Análise de Conjuntura da China, referente ao primeiro ... ?· presente análise de conjuntura da China,…

Download Análise de Conjuntura da China, referente ao primeiro ... ?· presente análise de conjuntura da China,…

Post on 06-Dec-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • UNESP Universidade Estadual Paulista

    FFC Faculdade de Filosofia e Cincias

    Campus de Marlia

    Grupo de Estudos e Anlise de Conjuntura BRICs

    Anlise de Conjuntura da China, referente ao

    primeiro Trimestre de 2008

    Marlia

    JAN/FEV/MAR 2008

  • Professores Coordenadores:

    Lus Antonio Paulino

    Marcos Cordeiro Pires

    Anderson Martins Silva

    Bruno Ferreira da Rosa

    Gabriel Dantas

    Gabriel Condi

    Gustavo Erler Pedrozo

    Hevellyn Albres

    Jane Anglica Gulielmitti

    Lais de Oliveira Pacini

    Rafael Martinbianco

    Rodolfo Magro

    Rodrigo Gomes Abreu

    Tadeu Pacheco Moraes

    Talita Queiroz

  • PRINCIPAIS NOTCIAS UTILIZADAS PARA ANLISE DE CONJUNTURA

    - China aponta para mudana no modelo de crescimento - Agncia Estado

    - China vai unir Olimpada e meio ambiente - Terra notcias

    - Energia: China enfrenta sua pior crise energtica desde 2004 - Investnews

    - China acusa pases de hipocrisia ambiental - Agncia Estado

    - Citao de Olimpadas em matrias sobre o Tibete irrita chineses - Reuters

    - FMI pede que a China acelere a valorizao da moeda NEC Network

    - Pequim vai acelerar a valorizao do Yuan - Agncia Estado

    - China cria ministrio para cuidar do Meio Ambiente, mas especialistas dizem que

    no basta - O Globo Online

    - China e ndia podem frear efeito de recesso na sia - Investnews

    - Boom econmico no Tibete no beneficia a todos - AFP

    - Tibete: Economia concretiza desenvolvimento de salto em 2007 - CRI

    - KMT vence em Taiwan e quer poltica de aproximao com a China - Relnet

  • A ESTRATGIA DA INSERO. CHINESA NA ECONOMIA DE MERCADO

    Em vista do extenso planejamento por parte do governo central da China, para

    sua insero na chamada economia de mercado, julgamos pertinente iniciar a

    presente anlise de conjuntura da China, referente aos trs primeiros meses de 2008

    com um pronunciamento de Jiang Zemin (2002, p.309), realizado em 1999:

    O 15 Congresso Nacional do Partido assinalou que daqui aos dez

    primeiros anos do prximo sculo estaremos no perodo-chave da

    reforma e do desenvolvimento do nosso pas. Neste perodo, h que

    esforar-se para estabelecer o sistema de economia de mercado

    socialista relativamente completo e manter o contnuo, rpido e

    saudvel desenvolvimento da economia nacional.

    O que identificam-se enquanto fatos portadores de futuro, pois, se encaixam

    nas polticas e medidas chinesas para melhorar sua imagem perante o mundo, sem

    perder a crescente influncia e poder econmico, garantindo posteriormente, lugar

    entre as maiores economias do mundo, isto , posio de destaque nas relaes de

    foras existentes no mbito dos Estados Nacionais e das grandes corporaes e

    instituies de carter global que exercem influncia em grande parte das mediaes

    financeiras e polticas internacionais. Se o que se prope a China uma crescente

    insero econmica no mercado, deve ela ceder em alguns momentos para tornar-se

    aceitvel ao mundo, principalmente ao mundo ocidental. Processo semelhante foi

    o que passaram Taiwan, Coria do Sul, Japo, que ao estabelecerem efetivamente

    marcas consagradas pela opinio pblica como LG, Samsung, Sony, atingiram outro

    nvel de suas economias, no papel de detentores de know-how. Partindo desse

    pressuposto, organizamos a presente anlise em trs pontos fundamentais, de maior

    recorrncia na mdia recentemente: as relaes poltico-econmicas de insero

    chinesa no mercado mundial, o conflito com o Tibete e seus desdobramentos e, por

    ltimo, mas tambm de relevante importncia, as questes ambientais. Acreditamos,

    pois, que atravs desses pontos fundamentais poderemos perpassar por diversas

    questes que permeiam as polticas chinesas e sua estratgia para continuar no

    mercado internacional suscitando cada vez menos olhares indispostos sua insero.

