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Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ano 2016

Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

GOVERNO FEDERAL

Ministrio de Minas e Energia

Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ano 2016

Empresa pblica, vinculada ao Ministrio de Minas e Energia, instituda nos termos da Lei n 10.847, de 15 de maro de 2004, a EPE tem por finalidade prestar servios na rea de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento do setor energtico, tais como energia eltrica, petrleo e gs natural e seus derivados, carvo mineral, fontes energticas renovveis e eficincia energtica, dentre outras.

Presidente Luiz Augusto Nbrega Barroso Diretor de Estudos de Petrleo, Gs e Biocombustveis Jos Mauro Ferreira Coelho Diretor de Estudos Econmico-Energticos e Ambientais Ricardo Gorini Diretor de Estudos de Energia Eltrica Amlcar Gonalves Guerreiro Diretor de Gesto Corporativa lvaro Henrique Matias Pereira

Coordenao Executiva

Giovani Machado

Coordenao Tcnica Angela Oliveira da Costa

Equipe Tcnica

Angela Oliveira da Costa Euler Joo Geraldo da Silva

Juliana Rangel do Nascimento Lenidas Bially Olegario dos Santos

Marina Damio Besteti Ribeiro Patrcia Feitosa Bonfim Stelling

Rachel Martins Henriques Rafael Barros Araujo

Assistente Administrativo

Srgio Augusto Melo de Castro

URL: www.epe.gov.br Sede SAN Quadra 1 Bloco B Sala 100-A 70041-903 - Braslia DF

Escritrio Central Av. Rio Branco, 01 11 Andar 20090-003 - Rio de Janeiro RJ

EPE-DPG-SDB-Bios-NT-05-2017-r1 Data: 19 de junho de 2017

2 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Histrico de Revises

ANLISE DE CONJUNTURA DOS BIOCOMBUSTVEIS

Revises Data Descrio sucinta

r0 01.06.2017 PUBLICAO ORIGINAL

r1 19.06.2017 O GRFICO 42 FOI ALTERADO

3 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Apresentao

A EPE apresenta sua oitava edio da Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis, com foco no ano de 2016. Com periodicidade anual, a publicao consolida os fatos mais relevantes referentes aos biocombustveis, que ocorreram no ano anterior sua divulgao. lanada no segundo trimestre, aps o fechamento da safra sucroenergtica e a consolidao das estatsticas dos rgos mais relevantes da rea.

Os principais temas abordados so: a oferta e demanda de etanol e sua infraestrutura de produo e transporte, o mercado de biodiesel, a participao da bioeletricidade na matriz nacional e nos leiles de energia, o mercado internacional de biocombustveis, as expectativas para os novos biocombustveis e as emisses de gases de efeito estufa evitadas pela utilizao dessas fontes renovveis de energia.

Nessa edio, alm da avaliao dos principais acontecimentos ocorridos em 2016, o documento apresenta um texto, em anexo, sobre a diferenciao tributria como instrumento de poltica pblica de incentivo ao mercado de biocombustveis no Brasil.

4 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Sumrio

APRESENTAO ............................................................................... 3

1. OFERTA DE ETANOL ................................................................... 8

1.1. REA, PRODUTIVIDADE AGRCOLA E RENDIMENTO DA CANA ............................ 8 1.2. PROCESSAMENTO DE CANA-DE-ACAR ....................................................... 14 1.3. PRODUO DE ETANOL ............................................................................. 14 1.4. PRODUO DE ACAR ............................................................................. 16 1.5. MIX DE PRODUO .................................................................................. 18

2. DEMANDA DO CICLO OTTO ....................................................... 20

2.1. LICENCIAMENTO E FROTA DE VECULOS LEVES .............................................. 20 2.2. DEMANDA DE COMBUSTVEIS DA FROTA CICLO OTTO ..................................... 21

3. ANLISE ECONMICA .............................................................. 23

3.1. MERCADO NACIONAL DE ETANOL ................................................................ 23

4. CAPACIDADE DE PRODUO E INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTE DE ETANOL ............................................................... 28

4.1. CAPACIDADE PRODUTIVA .......................................................................... 28 4.2. DUTOS E HIDROVIAS ................................................................................ 30 4.3. PORTOS ................................................................................................. 30

5. BIOELETRICIDADE ................................................................... 31

5.1. EXPORTAO E COMERCIALIZAO DE ENERGIA ........................................... 31 5.2. INCENTIVOS FINANCEIROS PARA A BIOELETRICIDADE .................................... 34

6. BIODIESEL ............................................................................... 35

6.1. LEILES E PREOS DE BIODIESEL ............................................................... 35 6.2. PRODUO REGIONAL E CAPACIDADE INSTALADA .......................................... 36 6.3. MATRIA-PRIMA PARA O BIODIESEL ........................................................... 37 6.4. COPRODUTOS DO BIODIESEL ..................................................................... 39 6.5. METANOL ............................................................................................... 40

7. MERCADO INTERNACIONAL DE BIOCOMBUSTVEIS ................. 41

8. NOVOS BIOCOMBUSTVEIS ...................................................... 43

9. EMISSES DE GASES DE EFEITO ESTUFA ................................. 44

5 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

10. IMPACTOS DA DIFERENCIAO TRIBUTRIA ENTRE COMBUSTVEIS: O CASO DE MINAS GERAIS .................................. 46

10.1. INTRODUO ........................................................................................ 46 10.2. POLTICAS DE DIFERENCIAO TRIBUTRIA DE COMBUSTVEIS LEVES ............ 46 10.3. O CASO DE MINAS GERAIS ..................................................................... 48 10.4. CONSIDERAES FINAIS ........................................................................ 58

REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS .................................................... 61

6 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Lista de grficos

Grfico 1 rea de cana colhida e produtividade do setor sucroalcooleiro (Brasil) .................................... 9

Grfico 2 Participao da cana planta na rea total colhida e produtividade (Regio Centro-Sul) ........ 10

Grfico 3 Idade mdia do canavial (Regio Centro-Sul) .......................................................................... 11

Grfico 4 Valor captado de financiamentos pblicos para o cultivo da cana .......................................... 12

Grfico 5 Colheita e Plantio mecanizados x Rendimento da cana (Regio Centro-Sul) ........................... 13

Grfico 6 Histrico anual do processamento de cana ............................................................................. 14

Grfico 7 Produo brasileira de etanol .................................................................................................. 15

Grfico 8 Evoluo mensal do estoque fsico de etanol ........................................................................... 16

Grfico 9 Produo e exportao brasileira de acar ............................................................................ 17

Grfico 10- Exportao brasileira de acar e cmbio ............................................................................... 17

Grfico 11 Preos internacionais do acar VHP e cristal ....................................................................... 18

Grfico 12 Mix de produo (acar x etanol)......................................................................................... 19

Grfico 13 Preo do ATR para acar e etanol (So Paulo) ..................................................................... 19

Grfico 14 Licenciamentos de veculos leves ........................................................................................... 20

Grfico 15 Demanda do ciclo Otto e participao dos diferentes combustveis...................................... 22

Grfico 16 Demanda anual de etanol hidratado e gasolina C ................................................................. 22

Grfico 17 Produo, demanda e importao lquida de gasolina A ...................................................... 23

Grfico 18 Preos de etanol hidratado .................................................................................................... 24

Grfico 19 Histrico da relao PE/PG .................................................................................................... 25

Grfico 20 Relao PE/PG mensal em 2016 ............................................................................................ 26

Grfico 21 Diferenciao Tributria - ICMS (etanol x gasolina) 2016 ...................................................... 27

Grfico 22 Entrada/Fechamento de usinas no Brasil .............................................................................. 29

Grfico 23 Participao da biomassa na gerao eltrica total .............................................................. 31

Grfico 24 Autoconsumo e energia exportada pelas usinas de biomassa de cana ................................. 32

Grfico 25 Histrico de energia exportada para o SIN e cana processada .............................................. 33

Grfico 26 Gerao trmica a biomassa versus PLD ............................................................................... 33

Grfico 27 - Investimentos do BNDES Bioeletricidade ............................................................................. 34

Grfico 28 Preos mdios deflacionados - biodiesel e diesel sem ICMS ................................................... 36

Grfico 29 Produo regional de Biodiesel 2016 .................................................................................. 37

Grfico 30 Capacidade instalada de produo e consumo de biodiesel .................................................. 37

Grfico 31 Participao de matrias-primas para a produo de biodiesel (%) ...................................... 38

Grfico 32- Mercado de leo de soja .......................................................................................................... 39

Grfico 33 Exportao de glicerina bruta e glicerol ................................................................................. 40

Grfico 34 Importao de metanol exclusivo para biodiesel ................................................................ 41

Grfico 35 Exportaes brasileiras de etanol 2002 a 2016 ................................................................. 42

Grfico 36 Emisses Evitadas com Biocombustveis em 2016 Brasil .................................................... 45

Grfico 37 Consumo versus produo de etanol Minas Gerais ............................................................ 49

7 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 38 Preos mensais de etanol hidratado e gasolina C Minas Gerais ......................................... 50

Grfico 39 Relao PE/PG 2014 2016 em Minas Gerais ....................................................................... 51

Grfico 40 Demanda do ciclo Otto e participao de combustveis na frota de veculos leves do ciclo Otto Minas Gerais .................................................................................................................................... 52

Grfico 41 Consumo de etanol hidratado Minas Gerais ....................................................................... 53

Grfico 42 Consumo e arrecadao de etanol hidratado e gasolina C .................................................... 54

Grfico 43 Emisses evitadas pelo uso de etanol e bioeletricidade Minas Gerais ................................ 57

Lista de tabelas

Tabela 1- Preos mdios anuais de etanol hidratado, gasolina C e relativo (PE/PG) ................................. 25

Tabela 2 Complexo soja ........................................................................................................................... 38

Tabela 3 Volumes finais da RFS (bilhes de litros) ................................................................................... 43

Tabela 4 Mix de produo Minas Gerais .............................................................................................. 49

Tabela 5 Preos mdios anuais de etanol hidratado, gasolina C e relativo (PE/PG) ............................... 50

Lista de figuras

Figura 1 Alquota de ICMS do etanol e relao PE/PG por estado em 2016 ............................................ 27

Figura 2 Sistema integrado de logstica para o etanol ............................................................................ 30

Figura 3 ICMS dos estados brasileiros ..................................................................................................... 48

8 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

1. Oferta de Etanol

O setor sucroenergtico apresentou recordes de produo em 2016, em processamento de cana-de-acar, que atingiu cerca de 670 milhes de toneladas e em produo de acar, com 39 milhes de toneladas. J a produo de etanol caiu 7%, totalizando 28,3 bilhes de litros (MAPA, 2017a).

Destaca-se em 2016 o RenovaBio, iniciativa lanada pelo Ministrio de Minas e Energia (MME), que tem como objetivo expandir a produo de biocombustveis no Brasil, baseada na previsibilidade, na sustentabilidade ambiental, econmica e social, e que seja compatvel com o crescimento do mercado. O seu ncleo coordenador composto por: MME, Agncia Nacional do Petrleo, Gs Natural e Biocombustveis (ANP), Empresa de Pesquisa Energtica (EPE) e Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (MAPA). Para atingir os objetivos almejados, sero propostos aprimoramentos nas polticas e nos aspectos regulatrios dos biocombustveis, que contribuiro para superar os desafios tcnicos e econmicos enfrentados pelo setor, possibilitando um melhor aproveitamento das oportunidades que se colocam ao pas. A iniciativa tem por base um amplo debate com todos os agentes que compem o mercado de biocombustveis (MME, 2016).

1.1. rea, Produtividade Agrcola e Rendimento da Cana

rea

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a rea total colhida pelo setor sucroenergtico, na safra 2016/17, foi de 9 milhes de hectares, um aumento de 4,6%, com relao safra anterior. Isso resultado da cana bisada da safra de 2015/16, alm do aumento de rea em alguns estados, principalmente So Paulo (6,1%) e Paran (19,8%), que acrescentaram 275 mil e 102 mil hectares, respectivamente1 (CONAB, 2017a).

Desde a safra 2013/14, a rea de cana colhida tem oscilado em torno de 8,9 milhes de hectares (Grfico 1). Os principais motivos consistem em: poucos projetos greenfields, paralisao de unidades produtoras existentes e baixa capacidade ociosa de moagem (vide Item 4.1).

1 Observa-se que o crescimento da rea poderia ter sido um pouco maior, caso a regio Nordeste no tivesse sofrido com um dficit hdrico, que ocasionou uma queda de 50 mil ha (CONAB, 2017a).

9 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 1 rea de cana colhida e produtividade do setor sucroalcooleiro (Brasil)

Fonte: EPE a partir de CONAB (2017a)

Para a safra 2017/18, estima-se uma reduo de 2,3% para a rea colhida de cana destinada ao setor sucroenergtico, atingindo 8,8 milhes de hectares. Esta queda resultado de um fraco desempenho do setor, principalmente do estado de So Paulo (-4,5%), devido ao grande nmero de empresas em recuperao judicial, s oscilaes observadas nas cotaes do acar e baixa competitividade dos preos internos do etanol (CONAB, 2017a).

No que tange rea de plantio2, ocorreu uma reduo de 17,4% no cultivo realizado na safra 2016/17 com relao anterior. Em nmeros absolutos, a rea de plantio caiu 220 mil hectares, atingindo 1,02 milho de hectares. Enquanto a Regio Norte-Nordeste apresentou um pequeno aumento de 2%, a Regio Centro-Sul foi responsvel por uma queda de 19% (CONAB, 2017a).

Produtividade Agrcola

A produtividade mdia do setor sucroenergtico brasileiro diminuiu 5,6% na safra 2016/17 com relao anterior, atingindo 72,6 tc/ha. As retraes foram observadas tanto na Regio Centro-Sul (-6,1%), que representa 93% da produo total, quanto na Regio Norte-Nordeste (-3,5%). Essa diminuio da produtividade agrcola est relacionada a vrios fatores que impactaram os Estados produtores em diferentes intensidades. Condies climticas adversas, como estiagem (mais forte na regio Nordeste), precipitaes intensas e geadas, alm de tratos culturais insuficientes3 e envelhecimento do canavial causaram essa reduo (CONAB, 2017a).

2 Cana de ano e cana de inverno sero colhidas na safra subsequente e cana de 18 meses na segunda safra. 3 Ao contrrio do que acontece nas lavouras de cana prpria das unidades produtoras, que utilizam tecnologia tradicional, como irrigao, adubao e aplicao de defensivos agrcolas, alguns fornecedores descapitalizados deixam suas lavouras por conta dos fatores da natureza.

8,1 8,4 8,58,8 9,0 8,7 9,0

77,4

67,1 69,474,8

70,5

76,972,6

0

20

40

60

80

0,0

1,0

2,0

3,0

4,0

5,0

6,0

7,0

8,0

9,0

10,0

11,0

12,0

10/11 11/12 12/13 13/14 14/15 15/16 16/17

Toneladas / hectare

Milhes de hectares

rea (milhes ha) Produtividade (tc/ha)

10 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

A avaliao do desempenho da produo sucroenergtica requer tambm verificar como a rea de cultivo da cana est distribuda. Esta pode ser diferenciada em: rea reformada, em reforma, de expanso e de cana soca4. A participao da cana planta5 (cana planta/cana total) considerada ideal de 18% a 20%, percentual relativo a uma renovao do canavial aps cinco safras (UNICA, 2017). O Grfico 2 apresenta a evoluo da participao da cana planta no total de cana colhida (exclui rea de cana em reforma) destinada a todos os fins, para os principais estados produtores da Regio Centro-Sul (INPE, 2014; UNICA, 2017).

Grfico 2 Participao da cana planta na rea total colhida e produtividade (Regio Centro-Sul)

Nota: A rea total colhida refere-se rea de cana para todos os fins em GO, MG, MT, MS, PR e SP (setor sucroalcooleiro e outros fins). Fonte: EPE a partir de CONAB (2017a), INPE (2014) e UNICA (2017).

Verifica-se que o percentual de cana planta na safra 2016/17 apresentou um decrscimo de 3% com relao anterior, saindo de 12% para 9%, distanciando-se do ideal (18% a 20%). Evidencia-se tambm o movimento conjugado entre tal razo e a produtividade agrcola, desconsiderando- se os anos nos quais os eventos climticos foram severos.

Para a safra 2017/18, a CONAB (2017a) estima que haver um aumento de 16% na rea de plantio, com relao safra 2016/17, o que elevar o percentual de cana planta na safra 2018/19.

A idade mdia do canavial impacta diretamente no resultado da produo. Quanto maior for o estgio mdio de corte, menor ser a rea com cana mais nova e, consequentemente, menor a produtividade mdia, pois a produtividade da cana

4 rea reformada aquela recuperada no ano da safra anterior e que est disponvel para colheita. rea em reforma aquela que no ser colhida, pois se encontra em perodo de recuperao para o replantio da cana ou outros usos. rea de expanso a classe de lavouras de cana que, pela primeira vez, est disponvel para colheita. rea de cana soca aquela que j passou por mais de um corte. 5 rea de cana planta equivale ao somatrio das reas reformada e de expanso.

10%

14%

19%

16%

12%

9%

68,672,4

77,872,1

80,275,3

0

10

20

30

40

50

60

70

80

90

0%

5%

10%

15%

20%

25%

30%

2011/12 2012/13 2013/14 2014/15 2015/16 2016/17

tc / ha

% de cana planta

Reformada Expanso % de cana planta Perfil desejado Produtividade C/Sul

secaseca chuva

11 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

decresce a cada corte. O Grfico 3 apresenta a idade mdia do canavial de toda a Regio Centro-Sul.

Grfico 3 Idade mdia do canavial (Regio Centro-Sul)

Fonte: EPE a partir de CONAB (2017b)

Observa-se que a idade mdia do canavial de toda a Regio Centro-Sul estava bastante elevada na safra 2011/12. Com a introduo do PRORENOVA (Programa de Apoio Renovao e Implantao de Novos Canaviais) do BNDES em 2012, a idade mdia do canavial comeou a se reduzir e a produtividade mdia tambm comeou a apresentar certa recuperao. No entanto, no ano de 2016, alguns produtores optaram por amortizar parte de suas dvidas, diminuindo a destinao oramentria para renovao do canavial. Alm disso, o programa foi lanado com alguns meses de atraso (BNDES, 2017a).

Oportuno destacar que, em 2016, o PRORENOVA apresentou algumas alteraes nos critrios de concesso do crdito, restringindo sua utilizao para novas variedades de cana, de maior produtividade, de forma a promover a sua difuso no setor. Atualmente, a maioria das variedades empregadas foi liberada h mais de quinze anos, o que limita os ganhos de produtividade. O programa tambm ampliou o limite de financiamento de 7.000 R$/ha em 2015 para 7.265 R$/ha em 2016 (BNDES, 2017a).

