovosempreendimen-

tos,promoveumenxugamento

inoportuno,desestimulaacompe-

titividadeeainovaoefomenta

desnecessariamenteaoligopoliza-

o.

Instituiesmenoresemmerca-

dos,sejaobancrio,odesuper-

mercadosououtro,cumpremum

papel importante,eliminandoa

possibilidadedesubsdioscruza-

dos,atendendoanichos,inovando

efacilitandooajustedaestrutura

concorrencialstransformaes

tecnolgicaseeconmicas.

Nosetorbancrio,osbancosme-

noressoimportantesporqueca-

nalizamcrditoparaaspequenas

emdiasempresasqueatravessam

umasituaoproblemtica.De

acordocomoSerasa,maisdame-

tadedelastmcontasematraso,

muitasdasquaissosolventes,

massetornaminadimplentesem

razodadinmicadosetorban-

crio.

Considerandoafragilidadema-

croeconmicapara2015,quevai

afetardeformaadversaosetor

bancrio,mais severamenteas

pequenasinstituiesdoqueas

grandes,seriaoportunorepensar

aquestoprudencialedaliquidez,

analisandoocustobeneciode

cadanorma.

Poder-se-ia,tambm,analisarno

sasituaodospequenos,como

dosistemacomoumtodo,quetem

umpotencialdecontribuirpara

amenizaratravessiade2015ese

tornarumpropulsordaeconomia

apartirde2016.

(*) Fipe. (E-mail: robertotroster@uol.com.br).

6 anlise de conjuntura

maro de 2015

Mercado de Trabalho: Queda do Nvel de Atividade J Tem Im-pacto no Mercado de Trabalho

V M S (*)

Omercadodetrabalho,quenos

ltimosanosvinhaapresentando

desempenhomuitobomemtermos

dequedadataxadedesocupao

eaumentosreaisdossalrios,i-

nalmentefoiatingidopelareduo

daatividadeeconmicade2014;

nohaveriadeserdeoutromodo,

jqueosdiversosmercadosesto

relacionadosentresi.OGrico1

apresentaaevoluodosvnculos

empregatciosgeradospelaecono-

miaentre2000e2014,tomando-

-secomobaseosdadosdoCAGED

-CadastroGeraldeEmpregadose

DesempregadosdoMinistriodo

TrabalhoeEmprego.Oquesev

umaforteexpansodoemprego

apartirde2004,resultadodame-

lhoriadasrelaesdetrocadaeco-

nomiaedaadoodepolticasde

estmuloaomercadointerno,como

aumentosreaisdosalriomnimo

edeprogramasdetransferncia

derendasparaasclassesdabase

dapirmide.Noentanto,apartir

de2012,essemodelopassoua

apresentarsinaisdeesgotamento,

cujarelevnciafoimitigadapelas

autoridadesdogovernofederal.

Osaldodevnculosformaisge-

radosem2014foiaindapositivo,

cercade153milnovospostosde

trabalhonosetorformal,masfoi

opiorresultadodasriedesde

2000.Os indicadorespassadose

asperspectivasnegativasgenera-

lizadassugeremque2015serde

fatoumanodeaprofundamentoda

estagnaoemesmorecessoeco-

nmica,demodoqueageraode

bonsempregosdemodoconsisten-

tepelaeconomiabrasileirapassaa

serumsonhodistante.

Grfi co 1 Saldo de Vnculos Empregatcios Gerados pela Economia Brasileira Final de Dezembro 2000-2014

Fonte:CAGED/MTE,.

7anlise de conjuntura

maro de 2015

Emtermosdeinformaesnovas,

em12demarode2015,aFunda-

oInstitutodeGeograiaeEsta-

tstica(FIBGE)fezadivulgaoda

PesquisaNacionalporAmostrade

Domiclios-PNADContnuaMensal

dejaneiro/2015,quetrazosresulta-

dosdapesquisadotrimestremvel

queenglobanovembro/2014,de-

zembro/2014ejaneiro/2015.Nesse

trimestre,ataxadedesocupaofoi

estimadaem6,8%,oquesigniica

umpequenoaumentoemrelao

aomesmotrimestremveldeum

anoanterior,quandofoiestimada

em6,4%.Notrimestreanterior

terminadoemoutubro(quecompu-

touosdadosdeagosto,setembroe

outubro),ataxadedesocupaofoi

estimadaem6,6%.OGrico2mos-

traataxadedesocupaosegundo

aPNADContnua,lembrandoquese

tratadeinformaesdemdiastri-

mestrais,oquesuavizaatendncia

observada.

Emnmerosabsolutos,otamanho

doproblemabemmaisclaro:no

trimestreterminadoemoutubro

de2014,oIBGEestimouaexis-

tnciadecercade6,6milhesde

desocupados,eemjaneirode2015,

essecontingenteaumentouem200

milpessoas,para6,8milhesde

desocupados.

Pelaprimeiravez foidivulgada

ainformaoderendimentosda

PNADContnua,tendosidoapu-

radoum rendimentomdiode

todosostrabalhosrecebidosde

R$1.795,53,umacrscimorealde

2,1%emrelaoaosrendimentos

recebidosnomesmotrimestredo

anoanterior.Amassaderendi-

mentosrecebidosnessetrimestre

terminadoemjaneirode2015foi

estimadaemR$166bilhes,um

crescimentorealde3,2%sobreo

mesmotrimestredoanoanterior.

Logo,mesmocomareduodo

nveldeatividadeejhavendoum

aumentodataxadedesocupao,

oaumentorealderendimentos

continuouocorrendoatjaneiro,

ltimodadodisponvel.

Grfi co 2 - Taxa de Desocupao das Pessoas de 14 Anos Ou Mais de Idade, na Semana de Referncia - Brasil

Fonte:PNADContnua,IBGE,,acessoem14/03/2015.

8 anlise de conjuntura

maro de 2015

ApesardeaPNADContnuaser

umapesquisamuitomaisabran-

gentedoqueaPesquisaMensaldo

Emprego(PME),tambmdaFIBGE,

aPMEapresenta algunsdados

desagregadosqueajudamnaan-

lisedoqueocorrenomercadode

trabalho.SegundoaPME,napas-

sagemdedezembrode2014para

janeirode2015,houveestabilidade

nocontingentedeempregadosna

maioriadossetoresinvestigados,

excetoemEducao,SadeeAd-

ministraoPblica(-3,2%)e,na

comparaocomjaneirode2014,

houveretraode6%naocupao

daIndstriaeaumentode3,6%em

OutrosServios.Osetordeservi-

osomaiorempregadornoPase

essasoscilaessoesperadases-

pecialmentenoinciodoano,quan-

doosgrandesgruposdeproissio-

naisdeeducaoesaderenovam

suascondiesdetrabalho.Oque

noumaboanotciaaretrao

docontingentedeocupadosna

Indstria,quesucessivamentetem

apresentadoreduesdepessoale

temsidoosetormaisatingidopela

polt icaeconmicaquevigorou

atento.Asalteraesnapoltica

econmicapropostasaoinalde

2014,sedefatoforemimplemen-

tadas,aindalevaroalgunsmeses

paraimpactaromercadodetraba-

lho.Nomomento,oquesenota

umchoquedeofertaagregada,seja

pelaescassezdeguaparaabas-

tecimentoegeraodeenergia

eltrica,sejapelainterrupode

obrasemfunodoprocessoliga-

dosfraudesenvolvendoaPetro-

brseasempreiteiras.Adicionan-

doaissooimpactodadepreciao

cambialsobrepreos,pode-sepre-

verqueainlaovaicorroerossa-

lriosediversoscontratoseataxa

dedesocupaodeveraumentar.