  • ECONOMIA POLTICA: DESDOBRAMENTOS E CONSEQNCIAS DA

    CRESCENTE ASCENSO CHINESA

    Ao longo das ltimas duas dcadas passadas, a China abasteceu o mundo com

    produtos mais baratos. Isso se tornou possvel devido mo-de-obra barata, grande

    escala de produo com preos extremamente competitivos e a desvalorizao da

    moeda perante o dlar que propiciou a entrada do capital externo. Com isto os pases

    concorrentes tiveram que igualar as ofertas, criando assim um movimento que teve

    papel fundamental no controle da inflao em diversos pases.

    Nos ltimos meses, foram constatados ndices de que essa supremacia da China

    na baixa dos preos est chegando ao fim e se inicia a era da carestia. A China enfrenta

    hoje uma inflao em grande medida ocasionada por problemas no setor energtico e

    alimentcio. As grandes nevascas que assolaram a China nesse incio de ano

    provocaram um colapso no sistema ferrovirio que afetou o abastecimento de carvo

    para as usinas termoeltricas ocasionando uma grande perda na capacidade de

    produo de energia, visto que 78% da capacidade de gerao de energia da China

    baseada nas usinas de carvo; e por outro lado prejudicou a produo agrcola voltada

    abastecimento da populao. No que diz respeito populao, a economia foi

    abalada porque grande parte das pessoas que se encontravam na misria, hoje, se

    alimenta melhor. E os que j tinham alimentos sofrem um processo que podemos

    denominar ocidentalizao, isto , os gros esto deixando de ser a base da

    alimentao chinesa e os alimentos costumeiramente ocidentais esto entrando na

    dieta dos chineses. Resumindo, os chineses esto comendo mais, a demanda por

    alimentos cada vez maior, ao passo que a produo encontra diversos problemas

    atualmente, como as j ditas nevascas no territrio chins e a polmica em torno dos

    biocombustveis.

    Itens indispensveis na dieta chinesa aumentaram. A carne de porco [base da

    alimentao dos chineses] subiu 63,4%, os vegetais frescos subiram 46% e o leo de

    cozinha 41%, em relao ao mesmo perodo de 2007. O aumento do preo da mo-de-

    obra no pas chegou a 80% nos ltimos anos, com isso o poder de consumo da

  • populao aumentou, colaborando para a alta dos preos. Em se tratando do cenrio

    externo, os americanos foram afetados por esta crise inflacionria e iro pagar em

    2008 at 10% a mais pelos produtos importados da China. Na sia [onde se

    concentram 50% da exportao chinesa] as presses inflacionrias tendem a ser fortes

    e esperado um aumento de 3% ao ano na regio at 2011. Devido ao consumo de

    trigo na China, as cotaes mundiais deste produto aumentaram. Na Frana o preo do

    po subiu 4% em relao ao mesmo perodo de 2007.

    Os mecanismos de combate a esses aumentos inflacionrios, pelo governo do

    Partido Comunista, so contrrios a algumas anlises provenientes de rgos

    internacionais, ou mesmo Estados Nacionais simpatizantes s teorias liberais. Ao invs

    da China se concentrar na taxa de juro e migrar para uma poltica monetria flexvel,

    os chineses persistem no cmbio controlado [cotao do Yuan ante o Dlar] e no

    congelamento dos preos de alguns produtos. Essa desvalorizao da moeda

    ocasionou manifestaes de diversas instituies monetrias internacionais, uma delas

    o FMI, que aconselhou ao governo chins aumentar, de forma mais rpida, a cotao

    do Yuan frente ao dlar como medida de controle da inflao, porm deve-se atentar

    para a relao de foras presente nessa questo. De um lado o drago chins que vem

    abocanhando boa parte do mercado mundial com suas mercadorias, de outro, os EUA

    tentando contornar a crise do setor financeiro e mantendo-se inabalvel em sua

    posio de potncia hegemnica. O governo chins cedeu s presses internacionais, e

    anunciou a acelerao do processo de valorizao de suas divisas. Com isso, os

    chineses pretendem ter mais controle sobre a inflao. Por outro lado essa medida

    pode diminuir o fluxo de capitais dos EUA (no somente) para a China. Dentre outras

    medidas de controle da inflao o PCCh aumentou o depsito compulsivo que os

    bancos tm de fazer no banco central chins, visando diminuir a liquidez do mercado.

