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dos

Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ano 2016

Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

GOVERNO FEDERAL

Ministrio de Minas e Energia

Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ano 2016

Empresa pblica, vinculada ao Ministrio de Minas e Energia, instituda nos termos da Lei n 10.847, de 15 de maro de 2004, a EPE tem por finalidade prestar servios na rea de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento do setor energtico, tais como energia eltrica, petrleo e gs natural e seus derivados, carvo mineral, fontes energticas renovveis e eficincia energtica, dentre outras.

Presidente Luiz Augusto Nbrega Barroso Diretor de Estudos de Petrleo, Gs e Biocombustveis Jos Mauro Ferreira Coelho Diretor de Estudos Econmico-Energticos e Ambientais Ricardo Gorini Diretor de Estudos de Energia Eltrica Amlcar Gonalves Guerreiro Diretor de Gesto Corporativa lvaro Henrique Matias Pereira

Coordenao Executiva

Giovani Machado

Coordenao Tcnica Angela Oliveira da Costa

Equipe Tcnica

Angela Oliveira da Costa Euler Joo Geraldo da Silva

Juliana Rangel do Nascimento Lenidas Bially Olegario dos Santos

Marina Damio Besteti Ribeiro Patrcia Feitosa Bonfim Stelling

Rachel Martins Henriques Rafael Barros Araujo

Assistente Administrativo

Srgio Augusto Melo de Castro

URL: www.epe.gov.br Sede SAN Quadra 1 Bloco B Sala 100-A 70041-903 - Braslia DF

Escritrio Central Av. Rio Branco, 01 11 Andar 20090-003 - Rio de Janeiro RJ

EPE-DPG-SDB-Bios-NT-05-2017-r1 Data: 19 de junho de 2017

2 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Histrico de Revises

ANLISE DE CONJUNTURA DOS BIOCOMBUSTVEIS

Revises Data Descrio sucinta

r0 01.06.2017 PUBLICAO ORIGINAL

r1 19.06.2017 O GRFICO 42 FOI ALTERADO

3 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Apresentao

A EPE apresenta sua oitava edio da Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis, com foco no ano de 2016. Com periodicidade anual, a publicao consolida os fatos mais relevantes referentes aos biocombustveis, que ocorreram no ano anterior sua divulgao. lanada no segundo trimestre, aps o fechamento da safra sucroenergtica e a consolidao das estatsticas dos rgos mais relevantes da rea.

Os principais temas abordados so: a oferta e demanda de etanol e sua infraestrutura de produo e transporte, o mercado de biodiesel, a participao da bioeletricidade na matriz nacional e nos leiles de energia, o mercado internacional de biocombustveis, as expectativas para os novos biocombustveis e as emisses de gases de efeito estufa evitadas pela utilizao dessas fontes renovveis de energia.

Nessa edio, alm da avaliao dos principais acontecimentos ocorridos em 2016, o documento apresenta um texto, em anexo, sobre a diferenciao tributria como instrumento de poltica pblica de incentivo ao mercado de biocombustveis no Brasil.

4 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Sumrio

APRESENTAO ............................................................................... 3

1. OFERTA DE ETANOL ................................................................... 8

1.1. REA, PRODUTIVIDADE AGRCOLA E RENDIMENTO DA CANA ............................ 8 1.2. PROCESSAMENTO DE CANA-DE-ACAR ....................................................... 14 1.3. PRODUO DE ETANOL ............................................................................. 14 1.4. PRODUO DE ACAR ............................................................................. 16 1.5. MIX DE PRODUO .................................................................................. 18

2. DEMANDA DO CICLO OTTO ....................................................... 20

2.1. LICENCIAMENTO E FROTA DE VECULOS LEVES .............................................. 20 2.2. DEMANDA DE COMBUSTVEIS DA FROTA CICLO OTTO ..................................... 21

3. ANLISE ECONMICA .............................................................. 23

3.1. MERCADO NACIONAL DE ETANOL ................................................................ 23

4. CAPACIDADE DE PRODUO E INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTE DE ETANOL ............................................................... 28