Em resumo, a safra 2016/17 apresenta uma idade mdia do canavial elevada e, ainda, uma reduo na rea de cana planta. Desta forma, estima-se que a safra 2017/18 exibir os efeitos da falta de renovao dos canaviais.

O Grfico 4 apresenta o valor total captado, de financiamentos pblicos para o cultivo da cana, em bilhes de reais. A partir de 2012, este valor corresponde ao PRORENOVA, somado aos valores de outros programas em que haja aquisio de mquinas e implementos agrcolas.

3,53 3,463,31 3,26 3,22

3,84

0,0

1,0

2,0

3,0

4,0

2011/12 2012/13 2013/14 2014/15 2015/16 2016/17

Nmero de cortes

12 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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Grfico 4 Valor captado de financiamentos pblicos para o cultivo da cana

Fonte: EPE a partir de BNDES (2017b)

Conforme mostra o Grfico 4, os desembolsos do BNDES na rea agrcola para o cultivo da cana em 2016 foram de 1,1 bilho de reais, 20% superiores aos realizados em 2015, entretanto, ainda correspondem a aproximadamente metade do patamar observado em 2013 e 2014. Especificamente para o PRORENOVA6, o programa apresentou em 2016 o menor valor captado para o cultivo da cana, com quedas de 54% considerando o ano de 2015, e de 36%, em relao a 2012 (incio do programa) (BNDES, 2017b).

Rendimento da Cana (ATR7/tc)

O rendimento da cana-de-acar na safra 2016/17 foi de 134,6 kg ATR/tc, aumento de 2,4% em relao safra anterior (131,4 kg ATR/tc), mas ainda inferior mdia de 138,2 kg ATR/tc, relativa ao perodo entre as safras 2006/07 e 2015/16. Os baixos ndices pluviomtricos observados em vrios estados tiveram grande relevncia no aumento deste indicador, ao contrrio do impacto causado na produtividade (CONAB, 2017a).

O clima na poca da colheita, a presena de impurezas minerais e vegetais e a defasagem entre a implantao da mecanizao do plantio e da colheita da cana so os principais fatores que influenciam esse indicador.

Dentre esses fatores, destaca-se a influncia da quantidade de impurezas vegetais e minerais que conduzida para dentro da unidade industrial junto com a cana, degradando sua qualidade. Esta foi agravada pelo estabelecimento de acordos adicionais para antecipar as metas impostas pelas leis ambientais de reduo das queimadas. Com isso, os agentes do setor no implementaram todos os ajustes

6 Alm do PRORENOVA, h no BNDES o PASS (Programa de Apoio ao Setor Sucroalcooleiro) e o PAISS (Plano conjunto de apoio inovao tecnolgica industrial dos setores sucroenergtico e sucroqumico) (BNDES, 2017a). 7 Acares Totais Recuperveis.

0,5 1,1

1,8

0,6

0,30,2 0,20,4

0,6 0,7 0,71,0 0,9

0,7

1,0

0,1

0,30,8

0,0

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

Bilhes de reias

PRORENOVA Outros programas

13 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

necessrios para a introduo da colheita mecanizada. Assim, o teor de impurezas vegetais na cana colhida cresceu cerca de 4 pontos percentuais8, entre 2007 e 2016, comprometendo a qualidade da matria-prima que entra na usina e, por consequncia, o rendimento (kg de ATR/tc) (CONSULCANA, 2017; CTC, 2014, 2017).

Analisando a mecanizao da cultura da cana na regio Centro-Sul, verifica-se que ainda existe uma defasagem entre a colheita e o plantio, 18% na safra 2016/17, patamar observado desde a safra 2013/14, conforme mostra o Grfico 5.

Grfico 5 Colheita e Plantio mecanizados x Rendimento da cana (Regio Centro-Sul)

Nota: No inclui fornecedores. Fonte: CONAB (2017a), CTC (2014, 2017) e UNICA (2013a, 2013b, 2014, 2017)

Assinala-se que o principal fator que tem mantido o rendimento da cana em patamares inferiores aos registrados entre 2003 e 2007 o aumento das impurezas minerais e vegetais presentes na cana colhida, decorrente da introduo da colheita mecanizada e potencializado pela defasagem da mecanizao do plantio. Torna-se necessrio atuar sobre esse fator, de forma a recuperar uma parcela do rendimento que foi perdido.

Nesse sentido, o manejo varietal e o agronmico so aes essenciais ao melhor desempenho da produo em termos de produtividade e rendimento, as quais devem ser conjugadas equalizao da mecanizao da cultura. Entende-se como manejo varietal o plantio da variedade de cana mais adequada para cada tipo de solo e colheita9. Algumas aes importantes nesse sentido so: a adequao do espaamento entre as linhas do canavial, o dimensionamento do talho, de forma a

8 As impurezas totais que entram nas usinas esto na faixa de 8 a 11%, sendo que as minerais no tm se alterado, situando-se na faixa de 1,0% 1,5% (CONSULCANA, 2017; CTC, 2014, 2017). 9 Para a colheita mecanizada, quanto mais ereta a cana permanecer na poca da colheita, menor a quantidade de impurezas vegetais e minerais que sero trazidas para dentro da unidade industrial, dada a regulagem da altura de corte das ponteiras na colhedora.

33% 35% 34% 36%42%

54%61%

73%80%

85%89%

94% 95% 97%

33% 35%

48%

60%

71%75%

79%79%

147,1142,4 143,6

148,3 144,4140,6

129,6

140,2137,3 136,4 133,7

137,7 131,8134,6

0

20

40

60

80

100

120

140

160

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

80%

90%

100%

20

03

/04

20

04

/05

20

05

/06

20

06

/07

20

07

/08

20

08

/09

20

09

/10

20

10

/11

20

11

/12

20

12

/13

20

13

/14

20

14

/15

20

15

/16

20

16

/17

Colheita Mecanizada Plantio mecanizado kg de ATR/tc

14 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

evitar o pisoteio durante as manobras das colhedoras e o agrupamento de variedades e altura das leiras, para realizar o corte o mais prximo ao solo10, bem como o plantio de variedades mais adequadas para cada tipo de solo e colheita.

1.2. Processamento de cana-de-acar O ano de 2016 registrou novo recorde de cana processada e o motivo principal foi a quantidade de cana bisada proveniente da safra 2015/16, estimada em cerca de 30 milhes de toneladas.

Foram modas aproximadamente 670 milhes de toneladas, o que representou um crescimento de 1,6% em relao a 2015, conforme mostra o Grfico 6 (MAPA, 2017a).

Grfico 6 Histrico anual do processamento de cana

Fonte: EPE a partir de CONAB (2017a) e MAPA (2017a)

1.3. Produo de etanol Em 2016, foram produzidos cerca de 28 bilhes de litros de etanol, divididos em 17,1 de hidratado (queda de 10,2%) e 11,2 de anidro (queda de 0,8%). Assim, o volume total de etanol produzido foi 6,7% inferior a 2015, conforme ilustra o Grfico 7 (MAPA, 2017a).

10 A cana tem maior teor de sacarose na parte mais prxima ao solo.

255

553

623 626

566594

650 633660 671

0

100

200

300

400

500

600

700

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2016

Milhes de Toneladas

15 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 7 Produo brasileira de etanol

Fonte: EPE a partir de MAPA (2017a)

A queda na produo de etanol em 2016 se deve a dois principais fatores:

O preo mdio do acar no mercado internacional apresentou forte elevao quando comparado ao ano de 2015, devido expectativa de inverso do balano produo / consumo, que antes era positivo (mais detalhes no Item 1.4); e

A relao entre os preos mdios do etanol hidratado e da gasolina C11 (PE/PG) manteve-se desfavorvel ao etanol em vrios estados, na maior parte do ano. Em 2016, a relao PE/PG mdia do Brasil foi de 0,71, contra 0,66 em 2015 (maiores detalhes no Item 3).

Estoque de etanol

O Grfico 8 apresenta o histrico da variao de estoque fsico12 mensal de etanol declarado ao MAPA. Pode-se observar que o estoque de passagem13 de etanol, em 31 de dezembro de 2016, foi de 6,8 bilhes de litros. Destes, 3,6 foram de etanol anidro, o que correspondeu a uma variao de -1,8% em relao ao estoque em dezembro de 2015. Neste perodo, houve queda de 18% no volume total de etanol carburante consumido, o que ser analisado no Item 2 deste estudo (MAPA, 2017a).

11 Gasolina C: Gasolina A acrescida do percentual mandatrio de etanol anidro. 12 Estoque Fsico corresponde ao volume real armazenado nos tanques da unidade produtora, inclusive o volume j vendido e no retirado. 13 Estoque de Passagem corresponde ao armazenado nos tanques da unidade produtora no fim do ano civil.

5,6 9,6

7,0

8,0

8,7

9,7

11,7

11,7

11,3

11,2

4,9

17,6

19,1

19,9

14,2

13,9

16,0

16,8 19,0

17,1

10,5

27,1

26,1

27,9

22,923,5

27,7

28,5

30,328,3

0

5

10

15

20

25

30

35

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2016

Bilhes de litros

Anidro Hidratado Etanol Total

16 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 8 Evoluo mensal do estoque fsico de etanol

Fonte: EPE a partir de MAPA (2017a)

O estoque disponvel de etanol anidro em 31 de janeiro de 2017 foi de 2,3 bilhes de litros e, em 31 de maro, foi de 789 milhes de litros. Estes volumes foram, respectivamente, 21% e 15% inferiores ao estipulado atravs da Resoluo ANP n 67 (ANP, 2011)14. Ressalta-se que, desde o incio de sua vigncia, esta foi a primeira vez em que no houve o cumprimento do estabelecido pela regulao. Esse fato pode ser apontado como um dos principais motivos para os grandes volumes importados no comeo de 2017 (maiores detalhes no Item 7).

1.4. Produo de acar Em 2016, a produo brasileira de acar foi recorde, devido alta do preo internacional desta commodity.

A produo alcanou 39 milhes de toneladas (14% superior ao ano de 2015), conforme pode ser observado no Grfico 9. A componente consumo interno + variao de estoques apresentou reduo de apenas 240 mil toneladas, sendo que os estoques nacionais tiveram um aumento de cerca de 1 milho. Em 2016, as exportaes foram bastante elevadas, alcanando um recorde histrico de 29 milhes de toneladas (MAPA, 2017a).

14 Segundo a Resoluo ANP n 67 (ANP, 2011), o produtor de etanol anidro, a cooperativa de produtores de etanol ou a empresa comercializadora dever possuir, em 31 de janeiro e em 31 de maro, de cada ano subsequente, estoque prprio em volume compatvel com, no mnimo, 25 % e 8%, respectivamente, de sua comercializao de etanol anidro combustvel com o distribuidor de combustveis, no ano civil anterior, considerando o percentual de mistura obrigatria vigente.

3,34,5

5,24,9 5,2

6,8 7,0 6,8

0

2

4

6

8

10

12

jan/10

mai/10

set/10

jan/11

mai/11

set/11

jan/12

mai/12

set/12

jan/13

mai/13

set/13

jan/14

mai/14

set/14

jan/15

mai/15

set/15

jan/16

mai/16

set/16

Bilhes de litros

Anidro Hidratado Total

17 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 9 Produo e exportao brasileira de acar

Fonte: EPE a partir de MAPA (2017a)

O Grfico 10 mostra o comportamento das exportaes brasileiras de acar com a variao da taxa de cmbio. Nota-se que apesar da queda na cotao do dlar a partir de fevereiro de 2016, o perfil exportador do Brasil no sofreu alterao. De outubro de 2016 em diante, as exportaes se reduziram, mas os valores realizados foram similares aos observados no mesmo perodo de 2015.

Grfico 10- Exportao brasileira de acar e cmbio

Fonte: EPE a partir de MAPA (2017a) e MDIC (2017)

No que concerne aos preos mdios do acar VHP (NYCSCE/ICE) e cristal (LIFFE), houve um aumento, em relao ao ano de 2015, respectivamente, de 38% e 33%, como se pode observar atravs da anlise do Grfico 11.

16,0

19,522,3

24,425,9 26,2

30,932,4

30,3

33,7

37,736,2

38,5 37,535,3 34,2

38,9

0

5

10

15

20

25

30

35

40

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2016

Milhes de toneladas

Exportao Consumo Interno + Variao de Estoque Produo

0,0

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

3,5

4,0

0,0

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

3,5

4,0

4,5

jan

abr

jul

out

jan

abr

jul

out

jan

abr

jul

out

jan

abr

jul

out

jan

abr

jul

out

jan

abr

jul

out

jan

abr

jul

out

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Exportao de acar

(milhes de toneladas)

Taxa de cmbio (R$/US$)

Exportao Cmbio

18 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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Grfico 11 Preos internacionais do acar VHP e cristal

Nota: Bolsa de Nova Iorque (NYCSCE/ICE) Contrato 11 e Bolsa de Londres (LIFFE) Contrato 407. Fonte: EPE a partir de MAPA (2017a)

Durante o ano de 2016, os preos, tanto do acar VHP quanto do cristal, tiveram cotao mxima em outubro, respectivamente, de US$505/t e US$595/t. A partir de novembro, comearam a diminuir. Mesmo assim, terminaram o ano em valores superiores aos exibidos em janeiro. A safra15 2015/16 resultou em um balano mundial (oferta/demanda) negativo superior a 7 milhes de toneladas e uma relao estoque/consumo de 42,5%, a menor desde a safra 2012/13 (DATAGRO, 2017).

Para a safra mundial (2016/17), o balano dever permanecer negativo, na ordem de 7 milhes de toneladas, com a relao estoque/consumo estimada em 38% (DATAGRO, 2017). Dessa forma, espera-se que, em 2017, a produo brasileira mantenha-se nos mesmos patamares observados em 2016.

A Organizao Mundial da Sade recomendou que o consumo dirio de acar livre seja menor que 10% do consumo dirio de energia, de forma a reduzir o sobrepeso e a obesidade (WHO, 2015). Mxico, Frana, Noruega e Reino Unido j possuem iniciativas nesse sentido, o que poder reduzir suas demandas. Pelo lado da oferta, alguns pases devero aumentar a produo da commodity, como Europa, Rssia e Ucrnia, com a expanso do cultivo de beterraba; e ndia e Tailndia, com a cana-de-acar (DATAGRO, 2017).

1.5. Mix de produo Na safra 2016/17, o percentual de ATR destinado produo do etanol recuou para 54%, conforme mostra o Grfico 12 (MAPA, 2017a), alterando a tendncia crescente observada desde a safra 2013/14, em que as usinas brasileiras vinham destinando a maior parte do ATR para o etanol. Esse movimento dever se manter na prxima safra, com o preo do acar no mercado internacional permanecendo em patamares elevados.

15 A safra mundial de acar termina no ms de setembro. Exemplo: a safra 2016/17 terminar em setembro de 2017.

0

100

200

300

400

500

600

700

800

900

jan

mai set

jan

mai set

jan

mai set

jan

mai set

jan

mai set

jan

mai set

jan

mai set

jan

mai set

jan

mai set

jan

mai set

jan

mai set

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

US$/t

Acar VHP Granel (NYCSCE/ICE) Acar Cristal Ensacado (LIFFE)

19 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 12 Mix de produo (acar x etanol)

Fonte: EPE a partir de MAPA (2017a)

Em 2016, houve um aumento da remunerao mdia do ATR no estado de So Paulo para os trs principais produtos da cana, quando comparada a 2015, como pode ser observado no Grfico 13.

Grfico 13 Preo do ATR para acar e etanol (So Paulo)

Nota: Para o ano de 2016, foi feita uma estimativa com base na remunerao agregada dos produtos da cana CONSECANA/SP (2017). Fonte: EPE a partir de CEPEA/ESALQ (2017a), CONSECANA/SP (2017), MAPA (2017a), MDIC (2017) e PECEGE (2015)

Destaca-se o acar, que apresentou a mxima elevao anual do perodo analisado 0,20 R$/kg ATR. Para o etanol anidro e hidratado, os incrementos foram de 0,05 e 0,02 R$/kg ATR, respectivamente.

45%

43%

40% 46%

24%

24%

23% 22%

31%

33%

37% 32%

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

80%

90%

100%

Acar Anidro Hidratado

0,59

0,450,48

0,51

0,58

0,68

0,60 0,600,58 0,59

0,64

0,53

0,43 0,44 0,450,52

0,610,55 0,55 0,54 0,56

0,58

0,64

0,39

0,45

0,610,65

0,75

0,66

0,55 0,55 0,56

0,76

0,00

0,10

0,20

0,30

0,40

0,50

0,60

0,70

0,80

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

R$ (2016) /kg ATR

Anidro Hidratado Acar

20 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

2. Demanda do Ciclo Otto

2.1. Licenciamento e frota de veculos leves Em 2016, foram licenciados 2 milhes de veculos leves novos no Brasil, 20% a menos que em 2015 (ANFAVEA, 2017). Esta foi a quarta queda consecutiva no licenciamento anual, o que reduziu o montante de veculos comercializados em 2016 aos patamares registrados em 2006 e 2007, conforme mostra o Grfico 14.

Grfico 14 Licenciamentos de veculos leves

Fonte: EPE a partir de ANFAVEA (2017)

Do total de licenciamentos de veculos leves, na segmentao por porte, 84% foram automveis e 16% comerciais leves. Na separao por combustvel, a categoria flex fuel apresentou a maior participao no licenciamento total, com 88%, seguida pelos veculos movidos a diesel com 8%, a gasolina com 4%, e um pequeno percentual de veculos hbridos (1.091 unidades, 0,05% do total). No que tange motorizao, pelo stimo ano consecutivo, foram licenciados majoritariamente veculos com motores entre 1.0 e 2.0 (65% do total) (ANFAVEA, 2017).

Ao contrrio do mercado de veculos novos, a comercializao de usados em 2016 manteve o mesmo patamar registrado em 2014 e 2015, cerca de 10 milhes de veculos leves vendidos, 83% das vendas. Neste segmento de usados, de 2015 para 2016, houve crescimento nas vendas de usados seminovos (0 a 3 anos)16, na ordem de 24% (5,0 milhes de unidades em 2016) e ocorreu queda de 11% nas vendas de usados mais antigos17 (8,3 milhes de unidades em 2016) (FENAUTO, 2017). O incremento na venda de seminovos sinaliza uma substituio das vendas de veculos novos por este tipo de veculo no Brasil.

16 Inclui motos e comerciais pesados usados. 17 Veculos usados com idades superiores a 3 anos. Inclui motos e comerciais pesados.

1,8

2,3

2,7

3,0

3,3 3,43,6 3,6

3,3

2,5

2,0

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

3,5

4,0

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Milhes de unidades

21 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Quanto s motocicletas, o nmero de unidades novas licenciadas caiu pelo quinto ano consecutivo, conforme dados da ABRACICLO (2017). Em 2016, foram licenciadas 0,9 milho de unidades, queda de 27,9% em relao a 2015.