Emtermosdedadosjdivulgados,

ataxadedesocupaoestimada

pelaPME,quedizrespeitoaseis

RegiesMetropolitanas(SoPaulo,

RiodeJaneiro,Salvador,Recife,

BeloHorizonteePortoAlegre)foi

estimadaem5,3%emjaneirode

2015,oquerepresentaumacrs-

cimode1%nataxaestimadapara

dezembrode2014ede0,5%em

relaoa janeirode2014.Otra-

balhocomcarteiraassinadateve

umdesempenhonegativotambm

naviradadoano.Nacomparao

comdezembroicounegativoem

2,1%enacomparaocomjaneiro

de2014aquedafoiestimadaem

1,9%,oqueapenasconirmaos

dadoseapercepodetodossobre

ofracodesempenhodaeconomia

em2014einciode2015.Osdados

janunciadoseasperspectivasso

ruins.Vamostorcerpara2016che-

garmaisrpidoesteano...

(*)EconomistaeDoutorapeloIPE-USP.(E-mail:veramartins2702@gmail.com).

9temas de economia aplicada

maro de 2015

Regras para Penso por Morte

R N C (*)

Comapromulgaodamedidapro-

visria664,de30dedezembrode

2014,cresceuodebatenasocieda-

debrasileiraarespeitodasatuais

regrasdepensopormorte,que,

antesdareferidamedida,seen-

contravammuitodesalinhadasem

relaoaospadresinternacionais,

conformemostradopor vrios

estudoscomo,porexemplo,deAn-

siliero,CostanziePereira(2014).

Asmudanasestabelecidaspela

referidaMPparaoRegimeGeral

dePrev idncia Social (RGPS),

pormeiode alteraesna Lei

8.213/1991, foram:a)estabele-

cimentodecarnciaparapenso

pormorteprevidenciriade24

meses(anteriormentenohavia

carncia,sendoexigidaapenasa

qualidadedesegurado,permitin-

docomportamentooportunista

deapenasumacontribuiogerar

umbeneciovitalcionotetodo

RGPS);b)introduodaexigncia

deumtempomnimodecasamen-

toouunioestveldedoisanos,

tambmparaevitarcomportamen-

tosoportunistasdecasamentos

arranjadosparagerarpenso;c)

imdobeneciovitalcioparacn-

jugesoucompanheirosjovenscom

plenacapacidadelaboraldurao

passaadependerdaexpectativade

sobrevida,sendovitalciaapenas

paracnjugescomat35anosde

expectativadesobrevidaque,na

tabelaatualdoIBGE,signiica44

anosdeidadeoumais;d)imda

reversodascotasindividuais;e)

retiradadodireitoapensodede-

pendentecondenadoporcrimedo-

losoquetenharesultadonamorte

doseguradoinstituidor;f)altera-

odovalordapensode100%

daaposentadoriaoudosalriode

beneciopara50%mais10%por

dependente,comamanutenoda

garantiadepagamentodosalrio

mnimo,seguindoalgicaque,com

amortedosegurado,haverdimi-

nuiodadespesafamiliar.

Partedasmedidas,maisespecii-

camente,acarncia,tempomnimo

decasamentoeduraovarivel

paracnjugetambmforamesten-

didasparaosservidorescivisda

Unio,pormeiodealteraesna

Lei8.112/1990.

Portanto,asmedidasrealizaram

ajustesnecessriosnasregras.

ComomostradoporAnsiliero,Cos-

tanziePereira(2014),emumestu-

docom132pases:a)78%desses

exigiamcarncia;b)81,8%colo-

cavamcondicionantesparauma

10 temas de economia aplicada

maro de 2015

taxadereposiode100%;c)76,5%tinhamrestri-

esparacnjugesequiparadoscomo,porexemplo,

exignciadeidademnimaparaocnjugeououtras

restries.Claramente,asmedidasderammaiorali-

nhamentosregrasdoRGPScomaquelaspraticadas

emnvelinternacional.

Outropontoaserdestacadoquevemocorrendoum

expressivoaumentodasdespesascompensopor

mortenombitodoRGPS.Comopodeservistopelo

grico1,asdespesascompensonoRGPScresceram

deR$21,1bilhesem2002,paracercadeR$94,8

bilhesem2103,representandoumincrementore-

lativoacumuladode349,9%emdioanualde13,4%

a.a.Ditodeoutraforma,adespesanominalmaisque

quadruplicouem12anos,denotandoumritmode

crescimentoinsustentvelamdioelongoprazo.O

incrementomdioanualdasdespesascompenses

urbanaseruraisfoide,respectivamente,13,1%a.a.e

14,2%.

Grfi co 1 Despesa com Penso por Morte RGPS Brasil de 2002 a 2014

Fonte:MinistriodaPrevidnciaSocialMPS.

Almdisso,aindahadespesacompensespormorte

dosRegimesPrpriosdeprevidnciadosservidores

pblicosemilitares.Em2013,somandoadespesa

compensonoRGPSecivisnaUnio,Estadosemuni-

cpios,chega-seaopatamardeR$131,7bilhes,oque

representou2,7%doPIB.Comoconsequnciadessas

regrasinadequadas,oBrasilapresentavaumnvel

dedespesacompensoem%doPIBmuitoacimado

padrointernacionaledoquepoderiaseesperarda

suaestruturademogricaoudarelaodedepen-

dnciadeidosos,comopodeservistopeloGrico2.

Opatamarde2,7%doPIBnolevouemconsiderao

asdespesascompensodosmilitares,eamdiada

OCDEeUnioEuropeia,considerandoogastopblico

compenso,foide,respectivamente,1,02%e1,6%do

PIB,em2011.

11temas de economia aplicada

maro de 2015

Grfi co 2 Relao de Dependncia de Idosos e Despesa com Penso por Morte em % do PIB Vrios Pases 2009/2010 e Brasil 2013

Brasil 2,7

0,0

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0

Razo de dependncia de idosos em %

Fonte:BancoMundialeelaboraoprpriaparaoBrasil.