4.1. CAPACIDADE PRODUTIVA .......................................................................... 28 4.2. DUTOS E HIDROVIAS ................................................................................ 30 4.3. PORTOS ................................................................................................. 30

5. BIOELETRICIDADE ................................................................... 31

5.1. EXPORTAO E COMERCIALIZAO DE ENERGIA ........................................... 31 5.2. INCENTIVOS FINANCEIROS PARA A BIOELETRICIDADE .................................... 34

6. BIODIESEL ............................................................................... 35

6.1. LEILES E PREOS DE BIODIESEL ............................................................... 35 6.2. PRODUO REGIONAL E CAPACIDADE INSTALADA .......................................... 36 6.3. MATRIA-PRIMA PARA O BIODIESEL ........................................................... 37 6.4. COPRODUTOS DO BIODIESEL ..................................................................... 39 6.5. METANOL ............................................................................................... 40

7. MERCADO INTERNACIONAL DE BIOCOMBUSTVEIS ................. 41

8. NOVOS BIOCOMBUSTVEIS ...................................................... 43

9. EMISSES DE GASES DE EFEITO ESTUFA ................................. 44

5 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

10. IMPACTOS DA DIFERENCIAO TRIBUTRIA ENTRE COMBUSTVEIS: O CASO DE MINAS GERAIS .................................. 46

10.1. INTRODUO ........................................................................................ 46 10.2. POLTICAS DE DIFERENCIAO TRIBUTRIA DE COMBUSTVEIS LEVES ............ 46 10.3. O CASO DE MINAS GERAIS ..................................................................... 48 10.4. CONSIDERAES FINAIS ........................................................................ 58

REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS .................................................... 61

6 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Lista de grficos

Grfico 1 rea de cana colhida e produtividade do setor sucroalcooleiro (Brasil) .................................... 9

Grfico 2 Participao da cana planta na rea total colhida e produtividade (Regio Centro-Sul) ........ 10

Grfico 3 Idade mdia do canavial (Regio Centro-Sul) .......................................................................... 11

Grfico 4 Valor captado de financiamentos pblicos para o cultivo da cana .......................................... 12

Grfico 5 Colheita e Plantio mecanizados x Rendimento da cana (Regio Centro-Sul) ........................... 13

Grfico 6 Histrico anual do processamento de cana ............................................................................. 14

Grfico 7 Produo brasileira de etanol .................................................................................................. 15

Grfico 8 Evoluo mensal do estoque fsico de etanol ........................................................................... 16

Grfico 9 Produo e exportao brasileira de acar ............................................................................ 17

Grfico 10- Exportao brasileira de acar e cmbio ............................................................................... 17

Grfico 11 Preos internacionais do acar VHP e cristal ....................................................................... 18

Grfico 12 Mix de produo (acar x etanol)......................................................................................... 19

Grfico 13 Preo do ATR para acar e etanol (So Paulo) ..................................................................... 19

Grfico 14 Licenciamentos de veculos leves ........................................................................................... 20

Grfico 15 Demanda do ciclo Otto e participao dos diferentes combustveis...................................... 22

Grfico 16 Demanda anual de etanol hidratado e gasolina C ................................................................. 22

Grfico 17 Produo, demanda e importao lquida de gasolina A ...................................................... 23

Grfico 18 Preos de etanol hidratado .................................................................................................... 24

Grfico 19 Histrico da relao PE/PG .................................................................................................... 25

Grfico 20 Relao PE/PG mensal em 2016 ............................................................................................ 26

Grfico 21 Diferenciao Tributria - ICMS (etanol x gasolina) 2016 ...................................................... 27

Grfico 22 Entrada/Fechamento de usinas no Brasil .............................................................................. 29

Grfico 23 Participao da biomassa na gerao eltrica total .............................................................. 31

Grfico 24 Autoconsumo e energia exportada pelas usinas de biomassa de cana ................................. 32

Grfico 25 Histrico de energia exportada para o SIN e cana processada .............................................. 33

Grfico 26 Gerao trmica a biomassa versus PLD ............................................................................... 33

Grfico 27 - Investimentos do BNDES Bioeletricidade ............................................................................. 34