Nos ltimos anos, a concesso de crdito tem sido o principal mecanismo fomentador para a aquisio de veculos por pessoas fsicas no Brasil. Com a manuteno do cenrio econmico negativo em 2016, ocorreu nova reduo nos valores concedidos de crdito neste ano (queda de 10,2%), quando comparado a 2015, totalizando R$ 71,4 milhes (BCB, 2017a).

Em 2016, o rendimento mdio real das pessoas ocupadas sofreu reduo de 2% (BCB, 2017b) e a taxa de desocupao aumentou significativamente (36%) (BCB, 2017c). Por outro lado, no segundo semestre de 2016, observou-se uma estabilizao do percentual de inadimplncia na aquisio de veculos (BCB, 2017a), bem como a reduo do comprometimento de renda das famlias com amortizao de dvidas com o Sistema Financeiro Nacional (-6%) (BCB, 2017d). Todos estes fatores contribuem para uma menor propenso ao consumo de bens durveis e de maior valor, como automveis. A pesquisa de Inteno de Consumo das Famlias (ICF) 18 aponta uma retomada do crescimento do consumo das famlias, aps um primeiro semestre de queda (CNC, 2017). J o ndice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC)19 de 2016, indica certa estabilizao em compra de bens de maior valor (CNI,2017).

Como resultado do baixo licenciamento observado em 2016, a frota brasileira de veculos leves ciclo Otto cresceu 0,8% e manteve-se em cerca de 36 milhes de unidades, com a tecnologia flex fuel representando 71% do total. Neste cenrio de menor renovao, ocorre um aumento da idade mdia da frota.

2.2. Demanda de combustveis da frota Ciclo Otto A demanda total de energia dos veculos leves do Ciclo Otto, em 2016, foi de 53,4 bilhes de litros de gasolina equivalente. Na distribuio por combustveis, a gasolina A representou 59%, contra 56% em 2015, conforme mostra o Grfico 15. A participao do etanol hidratado caiu de 24% para 20% e a do anidro aumentou de 20% para 21%. Este movimento fez com que o etanol total carburante reduzisse sua participao de 44% para 41% (EPE, 2017). Os motivos para esse comportamento sero citados na prxima seo deste documento.

18 A pesquisa nacional de Inteno de Consumo das Famlias (ICF) um indicador que tem como objetivo antecipar o potencial das vendas do comrcio, sendo realizada pela Confederao Nacional do Comrcio. 19 O ndice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) um indicador criado pela Confederao Nacional da Indstria que sintetiza a opinio dos brasileiros sobre alguns aspectos capazes de afetar as suas decises de consumo, capturada em pesquisa de opinio pblica.

22 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 15 Demanda do ciclo Otto e participao dos diferentes combustveis

Nota: Os dados de demanda excluem a parcela relativa ao GNV. Fonte: EPE a partir de EPE (2016a, 2017)

A demanda do etanol hidratado em 2016 totalizou 15,6 bilhes de litros, decrscimo de 17% em relao ao ano anterior e o consumo de gasolina C perfez 42,5 bilhes de litros, elevao de 3,3% em relao a 2015 (EPE, 2017), como ilustra o Grfico 16.

Grfico 16 Demanda anual de etanol hidratado e gasolina C

Fonte: EPE a partir de EPE (2016a, 2017)

O Grfico 17 apresenta a evoluo da demanda, produo e importao lquida de gasolina A, para o perodo 2011-2016.

2932

36 3741

4447

5154 54 53

0

10

20

30

40

50

60

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Bilhes de litros (gasolina equivalente)

Gasolina A Etanol Anidro Etanol Hidratado Ciclo Otto

20%

21%

59%

24%

20%

56%

18%

20%

62%

18%

19%

63%

25 24 2525 25

30

35

4041

4441 43

67

10

1516 16

12 1113 14

1916

0

5

10

15

20

25

30

35

40

45

50

2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Bilhes de litros

Gasolina C Etanol Hidratado

23 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 17 Produo, demanda e importao lquida de gasolina A

Nota: Os valores de 2016 foram estimados a partir de ANP (2017a). Fonte: EPE a partir de ANP (2017a) e EPE (2016a)

Em 2016, a demanda nacional de gasolina A aumentou 4% em relao ao ano anterior, chegando a 31,4 bilhes de litros e sua produo diminuiu 0,7%, alcanando 27,7 bilhes de litros. A carga de petrleo processada nas refinarias foi reduzida em aproximadamente 7%, com a diminuio da produo de nafta petroqumica (corte similar ao da gasolina) em 31% e de diesel em 8%, em relao aos valores de 2015 (ANP, 2017a). O saldo comercial de gasolina foi de 2 bilhes de litros de importao lquida.

3. Anlise Econmica

3.1. Mercado nacional de etanol

O ano de 2016 foi marcado pela alta dos preos do etanol hidratado, motivada principalmente pela sua menor oferta. Isto porque a produo das usinas foi deslocada para o acar, que apresentou preos elevados no mercado internacional desde o final de 2015. Alm disso, a regio Centro-Sul, que concentra a maior parte da produo nacional, antecipou o trmino da safra pelo clima adverso. Em relao gasolina, em 2016, a Petrobras anunciou mudanas na metodologia de determinao de preos na refinaria, o que ocasionou quedas em outubro (3,2%) e novembro (3,1%) e aumento em dezembro (8,1%).

Dessa forma, para uma demanda de combustveis do ciclo Otto mantida em patamar ligeiramente inferior ao do ano anterior, o consumo de etanol hidratado apresentou uma reduo de 17%, em relao a 2015, enquanto que para a gasolina C e etanol anidro o aumento foi de 4,6% e 5,4%, respectivamente (EPE, 2016a; 2017).

23,224,7

26,928,5

31,0

27,9 27,7

22,8

27,1

31,8 31,833,4

30,331,4

1,93,6

1,9 1,7 2,3 2,0

0

5

10

15

20

25

30

35

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Bilhes de litros

Produo Demanda Importao Lquida

24 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

O Grfico 18 apresenta um comparativo dos preos20 mdios de etanol hidratado para o consumidor21 (Brasil), no distribuidor (Brasil) e nas usinas (So Paulo).

Grfico 18 Preos de etanol hidratado

Fonte: EPE a partir de ANP (2017a, 2017b) e CEPEA/ESALQ (2017a)

A diferena entre os preos mnimo e mximo do etanol hidratado ao consumidor foi de R$ 0,43 / litro (18%), em 2016 (julho e dezembro), enquanto que em 2015 foi de R$ 0,73 / litro (41%) (janeiro e dezembro). Ressalta-se que em 2013 e 2014 essa variao foi bem menor, R$ 0,13 / litro. Em 2015, a alta de preos foi motivada pelo aumento do percentual22 de anidro na gasolina (maro), alm da elevao dos preos do acar. Com o incio da safra em 2016, os preos do hidratado retrocederam, retomando a trajetria de subida em outubro, com o fraco desempenho da produo e com a manuteno dos preos internacionais do acar em um patamar elevado.

Nesse sentido, importante ressaltar que os estoques de hidratado no incio de 2016 nas usinas estavam em nveis inferiores aos observados no ano anterior, cujo consumo foi significativamente superior a 2016, o que tambm contribuiu para o aumento dos preos nesse perodo. Como resultado, comparando-se os meses de janeiro de 2015 e de 2016, a variao do preo ao consumidor foi 46% superior. Com relao aos preos nas distribuidoras e nas usinas, esse valor foi de 49% e 52%, respectivamente (patamares que se mantiveram em fevereiro e maro).

As margens mdias de preos entre distribuidor, usina e consumidor mantiveram-se em nveis similares aos dos perodos pregressos.

Os preos mdios anuais do etanol hidratado e da gasolina C, para o consumidor, so mostrados na Tabela 1, bem como o preo mdio relativo (PE/PG) e suas respectivas variaes.

20 Os preos de etanol hidratado e gasolina C, apresentados nessa seo, foram deflacionados pelo IPCA, em relao a dezembro de 2016 (valores a preos constantes). 21 Preos praticados pelos postos revendedores; inclui impostos. 22 Em 2015, o aumento do percentual de anidro na gasolina (maro) retirou uma parcela do hidratado do mercado.

2,8

2,5

1,9

0,0

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0jan/07

ago/07

mar/08

out/08

mai/09

dez/09

jul/10

fev/11

set/11

abr/12

nov/12

jun/13

jan/14

ago/14

mar/15

out/15

mai/16

dez/16

R$ (dez/2016) /litro

CONSUMIDOR DISTRIBUIDORA USINA/SP

25 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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Tabela 1- Preos mdios anuais de etanol hidratado, gasolina C e relativo (PE/PG)

Nota: Os preos de etanol hidratado e gasolina C foram deflacionados pelo IPCA, em relao a dezembro de 2016. Fonte: EPE a partir de ANP (2017a; 2017b)

O valor mdio do etanol hidratado foi de R$ 2,58/litro em 2016, um aumento de 28% comparado com o ano anterior, enquanto que a gasolina C ficou 20% mais cara. O preo do biocombustvel teve um incremento maior que o da gasolina C, o que resultou em um aumento de 6,9 pontos percentuais do preo relativo (PE/PG), em relao ao observado em 2015. Com isso, em 2016, a razo mdia entre preos foi de 71%, valor considerado pouco favorvel ao consumo do biocombustvel23. O Grfico 19 ilustra a variao do preo mdio anual relativo (PE/PG) desde 2007.

Grfico 19 Histrico da relao PE/PG

Fonte: EPE a partir de ANP (2017a; 2017b)

A reduo do preo da gasolina na refinaria, em outubro e novembro, no teve impacto direto no preo da gasolina C ao consumidor, diferentemente do aumento anunciado em dezembro, que ocasionou um acrscimo de 2%. Por outro lado, o etanol hidratado teve altas de preos considerveis em outubro (7,6%) e novembro (5,2%), 23 O valor considerado de indiferena para o consumidor ocorre quando o preo do etanol hidratado corresponde a 70% do preo da gasolina C (PE/PG = 70%). Ressalte-se que a razo de preos apresentada foi calculada em termos de mdia ponderada Brasil. Em funo do ICMS adotado e dos custos de distribuio, os preos do etanol podem variar muito entre os diferentes estados.

Etanol Var. Gasolina C Var. Var.

Hidratado (R$/litro) (% a.a.) (R$/litro) (% a.a.) (% a.a.)

2007 0,79 -7,5 1,41 1,7 0,56 -9,1

2008 0,85 7,3 1,48 5,4 0,57 1,82009 0,92 8,5 1,57 6,3 0,59 2,0

2010 1,07 15,9 1,68 7,0 0,63 8,32011 1,36 27,0 1,90 13,0 0,71 12,42012 1,40 3,2 2,01 5,7 0,70 -2,32013 1,52 8,1 2,23 10,9 0,68 -2,52014 1,69 11,7 2,47 10,6 0,69 1,02015 2,01 18,7 3,03 22,7 0,66 -3,22016 2,58 28,3 3,63 20,0 0,71 6,9

PE/PGAno

56%57%

59%

64%

71%

70%

68% 69%

66%

71%

54%

58%

62%

66%

70%

74%

2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

PE/PG (Mdia Anual) (%

)

26 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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enquanto que em dezembro esse valor foi de 0,8% (essas variaes foram inferiores s constatadas em 2015). Pode-se inferir, desta forma, que os aumentos de preo do biocombustvel foram pautados, principalmente, pela diminuio da oferta, com a proximidade da entressafra, e no pelas alteraes nos preos do derivado fssil.

O preo relativo mensal ao longo de 2016 est ilustrado no Grfico 20. Em janeiro, a relao PE/PG era de 74% e exibiu um crescimento at maro, ms anterior ao incio da safra. Em maio, essa relao atingiu o valor mnimo de 66%, mantendo-se nesse patamar at setembro, a partir do qual a safra sucroalcooleira comeou a diminuir sua produo, proporcionando um crescimento do preo relativo, que chegou em dezembro ao mesmo patamar de janeiro (74%). Dessa forma, durante sete meses do ano de 2016, o etanol hidratado mostrou-se pouco competitivo. No perodo de maio a setembro, os estados de So Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais apresentaram uma relao PE/PG favorvel ao consumo do biocombustvel (no Mato Grosso, at outubro).

Grfico 20 Relao PE/PG mensal em 2016

Fonte: EPE a partir de ANP (2017a; 2017b)

Em 2016, 15 estados possuam diferenciao nas alquotas de ICMS do etanol e da gasolina, como forma de fomento ao mercado do biocombustvel, conforme apresenta o Grfico 21. Nesse ano, Rio Grande do Norte, Alagoas, Pernambuco, Piau e Paraba reduziram a alquota do etanol e aumentaram a da gasolina.

74%75%

76%

73%

66% 67% 66% 66% 67%

71%

75%74%

50%

55%

60%

65%

70%

75%

80%

jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez

PE/PG (%)

27 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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Grfico 21 Diferenciao Tributria - ICMS (etanol x gasolina) 2016

Fonte: CONFAZ/MF (2017) e FECOMBUSTVEIS (2016)

Pode-se observar que Minas Gerais apresenta a maior diferena de ICMS entre os estados brasileiros, seguido de So Paulo. Para avaliar os impactos da diferenciao tributria, entre etanol e gasolina, bem como as consequncias nas arrecadaes estaduais, o artigo final desse documento apresenta o estudo de caso de Minas Gerais.

A Figura 1 ilustra a relao entre a taxao de ICMS e a competitividade do etanol hidratado nos estados brasileiros.

Figura 1 Alquota de ICMS do etanol e relao PE/PG por estado em 2016

Fonte: EPE a partir de ANP (2017a; 2017b), CONFAZ/MF (2016) e FECOMBUSTVEIS (2016).

2% 2% 2%

4% 4%

6% 6% 6% 7%

8% 8% 8%

11%

13%

15%

0%

2%

4%

6%

8%

10%

12%

14%

16%

SE MA PA AL CE PB PE RN RJ GO BA PI PR SP MG

28 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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No Mato Grosso, a relao mdia anual foi de 69%, apesar da queda de seu consumo em 5,5 pontos percentuais. No estado de So Paulo, que tem a maior produo do biocombustvel (49,5%) e o maior consumidor de etanol hidratado (45,5%), a relao mdia foi de 70% (a alquota de ICMS de 12%). Em Minas Gerais, que possui um dos menores ICMS para o etanol (14%), o valor de PE/PG foi de 72%. O estado menos competitivo foi Amap, onde o preo do etanol atingiu, em mdia, 98% do preo da gasolina C, sendo que a partir de maio a relao PE/PG esteve igual ou maior que 100%. O estado de Minas Gerais ser foco de artigo detalhando os desdobramentos desta alterao do ICMS para o etanol hidratado e gasolina C.

A partir de 31 de dezembro de 2016, com o fim do vigor da Lei n 12.859 (BRASIL, 2013), as alquotas de PIS/COFINS do etanol hidratado deixaram de ter o crdito presumido, em relao s vendas, no valor de R$ 120/m3.

4. Capacidade de Produo e Infraestrutura de Transporte de Etanol

4.1. Capacidade produtiva24

Em 2016, foram implantadas duas unidades produtoras, com capacidade de moagem agregada de cerca de um milho de toneladas, localizadas nos estados de Gois e Maranho. Outras trs unidades, com capacidade acumulada de 5,5 milhes de toneladas, foram reativadas, duas em So Paulo e uma no Acre. Neste ano, no houve fechamento de nenhuma unidade25. Desta forma, o saldo equivale a um aumento de 6,5 milhes de toneladas em 2016.

O Grfico 22 mostra o fluxo de implantao, reativao e fechamento de unidades entre 2005 e 2016. Verifica-se que o nmero de novas implantaes caiu significativamente desde 2008 e no h expectativa de que esse cenrio de estagnao se altere no curto prazo, apesar de iniciativas pontuais de alguns empreendimentos. Contudo, possvel observar que o nmero de unidades fechadas por ano tem diminudo, enquanto as reativaes continuam ocorrendo. Estima-se que a capacidade nominal de moagem de cana tenha aumentado 186 milhes de toneladas ao longo do perodo, considerando as unidades implantadas, desativadas e reativadas.

24 Na contabilidade atual no so consideradas: unidades identificadas como produtoras de aguardente (mesmo que estejam no cadastro do MAPA); unidades produtoras de etanol no derivados de cana e aquelas que paralisaram e retornaram no mesmo ano civil. 25 Apenas uma unidade paralisou as operaes durante cinco meses, mas retornou. Portanto, no foi contabilizada como unidade parada.

29 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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Grfico 22 Entrada/Fechamento de usinas no Brasil

Fonte: EPE a partir de MAPA (2017b) e UNICA (2014)

De acordo com o MAPA (2017b), o nmero de unidades em operao em dezembro de 2016 era 378, correspondendo a uma capacidade de moagem efetiva de cerca de 765 milhes de toneladas26. Portanto, adotando a moagem realizada no ano de 2016, que foi de aproximadamente 670 milhes de toneladas, a taxa de ocupao da indstria sucroalcooleira foi de 87,6%.

Segundo a ANP (2017c), ao final de dezembro de 2016, 385 unidades estavam aptas a comercializar etanol anidro e hidratado27. Suas capacidades de produo de anidro e hidratado eram de aproximadamente 120 mil m/dia e 219 mil m/dia, respectivamente. Adicionalmente a essas unidades, o Boletim de Etanol da ANP reportou que, em outubro de 2016, havia 4 solicitaes para construo e 8 solicitaes para ampliao de capacidade (ANP, 2016a).

O MAPA realiza o controle das unidades do setor sucroalcooleiro que esto em operao, inclusive as usinas dedicadas produo de acar. J a ANP controla as unidades que esto aptas a comercializarem o etanol anidro e hidratado, mesmo que no estejam em operao em uma determinada data. As divergncias entre os relatrios das duas entidades devem-se aos diferentes objetivos almejados.

26 O clculo considera as unidades que paralisaram as operaes at 31 de dezembro de 2016, assim como as ampliaes de capacidade de moagem realizadas no mesmo ano. Tambm considera um fator de capacidade mdio de 90%. Em 2016, quinze unidades expandiram a capacidade de moagem de cana em cerca de 18,5 milhes de toneladas e realizaram-se ajustes nas capacidades em outras. 27 O relatrio no caracteriza se a unidade est operando ou se est parada e no constam as unidades exclusivamente produtoras de acar.

8

24 2634

2113

5 2 3 2

2 2 2

73

-4 -5 -5

-19 -20-17 -15

-11

-60

-40

-20

0

20

40

60

80

-30

-20

-10

0

10

20

30

40

2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Milhes de tc/ano

Unidades produtoras

Implantao Reativao Fechamento Variao de capacidade instalada

30 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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4.2. Dutos e hidrovias

A Figura 2 apresenta o sistema integrado de logstica para o etanol da Logum, que consiste de um projeto de polidutos e hidrovias28, cuja extenso de 1.330 km, capacidade anual de transporte de at 22 bilhes de litros de etanol e capacidade total de armazenamento de 920 mil m (LOGUM, 2017).