    Nesse contexto de crise a China se apresenta na prtica como lder regional, tendo,

    graas a seu vigoroso crescimento, a possibilidade de fazer frente crise americana,

    mantendo a economia asitica competitiva no mercado internacional.

    Em meio a esse cenrio a China apontou recentemente para uma mudana no

    modelo de crescimento, com medidas como a restrio a investimentos em setores

    poluentes, com grande consumo de energia e com excesso de capacidade produtiva,

  • estmulos a setores de alta tecnologia ecologicamente corretos. Alm dessas medidas

    o governo chins vai direcionar os investimentos estrangeiros diretos para os setores

    como bancos, comrcio, telecomunicaes. Esse processo de terceirizao da

    economia chinesa aponta para uma nova etapa do desenvolvimento chins, agora no

    basta ser a fbrica do mundo.

    O CONFLITO SEPARATISTA DO TIBETE EM BREVES PERSPECTIVAS

    HISTRICAS

    O Tibete cultiva uma tradio budista teocrtica desde o sculo VI e, desde o

    sculo VIII manteve-se separada, oficialmente da China pelo conselho de Lhasa. Em

    1720 o territrio tibetano incorporado ao imprio chins sob a denominao de

    protetorado. Essa regio conseguiu, durante um tempo relativamente longo, conservar

    caractersticas prprias de um pas independente, como a no separao entre o poder

    temporal e o poder espiritual. Conseguiu manter seus costumes, lngua e exrcito

    prprio. Entretanto esse status de independncia nunca chegou a ser reconhecido

    nem pela comunidade internacional e muito menos pela China.

    Assim como ocorrido na frica, a sia, no perodo expansionista europeu do

    sculo XIX, sofreu macias invases que tumultuaram em grande medida a relao de

    fronteiras dessa regio. Nesse mesmo perodo constatamos que alguns dos grandes

    imprios orientais conseguiram se manter na condio de independncia, apesar de

    no possurem mais o poder de influencia de outrora, como o caso de China, Japo,

    Sio e Turquia. No obstante, os imperialistas europeus conquistam vrias zonas de

    influncia, das mais variadas maneiras e pelas mais variadas causas poltico-

    econmicas. Figuram-se entre essas zonas de influncia ndia, Birmnia, Tibete, Prsia,

    Indochina e Indonsia.

    Posteriormente a tais acontecimentos, verifica-se uma intensificao de

    conflitos entre Rssia e Inglaterra em conseqncia das tais zonas de influncia na

  • regio asitica. No meio desse conflito, os dois pases dominadores envolvidos

    resolvem por deixar a regio tibetana em paz.

    Em 1911 chega ao fim efetivamente a dinastia Qing, que governava o Imprio

    chins; e j em 1912, os tibetanos se aproveitam do enfraquecimento da China para

    expulsar os residentes chineses da rea que consideravam sua. Tal situao pode ser

    notada at a tomada do poder pelo Partido Comunista, liderado por Mao Zedong, no

    ano de 1949. Ao mesmo tempo em que combatia a invaso japonesa leste de seu

    territrio, os chineses revolucionrios digladiavam-se com os republicanos de Sun Yat-

    sen e Chiang Kai-shek, pela hegemonia interna, mas tambm, nesse bojo, se

    esforavam por delinear as antigas fronteiras de seu imprio. nesse contexto que o

    EPL (Exrcito Popular de Libertao) ocupa o Tibete em 1950. Rodrigues (2008, p.

    nica), entretanto nos alerta ao fato de que o governo republicano de Chiang Kai-shek

    j reivindicava a regio como parte integrante do territrio chins, e s no efetuou

    realmente a anexao devido fraqueza militar.