Grfico 28 Preos mdios deflacionados - biodiesel e diesel sem ICMS ................................................... 36

Grfico 29 Produo regional de Biodiesel 2016 .................................................................................. 37

Grfico 30 Capacidade instalada de produo e consumo de biodiesel .................................................. 37

Grfico 31 Participao de matrias-primas para a produo de biodiesel (%) ...................................... 38

Grfico 32- Mercado de leo de soja .......................................................................................................... 39

Grfico 33 Exportao de glicerina bruta e glicerol ................................................................................. 40

Grfico 34 Importao de metanol exclusivo para biodiesel ................................................................ 41

Grfico 35 Exportaes brasileiras de etanol 2002 a 2016 ................................................................. 42

Grfico 36 Emisses Evitadas com Biocombustveis em 2016 Brasil .................................................... 45

Grfico 37 Consumo versus produo de etanol Minas Gerais ............................................................ 49

7 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 38 Preos mensais de etanol hidratado e gasolina C Minas Gerais ......................................... 50

Grfico 39 Relao PE/PG 2014 2016 em Minas Gerais ....................................................................... 51

Grfico 40 Demanda do ciclo Otto e participao de combustveis na frota de veculos leves do ciclo Otto Minas Gerais .................................................................................................................................... 52

Grfico 41 Consumo de etanol hidratado Minas Gerais ....................................................................... 53

Grfico 42 Consumo e arrecadao de etanol hidratado e gasolina C .................................................... 54

Grfico 43 Emisses evitadas pelo uso de etanol e bioeletricidade Minas Gerais ................................ 57

Lista de tabelas

Tabela 1- Preos mdios anuais de etanol hidratado, gasolina C e relativo (PE/PG) ................................. 25

Tabela 2 Complexo soja ........................................................................................................................... 38

Tabela 3 Volumes finais da RFS (bilhes de litros) ................................................................................... 43

Tabela 4 Mix de produo Minas Gerais .............................................................................................. 49

Tabela 5 Preos mdios anuais de etanol hidratado, gasolina C e relativo (PE/PG) ............................... 50

Lista de figuras

Figura 1 Alquota de ICMS do etanol e relao PE/PG por estado em 2016 ............................................ 27

Figura 2 Sistema integrado de logstica para o etanol ............................................................................ 30

Figura 3 ICMS dos estados brasileiros ..................................................................................................... 48

8 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

1. Oferta de Etanol

O setor sucroenergtico apresentou recordes de produo em 2016, em processamento de cana-de-acar, que atingiu cerca de 670 milhes de toneladas e em produo de acar, com 39 milhes de toneladas. J a produo de etanol caiu 7%, totalizando 28,3 bilhes de litros (MAPA, 2017a).

Destaca-se em 2016 o RenovaBio, iniciativa lanada pelo Ministrio de Minas e Energia (MME), que tem como objetivo expandir a produo de biocombustveis no Brasil, baseada na previsibilidade, na sustentabilidade ambiental, econmica e social, e que seja compatvel com o crescimento do mercado. O seu ncleo coordenador composto por: MME, Agncia Nacional do Petrleo, Gs Natural e Biocombustveis (ANP), Empresa de Pesquisa Energtica (EPE) e Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (MAPA). Para atingir os objetivos almejados, sero propostos aprimoramentos nas polticas e nos aspectos regulatrios dos biocombustveis, que contribuiro para superar os desafios tcnicos e econmicos enfrentados pelo setor, possibilitando um melhor aproveitamento das oportunidades que se colocam ao pas. A iniciativa tem por base um amplo debate com todos os agentes que compem o mercado de biocombustveis (MME, 2016).

1.1. rea, Produtividade Agrcola e Rendimento da Cana

rea

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a rea total colhida pelo setor sucroenergtico, na safra 2016/17, foi de 9 milhes de hectares, um aumento de 4,6%, com relao safra anterior. Isso resultado da cana bisada da safra de 2015/16, alm do aumento de rea em alguns estados, principalmente So Paulo (6,1%) e Paran (19,8%), que acrescentaram 275 mil e 102 mil hectares, respectivamente1 (CONAB, 2017a).