Figura 2 Sistema integrado de logstica para o etanol

Fonte: LOGUM (2017)

A construo do projeto comeou no final de 2010 e, no momento, conta com dois trechos de dutos instalados (no total de cinco projetados), o primeiro ligando Uberaba (MG) a Ribeiro Preto (SP) e o segundo, Ribeiro Preto (SP) a Paulnia (SP). O sistema dos dutos e terminais tem uma capacidade atual de seis bilhes de litros/ano.

Em 2016, a movimentao em todo o complexo, incluindo o trecho sob contrato29, foi de 2,3 milhes de litros, 123 mil litros a mais do que no ano anterior. A capacidade de armazenamento instalada permaneceu em 617 milhes de litros, ou seja, 67% da planejada em projeto (LOGUM, 2017).

4.3. Portos

A via porturia permaneceu como a majoritria via de exportao, abrangendo 99,9% dos volumes exportados de 2016 (1,8 bilho de litros). O porto de Santos representou 92,2% destes volumes, seguido pelo de Paranagu, com 7,1% e o de Suape, com 0,5% (MDIC, 2017).

Em 2016, So Lus (80,8%), Santos (7,6%), Recife (5,2%) e Aratu (BA) (2,4%) foram os principais portos de entrada para o biocombustvel no Brasil (MDIC, 2017). 28 O sistema hidrovirio (Rio Tiet-Paran, notoriamente utilizado para transporte de cargas) ter uma capacidade de transporte de 7,6 milhes de litros, o que corresponder a uma movimentao total de 4 bilhes de litros de etanol por ano. O projeto tambm se utiliza de uma infraestrutura de dutos j existente e operada pela Transpetro. 29 Trecho operado pela Transpetro.

31 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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5. Bioeletricidade

Em 2016, a participao da bioeletricidade na gerao nacional foi de 4,1%, mantendo o mesmo patamar do ano anterior. As usinas sucroenergticas injetaram no Sistema Interligado Nacional (SIN) 2,8 GWmd, valor 11,6% superior ao total verificado em 2015. O Grfico 23 apresenta a participao sazonal da biomassa de cana na gerao eltrica em 2015/2016. Nota-se a complementariedade com a fonte hdrica, uma vez que o aumento da gerao da bioeletricidade ocorre durante a safra, perodo concomitante ao da estiagem (CCEE, 2017).

Grfico 23 Participao da biomassa na gerao eltrica total

Nota: Os valores de energia referentes PCH esto apresentados em conjunto s hidreltricas nos meses de nov/2016 e dez/2016. Fonte: EPE a partir de CCEE (2017)

5.1. Exportao e Comercializao de energia Alm da autossuficincia energtica, as usinas de biomassa de cana se caracterizam pela oferta de energia ao SIN.

Foi observado no ltimo quinqunio um crescimento na gerao de energia eltrica com esta fonte, seja para o autoconsumo, em decorrncia do aumento da produo de etanol e acar, seja para a exportao de energia, de acordo com o Grfico 24.

0

2

4

6

8

10

12

14

0

10

20

30

40

50

60

70

jan/15

fev/15

mar/15

abr/15

mai/15

jun/15

jul/15

ago/15

set/15

out/15

nov/15

dez/15

jan/16

fev/16

mar/16

abr/16

mai/16

jun/16

jul/16

ago/16

set/16

out/16

nov/16

dez/16

GWmd

GWmd

Hidrulica (>30 MW) PCH Trmica Elica Trmica a Biomassa

32 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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Grfico 24 Autoconsumo e energia exportada pelas usinas de biomassa de cana

Nota: Para o ano de 2016, o dado de autoconsumo foi estimado. Fonte: EPE a partir de CCEE (2017) e EPE (2016a)

Dentre as 378 usinas a biomassa de cana-de-acar em operao em 2016, 44% comercializaram eletricidade. Este nmero apresenta um leve aumento em relao ao ano anterior, de 40%. Das que exportam energia para o SIN30, parte atua exclusivamente no ACL (57%) ou no ACR (8%) e o restante (35%) vende em ambos os ambientes de contratao.

A quantidade de energia total comercializada no ACR crescente. Em 2016, as usinas sucroenergticas possuam contratos da ordem de 1,4 GWmd. Considerando os certames ocorridos neste ano, as usinas de cana adicionaram cerca de 40 MWmd atravs do leilo A-5 (CCEE, 2017). O Grfico 25 destaca o aumento do montante exportado para o SIN (ACR e ACL), o total contratado por modalidade via leiles de energia e a cana processada nos ltimos anos.

30 As usinas do setor sucroalcooleiro comercializam energia eltrica nos Ambientes de Contratao Regulada (ACR) e Livre (ACL). No ACR, esto concentradas as operaes de compra e venda de energia, por meio de licitaes em que ocorrem os leiles de energia nova (A-3 e A-5), de reserva (LER) e os de fontes alternativas (LFA). No ACL, atuam os agentes de gerao, de comercializao, de importao, de exportao e os consumidores livres, em contratos bilaterais de compra e venda de energia livremente negociados, no sendo permitida s distribuidoras a aquisio de energia neste mercado. Alm disso, h o Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia Eltrica (PROINFA), criado em 2004 (CCEE, 2017; ELETROBRAS, 2017).

-

5

10

15

20

25

30

35

40

45

2011 2012 2013 2014 2015 2016

TWh

Autoconsumo Exportao

33 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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Grfico 25 Histrico de energia exportada para o SIN e cana processada

Fonte: EPE a partir de CCEE (2017) e MAPA (2017a)

Em 2016, as trmicas continuaram participando de maneira significativa no atendimento da carga. O Grfico 26 ilustra a injeo mensal de energia no SIN pelas trmicas a biomassa versus o preo do PLD (Preo de Liquidao das Diferenas31), em reais de 2016. Em 2016, a gerao ocorreu de forma mais homognea na safra, mesmo com o preo mdio do PLD (R$95) abaixo do praticado no mesmo perodo no ano de 2015, R$323. Neste perodo de safra observada a menor contribuio das hidreltricas, o que aumenta a demanda da energia trmica.

Grfico 26 Gerao trmica a biomassa versus PLD

Nota: O PLD calculado para os submercados N, NE, S, SE/CO. Neste grfico, o valor utilizado para comparao do submercado o referente a SE/CO. Fonte: EPE a partir de CCEE (2017)

31 Atualizado semanalmente, este parmetro tem por objetivo encontrar a soluo tima de equilbrio entre o benefcio presente do uso da gua e o benefcio futuro de seu armazenamento, medido em termos da economia esperada pelo uso dos combustveis nas usinas termeltricas.

500

520

540

560

580

600

620

640

660

680

-

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Mtc

GWmd

Leiles de Energia de Reserva Leiles de Energia NovaLeiles de Fonte Alternativa PROINFAEnergia Injetada Cana Processada

3,7

3,3

4,0

3,6

4,03,93,83,9

R$ 0

R$ 200

R$ 400

R$ 600

R$ 800

R$ 1.000

R$ 1.200

0,0

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

3,5

4,0

4,5

R$2016/M

Wh

GWmd

Trmica a Biomassa PLD_SE/CO

34 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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Quando do estresse hdrico em 2014, a participao das trmicas foi impulsionada pelo elevado preo pago pelo PLD, que atingiu o extremo de R$822,83/MWh em fevereiro de 2014 (CCEE, 2017). Em 2015, ocorreu uma reduo do preo-teto, sendo estipulado em R$ 388,48/MWh. Para 2016, a ANEEL definiu um novo patamar, aumentando-o para R$ 422,56/MWh, superior ao preo mdio observado nos leiles de energia realizados em 2014 e 2015 para as usinas de biomassa (R$ 225/MWh, reais de 2016). Os valores definidos pela ANEEL para o ano de 2017 foram de R$533,82/MWh como limite superior e R$33,68/MWh para o valor inferior (ANEEL, 2017). Ressalta-se que o reajuste foi cerca de 20% acima da inflao medida pelo ndice INPC do IBGE para o ano de 2016, de 6,6% (IBGE, 2017).

Conforme observado nos anos anteriores, as unidades continuaram seu movimento de eficientizao, com a troca de caldeiras antigas por outras de maior presso de operao. Contriburam para esta trajetria os incentivos federais, a exemplo de linhas de financiamento do BNDES para eficientizao do parque gerador, e dos movimentos de fuso ocorridos no setor.

5.2. Incentivos financeiros para a bioeletricidade

No que se refere aos montantes direcionados para incentivar a bioeletricidade no ano de 2016, os valores alcanaram R$ 138 milhes, correspondendo a 7% do total financiado pelo BNDES para o setor sucroenergtico. Esse valor foi aproximadamente 40% inferior a 2015, conforme Grfico 27.

Registra-se que houve uma retrao de 26% nos investimentos para o segmento sucroenergtico: em 2015 o montante total foi de R$ 2,7 bilhes e de R$2,0 bilhes em 2016. Observa-se que em 2010, o investimento no setor sucroenergtico atingiu o pice histrico com a cifra de R$ 7,5 bilhes. (BNDES, 2017b).

Grfico 27 - Investimentos do BNDES Bioeletricidade

Fonte: EPE a partir de BNDES (2017b)

0

100

200

300

400

500

600

700

800

900

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

R$ Milhes

35 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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6. Biodiesel

Em 2016, foram produzidos 3,8 bilhes de litros de biodiesel no Brasil, diminuio de 3% em relao a 2015. O principal motivo para esta reduo foi a queda no consumo de diesel. Desde 2005, ano de implantao do Programa de Nacional de Produo e Uso do Biodiesel (PNPB), at dezembro de 2016, j foram produzidos 25 bilhes de litros deste biocombustvel. Com esses nmeros, o Brasil mantm-se como o segundo maior produtor e consumidor de biodiesel no ranking internacional, antecedido pelos EUA, e sucedido pela Alemanha e Argentina (MME, 2017a).

A Resoluo CNPE n 3 publicada em outubro de 2015 (CNPE, 2015), definiu as diretrizes para autorizar a comercializao e o uso voluntrio de biodiesel, em quantidade superior ao percentual de sua adio obrigatria ao leo diesel32. A ANP estabeleceu as regras para o biodiesel autorizativo, com o objetivo de aproveitar e estimular as condies que podem torn-lo competitivo frente ao leo diesel, principalmente em regies distantes de refinarias de petrleo e com abundncia de capacidade produtiva.

A Lei n 13.263, publicada em 24 de maro de 2016 (BRASIL, 2016), alterou o percentual mandatrio de biodiesel para 8%, 9% e 10%. A Resoluo CNPE n 11 (CNPE, 2017), publicada em 1 de maro de 2017, dispe sobre a adio destes novos percentuais mandatrios, alterando as datas para o incio do ms de maro de cada ano, a comear pelo de sua publicao. A possibilidade de elevao da mistura em at 15% prevista na mesma lei, aps a realizao de testes especficos. Tal como ficou estabelecido na Portaria MME n 80 (MME, 2017b), os testes tm como novo prazo para a finalizao e validao do B10, fevereiro de 2018, e B15, janeiro de 2019, com relatrio final a ser publicado, respectivamente, em abril de 2018 e maro de 2019.

6.1. Leiles e preos de biodiesel

A ANP realizou seis leiles para a compra de biodiesel pelas distribuidoras de combustvel em 2016, totalizando 52 desde o incio do programa. O ltimo certame teve as entregas previstas para o incio do ano de 2017. Tal como demonstra o Grfico 28, embora existisse uma tendncia de aproximao de preos entre diesel e biodiesel at o ano de 2015, houve um distanciamento entre os preos mdios de venda entre o biodiesel e o diesel fssil em 2016, com um perfil crescente do valor do biodiesel.

32 A Resoluo CNPE n 3 (CNPE, 2015) limitou os percentuais mximos em volume de adio de biodiesel ao leo diesel em: 20% em frotas cativas ou consumidores rodovirios atendidos por ponto de abastecimento; 30% no transporte ferrovirio; 30% no uso agrcola e industrial; e 100% no uso experimental, especfico ou em demais aplicaes.

36 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 28 Preos mdios deflacionados - biodiesel e diesel sem ICMS

Nota 1: Os preos foram deflacionados em relao a dezembro de 2016. Nota 2: Os preos do biodiesel correspondem aos leiles indicados. O preo do diesel corresponde a seu valor na refinaria. Fonte: EPE a partir de ANP (2017d)

O volume comercializado nos leiles regulares realizados em 2016 foi de 3,8 bilhes de litros. O biodiesel autorizativo seria comercializado atravs dos leiles33 j realizados pela ANP. No entanto, no primeiro certame de 2016 (47), no houve proposta de aquisio da parcela destinada para este fim. Para viabilizar a aquisio desta parcela de biodiesel, algumas regras vigentes foram alteradas a partir do leilo seguinte (48), sendo ento suprimidas: a autorizao dos rgos ambientais estaduais, as declaraes de concordncia dos fabricantes de motores (ou declarao de usurio final assumindo qualquer risco), a identificao do responsvel pela anlise do combustvel utilizado e a relao dos veculos que utilizariam a mistura autorizativa. Projetos especficos que usem misturas distintas daquelas previstas na Resoluo CNPE n 3 (CNPE, 2015) so isentos de submeterem-se aos leiles, podendo haver a compra do biodiesel direto dos produtores. Essas mudanas foram sugeridas pelo setor para aproveitar a capacidade ociosa existente e a possibilidade de fortalecimento desse mercado.

A comercializao de biodiesel para uso voluntrio ocorreu nos leiles 49 e 50, com vendas totais de 1,6 milho de litros e movimentao de 4 milhes de reais (ANP, (2017d).

6.2. Produo regional e capacidade instalada As regies Centro-Oeste e Sul produziram 85% de todo o biodiesel consumido no pas no ano de 2016, como indica o Grfico 29.

33Os leiles so realizados em duas etapas. Na primeira, as usinas produtoras fazem suas ofertas considerando exclusivamente os volumes ofertados e no vendidos durante o leilo regular. Em etapa seguinte, as distribuidoras fazem as aquisies para os clientes que tenham interesse em utilizar biodiesel em teores acima dos 7% j estabelecido. A portaria estabelece que o resultado consolidado do leilo deve discriminar os volumes de biodiesel e os preos para os dois mercados separadamente, o mercado regular de mistura obrigatria, e o de uso voluntrio.

838 882 891901 956 996

1.0721.215 1.250

1.383 1.4271.514

1.7491.908 2.011

1.847

1.983

1.439 1.376

1.142

1.5421.624

1.478

2.028

1.738

1.4841.651

1.550

1.7721.936

2.4952.378

2.8502.811

0

500

1.000

1.500

2.000

2.500

3.000

14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52

2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

R$/ m

Preo do diesel Preo do biodiesel

Leiles

37 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 29 Produo regional de Biodiesel 2016

Fonte: EPE a partir de ANP (2017e) e MME (2017a)

A capacidade instalada de processamento de biodiesel no pas atingiu 7,5 bilhes de litros em dezembro de 2016, 3% superior a dezembro de 2015, conforme Grfico 30 (ANP, 2017e). Na mesma figura possvel observar que o consumo de biodiesel (3,8 bilhes de litros) correspondeu a apenas 51% da capacidade instalada no pas, o que demonstra que h ainda um enorme potencial para o crescimento da produo deste biocombustvel (ANP, 2017e).

Grfico 30 Capacidade instalada de produo e consumo de biodiesel

Nota: O Selo Combustvel Social (SCS) uma distino conferida s empresas produtoras de biodiesel que utilizam, em sua cadeia produtiva, produtos oriundos da agricultura familiar. O objetivo a garantia de renda e estmulo incluso social das famlias produtoras. As empresas produtoras de biodiesel e detentoras do SCS so beneficiadas com o acesso a melhores condies de financiamento junto s instituies financeiras. Fonte: EPE a partir de ANP (2017e).

6.3. Matria-prima para o biodiesel De todo o biodiesel consumido em 2016, 2,9 bilhes de litros foram produzidos a partir do leo de soja, quantidade ligeiramente inferior quela de 2015 (3,0 bilhes de litros).

Centro-Oeste44%

Sul41%

Nordeste8%

Sudeste6%

Norte1%

0

1000

2000

3000

4000

5000

6000

7000

8000

2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Mil m/ano

Ano

Com SCS Sem SCS Consumo

38 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

O leo de soja permaneceu como a principal matria-prima para biodiesel, com participao de 75,7% na cesta de insumos, seguido pelo sebo bovino, com 15,4 %. A participao percentual das matrias-primas para obteno de biodiesel, no ano de 2016, pode ser observada no Grfico 31.

Grfico 31 Participao de matrias-primas para a produo de biodiesel (%)

Fonte: EPE a partir de ANP (2017e) e MME (2017a)

Contrariando a tendncia de forte crescimento, a produo de soja em gros e em leo no Brasil em 2016 foi de 96,1 e 7,8 milhes de toneladas, respectivamente, mantendo-se no mesmo patamar daquela de 2015 (96,9 e 8,1 milhes de toneladas). O processamento domstico decresceu 4% em relao a 2015.

A capacidade de processamento de soja, segundo a Associao Brasileira das Indstrias de leos Vegetais (ABIOVE, 2016a, 2017b) de 65 milhes de toneladas anuais. Pelo fato da legislao em vigor privilegiar a exportao da soja em gro, essa indstria opera com ociosidade. A Tabela 2 resume a situao do complexo da soja em 2016.

Tabela 2 Complexo soja34 Milhes de toneladas 2016 % (2016-2015)

Produo de soja 96,1 -1% Capacidade Instalada de processamento de soja 65,0 0% Exportao de soja em gro 51,5 -5% Soja processada 39,0 -4% Farelo de soja produzido 29,6 -4% leo de soja produzido 7,8 -4% Exportao de leo de soja 1,3 -26% Consumo de leo alimentcio e outros 3,8 12% Consumo de leo de soja para biodiesel 2,7 -10%

Nota: A densidade considerada para o leo de soja foi 0,92kg/l. Fonte: ABIOVE (2017a; 2017b), ANP (2017e) e MME (2017)

A produo de leo de soja decresceu 4%, observa-se tambm um decrscimo de 26% em sua exportao, bem como a reduo de 10% em relao a seu consumo como biodiesel, quando comparado a 2015.

O Grfico 32 ilustra o comportamento do mercado de leo de soja brasileiro desde 2008.