Umpontoimportanteaserenfati-

zadonadiscussoqueasmesmas

forampensadasemumperodoem

quehaviaumaparticipaomuito

maisreduzidadamulhernomer-

cadodetrabalho.Contudo,coma

crescenteparticipaodamulher

nomercadodetrabalhoneces-

sriodebaterasregrasdepenso

frenteaessaimportantetransfor-

maoestrutural.

ComopodeservistopelaTabela1,

em1992,apenas9,9%dospensio-

nistasacumulavamaposentado-

ria,percentualqueseelevoupara

31,6%em2013(semconsiderar

NorteRural)eatendnciaque

essepercentualseeleveaindamais

emfunodacrescentepartici-

paodamulhernomercadode

trabalho.Considerandoapenasas

mulheres,quesoagrandemaio-

riaentreospensionistas,nesta

mesmacomparao,oincremento

daquelesqueacumulavamaposen-

tadoriafoide9,9%,em1992,para

31%em2013(semNorteRural).

Considerandoaquelespensionistas

queacumulavamaposentadoriaou

estavamocupadoscomcontribui-

o,opercentualdepensionistas

comduplaproteoelevou-sede

21,3%,em1992,para39,7%em

2013(semNorteRural).Consi-

derandoapenasasmulheres,o

percentualcresceude20,6%,em

1992,para38,6%,em2013(sem

NorteRural).Ademais,em2013,

haviacercade347milpessoas

queacumulavampenso,aposen-

tadoriaerendadotrabalho,eem

1992,eramapenascercade55mil.

Comoexisteumadefasagementre

ocrescimentodaparticipaoda

mulhernomercadodetrabalhoe

opercentualdospensionistasque

acumulapensoeaposentadoria,

atendnciaqueestepercentual

cresaaindamaisnofuturo.

12 temas de economia aplicada

maro de 2015

Referncias

ANSILIERO,Grasiela; COSTANZI,Rogrio

Nagamine;PEREIRA,Eduardo.Apenso

pormortenombitodoregimegeralde

previdnciasocial.RevistaPlanejamento

ePolticasPblicasIPEA,jan.-jun.2014.

(*)MestreemEconomiapeloIPE/USPeEspecialistaemPolticasPblicaseGestoGovernamentaldoGovernoFederaldesde

janeirode2000.MestreemDireoeGestodosSistemasdeSeguridadeSocialpelaUniver-

sidadedeAlcal/EspanhaeOrganizaoIberoamericanadeSeguridadeSocial(OISS).

OautortevepassagenspeloMinistriodaPrevidnciaSocial(AssessorEspecialdoMinis-

tro,Coordenador-GeraldeEstudosPreviden-cirioseDiretordoDepartamentodoRegime

GeraldePrevidnciaSocial),MinistriodoTrabalhoeEmprego(AssessorEspecialdo

MinistroeCoordenador-GeraldeEmpregoeRenda),MinistriodoDesenvolvimentoSocial

(Coordenador-GeraldeAcompanhamentoeQualiicaodoCadastronico),Organizao

InternacionaldoTrabalho(OIT)eInstitutodePesquisaEconmicaAplicada(IPEA).

Aopiniodoautornoexprimeaposioinstitucionaldasinstituiescitadas.(E-mail:

rogerio.costanzi@previdencia.gov.br).

Tabela 1 Pensionistas por Situao de Aposentadoria e no Mercado de Trabalho

PENSIONISTAS HOMENS E MULHERES

SITUAO DO PENSIONISTA 1992 2013 sem norte rural serie 2013 com norte rural

I - total de pensionistas (II + III) 3.339.086 6.903.831 6.954.563

II - pensionistas que acumulam aposentadoria 330.046 2.179.566 2.196.235

Acumulam aposentadoria e ocupados com contribuio 12.943 37.215 37.459

Acumulam aposentadoria e ocupados sem contribuio 41.885 304.488 309.937

III - pensionistas que no acumulam aposentadoria 3.009.040 4.724.265 4.758.328

Sem aposentadoria, mas ocupados com contribuio 382.386 562.952 565.357

Sem aposentadoria, mas ocupados sem contribuio 638.821 628.667 639.690

MULHERES

I - total de pensionistas (II + III) 3.118.255 6.007.517 6.044.737

II - pensionistas que acumulam aposentadoria 307.690 1.863.030 1.875.895

Acumulam aposentadoria e ocupados com contribuio 10.819 28.100 28.100

Acumulam aposentadoria e ocupados sem contribuio 37.366 244.471 248.973

III - pensionistas que no acumulam aposentadoria 2.810.565 4.144.487 4.168.842

Sem aposentadoria, mas ocupados com contribuio 334.783 454.714 455.687

Sem aposentadoria, mas ocupados sem contribuio 586.169 515.771 522.898

Fonte:ElaboraoprpriaapartirdemicrodadosdaPNAD/IBGE.

13temas de economia aplicada

maro de 2015

Presidncia do Brasil: Sem Rumo Num Mundo de Fantasias

I N C (*)

AatualpresidentedaRepblica

doBrasiltomousuareeleiono

comoaculminnciadeumdes-

lavadoengodopespegadoemum

eleitoradodespreparadoparaiden-

tiicarasmanobrasdeseuhbil

marqueteiro,mascomoumaval

paradarcontinuidadesfalciase

mentirasqueinformaramsuacam-

panhaeleitoral.

Assim,emprestacrise interna-

cionaldesencadeadaporpro-

blemasdecorrentesdafacilitao

creditciabancriadestinadaa

favoreceromercadoimobilirioe

praticamentejsuperadanosEUA

eemvriasnaeseuropeiasa

origemdasdiiculdadeseconmi-

casdefrontadaspeloBrasil,bices

estesdevidos,comosabido,im-

plementaodeumprogramaeco-

nmicoabsolutamenteerrneoe

desfocadocomrespeitosefetivas

necessidadesdenossaeconomiae

dapopulaobrasileira.

Umsegundoaspectododesvir-

tuamentodarealidadepresente

nasfalaseatitudespresidenciais

dizrespeitolargadefernciano

tratamentodos interessesdos

aplicadoresdedinheiroedosem-

presriosemgeral.Destarte,as

medidasdecorreeseajustes

apresentadaspeloministroda

Fazendaferemos interessesdos

menosprivilegiadosedamassa

dapopulao,deixandodelado

prticasquepoderiamafetaros

ganhosdosendinheirados,casoda

taxaodasgrandesfortunas,dos

ganhosdecapitaldecorrentesde

aplicaesinanceirasedasheran-

asvultosas.