Desde a safra 2013/14, a rea de cana colhida tem oscilado em torno de 8,9 milhes de hectares (Grfico 1). Os principais motivos consistem em: poucos projetos greenfields, paralisao de unidades produtoras existentes e baixa capacidade ociosa de moagem (vide Item 4.1).

1 Observa-se que o crescimento da rea poderia ter sido um pouco maior, caso a regio Nordeste no tivesse sofrido com um dficit hdrico, que ocasionou uma queda de 50 mil ha (CONAB, 2017a).

9 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 1 rea de cana colhida e produtividade do setor sucroalcooleiro (Brasil)

Fonte: EPE a partir de CONAB (2017a)

Para a safra 2017/18, estima-se uma reduo de 2,3% para a rea colhida de cana destinada ao setor sucroenergtico, atingindo 8,8 milhes de hectares. Esta queda resultado de um fraco desempenho do setor, principalmente do estado de So Paulo (-4,5%), devido ao grande nmero de empresas em recuperao judicial, s oscilaes observadas nas cotaes do acar e baixa competitividade dos preos internos do etanol (CONAB, 2017a).

No que tange rea de plantio2, ocorreu uma reduo de 17,4% no cultivo realizado na safra 2016/17 com relao anterior. Em nmeros absolutos, a rea de plantio caiu 220 mil hectares, atingindo 1,02 milho de hectares. Enquanto a Regio Norte-Nordeste apresentou um pequeno aumento de 2%, a Regio Centro-Sul foi responsvel por uma queda de 19% (CONAB, 2017a).

Produtividade Agrcola

A produtividade mdia do setor sucroenergtico brasileiro diminuiu 5,6% na safra 2016/17 com relao anterior, atingindo 72,6 tc/ha. As retraes foram observadas tanto na Regio Centro-Sul (-6,1%), que representa 93% da produo total, quanto na Regio Norte-Nordeste (-3,5%). Essa diminuio da produtividade agrcola est relacionada a vrios fatores que impactaram os Estados produtores em diferentes intensidades. Condies climticas adversas, como estiagem (mais forte na regio Nordeste), precipitaes intensas e geadas, alm de tratos culturais insuficientes3 e envelhecimento do canavial causaram essa reduo (CONAB, 2017a).

2 Cana de ano e cana de inverno sero colhidas na safra subsequente e cana de 18 meses na segunda safra. 3 Ao contrrio do que acontece nas lavouras de cana prpria das unidades produtoras, que utilizam tecnologia tradicional, como irrigao, adubao e aplicao de defensivos agrcolas, alguns fornecedores descapitalizados deixam suas lavouras por conta dos fatores da natureza.

8,1 8,4 8,58,8 9,0 8,7 9,0

77,4

67,1 69,474,8

70,5

76,972,6

0

20

40

60

80

0,0

1,0

2,0

3,0

4,0

5,0

6,0

7,0

8,0

9,0

10,0

11,0

12,0

10/11 11/12 12/13 13/14 14/15 15/16 16/17

Toneladas / hectare

Milhes de hectares

rea (milhes ha) Produtividade (tc/ha)

10 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

A avaliao do desempenho da produo sucroenergtica requer tambm verificar como a rea de cultivo da cana est distribuda. Esta pode ser diferenciada em: rea reformada, em reforma, de expanso e de cana soca4. A participao da cana planta5 (cana planta/cana total) considerada ideal de 18% a 20%, percentual relativo a uma renovao do canavial aps cinco safras (UNICA, 2017). O Grfico 2 apresenta a evoluo da participao da cana planta no total de cana colhida (exclui rea de cana em reforma) destinada a todos os fins, para os principais estados produtores da Regio Centro-Sul (INPE, 2014; UNICA, 2017).

Grfico 2 Participao da cana planta na rea total colhida e produtividade (Regio Centro-Sul)

Nota: A rea total colhida refere-se rea de cana para todos os fins em GO, MG, MT, MS, PR e SP (setor sucroalcooleiro e outros fins). Fonte: EPE a partir de CONAB (2017a), INPE (2014) e UNICA (2017).

V

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