34 Os valores referentes ao consumo interno de soja semente e outros fins no foram considerados.

75,7%

15,4%

1,1%7,8%

leo de soja

Gordura bovina

leo de algodo

Outros

39 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 32- Mercado de leo de soja

Nota 1: O consumo interno compreende o leo para biodiesel, consumo alimentcio e outros usos. Nota 2: Para o ano de 2016, apresenta-se os valores preliminares assumidos pela ABIOVE (2017b) e MAPA (2016). Fonte: EPE a partir de ABIOVE (2017b) e MAPA (2016)

Segundo dados da ABIOVE (2017b), a produo de leo de soja entre 2008 e 2016 cresceu 24%. Esta taxa de crescimento muito inferior ao aumento do volume de leo de soja para obteno do biodiesel, que saiu de 0,8 milho para 2,6 milhes de toneladas, ou seja, um crescimento de mais de 220% neste mesmo perodo.

6.4. Coprodutos do biodiesel A glicerina bruta um coproduto da cadeia do biodiesel, que corresponde a 10% em massa do biocombustvel produzido. Em 2016, foram produzidas cerca de 340 mil toneladas e sua exportao total, embora 12,5% inferior ao ano anterior, atingiu 215 mil toneladas, conforme mostra o Grfico 33. J a receita obtida com a exportao de glicerina bruta foi de 33 milhes de dlares, 35% inferior de 2015. A China continua como o maior destino das exportaes, com cerca de 80% do total (MDIC, 2017).

O glicerol uma classificao para a glicerina refinada, que tem melhores preos no mercado internacional que a glicerina bruta, e vrias usinas esto instalando equipamentos para sua purificao, visando melhores receitas. A exportao de glicerol cresceu rapidamente entre 2013 e 2015. Em 2016, totalizou 55 mil toneladas, uma queda de 5% em relao ao ano anterior. Apesar disso, no houve impactos na receita obtida, que permaneceu no patamar de 26 milhes de dlares.

6,3

8,17,8

4,1

6,5 6,5

2,21,7

1,30,8

2,8 2,6

0,0

1,0

2,0

3,0

4,0

5,0

6,0

7,0

8,0

9,0

2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

milhes de toneladas

Produo Consumo interno Exportao Uso para biodiesel

40 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 33 Exportao de glicerina bruta e glicerol

Fonte: MDIC (2017)

Observa-se um avano na instalao de novas unidades industriais, que utilizam outros processos de obteno de diesel a partir de biomassa renovvel, basicamente leos e gorduras35. Este processo, medida que produz um similar ao diesel fssil, pode representar uma tendncia diminuio do nmero de unidades produtoras de biodiesel por transesterificao no mundo (MME, 2017a).

6.5. Metanol O metanol um insumo fundamental para a obteno do biodiesel brasileiro. Os EUA concentram a produo mundial devido aos baixos preos do gs natural, que a matria-prima bsica para a sua produo. O Grfico 34 mostra a quantidade de metanol importado e o dispndio resultante desde 2006. O total importado em 2016 foi de 279 mil toneladas e o dispndio totalizou 95 milhes de dlares, ambos 20% inferiores em relao a 2015. A queda nas importaes est diretamente relacionada reduo nos volumes produzidos de biodiesel, como consequncia do menor consumo de diesel observado em 2016.

35 Processos de obteno por hidrotratamento, como a tecnologia HVO (Hydrotreatment Vegetable Oil) ou HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids).

211

246215

30

5855

1212

23

42

46

6358

51

33

16

26 26

0

10

20

30

40

50

60

70

0

50

100

150

200

250

300

350

400

450

2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

US$ Milhes (FO

B)

mil toneladas

Glicerina Glicerol Receita - Glicerina Receita - Glicerol

41 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 34 Importao de metanol exclusivo para biodiesel

Fonte: EPE a partir do ANP (2016b, 2017f) e MDIC (2017)

7. Mercado Internacional de Biocombustveis

Em 2016, o mercado internacional permaneceu com: diminuio dos incentivos para os biocombustveis tradicionais; nfase nas polticas de incentivo eficincia energtica e/ou promoo de fontes energticas mais avanadas; modestos volumes comercializados (principalmente entre Brasil, Estados Unidos e Unio Europeia).

Brasil e Estados Unidos mantiveram-se como os principais pases produtores e exportadores de etanol, concentrando 85% da produo e comercializao (RFA, 2017). As exportaes brasileiras totalizaram 1,8 bilho de litros em 2016 (Grfico 35), sendo principalmente destinadas aos Estados Unidos, que demandaram 0,8 bilho de litros do etanol da cana. No entanto, seguindo a tendncia dos ltimos anos, o Brasil continua importando volumes significativos de etanol dos Estados Unidos36, tendo adquirido 0,8 bilho de litros em 2016 (MDIC, 2017)37.

36 As exportaes e importaes entre Brasil e Estados Unidos devem-se janela de oportunidade tanto para o distribuidor americano, que utiliza o etanol de cana para atendimento da demanda de biocombustvel avanado estabelecida pela EISA, quanto para o produtor brasileiro que se aproveita do custo de oportunidade gerado por esta demanda americana pela fora da lei e pela prpria necessidade de abastecimento do mercado brasileiro. 37 Nos quatro primeiros meses de 2017, as importaes de etanol alcanaram um valor recorde para o perodo (0,7 bilho de litros). Efetivamente, considerando as exportaes para o perodo, o pas importou um volume lquido de 0,4 bilho de litros (MDIC, 2017).

348

279

11996

0

50

100

150

200

250

300

350

400

-

50

100

150

200

250

300

350

400

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

mil toneladas

US$ milhes (FO

B)

Quantidade Dispndio

42 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Grfico 35 Exportaes brasileiras de etanol 2002 a 2016

Fonte: EPE a partir de MDIC (2017)

Em relao ao biodiesel, o comrcio mundial permaneceu concentrado entre a Europa, Argentina, Indonsia e Estados Unidos. No ocorreram exportaes significativas de biodiesel do Brasil para outros destinos.

Estados Unidos

Em 2016, os Estados Unidos alcanaram um novo recorde de produo de etanol de milho, de 58 bilhes de litros, sendo grande parte deste volume destinado ao mercado interno (55 bilhes de litros) (EIA, 2017). Nos ltimos anos, a demanda tem se mantido estvel, em torno dos 50 bilhes de litros (EIA, 2017), correspondendo a 10% da gasolina demandada (500 bilhes de litros anuais). Isto reflete a poltica americana dos ltimos anos compromissada com a eficincia energtica38.

Uma das sadas para os produtores de etanol tem sido direcionar os volumes excedentes para o mercado externo, tornando o pas o maior exportador mundial do biocombustvel. Em 2016, as exportaes lquidas alcanaram 3,8 bilhes de litros, sendo a maior parte destinada ao Brasil (RFA, 2017).

Em relao aos biocombustveis avanados, a dificuldade no estabelecimento da produo a nvel comercial do etanol celulsico permaneceu. Assim como em anos anteriores, A EPA (Environment Protection Agency) se viu forada a diminuir as metas da RFS para esta parcela de biocombustvel, como mostrado na Tabela 3.

38 Caracterstica da administrao Obama. Ressalta-se que a vitria de Donald Trump nas eleies americanas de 2016 representa um ponto de incerteza em relao continuidade da poltica energtica do pas, podendo significar uma total quebra de paradigma neste modelo, visto que o atual presidente j se disse favorvel a incentivar fortemente o mercado interno (em especial a indstria automobilstica), o que resultaria em um aumento da demanda energtica, incluindo o incentivo s fontes fsseis, como o gs de xisto.

0,8 0,7

2,4 2,6

3,4 3,5

5,1

3,3

1,9 2,0

3,1 2,9

1,41,9 1,8

0,0

1,0

2,0

3,0

4,0

5,0

6,0

2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Bilhes de litros

43 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Tabela 3 Volumes finais da RFS (bilhes de litros) 2016 2017 2018

Biocombustveis celulsicos 0,9 1,2 26,5 Diesel de biomassa 7,2 7,6 8,0 Biocombustveis avanados 13,7 16,2 41,6 Combustveis renovveis 68,6 73,0 98,4 Nota: Os valores previstos para 2018 referem-se aos volumes originais estabelecidos, exceto para o diesel de biomassa. Fonte: EPA (2017)

Unio Europeia

A Unio Europeia anunciou em 2016 os planos de implementao da atual poltica de segurana energtica, juntamente com objetivos de mitigao de GEE, com marcos definitivos para os anos de 2020, 2030 e 2050. Para 2020 prevalecem as atuais metas do Triplo 20 (20% de reduo nas emisses de GEE, 20% de participao de fontes renovveis no consumo energtico e 20% de incremento na eficincia energtica). Para 2030, as metas so aumentadas, respectivamente, para 40%, 27% e 27%. Em 2050, a Europa tem planos para alcanar uma reduo de 85% a 90% nas emisses de gases de efeito estufa (GEE), comparadas s de 1990 (EC, 2017).

A nova proposta pretende focar em fontes avanadas de energia, inclusive nos biocombustveis de segunda gerao. A Unio Europeia reforou a posio de desfavorecer os biocombustveis tradicionais (etanol de cana e milho e biodiesel de oleaginosas), limitando a um mximo de 7% de participao na demanda energtica em 2020 e reduzindo para 3,8% em 2030. A proposta recebeu duras crticas de diversos setores da indstria e comrcio (EURACTIV, 2016).

8. Novos Biocombustveis

O cenrio de baixos preos do petrleo e a situao econmica dos pases desenvolvidos, ainda em recuperao, tm reduzido os investimentos nas usinas e projetos de biocombustveis avanados no mundo.

A implementao mundial da produo comercial do etanol de lignocelulose segue em ritmo lento. Os principais problemas enfrentados em 2016 ocorreram ainda na fase de pr-tratamento, dificultando a identificao de entraves nas fases posteriores39, e a soluo essencial para atingir o mximo rendimento em escala industrial. Em 2016, existiam duas usinas de E2G de escala comercial no Brasil: a planta Bioflex-I da GranBio, em So Miguel dos Campos (AL), com capacidade nominal de 82 milhes de litros, e a planta da Razen, em Piracicaba (SP), com capacidade nominal de 42 milhes de litros. Ambas tm operado bem abaixo desses valores. Alm destas, existe tambm a planta-piloto do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em So Manoel (SP), com capacidade de 3 milhes de litros (GRANBIO, 2017; QD, 2015; RAZEN, 2015).

39 Alguns problemas futuros j podem ser identificados, como a dificuldade na fermentao das pentoses presentes na matria lignocelulsica, que permitiria um maior aproveitamento da matria celulsica e o alto custo das enzimas, que aumenta o custo final do processo.

44 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

Apesar das dificuldades de implantao dos biocombustveis de segunda gerao, destaca-se o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil, ou leo Vegetal Hidrogenado em portugus), um combustvel obtido atravs de reaes de reduo de triglicerdeos vegetais por hidrognio, apresentando estrutura qumica idntica ao dos hidrocarbonetos obtidos do petrleo e, assim, se caracterizando como um combustvel drop-in40. A tecnologia HVO, alm de produzir um produto similar ao diesel, tambm pode ser adaptada para a produo de outros combustveis, como o bioquerosene. Atualmente existem 14 unidades (entre plantas dedicadas e unidades associadas a refinarias) e trs projetos em construo. A capacidade das unidades em operao de 4,7 milhes de toneladas (GREENEA, 2017).

9. Emisses de Gases de Efeito Estufa

O Acordo de Paris, celebrado na 21a Conferncia das Partes da Conveno-Quadro das Naes Unidas sobre Mudana do Clima (UNFCCC), realizada naquela cidade, em dezembro de 2015, representou uma importante articulao mundial para enfrentar as causas antrpicas do fenmeno da mudana do clima em escala global e promover a adaptao aos seus efeitos (EPE, 2016b).

O Brasil um dos signatrios deste Acordo, que prope que cada pas declare, voluntariamente, quais so suas Contribuies Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em ingls) para reduo das emisses de GEE. Dentre os diversos itens que integram o escopo nacional, destaca-se para o setor de energia: i) aumentar a participao de bioenergia sustentvel na matriz energtica brasileira para aproximadamente 18% at 2030, expandindo o consumo de biocombustveis, aumentando a oferta de etanol, inclusive por meio do aumento da parcela de biocombustveis avanados (segunda gerao), e aumentando a parcela de biodiesel na mistura do diesel.

Embora tenha tido adeso de cerca de 190 pases, as NDCs no seriam suficientes para manter as metas pretendidas no Acordo de Paris. Com o intuito de suprir esta lacuna, surgiu a iniciativa Mission Innovation (MI41), que prope: (i) criar novas metodologias para inovaes tecnolgicas, melhorar as existentes e reduzir custos; (ii) atrair negcios, interesse de investidores para estmulo de aes globais; e (iii) permitir o acesso populao mundial s energias limpas. A iniciativa visa permitir que haja industrializao e difuso em larga escala das novas tecnologias limpas (MI, 2017).

Na COP22, realizada em novembro de 2016 em Marraqueche (Marrocos), em sinergia com a MI, foi lanada a Plataforma Biofuturo. Coordenada pelo Brasil e com a participao de 20 pases, a proposta construir um diagnstico atualizado da economia de baixo carbono nos pases envolvidos, um plano de viso para 2030, somados a uma srie de polticas focadas em 2017 (BIOFUTURE PLATAFORM, 2017).

40 Combustvel alternativo que pode substituir o equivalente fssil, oriundo do petrleo, sem necessidade de adaptao pelo motor automotivo. 41 A MI prope a criao de 7 eixos de Desafio da Inovao, e um deles foca em Biocombustveis Sustentveis (Sustainable Biofuels Innovation Challange), no qual a EPE ponto focal e a DPG atua na coordenao das atividades.

45 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

A contrapartida domstica na Plataforma Biofuturo o RenovaBio, lanado internacionalmente em dezembro de 2016, tambm na COP22. O programa objetiva expandir a produo de biocombustveis no Brasil, reduzindo a emisso de carbono total dos combustveis vendidos (MME, 2016).

O Brasil destaca-se na participao de renovveis na matriz energtica nacional, o que proporciona uma significativa reduo nas emisses de GEE. No que se refere aos biocombustveis lquidos, as emisses evitadas pelo uso de etanol (anidro e hidratado), e biodiesel em comparao aos equivalentes fsseis (gasolina e diesel) somaram 64,3 MtCO2 em 2016.

Alm dos biocombustveis lquidos, a bioeletricidade da cana-de-acar tambm contribui para a reduo das emisses de CO2. Para estimar as emisses evitadas foi utilizado o fator de emisso de tCO2 por MWh gerado, calculado pelo Ministrio de Cincia, Tecnologia e Inovao (MCTI, 2017). Este indicador tem oscilado nos ltimos anos, tanto em virtude da maior participao de trmicas de diversas fontes de combustveis fssil na gerao de eletricidade nos momentos de escassez hdrica, como na maior contribuio das outras fontes renovveis, como a elica. Em 2016, repetindo o movimento observado em 2015, este fator de emisso sofreu uma queda, passando de 0,124 tCO2/MWh para 0,082 tCO2/MWh.

Considerando a energia exportada e o autoconsumo pelas unidades sucroenergticas, os valores de CO2 evitados so expressivos. A quantidade das emisses evitadas em 2016 foi 30% inferior de 2015 (4,5 MtCO2), somando 3,1 MtCO2, sendo 1,1 advindas do autoconsumo e 2,0 MtCO2 da energia exportada.

O Grfico 36 ilustra as emisses evitadas decorrentes do uso de biocombustveis (etanol anidro e hidratado e biodiesel) e da bioeletricidade da cana.

Grfico 36 Emisses Evitadas com Biocombustveis em 2016 Brasil

Fonte: EPE a partir de EPE (2009) e IPCC (2006)

26,728,4

9,2

3,2

0

5

10

15

20

25

30

Etanol Hidratado Etanol Anidro Biodiesel Bioeletricidade

Milhes de toneladas de CO2eq

46 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

10. Impactos da diferenciao tributria entre combustveis: O Caso de Minas Gerais

10.1. Introduo A frota brasileira composta majoritariamente por veculos flex fluel (71% em 2016), o que permite aos consumidores optarem por etanol e/ou gasolina. Mltiplas variveis (econmicas e no econmicas) influenciam o comportamento do usurio quanto escolha do combustvel, tais como autonomia, confiabilidade e preocupaes relacionadas ao meio-ambiente. No entanto, EPE (2013) evidenciou que o fator decisrio para o abastecimento o valor final do combustvel na bomba.

A possibilidade de escolha entre esses combustveis automotivos faz com que qualquer variao do preo relativo (entre etanol e gasolina) influencie a deciso do consumidor. Tal comportamento somado alta participao dos veculos flex fuel na frota nacional resultam em grandes desafios ao planejamento energtico. Alm disso, o setor sucroenergtico possui outro ativo importante, o acar, que compete com o etanol e, consequentemente, modifica tambm a sua oferta e preos.

O Brasil se destaca no mundo por sua liderana na produo e uso de biocombustveis. Para estimular o seu mercado, o governo tem lanado mo de polticas pblicas, como o Prolcool, o PNPB, mandatos de adio obrigatria aos derivados fsseis e, mais recentemente, iniciativas como o RenovaBio. Diversos instrumentos econmicos tambm resultaram em incentivos aos biocombustveis. Como os tributos so fatores de grande impacto no preo (EPE, 2016c), sejam de origem federal ou estadual, a autonomia dos estados da federao para alterar determinados tributos mostra-se relevante para favorecer o consumo de um combustvel em detrimento a outro.

Nesse artigo, ser analisado o caso de uma unidade da federao brasileira, Minas Gerais, que utilizou a diferenciao tributria como forma de incentivo ao mercado de etanol. Com isso, objetiva-se avaliar os impactos na produo e consumo desse biocombustvel. Pretende-se, ainda, estimar as consequncias destas alteraes sobre a arrecadao estadual. Os efeitos resultantes sobre a reduo de emisses de gases de efeito estufa tambm foram analisados. Alm disso, esse artigo apresenta uma anlise da oferta de bioeletricidade e da gerao de empregos associados ao setor sucroenergtico no estado.

10.2. Polticas de diferenciao tributria de combustveis leves No Brasil, o preo final ao consumidor dos combustveis automotivos possui uma parcela considervel de tributos. Essa carga tributria diferenciada para cada tipo de combustvel, o que influencia diretamente a sua competitividade (CAVALCANTI, 2011). Conforme apontou EPE (2016c), a diferenciao tributria vem sendo utilizada no Brasil como um eficiente instrumento de poltica pblica de incentivo aos biocombustveis.

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O tributo est definido no artigo 3 do Cdigo Tributrio Nacional (BRASIL, 1966) como um pagamento obrigatrio, abrangendo os impostos, as taxas e as contribuies de melhoria. Os tributos atualmente incidentes nas operaes com combustveis automotivos so: (I) Contribuio para o Programa de Integrao Social do Trabalhador e de Formao de Patrimnio do Servidor Pblico (PIS/PASEP); (II) Contribuio Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); (III) Contribuio de Interveno do Domnio Econmico (CIDE); (IV) Imposto sobre Operaes Relativas Circulao de Mercadorias e sobre Prestaes de Servios de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicao (ICMS) e (V) Imposto sobre Importao (II), quando aplicvel.