Daperspectivapoltica,denun-

ciada,sobretudopeladireodo

PT,ainexistenteaodeumadi-

reitaictciaeaigualmenteirreal

atuaodamdiaqueestariaafo-

mentaraescontrriasaogover-

noinstitudo.Enim,enileiram-se

fantasmagricasigurasinteira-

menteausentesdenossarealidade,

fantasmasestesqueoperariamde

sorteaprejudicarumgovernoque

agedeformacoerenteetotalmente

ainadacomassoluesconcretas

exigidaspelaeconomiabrasileira.

Esteconjuntodeinverdadesefalsi-

dadespropaladaspeloatualgover-

nocentralepelosdirigentesdeseu

partidodesqualiicaintegralmente

aamboseimpedequeseestabele-

a,entreapresidnciadaRepbli-

caeagrandemaioriadapopulao

brasileira,umdilogoproveitoso

egeradordeumpactocriativoe

geradordepolticassustentveis

delongoprazo.

No,pois,quimricaahiptese

levantadaporvriosanalistaspol-

ticosquantopossvelemergncia

de largosmovimentospopulares

contrriossatitudesassumidas

pelogovernocentralbrasileiroo

qual,bemcomooPT,pretende-se

perfeitoecaminhasemrumono

mundodafantasia.Esteltimofato

nojustiica,evidentemente,cam-

panhasfavorveisaoimpeachment,

masdrazoesustentaoamo-

vimentospopularesdecontestao

dasituaopresente.

(*)ProfessorLivre-DocenteaposentadodaFEA-USP.(E-mail:idd@terra.com.br).

14 temas de economia aplicada

maro de 2015

Vdeo sob Demanda, Monetizao e Outras Fronteiras na Econo-mia Poltica do Setor Criativo

J L M (*)

Emcontinuidadeanossobalan-

odetendnciasedestaquesna

economiapolticadaEconomia

CriativaedasTICsem2014,avan-

amosagorarumoanovostemas.

Nossasegundarodadaderelexes

parte,umavezmais,deumepi-

sdiotranscorridonasia.Curio-

samente,noestamosfalandode

grandespotnciastecnolgicas

docontinente,comoaChinaouo

Japo,massimdaCoreiadoNorte

que,inusitadamente,tomouparte

deumadasmaisinteressantespo-

lmicasdosegmentonoanopassa-

do:oataqueaoscomputadoresda

SonyPicturesporhackers,numa

aoemsupostarepresliaaolan-

amentodoilmeAEntrevista,

obraqueironizavaolderdopas.

Paraalmdasearaestritamen-

tepoltica,oacontecimentoabre

portastambmparadiscusses

ampliadasdenaturezaeconmica.

sobretaisaspectosquenosde-

bruaremosnopresenteartigo.

1 A Entrevista e os Novos Mode-los de Negcio no Audiovisual Internacional

Logoapsainvasoaoscompu-

tadoresdaSony,diversascadeias

exibidorasnorte-americanascan-

celaramassessesprevistaspara

acomdia,commedodepossveis

ataques terroristas.Poralgum

tempo,questionou-seseoprprio

lanamentoseriamantido,masa

opodaempresafoiincrivelmen-

teinovadora:naausnciadeum

volumeextensodesalasdispostas

aarcarcomoriscoecontando

comfrancoapoiodapopulao

norte-americanaaprodutora

fechoucontratodelanamentoda

obrapormeiodecanaisdigitais,

mobilizandoparceiroscomooGoo-

glePlayeoYoutubeMovies.

Oresultadodessaopofoibastan-

teinteressante:areceitadocha-

madovideo-on-demand(V.O.D.)do

ilmefoide15milhesdedlares,

contraapenas5milhesnaarre-

cadaoconvencionaldesalasde

cinemas.Muitoemboraoresultado

notenhanemdelongecobertoos

custosdolonga,amodalidadede

comercializaoadotadaaprinc-

pio,umsimplesefeitocolateraldo

fatopolticoacabousemostrando

exitosaerentvel,elevandoaSony

aottuloderecordistamundialem

bilheteriadigital.

Algunsanalistasatarriscaram

ahiptesedequeoepisdiono

tenhapassadodeumaousadssima

estratgiademarketingdaempre-

sa.Apropostapolmica,jqueo

casochegouaenvolverautoridades

ergosdeseguranadosEstados

Unidos.Teoriasconspiratrias

parte, fatoque AEntrevista

abriuuminteressantecasodentro

douniversodemodelosdenegcio

noaudiovisualsobdemanda,um

ambienteemfrancaexpanso,mas

ondemuitasdvidasaindapersis-

tem.

2 Video on-Demand: a Revoluo do Consumo Audiovisual

Noporacaso,poucodepoisdaes-

treiaoicial,AEntrevistaatraiu

o interessedeoutrosatoresdo

segmento,comooNetlix,empre-

salderemV.O.D.nomundoeque

anunciou,poucotempoapsolan-

amento,queaobraestariadis-

ponvelemstreamingparaseus

usurios.Osbitointeressepelos

direitosdeexibiodoilmeabre

portasparaumadiscussoam-

pliada,vinculadaaoexpressivo

aumentodessajaneladecomercia-

lizaonadinmicaeconmicados

produtosaudiovisuais.

Adisponibilidadedecontedosno

formatosobdemandanoexata-

menteumanovidade.Nosltimos

anos,contudo,oaltovolumede

15temas de economia aplicada

maro de 2015

investimentoseotamanhodabase

deespectadoreslograramalcanar

nmerosbastanteexpressivos.

Apenasparacitaralgunsexemplos:

aAmazonrevelourecentemente

que,em2014,gastou1,3bilho

dedlaresemseuserviodestre-

amingdevdeo,oPrimeInstant

Video.Ovalorestabaixodosn-

merosdoNetlix,quechegaram

casade3,8bilhesdedlares

anuaisnaaquisiodecontedos

audiovisuais.Estima-se,alis,que

50%dotrnsitodedadosdein-

ternetdosEUAhojesejadevdeos

disponibilizadospelaempresae

peloYoutube.

Paraalmdouniversodascifras,

jpodemospensarnumaefetiva

inlexoqualitativa.Noestamos

lidando,aqui,comumasimples

mudananopadrodeconsumo

deprodutosaudiovisuais:ocres-

cimentodeplayersemvdeosob

demandatrazimpactospolticose

econmicosnonegligenciveis.J

humafortediscussonosEstados

Unidosarespeitodeumpossvel

remanejamentodaforadetraba-

lho,comoesvaziamentopaulatino

naindstriadocaboeahegemonia

dasmodalidadesemstreaming.

Tambmouniversopublicitrio

vemserealinhandoparadarconta

deestabelecer-senanovajanela.

