análise de conjuntura - ?· de contribuintes do INSS, desta- ... 6 análise de conjuntura análise…

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<ul><li><p>N 430 Julho / 2016FUNDAO INSTITUTO DE PESQUISAS ECONMICAS</p><p>iss</p><p>n 1</p><p>678-6</p><p>335</p><p>As ideias e opinies expostas nos artigos so de responsabilidade exclusiva dos autores, no refletindo a opinio da Fipe</p><p>Vera Martins da Silva comenta o desempenho recente do mercado de trabalho brasileiro com os dados da PNAD Contnua.</p><p>Os Mitos Previdencirios no BrasilRogrio Nagamine Costanzi et al.</p><p>Sade Integrada e Integrao da Sade: Potencialidades Sociais e Econmicas do E-Health no Contexto Europeu</p><p>Julio Lucchesi Moraes, Ana Paula Iervolino</p><p>A Construo Civil no Brasil: Uma Avaliao Entre 1995-2009</p><p>Rodger Barros Antunes Campos</p><p>Interdependncia Econmica entre as Bacias Hidrogrficas Brasileiras</p><p>Jaqueline Coelho Visentin</p><p>Reformas Econmicas e Crescimento: Uma Resenha da Literatura</p><p>Bruno Cordeiro</p><p>O Modelo de Tiebout e a Teoria de Hirschman: uma Anlise de Polticas Pblicas no Brasil</p><p>Ariel Kessel Akerman, Jos Augusto Julio</p><p>Relatrio de Indicadores FinanceirosNefin-USP</p><p>anlise de conjuntura</p><p>temas de economia aplicada</p><p>Mercado de TrabalhoVera Martins da Silva</p><p>p. 14</p><p>p. 41</p><p>p. 3</p><p>Julio Lucchesi Moraes e Ana Paula Iervolino abordam o e-Health no mbito da agenda europeia de desenvolvimento.</p><p>Rodger Barros Antunes Campos analisa o comportamento recente do setor de construo civil no Brasil por meio de indicadores de participao relativa e de agregados macroeconmicos.</p><p>p. 54</p><p>p. 63</p><p>p. 8 </p><p>p. 19</p><p>p. 25 Jaqueline Coelho Visentin estuda a economia de 56 Bacias Hidrogrfi-cas brasileiras por meio da estimao de uma matriz inter-regional de insumo-produto.</p><p>Bruno Cordeiro apresenta uma reviso terica e emprica da literatura sobre reformas econmicas e crescimento econmico, com nfase nas reformas ocorridas no Brasil na dcada de 1990.</p><p>O Ncleo de Economia Financeira da USP apresenta uma atualizao dos resultados de um investimento (terico) em quatro carteiras long-short tradicionais da literatura de Economia Financeira. </p><p>Ariel Kessel Akerman e Jos Augusto Julio fazem uma anlise comparada dos modelos de Tiebout e Hirschman e discutem exemplos brasileiros com base nessa perspectiva.</p><p>Luciana Suarez Lopes e Jos Flvio Motta fazem uma reflexo sobre os autores considerados os intrpretes do Brasil: Gilberto Freyre, Srgio Buarque de Holanda e Caio Prado Jnior.</p><p>economia &amp; histria</p><p>Rogrio Nagamine Costanzi e demais autores refutam os argumentos usualmente utilizados que contrariam a necessidade de reformas na Previdncia Social no Brasil.</p><p>Raas Ms, Raas Boas Gilberto Freyre e as Razes do Nosso Brasil</p><p>Luciana Suarez Lopes, Jos Flvio Motta</p><p>Trabalho Escravo, Trabalho Livre: o Negro na Formao da Classe Operria Brasileira</p><p>Rafaela C. Pinheiro, Luciana Suarez Lopes</p><p>p. 35</p><p>p. 50</p><p>Rafaela Carvalho Pinheiro e Luciana Suarez Lopes apresentam os resul-tados iniciais de uma pesquisa em andamento que busca compreender o papel do negro na formao do mercado de trabalho e da classe traba-lhadora aps a abolio da escravido.</p></li><li><p>julho de 2016</p><p>Conselho Curador</p><p>Juarez A. Baldini Rizzieri (Presidente) Andrea Sandro Calabi Denisard C. de Oliveira Alves Eduardo Amaral Haddad Francisco Vidal Luna Hlio Nogueira da Cruz Jos Paulo Zeetano Chahad Simo Davi Silber Vera Lucia Fava</p><p>INFORMAES FIPE UMA PUBLICAO MENSAL DE CONJUNTURA ECONMICA DA FUNDAO INSTITUTO DE PESQUISAS ECONMICAS ISSN 1678-6335</p><p>Luiz Martins Lopes Jos Paulo Z. Chahad Maria Cristina Cacciamali Maria Helena G. Pallares Zockun Simo Davi Silber</p><p>Editora-Chefe </p><p>Fabiana F. Rocha</p><p>Preparao de Originais e Reviso</p><p>Alina Gasparello de Araujo</p><p> Produo Editorial</p><p>Sandra Vilas