O PIS/PASEP, a COFINS, a CIDE e o Imposto de Importao so de competncia do governo federal, enquanto que o ICMS determinado por cada estado da federao e suas alquotas podem ser estabelecidas no mbito do Conselho Nacional de Poltica Fazendria Confaz42.

No que tange aos tributos da esfera federal, a CIDE encontra-se zerada para o etanol desde 2004, enquanto que, para a gasolina, o valor incidente de R$100,00/m. A PIS e COFINS, para a cadeia do etanol, incidem sobre o produtor/importador e distribuidor, e permaneceram zeradas de setembro de 2013 at 31 de dezembro de 2016, quando a alquota passou a ser de R$120,00/m3. Para a gasolina, desde maio de 2015, esses tributos totalizam R$381,60/m3 e incidem no produtor ou importador, estando zerados para as distribuidoras (BRASIL, 2013, 2015). Desta forma, a soma atual dos tributos federais de R$120,00/m para o etanol e R$481,60/m para a gasolina, o que equivale a uma diferena entre os combustveis de quatro vezes, que, em termos absolutos, representa R$361,60/m.

J na esfera estadual, o ICMS possui alquotas diferenciadas em cada estado brasileiro, conforme apresenta a Figura 3.

Observa-se que 12 dos 27 estados aplicam as mesmas alquotas de ICMS para etanol e gasolina, enquanto 15 se utilizam da diferenciao tributria como instrumento de incentivo ao biocombustvel. Dentre os ltimos, Minas Gerais o que possui a maior diferena entre as alquotas de ICMS incidentes sobre os combustveis, 15 pontos percentuais. Note-se que So Paulo tem o menor valor de ICMS para o etanol, 12%, seguido de Minas Gerais com 14%, enquanto que o Rio Grande do Sul tem a maior alquota, 30%. J para a gasolina, o maior valor 32%, no Rio de Janeiro, e o menor de 25%, incidente em oito unidades da federao, destacando-se So Paulo.

Ressalta-se que os tributos, federais e estaduais, representam parcela expressiva do preo final dos combustveis na bomba, que a principal varivel que determina a escolha do consumidor no momento do abastecimento. Considerando que a diferena entre a tributao federal incidente sobre o etanol e a gasolina uniforme em todo o territrio nacional, o presente artigo avalia o papel estadual no fomento ao 42 Constitudo pelos Ministrios da Fazenda e do Planejamento e os Secretrios da Fazenda dos Estados e do Distrito Federal.

48 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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biocombustvel. Para tanto, ser analisado o caso de Minas Gerais, que promoveu uma srie de alteraes tributrias voltadas a este fim.

Figura 3 ICMS dos estados brasileiros

Fonte: EPE a partir de CONFAZ/MF (2017) e FECOMBUSTVEIS (2016)

10.3. O Caso de Minas Gerais

Produo, consumo e preos

Minas Gerais possui 35 usinas produtoras de etanol e acar em operao, sendo que destas, trs encontram-se em recuperao judicial. Sua capacidade nominal instalada de 75 milhes de toneladas, em abril de 2017. Em 2016, a produo de cana e de acar foi de 64 milhes e 4 milhes de toneladas, respectivamente, enquanto que a de etanol (anidro e hidratado) totalizou 2,7 milhes de m3 (MAPA, 2017a, 2017b).

Com o objetivo de aumentar a competitividade e incentivar o consumo de etanol, o estado vem realizando alteraes nas alquotas de ICMS incidentes sobre os combustveis automotivos. Em 2011, a alquota para o etanol com fins carburantes foi

49 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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reduzida de 25% para 22%, enquanto que a da gasolina aumentou de 25% para 27%. Ocorreram outras redues para o etanol: em 2012, de 22% para 19%, e em 2015, de 19% para 14%. J a alquota incidente sobre a gasolina foi aumentada para 29%, em 2015 (MINAS GERAIS, 2010, 2011 e 2014). importante ressaltar que o estado tem uma carga tributria de 12% nas operaes internas com etanol para fins carburantes, da usina para as distribuidoras (MINAS GERAIS, 2007).

A Tabela 4 apresenta o mix de produo para Minas Gerais, com base no ATR. Observa-se que a destinao do ATR para acar manteve-se em valores inferiores a 50%, na maior parte do perodo analisado, com um perfil similar ao do pas (Grfico 12). Ressalte-se que desde 2013, as usinas vinham aumentando a destinao do ATR para a produo de etanol, em relao de acar (mdia de 42%), tendncia fortemente revertida em 2016, devido aos patamares elevados de preo alcanados pela commodity no mercado internacional (Item 1.4).

Tabela 4 Mix de produo Minas Gerais

Nota: Os dados de produo de acar foram obtidos de MAPA (2017a). Para a produo de etanol, de 2006 a 2015, foram usados os dados de CEMIG (2016, 2017) e, para 2016, os valores divulgados pelo MAPA (2017a). Fonte: CEMIG (2016, 2017) e MAPA (2017a)

No que tange ao balano de etanol em Minas Gerais, a produo do biocombustvel vem se mantendo superior demanda em todo o perodo, como pode ser visto no Grfico 37, indicando que o estado figura como exportador do biocombustvel.

Grfico 37 Consumo versus produo de etanol Minas Gerais

Nota: Para 2006 2015, os dados de consumo de etanol foram obtidos de CEMIG (2016, 2017). Em 2016, os dados de consumo de etanol hidratado foram de MAPA (2017a). O etanol anidro foi calculado com base em seu teor na gasolina C, conforme ANP (2017a). Fonte: ANP (2017a), CEMIG (2016, 2017) e MAPA (2017a)

A relao entre os preos mdios anuais do etanol hidratado e da gasolina C, para o consumidor (PE/PG) e sua variao so mostrados na Tabela 5.

ATR 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Acar 47% 47% 35% 42% 44% 49% 51% 44% 42% 38% 48%

Hidratado 28% 35% 47% 45% 42% 33% 27% 31% 33% 40% 31%

Anidro 25% 18% 18% 13% 13% 19% 21% 25% 25% 21% 22%

0,51,0

1,21,4

1,7

1,1 1,01,2 1,3

1,81,5

0,7

0,70,7

0,8

0,9

1,00,9

1,11,2

1,11,2

1,3

1,8

2,2 2,3

2,6

2,12,0

2,7 2,7

3,1

2,7

0,0

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

3,5

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Milhes de m

Consumo Etanol Hidratado Consumo Etanol Anidro Produo

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Tabela 5 Preos mdios anuais de etanol hidratado, gasolina C e relativo (PE/PG) Minas Gerais

Fonte: EPE a partir de ANP (2017a, 2017b)

No ano de 2014, o preo mdio dos combustveis na bomba de abastecimento foi de R$1,81/litro do etanol hidratado e de R$ 2,46/ litro de gasolina C, o que equivale a uma relao mdia de PE/PG de 74%. Em 2015, houve um aumento no preo mdio dos combustveis em relao ao ano anterior, inferior para o etanol (14,7%), que chegou a R$ 2,08/litro, e de 23,3% para a gasolina C, que subiu para R$ 3,03/litro, resultando em uma relao PE/PG de 68%, favorvel ao consumo do biocombustvel. Esta reduo do PE/PG indica que a alterao no ICMS promovida pelo governo do estado resultou no aumento da competitividade do etanol. J em 2016, com a alta do preo do acar no mercado internacional, o aumento no preo do etanol (27,6%) foi superior ao da gasolina C (20%), levando os combustveis a alcanarem R$2,66/litro e R$3,64/litro, respectivamente. Com isso, o PE/PG subiu para 72%.

O Grfico 38 apresenta a evoluo mensal dos preos43 de etanol hidratado e gasolina C e a relao PE/PG em Minas Gerais, para o perodo 2006-2016.

Grfico 38 Preos mensais de etanol hidratado e gasolina C Minas Gerais

Fonte: EPE a partir de ANP (2017a, 2017b)

Os preos do etanol hidratado e da gasolina C em MG apresentaram uma tendncia crescente no perodo, similar quela observada no pas. importante destacar, no entanto, que a partir de outubro de 2015, os valores para o etanol hidratado aumentaram consideravelmente. Com o incio da safra 2016/17, houve queda dos preos, muito embora no tenham atingido os valores praticados em 2015.

43 Os preos de etanol hidratado e gasolina C foram deflacionados pelo IPCA, em relao a dezembro de 2016 (valores a preos constantes).

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Etanol Hidratado (R$/litro) 1,03 0,94 0,96 1,03 1,20 1,49 1,56 1,63 1,81 2,08 2,66Gasolina C (R$/litro) 1,35 1,38 1,45 1,64 1,64 1,94 2,06 2,25 2,46 3,03 3,64

PE/PG 0,76 0,68 0,67 0,68 0,73 0,76 0,76 0,72 0,74 0,68 0,72

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

80%

90%

100%

0,0

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

3,5

4,0

jan/06

jun/06

nov/06

abr/07

set/07

fev/08

jul/08

dez/08

mai/09

out/09

mar/10

ago/10

jan/11

jun/11

nov/11

abr/12

set/12

fev/13

jul/13

dez/13

mai/14

out/14

mar/15

ago/15

jan/16

jun/16

nov/16

PE/PG

R$/l (dezem

bro/2016)

Etanol Hidratado Gasolina C PE/PG

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Com o objetivo de avaliar o efeito decorrente da safra da cana-de-acar, o Grfico 39 apresenta, em detalhe, o comportamento do preo relativo mensal para os anos de 2014, 2015 e 2016.

Grfico 39 Relao PE/PG 2014 2016 em Minas Gerais

Fonte: EPE a partir de ANP (2017a, 2017b)

Observa-se que os valores de PE/PG em 2014 situaram-se em todo o ano acima de 70%. Com a alterao tributria promovida no ano de 2015, estes permaneceram inferiores a 70% em sete meses do ano, patamar que favorece o consumo do biocombustvel. J em 2016, os valores de PE/PG foram inferiores a 70% em cinco meses do ano. Alm disso, ressalta-se que em sete dos oito meses da safra em 2016, situaram-se em patamares inferiores queles observados em 2014, mesmo com o aumento do preo do biocombustvel. Com isso, evidencia-se que a alterao ocorrida em PE/PG em 2015, impulsionou o consumo do etanol hidratado.

A demanda total de energia de veculos leves do ciclo Otto em MG e sua distribuio entre os combustveis so apresentadas no Grfico 40. Verifica-se uma trajetria de crescimento at 2014, comportamento semelhante ao exibido pelo Brasil (Item 2.2).

72%

63%

74%

79%

76%

60%

62%

64%

66%

68%

70%

72%

74%

76%

78%

80%

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

PE/PG (%)

2014 2015 2016Perodo de safra

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Grfico 40 Demanda do ciclo Otto e participao de combustveis na frota de veculos leves do ciclo Otto Minas Gerais

Nota 1: Exclui GNV. Nota 2: Para 2006 2015, os dados de consumo foram obtidos de CEMIG (2016, 2017). Em 2016, os dados de consumo de etano l hidratado foram de MAPA (2017a). A gasolina A e o etanol anidro foram calculados com base no teor de anidro na gasolina C, conforme ANP (2017a). Fonte: Elaborao prpria a partir de ANP (2017a), CEMIG (2016, 2017) e MAPA (2017a)

Em Minas Gerais, a participao do etanol hidratado na demanda do ciclo Otto44, no intervalo compreendido entre 2011 e 2014, manteve-se em torno de um valor mdio de 14,9%. Essa evoluiu de 15,2% em 2014 para 22,4% em 2015, quando o governo do estado elevou para 15% a diferena de ICMS entre o biocombustvel e a gasolina. J em 2016, a participao caiu, atingindo 19%.

Ressalte-se que o comportamento de queda foi observado em todo o Brasil e que, apesar do maior direcionamento do mix para a produo de acar em 2016 (aumentando de 38% para 48%), a participao do hidratado em MG foi 3,8% superior ao observado em 2014. Comparando com o Brasil, observa-se que a participao do hidratado em MG no perodo 2011-2014 foi inferior em 3,2 pontos percentuais mdia nacional para o mesmo perodo (18,1%). Essa diferena entre MG e Brasil caiu a 1,8% em 2015, em decorrncia das alteraes tributrias promovidas no estado, com participao dos combustveis no ciclo Otto em valores similares. Em 2016, com a alta no preo do acar no mercado internacional, tal diferena foi de 1,5%, cerca de metade da mdia do perodo 2011-2014.

O consumo do etanol hidratado para o perodo 2006-2016 apresentado no Grfico 41.

44 No Brasil, a participao do hidratado na demanda do ciclo Otto evoluiu de 18,1% em 2014 para 24,2% em 2015 e 20,1% em 2016, conforme Item 2.2.

66%

60%

59%

57%

57% 65%

69%

65%

64%

57%

59%

22%

20%

19%

19%

19% 2

0% 17%

20%

21%

21% 22%

12%

20%

22%

24%

24% 15%

13%

16%

15%

22%

19%

-

1

2

3

4

5

6

7

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

80%

90%

100%

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Milhes de m (gasolina equivalente)

Gasolina A Etanol Anidro Etanol Hidratado Ciclo Otto Total

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Grfico 41 Consumo de etanol hidratado Minas Gerais

Nota: Para 2006 2015, os dados foram obtidos de CEMIG (2016, 2017). Em 2016, os dados so de MAPA (2017a). Fonte: CEMIG (2016, 2017) e MAPA (2017a)

Observa-se que o consumo de etanol hidratado em Minas Gerais oscilou em torno de um valor mdio de 1,2 milho de m no intervalo compreendido entre 2011 e 2014, com uma relao PE/PG superior a 70%. Esse volume evoluiu de 1,3 milho em 2014 para o recorde histrico de 1,8 milho de m em 2015, por intermdio da reduo do ICMS sobre o biocombustvel a 14% e da simultnea elevao do imposto sobre a gasolina a 29%. O aumento em relao a 2014 foi de cerca de 39%, indicando que essa diferenciao tributria aplicada pelo governo estadual logrou alterar os preos dos combustveis em tal medida que foi possvel observar a modificao na escolha do consumidor.

No ano de 2016, em decorrncia de um aumento do direcionamento do mix para a produo de acar, com consequente reduo na oferta do biocombustvel, o consumo de etanol hidratado foi de 1,5 milho de m3, queda de 15%, quando comparado com 2015. Apesar disso, manteve-se superior ao observado em 2014 (18% maior).

Estimativa da arrecadao estadual com o ICMS

As alteraes no ICMS do etanol e gasolina, feitas pelo governo de Minas Gerais, em 2015, ocasionaram uma mudana no perfil de consumo destes combustveis. Visando avaliar que consequncias esta alterao trouxe para a receita estadual, foi construda uma estimativa simplificada de arrecadao entre 2014 e 2016. importante ressaltar que, nesse perodo, no havia incidncia de PIS/COFINS e de CIDE sobre o hidratado, diferentemente da gasolina, sobre a qual incidiam estas alquotas (BRASIL, 2013 e 2015).

A estimativa de arrecadao do ICMS baseou-se em uma anlise dos tributos incidentes em toda a cadeia produtiva do etanol (anidro e hidratado) e da gasolina (A e C), desde o produtor at o consumidor, com base na Estrutura de Formao de Preos da ANP (2017d), conforme Anexo I. Foram utilizados dados mensais para cada uma das variveis consideradas.

0,5

1,0

1,2

1,4

1,7

1,11,0

1,2 1,3

1,8

1,5

0,0

0,2

0,4

0,6

0,8

1,0

1,2

1,4

1,6

1,8

2,0

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Milhes de m

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Para o etanol hidratado combustvel, utilizou-se o preo mdio de realizao do produtor em Minas Gerais, conforme CEPEA (2017b). As margens de distribuio e de revenda foram determinadas com base nos preos do estado de Minas Gerais praticados nesses pontos da cadeia produtiva. O custo logstico foi 0,71% do preo do hidratado no revendedor (BRASIL/TCU, 2012).

O preo de realizao da gasolina A (com a margem do agente econmico) foi considerado como sendo em torno de 35% do preo da gasolina C no revendedor (em Minas Gerais) (BRASIL/TCU, 2012; PETROBRAS, 2017). O preo do etanol anidro referente ao do produtor em Minas Gerais (CEPEA, 2017b). As margens de distribuio e revenda da gasolina C foram determinadas de maneira similar s do etanol hidratado. Para calcular o custo logstico total, utilizou-se 0,50% do preo ao consumidor da gasolina C (BRASIL/TCU, 2012).

O Grfico 42 resume as informaes de consumo e as arrecadaes estaduais, de cada um desses combustveis, no perodo de 2014 a 2016.

Grfico 42 Consumo e arrecadao de etanol hidratado e gasolina C

Nota 1: Arrecadao apurada com preos deflacionados pelo IPCA, em relao a dezembro de 2016. Nota 2: Para 2014 e 2015, os dados de consumo foram obtidos de CEMIG (2016, 2017). Em 2016, os dados de consumo de etanol hidratado foram de MAPA (2017a). A gasolina A e o etanol anidro foram calculados com base no teor de anidro na gasolina C, conforme ANP (2017a). Fonte: ANP (2017a, 2017b, 2017g), CEMIG (2016, 2017), CEPEA (2017b), MINAS GERAIS (2007, 2014) e BRASIL/TCU (2012)

Pode-se observar que, em 2015, com a diminuio da alquota de ICMS do etanol hidratado, houve um aumento de 39% do seu consumo e a arrecadao com esse imposto totalizou R$ 0,6 bilho, o que representou um aumento de 26% em relao ao ano anterior. Dessa forma, verifica-se que a reduo de ICMS de fato foi capaz de provocar um aumento do consumo do biocombustvel, o que ainda trouxe como benefcio ao estado um aumento da arrecadao com este produto. Em relao gasolina C, a alterao na alquota de ICMS (de 27% para 29%) resultou no aumento do seu preo final e teve como consequncia a reduo do seu consumo em 14%. Contudo, apesar do aumento do seu preo final, a arrecadao resultante de suas vendas manteve-se no mesmo patamar. Logo, pode-se observar que as mudanas

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tributrias, visando o estmulo ao uso do etanol, conseguiram alcanar seu objetivo, sem impactar negativamente as receitas do estado.

J em 2016, embora o consumo do etanol hidratado tenha sido reduzido em cerca de 15%, a arrecadao foi 12% superior do ano anterior. Creditam-se estes fatos como resultantes do maior preo do etanol hidratado ao consumidor, quando comparado aos anos anteriores. Evidencia-se tambm que o efeito desejado de estmulo ao consumo do etanol, em face reduo do ICMS em 2015, continuou sendo observado no ano de 2016, j que em relao ao ano de 2014, houve incremento no consumo de 18%. A receita obtida com a gasolina C sofreu um aumento de 36% em relao ao ano anterior (embora as vendas tenham sido incrementadas em apenas 5%).