Mesmoem termosde lobbies e

dedisputaspolticas,vemosuma

mudanaexpressivanopanorama

audiovisualglobal.Nosltimos

meses,oV.O.D.ganhoudestaque

nasdiscussesiscaiseregulat-

riasaoredordomundo.Diversos

pasescomeamaestudarmtodos

detaxaoaoconsumodevdeos

remotos.Emsetembrode2014,a

Argentinaestabeleceuumimpos-

tosobreessetipodeproduto.Ja

AgnciaNacionaldoCinema(ANCI-

NE),brasileira,aventouahiptese,

emjaneirodesteano,deestipular

cotasdeprodutosnacionaisnas

plataformas,emulandoapolticaj

aplicadaaoscanaisporassinatura.

possvelquevejamos,aolongo

dosprximosmeses,diversasou-

trasaeseiniciativasaparecendo

aoredordoglobo.

3 Das Fronteiras Regulatrias s Fronteiras do Valor

Otemordeumapossveltaxao

sobreoconsumooudaimplemen-

taodeoutrosentravesregulat-

riosnosoosnicosfantasmas

namentedosadministradoresdas

companhiasdosegmento.Ades-

peitodagrandeeuforiaedinamis-

modaplataforma,aindasubsistem

considerveisdvidasarespeito

daspossibilidadesdemanter,de

umlado,umacarteirainteressante

dettulosesriese,deoutro,asse-

gurarumpreoacessvelecompe-

titivonosdiversosmercadosonde

aempresaatua.

Adiciona-seaoquadrooacirra-

mentoda concorrncia, coma

constituiodeoutrasempresas

deoferecimentodecontedossob

demanda,muitasdelasvinculadas

soperadorasdetelevisoacabo

oumesmooperadorasdetelefonia

mveljsedimentadas.Certamen-

te,maiscomplicadaaconcorrn-

ciacomnovasplataformasdis-

postasadisponibilizarcontedos

integralmentegratuitos.Umavez

mais,uminteressantecasovem

daArgentina:emboraatuenum

nichobastanteespecico,podemos

mencionarcasoscomoodoCine-

margentino,umaplataformaque

ofereceacessoaobrasaudiovisuais

nacionaisemstreamingsemcusto

algum.

Maisousado,oPopcornTime,pre-

senteemdiversospases,inclusive

noBrasil,operacomoumaespcie

debuscadoresincronizadorde

arquivosdeTorrent.Naprtica,

portanto,tem-seumsistemades-

centralizado,colaborativoe,aop

daletra,pirata.Asidasevindas

jurdicasdaplataformaremetema

outrofamigeradositedecontedos

audiovisuais:oPirateBay,este

sim,declaradamentemargemda

legalidade.Tantonum,quantoem

outrocaso,contudo,observamos

convergnciasrumosdiscusses

sobreoslimiteslegais,regulat-

rios,econmicose,obviamente,

polticos,dosegmentoaudiovisual

global.

Nocernedessasdiscussespersis-

teagrandequesto:comoasem-

presasdosetoraudiovisualen-

tendidasaquiemseusentidolato,

isto,levandoemcontaaextensa

cadeiaprodutivadosetorpodem

desenvolver-senumambienteonde

agratuidadesefaztopresente?

16 temas de economia aplicada

maro de 2015

Voltaremosadiscutiressaquestoemartigoposte-

rior,quandodenossaanlisesobreolorescimentode

novosmodelosdenegcionouniversocriativo.

Porora,cabemencionarqueodesaiovemsendo

encaradofrontalmente,indicandoaincrvelversati-

lidadedosagenteseconmicosenvolvidos.Talvezno

hajacasomaisinteressantedoqueodoWhatsapp,o

popularssimoaplicativodecomunicaoquesedis-

seminoumundoaforacobrandomeros0,99centavos

dedlarporanodeutilizao.Humano,aempresa

foiadquiridapeloFacebookpelaincrvelcifrade22

bilhesdedlares.Quasenamesmapoca,omundo

viuaaberturadecapitaldairlandesaKingDigital

Entertainment,detentoradediversosttulosdejogos,

incluindooCandyCrush.Temostambm,a,osucesso

deoutramodalidadedemodelodenegcioemfranco

crescimento:adoschamadosprodutosfreemium,

isto,comacessoparcialmentegratuito,mascom

ofertadeaquisiesqueauxiliame/ouampliicama

experinciadousurio(nestecaso,ajogabilidadedos

games).

DoNetlixaoCandyCrush,doCinemargentinoao

Whatsapp.Iniciativasdiversasdocomplexotecno-

lgicointernacionalmarcadasporumaquestoem

comum:quaissoasefetivasperspectivasdemone-

tizaodasatividadescriativasdepontaequaisso

suasimplicaeseconmicasepolticasemmbito

global?Talvezestasejaaquestomaiscentralaser

feitaaosetorcriativo.

(*)GraduadoemCinciasEconmicaseDoutoremHistriaEconmi-capelaUSP.Trabalhacomtemasligadoseconomiadacultura,eco-nomiacriativaeeconomiadatecnologia,informaoecomunicao

(TICs).(E-mail:julio.moraes@usp.br).

17temas de economia aplicada

maro de 2015

O Comportamento da Poltica Fiscal: de 1990 aos Anos Recentes

C B S F (*)

Noprimeiroartigodasrie foi

apresentadaatrajetriadapol-

ticaiscalparaadcadade1970

(perododeintensosincentivos

iscais)eparaadcadade1980,

que,aocontrrio,apresentoucomo

caractersticapredominanteforte

restrio iscal.Nestesegundo

artigoserapresentadoocompor-

tamentodapolticaiscalde1990

aosanosrecentes.

Adcadade1990,assimcomoa

de1980,foimarcadaporplanos

deestabilizao,porm,comadi-

ferenadequeumadastentativas

obteriasucesso.Lopreato(2002)

airmaqueasmedidasadotadasno

PlanoCollor,comoaretenodos

ativos,adesvalorizaodariqueza

inanceiraeasmedidasiscaisque

aumentaramaarrecadaoredu-

ziramocustoderolagemdadvida

pblicaecriaramespaoparao

controledodicit.Outraestrat-

giadogovernofoiautilizaoda

valorizaodataxadecmbioreal

comoformadecombaterodicit

pblicoea inlao.Asmedidas

provocaram,inicialmente,aqueda

abruptadainlao,masadeterio-

raodosaldocomercialeoimpas-

senarenegociaodadvidaexter-

naapontavamparaproblemasno

balanodepagamentos,tornando

inevitveladesvalorizaocam-

bialpararecuperarosaldocomer-

cialeevitarocolapsoexterno.

OresultadodoPlanoCollor,alm

doelevadosupervitiscal,foide

forteretraononveldeatividade

econmica.possvelobservarno

Grico1queoPIBrealdecresceu

maisde4%emrelaoaoanoan-

terior.Oefeitosobreainlaofoi

temporrio,sendoretomadanos

mesesseguintesaolanamentodo

Plano,fechandooanode1990em

aproximadamente1.500%.1Anali-

sandoocomportamentododicit

pblico,conformedadosapresen-

tadosnoGrico2,noconceito

nominaldaNFSP2odicitatingiu,

em1990,29,6%doPIB,enquanto

noconceitoprimriohouvesupe-

rvitde4,6%doPIBenoopera-

cional,supervitde1,3%doPIB,

indicandobomdesempenhoiscal

dosetorpblico.3

Grfi co 1 Produto Interno Bruto, Variao Real Anual (% a.a.)