Boas</p><p>http://www.fipe.org.br</p><p>Diretoria</p><p>Diretor Presidente</p><p>Carlos Antonio Luque</p><p>Diretora de Pesquisa</p><p>Maria Helena Garcia Pallares Zockun</p><p>Diretor de Cursos</p><p>Jos Carlos de Souza Santos</p><p>Ps-Graduao</p><p>Mrcio Issao Nakane</p><p>Secretaria Executiva</p><p>Domingos Pimentel Bortoletto</p><p>Conselho EditorialHeron Carlos E. do Carmo Lenina Pomeranz </p><p>Observatrio do Emprego e do Trabalho</p><p>O Observatrio do Emprego e do Trabalho oferece aos formuladores de polticas pblicas um conjunto de ferramentas inovadoras para aprimorar as possibilidades de anlise e de compreenso da evoluo do mercado de trabalho.</p><p>O Observatrio inova a anlise do mercado de trabalho em dois aspectos importantes. Primeiro, utiliza um conjunto de indicadores novos, especialmente criados pelos pesquisadores da FIPE, os quais junta-mente com indicadores mais conhecidos e tradicionais permitiro um acompanhamento mais detalhado do que ocorre no mercado de trabalho. Segundo, porque estes indicadores podem ser utilizados tanto para analisar o mercado como um todo, quanto para analisar aspectos desagregados do mercado como, por exemplo, uma ocupao ou um municpio. So indicadores poderosos, que oferecem uma viso de curto prazo e tambm podem formar uma srie histrica. O conjunto de indicadores pode ser usado para acompanhar tanto as flutuaes decorrentes das alteraes conjunturais de curto prazo quanto as evolu-es estruturais de longo prazo. Mensalmente divulgado um Boletim que apresenta um resumo do que ocorreu no mercado de trabalho do Estado. As bases de dados que originam as informaes divulgadas pelo Observatrio so: a) CAGED (MTE); b) RAIS (MTE); c) PNAD (IBGE).</p><p>O Observatrio do Emprego e do Trabalho foi desenvolvido e mantido em conjunto pela Secretaria do Emprego e Relaes do Trabalho do Governo do Estado de So Paulo (SERT) e pela Fundao Instituto de Pesquisas Econmicas da USP (FIPE).</p><p> Para saber mais, acesse: </p><p> http://www.fipe.org.br/projetos/observatorio/</p></li><li><p>3anlise de conjuntura</p><p>julho de 2016</p><p>Mercado de Trabalho: as Vtimas da Recesso</p><p>Vera Martins da Silva (*)</p><p>Os nmeros de desocupados no mercado de trabalho so triste-mente preocupantes, atingindo 11,4 milhes de pessoas no tri-mestre de maro a maio de 2016, resultado da PNADC Pesquisa Nacional por Amostra de Domic-lios Contnua do IBGE, divulgada no final de junho de 2016. Em re-lao ao mesmo trimestre mvel de 2015, houve aumento de 3,3 milhes de desocupados, aumen-to de 40,3% nesse contingente. O Grfico 1 mostra a evoluo do n-mero de desempregados segundo a PNADC, desde o trimestre jan-fev--mar de 2012, no qual se v que o </p><p>aumento sistemtico do problema comeou em meados de 2014. Esse desemprego em massa combina (sic) com o tenebroso desempenho da atividade econmica, apesar de a inflao continuar relutante em ceder de forma significativa. O au-mento da desocupao concentrou--se na Indstria Geral (-1,4 milho de pessoas) e em alguns servios, Informao, Comunicao e Ativi-dades Financeiras, Imobilirias, Profissionais e Administrativas (-919 mil pessoas).</p><p>O aumento de desocupados, isto , pessoas que informaram ter pro-curado emprego no ms anterior </p><p> pesquisa, est fortemente rela-cionado ao fato de que a perda de ocupao por parte de algum mem-bro da famlia fez com que outros membros passassem a demandar trabalho para reequilibrar o ora-mento domstico, assim como pela entrada no mercado de trabalho de um contingente relevante de jovens afinal, o Brasil ainda um pas jovem. Entre maro e maio de 2016, o nmero de ocupados foi es-timado pelo IBGE em 90,8 milhes de pessoas, uma queda de 1,4% em relao ao mesmo trimestre de 2015, o que representa uma redu-o de 1,2 milhes de pessoas. </p></li><li><p>5anlise de conjuntura4 anlise de conjuntura</p><p>julho de 2016</p><p>O contingente de pessoas fora da fora de trabalho, ou seja, que no tm ocupao nem esto procuran-do, foi estimado em 63,8 milhes, o que indicou estabilidade em rela-o ao trimestre anterior e mesmo ao mesmo trimestre de 2015. J o nvel de ocupao (a relao entre as pessoas ocupadas na semana de referncia em relao s pessoas em idade de trabalhar) apresentou declnio de 56,2% entre maro e maio de 2015 para 54,7% entre maro e maio de 2016, depois do pico de 57,2% em meados de 2012.