Benefcios Colaterais

Como pode ser observado, a poltica tributria adotada pelo estado de Minas Gerais resultou na elevao do consumo do etanol. Derivam deste movimento no somente os benefcios financeiros assinalados acima, como tambm demais externalidades positivas, com destaque reduo das emisses de GEE, advinda tanto do consumo do etanol quanto da bioeletricidade.

O 30 Balano Energtico do Estado de Minas Gerais - ano base 2014 aponta a relevncia dos produtos da cana na matriz energtica mineira que, assim como na matriz nacional, ocuparam o segundo lugar em participao, 16,3%, atrs somente de petrleo, gs natural e derivados com 39,8%. Considerando o consumo final dos derivados da cana, nota-se um crescimento de 11% a.a. entre 2004 e 2014, mais que o dobro do observado no Brasil, quando o uso desta fonte aumentou 5% a.a.. O destino do bagao de cana para uso como fonte representou 5,7% dos insumos em 2014, prioritariamente no setor industrial. Para o segmento de alimentos e bebidas, este recurso energtico respondeu por 53,6% (CEMIG, 2016).

Bioeletricidade da cana-de-acar

Das 35 usinas do setor sucroalcooleiro localizadas em Minas Gerais, cerca de 70% possuem contratos de venda de energia, sendo a maior parte atravs dos leiles (ACR). O estado desempenha um papel de relevo na oferta de bioeletricidade da cana-de-acar, respondendo por cerca de 10% do total injetado no SIN no perodo de 2014 a 2016, conforme a Tabela 6. O montante exportado no ano de 2016 foi de 2,6 TWh, o que representa um crescimento expressivo de 9% nos ltimos trs anos.

Tabela 6 Participao da bioeletricidade de MG no cenrio Nacional (GWh)

2014 2015 2016 Brasil 24,9 27,1 28,6 MG 2,2 2,5 2,6 % 9% 9% 9%

Fonte: CCEE (2016) e CONAB (2017a)

Oportuno assinalar que, muito embora a potncia instalada em Minas Gerais no tenha se alterado de forma significativa no ltimo trinio, mantendo-se em torno de 1,2 GW,

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a energia injetada apresentou um movimento crescente, resultante tanto do aumento da moagem quanto de uma maior eficientizao do segmento (ANEEL, 2017). Nesse sentido, observa-se que a quantidade de energia exportada ao SIN por tonelada de cana processada no estado foi crescente para o perodo observado (CCEE, 2017; CONAB, 2017a). Cabe destacar que as usinas de MG que comercializam energia nos leiles exportaram 60% a mais de energia por tonelada de cana moda do que a mdia estadual em 2016.

Emisses evitadas

O Plano de Energia e Mudanas Climticas de Minas Gerais (PEMC), lanado em 2014, identificou os principais setores responsveis pelas emisses no estado. O setor industrial ocupa a primeira posio, seguido pelo de transporte. Embora no haja nenhuma meta estadual, as iniciativas neste sentido baseiam-se nas premissas nacionais, que, para sua consecuo, utilizaram-se de planos de mitigao e adaptao setoriais, com estabelecimento de metas de reduo e planos de ao com horizonte at 2020. Para o setor de transporte, a Meta Setorial de Transporte e de Mobilidade Urbano para a Mitigao da Mudana do Clima vislumbra que o aumento do uso de biocombustveis fator relevante para que os resultados esperados sejam alcanados (FEAM, 2014).

O Grfico 43 apresenta a estimativa das emisses evitadas pelos produtos da cana em Minas Gerais. Com as alteraes tarifrias nos biocombustveis lquidos, as emisses evitadas relacionadas ao uso de etanol no setor de transporte (principal emissor do estado), somaram 5,5 MtCO2eq no ano de 2016. Segundo o PEMC, as emisses deste segmento eram da ordem de 21 MtCO2eq em 2010. No que se refere s relacionadas bioeletricidade, foi considerada a energia exportada no ltimo trinio, e os fatores de emisses de tCO2eq por MWh gerado45, calculado pelo MCTI (2016) anualmente. Assim, foi possvel estimar a quantidade de tCO2eq evitada com o uso desta fonte renovvel, de aproximadamente 200 mil tCO2eq46 em 2016 para este estado.

45 Conforme Item 9. 46 No foram consideradas as emisses evitadas no autoconsumo.

57 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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Grfico 43 Emisses evitadas pelo uso de etanol e bioeletricidade Minas Gerais

Fonte: EPE a partir de ANP (2017a), CCEE (2017), CEMIG (2016, 2017), EPE (2016a) e MCTI (2017)

Emprego

Alm dos benefcios ambientais, as unidades sucroenergticas so responsveis por um contingente relevante de postos de trabalho. No perodo de 2006 a 2016, houve uma diminuio na quantidade de trabalhadores por tonelada de cana processada, principalmente devido ao aumento da mecanizao na colheita e no plantio da cana. Neste sentido, dados da SIAMIG (2017) apontam queda de 12%a.a. no perodo de 2011 a 2016, saindo de 1,6 trabalhadores diretos a cada mil toneladas de cana para 0,85. Contudo, simultaneamente, nota-se um crescimento do salrio mdio pago ao trabalhador, evidenciando um aumento na qualificao da mo-de-obra utilizada neste segmento.

Para alcanar as metas nacionais de produo de etanol assumidas no Acordo de Paris, de 50 bilhes de litros de etanol em 2030, seria necessria a criao de 750 mil postos de trabalho diretos e indiretos em toda a cadeia produtiva da cana no Brasil, segundo a UNICA (2016).

No estado de Minas Gerais, o incio da safra marca tambm a criao de maior nmero de postos de trabalho para o setor sucroalcooleiro. Na safra 2015/16, o setor sucroenergtico empregava, direta e indiretamente, cerca de 180.000 funcionrios (SIAMIG, 2017). Ressalta-se que a regio do Tringulo Mineiro onde se concentra maior parte da produo sucroalcooleira do estado.

0,0

1,0

2,0

3,0

4,0

5,0

6,0

7,0

2014 2015 2016

MtCO2eq

Etanol Hidratado Etanol Anidro Bioeletricidade

58 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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10.4. Consideraes Finais A inteno do Governo de Minas Gerais quando realizou as alteraes tributrias descritas neste artigo era estimular um aumento do consumo do etanol hidratado em substituio ao uso de gasolina no abastecimento de veculos leves. Os dados apresentados nos Grfico 40 e Grfico 41 demonstram que tal objetivo foi alcanado, na medida em que houve crescimento de 39% (2015) e 18% (2016), no consumo de etanol hidratado, em relao ao ano de 2014, quando esta diferenciao tributria ainda no se encontrava implantada.

As alteraes de ICMS, obviamente, impactaram ambos os preos e consequentemente a relao PE/PG (Grfico 39). Como a possibilidade de escolha entre estes dois combustveis, pelo consumidor final, baseia-se em critrios mltiplos, sendo o mais decisivo, o preo, essa relao manteve-se favorvel em vrios meses de 2015 e 2016 ao consumo do biocombustvel.

relevante destacar que, ao contrrio da suposio de senso comum, a reduo dos tributos sobre o etanol hidratado levou ao aumento da arrecadao de ICMS sobre os combustveis de Ciclo Otto (etanol hidratado e gasolina, majoritariamente) no estado de Minas Gerais. O pleno entendimento desse efeito requer aprofundamentos futuros.

Assim, para o caso analisado, o efeito combinado entre reduo de ICMS do etanol hidratado e aumento do mesmo imposto sobre a gasolina, fez com que houvesse uma mudana no perfil de consumo, que levou a uma maior arrecadao de tributos com a venda isolada (e tambm com a agregada) de ambos os combustveis.

Dentre os diversos desdobramentos observados, alm dos impactos tributrios positivos citados, elenca-se a reduo das emisses de GEE, advindos tanto do consumo do etanol quanto da bioeletricidade. O estado de Minas Gerais contribui com cerca de 10% da energia injetada no SIN advinda das usinas sucroenergticas, bem como aproximadamente 10% da produo de etanol. Destaca-se, ainda, o considervel nmero de postos de trabalho associados atividade sucroenergtica. As iniciativas adotadas por este ator relevante no cenrio brasileiro ilustram a importncia das polticas pblicas nos aspectos sociais, ambientais e econmicos e seus impactos na sociedade. Medidas desta envergadura ressaltam a responsabilidade dos estados no direcionamento das solues necessrias para o crescimento do Brasil, sustentado pelos pilares da sustentabilidade socioambiental e econmica.

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ANEXO I :Estrutura de Formao de Preos (ANP, 2017g)

Etanol Hidratado

Composio do preo do etanol hidratado no produtor

A. Preo de realizao (1)

B. Contribuio de Interveno no Domnio Econmico = Cide (3)

C. PIS/Pasep e Cofins (4)

D. Preo de faturamento sem ICMS D = A + B + C

E. ICMS produtor E = [(D / (1 - ICMS%)] - D (5)

F. Preo de faturamento do produtor com ICMS F = D + E

Composio do preo a partir da distribuidora

G. Frete at a base de distribuio (2)

H. Custo de aquisio da distribuidora H = F + G

I. Frete da base de distribuio at o posto revendedor

J. Margem da distribuidora

K. PIS/Pasep e Cofins (4)

L. Preo da distribuidora sem ICMS L = H + I + J + K - E

M. ICMS da distribuidora M = [(L / (1 - ICMS%)] - L - E (5)

N. Preo da distribuidora com ICMS e sem Substituio Tributria da revenda N = M + L + E

O. (i) ICMS da Substituio Tributria da revenda (com PMPF) O = (PMPF x ICMS%) - E - M (6) ou (ii) ICMS da Substituio Tributria da revenda (na ausncia do PMPF) O = % MVA x (E + M) (7)

P. Preo de faturamento da distribuidora P = N + O (i) ou P = N + O (ii)

Composio do preo final de venda do etanol hidratado no posto revendedor

Q. Preo de aquisio da distribuidora Q = P

R. Margem da revenda

S. Preo bomba do etanol hidratado combustvel S = Q + R

Observaes: (1) Preo FOB (sem fretes e sem tributos). J inclui a margem do agente econmico. (2) Frete at a base de distribuio (quando cobrados separadamente) (3) Lei n 10.336, de 12/12/01 e suas alteraes, combinada com o Decreto n 5.060, de 30/04/04 e suas alteraes (4) Lei n 11.727, de 23/06/08 e suas alteraes combinada com o Decreto n 6.573, de 19/09/08 e suas alteraes (para os contribuintes que optaram pela alquota especfica) (5) Alquotas estabelecidas pelos governos estaduais (com redues das bases de clculo, se houver) e acrescidas do "Fundo de Pobreza" (se houver).Algumas legislaes estaduais diferem o ICMS para a distribuidora ou antecipam para o produtor (6) Preo Mdio ao Consumidor Final (PMPF) estabelecido por Ato Cotepe / PMPF (7) Margem de Valor Agregado (MVA) estabelecido por Ato Cotepe / MVA (apenas na ausncia do PMPF)

60 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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Gasolina C

Composio do preo da gasolina "A" (pura, sem a mistura de etanol anidro combustvel - EAC) no produtor ou importador

A. Preo de realizao (1)

B. Contribuio de Interveno no Domnio Econmico - Cide (2)

C. PIS/Pasep e Cofins (3)

D. Preo de faturamento sem ICMS D = A + B + C

E. ICMS produtor E = [(D / (1 - ICMS%)] - D (6)

F. Preo de faturamento com ICMS (sem o ICMS da Substituio Tributria) F = D + E

G. (i) ICMS da Substituio Tributria (com PMPF) G = (PMPF x ICMS% / ( 1 - MIX (9)) - E (7) ou (ii) ICMS da Substituio Tributria (na ausncia do PMPF) G = F x % MVA x ICMS% (8)

H. Preo de faturamento do produtor sem frete (ex refinaria) com ICMS H = F + G (i) ou + G (ii)

Composio do preo do etanol anidro combustvel (EAC) a ser misturado gasolina "A"

I. Preo do etanol anidro combustvel (1)

J. Contribuio de Interveno no Domnio Econmico - Cide (2)

K. PIS/Pasep e Cofins (4)

L. Preo de faturamento do produtor sem frete e sem ICMS (O ICMS incidente sobre o etanol anidro foi cobrado na etapa de produo da gasolina A na proporo da mistura para formao da gasolina C, conforme item G acima) L = I + J + K + L (5)

Composio do preo da gasolina "C" (mistura de gasolina "A" e etanol anidro combustvel) a partir da distribuidora

M. Frete da gasolina "A" at a base de distribuio

N. Frete do EAC at a base de distribuio (frete de coleta)

O. Custo de aquisio da distribuidora O = M + N + (H x (1- MIX (9)) + (L x MIX (9))

P. Margem da distribuidora

Q. Frete da base de distribuio at o posto revendedor

R. Preo de faturamento da distribuidora R = O + P + Q

Composio do preo final de venda da gasolina "C" no posto revendedor

S. Custo de aquisio do posto revendedor S = R

T. Margem da revenda

U. Preo bomba de gasolina "C" U = S + T

Observaes: (1) Preo FOB (sem fretes e sem tributos). J inclui a margem do agente econmico. (2) Lei n 10.336, de 12/12/01, e suas alteraes, combinada com o Decreto n 5.060, de 30/04/04, e suas alteraes (3) Lei n 10.865, de 30/04/04, e suas alteraes, combinada com o Decreto n 5.059, de 30/04/04, e suas alteraes (para os contribuintes que optaram pela alquota especfica) (4) Lei n 11.727, de 23/06/08, e suas alteraes, combinada com o Decreto n 6.573, de 19/09/08, e suas alteraes (para os contribuintes que optaram pela alquota especfica) (5) Em geral, diz-se que h diferimento tributrio, quando o recolhimento de determinado tributo transferido para uma etapa posterior da cadeia. No caso do etanol anidro combustvel, o produtor ou importador de gasolina "A" recolhe o tributo incidente sobre a etapa de produo de anidro (usina), nos casos em que este seja utilizado para composio da gasolina "C". (6) Alquotas estabelecidas pelos governos estaduais (com redues das bases de clculo, se houver) e acrescidas do "Fundo de Pobreza" (se houver). (7) Preo Mdio ao Consumidor Final (PMPF) estabelecido por Ato Cotepe / PMPF (8) Margem de Valor Agregado (MVA) estabelecido por Ato Cotepe / MVA (apenas na ausncia do PMPF) (7) (9) MIX: Lei n 8.723, de 28/10/93, e suas alteraes, combinada com a Resoluo Cima que define o percentual (%) de mistura obrigatria de etanol anidro combustvel na gasolina Fon

61 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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Referncias Bibliogrficas N. REFERNCIA TTULO

[1] ABIOVE Associao Brasileira das Indstrias de leos Vegetais. Estatstica Mensal do Complexo Soja, 2017b. Disponvel em: www.abiove.org.br/.Acesso em: 02 mar. 2017.

[2] ABIOVE Associao Brasileira das Indstrias de leos Vegetais. Pesquisa de Capacidade Instalada da Indstria de leos Vegetais, 2017a. Disponvel em: www.abiove.org.br/. Acesso em: 02 mar. 2017.

[3] ABRACICLO Associao Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares. Dados do Setor: vendas atacado, 2017. Disponvel em: http://www.abraciclo.com.br/images/pdfs/Motocicleta/Vendas-Atacado/2016_12_Vendas.pdf. Acesso em: 29 mar. 2017.

[4] ANEEL Agncia Nacional de Energia Eltrica. Aneel homologa limites do PLD, 2017. Disponvel em: www.aneel.gov.br. Acesso em: 14 mar. 2017.

[5] ANFAVEA. Associao Nacional dos Fabricantes de Veculos Automotores. Anurio da indstria automobilstica brasileira 2017. So Paulo: ANFAVEA, 2017 ANFAVEA 2017. Disponvel em http://www.anfavea.com.br/anuario.html. Acesso em 04 fev. 2017.

[6] ANP. Agncia Nacional de Petrleo, Gs Natural e Biocombustveis. Boletim do etanol n 08. Outubro de 2016a. Disponvel em: www.anp.gov.br. Acesso em: 08 fev. 2017.

[7] ____________. Anurio estatstico brasileiro do petrleo, gs natural e biocombustveis: 2016. Rio de Janeiro: ANP, 2016b. Disponvel em: www.anp.gov.br. Acesso em: 08 fev. 2017.

[8] ____________. Boletim mensal do biodiesel. Fevereiro de 2017e. Disponvel em: www.anp.gov.br. Acesso em: 22 fev. 2017.

[9] ____________. Comunicao pessoal, 2017f

[10] ____________. Dados Estatsticos, 2017a. Disponvel em: www.anp.gov.br. Acesso em: 14 mar. 2017.

[11] ____________. Estrutura de formao de preos, 2017g. Disponvel em: www.anp.gov.br. Acesso em: 19 abr. 2017.

[12] ____________. Leiles de biodiesel, 2017d. Disponvel em: www.anp.gov.br. Acesso em: 14 mar. 2017.

[13] ____________. Levantamento de preos, 2017b. Disponvel em: www.anp.gov.br. Acesso em: 19 abr. 2017.

[14] ____________. Resoluo ANP n 67, de 09 de dezembro de 2011. Dispe sobre as definies para fins de aquisio de etanol anidro combustvel. Dirio Oficial da Unio, Braslia, DF, 13 dezembro. 2016. Disponvel em: www.anp.gov.br. Acesso em: 27 fev. 2017.

[15] ____________. Sistema de informaes de movimentao de produtos (SIMP), 2017c. Disponvel em: www.anp.gov.br. Acesso em: 14 mar. 2017

62 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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N. REFERNCIA TTULO

[16] BCB Banco Central do Brasil. Sistema Gerenciador de Sries Temporais: Comprometimento de renda das famlias com amortizao da dvida com o sistema financeiro nacional com ajuste sazonal (srie n 19879), 2017d. Disponvel em: http://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries. Acesso em: 29 mar 2017.

[17] ____________. Sistema Gerenciador de Sries Temporais: Inadimplncia da carteira de crdito com recursos livres pessoas fsicas aquisio de veculos (srie n 21121), 2017. Disponvel em: http://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries. Acesso em: 29 mar 2017.

[18] ____________. Sistema Gerenciador de Sries Temporais: Rendimento mdio real habitual das pessoas ocupadas PNADC (srie n 24382), 2017b. Disponvel em: http://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries. Acesso em: 29 mar 2017.

[19] ____________. Sistema Gerenciador de Sries Temporais: Taxa de desocupao PNADC (srie n 24369), 2017c. Disponvel em: http://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries. Acesso em: 29 mar 2017.

[20] BIOFUTURE PLATAFORM. Kickstarting a global, advanced bioeconomy, 2017. Disponvel em: www.biofutureplataform.org. Acesso em: 29 de abr. 2017.