    Nove anos aps a dominao comunista do Tibete (1959) surge um levante pela

    independncia apoiada pelos EUA, num contexto de bipolaridade da hegemonia

    mundial, entre capitalismo e socialismo. Essa insurreio fracassa e acarreta na fuga de

    aproximadamente 100 mil budistas tibetanos. Desde ento China e Tibete passam por

    momentos de maior aproximao e outros em que se verifica uma tendncia maior ao

    separatismo. Atualmente, ou desde o incio e maro, nota-se uma intensificao das

    manifestaes pr-independncia. Concordando ou no com a causa tibetana, h um

    consenso, de que os insurgentes, oportunamente, aproveitam-se desse momento em

    que a China tem grande enfoque na mdia mundial, em virtude dos Jogos Olmpicos

    que sero realizados na China em agosto deste ano. Nesse impasse inegvel a

    importncia da opinio do Dalai Lama, lder espiritual e poltico dos budistas, que

    governou a teocracia tibetana desde seus 15 anos, iniciando em 1950, at o seu exlio

    como conseqncia do levante de separatista de 1959. Tenzin Gyatso (que recebe o

    ttulo de Dalai Lama) continua a comandar o movimento de independncia do Tibete e

    o estabelecimento de um Estado budista, articulando-se com personalidades

    internacionais. Relevante se faz mencionar, o fato de que, em favor dos tibetanos, no

  • ano de 1989, o Dalai Lama recebe o Prmio Nobel da Paz, ganhando adeptos pela

    causa no mundo, e reforando sua luta pela independncia.

    Em contrapartida, o Governo chins faz resistncia ao separatismo tibetano

    alegando defender sua soberania nacional, chegando at mesmo a negar ajuda

    oferecida pelo Canad, como uma maneira de afirmar o carter interno em que se

    apresenta esse conflito. Outro argumento contundente explorado pela China em sua

    defesa a situao econmica do Tibete. O fato de ampliar as infra-estruturas no

    interior do pas tem sido usado como forma de manter uma imagem de ingratido dos

    tibetanos. Enquanto a Rdio Internacional da China (CRI) publica uma notcia com os

    seguintes dizeres: Tibete Economia concretiza desenvolvimento de salto em 2007,

    a AFP (Agncia France Presse), de Pequim noticia essa manchete: Boom econmico

    no Tibete no beneficia a todos. A China alega estar se esforando para desenvolver

    economicamente o interior, incluindo o Tibete. Ao passo que, a opinio internacional,

    em grande medida, desmascara a estratgia chinesa de permitir a entrada em massa

    da etnia Han nesses territrios, diminuindo a influncia dos que se reivindicam donos

    do territrio: os tibetanos. Dessa forma os benefcios citados pela mdia chinesa no

    atingiriam necessariamente os tibetanos e sim a maioria Han.

    H algum tempo, um discurso defendido pelo governo chins de que o Dalai

    Lama, que defende alm da independncia a implantao de uma democracia no

    Tibete, estaria se valendo deste fato para continuar a receber apoio dos EUA. A crtica

    dos chineses argumenta que se o Dalai Lama um deus vivo, cuja autoridade

    incontestvel, como poderia ele concorrer em eleies livres, num futuro Tibete

    democrtico independente? H, entretanto, um assunto menos mencionado pela

    mdia internacional que apia o Tibete. Faz-se de enorme importncia que levemos em

    conta o fato de que na cadeia montanhosa do Himalaia que nascem grande parte dos

    rios que abastecem a China. Um pas da dimenso demogrfica da China e que almeja

    sua insero no mercado mundial pelo desenvolvimento econmico no pode se dar

    ao luxo de perder preciosa fonte de gua que o Tibete. Nota-se a preocupao

    chinesa em torno da gua: recentemente foi reportada no Portal Exame uma poltica

    para resolver os inmeros problemas enfrentados pela China relacionados ao

    tratamento e ao abastecimento de gua. O slogan do programa encabeado pela

  • General Electric Um camelo pode viver 30 dias sem gua. Uma economia em

    desenvolvimento no.

    Tambm de maneira oportuna pases ocidentais se aproveitam do movimento

    separatista...

Recommended

View more >