</p><p>O resultado que exprime a dificul-dade no mercado de trabalho a chamada taxa de desocupao no trimestre de maro a maio de 2016 foi estimada em 11,2%, um aumen-to de 40% em relao ao resultado estimado no mesmo trimestre de 2015, que foi 8,1% (ver Grfico 2). O rendimento mdio real habi-tualmente recebido por todos os tipos de trabalho pelas pessoas ocupadas foi estimado pelo IBGE em R$ 1.982,00, uma retrao de 3% em relao ao mesmo trimes-tre de 2015, quando foi estimado em R$ 2.037,00. Portanto, o ajuste no mercado de trabalho tem ocor-</p><p>rido via quantidade do nmero de trabalhadores e muito pouco em termos de salrios. Contribui para isso o fato de a legislao trabalhis-ta dar pouca margem de manobra para acordos entre empregados e empregadores, o que tambm amplia enormemente o recurso Justia do Trabalho, pois normal-mente quem mais a procura so os desligados pelas empresas, em busca de indenizaes. mais uma jabuticaba na economia brasileira, onde h sobreproteo a quem consegue ter um emprego formal em detrimento da maior absoro de potenciais trabalhadores.</p><p>Grfico 1 Pessoas de 14 Anos Ou Mais de Idade Desocupadas, em 1.000, Trimestres Mveis, Jan-Fev-Mar 2012/ Mar-Abr-Mai 2016</p><p>Fonte: IBGE, PNADC.</p></li><li><p>5anlise de conjuntura4 anlise de conjuntura</p><p>julho de 2016</p><p>Grfico 2 - Taxa de Desocupao das Pessoas de 14 Anos Ou Mais De Idade, Trimestres Mveis, Jan-Fev-Mar 2012 A Mar-Abr-Mai 2016 </p><p>Fonte: IBGE, PNADC.</p><p>Observando os resultados pelos grandes grupos, em relao ao mesmo trimestre de 2015, destaca--se a queda dos trabalhadores com carteira assinada em 1,5 milho, ou 4,2%, enquanto os sem cartei-ra assinada ficaram estveis em relao ao mesmo trimestre de 2015. Houve aumento de 5,1% dos trabalhadores domsticos, repre-sentando 307 mil pessoas, assim como um aumento de 952 mil pes-soas por conta prpria (aumento de 4,3%). Chama a ateno a redu-o de 5,2 % de empregadores, o que representa uma queda de 208 mil pessoas. Afinal, uma recesso como a que estamos vivendo atinge </p><p>sobretudo os empregados do setor formal, mas os empregadores, es-pecialmente dos mercados mais sujeitos concorrncia, tambm no tm vida fcil e muitas vezes desaparecem, enquanto empreen-dedores, junto com suas empresas.</p><p>Outras grandes vtimas da dete-riorao do mercado de trabalho so a escalada da inadimplncia de vrios contratos e o aumento do risco na concesso de crdito, o que dificulta uma eventual reduo das taxas de juros e, diretamente, das contas da Previdncia Social, que tambm passaram a ser defi-citrias no setor urbano. O Grfico 3 apresenta a evoluo do nmero </p><p>de contribuintes do INSS, desta-cando-se a reverso da incluso na receita previdenciria a partir do final de 2015. Adicione-se a isto o aumento de pessoas que passam a demandar benefcios previdenci-rios e tambm assistenciais, que em vrios casos esto dentro das despesas previdencirias. O re-sultado uma expanso vigorosa do dficit previdencirio, realado pela queda generalizada da recei-ta pblica. Enquanto a economia no sair do atoleiro da recesso prolongada, tanto os indicadores do mercado de trabalho como da receita pblica permanecero ca-tastrficos.</p></li><li><p>7anlise de conjuntura6 anlise de conjuntura</p><p>julho de 2016</p><p>Para algum consolo, se possvel assim dizer, parece haver uma estabilizao da queda do nmero de pos-tos de trabalho formais gerados, conforme mostra o Grfico 4, que a mdia mvel de 12 meses da gerao lquida de vnculos empregatcios e, mais precisamen-te, destruio de vnculos formais a partir do incio de 2015. O ms de maro de 2016 parece ter sido o fundo do poo; contudo, pelo passo lerdo da reverso, ainda vo demorar muitos meses at que se veja uma </p><p>retomada importante na criao de empregos. E isso ocorrer principalmente quando houver uma forte retomada dos investimentos, que a varivel macro que tem sistematicamente derrubado o produto inter-no brasileiro, conforme sugere o Grfico 5. E apesar da nebulosidade envolvida, a retomada de concesses pelos diversos nveis de governo parece ser a agenda necessria de sada da crise econmica.