Fonte:InstitutoBrasileirodeGeograiaeEstatstica(IBGE)SistemadeContasNacionais.

18 anlise de conjuntura18 temas de economia aplicada

maro de 2015

Giambiagi(2008)deineopero-

dode1990a1994,dosgovernos

ColloreItamarFranco,comosendo

dedicitreprimido,poisenquan-

tonogovernoSarneyasNFSPno

conceitooperacionalapresentaram

umamdiade5,1%doPIB,nogo-

vernoCollor/Itamarestedicitfoi

praticamentezerado.Istoocorreu

emfunodamelhoradoresultado

primrioetambmdareduodas

despesascomjurosreais.Oautor

aindaargumentaqueamelhorado

resultadoprimriofoibaseadana

facilidadepermitidapelaaltataxa

deinlaoparaajustarovalordas

despesasreaisemfunodosob-

jetivosiscaisdogoverno,emum

contextodereceitasrazoavelmen-

teindexadasinlao(GIAMBIA-

GI,2002;2008).

OPlanoReal,queobtevesucesso

nocontroledainlao,foilanado

duranteogovernoItamarFranco.

Ascondiesexternasfavorveis,

emtermosdeliquidez,possibilita-

ramousodocmbiocomoncora,

icandoreservadospolticasis-

calemonetriaopapeldegaran-

tirasexpectativaspositivasdos

investidores,paraqueosmesmos

notivessemdvidasquantoao

inanciamentodobalanodepa-

gamentos,permitindoamanuten-

odocmbiovalorizado.Opapel

dapolticaiscalfoiacomodaros

custosdaspolticasdecmbioe

dejuroseimpedireventuaisriscos

dedefault nadvidapblicaque

pudessemlevar fugadecapi-

taiseameaaraestabilidadedo

cmbio.Assim,dopontodevista

iscal,ocrescimentododicitex-

ternoaps1994criouaobrigao

demanterascontaspblicasem

condiesdetransferirrendaaos

capitaisresponsveispeloseui-

nanciamento,atravsdacolocao

dettulosdadvidapblicacom

juros reaiselevadoseproteo

diantedaincertezadocmbio.

Estaobrigaosomentefoiposs-

vel,almdoespaoquehaviapara

ocrescimentodadvidapblica,

devidoaosupervitprimriode

1994,queicouacimade5%doPIB

(LOPREATO,2002).

Nosquatroanosqueseseguiram

aoPlanoRealasinanaspblicas

apresentaramumapiora.Amdia

doresultadoprimriofoidedicit

deaproximadamente0,2%doPIB,

eadoresultadooperacionalded-

icitdequase5%doPIB,conforme

ilustradonoGrico2.4Lopreato

(2002)argumentaqueaestabilida-

dedocmbioeareduogradual

dosjurosindicavamarecuperao

dascontaspblicasedavamtran-

quilidadeaomercadoemrelao

aocomportamentodoestoqueda

dvida.Almdisto,obommomento

econmicoefatoscomoosdes-

taquesaosproblemasdosbancos

estaduais,sdvidasdosEstados

emunicpios,aosesqueletos5 e

reformadaprevidnciasocial,

comoprioridadesdapolticaiscal,

foramrecebidoscomosinaispo-

sitivospelomercado,favorecendo

aexpectativadesustentabilidade

dascontaspblicasepermitindo

afrouxarorgidocontroleiscal

de1994.Nestecontexto,adeterio-

raodoquadroiscalapartirde

1995nocomprometeuoprogra-

madeestabilizaoenocolocou

emriscoasustentabilidadeinter-

temporaldascontaspblicas.

19anlise de conjuntura

maro de 2015

19temas de economia aplicada

Grfi co 2 Necessidades de Financiamento do Setor Pblico

Fonte:ConjunturaEconmica,v.63n.06,2009ev.67n.11,2013.Osdadossorelativosposiodedezembrodecadaano.(+)supervite(-)

dicit.Elaboraoprpria.

NosegundogovernoFHC,emfun-

odoacordoestabelecidocomo

FMInoinalde1998,oqualacabou

sendoestendidoat2002,amdia

doresultadoprimriofoide3,62%

doPIB.6Giambiagi(2002)destaca

comopontoimportanteanature-

zadaexpansodogastopblico,

ocorridadepoisdoPlanoReal.Uma

interpretaomuitodifundida

queestateriasidodecorrentedo

chamadoefeitoTanzisavessas,

resultantedofatodeadespesadei-

xardesercorrodapelainlao.

Acrisecambialde1999foroua

elevaodataxadejuros,assim,os

elevadoscustoseoriscodedefault

exigiramumapolticaiscalmais

rgida,sendoprecisoelevarosu-

pervitprimrio,diluiroriscode

inadimplnciadadvidapblicae

reduziraabsorodosetorpriva-

doeanecessidadedeinanciamen-

toexterno.

Tornou-seobrigatriodeinirna

LeideDiretrizesOramentrias

(LDO)ametadesupervitprim-

riodoprximoanoeaindicao

paraosdoisanosseguintes.Aex-

plicitaodocompromissocoma

trajetriadadvidapblicaesta-

beleceunaexecuooramentria

aprticadocontingenciamento

dosgastospblicos,nomontante

exigido,paraqueametadesupe-

rvitprimriofossealcanada.A

austeridadedascontaspblicas

depoisde1999devolveuaomerca-

doaconiananaconduodapo-

lticaiscalenasuperaodacrise

cambial.Almdisto,ossinaisde

reversodoritmodecrescimento

dodicitexternoearetomadada

liquidezinternacionalassegura-

ramascondiesdeinanciamento

dobalanodepagamentoseman-

tiveramasbasesparaacontinui-

dadedoprogramadeestabilizao

(LOPREATO,2002;2007).Adcada

de1990seencerracomosgastos

dogovernorelativamenteestveis,

representandoaproximadamente

22%doPIBnosltimostrsanos.

Asreceitasdogoverno,porm,re-

gistraramtrajetriadescendente,

comreduode21,8%doPIBem

1997para18,73%em1998,voltan-

doacrescerem1999.7

Nestecontexto,umamudanaim-

portanteocorridalogonoinciodo

milniofoiaLeideResponsabili-

dadeFiscal(LRF)8n101,de4de

maiode2000,queestabelecenor-

masdeinanaspblicasvoltadas

gestoiscal.Pressupeaao

planejadaetransparente,deforma

aprevenirriscosecorrigirdesvios

quepossamafetaroequilbrio

dascontaspblicas,cumprindo

metasderesultadosentrereceitas

edespesaseaobedinciasregras

20 temas de economia aplicada

maro de 2015

relacionadasrennciadereceita,

geraodedespesascompesso-

al,daseguridadesocialeoutras,

dvidasconsolidadaemobiliria,

operaesdecrdito,inclusivepor

antecipaodereceita,concesso

degarantiaeinscrioemrestosa

pagar(LRF,art.1o1

o).