[21] BNDES Banco Nacional do Desenvolvimento Econmico e Social. Financiamentos, 2017. Disponvel em: http://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/financiamentos. Acesso em: 14 mar. 2017.

[22] ____________. Comunicao Pessoal, 2017b.

[23] BRASIL. Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispe sobre o Sistema Tributrio Nacional e institui normas gerais de direito tributrio aplicveis Unio, Estados e Municpios. Dirio Oficial da Unio, Braslia, DF, 27 de outubro. 1966 e retificado em 31 de outubro. 1966. Disponvel em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 24 abr. 2017.

[24] ____________. Lei n 12.859, de 10 de setembro de 2013. Institui crdito presumido da Contribuio para o PIS/PASEP e da Contribuio para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) na venda de lcool, inclusive para fins carburantes. Dirio Oficial da Unio, Braslia, DF, 11 set. 2013. Disponvel em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 24 abr. 2017.

[25] ____________. Decreto n 8.395, de 28 de janeiro de 2015. Altera os decretos que reduzem as alquotas da Contribuio para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a importao e a comercializao de gasolina, leo diesel, gs liquefeito de petrleo e querosene de aviao e as alquotas da Contribuio de Interveno no Domnio Econmico incidente sobre a importao e a comercializao de petrleo e seus derivados, gs natural e seus derivados e lcool etlico combustvel. Dirio Oficial da Unio, Braslia, DF, 25 set. 2014. Disponvel em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 24 abr. 2017.

63 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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N. REFERNCIA TTULO

[26] ____________. Lei n 13.263, de 23 de maro de 2016. Altera a Lei n 13.033, de 24 de setembro de 2014, para dispor sobre os percentuais de adio de biodiesel ao leo diesel comercializado no territrio nacional. Dirio Oficial da Unio, Braslia, DF, 24 maro. 2016. Disponvel em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 03 fev. 2017.

[27] BRASIL/TCU Tribunal de Contas da Unio. Mercado interno de etanol: relatrio de levantamento. Relator Ministro Raimundo Carreiro. Braslia: TCU, 2012.

[28] CAVALCANTI, M.C.B. Tributao relativa etanol-gasolina no Brasil: competitividade dos combustveis, arrecadao do estado e internalizao de custos de carbono. 2011. 248 p. Tese (Doutorado em Planejamento Energtico) Programa de Planejamento Energtico/COPPE. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

[29] CCEE Cmara de Comercializao de Energia Eltrica. InfoMercado: Dados individuais, 2017. Disponvel em: www.ccee.org.br. Acesso em: 31 mar. 2017.

[30] CEMIG. Companhia Energtica de Minas Gerais. 30 Balano energtico do Estado de Minas Gerais BEEMG 2015: ano base 2014. Belo Horizonte: CEMIG, 2016.

[31] ___________. Comunicao pessoal, 2017.

[32] CEPEA/ESALQ. Centro de Estudos Avanados em Economia Aplicada/Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Preos Agropecurios: Etanol (indicador mensal), 2017. Disponvel em: www.cepea.esalq.usp.br/br. Acesso em: 29 mar. 2017.

[33] ____________. Comunicao pessoal, 2017b.

[34] CETIP Divulgaes e resultados: dados histricos operacionais, 2017 Disponvel em: http://ri.cetip.com.br/cetip2013/web/conteudo_pt.asp?idioma=0&conta=28&tipo=45822. Acesso em: 29 mar. 2017.

[35] CNC Confederao Nacional do Comrcio de Bens, Servios e Turismo. Pesquisa de Inteno de Consumo das Famlias (ICF), 2017. Disponvel em: http://cnc.org.br/central-do-conhecimento/pesquisas/economia/pesquisa-de-intencao-de-consumo-das-familias-icfbril2. Acesso em: 30 mar 2017.

[36] CNI Confederao Nacional da Indstria. Estatsticas: ndice Nacional de Expectativas do Consumidor (INEC). Confiana do consumidor segue oscilando. 2017. Disponvel em: http://www.portaldaindustria.com.br/estatisticas/inec-indice-nacional-de-expectativa-do-consumidor/. Acesso em: 29 mar. 2017.

[37] CNPE Conselho Nacional de Poltica Energtica. Resoluo CNPE n 3, de 21 de setembro de 2015. Autoriza e define diretrizes para comercializao e uso voluntrio de biodiesel. Dirio Oficial da Unio, Braslia, DF, 14 outubro. 2015. Disponvel em: http://www.mme.gov.br/web/guest/conselhos-e-comites/cnpe/cnpe-2015. Acesso em: 03 fev. 2017.

64 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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N. REFERNCIA TTULO

[38] ____________. Resoluo CNPE n 11, de 14 de dezembro de 2016. Dispe sobre adio obrigatria de biodiesel ao leo diesel vendido ao consumidor final, em qualquer parte do territrio nacional. Dirio Oficial da Unio, Braslia, DF, 01 maro. 2017. Disponvel em: http://www.mme.gov.br/documents/10584/3201726/Resolu%C3%A7%C3%A3o_CNPE_11_Biodiesel.pdf/db551997-109-4ce6-9695-7479b41ead2f. Acesso em: 14 mar. 2017.

[39] CONAB Companhia Nacional de Abastecimento. Comunicao Pessoal, 2017b.

[40] ____________. Levantamentos de Safra: cana-de-acar. Acompanhamento da safra brasileira de cana-de-acar. Braslia: CONAB, 2017a. Disponvel em: www.conab.gov.br. Acesso em: 20 abr. 2017.

[41] CONFAZ/MF. Conselho Nacional de Poltica Fazendria/Ministrio da Fazenda. Alquotas e redues de base de clculo nas operaes internas dos Estados e do Distrito Federal, 2017. Disponvel em: www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/aliquotas-icms-estaduais. Acesso em: 19 abr. 2017.

[42] CONSECANA/SP, 2017. Conselho de Produtores de Cana-de-Acar, Acar e Etanol do Estado de So Paulo. Circulares CONSECANA, 2017. Disponvel em: www.orplana.com.br. Acesso em: 06 mai. 2017.

[43] CONSULCANA. Datacana, 2017. Disponvel em: www.consulcana.com/. Acesso em: 26 jan. 2017.

[44] CTC Centro de Tecnologia Canavieira. Comunicao Pessoal, 2017.

[45] ____________. Impurezas e qualidade da cana-de-acar: Levantamento dos nveis de impurezas das ltimas safras. Apresentao de Jaime Finguerut e Luiz Antnio Dias Paes na Sociedade dos Tcnicos Aucareiros e Alcooleiros do Brasil (STAB). Piracicaba, 05 jun. 2014. Disponvel em: http://www.stab.org.br/palestra_ws_limpeza_da_cana/JAIME_FINGUERUT.pdf. Acesso em: 26 jan. 2017.

[46] DATAGRO. Balano mundial de acar. Edio 04-17, Barueri: DATAGRO, 17 abr. 2017. Disponvel em: www.datagro.com/. Acesso em: 27 abr. 2017.

[47] EC European Comission. Energy: Energy Strategy and Energy Union, 2017. Disponvel em: http://ec.europa.eu/energy/em/topics/energy-strategy-and-energy-union. Acesso em: 16 jan. 2017.

[48] EIA U. S. Energy Information Administration. Monthly energy review: renewable energy. Total Energy Data, 2017. Disponvel em: http://www.eia.gov/totalenergy/data/monthly/index.cfm. Acesso em: 10 mar. 2017.

[49] ELETROBRAS Centrais Eltricas Brasileiras S.A.. Dados de gerao e consumo das CGEE participantes do PROINFA, 2017. Disponvel em: http://www.eletrobras.com/elb/ProinfA/data/Pages/LUMISABB61D26PTBRIE.htm. Acesso em: 10 mar. 2017

65 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

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N. REFERNCIA TTULO

[50] EPA, 2017. Final Renewable Fuel Standards for 2017, and the Biomass-Based Diesel Volume for 2018. Disponvel em < https://www.epa.gov/renewable-fuel-standard-program/final-renewable-fuel-standards-2017-and-biomass-based-diesel-volume >. Acesso em: 28 mar 2017.

[51] EPE Empresa de Pesquisa Energtica. Matriz Energtica Nacional 2017: ano base 2016. Rio de Janeiro: EPE, 2017. Disponvel em: www.epe.gov.br. Acesso em: 31 mai. 2017.

[52] __________. Balano Energtico Nacional 2016: ano base 2015. Rio de Janeiro: EPE, 2016a. Disponvel em: www.epe.gov.br . Acesso em: 10 mar. 2017.

[53] __________. Documento-Base para a elaborao de uma estratgia de implementao e financiamento da Contribuio Nacionalmente Determinada do Brasil ao Acordo de Paris. Documentao Interna. Rio de Janeiro: EPE, 2016b.

[54] ____________. Anlise de conjuntura dos biocombustveis: ano 2015. Rio de Janeiro: EPE, 2016c. Disponvel em: www.epe.gov.br. Acesso em: 12 abr. 2017.

[55] ____________. Avaliao do comportamento dos usurios de veculos flex fuel no consumo de combustveis no Brasil (NT-01-2013). Rio de Janeiro: EPE, 2013. Disponvel em: www.epe.gov.br. Acesso em: 12 abr. 2017.

[56] ____________. Estudo das condies estabelecidas no Tratado de Quioto e resolues internacionais de sua atualizao. Documentao Interna. Rio de Janeiro: EPE, 2009.

[57] EURACTIV Efficacit et Transparence des Acteurs Europens. Commission under fire over post-2020 biofuels targets, 2016. Disponvel em: http://www.euractiv.com/section/energy/news/commission-under-fire-over-post-2020-biofuels-targets/. Acesso em: 28 mar. 2017.

[58] FEAM Fundao Estadual do Meio Ambiente. Plano de energia e mudanas climticas de Minas Gerais: setor energia. Fundao Estadual do Meio Ambiente; com apoio de Agncia Francesa do Meio Ambiente e da Gesto de Energia, Conselho Regional de Nord Pas-de-Calais. Belo Horizonte: FEAM, 2014.

[59] FECOMBUSTVEIS Fundao Nacional do Comrcio de Combustveis e de Lubrificantes. Relatrio anual da revenda de combustveis 2016. Rio de Janeiro: FECOMBUSTVEIS, 2016. Disponvel em: http://www.fecombustiveis.org.br/relatorios/. Acesso em: 05 abr. 2017.

[60] FENAUTO Federao Nacional das Associaes dos Revendedores de Veculos Automotores, 2017. Mercado de veculos semi-novos fecha 2016 estvel. Revista FENAUTO, ano 03, edio 12, sec. 08, 2017.. Disponvel em: http://issuu.com/fenauto_revista/docs/revista_fenauto_ed12_07-02. Acesso em: 29 mar 2017.

[61] GRANBIO. Biocombustveis, 2017. Disponvel em: www.granbio.com.br/conteudos/biocombustiveis/. Acesso em: 3 mar 2017.

[62] GREENEA. New Players Join the HVO Game, 2017. Disponvel em: www.greenea.com/publication/new-players-join-the-hvo-game/. Acesso em: 28 mar. 2017.

66 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

N. REFERNCIA TTULO

[63] IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica. ndice Nacional de Preo ao Consumidor (INPC), 2017. Disponvel em: www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/defaultseriesHist.shtm. Acesso em: 26 jan. 2017.

[64] INPE . Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Mapeamento da cana via imagens de satlites de observao da terra (Canasat), 2014. Disponvel em: http://150.163.3.3/canasat/tabelas.php. Acesso em: 10 dez. 2014.

[65] IPCC Intergovernmental Panel on Climate Change. 2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories: volume 2, Energy. IPCC, 2006. Disponvel em: http://www.ipcc-nggip.iges.or.jp/public/2006gl/vol2.html . Acesso em: 02 de abr. 2017.

[66] LOGUM LOGSTICA S.A. Sistema Logstico de Etanol, 2017. Disponvel em: http://www.logum.com.br. Acesso em: 07 mar. 2017.

[67] MAPA Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento. Agroenergia, 2017a. Disponvel em: http://www.agricultura.gov.br. Acesso em: 07 mar. 2017.

[68] ____________. Projees do agronegcio Brasil 2015/16 a 2025/26. Projees de longo prazo. Braslia: MAPA, 2016. Disponvel em: http://www.agricultura.gov.br. Acesso em: 07 mar. 2017.

[69] ____________. Sistema de Acompanhamento da Produo Canavieira (Sapcana). Posio 04/2017. Braslia, 2017b Disponvel em: http://sistemasweb.agricultura.gov.br/sapcana/downloadBaseCompletaInstituicao.action?sgJAASAplicacaoPrincipal=sapcana. Acesso em: 14 mar. 2017.

[70] MCTI Ministrio da Cincia, Tecnologia e Inovao. Fatores de emisso de CO2 para utilizaes que necessitam do fator mdio de emisso do Sistema Interligado Nacional do Brasil, como, por exemplo, inventrios corporativos, 2017. Disponvel em: www.mct.gov.br. Acesso em: 31 mar. 2017.

[71] MDIC Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio. Dados estatsticos das exportaes e importaes brasileiras. AliceWeb, 2017. Disponvel em: http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br. Acesso em: 27 abr. 2017.

[72] MINAS GERAIS. Lei n 17.247, de 27 de dezembro de 2007. Altera a Lei n 6.763, de 26 de dezembro de 1975, que consolida a legislao tributria do Estado de Minas Gerais. Minas Gerais Dirio do Executivo, Belo Horizonte, MG, 28 de dezembro. 2007.

[73] MINAS GERAIS. Lei n 19.098, de 06 de agosto de 2010. Altera a Lei n 6.763, de 26 de dezembro de 1975. Minas Gerais Dirio do Executivo, pp. 1, col. 1, Belo Horizonte, MG, 30 de dezembro. 2011.

[74] MINAS GERAIS. Lei n 19.989, de 29 de dezembro de 2011. Altera a Lei n 6.763, de 26 de dezembro de 1975, que consolida a legislao tributria do Estado de Minas Gerais. Minas Gerais Dirio do Executivo, pp. 3, col. 1, Belo Horizonte, MG, 30 de dezembro. 2011.

67 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

N. REFERNCIA TTULO

[75] MINAS GERAIS. Lei n 21.527, de 16 de dezembro de 2014. Altera a Lei n 6.763, de 26 de dezembro de 1975, que consolida a legislao tributria do Estado de Minas Gerais. Minas Gerais Dirio do Executivo, pp. 1, col. 1, Belo Horizonte, MG, 17 de dezembro. 2014.

[76] MI Mission Innovation. Mission Innovation Accelerating the Clean Energy Revolution, 2017. Disponvel em: http://mission-innovation.net/. Acesso em: 23 de mar. 2017

[77] MME Ministrio de Minas e Energia. Boletim dos biocombustveis. Edio n 107, janeiro/fevereiro de 2017a. Disponvel em: www.mme.gov.br. Acesso em: 14 mar. 2017.

[78] ____________. Portaria MME n 80, de 02 de maro de 2017b. Estabelece o cronograma para realizao de testes e ensaios em motores e veculos necessrios validao da utilizao de misturas com adio de biodiesel. Dirio Oficial da Unio, Braslia, DF, 03 mar. 2017. Disponvel em: www.mme.gov.br. Acesso em: 07 mar. 2017

[79] ____________. RenovaBio, 2016. Disponvel em: www.mme.gov.br. Acesso em: 13 dez. 2016.

[80] PECEGE Programa de Educao Continuada em Economia e Gesto de Empresas/ESALQ/USP. Custos de produo agroindustrial cana, acar e etanol: Fechamento da safra 2014/2015 e Acompanhamento 2015/2016. Piracicaba, 2015. Disponvel em: http://pecege.dyndns.org/. Acesso em: 07 fev. 2017.

[81] PETROBRAS Petrleo Brasileiro S.A.. Gasolina: composio de preos ao consumidor, 2017. Disponvel em: http://www.petrobras.com.br/pt/produtos-e-servicos/composicao-de-precos/gasolina/. Acesso em: 19 abr. 2017.

[82] PNUD, IPEA, FJU Programa das Naes Unidas para o Desenvolvimento, Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada, Fundao Joo Pinheiro. ndice de Desenvolvimento Humano Municipal Brasileiro. Braslia: PNUD/IPEA/FJP, 2013. Disponvel em: em www.atlasbrasil.org.br. Acesso em: 18 mai. 2017.

[83] QD Editora Qumica e Derivados. Etanol celulsico enfrenta crise setorial e petrleo mais barato, 2015. Disponvel em: http://www.quimica.com.br/biocombustiveis-etanol-celulosico-enfrenta-crise-setorial-e-petroleo-mais-barato/. Acesso em: 27 dez 2016.

[84] RAIZEN. Relatrio de Sustentabilidade 2014/2015. So Paulo: Raizen, 2015. Disponvel em: www.raizen.com/relatorio-de-sustentabilidade-2015. Acesso em: 03 mar 2017.

[85] RFA Renewable Fuels Association. Statistics, 2017. World Fuel Ethanol Production. Disponvel em: http://www.ethanolrfa.org/resources/industry/statistics/#1454099103927-61e598f7-7643. Acesso em: 28 mar 2017.

[86] SIAMIG Associao das Indstrias Sucroenergticas de Minas Gerais/Sindicato da Indstria da Fabricao do lcool no Estado de MG/Sindicato da Indstria do Acar no Estado de MG. Comunicao Pessoal, 2017.

68 Anlise de Conjuntura dos Biocombustveis

Ministrio de Minas e Energia

N. REFERNCIA TTULO

[87] UNICA Unio da Indstria de Cana-de-acar. Coletiva de Imprensa: anlise da safra 2013/14. UNICA, 17 de dezembro de 2013a. Disponvel em: http://www.unica.com.br/download.php?idSecao=17&id=6288236. Acesso em: 10 jan.2014.

[88] ____________. Coletiva de Imprensa: anlise da safra 2013/14. UNICA, 29 de abril de 2013b. Disponvel em: http://www.unica.com.br/download.php?idSecao=17&id=12655382. Acesso em: 30 abr.2014.

[89] ____________. Comunicao Pessoal, 2014.

[90] ____________. Comunicao Pessoal, 2017.

[91] ____________. Indstria da cana registra saldo positivo na gerao de empregos no Pas. Notcias, Setor, 04 ago. 2016. Disponvel em: http://www.unica.com.br/noticia/7657299920336510230/industria-da-cana-registra-saldo-positivo-na-geracao-de-empregos-no-pais/. Acesso em: 03 mai. 2017.

[92] ____________. UNICADATA: rea cultivada com cana-de-acar/rea total por Estado, 2017. Disponvel em: www.unica.com.br. Acesso em: 02 mai. 2017.

[93] World Health Organization. Guideline: Sugars intake for adults and children. Geneva: WHO, 2015. Disponvel em: http://www.who.int/nutrition/publications/guidelines/sugars_intake/en/. Acesso em: 23 fev. 2017.

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