</p><p>Grfico 3 Pessoas de 14 Anos ou Mais de Idade, com Contribuio para Instituto de Previdncia em Qualquer Trabalho, em 1.000, Trimestres Mveis, Jan-Fev-Mar 2012/ Mar-Abr-Maio 2016</p><p>Fonte: PNADC, IBGE.</p></li><li><p>7anlise de conjuntura6 anlise de conjuntura</p><p>julho de 2016</p><p>Grfico 4 Saldo de Postos de Trabalho Formal Criados: Empregados - Mdia Mvel De 12 Meses</p><p>Fonte: Ministrio do Trabalho e Emprego, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (MTE/CAGED).</p><p>Grfico 5 Formao Bruta de Capital Fixo - Var. Real trim. - (%) - 1 Tri 2012/1 Tri 2016 </p><p>Fonte: IPEADATA a partir do Sistema de Contas Nacionais Referncia 2010 (IBGE/SCN 2010 Trimestral).</p><p> (*) Economista e doutora pelo IPE-USP. </p><p>(E-mail: veramartins2702@gmail.com).</p></li><li><p>9temas de economia aplicada8 temas de economia aplicada</p><p>julho de 2016</p><p>Os Mitos Previdencirios no Brasil</p><p>Rogrio Nagamine Costanzi (*) Graziela Ansiliero (**) </p><p>Luis Henrique Paiva (***)</p><p>A elevada despesa previdenciria no Brasil, em relao ao que seria esperado pela nossa estrutura de-mogrfica, associada a um rpido processo de envelhecimento popu-lacional ameaa a sustentabilidade fiscal em mdio e longo prazos. Este cenrio decorre em larga me-dida de regras previdencirias frouxas, como as que permitem aposentadorias em idades preco-ces, nas quais no se pode supor perda de capacidade produtiva. Apesar de estarmos realizando ajustes previdencirios de forma lenta e claramente insuficiente, alguns grupos ainda questionam a urgncia de uma reforma previ-denciria, com base em uma srie de mitos. Neste artigo, trataremos de alguns deles.</p><p>Um primeiro mito, repet ido exausto, em todos os momentos em que a necessidade de reforma previdenciria volta pauta po-ltica, o argumento de que no existe dficit da previdncia e sim supervit da seguridade social. Trata-se de um debate que mais confunde do que esclarece a socie-dade. A polmica naturalmente de cunho ideolgico: independente do resultado (superavitrio ou deficitrio) da seguridade social, o gasto pblico, a carga tributria e a efetiva situao fiscal continuam sendo rigorosamente os mesmos. Mas a discusso tambm tem ca-rter contbil, no sentido de que os resultados so diferentes em funo das despesas e receitas que so consideradas. Na contabilidade </p><p>oficial, os resultados dos regimes previdencirios consideram as contribuies ou receitas vincu-ladas diretamente Previdncia, mas no fontes de receitas adi-cionais necessrias para garantir o pagamento de benefcios. Ao contrrio, a tese do supervit da seguridade social foi construda sobre distores graves. O primei-ro deles naturalizar algo danoso para a previdncia social e para o Pas. A Seguridade Social engloba a Previdncia Social, a Assistncia Social e a Sade. Seu financiamento feito pelas contribuies previ-dencirias (exclusivamente volta-das ao pagamento de benefcios previdencirios), mas tambm por outras fontes, como a Contribuio para o Financiamento da Segu-</p></li><li><p>9temas de economia aplicada8 temas de economia aplicada</p><p>julho de 2016</p><p>ridade Social (Cofins) e a Contri-buio Social sobre Lucro Lquido (CSLL). O pagamento de benefcios previdencirios a partir de contri-buies de carter geral (como a Cofins e a CSLL) tende a gerar um financiamento de carter regres-sivo, alm de comprometer outros usos alternativos desses recursos. A tese do supervit da segurida-de social no resulta em reduo de impostos no presente (pois a despesa previdenciria...</p></li></ul>