AaprovaodaLRFreforouocon-

troledascontasdeEstadosemuni-

cpios.Aconcepodonovoregime

iscaldeuatenodefesadaesta-

bilidadeeminimizaodosriscos

deaplicaoemmoedanacional,

incutindonomercadoacertezade

queosmovimentosinesperadosde

jurosecmbioseriamcompensa-

doscomoaumentodosupervit

primriocapazdegarantiroajuste

intertemporaldascontaspblicas

(LOPREATO,2007).

Ocomportamentodadvidalquida

dosetorpblicoconsolidado,em

relaoaoPIB,utilizandoocon-

ceitodoBancoCentraldoBrasil

queincluiabasemonetriacomo

partedadvidainterna,ilustrado

noGrico3,paraoperodo1981

a2013.Percebe-seumpadroem

formatodeVentre1984e2002.

Apsoprimeiropicode55,5%do

PIBem1984,advidalquidaentra

emtrajetriadescendente,atin-

gindoummnimode30%doPIB,

em1994,voltandoaumatrajetria

crescente,atatingirummontante

semelhanteaode1984,em2001.A

dvidatotalcontinuoucrescendo

at2002eatingiu,historicamente,

onvelmaiselevado.

Grfi co 3 Dvida Lquida do Setor Pblico (DLSP)

Fonte:BancoCentraldoBrasil(BCB)eGiambiagi(2009).Elaboraoprpria.

Confrontandoestasinformaes

comasapresentadasporGiambia-

gi(2009)eporLopreato(2007),

provavelmentedevidoaquestes

metodolgicasouatualizao

dosvaloresdasrie,aDLSPcres-

ceuat2002enoat2003,como

constatamosautores.Comrelao

aocomportamentodadvidaem

1984,Giambiagi(2009)destaca

que,naquelemomento,advida

pblicaerapredominantemente

externaefatorescomoacriseda

dvida,aresponsabilidadeassumi-

dapelogovernofederaldepassivos

externoseoaumentorelativoda

dvidaemmoedaestrangeiracom

amaxidesvalorizaorealde1983

levaramaumaexplosodoseu

valor,quemaisdoquedobrouem

apenastrsanos.

Giambiagi (2009)apontacomo

causasparaaquedadadvidap-

blicalquida,entre1984e1994:a

tendnciadelongoprazoaprecia-

orealdocmbio,emrelaos

taxasqueprevaleceramlogoaps

amoratriamexicana;oacordo

dadvidaexternaem1994,que

representoureduodamesma;

osdiversosepisdiosdesubinde-

xaodadvidainternaemfuno

daselevadas taxasdein lao;

umluxodesenhoriagemde3%

a4%doPIBquecontribuapara

21temas de economia aplicada

maro de 2015

inanciarpartedodicitpblico;

eocrescimentodoPIBnoperodo,

acumuladoem32%,contribuindo

paraareduodarelaodvida/

PIB.Lopreato(2007)argumenta

queaquedadaDLSPapartirde

2004explicadapelaperdade

participaodadvidaexternano

totaldadvidapblica,comavalo-

rizaodataxadecmbioocorrida

nogovernoLulaea liquidaoe

reestruturaodepartedadvida.

Porm,advidainterna,apesarde

noterriscodedefault,manteve

a tendnciadecrescimentoem

relaoaoPIBdevidoaoaltocusto

derolagemdosttulos,os juros

nominais.

Nocontextodeacordos juntoao

FMI,oltimoanodogovernoFHC

fechoucomumsupervitprimrio

daordemde4%doPIB;porm,a

DLSPfechouemmaisde60%do

PIBeodicitnominalsuperiora

10%doPIB.ComaDLSPatingindo

patamaressuperioresquelesdos

anos1980,osagentespassaram

atemerumapossvelmoratria,

oquegerouumaprolongaodo

acordocomoFMIparaoprimeiro

anodoprximogoverno.Oresulta-

doparaoperodode2000a2008

nopoderiaserdiferente:foram

anosdesupervitsprimrioscon-

secutivos,variandoentre3,2%e

4,01%doPIB.

Lopreato(2007)airmaqueogo-

vernoLulabuscouampliaroesfor-

oiscalcomoobjetivodeevitar

queosmovimentosdastaxasde

cmbioedejuroscolocassemem

riscooresultadodascontaspbli-

cas.Oaumentodosupervitpri-

mrioeobomcomportamentoda

economiainternacionalapartirde

2003ajudaramaconterataxade

cmbioeospreosinternoseafas-

tarossinaisdedominnciaiscal.

Aaltadospreosdascommodities

portanto,melhoranostermosde

trocarepercutiusobreastaxas

deinlao,provocandoaumento

dastaxasdejurosapartirdeins

de2004,afetandoascontaspbli-

casem2005e2006.Aestratgia

foi,novamente,ampliarosupervit

primrio,procurandomantera

trajetriadequedadadvidap-

blicaeacredibilidadedapoltica

econmica(LOPREATO,2007).

Voltandoquestoabordadano

primeiroartigo,darelaoentre

ascontaspblicaseostermosde

troca,percebe-se,atravsdoGr-

ico4,quesemantmomesmo

padroqueocorreunosanos1980:

asreduesnostermosdetroca

soacompanhadasporumapiora

nascontaspblicas.Mesmoaps

oPlanoReal,quandonohmais

oproblemadasaltssimastaxas

deinlao,arelaosemantm.

Outraconstataoimportante

quea incidnciadostermosde

trocaempatamaresmaiselevados

porexemplo,aquelesqueseefe-

tivaramnamaiorpartedosanos

1990e2000est relacionada

aummelhorresultadonominal,

pois,emboraaindadeicitrios,sua

proporonemsecomparaquela

anteriora1993.Conformemencio-

nadoanteriormente,estarelao

serveriicadanoterceiroartigo.

22 temas de economia aplicada

maro de 2015

Atrajetriadapolticaiscalmodi-

icou-seapartirdosltimosmeses

de2008emvirtudedadelagrao

dacriseinanceira,abrindoespao

paraaadoo,noBrasil,deuma

polticaiscalmaislexvel.Osu-

pervitprimrio,conformeapre-

sentadonoGrico2,declinoude

3,42%doPIBem2008para2,03%

em2009.Estapolticaiscalcon-

tracclicacontribuiu,mesmoque

emparte,paraarecuperaoda

economia,oquesepercebeatravs

deanlisedataxadecrescimen-

todoPIBapresentadanoGrico

1,quesaltoude-0,33%em2008

para7,53%em2010.Aindaduran-

te2009retomou-seapolticade

expansodosupervitprimrio,

tantoqueomesmoatingiu2,77%

doPIBem2010e3,11%em2011.

Naverdade,oagravamentoda

criseeuropeiaeoambienteins-

tvelemnvelinternacionaltm

exigidoumapolticaiscalbrasi-

leiracadavezmaisaustera,oque

defendidopelaagendadoFMI.

Apesardisto,oresultadoprimrio

dosltimosanosnotemsidodos

melhores:caiupara2,38%doPIB

em2012epara1,58%em2013.

Estefatotemdespertadoumasrie

decrticasemrelaopolticais-

calbrasileira.

Essascrticasse intensi icaram

noanode2013emfunodeum

aumentodadvidabruta,quede

acordocomdadosdoFMI(2014)

passoude63,5%doPIBem2008

para68,2%em2012e66,3%em

2013.AquestoqueoBrasilpos-

suiumhistricodepolticaiscal

econdiesdeestabilidadeno

agradveisaosolhosdosinves-

tidores,comooendividamento

brasileironosanos1980eocon-

sequentedefault,aselevadastaxas

deinlaoquemarcaram,prin-

cipalmente,osanos1980e1990,

equetmperturbadoogoverno

brasileironosltimosanos.Estes

fatores,masno limitadosaos

mesmos,fazemcomqueapoltica

iscalsemantenhacomorefmdas

expectativasdosinvestidores.Con-

sequentemente,asdecisesiscais

sotomadas,namaioriadasvezes,

comoobjetivodeguiaraopinio

dosinvestidoresouevitarumacor-

ridadosmesmosdomercadobrasi-

leiro.Assim,oquedeixaosinvesti-

doresfelizes(etambmoFMI)ea

polticaiscalimuneacrticasso

oselevadossupervitsprimrios.

A impressoqueseesquecem

queaverdadeiramedidaquedeve

serlevadaemconsideraoore-

sultadoiscalmedidopeloconceito

nominal,oqualincluiasdespesas

comjurosemsuaapurao.

Grfi co 4 Dfi cit Pblico Nominal e Termos de Troca

Fonte:Ipeadata;ConjunturaEconmica,v.63n.06,2009;v.67n.11,2013.Elaboraoprpria.

23temas de economia aplicada

maro de 2015

Oresultadodessasituao,depo-

lticaiscaldependentedasopini-

esdosinvestidores,umcrculo

viciosoqueseperpetuaporduas

vertentes:pelatentativadeconter

oaumentodospreos,elevando

astaxasdejuros(oquetambm

timoparaos investidores)e

pelatentativadesatisfazerosin-

vestidores,buscandosupervits

primrioscadavezmaiselevados.

Oproblemaqueossupervitsso

obtidoscomaumentodeimpostos

oureduodegastos,reduzindoo

nveldedemandaagregadainterna

e,consequentemente,onvelde

rendadaeconomia.Poroutrolado,

oaumentodataxadejurostendea

reduzirosinvestimentosnosetor

produtivoetambmaconterade-

manda.Oresultadodessaespiral,

namelhordashipteses,seropa-

gamentodejurosdadvidapblica.

Otipodepolticaiscalpraticada

desviaosrecursosiscais,quepo-

deriamserinvestidosparamelho-

rarascondiesestruturaisdo

pasemeducaoeinfraestrutura

porexemplo,paraopagamento

dejuroscomprometendoataxa

decrescimentodopas.

Concluso

Oobjetivodesteartigofoiapresen-

tarumpanoramadapolticaiscal

paraosanos1990e2000,percor-

rendopelasvariveisquepossam

inluenciaroseucomportamento,e

darbaseparteempricaqueser

desenvolvidanoprximoartigo.

Emresumo,nosprimeirosanos

dadcadade1990apolticaiscal

foivoltadaestratgiadaestabi-

lizaoeparecetermantidoum

padropr-cclico.Mesmoapso

controleinlacionrioestepapel

prevalece,comadiferenadeque

executadogarantindoocmbio

valorizado.Osanos2000somar-

cadospelaLeideResponsabilidade

Fiscal,pelosacordoscomoFMIe

porsupervitsprimriosconse-

cutivos.Comacriseinanceirade

2008apolticaiscalpassaater

umpapelmaislexvel,naverdade

contracclico.Porm,algunsanos

depois,comoaumentodadvida

pblicabrutaeareduodosu-

pervitprimrio,aconduoda

polticaiscaltemsofridocrticase

atendnciaquesetornecadavez

maisaustera.Nogeral,asanlises

desteedoprimeiroartigoindicam

queapolticaiscalsemanteve

pr-cclicadurantetodoperodo,

comexceodoperodops-crise

inanceira.Almdisto,osdados

demonstramquearelaoentre

ostermosdetrocaeapolticais-

calumaspectointeressanteda

pesquisaeprecisa,portanto,ser

investigadomaisa fundo.Estas

questesseroinvestigadasnoter-

ceiroeltimoartigodasrie.

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1 IGP-DI-(%a.a.)-FundaoGetlioVargas,ConjunturaEconmica.

2 Lembrandoqueestenoumaboamedidaparaperodosdeelevadastaxasdeinlao.

24 temas de economia aplicada

maro de 2015

3 Giambiagi(2002)argumentaqueoanode1990normalmentenoconsideradonasanlisessobrepolticaiscalpelofatodequeasreceitas arrecadadas,nocenriodoPlanoCollor I, apresentaramresultadoexcepcional.

4 Giambiagi (2002;2008)refere-seaoperodocomodedicitdemetasedicitaberto.

5 Oschamadosesqueletosreferem-sesdvidasnocontabilizadas.

6 RevistaConjunturaEconmica,v.63n.06,jun.2009.

7 InternationalMonetaryFund(IMF),GovernmentFinanceStatistics(GFS),Yearbookanddatailes,WorldBankandOECDGDPestimates.

8 Parauma ideiasobrea inlunciadaLRFnocomportamentodapolticaiscal,consulteRochaeGiuberti(2008),Rocha(2009)eArenaeRevilla(2009).

(*)DoutorandaemEconomiadoDesenvolvimentonaFEA/USP.FoiVisitingScholarnaColumbiaUniversity(EUA).E-mail:carlan-

dia@gmail.com.ArtigodesenvolvidocomapoiodaFundaodeAmparoPesquisadoEstadodeSoPaulo(FAPESP),processosn

2012/04600-0e2013/07326-9.Asopinies,hipteseseconclusesourecomendaesexpressasnestematerialsoderesponsabilidadeda

autoraenonecessariamentereletemavisodaFAPESP.

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